TETELESTAI: ESTÁ CONSUMADO!
Ricardo
André
“Tendo-o provado, Jesus
disse: "Está consumado!" Com isso, curvou a cabeça e entregou o
espírito” (João 19:30, NVI).
Era uma sexta-feira, hora
nona no relógio judaico. No nosso relógio moderno, a hora nona eram aproximadamente
três horas da tarde, o momento exato em que os sacerdotes hebreus ofereciam o
cordeiro no templo. Uma sexta-feira que,
definitivamente, não passaria para a história como um dia comum. O sacerdote estava no pátio do templo de
Jerusalém, pronto para oferecer um inocente cordeirinho como sacrifício ao
Senhor pelos pecados do povo. Quando suas mãos se erguem ao céu, empunhando o
cutelo assassino, pronto para derramar o sangue da inocente vítima, a terra
entra em verdadeira convulsão.
Ellen White assim
descreve a cena: “Seguiu-se violento terremoto. As pessoas foram atiradas umas
sobre as outras, amontoadamente.
Estabeleceu-se a mais completa desordem e consternação [...] Fenderam-se
sepulcros, sendo os mortos atirados para foras das covas [...] Sacerdotes,
príncipes, soldados, executores e povo, mudos de terror, jaziam prostrados por
terra”. (O Desejado de Todas as Nações,
p. 756).
Lucas descreve no
capítulo 23 de seu evangelho que “trevas cobriram toda a terra até às três horas
da tarde; o sol deixara de brilhar. E o véu do santuário rasgou-se ao meio” (v.
44,45, NVI). O Centurião romano, o sacerdote no templo, e a multidão nas ruas
ficaram todos com o mesmo sentimento em seus corações: Algo extraordinário,
realmente extraordinário, acontecera naquela tarde no cimo do monte do Calvário
(Gólgota).
Naquela tarde, na
colina do Monte da Caveira, Jesus Cristo, o Filho de Deus, nos seus momentos
finais de agonia na cruz, solta um brado que ecoa por toda Jerusalém: “Está
Consumado”. Então inclinou a cabeça e morreu. O que Ele quis dizer? O
que estava consumado? É a grande pergunta que precisamos fazer.
Indubitavelmente, a maioria ou até mesmo todas as pessoas presentes à
crucifixão não sabiam do que se tratava. Vejamos, então, os significados da expressão.
Está
consumado: o ritual simbólico do Santuário terrestre não mais é necessário.
No Sinai, Deus
instituiu sistema sacrifical instituído por Deus que Israel devia observar; e
que se realizava primeiro, no santuário; depois, no templo. A partir daí, a
cada manhã e a cada tarde o sacrifício contínuo havia oferecido um cordeiro sem
defeito pelos pecados inconscientes do povo. A cada dia, sacrifícios de
expiação pela culpa ou delito contra o próximo. Uma vez ao ano, no Dia da
Expiação, o sacrifício eliminava o registro da culpa (Nm 28:3, 4; Lv 4:2, 27-30;
Lv 16; Nm 29:11).
Esse sistema sacrifical
era uma forma de ensinar aos israelitas e, por meio deles, ao mundo, a verdade
da salvação. Naqueles dias cada pecado cometido por um israelita era cobrado
com a morte de um cordeiro inocente. Cada cordeiro morto, tanto nos serviços
diários como no anual, apontavam para a obra salvadora de Cristo, sua morte na
cruz. O autor de Hebreus afirma que o santuário e seus serviços eram “uma
ilustração para os nossos dias” (Hebreus 9:9). Por essa maneira era mostrado ao
pecador arrependido que seus pecados haviam de afinal tirar a vida inocente do
Filho de Deus. Todo o cerimonial ritualístico do Velho Testamento encontra
agora em Jesus o seu cumprimento final.
Ao Jesus morrer na cruz
do Calvário, o sacrifício do inocente cordeiro não mais era necessário. O
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29), oferece-se uma vez
para sempre (Hebreus 9:28) para lavar e purificar os pecados de toda a
humanidade, a fim de “que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida
eterna” (João 3:16, NVI). Isto é amor universal; isto é graça em sua aplicação
totalmente eficaz.
Mateus informa que no
momento da Sua morte, “o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a
baixo” (Mateus 27:51, NVI). “O rompimento do véu do templo [...] simbolizava o
fim do antigo sistema hebraico e apontava à inauguração de um novo e vivo
caminho para a presença de Deus por meio do Seu corpo ferido (Heb. 10:19-21),
dando fim de uma vez por todas à necessidade de outros sacrifícios de animais
(Heb. 9:26)” (Lição da Escola Sabatina,
1º Trimestre 2005, ed. do Professor, p. 101).
Ellen G. White descreve
a ocasião em que Jesus expira, bem com as implicações: “Tudo é terror e
confusão. O sacerdote está para matar a inocente vítima, mas o cutelo cai-lhe
da mão paralisada, e o cordeiro escapa.
O tipo encontra o antítipo por ocasião da morte do Filho de Deus. Foi feito o grande sacrifício. Acha-se aberto o caminho para o
santíssimo. Um novo, vivo caminho está
para todos preparado”. (O Desejado de
Todas as Nações, p. 757).
O tipo encontra o
antítipo, ou seja, a sombra, a figura, o modelo, que eram os cordeiros do Velho
Testamento e todo o sistema cerimonial tipificado no antigo santuário, encontra
agora em Cristo Jesus sua realidade plena, total e absoluta.
Está
consumado: a vitória do bem sobre o mal no grande conflito cósmico
A frase que Jesus
bradou, um pouco antes de Sua morte, em em grego é tetelestai, que significa
"dívida paga" ou "liquidado". Que palavra de irrevogável
certeza! “Esta expressão era muito utilizada em recibo de impostos onde a
expressão era escrita no documento atestando que a dívida estava paga. [...] Quando
Jesus disse tetelestai, Ele afirmava que a nossa dívida estava paga a partir
daquele momento!” (O que Significa Tetelestai?
Disponível em: https://www.respostas.com.br/tetelestai/
Paulo afirma em Romanos
5 que, se pelo pecado de um único homem (Adão), todos se tornaram pecadores e
se colocaram debaixo da maldição do pecado; agora também, pela justiça de um
único homem – Cristo, o segundo Adão – estava consumado, quitado, liquidado, o
pagamento da nossa dívida de pecado.
Talvez não entendamos
quão vil é realmente o pecado. A dívida do mundo para com Deus por causa do
pecado era tão grande que só o próprio Deus poderia pagá-la. “Só na cruz
podemos ver como o pecado realmente é terrível, porque foi necessário algo tão
extremo, tão incrível como a cruz para expiá-lo. [...] Assim, nada revelou
tanto o horror e a gravidade do pecado como a cruz, onde Deus, “em Cristo”,
sofreu as consequências mais graves do pecado a fim de não termos que sofrê-las
por nós mesmos” (Lição da Escola
Sabatina, 1º Trimestre 2005, ed. do Professor, p. 102).
Já em Colossenses 1: 13, 14, o apóstolo nos
explica que Deus “nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o
reino do Filho do seu amor; em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber,
a remissão dos pecados”. “Redenção” é o ato de “comprar de volta ou resgatar
uma propriedade ou escravos”, “libertar de escravidão física ou cativeiro” (Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo Dia,
p. 1141). E o significado da palavra “remissão” é: “Libertar”, “perdão” (Comentário Bíblico Adventista, v. 7, p.
181). Ou seja, Jesus pagou o preço da nossa redenção (da nossa libertação da escravidão)
e quitou toda nossa dívida, e o preço foi o seu sangue, a sua vida, o seu
corpo, o seu sacrifício na cruz (1 Pe 1:18-20). Significando dizer que não há
mais dívida alguma a ser paga, nem carma algum que devamos sofrer, nem maldição
algumas pela qual devamos passar e nem coisas semelhantes a estas, porque se
crermos que o sangue de Jesus Cristo é suficiente para nos justificar de todos
os nossos pecados e nos dar a salvação para a vida eterna, o cobrador que é
satanás não poderá mais nos cobrar nada, porque Jesus já pagou com preço de
sangue, do seu próprio sangue que foi derramado para a remição dos nossos
pecados, como Ele mesmo disse quando tomou o cálice e disse: “[...] Este cálice
é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20).
Nessa mesma linha Ellen
G. White escreveu: “Cristo pagou um infinito preço por nós, e deseja que nos
mantenhamos à altura do preço que custamos” (A Ciência do Bom Viver, p. 498).
Com Sua morte na Cruz,
Jesus concluiu a obra que viera fazer: Reconciliar o mundo com Deus (2 Co 5:19).
Realmente, Ele levou o mundo de volta para Deus. O mundo se havia desviado por
causa dos pecados humanos. Antecipando Sua vitória final sobre Satanás no
Calvário, na noite anterior à crucifixão, Jesus orou a Seu Pai: “Eu te
glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer” (João 17:4,
NVI). Com o Universo reconciliado, abriu o caminho para o Céu a todos quantos
Lhe aceitassem a graça. Deus tinha feito provisão para tirar os pecados do
mundo. O Salvador deu a Sua vida por aqueles que não O conheciam ou mesmo O
odiavam. Os pecadores podem ser salvos se buscarem a salvação em Jesus, o
Cordeiro de Deus (Jo 1:29). Aqui está o evangelho eterno. O poder do pecado e
da morte acabou. Em João 19:31-33, “Jesus mostra que a cruz resulta na
condenação de Satanás e do pecado em um ato poderoso de julgamento. A Cruz se
torna um maravilhoso ímã quer atrai “todos” (v. 32 – no original, o sentido
pode incluir o Universo inteiro!) a Jesus” (Lição da Escola Sabatina, 1º Trimestre 2004, ed. do Professor, p.
145)
Mário Veloso, teólogo
adventista, comentando essa mesma passagem afirmou o seguinte: “A missão estava
acabada. Jesus declara: ´Está consumado`.
Ele não está na cruz como um fracassado, nem sequer como um sofredor [...]
Jesus apresenta-se a Si mesmo como o Comissionado do Pai que completa
inteiramente a missão que lhe foi confiada”. (Comentário Sobre o Evangelho de João, p. 157).
Ellen G. White
escreveu: “Cristo não entregou Sua vida antes que realizasse a obra que viera
fazer, e ao exalar o espírito exclamou: `Está consumado`. Ganhara a batalha. [...] Todo o céu triunfou
na vitória do Salvador. Satanás foi
derrotado e sabia que seu reino estava perdido. Para os anjos e os mundos não
caídos, o brado `Está consumado` teve profunda significação. Fora em seu benefício, bem como no nosso, que
se operara a grande obra da redenção.
Juntamente conosco, compartilham eles os frutos da vitória de Cristo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 758)
Na cruz, para todos os
intentos e propósitos, Cristo concluiu Sua obra confirmando para sempre Sua
vitória sobre Satanás e sobre o pecado. A cruz determinou o
veredito final sobre o que acontecerá quando Cristo estabelecer o Seu reino
eterno. Amigo, esse conflito já foi decidido em seu coração? Você já aceitou a
obra consumada de Cristo por sua salvação pessoal?
Está
consumado: temos acesso ao Santuário
Celestial
Lemos no livro de
Hebreus: “Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo dos
Santos pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho que ele nos abriu por
meio do véu, isto é, do seu corpo. Temos, pois, um grande sacerdote sobre a
casa de Deus. Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com
plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma
consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura. Apeguemo-nos
com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel” (Hebreus
10:19-23, NVI).
No livro de Hebreus,
vemos não somente uma continuação, mas uma ampliação, uma modificação e um
aperfeiçoamento da mensagem salvífica do santuário do Antigo Testamento. O
sacerdote do Velho Testamento era mortal.
Em Cristo, temos agora um novo sumo sacerdote imortal, que é também,
doador de vida eterna.
No Antigo Testamento o
sacerdote era pecador, e precisava, ele mesmo, de um sacrifício remidor. Em Cristo encontramos um Sacerdote perfeito,
puro, incontaminado pelo mal e pelo pecado. No AT o sacerdote entreva no
santuário com o sangue de bodes e cordeiros.
Jesus, nosso Sumo Sacerdote, ofereceu o seu próprio sangue, o sangue da
nova aliança, através do qual Ele se tornou, ao mesmo tempo, sacerdote e
sacrifício em favor da redenção humana.
Podemos, portanto, ter “plena
confiança para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus” (Hebreus 10:19,
NVI), na plena certeza de que temos um Sumo Sacerdote intercedendo por nós, nos
méritos do seu próprio sangue.
Ao clamar na cruz “Está
Consumado!”, Jesus nos garantiu um novo e vivo caminho ao santuário celestial,
pela Sua carne e pelo Seu sangue, e com liberdade podemos nos apropriar dele. A
grande nova do Evangelho é que, na cruz, Cristo consumou o acesso ao santuário
celestial, e desde então, exerce suas funções sacerdotais de mediador e
intercessor por todos nós, seus filhos amados (Hb 7:25; 8:1-5).
Naquela trágica tarde
de sexta-feira em Jerusalém, há mais de dois mil anos atrás, no cimo do monte
do Calvário, por volta das três horas da tarde, Jesus, agonizando em seus
últimos momentos da cruz, exclama seu brado de vitória: “Está Consumado!” Esse brado
triunfante de Cristo ainda ressoa através do Universo: Tetelestai: “Está consumado!”
A justiça e o caráter
de Deus estavam vindicados para sempre.
A vitória do bem sobre o mal no grande conflito cósmico estava ali
delineada. Não mais pairavam dúvidas entre os anjos e mundos não caídos sobre a
bondade, o amor e a justiça de Deus.
Ali, naquela cruz, estava definida a derrota eterna de Satanás e todas
as suas hostes.
Finalmente, naquela
tarde, naquela cruz, foi consumado o caminho que nos conduz, pela fé, ao
santuário celestial. Temos um novo Sumo Sacerdote, imortal, invencível,
perfeito, que com o seu próprio sangue, nos lava, nos purifica e nos perdoa de
todo o pecado. Ele “é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio
dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles” (Hebreus
7:25, NVI).
Caro amigo leitor, por
meio do sacrifício expiatório pleno e completo de Cristo na cruz, a porta para
a cidade de Deus está aberta para aqueles que estão despontados com a vida,
consigo mesmos, com as filosofias do mundo, com esforços e tristezas. Através
daquela porta aberta, Deus nos convida para que se achegue ao Calvário e olhem
verdadeiramente para Jesus. Quando passarmos a amá-Lo, nossa vida nunca mais
será a mesma. Ele nos dá uma alegria que nada poderá arrebatar. “Assim sendo, aproximemo-nos
do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e
encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hebreus 4:16,
NVI).
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