A SEGUNDA VINDA DE CRISTO: A ÚNICA ESPERANÇA PARA NOSSO PLANETA
Marvin
Moore*
Devemos
estreitar nosso relacionamento com Jesus, em face de Seu iminente retorno à
Terra.
Certo dia, um pai disse
a seu filho de 5 anos de idade que estava partindo para uma longa viagem:
"Mas eu voltarei".
"Como saberei que
o senhor estará voltando?" o pequeno garoto perguntou.
O pai pensou por alguns
momentos e então disse: "Quando você vir folhas por todo o quintal, pode
ter certeza de que estarei perto de voltar."
Todos os dias, depois
que seu pai partiu, o pequeno garoto corria para fora e verificava se o chão
estava coberto de folhas. O outono aproximou-se, as folhas das árvores mudaram
de cor, de vermelho a amarelo, e uma noite um forte vento soprou. Na manhã seguinte,
o garoto fez seu passeio habitual no quintal, e desta vez ele o achou coberto
de folhas. "Papai está voltando para casa!" ele gritava e corria, chutando
as folhas. "Papai está voltando para casa!".
A Bíblia nos conta uma
história semelhante. Aconteceu durante a última Ceia. Jesus sabia que Seu tempo
com os discípulos estava próximo do final. Logo ele morreria numa cruz e poucos
dias depois Ele faria uma "longa viagem" para o Céu.
"Filhinhos, ainda
por um pouco estou convosco... para onde Eu vou não podeis vós ir" (João
13:33).
Os discípulos
sentiram-se profundamente tristes. "Senhor, para onde vais?" perguntou
Pedro. "Por que não posso seguir-Te agora?" (versos 36 e 37).
Jesus respondeu com
aquelas tão conhecidas palavras: "Não se turbe o vosso coração... se Eu
for... virei outra vez" (João 14:1-3).
A segunda vinda de
Cristo é a bendita esperança dos cristãos. Para compreendê-la completamente,
precisamos conhecer algo sobre o plano original de Deus para o nosso mundo, e o
conflito entre o bem e o mal, que tem se estendido por seis mil anos.
O
plano original de Deus
Deus planejava que
Adão, Eva e todos os seus descendentes fossem sumamente felizes. Houvesse Seu
plano se realizado, e a palavra tristeza nunca teria feito parte do dicionário.
Nenhuma lágrima teria sido derramada em uma tumba. Nenhuma criança teria sido
atropelada por um carro. Nenhuma mãe veria seu filho com uma doença terminal.
Essas tragédias
acontecem porque um inimigo invadiu o lar feliz de Adão e Eva e eles cederam à
tentação. Imediatamente seus corações foram transformados, e uma natureza cruel
e pecaminosa distorceu a vida de cada ser humano, daquele dia até agora. A
própria criação - o mundo da natureza - "geme e está juntamente com dores
de parto até agora" (Rom. 8:22).
Não há esperança? Não
há escape desse destino terrível? Sim, há esperança! Deus prometeu a Eva que
Jesus, a sua semente, feriria a cabeça de Satanás (ver Gênesis 3:15). Satanás seria
destruído e todos os fiéis seguidores de Jesus seriam restaurados ao mundo
perfeito que Ele originalmente planejara para eles.
E por isso que a vinda
de Jesus é tão importante. Será quando Jesus cumprirá Sua promessa a Eva. Ele
removerá Seu povo deste mundo arruinado, onde têm permanecido por seis mil anos,
e os restabelecerá naquele lar perfeito.
Esperando
ansiosamente
É de se admirar que o
povo de Deus, desde o tempo de Adão e Eva até o presente, tenha esperado tão
ansiosamente pela segunda vinda de Jesus? Enoque disse: "Eis que é vindo o
Senhor com milhares de Seus santos" (Judas 14). Abraão esperou pela
"cidade que tem fundamentos, da qual o Artífice e Construtor é Deus"
(Heb. 11:10).
Isaías profetizou de
"novos céus e nova terra", onde "de um sábado até ao outro, virá
toda a carne a adorar" perante Deus (Isa. 66:22 e 23).
João disse: "Ora
vem, Senhor Jesus" (Apoc. 22:20), e o fiel povo de Deus através da
história cristã tem dito: "Até quando, Senhor, quanto tempo mais teremos
que esperar pela Tua vinda?" (Apoc. 6:10).
Os Adventistas do
Sétimo Dia, juntamente com muitos outros cristãos, creem que vivemos muito
próximos do tempo em que essa "bendita esperança" se concretizará.
Isto nos dá grande alegria - sabermos que em breve as tristezas pelas quais
passamos nesta vida, terão seu fim.
A segunda vinda de
Jesus, além de ser o tempo em que Deus levará Seu povo para o Céu, será também
o tempo em que o nosso mundo será tirado do domínio de Satanás e devolvido ao seu
legítimo Soberano, Jesus Cristo.
Milhares de anos atrás,
Satanás estabeleceu um quartel-general na Terra, do qual ele esperava lançar
seus ataques contra Deus por todo o Universo. Naturalmente, ele não quer que seu
domínio sobre o mundo lhe seja tirado, e fará tudo que estiver ao seu alcance
para evitar que isso aconteça.
O livro de Apocalipse,
especialmente da metade para o final, dá uma descrição detalhada do esforço
supremo de Satanás para interferir com a segunda vinda de Cristo. O povo de Deus
que viver na Terra naquele tempo, estará profundamente envolvido nesse conflito.
"E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao resto de sua
semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de
Jesus" (Apoc. 12:17).
Houve guerra no Céu,
quando a rebelião começou. Naquele tempo eram Miguel e Seus anjos contra
Satanás e seus anjos. Porém, na batalha final da Terra, pouco antes de Jesus
voltar, serão Cristo e Seus leais seguidores na Terra, contra Satanás e seus
seguidores humanos. Satanás e seus aliados terão controle do mundo inteiro, e
usarão sua posição superior para atacar o povo de Deus. "E foi-lhe
permitido [a primeira besta de Apocalipse 13] fazer guerra aos santos, e
vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua e nação" (Apoc.
13:7).
No entanto, os
habitantes ímpios da Terra farão muito mais do que atacar o povo de Deus. Na
verdade, seres humanos insignificantes lutarão contra o Deus do Universo.
Apocalipse 17:14 diz que os dez reis de Apocalipse 17 "combaterão contra o
Cordeiro". Em visão João viu "a besta e os reis da Terra e os seus
exércitos reunidos, para fazerem guerra Àquele que estava assentado sobre o
cavalo, e ao Seu exército" (Apoc. 19:19).
Creio que os líderes
políticos e militares do mundo se unirão a Satanás em uma tentativa desesperada
de impedir que Jesus volte a este mundo. Dois fatores indicam isso.
Primeiro, são as armas
poderosas de destruição em massa, que os líderes militares da Terra têm à sua
disposição hoje. Eles podem lisonjear-se de que podem disparar seus mísseis no espaço
e impedir que Cristo e Seus anjos - uma "raça alienígena" - invadam o
mundo.
Segundo, são os
demônios operadores de prodígios que os líderes militares da Terra terão ao seu
lado. Esses demônios podem fazer cair fogo do céu e realizar muitos outros
sinais e maravilhas. Em aliança com esses seres poderosos, os generais do mundo
pensarão que podem fazer qualquer coisa (Apoc. 16:13 e 14).
Esta será a batalha do
Armagedom, que deixa o mundo em estado de perplexidade desde que João escreveu
o Apocalipse. A batalha do Armagedom está estreitamente associada com a segunda
vinda de Cristo. De fato, é a segunda vinda de Cristo. Apocalipse 19:11-16
descreve Cristo em Sua vinda, como um general montado em um cavalo branco,
vindo do Céu, seguido por um exército também montado em cavalos brancos. E os
versos 17-21 descrevem as forças militares do mundo unidas, com as quais ele
travará batalha. Apocalipse 19 descreve a segunda vinda de Cristo como uma
guerra entre os exércitos do Céu e da Terra. E o exército do Céu vencerá
(versos 20 e 21).
Jesus também usará
armas físicas em Seu contra-ataque. Suas armas serão as forças da Natureza:
terremotos, granizo, trovões, montanhas em colapso e ilhas que desaparecem no
mar. A descrição está muito além da compreensão. Pense no que teria acontecido
ao mundo se os Estados Unidos e a então União Soviética tivessem acionado suas
ogivas atômicas de combate, um contra o outro, durante o apogeu da guerra fria.
Por que deveria o mundo sair-se bem quando o Deus do Universo trava a batalha?
Não é de se admirar que Jeremias descreve os resultados dessa guerra com a
Terra escura, assolada, vazia, destituída de vida humana, seus campos um
deserto e suas cidades em ruínas (ver Jer. 4:23-26).
Ainda assim, você e eu
não precisamos temer ao antevermos essa guerra, pois Ele nos cobrirá com Suas
penas, e sob Suas asas acharemos refúgio. "Mil cairão ao teu lado e dez
mil à tua direita, mas tu não serás atingido", diz o salmista. Não seremos
atingidos, nenhum mal nos sobrevirá, pois aos Seus anjos dará ordens para nos
guardarem em todos os nossos caminhos (Salmo 91:4-11).
Eis como Ellen White
descreve o povo de Deus durante esse tempo: "Vi então os principais homens
da Terra consultando entre si... V i um escrito... dando ordens para que se
concedesse ao povo liberdade para, depois de certo tempo, matar os santos, a
menos que estes renunciassem sua fé peculiar, ... Mas nesta hora de provação os
santos estavam calmos e tranquilos, confiando em Deus e descansando em Sua
promessa de que um meio de livramento lhes seria preparado." (Primeiros
Escritos, p. 282 e 283; grifo acrescentado).
Não
é tempo para fraquezas
Não quero dar a
entender que o conflito final da Terra será como um piquenique em uma tarde de
domingo. Esse não será um tempo para fraquezas espirituais. Somente aqueles que
têm suas mentes fortalecidas com as verdades da Palavra de Deus, serão capazes
de escapar dos enganos dos últimos dias, e somente aqueles que têm o espírito
fortalecido com a fé na Palavra de Deus, sobreviverão às intensas pressões dos
últimos dias.
Mas para os eleitos de
Deus, esse será um tempo de provação e de alegria. Jesus disse que quando as
multidões do mundo estiverem atemorizadas com os sinais do retorno de Cristo,
você e eu nos rejubilaremos e levantaremos a cabeça, pois a nossa redenção
estará próxima (ver Lucas 21:25-28).
Por que seremos capazes
de enfrentar tudo isso? Porque estamos aprendendo a confiar nEle agora. Quando Jesus
respondeu às perguntas dos discípulos sobre os sinais da Sua volta, Ele passou
muito mais tempo dizendo-lhes que estivessem preparados do que lhes dizendo
como realmente aconteceriam os eventos finais do mundo.
E o conselho final de
Jesus foi este: devemos ter o óleo - um relacionamento com Ele através do
Espírito Santo. Devemos usar os nossos talentos em Seu trabalho, e através de
Sua graça transformadora, devemos manter nosso coração repleto de amor pelos
outros.
Será muito tarde para
obter esse relacionamento com Jesus quando a tempestade começar. Devemos
cultivar esse relacionamento agora, através do estudo da Bíblia, da oração, companheirismo
e outras instruções espirituais que Deus nos proporcionou. Desenvolvemos um bom
relacionamento com Deus, confiando nEle nos pequenos problemas que enfrentamos hoje;
aprendendo a não reclamar quando a vida não corre da maneira como desejamos.
Espero a segunda vinda
de Cristo com muita alegria. Será o evento mais traumático de toda a história
da Terra, mas para você e para mim esse trauma será simplesmente o produto da angústia
pela qual seremos introduzidos no lar eterno. Naquele tempo terrível, a segunda
vinda de Cristo, como nunca antes, será a bem-aventurada esperança do povo de
Deus.
E por isso que quando
vejo os múltiplos sinais da Sua vinda, "corro pelo quintal", chutando
as folhas e exclamando: "Papai logo voltará para me levar ao lar!"
*Marvin
Moore - Editor associado
de livros da Pacific Press Publishing Association, Nampa, Idaho, EU A.
FONTE:
Revista Adventista, Agosto 1993, p. 9 e 10.
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