IDENTIFICANDO A IGREJA REMANESCENTE DA PROFECIA BÍBLICA - PARTE II
Por Wilson Borba*
Os
ensinos e práticas da Igreja Remanescente são totalmente fundamentados nas
Escrituras Sagradas
No artigo anterior,
vimos que a Igreja Remanescente é profética e visível, sobrevivente e
historicista, surgiu após 1798 em resultado de estudos integrados de Daniel e
Apocalipse, e guarda os mandamentos de Deus. Demonstramos que nenhuma das
denominações fundadas antes de 1798 poderia ser a Igreja Remanescente pois,
segundo a profecia, o remanescente no tempo do fim, apareceria depois de 1798,
após o longo período das perseguições papais. Lembramos que, várias
denominações surgiram após 1798, mas, decisivamente, não podem ser a Igreja
Remanescente, pois não tem as marcas bíblicas do remanescente.
Os que insistem em
dizer que o remanescente escatológico é invisível devem compreender que: “Nunca
houve um remanescente invisível, pois ao longo da história, o remanescente é
conhecido pelas marcas identificadoras de sua época. Não há remanescente invisível escatológico
porque as marcas de identificação do remanescente escatológico separam aqueles
que aceitam as marcas de identificação daqueles que ainda não aceitaram”. [1]
Contudo, provavelmente, a marca mais crucial da Igreja Remanescente é a fonte
exclusivamente bíblica de suas doutrinas. É o que fundamentalmente a diferencia
de todas as demais igrejas e religiões.
"A Igreja
Remanescente é enraizada no Antigo e no Novo Testamento, e tem um sistema
teológico doutrinário integrado baseado nos princípios Sola e Tota
Scriptura." Apocalipse 12:1 apresenta a Igreja verdadeira sob o símbolo de
uma mulher radiante e visível com uma coroa de doze estrelas na cabeça (Isaías
60:1, 2; Mateus 5:14-16). Doze é o número do povo de Deus no Antigo e no Novo
Testamento (Êxodo 28:21, 29; Marcos 3:13, 14; Apocalipse 21:12, 14). “Como no
Antigo Testamento os doze patriarcas ocupavam o lugar de representantes de
Israel, assim os doze apóstolos representam a igreja evangélica”. [2]
Logo, “A coroa com doze
estrelas significa as doze tribos de Israel e os doze apóstolos, indicando a
continuidade entre o povo de Deus do Antigo Testamento e a igreja Cristã”. [3]
Portanto, a mulher em Apocalipse 12 “simboliza tanto a igreja do Antigo
Testamento quanto a do Novo Testamento”.[4] Evidência disso, é que a mulher deu
à luz a um Filho que há “de reger as nações” (verso 5). O Messias foi anunciado
primeiro nas Escrituras do Antigo Testamento (João 5:39; Lucas 24:25, 27),
conforme o próprio Novo Testamento menciona (Mateus 1:22; 2:6, 15; João 19:24,
36; Atos 2:25-28). Assim, a Igreja Remanescente está na continuidade da igreja
do Antigo Testamento, e da igreja apostólica do Novo Testamento, cujos ensinos
e práticas foram fundamentados somente nas Escrituras Sagradas, e em sua
totalidade (Isaías 8:20; Mateus 4:4, 7, 10; 5:18; Lucas 24:27; 2 Timóteo 3:16;
2 Pedro 1:19-21; 3:15, 16).
Suficiência
bíblica
A Igreja Adventista do
Sétimo Dia tem um sistema teológico doutrinário integrado, baseado
coerentemente nos princípios Sola e Tota Scriptura. [5] Sola Scriptura é um
grande princípio bíblico fundamental de que somente as Escrituras Sagradas são
a norma suprema da verdade. O texto clássico é Isaías 8:20: "À lei e ao
testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva”. À Lei e ao
Testemunho dos Profetas. “As duas palabras torah (lei) e teudah (testemunho)
apontam para os dois loci da autoridade nos dias de Isaías”. [6]
Jesus reconheceu esta
divisão das Escrituras hebraicas (Mateus 5:17). Evidentemente, “O Novo
Testamento acrescenta a revelação autorizada transmitida por Jesus e Suas
testemunhas apostólicas (ver Ef 2:20; 3:5)”. [7] O grande princípio Sola
Scriptura inclui a Primazia da Escritura.
A Bíblia está acima de
qualquer outra fonte de conhecimento que ameaça usurpar sua autoridade
definitiva. [8] Por exemplo, a tradição religiosa (Mateus 15:3, 6), a filosofia
humana (Colossenses 2:8), e a ciência humana (1 Timóteo 6:20). Sola Scriptura
também implica na Suficiência da Escritura “como única guia infalível da
verdade” (Isaías 8:19, 20; Salmo 119:105; João 5:39; 17:17; 2 Timóteo 3:15-17;
Hebreus 4:12; 2 Pedro 1:19, 20; Apocalipse 22:18, 19). “Toda outra fonte de
conhecimento deve ser provada por esta norma infalível”. [9]
Já o segundo grande
princípio no qual a Igreja Remanescente está firmada é o Tota Scriptura. Não é
suficiente afirmar o Sola Scriptura, sua primazia e suficiência. É necessário
também aceitar a totalidade da Escritura como inspirada por Deus, pois a Bíblia
não contém a Palavra de Deus. Ela é a Palavra de Deus (Lucas 24:27; 2 Timóteo
3:16, 17).
Os Adventistas do
Sétimo Dia descobriram na Bíblia um “completo sistema de fé e uma linha de
práticas”. [10] Neste completo sistema de verdades estão agrupadas doutrinas
como “a perpetuidade da Lei de Deus e do sábado, o ministério celestial de
Cristo em duas fases, a segunda vinda pessoal e visível de Cristo, a
imortalidade condicional da alma e a manifestação moderna do dom profético na
pessoa e escritos de Ellen G. White”. [11]
Por sua coerência com
os grandes princípios Sola e Tota Scriptura, a Igreja Remanescente rejeita os
projetos teológicos católico-romano e protestante, os quais tiveram influência
da tradição dos Pais da Igreja, marcados pela filosofia grega. “Agostinho
batizou no cristianismo a intuição de Parmênides sobre a natureza da realidade,
a cosmologia de Platão e a compreensão de Aristóteles sobre Deus”. [12] Como
resultado, “gradualmente o Deus atemporal de Parmênides (c. 540-470 a.C.),
Platão (c. 427-c. 347 a.C.), Aristóteles (384-322 a.C.), e Plutarco (c. 45-125)
substituiu o Deus das Escrituras na teologia Cristã”. [13]
Tradições
errôneas
Entre outros, os
seguintes ensinos devem ser rejeitados, pois não são bíblicos, mas somente
tradições eclesiásticas: imortalidade da alma, tormento eterno, purgatório,
batismo de criancinhas, santificação do domingo, veneração de imagens, mediação
de Maria e de todos os santos, indulgências, confissão auricular, papado,
infalibilidade papal, sacerdócio hierárquico, transubstanciação, e celibato
sacerdotal. Como mencionado, a Igreja Remanescente também rejeita o projeto
teológico protestante, pois, apesar de professar fidelidade ao princípio Sola
Scriptura os protestantes não produzem teologia somente da matriz bíblica, pois
“na prática, continuam a produzir suas teologias a partir da matriz das fontes
múltiplas”. [14]
Por exemplo: a adoção
agostiniana pagã do conceito de um Deus fora do tempo pelos protestantes tem
resultado na aceitação de conceitos não bíblicos como imortalidade da alma,
predestinação, antinomianismo e, uma vez salvo, para sempre salvo. Não há agora
espaço para falar da crença no evolucionismo e do método crítico-histórico do
iluminismo racionalista em âmbitos católicos romanos e protestantes. Devemos lembrar, porém, que: “Diferentes
fontes para a reflexão teológica têm levado a diferentes correntes teológicas,
com o resultado natural de dividir o cristianismo em várias práticas, igrejas
ou denominações conflitantes”. [15]
Característica
distintiva
A Igreja Remanescente
tem o testemunho de Jesus. “Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com
os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o
testemunho de Jesus” (Apocalipse 12:17). Os textos a seguir explicam o significado
da expressão “testemunho de Jesus”. “Prostrei-me aos seus pés para adorá-lo.
Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos
que mantém o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o
espírito da profecia” (Apocalipse 19:10). “Então, ele me disse: Vê, não faças
isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as
palavras deste livro. Adora a Deus” (Apocalipse 22:9).
Estes dois textos são
semelhantes, e as expressões “testemunho de Jesus” e “espírito de profecia”
estão em paralelo com “profetas”. “Essas expressões paralelas deixam claro que
são os profetas que possuem o “testemunho de Jesus”. [16] A propósito,
“considerando que os restantes de Apocalipse 12:17 constituem uma referência
específica à igreja após o fim dos 1260 dias proféticos dos versos 6 e 14, isto
é, após 1798, a passagem demonstra ser uma predição clara da manifestação do
“espírito” ou do “dom” de profecia na igreja em nossos dias”. [17]
Para Stefanovic,
“Apocalipse 12:17 declara claramente que o remanescente de Deus no tempo do fim
é caracterizado por uma posse especial do testemunho de Jesus dado por meio
daqueles que foram chamados por Deus para serem seus profetas”.[18] Os profetas
foram porta-vozes de Deus ao Seu povo, e a outras nações (Isaías 1:1; 10:5;
13:1; Jeremias 1:5). De fato, “...o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem
primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7).
Eles guiaram em
segurança o povo em tempos de crise, promovendo a unidade, e a confiança na
liderança divina. “Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos
seus profetas e prosperareis” (2 Crônicas 20:20). Eles atuaram como
reformadores do povo, e restauradores das instituições divinas (1 Reis 18:20-40;
Isaías 58:13, 14; Mateus 3:1-10). Se no
passado, Deus deu este dom para guardar Seu povo, porque não o concederia no
perigoso tempo do fim, precedente à segunda vinda de Cristo? (Mateus 24:5,
10-12; Marcos 13:22; Lucas 18:8; 2 Timóteo 3:1-5). Infere-se pela profecia de
Apocalipse 12 que, o Senhor deu também este dom a Sua Igreja Remanescente, a
fim de protegê-la das armadilhas de Satanás no conflito final (Apocalipse
12:17).
Portanto, o dom
profético concedido - o testemunho de Jesus - “corresponde a uma característica
distintiva da igreja remanescente”. [19] O dom de profecia prometido foi
inconfundivelmente manifestado na Igreja Adventista do Sétimo Dia, no longo e
profícuo ministério de Ellen G. White. [20] Porém, é crucialmente importante
esclarecer que seus escritos, embora inspirados por Deus, não tem o mesmo nível
de autoridade que a Bíblia, pois, conforme a crença fundamental número um da
Igreja Adventista do Sétimo Dia, “As Escrituras Sagradas são a suprema,
autoritativa e infalível revelação de Sua vontade. Constituem o padrão de
caráter, a prova da experiência, o definitivo revelador de doutrinas e o
registro fidedigno dos atos de Deus na História (Salmos 119:105; Provérbios
30:5, 6; Isaías 8:20; João 17:17; 1 Tessalonicenses 2:13; 2 Timóteo 3:16, 17;
Hebreus 4:12; 2 Pedro 1:20, 21). [21]
A propósito, o dom
profético pós-bíblico manifestado no tempo do fim, tem função semelhante ao dom
profético de Natã, Gade, Asafe, Semaías, Azarias, Eliézer, Aías, Obede, Miriã,
Débora, Hulda, Simeão, João Batista, Ágabo, Silas, Ana e as quatro filhas de
Filipe que não tiveram seus escritos registrados nas Escrituras. [22] “O mesmo Deus que falou por meio dos profetas
que escreveram a Bíblia inspirou esses profetas e profetisas. Suas mensagens
não entraram em contradição com a revelação divina previamente registrada”. [23]
Os escritos de Ellen G. White, não foram dados como adição ou substituição às
Escrituras, mas para levar os negligentes de volta à Bíblia.
“Pouca atenção é dada à
Bíblia, e o Senhor deu uma luz menor para guiar homens e mulheres à luz maior.
Oh! quanto bem poderia ser feito se os livros que contêm esta luz fossem lidos
com a resolução de se executarem os princípios que eles contêm! Haveria uma
vigilância mil vezes maior, um esforço abnegado e resoluto mil vezes maior”. [24]
Sim, está escrito: “mil vezes maior”! Nunca vi alguém se perder por ler O
Desejado de Todas as Nações. [25] Apelo a você, amigo, para que leia a Bíblia e
os livros do Espírito de Profecia. E, por favor, ore pelo terceiro artigo desta
série.
Referências
[1] Norman R. Gulley,
Systematic Theology: The Church and the Last Things (Berrien Springs, MI:
Andrews University Press, 2016), p. 473.
[2] Ellen G. White,
Atos dos apóstolos, 9ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013), p.
19.
[3] Ranko Stefanovic,
Revelation of Jesus Christ, 2ª ed., (Berrien Springs, MI: Andrews University
Press, 2009), p. 388. A seguir:
Stefanovic.
[4] Francis D. Nichol,
ed. Comentário bíblico adventista do sétimo dia, 1ª ed. (Tatuí, SP: Casa
Publicadora Brasileira, 2014), v. 7, p. 893.
[5] Para um estudo mais
detido ver: Fernando Canale, Princípios elementares da teologia cristã: a
Bíblia substituindo a tradição, 1ª ed. (Engenheiro Coelho, SP: Unaspress,
2018). A seguir: Canale. Ver também: Raúl Kerbs, El problema de la identidad
bíblica del cristianismo: las presuposiciones filosóficas de la teología
cristiana desde los pressocráticos al protestantismo (Libertador San Martin,
Argentina: Universidad Adventista del Plata), 2014).
[6] Raoul Dederen, ed.
Tratado de teologia adventista do sétimo dia, 1ª ed. (Tatuí, SP: Casa
Publicadora Brasileira, 2011), p. 70.
[7] Ibidem, p. 71.
[8] Ibidem.
[9] Ibidem.
[10] Ellen G. White,
Mente, caráter e personalidade, 3ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira,
1996), v. 2, p. 784.
[11] Alberto R. Timm, O
santuário e as três mensagens angélicas, 5ª ed. (Engenheiro Coelho, SP:
Unaspress, 2009), p. 1.
[12] Canale, p. 62.
[13] Norman R. Gulley,
Sistematic Theology: God as Trinity (Berrien Springs, MI: Andrews University
Press, 2011), p. 179, 180.
[14] Canale, p. 27.
[15] Ibidem, p. 22.
[16] Nisto cremos
(Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2020), p. 283, 284.
[17] Francis D. Nichol,
ed. Comentário bíblico adventista do sétimo dia, 1ª ed. (Tatuí, SP: Casa
Publicadora Brasileira, 2014), v. 7, p. 973, 974.
[18] Stefanovic, p.
560, 561.
[19] Nisto cremos, p.
284.
[20] Para estudar Ellen
G. White, e seu ministério profético ver: Alberto R. Timm e Dwain N. Esmond,
Quando Deus fala, 1ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2017), p.
291-489; Arthur L. White, Ellen G. White, 1ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora
Brasileira, 2016).
[21] Nisto cremos, p.
11.
[22] Ibidem, p. 286
[23] Ibidem.
[24] Ellen G. White,
Review and Herald, 20 de janeiro de 1903.
[25] _______, O
Desejado de Todas as Nações, 22ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira,
2013).
*Wilson Borba é Bacharel em Teologia pelo Centro
Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus São Paulo. Possui
mestrado e doutorado na mesma área pelo Unasp, campus Engenheiro Coelho, e pela
Universidade Peruana Unión (UPeU). Ao longo de seu ministério foi pastor
distrital, diretor de departamentos, professor e diretor de seminários de
Teologia da Igreja Adventista na América do Sul. Atualmente serve como pastor
distrital no interior de São Paulo.
FONTE:
Noticias
Adventistas
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