DEMONSTRAR AMOR E BONDADE PARA COM NOSSOS QUERIDOS ENQUANTO ESTÃO VIVOS
Ellen G. White*
Quando a morte reclama
um dos nossos, que lembranças nos ficam do tratamento recebido por ele? São os
quadros pendurados nas paredes da memória aprazíveis para neles nos determos?
São eles recordações de bondosas palavras proferidas, ou de simpatia dispensada
ao devido tempo? Repeliram seus irmãos as ruins suspeitas de pessoas
intrometidas e indiscretas? Defenderam-lhe a causa? Foram eles fiéis à
inspirada recomendação: “Que... consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os
fracos”? 1 Tessalonicenses 5:14. “Eis que ensinaste a muitos, e esforçaste as mãos
fracas.” Jó 4:3. “Confortai as mãos fracas, e fortalecei os joelhos trementes.
Dizei aos turbados de coração: Esforçai-vos, não temais.” Isaías 35:3, 4.
Quando aqueles com quem
nos associamos na igreja estão mortos, quando sabemos que seu relatório nos
livros do Céu está encerrado, e que eles devem enfrentar esse registro no
juízo, quais são as reflexões de seus irmãos quanto à atitude que tiveram para com
eles? Qual foi sua influência sobre eles? Quão claramente é invocada agora toda
palavra áspera, toda ação desavisada! Quão diferentemente se conduziriam, caso
tivessem outra oportunidade!
O apóstolo Paulo deu
graças a Deus pelo conforto a ele dado na dor, dizendo: “Bendito seja o Deus e
Pai... de toda a consolação; que nos consola em toda a nossa tribulação, para
que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação
com que nós mesmos somos consolados de Deus.” 2 Coríntios 1:3, 4. À medida que
Paulo sentia o conforto e calor do amor de Deus penetrando em seu coração,
refletia a bênção sobre os outros. Disponhamos de tal maneira nossa conduta,
que os quadros pendurados nas paredes de nossa memória não sejam de tal sorte que
não suportemos refletir sobre eles.
Depois que aqueles com
quem convivemos estiverem mortos, jamais haverá oportunidade de retirar
qualquer palavra a eles dirigida, ou de apagar da lembrança qualquer dolorosa
impressão. Atentemos, pois, para os nossos caminhos, para que não ofendamos a
Deus com nossos lábios. Seja afastada toda frieza e desinteligência. Abrande-se
o coração em ternura diante de Deus, ao Lhe recordarmos o misericordioso trato
para conosco. Permitam que o Espírito de Deus, qual chama santa, consuma todo
lixo empilhado à porta do coração, e deixem Jesus entrar; então, Seu amor
fluirá para os outros por nosso intermédio em ternas palavras, e pensamentos e
ações. Então, se a morte nos separar de nossos amigos, para não mais nos encontrarmos
até que nos achemos perante o tribunal de Deus, não nos envergonharemos ao ver
aparecer o registro de nossas palavras.
Quando a morte cerra os
olhos, e as mãos se dobram sobre o peito silencioso, quão pronto mudam os
sentimentos de desinteligência! Não há má vontade nem amargura; as desatenções
e as injustiças são perdoadas, esquecidas. Quantas palavras de amor são ditas
acerca do morto! Quantas boas coisas em sua vida são evocadas! Louvores e boas
apreciações são agora francamente expressas; caem, porém, em ouvidos que nada
ouvem, coração que já não sente. Houvessem essas palavras sido ditas quando o
fatigado espírito tanto delas carecia, quando os ouvidos as podiam escutar e o
coração sentir, que aprazível quadro haveria sido deixado na memória! Quantos,
ao estarem respeitosos e em silêncio junto a um morto, recordam com vergonha e
dor as palavras e atos que causaram tristeza ao coração agora para sempre
quieto! Tragamos agora toda beleza, amor e bondade que nos for possível, à
nossa vida. Sejamos considerados, agradecidos, pacientes e longânimos em nossas
relações uns com os outros. Que os pensamentos e sentimentos que encontram
expressão em torno do moribundo e do morto sejam introduzidos no convívio diário
com nossos irmãos e irmãs em vida.
*Ellen G. White (1827–1915) foi uma das pioneiras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Os
adventistas acreditam que ela exerceu o dom de profecia bíblico durante mais de
70 anos de ministério ativo.
FONTE: Trecho do livro Testemunhos
Para a Igreja, v. 5, p. 489-490.
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