A IGREJA E OS SINAIS DOS TEMPOS
Por que os sinais são importantes na vida da igreja
O surgimento de nossa
igreja está relacionado a uma poderosa proclamação do breve retorno do Senhor
em glória. O pequeno grupo de crentes estava convicto de que a vinda de Cristo
estava às portas. Essa convicção se baseava no cumprimento de profecias bíblicas
e de sinais que deviam preceder o evento. As profecias de Daniel e Apocalipse,
juntamente com Mateus 24, ocuparam lugar importante nas pesquisas realizadas
pelos pioneiros para entender tal assunto. À semelhança deles, cremos que “os
sinais dos tempos, a cumprirem-se rapidamente, declaram que a vinda de Cristo
está próxima, às portas. Os dias em que vivemos são solenes e importantes”
(Ellen G. White, Exultai-O, [MM 1992],
p. 357).
O
remanescente como sinal
A Bíblia apresenta
grande número de sinais que funcionam como arautos do retorno de nosso Senhor.
Quero analisar profundamente a importância desses sinais. Em primeiro lugar,
menciono um sinal sobre o qual não temos o costume de falar. Trata-se de um
sinal que mostra o fato de que o propósito de Deus para com Seu povo está se
cumprindo na história. A presença do povo remanescente de Deus no fim do tempo
é um sinal.
Em primeiro lugar, o
remanescente é um sinal pelo fato de ter aparecido no tempo indicado na Bíblia.
A profecia descreve o ataque dos inimigos de Deus contra Cristo (Ap 12:5,4) e
prevê um permanente ataque contra a igreja (Ap 12:13-16). Bem no início de sua
história, a igreja enfrentou oposição de vários setores. As pressões sociais,
religiosas e legais que a igreja sofreu durante tempos difíceis causaram perdas
lamentáveis na área da verdade bíblica (Dn 7:25; 8:11, 12; 2Ts 2:3, 4).
Contudo, Deus nunca abandonou Sua igreja. Ele sempre convidou Seu povo a fazer
uma reforma. As profecias mostram que, ao se aproximar o fim do conflito
cósmico, um remanescente seria suscitado. Isso se cumpriu no tempo exato (Ap
12:17). O cumprimento dessa profecia demonstra que o plano de Deus estava se
cumprindo de acordo com Sua vontade.
A existência do
remanescente não quer dizer que Deus não Se interessa no restante do mundo
cristão. Ao contrário, a presença do remanescente mostra que Deus não rejeita o
mundo cristão, mas procura meios para usá-lo para Sua glória, se seus
integrantes o quiserem. O remanescente do tempo do fim é um sinal de esperança
para o cristianismo e para o mundo não-cristão.
Em segundo lugar, o
remanescente é um sinal que pode ser identificado. Para que um sinal seja útil
e cumpra seu propósito, precisa ser visível (fome, terremotos, guerras). As
características do remanescente facilitam sua identificação como um segmento em
que Deus opera uma grande obra em benefício do restante de Seu povo em toda a
Terra. Eles guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus (Ap
14:12). Não podem se esconder, nem podem ser ignorados. São facilmente
identificados e, desse modo, constituem um sinal vivo da obra de Deus no mundo.
Em terceiro lugar, o
remanescente do tempo do fim é um sinal que focaliza uma realidade maior. Ao
cumprir sua missão, ele aponta para a consumação da obra da salvação por Cristo
na ocasião da Segunda Vinda. Existe propósito para a existência do
remanescente, que tem uma missão específica em relação ao mundo (Ap 14:6-12).
Portanto, é um sinal presente e acessível ao redor do mundo. Em certo sentido,
sua presença global facilita sua função como sinal. À medida que nos
aproximamos do retorno de Jesus, é necessário que o mundo conheça esse sinal.
Pessoas de todas as nações e raças precisam conhecer esse sinal e se preparar
para o evento. Por meio do exemplo, o remanescente é um sinal do amorável
serviço de Deus em favor dos outros.
Significado
dos sinais
Os muitos sinais da
segunda vinda de Jesus são importantes para a vida da igreja. Sem dúvida, eles
encorajam os membros a observarem os acontecimentos que ocorrem ao seu redor e
a ver neles a presença de Deus relembrando a bendita esperança. Os sinais são
relevantes em muitos aspectos.
Primeiro, servem para
manter nossos olhos fixos em nossa esperança. Esperanças podem morrer; podem
tornar-se irrelevantes e perder seu significado. O livro de Provérbios nos diz:
“A esperança que se adia faz adoecer o coração” (Pv 13:12). Jesus não quer que
esqueçamos a promessa que Ele instilou em nosso coração. Os sinais não somente
mantêm viva em nós a esperança, mas também nos dizem que a promessa de Jesus é
imutável e que Ele não Se esqueceu de nós.
Os sinais deviam
aparecer entre a ascensão de Jesus e Seu retorno (Mt 24:6-14). Quando alguns
desses sinais se cumprissem, os crentes seriam lembrados da promessa de seu
Senhor crucificado e ressurreto: “Virei outra vez” e isso os ajudaria a manter
a chama da esperança no coração. O Senhor sabia quão importante seria a
esperança para Seus servos em um mundo de pecado, sofrimento e morte. Ele
associou os sinais à promessa de Sua vinda para que mantenhamos sempre viva
nossa esperança.
Segundo, os sinais
preservam, na comunidade de crentes, um importante elemento: a expectativa de
algo melhor. Os sinais nos alertam de que o Senhor pode retornar antes do tempo
que imaginamos, mesmo em nossos dias. Cada geração é potencialmente a última
geração. Por isso, vivemos em expectativa. Nossa vida é marcada pela convicção
de que Jesus está às portas. Ele falou sobre a figueira: ‘Aprendei, pois, a
parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam,
sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas
coisas, sabei que está próximo, às portas” (Mt 24:32,33). Toda vida marcada
pela expectativa é orientada para o futuro. É livre de temor, porque espera
somente o que é bom, ou seja, o cumprimento da esperança cristã.
Terceiro, os sinais nos
encorajam a cumprir a missão. São uma força motivadora em nosso serviço para o
Senhor, cuja vinda aguardamos. Partilhamos nossa esperança porque cremos que
ela é relevante para as pessoas do século vinte e um. Mostramos Jesus como a
fonte de nossa esperança e, ao mesmo tempo, mostramos os sinais de Sua vinda
para encorajar pessoas a aguardar esse evento. Talvez, isso explique a presença
de um elemento de incerteza nos sinais. Eles não podem ser usados para indicar
o momento exato da vinda de Cristo. Não é esse o propósito dos sinais. Eles têm
que ver especialmente com a missão da igreja. A presença dos sinais através da
história da igreja cristã é percebida paralelamente com o cumprimento da missão
da igreja, desde a ascensão de Jesus até Sua segunda vinda. Existe relação
íntima entre ambas: “Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor
confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem-aventurado
aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim” (Mt
24:45,46). A correta compreensão dos sinais contribui para manter a igreja
direcionada para a missão. Estar preparado consiste em estar cumprindo a tarefa
da pregação quando Ele vier (verso 46).
Palavras
de advertência
Nosso interesse nos
sinais da Segunda Vinda deve estar fundamentado numa clara informação bíblica.
O estudo da profecia bíblica deve fortalecer nossa esperança e nosso
compromisso com o Senhor, que morreu para nos salvar. Mas se tal estudo nos
causa temor, incerteza e preconceito, algo está errado em nossa maneira de ler
os sinais da vinda de Jesus. Cumpre-nos ser melhores cristãos ao estudarmos o
plano de Deus para Seu povo no fim do conflito cósmico. Não devemos especular
sobre o que não sabemos. É uma atitude saudável reconhecer que não sebemos
todos os detalhes do que vai acontecer. Do contrário, seremos tentados a ler
sinais que não se acham nos eventos sociais ou religiosos contemporâneos. Isso
cria um excitamento prejudicial ao equilíbrio da vida cristã. Devemos falar
convictamente sobre o que está revelado nas Escrituras e nos abster de
partilhar nossas próprias especulações como se fossem revelações divinas.
Interpretações bizarras causam descrédito ao significado de nossa esperança,
tornando-a alvo de zombaria. Protejamos nossa esperança contra isso,
permanecendo leais ao que conhecemos e proclamamos como igreja.
Há outro perigo:
ignorar os sinais, considerando-os irrelevantes. Tal atitude revela desilusão
com a esperança cristã. Isso é um dos primeiros sinais de que a esperança está
morrendo no coração de um crente. Quando isso acontece, morre também o
interesse na missão da igreja. Ignorar os sinais do breve retorno de Cristo
seria uma tragédia para igreja, como um todo, e para o crente individualmente.
Sem esperança, a igreja não seria lembrada, por meio dos sinais, de que seus
sonhos logo serão concretizados. “Insto com os membros de nossas igrejas para
que não ignorem os sinais dos tempos, os quais anunciam claramente que o fim
está próximo” (Ellen G. White, Pacific
Union Recorder, 1º de dezembro de 1904).
Devemos fazer tudo o
que é possível para evitar esses perigos. Preocupação exagerada com os sinais
pode ser tão ruim quanto ignorá-los. A melhor maneira de evitar esses perigos é
estar bem alicerçado nas Escrituras em relação à esperança que Deus confiou a
Seu povo remanescente e permitir que ela molde toda a nossa vida em amor e
serviço para outros. Portanto, sejamos prudentes enquanto esperamos a vinda do
Senhor. Os sinais nos dizem que Ele logo voltará!
*Jan
Paulsen [foi] presidente mundial da Igreja Adventista do
Sétimo Dia.
FONTE:
Revista Adventista Outubro de 2008, p. 4 e 5.
Comentários
Postar um comentário