CARLOS FITCH: PASTOR MILERITA QUE PARTIU ANTES DA DECEPÇÃO DE 1844
Ricardo
André
“Combati
o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a
coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente
a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda” (2 Tm 4:7,8, NVI).
Quando o apóstolo Paulo
escreveu a segunda carta a Timóteo, seu querido filho na fé (1 Tm 1:2; 2 Tm
1:2), por volta de 66 d. C., estava em seu segundo e último aprisionamento em
Roma, aguardando o julgamento e possível condenação (Dicionário Bíblico Adventista [Tatuí, SP: CPB, 2016], p. 1329, 1330).
Depois de tão grande labuta, depois de perseguido, açoitado e encarcerado, para
não ser julgado pelo injusto tribunal da Judeia, onde sua morte seria certa,
mas prematura, apelou para o imperador César, sendo enviado para Roma a fim de
ser julgado por Nero, o mais tirano dos imperadores romanos. Ele Encontrava-se
sozinho com Lucas, seu amigo e médico pessoal. Todos os demais já haviam ido.
Vários já haviam morrido. Outros estavam presos. Um, por nome Demas, já havia
apostatado da fé. Paulo estava abandonado, em cadeias na prisão Marmetina. Ele
sabia que a sua vida estava no fim.
Aquela terrível prisão
fica perto do Coliseu, no centro de Roma. Era considerada a mais terrível das
prisões de sua época: sem luz, sem ar, úmida e paredes que filtram no inverno.
Qualquer pessoa que visita a prisão Marmetina nunca vai esquecer o que Paulo
sofreu naquele lugar.
Depois de ter cumprido
sua missão em Roma, o velho soldado de Cristo encontrava-se em sua reclusão
final e dela só sairia para a morte. Ele sabia disso. Tanto é que ele afirmou: “Porque
já estou pronto para ser oferecido, e o tempo da minha partida está próximo” (2
Tm 4:6, BKJ 1611).
Paulo já era idoso.
Seus olhos estavam ofuscado pela velhice, mas ele via com os olhos da fé. Ele
via “mais além do Sol”, como expressa um dos hinos favoritos de muitos
adventistas. Seu corpo estava frágil, enfermo. Sua voz estava trêmula, fraca,
mas ele foi capaz de dizer: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei
a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me
dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua
vinda” (2 Tm 4:7,8, NVI).
Mesmo em circunstâncias
adversas, preso e abandonado por muitos em sua condenação, o idoso e esgotado apóstolo
“guardou a fé”, e não deixou de demonstrar ao mundo e a todos os cristãos a
esperança que tinha em seu Salvador. Em outras palavras, ele disse: Eu amei o
Mestre, amei a sua vinda e estou pronto para morrer, e se O amares e esperares
com amor por Ele, receberás a coroa da vida” Quão abençoada tinha sido a
experiência do grande apóstolo dos gentios! O amor era o eixo central de sua
vida. Ele amava a vinda de Jesus.
Ao final de sua
carreira, ele oferece sua vida, seu corpo como um sacrifício vivo ao Senhor. E
reafirma categoricamente que Cristo virá para aqueles que O esperam com amor no
coração. A NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje) diz: “a todos os que
esperam, com amor, a sua vinda”. A versão da Bíblia Viva diz: “E não só a mim,
mas a todos aqueles cujas vidas mostram que eles estão aguardando ansiosamente
a sua vinda outra vez”.
AMANDO
A SUA VINDA
O que significa amar a
vinda de Jesus? Sempre pensei que esta expressão “a todos os que amam a Sua vinda” se referia àqueles cristãos que
tinham sentimentos piedosos e amáveis a respeito da vinda do Senhor e, por
conta disso seriam recompensados com uma coroa de justiça, porque os seus
corações ardiam quando pensavam no advento. Contudo, indubitavelmente, a
expressão significa mais do que isto.
A palavra “amam”
empregada pelo apóstolo Paulo, no original grego é agapaõ. “A palavra sugere muito mais do que um mero impulso, exige
que toda a vida, todos os estágios do pensamento e da ação sejam orientados em
direção à pessoa amada. A jubilosa perspectiva do segundo advento controla a
maneira dos cristãos usarem o tempo e o dinheiro, afeta a escolha de seus
amigos e provê um poderoso incentivo para eliminar os defeitos de caráter e se
tornarem mais semelhantes a Cristo” (Comentário
Bíblico Adventista, v. 7, p. 368). Portanto, amar a Sua vinda significa desejar
ardentemente que ela aconteça logo, semelhante a um casal de noivos que se amam
e estão prestes a se casarem. A vida de ambos em grande parte será determinada
pelo pensamento de que o casamento está para acontecer. O tempo todo eles
estarão fazendo preparativos.
Amar a vinda de Jesus
significa viver à luz do Seu iminente retorno, comportar-se como se Ele viesse
hoje. Amar a Sua vinda significa viver em pureza moral. Pois como João nos exorta:
“E qualquer homem que tem nele esta esperança purifica-se a si mesmo, assim
como ele é puro.” (1 Jo 3:3, BKJ 1611). É educar-se para a eternidade. Significa
não enredar-se nas coisas desta vida. Devemos fixar o nosso amor e a nossa
atenção nas coisas “lá do alto”, não nas da terra (Cl 3:2), como fazem aqueles
que não amam a vinda de Jesus, que querem mais é “curtir a vida” de forma
desregrada.
O amor pela vinda de
Jesus deve ser também um amor que testemunha. Nossa espera não deve ser
passiva, mas há um sentido muito real em que devemos “trabalhar” para que ele
venha logo, cooperar com Deus para o dia da vinda de Jesus. O apóstolo Pedro
escreveu: “Esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda. Naquele dia os
céus serão desfeitos pelo fogo, e os elementos se derreterão pelo calor” (2 Pd
3:12, NVI). Note que Pedro nos instrui não somente aguardar a vinda de Jesus, mas também apressar, ou seja, de alguma forma cooperar para que este dia
chegue em breve. Como podemos apressar a vinda de Jesus? O melhor modo de
cooperarmos, apressando o dia de Jesus é anuncia a Sua vinda. Neste sentido, aquele
que ama a Jesus sai em busca de almas perdidas por quem Ele morreu. Ellen G.
White escreveu: “Se vos conservais no amor de Deus, a alma será circundada por
uma influência que será um aroma de vida para vida. Deveis velar pelas almas
como quem deve prestar contas” (Este Dia
com Deus [MM 1980], p. 363). Portanto, não basta ter pensamentos afáveis a
respeito da vinda do Salvador. A coroa de justiça está reservada para aqueles
que a amam o suficiente para permitir que essa verdade transforme radicalmente
as suas vidas. Não é suficiente sustentar a verdade a respeito da Sua vinda;
essa verdade precisa levar-nos a uma mudança de vida e a vencer nossos defeitos.
CARLOS
FITCH AMAVA A VINDA DE JESUS
No movimento milerita
do século XIX, nos EUA, que deu origem a Igreja Adventista do Sétimo Dia, encontramos
um servo de Deus que, à semelhança de Paulo, demonstrou um imenso amor pela
vinda de Jesus. O nome dele é Carlos Fitch (1804-1844), primeiro pastor da
Igreja Congregacional de Boston “a aceitar o milerismo, em 1838, depois de ler
por seis vezes o livro Evidence From
Scripture (“Evidência a Partir das Escrituras”), de Guilherme Miller” (Enciclopédia Ellen G. White [Tatuí, SP:
CPB, 2018], p. 412). Naquele período um grande grupo de cristãos de várias
denominações, estimado entre 50 a 100 mil pessoas, e entre 700 a 2 mil pastores,
creram nas pregações de Guilherme Miller e se uniram a ele na proclamação da
breve volta de Jesus para 22 de outubro de 1844, dando forte impulso ao
“movimento milerita” (C. Mervyn Maxwell. História
do Adventismo, p. 19). Entre esses pastores que apoiaram Guilherme Miller,
para que suas pregações sobre a volta de Jesus alcançassem as cidades grandes e
tomassem âmbito nacional estava Carlos Fitch.
Em 22 de outubro de
1844, há 179 anos, aqueles que haviam aceitado essa mensagem aguardavam com
ardente expectativa e com alegria a vinda de Jesus. Eles interpretaram de forma
equivocada a profecia dos 2 300 dias de Daniel 8:14. O cálculo do período
profético estava correto, mas o acontecimento estava errado, porque Cristo não
voltaria a Terra nesse dia, mas entraria no Lugar Santíssimo do santuário
celestial, como nosso Sumo Sacerdote, para iniciar o Juízo Investigativo ou o
Juízo Pré-Advento, como parte do processo de expiação do Seu povo, tal qual
fazia o sumo sacerdote no santuário terrestre, no dia da expiação, 10º dia do
7º mês do calendário judaico (Hb 8:1-5; Lv 16).
Como sabemos, foi uma
grande decepção para os mileritas que aguardavam o fim da dor nessa data. Jesus
não veio no dia que marcaram. Um dos fatos mais impactantes foi justamente o do
pastor Carlos Fitch, de 30 anos. A vida dele é um exemplo de fé e esperança na
volta de Jesus. Ele sentia grande alegria ao ver pessoas se entregando ao
Senhor. No início de outubro de 1844, Fitch não teve medo de permanecer por um
longo período na água para batizar. Realizou três cerimônias batismais. Como
ele, milhares de pessoas estavam convencidas de que Jesus voltaria no fim
daquele mês. Por isso, entendiam a necessidade do batismo a fim de estar
prontas para ter o encontro com o Senhor. Fitch batizou todos que o procuraram
naquele dia. O frio era intenso no nordeste dos EUA, e a água estava quase
congelada. Fitch não teve medo de adoecer ou morrer, pois sua esperança era
viva e, para ele, se materializaria em questão de semanas.
Porém, oito dias antes
da data marcada para a volta de Jesus, o pastor faleceu na segunda-feira do dia
14 de outubro, acometido por uma pneumonia, contraída em decorrência da
exposição ao frio naqueles batismo extenso. “O periódico milerita Midnight Cry relatou que “sua viúva e
filhos órfãos estão agora em Cleveland, aguardando confiantemente a vinda de
nosso Senhor para reunir os membros espalhados de Sua família em alguns poucos
dias. ‘A irmã Fitch está...sorridente e feliz’.” (C. Mervyn Maxwell, História do Adventismo, p. 35 e 36).
Após o funeral de
Carlos Fitch, seus dois filhos, em meio às lágrimas, pergunta a sua mãe:
“Mamãe, nós veremos papai novamente?” “Sim, queridos”, respondeu corajosamente
a Sra. Fitch. Em poucos dias, quando Jesus retornar, Ele despertará papai e
seus irmãos adormecidos também, e então seremos uma família completa e feliz
outra vez, para sempre!” (Idem)
Sua resposta revela que
ela estava segura de que ele seria ressuscitado em uma semana. Mas o Senhor não
veio. A
Sra. Fitch fez parte do grupo de adventistas que viu a doce esperança da
segunda vinda de Jesus, aguardada para o dia 22 de outubro de 1844, ser
revertida em amargo desapontamento. Carlos Fitch continua descansando em seu
leito poento. Quando o Senhor aparecer nas nuvens dos céus, erguerá do pó o
pastor Carlos Fitch para dar-lhe a “coroa da justiça”.
Em sua primeira visão,
Ellen G. White viu o pastor Fitch na Nova Terra, debaixo da árvore da Vida. Ela
escreveu: “Todos nós fomos debaixo da árvore, e sentamo-nos para contemplar o
encanto daquele lugar, quando os irmãos Fitch e Stockman, que tinham pregado o
evangelho do reino, e a quem Deus depusera na sepultura para os salvar, se
achegaram a nós e nos perguntaram o que acontecera enquanto eles haviam
dormido. Tentamos lembrar nossas maiores provações, mas pareciam tão pequenas
em comparação com o peso eterno de glória mui excelente que nos rodeava, que
nada pudemos dizer-lhes, e todos exclamamos - "Aleluia! é muito fácil
alcançar o Céu!" - e tocamos nossas gloriosas harpas e fizemos com que as
arcadas do Céu reboassem. (Primeiros
Escritos [Tatuí, SP: CPB, 1988], p. 17).
CONCLUSÃO
Após o desapontamento
de 22 de outubro de 1844, um grupo de milerita sinceros, mesmo sem entender por
que Jesus não havia voltado, perseveraram no estudo da Bíblia e na oração.
Entenderam
o erro de tentar datar o retorno do Senhor. Perceberam o equívoco de sua
interpretação profética, mas não abandonaram sua crença na Segunda Vinda de
Cristo, ou a convicção de que o seu movimento era de origem divina. Renovado
interesse no estudo da Bíblia resultou em mais clara compreensão da profecia. “Muitas
vezes ficávamos reunidos até alta noite, e às vezes a noite toda, pedindo luz e
estudando a Palavra”, escreveu Ellen G. White (Mensagens escolhidas, v. 2, p. 206). Foi desse espírito de oração e
sincero exame das Sagradas Escrituras que surgiu a Igreja Adventista do Sétimo
Dia. A breve volta de Jesus tornou-se uma grande certeza para Ela. Essa igreja foi
estabelecida com a missão mundial de avisar ao mundo de que Cristo voltará (Ap
10:8-11; 14:6-12).
Fundaram-se
instituições médicas e educacionais em muitas partes do Globo. Foram erigidas
igrejas, escolas, hospitais e casas publicadoras para ajudar a levar o
evangelho eterno a toda nação, tribo, língua e povo. Os Adventistas do Sétimo
Dia consideram sua vocação um cumprimento da profecia bíblica. Eles devem desempenhar
uma parte muito importante no soar da sétimo trombeta (Ap 11). Encaram com
seriedade a ordem de Ap 10:11: “Importa que profetizes outra vez
acerca de muitos povos, nações, línguas e reis”.
A
esperança da volta de Jesus é viva e logo se cumprirá. Vislumbrando aquele grande dia, Ellen White escreveu: “Dentro de pouco
tempo Jesus virá para salvar Seus filhos e dar-lhes o toque final da
imortalidade. Este corpo corruptível se revestirá da incorruptibilidade, e este
corpo mortal se revestirá da imortalidade. As sepulturas se abrirão, e os
mortos sairão vitoriosos, clamando: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão?
Onde está, ó inferno, a tua vitória?" I Cor. 15:55. Os nossos queridos,
que dormem em Jesus, sairão revestidos da imortalidade. E, ao ascenderem os
remidos aos Céus, abrir-se-ão os portais da cidade de Deus de par em par, e
neles entrarão os que observaram a verdade. Ouvir-se-á uma voz mais bela que
qualquer música que já soou aos ouvidos mortais, dizendo: "Vinde, benditos
de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação
do mundo." Mat. 25:34. Então os justos receberão sua recompensa. Sua vida
correrá paralela à vida de Jeová. Lançarão suas coroas aos pés do Redentor,
tangerão as harpas de ouro e encherão todo o Céu de bela música” (Conselhos
Sobre Mordomia, p. 350).
Que dia será aquele, quando Jesus abrir todos os cemitérios
do mundo! Erguerá os mortos e nos unirá pela eternidade como os nosso queridos.
Jesus promete tanto aos ressuscitados quantos aos vivos: “(...) voltarei e os
levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver” (João 14:3, NVI).
Vidas solitárias e frustradas despertarão para a amizade com Jesus através dos
tempos eternos.
Caro amigo leitor, em
pouco tempo Jesus restaurará todas as coisas e dará vida eterna aos Seus
escolhidos. Você está pronto?
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