NO PRIMEIRO NATAL DEUS TORNOU-SE UM DE NÓS
Ricardo
André
Está chegando o Natal. Particularmente,
amo o Natal! Na minha vida e história ele tem um significado muito importante,
pois é uma época do ano em que minha família se reúne, nos reencontramos,
renascemos um para o outro, estamos ali sendo luz na vida do outro. Mais que
isso, o Natal é uma data bem marcante para mim, sobretudo, porque é um tempo de
celebrar o maior acontecimento da história, o nascimento de Jesus, o Deus que
se fez carne e habitou entre nós. Essa história sempre me impressiona e me
emociona, porque como diz Ellen White, “a história de Belém é inexaurível. Nela
se acham ocultas as ‘profundidades das riquezas, tanto da sabedoria como da
ciência de Deus’" (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 48). Então,
gostaria de apresentar uma reflexão sobre este extraordinário acontecimento.
Foi numa noite tão
linda, serena e tranquila na pequena cidade camponesa de Belém da Judeia, “numa
manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2:7), que Jesus
nasceu, provavelmente “no outono do ano 5 a. C.” (Comentário Bíblico
Adventista, p. 290). O dia e o mês não sabemos, pois os evangelhos omitiram
esse detalhe do nascimento do Salvador, possivelmente para evitar a idolatria
de uma data. Nesse sentido, Ellen G. White escreveu: “Ele [Deus] ocultou o dia
preciso do nascimento de Cristo, para que o dia não recebesse a honra que devia
ser dada a Cristo como Redentor do mundo – Aquele que deve ser recebido, em
quem se deve crer e confiar como Aquele que pode salvar perfeitamente todos os
que a Ele vêm. A adoração da alma deve ser prestada a Jesus como o Filho do
infinito Deus” (O Lar Adventista, p. 477, 478).
Em seu evangelho o
apóstolo João faz a mais extraordinária declaração neotestamentária a respeito
da divindade de Jesus e de sua misteriosa encarnação há mais de dois mil anos: “No
princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. [...]
Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória,
glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:1,
14, NVI).
Na “Palavra”,
descobrimos o verdadeiro significado do Natal: dar! Deus deu a Si mesmo
tornando-se carne, uma pessoa como nós. Jesus deixou o Céu para fazer parte
deste mundo corrupto e resgatar-nos do pecado, degradação e morte eterna. Deus
Se tornou carne! Maria concebeu e “deu à luz um filho” (Mt 1:25, NVI). Não era
um filho comum. Era Emanuel, Deus conosco (Is 7:14), um “Salvador, que é
Cristo, o Senhor” (Lc 2:11, NVI).
Falando a respeito do
propósito da vinda de Cristo ao mundo, a escritora cristã Ellen G. White
afirma: “Cristo veio a fim de revelar Deus ao mundo como um Deus de amor, pleno
de misericórdia, ternura e compaixão. A espessa escuridão com que Satanás se
esforçara por circundar o trono da Divindade, foi dissipada pelo Redentor do
mundo, e o Pai mais uma vez Se manifestou aos homens como a luz da vida. [...] Cristo
declara-Se enviado ao mundo como representante do Pai. Em Sua nobreza de
caráter, em Sua misericórdia e terna piedade, em Seu amor e bondade, Ele Se
acha perante nós como a encarnação da perfeição divina, a imagem do Deus
invisível” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 335, 336). Sim, ao vir viver conosco,
Jesus nos mostrou como Deus realmente é. João escreveu uma das grandes verdades
do Evangelho: “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos
a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de
verdade” (João 1:14, NVI). A festa do Natal celebra a encarnação dessa Palavra.
Por intermédio de
Jesus, Deus desceu como “carne e viveu entre nós”. No Tabernáculo do Antigo
Testamento, Deus visitava Israel no Lugar Santíssimo, para que pudesse “habitar
no meio deles” (Êx 25:8). Depois, nos tempos do Novo Testamento, Deus através
da encarnação “habitou entre nós”. A palavra grega para “habitou” é skenoõ,
que significa literalmente “acampou-Se” ou “armou Sua tenda entre nós”
(Comentário Bíblico Adventista, v. 5, p. 994). “Assim Cristo estabeleceu Seu
tabernáculo no meio de nosso acampamento humano. Estendeu Sua tenda ao lado da
dos homens, para que pudesse viver entre nós, e tornar-nos familiares com Seu
caráter e vida divinos” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 23).
Logo, o Verbo Encarnado toma o lugar da antiga tenda como local da presença de
Deus entre os homens. O evangelho natalino é convite para
acolhermos a Palavra (o Verbo) que se tornou um ser humano e que veio construir
sua tenda em nosso meio, e com quem as pessoas da época conviveram e a quem,
através dos Evangelhos, podemos ver com nossos próprios olhos.
Os atos, ensinos e
atitudes de Jesus são os atos, ensinos e atitudes de Deus, pois Ele é Deus.
Aquele que é a Palavra estava com Deus. Cristo, “a Palavra”, existiu antes de
visitar nosso mundo. O nome Cristo O designa como o Messias longamente esperado
e plenamente Deus. Cristo “tornou-Se carne”. O nome Jesus refere-se a Ele como
o bebê nascido em Belém de mãe humana. Assim Ele é plenamente homem. Cristo
Jesus é completamente Deus e completamente homem. Deus Se tornou homem e viveu
entre nós. “A união do divino com a natureza humana é uma das mais preciosas e
misteriosas verdades do plano da redenção. É dela que fala o apóstolo Paulo
nestas palavras: "Sem dúvida nenhuma, grande é o mistério da piedade: Deus
Se manifestou em carne." (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 2, p.
344).
Jesus, o Deus eterno,
viveu conosco como ser humano. Experimentou as mesmas coisas que enfrentamos.
Como menino, tinha irmãos com quem contender. Então, como homem, trabalhou como
carpinteiro, com suor brotando de Sua testa e dor nos músculos. Após Seu
chamado para o ministério, retornou à Sua cidade natal porque Se preocupava com
Seus vizinhos e amigos. Mas eles não apreciaram Sua mensagem, arrastaram-nO a
um penhasco nos arredores de Nazaré e tentaram jogá-lo lá de cima para mata-Lo
(Lc 4:16-30).
Ao ser encarnado, Jesus
entrou na história humana, e agora era um de nós – e não houve meio melhor de
nos mostrar o quanto Deus nos ama do que tornando-Se um de nós e vivendo conosco,
sentindo nossa angústia, curando nossas dores, partilhando nossa alegria e
morrendo na cruz por nossos pecados. Ele enfrentou as mesmas tentações com as
quais lutamos, só que com muito mais intensidade. Teve fome, sede e foi tentado
por Satanás a ser alguém, a progredir na vida. Cristo passou pelo trauma de ver
morrer um de seus melhores amigos. Junto de Seu sepulcro, “Jesus chorou” (Jo
11:35). O sofrimento O tocava profundamente, assim como acontece conosco.
De fato, Cristo “assumiu
os riscos da natureza humana” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 226); entretanto,
Sua humanidade foi perfeita. “Embora, como homem, pudesse haver pecado, não
repousou sobre Ele nenhuma mancha de corrupção ou inclinação para tal; não possuía
propensões para o pecado” (Comentário Bíblico Adventista, v. 5, p. 994).
Mas não nos devemos
esquecer nunca de que o Cristo humano era Deus conosco, “um Salvador”. Essa é a
mensagem de Natal, “as boas novas de grande alegria” (Lc 2:10). Nasceu Emanuel!
Ele pode mudar o coração das pessoas, ressuscitar os mortos e salvar-nos da
condenação eterna. Mas fazer isso custou-Lhe a vida. Devemos sempre contemplar
Belém à luz do Calvário – contemplar a esperança que a manjedoura e a cruz nos
dão.
João ainda afirma que
Jesus “veio para o que era Seu, e os seus não O receberam” (Jo 1:11). Que
lástima! O mundo de então não O recebeu, hoje continua não havendo lugar para ele
nas hospedarias do coração dos homens, posto que a sua presença é também incômoda para quem prefere a
escuridão do egoísmo à luz da solidariedade. Mas, por isso mesmo ou tanto mais,
é preciso anunciar que a Palavra, pela qual tudo o que existe foi feito, veio
construir sua tenda entre nós. O mundo não está irremediavelmente perdido e sem
rumo, pois o Natal nos recorda que Deus mesmo veio habitar conosco.
Espero que nesse dia,
ao vislumbrarmos as luzes coloridas nas casas, ruas e praças das cidades, a
árvore de Natal toda decorada com lâmpadas cintilantes e rodeadas de pacotes de
presentes, não nos olvidamos do personagem principal do Natal, que veio
transformar o coração humano – Jesus Cristo, o nosso Salvador!
Comentários
Postar um comentário