SOMOS A ÚLTIMA GERAÇÃO?
Ricardo André
Na primeira metade do
ano de 1984, com 11 anos, tornei-me Adventista do Sétimo Dia, depois de
participar de uma série de estudos bíblicos, num Evangelismo Público, realizado
pelo irmão Wilson, militar reformado do Exército, de saudosa memória, membro da
Igreja Adventista da Cidade do Cabo de Santo Agostinho/PE. A pregação sobre a
volta de Jesus encheu-me de alegria. Após esse estudo tomei a decisão de
preparar-me e anunciar esta mensagem a todas as pessoas que estivessem ao meu
alcance. Gosto de pregar sobre a volta de Jesus em glória e Majestade, e isto
tenho feito através dos anos.
Convencido de que os
ensinos e crenças adventistas estavam em perfeita harmonia com as Sagradas
Escrituras, decidi me batizar no dia 17 de agosto de 1985, e fui logo integrado
ao Grupo do Bairro São Francisco. Era ainda uma criança com apenas 12 anos de
idade, mas com uma firme convicção de que estava tomando a melhor decisão da
minha vida, e de que Cristo estava conduzindo minha decisão. Aquele foi um dia
muito feliz para mim, que marcou indelevelmente minha vida. Esse ano (2023)
fará 38 anos que entreguei minha vida a Jesus através do batismo. Nunca me
arrependi da decisão que tomei naquele ano.
Como cristão
adventista, acredito profundamente que Jesus irá voltar em glória e majestade
(Mt 24:30), e desejo vê-lo. Creio que Ele virá pessoalmente (At 1:11). Agora,
em meus 50 anos, firme na crença de que a morte será apenas um descanso até que
Ele venha, meu desejo pela iminência de Sua vinda continua. Meu anseio pelo fim
do pecado e do sofrimento que destrói vidas na Terra somente tem aumentado com
o passar dos anos.
No seu célebre sermão
profético Jesus ensina sobre a “última geração”, dizendo: “Aprendam a lição da
figueira: quando seus ramos se renovam e suas folhas começam a brotar, vocês sabem
que o verão está próximo. Assim também, quando virem todas estas coisas, saibam
que ele está próximo, às portas. Eu lhes asseguro que não passará esta geração
até que todas essas coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas
palavras jamais passarão” (Mt 24:32-35, NVI).
O termo “última
geração” evoca diferentes imagens mentais. Para alguns, a expressão apresenta a
incapacidade da Terra para suster infinitamente a vida. Para outros, a
devastadora destruição da guerra nuclear. E ainda para outros, uma calamidade
cósmica iminente. Para aqueles que antecipam a vinda de Cristo, essas medrosas
predições são, elas mesmas, afirmações da vinda de Cristo, e eles mantêm a
esperança de estar entre a última geração.
Quando Jesus diz “esta
geração”, “no v. 34, estão no contexto dos v. 27 a 51, que lidam exclusivamente
com a vinda do Filho do Homem no fim do mundo. O sinais referidos nestes versos
e em Lucas, “sinais” nos céus e “sobre a Terra” (Lc 21:25), teriam lugar tão
perto do dia de sua vinda que Cristo declarou que a “geração” que vê o último
dos sinais não passará antes que se cumpram “todas essas coisas” [a vinda de
Cristo e o fim do mundo]” (Comentário
Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 5, p. 537).
Portanto, a “última
geração” é aquela que irá presenciar os sinais que precedem o segundo retorno
de Jesus à Terra. Quando esses sinais do tempo do fim, especialmente o último
sinal do tempo do fim que acontecerá quando cair a sétima praga (Ap 16:17-21),
a segunda vinda de Jesus estará às portas e a geração que vir a sétima praga,
verá também a volta de Cristo à Terra. A profecia se cumprirá. O próprio Senhor
Jesus garantiu: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais
passarão” (Mt 24:35, NVI).
A
mais bela promessa da Bíblia
Quando aproximava-se da
hora da Sua crucificação, Jesus falou muitas coisas importantes aos Seus
discípulos. Entre elas, a promessa de seu retorno à Terra. “Na casa de Meu Pai
há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos
lugar. E, quando Eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim
mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também” (Jo 14:2, 3). Esta é a
grande esperança de todos os cristãos através dos séculos (Tito 2:13). Ao
estudar a Bíblia, notamos que essa esperança, como um fio de ouro cobre toda a
Bíblia. Para cada passagem do Antigo Testamento sobre a primeira vinda de
Jesus, existem oito sobre a segunda vida. Em cada 25 versos do Novo Testamento,
um fala sobre a volta do Senhor Jesus.
Essa é uma esperança inabalável em tempo de incertezas. “Cristo vem com
poder e grande glória. Vem com Sua própria glória e com a glória do pai. Vem
com todos os Seus santos anjos” (Ellen G. White, Maranata, o Senhor Vem! [MM 1977], p. 96). Segundo as Sagradas
Escrituras, quando Jesus voltar, Ele será acompanhado por Seus milhões de
anjos. “Estes reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra
extremidade dos céus” (Mateus 24:31, NVI). Os primeiros cristãos foram
confortados com promessas como esta:
“Eis que eu lhes digo
um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num
momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a
trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos
transformados. Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revista de
incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista de imortalidade. Quando,
porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal,
de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: "A morte foi
destruída pela vitória". "Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está,
ó morte, o seu aguilhão?” (1Co 15:51-55, NVI).
Acredito ser útil
repetir essas e muitas outras passagens bíblicas familiares que proclamam a vinda
de nosso Senhor: 2 Tessalonicenses 1:10; 1 Coríntios 3:13; Apocalipse 22:7. A
bendita esperança (Tt 2:13) é vital à minha fé e a de muitas outras pessoas que
compartilham crenças cristãs biblicamente fundamentadas. Não tenho dificuldade
em confessar que, às vezes, as preocupações seculares, os desapontamentos,
sofrimentos, ou a pecaminosidade do mundo agridem minha confiança nas promessas
da segunda vinda de Jesus. Em tais ocasiões, o Espírito Santo usa esses textos
inspirados para conservar viva em meu coração a bendita esperança. Todos nós,
discípulos de Jesus Cristo, devemos reforçar nossa bendita esperança com a
garantia das Escrituras.
Quando
voltará Jesus?
Quando ocorrerá a volta
de Jesus? O tempo é um problema para nós. Temos esperado, e nossa esperança da
vinda de Cristo tem passado da expectativa para o desapontamento. Para alguns,
a resposta à espera tem sido apoderar-se de alguns meios para controlar o
momento determinado da vinda de Jesus, como se pudéssemos, por meio de algum
esforço próprio, nos tornar a última geração. Em vez disso deveriam se submeter
à Sua providência.
Nós somos um pouco
iguais aos desapontados discípulos de Jesus, que alimentaram a ideia de
restauração da glória de Israel em seus dias. O relato feito por Ellen G. White
sobre a confusão deles revela que Jesus tentou nutrir o desejo deles pelo reino
incentivando-os a confiar em Sua providência: “Para animá-los, fez a promessa:
‘Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a
morte até que vejam vir o Filho do homem no Seu reino’ (Mt 16:27, 28). Mas os
discípulos não entenderam Suas palavras. A glória parecia muito distante.
Tinham os olhos fixos na visão mais próxima – a vida terrena de pobreza,
humilhação e sofrimento. Deverá ser abandonada sua brilhante expectativa do
reino do Messias?” (O
Desejado de Todas as Nações, p. 417, 418).
A verdade é que Jesus afirmou
que viria (João 14:1-3). Mas também afirmou: “Quanto ao dia e à hora ninguém
sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai” (Mt 24:36, NVI).
A precisão da data da volta de Jesus não nos foi revelado. Logo, não temos que
especular. A única coisa correta a fazer é esperar. Ele virá em qualquer
momento depois da sétima praga. A determinação da data está sob o exclusivo
controle do Pai. É um mistério de Deus. Embora Jesus tenha dito categoricamente
que ninguém sabe, além de Deus, quando Ele voltará, afirmou que haveriam sinais
e condições para que Ele voltasse. Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21 registram o
que Jesus disse sobre o tema.
Sinais
da vinda de Cristo
Desde minha infância,
eventos no mundo natural e ocorrências na sociedade têm sido notados como
sinais da breve vinda de Cristo. Esses eventos têm sido uma fonte de
encorajamento em algum sentido. Professores da Escola Sabatina, pastores,
pregadores e evangelistas descreviam os desastres naturais, importantes
acontecimentos políticos e religiosos, e o aumento do conhecimento em nossa
sociedade como sinais da breve vinda de Jesus. Embora esses sinais às vezes
estejam no contexto do sofrimento humano, as palavras de Jesus servem para nos
lembrar de que Ele está vindo para colocar um fim a esta era.
Reconhecer esses
eventos como sinais não é apenas um pensamento desejável. Jesus ensinou que
eles são sinais de Sua vinda: “guerras e rumores de guerras”; “fomes e
terremotos em vários lugares”; “falsos profetas e enganarão a muitos”; “por se
multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”; “e será pregado
este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações.
Então, virá o fim” (Mt 24:6, 7, 11, 12, 14). Em II Timóteo 3:1-5 Paulo diz que
nos últimos dias as pessoas seriam “mais amantes dos prazeres do que amigos de
Deus”. Nossa época entrou para a
história como “o século do sexo”; pois, o sexo se tornou “o deus deste século”
(cf. 2Co 4:4). A Internet, as propagandas e a mídia em geral estão permeadas de
cenas eróticas. Os seres humanos estão sendo influenciados constantemente a
desenvolverem, em nome da cultura, um estilo de vida promíscuo. Além do
adultério e da formicação convencionais, existe hoje também o cibersexo ou sexo
virtual que se infiltrou sorrateiramente nos escritórios e mesmo nos lares de
muitos professos cristãos. A Internet se transformou no maior motel do mundo.
No Salmo 24:3,4 lemos:
“Quem subirá no monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O
que e limpo de mãos e puro de coração”. Além disso, estamos presenciando o
aumento insuportável de assaltos, violência e crimes. A sociedade parece está
impregnada de cobiça, lascívia, luxúria, e para satisfazer seus desejos
animalescos cometem os crimes mais hediondos. O terrorismo de grupos radicais
islâmicos parece uma praga que se espalhou pelo mundo, e mata centenas de
pessoas. A humanidade está chocada. É a fome, a guerra, o terrorismo, a
violência. Essas e muitos outros sinais na Terra ou na expansão do firmamento
afirmam e criam um sentido de iminência do retorno de Cristo enquanto passam os
anos.
Cremos que “os sinais
dos tempos, a cumprirem-se rapidamente, declaram que a vinda de Cristo está
próxima, às portas. Os dias em que vivemos são solenes e importantes” (Ellen G.
White, Exultai-O, [MM 1992], p. 357).
Por
meio dos sinais, somos lembrados de que nossos sonhos logo serão concretizados.
“Insto com os membros de nossas igrejas para que não ignorem os sinais dos
tempos, os quais anunciam claramente que o fim está próximo” (Ellen G. White, Pacific Union Recorder, 1º de dezembro de
1904).
Mas o tempo tem se
tornado um problema para nós. A reflexão sobre a redundância desses sinais,
enquanto os anos passavam, levou-me a examinar a urgência das minhas esperanças
à luz da providência de Deus. Jesus nos advertiu de que há um tempo determinado
que nós não conhecemos. “Vede, não vos assusteis, porque é necessário assim
acontecer, mas ainda não é o fim”; “tudo isso é o princípio das dores”; “aquele
que perseverar até o fim, esse será salvo”. “Portanto, vigiai, porque não
sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (Mt 24:6, 8, 13, 42). Os cristãos de
Tessalônica foram aconselhados a esperar, mas sem identificar o dia da vinda de
Cristo (2Ts 2). Aparentemente, Jesus tencionou que nos lembremos diariamente da
promessa de Sua vinda, e confiemos em Sua providência enquanto cuidamos de Seus
negócios – o mundo e seus cidadãos, os quais Ele apaixonadamente deseja redimir.
Conclusão
Quanto
tempo mais teremos que esperar pela volta de Jesus? Somente Deus sabe quando
Seu Filho deverá voltar para nos buscar. O que me concerne é estar preparado,
vigilante, hoje. É isso que o Senhor espera de mim e de qualquer que ama a Sua
vinda. A verdade é que, independentemente de quanto tempo tenhamos que esperar,
é certo que Jesus virá, pois Ele mesmo deu Sua palavra de honra ao prometer: “Virei
outra vez” (Jo 14:3; Ap 22:20). Seu segundo advento é um certeza
divina! O apóstolo Paulo sabendo que, no tempo
do fim, os que houvessem aceitado o evangelho eterno seriam tentados a perder a
confiança nele por causa da aparente demora da volta de Jesus, ele
escreveu: “Porque ainda um pouquinho de tempo, e o que há de vir
virá, e não tardará” (Hebreus 10:37, ACF). Deus mantém conta certa
do tempo. A Bíblia permanece verdadeira. As mensagens transmitidas por visões
proféticas a João e Daniel estão tendo seu cumprimento no presente, e muitas
outras no futuro bem próximo. As mensagens dadas à Igreja Remanescente pela
inspirada profetisa Ellen G. White nos guiarão até ao fim. Muitos luminares
brilhantes poderão apagar-se, tornando-se trevas, mas a luz profética brilhará
e mais à medida que se aproximar do glorioso dia da volta de Jesus.
Vislumbrando aquele grande dia Ellen White escreveu: “Dentro de pouco tempo Jesus virá para
salvar Seus filhos e dar-lhes o toque final da imortalidade. Este corpo
corruptível se revestirá da incorruptibilidade, e este corpo mortal se
revestirá da imortalidade. As sepulturas se abrirão, e os mortos sairão
vitoriosos, clamando: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó
inferno, a tua vitória?" I Cor. 15:55. Os nossos queridos, que dormem em
Jesus, sairão revestidos da imortalidade. E, ao ascenderem os remidos aos Céus,
abrir-se-ão os portais da cidade de Deus de par em par, e neles entrarão os que
observaram a verdade. Ouvir-se-á uma voz mais bela que qualquer música que já
soou aos ouvidos mortais, dizendo: "Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por
herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." Mat.
25:34. Então os justos receberão sua recompensa. Sua vida correrá paralela à
vida de Jeová. Lançarão suas coroas aos pés do Redentor, tangerão as harpas de
ouro e encherão todo o Céu de bela música. Signs of the Times, 15 de abril de
1889” (Ellen G. White, Conselhos Sobre
Mordomia, p. 350).
Que dia será aquele, quando Ele abrir todos os cemitérios do
mundo! Erguerá os mortos e nos unirá pela eternidade como os nosso queridos.
Jesus promete tanto aos ressuscitados quantos aos vivos: “(...) voltarei e os
levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver” (João 14:3, NVI).
Vidas solitárias e frustradas despertarão para a amizade com Jesus através dos
tempos eternos.
Amigo, espero fazer parte da última geração. Você também
deseja? Essa última geração pode ser a nossa, ou alguma geração futura. Não
sabemos quando Ele virá, nem precisamos saber. Ele virá quando menos esperarmos
(Mt 24:44). As condições na Terra indicam que o segundo advento está próximo.
Poderia ser hoje? Prevemos um tempo de angústia como nunca houve (Mc 13:19),
embora entendamos que, para muitos dos filhos de Deus, esse tempo é agora. A
última geração pode ser surpreendida por Seu aparecimento!
Querido amigo, como está a sua fé e esperança na volta de
Jesus? Esperando-O cada dia, preparado? Nunca percamos a fé e a esperança na
Sua vinda. Ele é o Senhor do Advento. Nos preparemos e ajudemos a outros também
a se prepararem para o glorioso encontro com Senhor. “Todo o que pretende ser
um servo de Deus é convidado a realizar Seu serviço como se cada dia fosse o
último.” (Ellen G. White, Maranata: O Senhor Vem![MM 1977], p. 106).
Se fizermos dEle o Senhor do nosso coração, nós O receberemos alegremente por
ocasião de Seu retorno à Terra. Os
remidos Lhe darão glória e boas-vindas, com alegria, no tempo determinado por
Ele. Enquanto isso não ocorre, cuidemos dos negócios do nosso Pai! Que
o Espírito Santo nos capacite e fortaleça para vivermos de acordo com os
princípios do Reino e cumpramos a nossa missão nesta última geração.
Agora,
convido você a orar a Deus. Na sua oração de consagração confirme ao Senhor o
seu desejo de estar preparado quando Ele chegar e que deseja vê-Lo vindo
naquela nuvem com glória e majestade! Não deixe esta
decisão para mais tarde, pode ser tarde demais.
Que assim seja, é minha oração. “Amém. Vem, Senhor Jesus!”
(Ap 22:20).
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