ESPERANÇA ALÉM DESTA VIDA
Ricardo André
A
grande certeza da vida, desde que nascemos, é que um dia morreremos. Desde
nosso primeiro instante de vida, entramos em uma contagem regressiva que
marcará nossos dias de vida terrestre. A cada instante estamos mais próximos
deste momento tão “misterioso” e temido por muitos. Neste exato momento, muitos
estão dando seu último suspiro. Indubitavelmente, a morte é uma triste
experiência pela qual a humanidade passa. As Sagradas Escrituras revelam que
fomos criados para viver eternamente, mas ela entrou no mundo como consequência
do pecado cometido pelo homem. Portanto ela é uma intrusa. A morte é o salário
do pecado (Gn 2:17; Rm 6:23) e conflita com o desejo humano de permanência.
Como afirmou S. Júlio Schwantes: “A transitoriedade das glórias terrestres e a
vã esperança de permanência acalentada em todo coração, constituem melancólico
contraste. A inevitabilidade da morte lança um véu sombrio sobre os sonhos mais
dourados” (O Despontar de uma Nova Era,
p. 269).
Quando
perdemos um ente querido para a morte, esta produz um vazio e uma sensação de
carência difíceis de serem igualados. Ela é a maior frustração humana que nos
leva a perguntar: A morte é o fim de tudo? O que será de nós? Poderemos
reencontrar nossos queridos que morreram? E, para essa realidade,
é importante olhar para a Palavra de Deus e perceber o que ela ensina.
O pensamento materialista e a morte
Para
os materialistas ateus, não existe nada além da matéria e da energia. Portanto,
eles negam a realidade do sobrenatural e da existência de Deus. Eles não
conseguem ver um sentido para a vida e para a morte. Eles encarem a vida de
maneira trágica, como algo sem sentido. Martin Heidegger (1889-1976), filósofo
existencialista alemão, dizia: “A morte é um modo de ser que a existência
humana assume, desde que ela tem início”. Por isso os existencialistas definem
o homem como um “ser-para-a-morte”, não só porque está destinado a morrer, mas
porque é constantemente atingido pela realidade da morte.
Os
existencialistas afirmam que a vida humana é limitada por dois nada: o homem
teria surgido do nada, não como resultado de uma criação especial por um Deus
amoroso, e se dirige lenta e inexoravelmente para outro nada. E o que dá uma
nota trágica à existência – para os existencialistas ateus – é que a pessoa tem
consciência de estar caminhando para a destruição; isto é terrível. Então,
nasce dentro do homem a angústia de que Heidegger falava ou a náusea de Jean
Paul Sartre. Nesta mesma linha outros filósofos fizeram muito mal à humanidade,
especialmente aos jovens, pois deram à vida uma conotação sombria, sem a
esperança da fé cristã.
O
famoso filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que estava determinado
a ver Deus morto e sepultado, é uma outra figura típica desta atitude
irreligiosa. Foi o filósofo mais satírico em relação a Deus e ao sistema de
valores cristãos. Vários de seus textos critica duramente a religião. Ele é
amplamente conhecido por sua filosofia niilista e por sua ideia de que “Deus
está morto”. Ele despertou para a filosofia através de Schopenhauer. Ele disse
que: “Schopenhauer foi, como filósofo, o primeiro ateísta confesso e inflexível
que nós alemães tivemos”. Como quase todos os ateus depois de Feuerbach,
Nietzsche também considera a religiosidade como uma inconsciente projeção.
Com
base na perspectiva de Nietzsche, a vida não tem nenhum significado, propósito
ou valor intrísico. Que quadro desolador!
Para
o grande filósofo alemão Karl Marx (1818-1883), cujas ideias revolucionaram o
pensamento filosófico, rompendo barreiras e desvelando a forma de organização
de nossa sociedade, Deus e a religião não passavam de meras projeções humanas.
Afirmou que a religião havia sido inventada como uma forma de reagir contra o
sofrimento e a injustiça do mundo, os pobres e oprimidos tinham criado a
religião para imaginar que teriam uma vida melhor após a morte. Servindo como
uma forma de “ópio”, uma maneira de escapar da realidade. Portanto, para ele, o
ateísmo é um postulado evidente. Tanto é assim que ele escreveu: “A miséria
religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto
contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de
um mundo sem coração, assim como o espírito de estados de coisas embrutecidos.
Ela é o ópio do povo.” (“Crítica da
Filosofia do Direito de Hegel”, ed. Boitempo, p. 145). Ele ainda
vislumbrava a possibilidade do desaparecimento do sentimento religioso com a
eliminação da alienação, numa sociedade despojada da exploração do homem pelo
homem e livre do trabalho alienado.
Richard
Dawkins, considerado ícone do ateísmo atual, autor de Deus: Um Delírio, pretende “esclarecer” que Deus não passa de
invenção de pessoas desiludidas. Ele afirma categoricamente a intenção de seu
livro: “Os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o tiverem
terminado”.
Portanto,
Deus, para estes ateus não é senão uma ilusão criada pelo homem buscando uma
compensação diante de sua miséria; o que o faz fugir do mundo e das grandes
tarefas humanas. Se Deus não existe, então para esses filósofos a morte é o
fim. Não existe nada mais. A escritora cristão Ellen G. White
afirma que a humanidade fracassará em todas as suas tentativas de progresso se
“negligenciar a única Fonte de esperança” (Caminho
a Cristo, p. 20).
Para
além do “ópio” de Marx, nossa religação com Deus é a chave para o mistério dos
mistérios, o significado da vida. Deus é o Criador da vida, por isso é Ele que
dá sentido à vida. Deus nos criou para Seu louvor (Isaías 43:20-21). Ele nos formou
de maneira especial, para mostrar Sua glória e Seu amor através de nós. Esse é
o grande sentido da vida. A satisfação plena é produto da segurança absoluta e
da paz interior que só Deus pode dar. Só um Deus infinito pode preencher, com o
Seu amor, o espaço infinito do coração humano. E esta conquista espiritual está
ao alcance de todos os que, reconhecendo a sua insuficiência, aceitam o
presente que o Céu oferece – a vida eterna, através de Jesus Cristo: “Porque o
salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em
Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23).
“Nas
profundezas da alma humana se acha implantada a inquietação pelo futuro. Essa
percepção do infinito no tempo e no espaço produz insatisfação com a natureza
transitória das coisas desta vida. É o plano de Deus que o homem perceba que o
atual mundo material não constitui o centro de sua existência. Ele se acha
ligado a dois mundos: fisicamente a este mundo, mas mental, emocional e
psicologicamente ao mundo eterno” (Comentário
Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 3, 1075).
Há esperança para os mortos
Com
a realidade da morte, existem várias coisas importantes que podemos tomar para
a meditação do nosso coração. O apóstolo cristão Paulo, em sua inspirada carta
escrita aos tessalonicenses, traz uma palavra de encorajamento e de fé aos que
creem em Jesus. Diz-nos o apóstolo: “Irmãos,
não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se
entristeçam como os outros que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e
ressurgiu, cremos também que Deus trará, mediante Jesus e juntamente com ele,
aqueles que nele dormiram. Dizemos a vocês, pela palavra do Senhor, que nós, os
que estivermos vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, certamente não
precederemos os que dormem. Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o
ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os mortos em
Cristo ressuscitarão primeiro. Depois disso, os que estivermos vivos seremos
arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos
ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre. Consolem-se uns aos outros
com estas palavras. (1 Ts 4:13-18, NVI).
Os Tessalonicenses haviam recebido o Evangelho há bem pouco tempo. Após esta experiência maravilhosa, alguns de seus parentes e amigos "dormiram no Senhor"... Como esperavam permanecer vivos até o retorno do Senhor, e alguns "dormiram em Jesus", eles estavam extremamente perplexos. A fim de neutralizar esta tendência ao aborrecimento e tristeza imoderados, o apóstolo, os consola com a agradável esperança de uma reunião feliz e eterna com aqueles que morreram quando o Senhor Jesus aparecer em glória. Esse magnífico clímax da História é a última esperança do cristão. Diz o apóstolo Paulo: “Aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Ele Se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para Si mesmo um povo particularmente Seu, dedicado à prática de boas obras” (Tito 2:13, 14).
Na ocasião, ocorrerão dois dos
acontecimentos mais esperados pelos cristãos de todas as eras: a ressurreição
dos santos mortos e a transformação dos santos vivos. Como é bom ser cristão
adventista e crer na volta de Jesus. O quadro pintado por Paulo será a
concretização de todos os que creram e que creem em Jesus e que, vivos ou
mortos, aguardam ansiosos por Sua segunda vinda à Terra. Para eles, a morte não
é o fim de todas as coisas; é simplesmente um sono de espera pela ressurreição
e a vida eterna.
Esse
evento é o grande clímax da história! É o cumprimento de toda espera e
esperança do povo de Deus desde Adão até a última geração que estará vivendo na
Terra. Por isso, o nosso foco permanente está no retorno de Jesus, Aquele que
suportou a cruz “para tirar os pecados de muitos”, e que aparecerá pela segunda
vez “para aqueles que esperam ansiosamente por Ele” (Hebreus 9:28).
Sim, haverá uma feliz reunião.
Aqueles
que "dormiram no Senhor", não pereceram... Esta separação que nos
causa tanta dor não será eterna. Eles também contemplarão o Senhor retornando
em glória. Nós, os vivos "não precederemos os que dormem" v.15. Ou
como diz a Nova Tradução na Linguagem de Hoje: “não iremos antes daqueles que
já morreram”. Tanto nós quanto eles "seremos arrebatados" nas nuvens
(v. 17).
Portanto,
o apóstolo Paulo “assegura aos leitores que os cristãos vivos não se unirão ao
Senhor antes daqueles que dormiram. [...] Assim, os santos vivos não terão
prioridade sobre os que morreram no Senhor. Este ensino deixa claro o
verdadeiro estado daqueles que morreram “em Cristo”. Eles estão adormecidos,
aguardando a vinda do Senhor. Ainda não foram unidos ao Senhor, mas, como os
cristãos vivos, aguardam o segundo advento para a tão esperada união com o
Mestre (Jo 11:23-25). Nenhuma classe tem precedência sobre a outra; ambas serão
levadas juntas em glória ao Senhor na Sua vinda” (Comentário Bíblico Adventista, v. 7, p. 249).
Nesse
momento a história humana dará um salto para alcançar a eternidade, cuja porta
estará aberta quando Jesus, o Criador e Redentor estenderá a mão para dar as
boas-vindas aos fiéis, com as mais doces palavras jamais ouvidas: “Venham, […].
Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado” (Mateus 25:34). É a
herança final que estamos aguardando com esperança!
Existe uma forte razão para esta
maravilhosa esperança de uma reunião além da sepultura.
Esta
esperança está baseada sobre um sólido e indestrutível fundamento... Sim, ela
se baseia na realidade de um Cristo vivo (v.14). A ressurreição do Senhor é o
fundamento de nossa esperança. O apóstolo Pedro escreveu: Bendito seja o Deus e
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos
regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo
dentre os mortos, para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou
perder o seu valor. Herança guardada nos céus para vocês que, mediante a fé,
são protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada
no último tempo” (1 Pd 1:3-5, NVI).
Assim
como Deus, o Pai, trouxe Jesus, nosso Salvador, dentre os mortos na manhã de
Sua ressurreição no jardim, fora dos muros de Jerusalém, assim com Ele também
trará nossos queridos mortos à vida novamente, quando voltar a segunda vez. Ela
também está fundamentada no prometido e esperado retorno do Senhor à Terra (I
Tes. 1:10; Atos. 1:10, 11).
Nosso coração então pergunta:
"quando esta esperança será concretizada?"
Ela
se concretizará quando o Senhor Jesus descer do Céu "com poder e grande
glória". (I Ts 4:16; Mt. 24:30, 31). Sim, aqueles que "dormem no
Senhor" ressurgirão (v.16). Quando esta maravilhosa reunião acontecer, os
que "morreram em Cristo", ressuscitarão com um corpo incorruptível,
imortal e glorioso, conforme lemos em I Cor. 15:42-44. Paulo também diz que os
que estiverem vivos, serão transformados. “Eis que eu lhes digo um mistério:
nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e
fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos
ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Pois é necessário que
aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal,
se revista de imortalidade. Quando, porém, o que é corruptível se revestir de
incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a
palavra que está escrita: "A morte foi destruída pela vitória". "Onde
está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” O aguilhão
da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá
a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Co 15:51-57, NVI).
Como,
gradualmente? Não. “Num momento. Num abrir e fechar dos olhos” (1 Co 15:51,
52). Então esta reunião final, feliz e eterna acontecerá. Os salvos estarão
reunidos para nunca mais se separarem. Imagine a alegria que inundará o coração
dos salvos ao poderem abraçar os queridos ressuscitados, que morreram crendo em
Jesus. Não mais terão o rosto macilento e triste, marcado pela doença e a
morte. Terão na face a alegria e a felicidade de uma nova vida ressurgida para
a eternidade. Será maravilhoso aquela reunião quando, na presença de Cristo,
junto ao belo portal da Cidade, uma mãe receber a recompensa de seus labores,
tendo todos os seus filhos lá dentro. Inegavelmente, será um momento muito glorioso.
Será a vitória final de Jesus sobre as tristezas, dores, doenças, e a morte!
Essa certeza nos conforta e nos anima na jornada, enquanto aguardamos o grande
dia da volta de Jesus.
Que
maravilhosa consolação esta esperança nos traz! Aguardo com
muita expectativa o dia da volta de Jesus à Terra nas nuvens do Céu com poder e
grande glória (Mt 24:30; Ap 1:7). Quando Ele ressuscitar os Seus filhos fiéis,
quando o mesmo Senhor que disse à filha de Jairo “Talita cumi! Menina, eu lhe
ordeno, levante-se! "vai dizer à minha mãe: “Noêmia cumi! Eu te ordeno levanta-te”. Quão bom é sabermos que
"a morte não é o ponto final, mas uma vírgula na história da vida",
como alguém afirmou. Temos a esperança bíblica de um dia rever todos os nossos
que já dormem no Senhor.
Essa
minha reflexão bíblica é uma homenagem a Noêmia Cordeiro, minha mãe, amigos,
familiares e a todos os que, descansando em paz, aguardam o retorno do Senhor.
Em breve, as famílias do povo de Deus estarão reunidas outra vez, e para
sempre! Por isso o apóstolo ordena: "Consolai-vos... uns aos outros com
estas palavras" (v.18). Sim, o despojado pode ser consolado. Aquele que
crê em Jesus não deveria, como fazem os pagãos, encher-se de angustiosa e
desesperada tristeza na presença da morte.
Caro
amigo leitor, você crê que Jesus morreu e ressuscitou dos mortos? Você crê que
Ele vive para sempre? Você crê naquilo que Ele disse: "Porque Eu vivo,
vocês também viverão?" (João 14:19, BLH). Permita que esta crença abrande
sua tristeza. Você anseia pelo retorno do Senhor? Se assim for, você não deveria preocupar-se
por causa da condição presente e nem pelo estado futuro dos santos que
"dormiram". Como a morte e a ressurreição do Senhor são a garantia e
o penhor da ressurreição e glorificação de todos aqueles que "nEle
dormem", você deveria regozijar-se na esperança de reunir-se com eles na
cidade de Deus. Esta gloriosa e feliz reunião jamais terá fim. Um dia Jesus
chamará Seus filhos fieis de todos os tempos, você e a mim, a cada um de nós,
para uma vida que jamais acaba. Amém!
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