OS ADVENTISTAS FORAM CHAMADOS PARA PREGAR O “EVANGELHO ETERNO”, NÃO O “EVANGELHO COACHING”
Ricardo
André
Recentemente participei
de um encontro com cristãos adventistas e, depois, num outro momento, de um
culto num templo adventista, em Lagarto, Sergipe. As programações desses dois
eventos foram excelentes, mas a pregação para mim, foi triste demais, pois ao
invés de ver a exposição das Sagradas Escrituras mediante a pregação da Palavra
ouvi uma palestra motivacional. Logo percebi nitidamente que as “pregações”
proferidas nessas duas reuniões religiosas não passaram de meros “coaching”,
prática que atualmente se tornou um modismo nas igrejas evangélicas, e
lamentavelmente tem enredado um número incontável de pastores e pregadores
leigos adventistas. Mas, o que é o coaching? Quais são os perigos que essa
prática representa para a vida cristã e para nossa identidade como a Igreja
Remanescente da profecia bíblica?
Antes de analisarmos
essa temática da “Teologia do Coaching” à luz das Sagradas Escrituras, é
importante dizer que os pregadores adventistas que adotam tal prática no
púlpito são pessoas que merecem nosso profundo respeito, pois são cristãos sinceros,
e estão usando essa metodologia acreditando estar ajudando outros crentes a se
desenvolverem espiritualmente e se aperfeiçoarem pessoalmente, não percebendo o
erro que representa alinhar a mensagem bíblica a vãs filosofias e psicologias
humanas. Todavia, nosso amor as verdades do evangelho de Jesus nos leva a
apontar os diversos equívocos e os perigos dessa teologia para a igreja. Foi
João Calvino, o grande reformador que, no momento de crise para a igreja da
Reforma, enviou uma carta a Margarida de Navarra, que dizia: “Um cachorro ladra
quando o seu dono é atacado”. E eu seria um covarde se visse a Igreja de Deus
ameaçada e guardasse silêncio, sem dar sinal.
O
que é o Coaching?
“Coaching” é um termo
em inglês que, de acordo com o Portal Instituto
Brasileiro de Coaching (IBC), “é um processo definido como um mix de recursos
que utiliza técnicas, ferramentas e conhecimentos de diversas ciências como a
administração, gestão de pessoas, psicologia, neurociência, linguagem
ericksoniana, recursos humanos, planejamento estratégico, entre outras. A
metodologia visa a conquista de grandes e efetivos resultados em qualquer
contexto, seja pessoal, profissional, social, familiar, espiritual ou
financeiro”. Como se vê, o coaching se utiliza de diversas ciências e técnicas
para auxiliar as pessoas e empresas a alcançarem suas metas, no desenvolvimento
acelerado. Coaching virou febre no meio evangélico e em algumas igrejas
adventistas. Hoje, é cada vez mais comum nos cultos vê-se uma pregação que é um
mero coaching. Neste tipo de pregação, Deus vira um mero propiciador para me
dar tudo aquilo que preciso ter nas áreas da minha vida. Se meus negócios não
prosperam, basta eu colocar Deus como “parceiro”, que tudo irá prosperar. Se
sou uma pessoa sem amigos e retraído, basta colocar Deus na coisa, que amanhã serei
o homem mais “descolado” que existe.
Nessa pregação, geralmente,
pegam-se dois ou três versículos bíblicos, mais dois ou três extratos do
Espírito de Profecia (se o pregador for adventista) para se dizer que há uma
base bíblica, e praticamente é só. O resto são apenas dicas de como posso
melhorar minha vida, como posso realizar meus sonhos, alcançar o sucesso, a
partir de proposições, que, no fundo, são meros sensos comuns de uma sociedade
de consumo como a nossa, no estilo “fast-food”.
Em resumo, é uma
pregação nitidamente individualista e antropocêntica, onde dificilmente o
pregador vai confrontar os ouvintes a partir dos valores do Reino de Deus. Fica
parecendo uma mera pregação “paz e amor”, “pregação coberta com açúcar”, feita
sob medida, parecida com muitos destes livros rasos de autoajuda que se vendem
aos montes nos nossos dias.
Indubitavelmente, a
“teologia Coaching” é uma nova roupagem da enfraquecida Teologia da
prosperidade, doutrina religiosa que desde seu surgimento, no final do século
XIX, nos EUA, mobilizou (e ainda mobiliza) milhares de pessoas em todo o mundo
a “exigir”, “reivindicar” ou “determinar” ao Espírito Santo que lhes conceda o
sucesso material (riqueza) ou a cura de sua doenças. Não obstante não possuir
nenhuma base bíblica, os pregadores da teologia da prosperidade ensinam que o
crente jamais deveria ser pobre ou ficar doente, pois doença e pobreza estariam
sempre relacionadas à falta de fé. Acontece que nos últimos anos essa teologia
vem perdendo espaço. Isso deve-se, em grande parte, a exposição nas mídias
sociais dos escândalos dos líderes que defendem essa teologia, que dá ênfase no
dinheiro. A disputa ostensiva no mercado da fé pelos líderes das principais
igrejas neopentecostais no Brasil, bem como o conhecimento de suas grandes fortunas
oriundas da exploração comercial da fé nos cultos em seus templos contribuíram
para a teologia da prosperidade perder força no Brasil e no mundo. Contudo,
lamentavelmente, ela ainda faz muitas vítimas devido à falta de conhecimento
das Sagradas Escrituras de muitos “crentes”. Mas, aos poucos, parte deste
comportamento teológico está sendo substituído pela teologia do
"coaching".
As
contradições da Teologia do coaching
Ao se analisar as “frases
de efeitos” e as técnicas empregadas pelos coach cristãos percebe-se claramente
as contradições dessa teologia com as Sagradas Escrituras. De maneira que tais
pregações nada tem que ver com a graça salvadora de Deus. Apontamos abaixo
algumas dessas contradições.
1) A teologia coaching
é antropocêntrica onde o foco é o homem e suas realizações pessoais.
Nas “pregações”
coaching geralmente se fala coisas do tipo: Quer casar? Quer ser feliz? faça
isso…Quer ser um empresário de sucesso? Quer ser um bom profissional? Faça
aquilo… quer alcançar seus sonhos? Então faça isso... Exatamente como fazem as propagandas de xampu:
“faça isso e você obterá aquilo”. Note que o foco está naquilo que o homem pode
fazer através da sua fé pessoal. Fé essa que passa por Cristo, mas que tem seu
objeto na própria pessoa e nos seus esforços dirigidos. Como se vê, a teologia
coaching possui o mesmo teor antropocêntrico da Teologia da Prosperidade. Essa
é uma teologia mais sutil, que parece mais humilde, mas na verdade transborda
soberba ainda maior do que a Teologia da Prosperidade.
A analogia entre as
duas teologias nos permite ver que em ambas o homem é o centro. A Teologia da
Prosperidade propõe uma barganha com Deus crendo que Ele efetuará milagres para
benefício material e espiritual do homem. Ao passo que a Teologia do Coaching
eliminou a barganha ao deixar Deus de longe, mas passou a ter no próprio homem
a força “milagrosa” para seu benefício material e espiritual. Enfim, temos na Teologia
da Prosperidade que ainda há uma certa dependência de Deus e seu agir
sobrenatural, enquanto na Teologia do Coaching o homem declarou sua
independência. O relacionamento de barganha foi substituído para o
relacionamento de plateia.
É preciso que se
entenda que a autêntica pregação cristã e fiel é cristocêntrica. Em 1 Coríntios 2:2 Paulo escreveu: “Pois
decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado”
(NVI). O apóstolo Paulo apresentava Cristo em todas as suas pregações.
Ele não forçava nem adulterava o texto para pregar Cristo, mas o fazia porque o
Senhor é encontrado, direta ou indiretamente, em toda passagem bíblica. O
centro das Escrituras é Cristo e seu sacrifício. Todo o desenvolvimento da
revelação se deu mediante este cerne, Jesus.
Pregação cristocêntrica
não diz respeito a um método, meramente, mas a uma interpretação correta,
centrada em Deus, e não no homem. E para se interpretar corretamente o texto
inspirado, cristocentricamente, é necessário que se recorra, naturalmente, ao
Deus Espírito Santo.
Ellen G. White fala
exatamente dessa centralidade de Cristo em nossos sermões: “Exaltai a Jesus,
vós que ensinais o povo, exaltai-O nos sermões, em cânticos, em oração. Que
todas as vossas forças convirjam para dirigir ao "Cordeiro de Deus"
(João 1:29) almas confusas, transviadas, perdidas. Exaltai-O, ao ressuscitado
Salvador, e dizei a todos quantos ouvem: Ide Àquele que "vos amou e Se
entregou a Si mesmo por nós". Efés. 5:2. Seja a ciência da salvação o tema
central de todo sermão, de todo hino. Seja manifestado em toda súplica. Não
introduzais em vossas pregações coisa alguma que seja em suplemento a Cristo, a
sabedoria e o poder de Deus. Mantende perante o povo a Palavra da vida,
apresentando Jesus como a esperança do arrependido e a fortaleza de todo
crente. Revelai o caminho da paz à alma turbada e acabrunhada, e manifestai a
graça e suficiência do Salvador” (Evangelismo, p. 185).
2) Não se fala em pecado,
de arrependimento nem de tomar nossa cruz a cada dia
Em alguns cultos onde
são proferidos sermões coaching não se fala mais de pecado, de vida eterna, de
tomar nossa cruz a cada dia diante do fardo da vida, de se compadecer com os
mais necessitados. Esquece-se que o Evangelho não é um
“oba-oba”. Por isso, o próprio Jesus nos adverte que “estreita é a porta, e apertado
o caminho que leva à vida!” (Mt 7:14, NVI). Ao fazer esta declaração, Cristo
claramente não tentou esconder a verdade. O caminho que conduz a vida eterna é
estreito, não porque seja difícil encontrá-lo, mas porque é difícil trilhá-lo.
Envolve sacrifício e renúncia diariamente do eu. E muitos não estão dispostos a
renunciar o eu, os desejos carnais, os prazeres mundanos e o pecado. Há muita
coisa boa nas boas novas. Há muitas bênçãos, mas Jesus também disse: “Se
alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Marcos
8:34, NVI). Tomar nossa cruz significa matar nossos desejos carnais,
morrer para nós mesmos e viver buscando cumprir a vontade de Deus em nossa vida
em detrimento da nossa. Jesus está deixando claro que segui-Lo requer uma
abnegação tão forte, capaz até mesmo de enfrentar as mais duras perseguições,
dores, dificuldades e coisas parecidas por amor a Ele. De forma prática, tomar
a sua cruz é viver no dia a dia fazendo as escolhas certas (que agradam a Deus)
sem se importar com as consequências negativas (muitas vezes muito difíceis e
dolorosas) que podem vir sobre nós, devido à resistência dos inimigos. Mas o
Evangelho é tão fantástico que nos mostra que quando matamos nosso eu,
crucificando nossa carne, na verdade não morremos, mas recebemos vida de
Cristo. Ele passa a viver em nós. “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não
sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo,
vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas
2:20, NVI), disse o apóstolo Paulo. Mas, essa mensagem do evangelho de
negar a si mesmo não faz parte da teologia coaching adotada pelos diversos
pastores e pregadores leigos adventistas, cujo foco é o sucesso e o poder. Tais
coach se utilizam de argumentos de autoajuda, e muitas vezes, do poder do
pensamento positivo como se fosse o evangelho.
3) Possui o objetivo de
motivar pessoas
Os praticantes dessa
técnica esquecem que as Escrituras devem ser a única e exclusiva forma de
consolo, conforto, exortação, admoestação e motivação para o cristão. A própria
Bíblia afirma:
“Toda a Escritura é
inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e
para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente
preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16, 17, NVI).
“Pois tudo o que foi
escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da
perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa
esperança” (Romanos 15:4, NVI).
Foi para trazer as bênçãos
da instrução, da paciência e consolação que “o Deus de paciência e consolação”
(Rm 15:5) fez com que as Sagradas Escrituras fossem escritas e preservadas até
hoje. Estudar seus ensinos e aplicá-los em nossa vida nos ajuda a enfrentarmos
com confiança as vicissitudes da vida, a tensão e o estresse. A Bíblia Sagrada
também exorta-nos: “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês”
(1 Pedro 5:7). De acordo com o texto sacro, Deus não quer que levemos o
fardo da ansiedade em nosso peregrinar neste mundo. Ele quer que entreguemos a
Ele, pois está disposto a levá-lo e dar-nos a paz de espírito que
necessitamos. Ellen G. White declara: “A paz de Cristo, a paz de Cristo –
dinheiro não a pode comprar; [...] ela é um dom de Deus (Testemunhos Seletos,
v. 1, p. 579). Portanto, Cristo Jesus e Sua Palavra são suficientes para trazerem
paz, alegria, ânimo, consolo, motivação, confiança e felicidade. Não precisamos
de palestras motivacionais ou de livros de autoajuda. Basta corrermos para os
braços de amor de Jesus e estudarmos Sua Palavra internalizando os princípios
nelas contidas encontraremos poder para vencer a ansiedade, o medo e o
fracasso.
Em resposta à pergunta
sobre a recomendação de um livro de autoajuda feita no jornal Chicago Tribune
ao Billy Graham, o famoso evangelista norte-americano, dá a sua resposta
infalível: “eu gostaria de recomendar a você o maior livro ‘autoajuda’ já
escrito: a Bíblia! Ela vai dizer, antes de tudo, que Deus criou você e Ele te
criou com uma finalidade. O propósito é você conhecê-lo, viver pra Ele e fazer
dele o centro e o fundamento de sua vida”.
O grande evangelista
enfatiza, porém, que a Bíblia é diferente dos livros do gênero autoajuda. “Cada
livro de autoajuda vai apenas lhe dar as ideias do autor, mas a Bíblia te dará
a sabedoria de Deus sobre como viver” distingue Billy Graham.
“Finalmente, a Bíblia
vai lhe dizer como viver! E, não apenas seguindo um conjunto de regras, mas
pedindo a Deus para guiá-lo. Não depende das palavras falíveis dos homens. Mas
pela fé voltar para Cristo e aceitá-Lo como seu Salvador e professor e guia”
conclui. Ele está certo.
Portanto, ao empregar
essas técnicas motivacionais, pastores e pregadores leigos, infelizmente, tem
substituído de forma velada, a suficiência de Cristo e das Escrituras.
4) Promove falsa
espiritualidade
Nas pregações coaching
o apelo pode ser até espiritual, mas ainda assim ouve-se assaz frases do tipo “como
ser o melhor marido”, “como atrair e fidelizar pessoas para o reino”, “alcançando
sucesso através da fé.” “Homens e mulheres vencedores”. Tudo isso travestido de
espiritualidade. O pano de fundo é o despertar no cliente (crente) o desejo
material. Em vez de expor as Escrituras, muitos coach cristãos fazem de suas
pregações palestras motivacionais confundindo evangelho com empreendedorismo e
Cristo com um guru motivacional. Urge um retorno urgente às Escrituras
onde Cristo é o centro das mensagens. E, estas levem os adoradores a uma
experiência mais profunda com Cristo. As mensagens pregadas em nossas igrejas devem levar os crentes a conhecerem melhor a Jesus. “Quero conhecer a Cristo”,
afirmou o apóstolo Paulo (Filipenses 3:10).
A maior ambição do apóstolo dos gentios era conhecer a Jesus. A palavra grega
para “conhecer” denota conhecimento íntimo. Conhecer a Cristo mais do que uma
percepção intelectual, envolve afeição e compromisso também.
Ellen G. White explica
o que significa conhecer a Jesus, ao declarar: “Embora conheçamos a Cristo em
certo sentido, que Ele é o Salvador do mundo, conhecê-Lo significa mais do que
isso. Precisamos ter conhecimento e experiência pessoais em Cristo Jesus – um
conhecimento experimental de Cristo, do que Ele é para nós e do que somos para
Cristo. Essa é a experiência de que todos necessitam” (Este Dia com Deus [MM
1980], p. 211). Infelizmente, as “pregações” coaching proferidas nos púlpitos
de várias de nossas igrejas não possuem essa abordagem. Antes, estão “visando à
conquista de grandes e efetivos resultados, com foco em qualquer contexto, seja
pessoal, profissional, social, familiar, espiritual ou financeiro”.
Mas quantos que foram
submetidos a teologia coaching já se arrependeram de seus pecados e conhecem
realmente Jesus?
Então, como saber que
você não está recebendo um “evangelho coaching” do seu pastor ou de um pregador
leigo? Você deve estudar a Bíblia com a orientação do Espírito Santo. Você
precisa procurar por si mesmo.
Fomos
chamados a pregar o Evangelho Eterno
Em razão da cultura
coaching ter invadido nossos arraiais, penso que devemos prementemente refletir
acerca de nossa identidade como igreja remanescente e seu papel, os perigos que
a teologia coaching representa, bem como reafirmar nossas crenças, sob pena
dela a cada dia perder sua identidade.
Cremos que o Adventismo do Sétimo Dia
é um movimento profético, suscitado por Deus num tempo específico para
restaurar e proclamar algumas verdades distintivas. Discursando a Seus
discípulos, Jesus declarou que um sinal do fim seria a proclamação do evangelho
a todo o mundo (Mt 24:14), cujo cumprimento é descrito em Apocalipse 14. Com
isso é indicado que, no tempo do fim, Deus enviará aos habitantes da Terra Sua
mensagem de advertência, descrita simbolicamente pelo voo dos três anjos pelo
meio do céu proclamando o evangelho eterno “aos que moram sobre a Terra” (v.
6). Esta mensagem profética, de alcance mundial (“cada nação, e tribo, e
língua, e povo” – Ap 14:6) deve ser proclamada pelo povo remanescente de Deus
no tempo do fim. Os adventistas do sétimo dia creem que têm esta mensagem para
o mundo encontrada em Apocalipse 14:6-12.
O Adventismo é visto como um
movimento singular por causa de três características distintas. Nenhuma outra
igreja alega ter tais características, mesmo antes de a Igreja Adventista ter
sido fundada oficialmente, em 1863.
Essas características específicas
definem os adventistas como o único povo em quem podem ser encontradas:
1. Raízes proféticas, ou históricas,
preditas em Apocalipse 10.
2. Identidade profética definida em
Apocalipse 12.
3. Mensagem profética e missão
indicadas em Apocalipse 14.
Os adventistas não alegam ter tais
características devido a uma atitude de exclusividade religiosa ou jactância. O
fato não é que os Adventistas do Sétimo Dia são “melhores do que”; ao
contrário, são “diferentes de” outras igrejas.
Sobre esse ponto, muitos anos atrás,
Ellen White escreveu: “De certo modo muito especial, os adventistas
do sétimo dia foram postos no mundo como vigilantes e portadores de luz. A eles
foi confiada a última advertência para um mundo que perece. Sobre eles está
brilhando a maravilhosa luz vinda da Palavra de Deus. Foi-lhes dada uma obra da
mais solene importância: a proclamação da primeira, segunda e terceira
mensagens angélicas. Não há outra obra de tão grande importância. Não devem
permitir que nada mais lhes absorva a atenção” (Testemunhos Para a Igreja, v.9,
p. 19).
“Essas três mensagens angélicas
correspondem à resposta divina aos extraordinários enganos satânicos que varrem
o mundo antes do retorno de Cristo (Ap 13:3, 8, 14-16). Imediatamente em
seguida ao último apelo divino dirigido ao mundo, Cristo retorna para efetuar a
colheita (Ap 14:14-20)” (Nisto Cremos, p. 227).
Ora, se somos a
Igreja Remanesce de Apocalipse 12:17, cuja missão profética é proclamar o evangelho eterno descrito em Apocalipse
14:6-12, então, cabe-nos o privilégio e a responsabilidade de, em nossas
pregações, chamar a atenção do mundo para o Juízo final, o santuário celestial
e o ministério intercessor de Cristo e restaurando a observância do verdadeiro
dia de repouso, o sábado do sétimo dia. Estes e outros ensinos a eles ligados
constituem a verdade presente, uma verdade para os últimos dias; mensagem
oportuna, confiada ao povo do advento. São essas mensagens que temos que pregar
“em tempo e fora de tempo” (1Tm 4:2). Logo, não fomos suscitados por Deus para pregar um “evangelho
coaching”, que trata a igreja como um negócio, o evangelho como um tipo
business e o crente um cliente que deve ser motivado a encontrar o caminho da
felicidade seguindo regras e uma disciplina ditadas pelos coach cristãos, que em
nada glorifica nosso Deus eterno e soberano.
Conclusão
A teologia do Coaching
é maléfica e distante do cristianismo bíblico que leva o homem a negar a si
mesmo, humilhar-se diante de Deus e depender dele em tudo.
Ter sucesso
profissional e conquistar riquezas não é pecado em si, mas isso não pode ser um
dos pontos centrais de nossa fé cristã tampouco de nossas pregações. Infelizmente
na teologia do coaching, o Deus que é adorado é o próprio homem.
Precisamos de um
retorno premente às Escrituras onde Cristo é o centro das mensagens. Eu suplico
ao meu Deus que abra nossos olhos para que vejamos os perigos que representa
introduzir a disciplina coaching em nosso meio. Que ao término de cada sermão,
os crentes adventistas possam estar mais perto de Jesus, que a pregação bíblica
e cristocêntrica prevaleça em todas as nossas reuniões de culto. Onde Deus for
adorado, que ali tenhamos sempre o melhor, para o melhor: nosso compassivo
Deus.
Caro leitor, é seu
desejo ser cheio do Espírito Santo e ter uma mensagem não coaching em sua vida
e em sua igreja? Vamos encorajar um ao outro a sermos verdadeiros cristãos
estudando a Bíblia por nós mesmos, para sabermos o que constitui ter um
relacionamento com o Senhor e sermos salvos. Você sabe se está recebendo o
puro, não adulterado e potente combustível da verdade de Deus? Muitos serão
enganados por luzes brilhantes e promessas de riqueza, mas poucos vão estudar
por si próprios na Palavra e serem mudados. Qual deles é você?
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