ENSINAM OS ADVENTISTAS QUE O SACRIFÍCIO EXPIATÓRIO DE CRISTO NA CRUZ FOI INCOMPLETO?
Os
adventistas do sétimo com frequência são acusados de subestimar o sacrifício
expiatório completado na cruz, transformando-o numa expiação inacabada ou
parcial que precisa ser secundada pelo ministério sacerdotal de Cristo; talvez
se possa chamar isso de expiação dupla. É verdadeira essa acusação? Não afirma
a Sra. White que Cristo está agora fazendo expiação por nós no santuário
celestial? Por favor, expliquem a sua posição e declarem em que vocês diferem
dos outros no tocante à expiação.
De início, desejamos
afirmar da maneira mais veemente e explicita que os adventista do sétimo dia não creem que Cristo fez apenas um
sacrifício expiatório parcial ou incompleto na cruz. A palavra “expiação” tem
amplo significado nas Escrituras. Embora abranja fundamentalmente o sacrifício
expiatório de nosso Senhor Jesus Cristo na cruz, inclui também outros aspectos
importantes da obra da graça salvadora.
A palavra “expiação” é
semelhante a outras palavras usadas na Bíblia, como “salvação” e “redenção”. A
salvação abrange algo no passado, de
modo que o indivíduo poderá dizer: “Fui salvo”.
Refere-se também a uma experiência que está em
andamento, de modo que se possa afirmar: “Estou sendo salvo” (ver At 2:47), Edição Revista e Atualizada no
Brasil). Refere-se igualmente ao futuro, pois em certo sentido se poder dizer: “Serei salvo”.
O mesmo é verdade no
tocante à palavra “redenção”. Embora o preço de aquisição – o resgaste – tenha
sido pago no Calvário, e por isso possamos dizer: “Fui remido”, existem também certos aspectos da redenção da
redenção que ainda se acham no futuro. Lemos nas Escrituras a respeito da
“redenção do nosso corpo” (Rm 8:23), e, referindo-Se a Seu segundo advento,
nosso bendito Senhor e Salvador recomendou a Seus seguidores: “Erguei a vossa
cabeça; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc 21:28).
O mesmo princípio se
aplica à palavra “expiação”. Da maneira mais decisiva, o todo-suficiente
sacrifício Expiatório de nosso Senhor Jesus foi oferecido e completado na
cruz do Calvário. Isso foi efetuado em favor de toda a humanidade, pois “Ele é
a propiciação” pelos pecados “do mundo inteiro” (1Jo 2:2).
Mas essa obra
sacrifical, em realidade, só é
proveitosa para o coração humano quando ele rende a vida a Deus e experimenta o
milagre do novo nascimento. Nessa experiência, Jesus, nosso Sumo Sacerdote, aplica a nós os benefícios de Seu
sacrifício expiatório. Nossos pecados são perdoados, tornamo-nos filhos de Deus
pela fé em Cristo Jesus e a paz de Deus passa a habitar em nosso coração.
No tempo do tabernáculo
antigo, em que os mistérios da redenção eram prefigurados por muitos
sacrifícios e ordenanças, o sacerdote, depois
da morte da vítima sacrifical, punha o sangue nas pontas do altar. E o
relato afirma que, por meio desse ato, “o sacerdote fará expiação por ele [pelo
pecador] no tocante ao seu pecado, e este lhe será perdoado” (Lv 4:26). Assim,
o sacrifício expiatório provido era
acompanhado pelos benefícios da aplicação
do mesmo sacrifício expiatório. No tempo do Antigo Testamento, ambos eram
considerados aspectos da grande obra total de expiação. O primeiro deles provia
o sacrifício expiatório; o outro, a aplicação de seus benefícios.
Portanto, o plano
divino de redenção abrange mais do que a morte vicária e expiatória de Cristo,
embora ela seja o próprio âmago dessa expiação; abrange também o ministério de
nosso Senhor como nosso Sumo Sacerdote celestial. Havendo completado o Seu
sacrifício, Ele ressuscitou dos mortos “por causa da nossa justificação” (Rm
4:25) e penetrou no santuário do alto, para realizar ali Sua obra sacerdotal em
favor do homem necessitado. “Tendo obtido eterna redenção” (Hb 9:12) por nós na
cruz. Ele ministra agora os benefícios dessa expiação em
favor dos que aceitam Sua abundante provisão de graça. Assim, tendo sido
completado no Calvário, o sacrifício expiatório precisa, agora, ser aplicado
aos herdeiros da salvação, para que se apoderem dele. O mistério de nosso Senhor está, portanto, incluído na grande obra de
expiação. Considerando, pois, o vasto alcance da expiação, em suas provisões e
eficácia, percebe-se que ela é muitíssimo mais abrangente do que muitos
imaginam.
Devemos lembrar que os
homens não são salvos em massa, de modo automático, involuntário, impessoal ou
universal. Precisam aceitar individualmente a graça divina, e cremos que,
embora Cristo tenha morrido de maneira
provisional e potencial em favor de todos os homens, e nada mais possa ser
acrescentado a isso, Sua morte em
realidade e no final só será eficaz para os que aceitam e aproveitam
individualmente seus benefícios.
Para salvar-se, é
preciso haver arrependimento individual, e volta para Deus. O pecador deve
lançar mão das provisões do sacrifício expiatório que foi inteiramente
realizado por Cristo no Calvário. E a aplicação
da provisão expiatória da cruz a pecadores arrependidos e a santos suplicantes
só se torna eficaz por meio do ministério sacerdotal de Cristo – quer a pessoa
compreenda isso teologicamente na íntegra, quer não.
É essa última provisão
do ministério sacerdotal que efetua a autêntica, tangível e contínua
purificação do coração da pessoa, não só da culpa mas também da poluição e do
poder do pecado. É isso que a torna eficaz para os homens. O ministério
celestial de Cristo em nosso favor traz a paz e a alegria da redenção mediante
o dom do Espírito Santo, que o nosso ministrante Sumo Sacerdote envia ao nosso
coração. A expiação abrange, portanto, não só o ato transcendente da cruz, mas
também os benefícios do sacrifício de Cristo que constantemente estão sendo
aplicados aos que deles necessitam. E isso continuará assim até o fim do tempo
da graça.
I
– O Vasto Alcance da Redenção
Junto com outros
cristãos conservadores, os adventistas ensinam uma expiação que requeria a
encarnação do Verbo eterno – o Filho de Deus – a fim de que Ele pudesse
tornar-Se o Filho do homem; e, vivendo entre os homens como nosso parente na
carne, pudesse morrer em nosso lugar para nos remir. Cremos que a expiação
provê um sacrifício todo suficiente, perfeito e substituinte para o pecado, que
satisfaz completamente a justiça de Deus e cumpre todos os requisitos, de modo
que a misericórdia, a graça e o perdão possam ser estendidos livremente ao
pecador arrependido, sem comprometer a santidade de Deus nem pôr em risco a equidade
de Seu governo. “Tendo em vista a manifestação da Sua graça no tempo presente,
para Ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm
3:26).
Desse modo, Deus
justifica plenamente o pecador arrependido, por mais perverso que tenha sido, e
lhe imputa a perfeita justiça de Cristo para cobrir sua iniquidade; comunica
então ao pecador, por intermédio da santificação, Sua própria justiça, para que
seja ele transformado à própria semelhança de Cristo.
E o maravilhosos
resultado de tudo isso ocorrerá por meio da glorificação de nosso corpo no
segundo advento do Senhor, que trará para todo o sempre pleno e decisivo
livramento até mesmo da presença do pecado. Cristo é, portanto, a oferta
sacrifical, o Sacerdote ministrante e o Rei vindouro. Isso abrange o passado, o
presente e o futuro, e cremos que culminará na final e eterna erradicação no
Universo de todo pecado e seus efeitos, bem como de seu perverso originador.
Segundo entendemos, é esse o decisivo efeito da expiação realizada no Calvário.
II
– O Sacrifício Expiatório e o Sacerdote Ministrante
Achamos ser de suma
importância que os cristãos percebam a diferença entre o ato expiatório de
Cristo na cruz, como sacrifício que foi completado para sempre, e a Sua obra no
santuário como Sumo Sacerdote oficiante, ministrando
os benefícios desse sacrifício. O que Ele fez na cruz foi feito em favor de
todos os homens (1 Jo 2:2). O que Ele
faz no santuário só é realizado em favor dos que aceitam Sua grandiosa salvação.
Ambos os aspectos são
partes integrantes e inseparáveis da infinita obra divina de redenção. Um deles
provê a oferta sacrifical; o outro provês a aplicação do sacrifício à pessoa
arrependida. O primeiro foi efetuado por Cristo como vítima; o segundo, por
Cristo como sacerdote. Ambos são aspectos do grande plano de redenção que Deus
elaborou em favor do ser humano.
Que os adventistas do
sétimo dia não são os únicos a adotar este conceito evidencia-se pelos
seguintes trechos de um livro publicado há pouco tempo:
Expiação é a obra de
Deus em Cristo para salvação e restauração do homem (Vicente Taylor, The Cross of Christ [Macmillam, 1956],
p. 87).
Em sua natureza e
escopo, a expiação tanto é libertação como consecução. Tem que ver com o pecado
do homem e com a sua bem-aventurança; e não pode ser uma coisa sem ser ao mesmo
tempo a outra (ibid., p. 87, 88).
De início, é importante
distinguir dois aspectos da doutrina que podem ser separados em teoria, mas não
sem grave perda na prática. Eles são [...] (a)
o ato salvador de Cristo e (b) a
apropriação de Sua obra pela fé, tanto individual como coletivamente. Os dois juntos constituem a expiação (ibid., p.
88).
Portanto, a expiação
tanto é efetuada em nosso favor como
efetuada em nós (ibid., p. 89).
Talvez nossa maior
necessidade hoje em dia, se quisermos erguernos acima da pobreza da maior parte
de nosso culto, seja experimentar mais uma vez admiração e confiança diante do
incessante ministério salvador de Cristo, que é o verdadeiro centro da devoção
cristã e a permanente fonte do viver cristão (ibid., p. 104).
Quando, portanto, se
ouve um adventista dizer, ou se lê na literatura adventista, mesmo nos escritos
de Ellen G. White, que Cristo está fazendo expiação agora, deve-se compreender
que queremos dizer que Cristo está agora fazendo
aplicação dos benefícios da expiação sacrifical na cruz; que a está
tornando eficaz para nós, individualmente, conforme nossas necessidades e
petições. Já em 1857, a própria Sra. White explicou claramente o que queria
dizer quando escreveu que Cristo está fazendo expiação por nós em Seu
ministério:
O grande sacrifício havia
sido oferecido e aceito, e o Espírito Santo, que desceu no dia do Pentecostes,
levou a mente dos discípulos do santuário terrestre para o celestial, onde
Jesus havia entrado com o Seu próprio sangue, a fim de derramar sobre os discípulos
os benefícios de Sua expiação
(Primeiros Escritos, p. 260, itálico acrescentado).
FONTE: Texto extraído
do livro Questões Sobre Doutrina, p. 255-260. O título no livro é “Expiação
Sacrifical Provida e Aplicada”. Foi aqui modificada para tornar-se mais
atrativo para os leitores do Blog.
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