ROCK PARA JESUS?
Leandro
Dalla*
Dentro desse contexto
da música rock e estilos correlacionados, faz-se necessária uma pergunta: é
adequado oferecer Rock, e seus híbridos, como louvor e adoração ao Criador?
“Ninguém melhor do que
Satanás conhece a maneira perfeita do tipo de louvor que Deus aceita, não
podemos ser crianças em achar que ele não iria desvirtuar o louvor na igreja
contra a qual ele veio fazer guerra, seria muita ingenuidade de nossa parte pensar
assim.” Hilton Bastos. A Bateria e o
Transe nos Rituais Xamânicos. Disponível em: http://musicaeadoracao.com.br/20131/a-bateria-e-otranse-nos-rituais-xamanicos.
“Satanás fará da música
um laço pela maneira por que é dirigida.” Ellen G. White. Mensagens Escolhidas vol. 2, p. 38.
O argumento corrente é
que misturar estilos populares com letra religiosa representa uma forma eficaz
de atingir pessoas que, de outra forma, talvez jamais tivessem contato com o
evangelho. Segundo alguns autores, para que a comunicação seja eficaz é preciso
que o ouvinte compreenda o que está sendo dito. Partindo dessa ideia, acreditam
que para alcançar um rockeiro é preciso pregar a mensagem de salvação em estilo
rock. O mesmo se faria com os demais estilos populares como forma de alcançar
os seus adeptos. Apesar de haver certa lógica nesse raciocínio, nem sempre a
lógica humana é a lógica de Deus. E ainda que um método seja agradável ao
homem, deve-se, em primeiro lugar, saber se é o método divino. Precisamos lembrar
que estamos numa guerra espiritual, O Grande Conflito; e numa guerra quem
estabelece as estratégias é o General, e não o soldado.
Imaginemos que um casal
está prestes a se casar. O noivo traz uma linda aliança para a noiva. Porém, ao
olhar para dentro da aliança de seu noivo, a noiva percebe que está gravado ali
o nome de outra moça. Obviamente ela recusa o presente. O noivo explica:
– Sabe, este nome que
está aqui é da minha ex-noiva. Eu comprei esta aliança para ela, mas terminamos
o relacionamento. Guardei a aliança e agora estou dando a você. Além do mais, é
só uma argola de metal que não me fará ser mais fiel ou menos fiel a você. Mas
se o problema é o nome que está aí, não se preocupe; eu levo a um ourives,
apago este nome e escrevo o seu.
A noiva responde:
– Não adianta mudar o
nome que está aí, por três razões muito simples: 1) Eu sei que esta aliança não
foi feita para mim; 2) Não é só uma argola de metal, mas tem uma história e uma
experiência de vida por trás; 3) Essa aliança, por mais que tenha meu nome
nela, te fará lembrar constantemente da sua ex-noiva.
Transferindo para o
contexto da música de adoração a Deus, imagine que eu tenha passado muito tempo
em um compromisso, consciente ou inconsciente, com o diabo. Nossa aliança se
chamava Rock, por meio da qual promovia
tudo aquilo que é contra Deus e Suas leis. Em determinado momento, decido “terminar”
com o diabo e começar um relacionamento novo, agora com Deus. Então pego a
velha aliança e ofereço ao Senhor. Ele vê que ali não está escrito o Seu nome,
mas o nome de outro. Então, explico:
– Sabe, Senhor, este
nome que está aqui é do meu ex-senhor, mas terminamos o relacionamento. Guardei
a música e agora estou dando ao Senhor. Mas é só uma música, ela não me fará ser
mais fiel ou menos fiel a Ti, pois o importante é o meu coração. Mas se o
problema é o nome que está aí, não se preocupe; eu mudo a letra e escrevo
‘Deus’.
Qual será a resposta de
Deus? Exatamente a mesma da noiva:
– Não adianta mudar a
letra, por três razões muito simples: 1) Eu sei que esta música não foi feita
para mim; 2) Não é só uma música, mas tem uma história e uma experiência de vida
por trás; 3) Essa música, por mais que tenha mudado a letra, te fará lembrar
constantemente do seu ex-senhor.
Se nós, seres mortais,
jamais aceitaríamos uma aliança nessas condições, por que o Deus Eterno, Santo,
Justo, Todo-Poderoso tem que aceitar? Mudar a letra de uma música não muda o
seu efeito.
Existem músicas que não
são apropriadas para o ambiente de adoração ao Criador. Nosso Deus aceita
somente música que nos santifique, nos enobreça e eleve nossas mentes a Ele.
Nosso Deus não aceita uma música desgastada e mergulhada na sensualidade, na
promiscuidade e na rebeldia contra Seus princípios. Não se oferece a alguém um
presente que foi pego no lixo, muito menos ao Criador.
Muitos argumentam que
usar a música popular na igreja seria a resposta ao “cântico novo” que a Bíblia
recomenda (Sal. 96:1). Mas o texto bíblico não está relacionado à contemporaneidade
nem à cronologia, mas a uma nova experiência, uma nova motivação, ainda que
seja usado um cântico já conhecido. Além disso, não é preciso reflexão profunda
para concluir que o Rock não tem absolutamente nada de novo.
Uma revista promotora
da música contemporânea apresentou em um dos seus artigos o “credo do rockeiro
cristão”, que diz: “Nós asseguramos que todas as músicas foram criadas iguais; que
nenhum instrumento ou estilo de música é mau em si mesmo.” CCM Magazine, nov. 1988, p. 12.
Discordamos
veementemente desta declaração e não nos surpreende ter partido de uma
publicação que visa o desenvolvimento do “Rock Cristão”. A ideia de que não
existe música má tem induzido milhões de pessoas a introduzirem seus estilos
musicais preferidos no arraial do Senhor, enganando a si mesmas e aos outros,
supondo que estão agradando e adorando ao Senhor, quando na realidade estão
agradando e adorando a si mesmos.
Na capa de uma de suas
edições, a revista Time apresentou uma pergunta: “Deus está morto?” No artigo
que tratou deste assunto havia a seguinte observação:
“Os artistas da Música
Cristã Contemporânea são idênticos aos artistas populares, exceto pela letra.” Time, vol. 87, n.14, 8 abr. 1966.
Quando citarmos Música
Cristã Contemporânea (MCC ou CCM), não estaremos nos referindo a músicas produzidas
na atualidade, uma vez que não é o ano de composição que determina se a música
é ou não apropriada, mas nos referimos a um Movimento caracterizado pelo uso de
ritmos populares com letras de temática cristã.
Por muito tempo temos
presenciado em nossas igrejas a introdução de músicas populares que, não fossem
as letras, não saberíamos se tratar de algo que pretende ser religioso. Em
muitos casos, nem mesmo a própria letra nos permite identificar tratar-se de
algo religioso.
Infelizmente, nos
últimos anos, temos encontrado na Igreja Adventista do Sétimo Dia muitas
músicas pseudocristãs, que têm obscurecido nossa identidade distintiva, se
aproximando cada vez mais do mundo com o pretenso objetivo de atrair o mundo.
Mas o que temos visto na prática é que o mundo tem atraído a igreja.
“Colocar o nome de
Jesus na música rock não significa mudar sua natureza essencial. As pessoas
estão tomando o que é basicamente inaceitável para os cristãos e trocando a
etiqueta. Mas continua sendo tão mau como era antes. ... Não estamos somente
falando do rock pesado, mas também do rock suave e música do tipo ‘boate’ que infelizmente
tem sido ouvida em reuniões adventistas.” Pr. Ivay Araújo. Guia do Ministério da Música. União Sudeste Brasileira da IASD, p.
16.
Alterar a letra da
música não muda o seu efeito. O Rock continuará sendo Rock e causando os mesmos
efeitos físicos, mentais e espirituais, independentemente do que as palavras
dizem. A música transmite uma mensagem em si mesma. A prova disso é que
apreciamos músicas cantadas em vários idiomas que não compreendemos; e muitas
vezes nem damos importância àquilo que está sendo dito.
“A maioria dos discos
faz o seu impacto musicalmente em vez de por palavras. As palavras, se forem
percebidas, penetram depois da música ter deixado sua marca.” Simon Frith, sociólogo
inglês, graduado em Oxford e Universidade da Califórnia, professor de sociologia
na Universidade Warwick – Inglaterra. Sound
Effects, Youth, Leisure and the Politics of Rock and Roll, p. 14.
Qual é a posição
oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia em relação a isso? Citamos o Manual
da IASD:
“A música secular ou de
natureza duvidosa nunca deve ser introduzida em nossos cultos. ... Toda melodia
que partilhe da natureza do jazz, rock ou formas híbridas relacionadas, ou toda
linguagem que expresse sentimentos tolos ou triviais, serão evitadas.” Manual da IASD, ed. 2015, pp. 97, 154.
Se o rock é
comprovadamente um estilo concebido pelo diabo e para ele, sendo uma ferramenta
poderosa para corromper o ser humano; se o Manual da IASD, o documento oficial
mais importante que temos, afirma que o Rock não deve ser usado em nossos cultos
e produções musicais por ser incompatível com os princípios da igreja,
pergunta-se: por que ainda existe Rock na IASD? Quem, na realidade, está
gerando conflitos? Quem está, de fato, causando divisão na igreja? Aqueles que
defendem os princípios da música sacra e não se conformam com a música popular
sendo acintosamente praticada em nosso meio, ou aqueles que sancionam e
produzem música popular, desrespeitando abertamente os princípios estabelecidos
por Deus para Sua igreja e as próprias diretrizes oficiais da IASD?
Vejamos o que orienta
outro documento oficial da IASD:
“Certas formas de
música como o jazz, o rock e outras formas híbridas semelhantes, são
consideradas pela Igreja como incompatíveis com [os] princípios. ... [Esses
estilos] são notórios em criar reações sensuais nas multidões. ... [O cristão]
considerará músicas como blues, jazz, o estilo rock e formas similares como inimigas
do desenvolvimento do caráter cristão.” Filosofia
Adventista de Música. Documento Oficial da IASD. Votado e aprovado pela
Associação Geral no Concílio Outonal de 1972, pp. 1201, 1203, 1206. Disponível
em: http://documents.adventistarchives.org/Minutes/GCC/GCC1972-10b.pdf
É importante repetir
que aqueles que optam impedir o uso do rock e seus híbridos nas igrejas, estão
de fato agindo em perfeita harmonia com as normas oficiais da Igreja Adventista
do Sétimo Dia.
Alguém poderia
questionar: e se o Manual da IASD sofrer alterações, por meio das quais forem
omitidas ou modificadas orientações claras e diretas como esta? Se isso
acontecer, estaremos em terreno perigoso, quebrando um princípio bíblico
anteriormente citado:
“Não removas os antigos
limites que teus pais fizeram.” Provérbios 22:28, ACF.
Houve uma razão para
que esta instrução fosse incluída no Manual da IASD e noutros documentos
oficiais, e não se trata de questão administrativa passível de alterações ou de
adaptações burocráticas; trata-se de princípios estabelecidos na Palavra de Deus
que, quando não praticados, desencadeiam reais e sérias consequências no
desenvolvimento espiritual da igreja. Por isso tais limites devem ser
preservados e perpetuados, bem como outros que veremos mais adiante. Se o autor
do Rock continua sendo o mesmo, se a estrutura e os efeitos do Rock continuam
sendo os mesmos, se o Rock não mudou absolutamente nada, por que a igreja
deveria mudar seu posicionamento oficial a respeito?
“Jamais derrube uma
cerca sem saber a razão porque ela foi construída.” G. K. Chesterton, escritor,
jornalista, historiador e teólogo britânico. Citado em Singapore Journal of
Legal Studies, 2008, p. 347.
E qual é o pensamento
do atual presidente mundial da IASD?
“Embora tenhamos
diferentes culturas e perspectivas em relação à música, é importante que não
permitamos que músicas contemporâneas e não religiosas se infiltrem na igreja,
de modo que não vejamos nenhuma diferença entre o que ouvimos no rádio e na igreja.”
Pr. Ted Wilson. Adventist World, set. 2011, pp. 8-10.
“Resistam aos estilos
de adoração e música que estão mais centrados no entretenimento do que na
humilde adoração a Deus. ... Não quero ofender a ninguém e esta é minha opinião
pessoal, mas se a música soa como pertencendo a um concerto de rock ou uma casa
noturna, ela deve permanecer lá [no concerto de rock e na casa noturna].” Pr.
Ted Wilson. Pregação à Conferência Geral, 13 ago. 2011. Disponível em: http://perspectives.adventist.org/pt/sermoes/sermons/
go/2011-08-12/gods-remnant-church-finish-strong.
Nota-se que o
pensamento do presidente, ainda que reconheça como sendo uma opinião pessoal,
está fundamentado nas instruções oficias da IASD que são desdobramentos dos
parâmetros existentes na Bíblia e no Espírito de Profecia.
“A posição de algumas
pessoas que tentam fixar rumos, é que qualquer tipo de música serve, sempre que
tenha um texto sagrado pode ser usada no serviço de adoração. Os meios de informação
de massa têm condicionado o público com uma ‘dieta de ritmos de rock’, tentando
mostrar que fora desse ritmo tudo é insípido e monótono. Há uma obsessão de
vestir toda música para evangelização com alguma forma de ritmo de rock. ...
Alguém escreveu o seguinte: ‘tem havido um considerável aumento da música para
evangelização do tipo ‘jazz’ nas igrejas nos últimos anos. Isto é, em muitos
aspectos, uma coisa diabólica’. O mínimo que isto pode fazer é colocar a igreja
em contato com expressões musicais baratas, e de pouco valor artístico e espiritual.
O importante neste ponto é que o mal aparece como se fosse bem e que parece
natural que uma música barata e com letra trivial leve as pessoas ao descuido
inconsciente e a pensamentos puramente sentimentais.” Pr. Ivay Araújo. Guia do Ministério da Música. União
Sudeste Brasileira da IASD, p. 13.
Evidentemente há outros
líderes em posições de destaque que defendem ideias contrárias. Diante disso,
que decisão você tomará? A quem seguirá?
Vejamos o que nos diz a
Palavra de Deus:
“Não podeis beber o
cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa
do Senhor e da mesa dos demônios.” 1 Coríntios 10:21, ARA.
“Ninguém pode servir a
dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se
devotará a um e desprezará o outro.” Mateus 6:24, ARA.
“Porque sois povo santo
ao Senhor, vosso Deus, e o Senhor vos escolheu de todos os povos que há sobre a
face da terra, para lhe serdes Seu povo próprio.” Deuteronômio 14:2, ARA.
“Ser-me-eis santos,
porque Eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus.”
Levíticos 20:26, ARA.
“A meu povo ensinarão a
distinguir entre o santo e o profano e o farão discernir entre o imundo e o
limpo.” Ezequiel 44:23, ARA.
O texto de Ezequiel 44
nos apresenta um ponto importante para o qual precisamos atentar seriamente.
Ali é dito que alguém ensinará o povo. Quem? Muitos poderiam pensar que é Deus.
Porém, o próprio Deus está dizendo que alguém ensinará. Todo o conhecimento
para a construção e desenvolvimento de um caráter à semelhança de Jesus Cristo
tem sua origem no Criador, mas Ele espera que o mesmo seja transmitido por meio
de Seus servos, Seus líderes. Eles deverão ensinar o caminho que o povo deve
seguir e Deus há de julgar-lhes as palavras, ações, decisões e omissões. “Se
precisar de alguma melhora – e toda igreja precisa de melhoras – vai ter que
começar com a liderança. ... Tudo levanta ou cai com a liderança.” Tim Fisher,
mestrado em teologia, cantor e produtor, professor de música da Bob Jones University-EUA.
O Debate Sobre a Música Cristã, p.
208.
Ainda no contexto da
mistura sagrado/profano na música, que muitos desejam e defendem, o que nos diz
o Testemunho de Jesus Cristo (Apocalipse 19:10)?
“Deus pronunciou uma
maldição sobre aqueles que não fazem diferença entre as coisas comuns e as
coisas santas. ... Deus requer hoje de Seu povo uma distinção tão grande do
mundo, nos costumes, hábitos e princípios, como exigia de Israel antigamente. Se
fielmente seguirem os ensinos de Sua Palavra, existirá esta distinção; não
poderá ser de outra maneira. As advertências feitas aos hebreus contra o identificarem-se
com os gentios, não eram mais diretas ou explícitas do que as que vedam aos
cristãos adaptar-se ao espírito e costumes dos ímpios.” Ellen G. White. Patriarcas e Profetas, pp. 257, 335.
Nossa música na IASD
precisa ser diferente da música que é praticada no mundo. Pensemos nisso: proporcionaria
verdadeira edificação espiritual a alguém oferecer-lhe aquilo que já lhe é
conhecido e vivido no mundo?
A distinção que Deus
espera de nós em relação ao mundo não é algo sutil, mas algo visível, claro e
evidente. Deus requer de nós uma grande diferença em nossa maneira de falar,
vestir, alimentar, relacionar, recrear e na maneira como utilizamos a música.
Nosso Deus não deixaria as práticas musicais de fora de Suas preocupações,
porque Ele em tudo quer pureza nos propósitos e nas realizações.
“A associação com as
coisas do mundo no setor musical é considerada inofensiva por alguns
observadores do sábado. Tais pessoas estão, porém, em terreno perigoso. É assim
que Satanás procura desviar homens e mulheres, e dessa maneira tem ganho o
controle de almas. Tão suave, tão plausível é o trabalho do inimigo que não se
suspeita dos seus ardis, e muitos membros de igreja tornam-se mais amigos dos prazeres
que amigos de Deus.” Ellen G. White. Mensagens
Escolhidas vol. 3, p. 332.
O Espírito de Profecia
foi muito específico ao citar a associação com o mundo, deixando clara a
referência direta à música. O objetivo de Satanás é que aos poucos sejam feitas
concessões, até que desapareça a distinção entre o povo de Deus e o mundo. Ele
tem trabalhado dessa forma desde sua rebelião no Céu. A vontade de Deus é a
santificação de Seu povo, a separação do mundo, o abandono do pecado. Mas
Satanás tem induzido o povo a fazer exatamente o contrário:
“Antes se misturaram
com os gentios, e aprenderam as suas obras.” Salmos 106:35, ACF.
Estar no mundo não é
ser do mundo. Os filhos de Deus são aqueles que agem como “luz no mundo”, isto
é, são diferentes, são incomuns nos conceitos e procedimentos. A tendência que
hoje se vê é que cristãos nominais envolvem-se de tal forma com os valores do
mundo, que é impossível ver a diferença entre uns e outros.
“Por que, então, trazer
para dentro da igreja esse estilo de música, pervertida em sua origem por
Satanás, para destruir a humanidade? A atitude de combatê-la não pode ser
classificada de extremismo, quando se sabe do seu profundo comprometimento com
o demonismo. ... No entanto, a pretensão de muitos, hoje, sob o disfarce da
carência de uma evangelização profícua, é desprezar a música essencialmente divina.
... A realidade cotidiana prova com fatos que o rock não se presta para o
louvor a Deus. O máximo que pode fazer é despertar a sensualidade da carne e
extravasar instintos até então latentes nos indivíduos. Vamos, pois, retirar as
nossas harpas dos salgueiros e entoar os cânticos de Sião (e não do mundo), à
semelhança de Cristo, que, após cear com os seus discípulos e antes de partir
para o Getsêmani, cantou [um hino] (Mat. 26:30).
Sem dúvida, não foi uma dessas músicas de embalo travestidas de hino
evangélico.” Geremias do Couto. A
Mensagem Oculta do Rock. Rio de Janeiro, 1986, pp. 151-152.
A história de Noé nos
fornece uma lição importante. A arca estava na água, mas não se podia permitir
que a água entrasse na arca, pois ela afundaria. O cristão está no mundo, mas
ele não pode permitir ser dominado pelos valores mundanos, pois haverá o
naufrágio de sua fé.
“Como o povo evangélico
no Brasil, em sua maioria, ouve pouca música sacra, e suporta diariamente a
carga literária e musical impingida pelo rádio e televisão ... acaba aceitando
o padrão mais frequente, que é o transmitido pelo rock. Daí, fica mais fácil
aceitar música de finalidade religiosa com ritmo de rock.” Rolando de Nassau
(prefácio). A Mensagem Oculta do Rock.
Rio de Janeiro, 1986, p. 21
A história tem mostrado
que, quando nos conformamos com as práticas do mundo, atraímos mundanos para a
igreja; quando as normas são afrouxadas, atraímos aqueles que se opõem às
normas; quando os princípios revelados na Bíblia são omitidos, atraímos aqueles
que de fato não os aceitam. Tudo isso tem acarretado um resultado inverso
daquele que supostamente se pretende. A igreja deixa de ser uma influência ao
mundo, e o mundo passa a influenciar a igreja; a igreja deixa de ser uma
referência para o mundo, e o mundo é que passa a ser a referência para a
igreja. Esta nunca foi a vontade do Senhor.
“E o Senhor te porá por
cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos
mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.”
Deuteronômio 28:13, ACF.
Não somos superiores
como indivíduos, mas Deus confiou a nós uma missão que não foi dada a outro
povo. E as ações em desobediência aos princípios divinos nos colocam como “cauda”
e não como “cabeça”; e o que se tem visto em muitos lugares é que pessoas
estabelecem as normas e os padrões nas igrejas adventistas do sétimo dia sem
considerar o “Assim diz o Senhor”. Isto é extremamente preocupante.
“A conformidade aos
costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais converte o mundo a
Cristo.” Ellen G. White. O Grande
Conflito, p. 509.
Quando o estilo de
viver do mundo é imitado pelas pessoas nas igrejas, e no dia a dia da vida,
permitindo que o mundo dite as regras, incorre-se no desagrado do Senhor. Os
verdadeiros adoradores do Criador atraem a atenção para Ele; então as pessoas
podem ver que vale a pena dispor-se a fazer renúncias conscientes e optarem
entrar num processo de transformação individual.
Convencer indivíduos é
radicalmente diferente de convertê-los, porque a conversão é obra sobrenatural
do Espírito Santo. Deus tem uma advertência séria aos afoitos por imitar as
modas do mundo:
“Se alguém sentir o
desejo de imitar as modas do mundo e não controlá-lo de imediato, Deus
prontamente deixará de reconhecê-lo como filho.” Ellen G. White. Testemunhos para
a Igreja vol. 1, p. 137.
Aquele que deseja
seguir os métodos e as modas do mundo deve controlar essa tendência
imediatamente e buscar em Deus, em Sua Palavra e no Espírito de Profecia os
métodos corretos. E este princípio é aplicável, também, às nossas atividades na
música de adoração.
“Há distinções claras e
precisas a serem restauradas e expostas ao mundo. ... Se, em desafio às
disposições divinas, for permitido ao mundo influenciar nossas decisões ou
ações, o propósito de Deus será frustrado. ... Se a igreja vacilar aqui, por
mais enganador que seja o pretexto apresentado para tal, contra ela haverá, registrada
nos livros do Céu, uma quebra da mais sagrada confiança, uma traição ao reino de
Cristo. ... A igreja tem que manter seus princípios perante todo o universo
celestial e os reinos deste mundo, de maneira firme e decidida.” Ellen G.
White. Testemunhos para Ministros, pp. 16-17. Citado pelo Manual da IASD, ed.
2015, pp. 23-24.
Talvez devido ao enorme
desejo de atrair e crescer em número, temos permitido que as pessoas de fora da
igreja estabeleçam os padrões conceituais e comportamentais na igreja. Passamos
a cantar e tocar músicas que agradam a essas pessoas, sem considerar o que
agrada a Deus.
“Caso abaixem a norma a
fim de conseguir popularidade e aumento de números, fazendo desse acréscimo
objeto de regozijo, estarão demonstrando grande cegueira. Fossem os números
indício de êxito, Satanás poderia reclamar a soberania; pois, neste mundo, os
que o seguem constituem a grande maioria. ... A virtude, inteligência e piedade
do povo que compõe nossa igreja deveriam ser causa de alegria e gratidão, não
seu número.” Ellen G. White. Testemunhos
para a Igreja vol. 5, pp. 31-32.
“Deus Se agradaria mais
de ter seis pessoas verdadeiramente convertidas à verdade do que sessenta que fazem
profissão de fé nominal, mas não se converteram de todo.” Ellen G. White. Evangelismo, p. 320.
O apóstolo Paulo
reconhecia que Deus está mais interessado em qualidade do que quantidade quando
afirmou:
“Porque Cristo
enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar.” 1 Coríntios 1:17, ACF.
“Paulo esperava que
apenas Cristo fosse exaltado, e que homens e mulheres fossem ganhos para Ele.
Por isso, ele deixou claro que batizar não era seu trabalho principal, mas sim
persuadir pessoas a se renderem ao Salvador. Não era sua intenção insinuar que
não batizaria ninguém, mas que soubessem que ele não se gloriava com um grande
número de batismos.” Comentário Bíblico Adventista
vol. 6, p. 732.
Devemos realizar o
trabalho usando os métodos de Deus e deixar os resultados em Suas mãos.
“Existem diferentes
tipos de discípulos professos de nosso Senhor. Um tipo está muito pronto a moldar
sua religião de acordo com os tempos – muito pronto quando eles ouvem ‘toda
espécie de música’ (Dan. 3:7) a se prostrar e adorar a imagem mais popular da
invenção humana. ... Mas há outro tipo de discípulos professos pelos quais
agradecemos a Deus, que são puros de coração, cuja consciência está tão longe
de ser cauterizada, que eles podem ‘suspirar e gemer’ por todas as abominações
que são feitas na Terra.” Benjamin Clark. Review
and Herald vol. 3, n. 4, 24 jun. 1852, p. 30.
Que tipo de discípulos
temos sido?
*Leandro Dalla, é estudioso das
questões relacionadas ao uso da música no culto e da forma de adoração na
Igreja Adventista do Sétimo Dia. É o autor do livro “Música, Reverência e
Adoração”.
FONTE: Artigo que
constitui o capítulo 7 do livro “Música
no Tempo do Fim”, p. 84-98, de Leandro Dalla.
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