O CRISTÃO E O PORTE DE ARMAS – O QUE DIZEM AS SAGRADAS ESCRITURAS?
Ricardo
André
O decreto assinado pelo
presidente Jair Bolsonaro (PSL), no dia 15 de janeiro, tornando mais flexível a
posse de armas de fogo em casa - primeiro passo para a revogação do Estatuto do
Desarmamento (legislação que limita tanto o uso
quanto o porte de armas pela população brasileira) para que os cidadãos
possam voltar a ter porte de arma, foi, inclusive, uma das propostas de
campanha do então candidato Jair Bolsonaro - tem provocado intenso debate na
sociedade brasileira, dividindo-a. Há os que são contra e há os que são a favor
do porte de arma. O assunto nunca foi tão debatido no Brasil como nestes
últimos dias e promete se intensificar nos meses seguintes quando essa medida
for questionada no STF pelos partidos que fazem oposição ao presidente, bem
como quando a chamada “Bancada da Bala”, na Câmara Federal forçar o presidente
da Casa a pautar esse tema.
Cristãos
divididos
Esse debate ocorre
também entre os cristãos. Diversos religiosos ultraconservadores simpatizantes
da extrema direita política, tanto católicos como evangélicos, têm feito nas
redes sociais defesa ardorosa do porte de armas pelos cristãos, inclusive,
usando de forma equivocada textos bíblicos para apoiar suas teses.
No campo católico
podemos citar como exemplo o Padre Paulo Ricardo, da Arquidiocese de Cuiabá,
que tem 1,4 milhões de seguidores nas redes sociais e publicou recentemente no
Twitter que "os cristãos buscam a paz, mas isso não significa que sejam
pacifistas". A reportagem também destaca a declaração do padre Paulo
Ricardo dizendo que "a legítima defesa é cristã, moral e perfeita".
Já no âmbito protestante, citamos o reverendo Augustus Nicodemus, que em vídeo,
no seu canal do YouTube “Perguntar não Ofende”, se manifestou favorável ao
porte de armas pelos cristãos quando a lei do país permite (https://www.youtube.com/watch?v=2qV9bGfgdjI).
Mencionamos também o jornalista e pastor Leandro Quadros, apresentador do
Programa “Na Mira da Verdade”, da TV Novo Tempo, que para defender a ideia de
que cristãos civis podem andar armados, no seu Blog afirmou, entre outras
coisas, que “a Bíblia não é contra o porte de armas em algumas situações
específicas, e além disso, ela estabelece limites”.
Com base no texto
bíblico de Êxodo 22:2, 3, assevera que “a Bíblia não é contra o filho de Deus
portar armas, porém tem limites. Não pode sair por aí matando qualquer um; não
pode sair por aí fazendo besteiras. Aqui nós vemos que nesse texto está num
contexto de proteção da propriedade. Baseado no texto de Romanos 13:1-4,
argumenta que “o cristão deve submeter-se às leis e a proteção do Estado. Isso
significa, de acordo com Romanos 13:1-4, que se o estado permite o porte legal
de armas, um cristão pode ter um porte de armas. Agora, se o estado não
permite, o cristão não pode ter, ir de encontro as normas do Estado. Romanos
13:1-4 é muito claro em dizer, que quem tem a autoridade mesmo para usar a
espadada e, inclusive, decepar o criminoso é o Estado, o cristão, não, a não
ser naquele contexto que falei de Êx 22:2, 3, de proteção da propriedade. Mesmo
assim, não é uma coisa frouxa e aberta. Deus coloca ali limites” (http://leandroquadros.com.br/os-adventistas-e-a-posse-e-porte-de-armas/).
As questões de capital
importância são: Seria a Bíblia favorável ao armamento da população? E o que
diria Jesus acerca disso? Dar ao cidadão comum o direito de possuir ou portar
uma arma coibirá ou estimulará ainda mais a violência?
Análise
dos textos bíblicos
À semelhança dos
pastores Augustus Nicodemus e Leandro Quadros, diversos religiosos
armamentistas costumam usar o texto de Êxodo 22:2, 3 para defender o armamento
da população. A passagem diz o seguinte: "Se o ladrão que for pego
arrombando for ferido e morrer, quem o feriu não será culpado de homicídio, mas
se isso acontecer depois do nascer do sol, será culpado de homicídio. Um ladrão
terá que restituir o que roubou, mas se não tiver nada, será vendido para pagar
o roubo” (NVI).
Ao analisar o texto em
lide, é preciso considerar três pontos:
1) A passagem em
questão não diz que a vítima pode matar em legítima defesa, mas FERIR ou
GOLPEAR. Contudo, se ao ferir, o ladrão for morto acidentalmente dento da casa
da vítima e durante a noite, a vítima não seria culpada de homicídio, pois só
estava se defendendo e não teria tencionado tirar a vida do ladrão. É o que
defende, por exemplo, o Dr. Alan Cole, teólogo batista norte-americano. Em seu
comentário de Êxodo, ele afirma que a morte à noite é justificada, pois “pode
até mesmo ser acidental, resultado de uma luta cega no meio da noite” (Êxodo, Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova & Mundo Cristão,
1981. p. 165). Portanto, o texto de Êx 22:2, 3 sugere a ideia de que a
pessoa vítima de roubo dentro de casa não teve a intenção de tirar a vida do
próximo, mas que ele veio a falecer por causa das pancadas. É assim que a
Bíblia define a morte por legítima defesa: quando a vítima não mata
intencionalmente o meliante.
A expressão “depois do
nascer do sol” indica um julgamento diferente daquele permitido à noite. O
texto não deixa nítido porque há culpa em matar um ladrão durante o dia, mas
não durante a noite. Possivelmente, a diferença do dia para a noite reside na
identificação das intenções do ladrão e na estimativa do perigo representado por
ele. À noite, por conta da escuridão, é mais difícil distinguir ou identificar
se a pessoa que está arrombando a casa é um ladrão ou um assassino, se
ele estava armado e se ele tinha intenções homicidas. Além disso, a noite torna
mais difícil a tarefa de se defender e, ao mesmo tempo, evitar matar o ladrão.
Durante o dia, seria melhor se esconder ou fugir e pedir ajuda (Provérbios
22:3; 27:12). Nas palavras do Dr Alan Cole, “matar um ladrão que tenta perfurar
uma parede de tijolos para entrar na casa (Ezequiel 12:5) é homicídio
justificável, se acontecer depois de escurecer. O arrombador pode ser um
assassino armado, no entender do dono da casa [...] À luz do dia, entretanto, o
dono da casa não tem desculpa se matar o arrombador: além do mais, ele é capaz de
identificar o indivíduo.” (Ibid.) A Bíblia
de Estudo de Genebra também considera essa possibilidade, ao afirmar: “A
morte de um assaltante noturno desconhecido não incorria em culpa de sangue,
visto que confrontar o assaltante poderia pôr em perigo a vida do dono da casa.
Mas um ladrão que atacasse durante o dia poderia ser prontamente identificado,
e matá-lo não era justificado” (p. 105). Portanto tirar a vida de um assaltante
durante o dia, quando ele pode ser identificado, a defesa se torna vingança; logo,
configuraria crime de assassinato, pois o ato seria premeditado.
2) Ao defender a posse
de arma pelos cristãos, os pastores e padres armamentistas parecem desconsiderar
que a concessão em Êx 22:2, 3 fora feita a um povo nômade em vias de se
estabelecer numa terra sem lei, onde não havia qualquer tipo de policiamento,
nem código penal, nem mesmo um governo organizado. Em outras palavras, era cada
um por si. Hoje, os povos possuem o aparato estatal que possuem o dever de
oferecer proteção aos cidadãos. Ademais, se é para cumprir o mandamento ao pé
da letra, os religiosos que defendem o armamento civil deveriam também defender
que as pessoas não usem a arma para matar, apenas para ferir, e que o façam à
noite, jamais à luz do dia, e que, por fim, vendam o ladrão como escravo para
pagar eventuais prejuízos.
3) Nenhum texto no
Antigo Testamento autoriza o civil a carregar armas; afinal, para se defender,
qualquer objeto ou até mesmo a própria força física poderia servir como meio de
defesa. Qualquer objeto pode virar uma “arma” de defesa pessoal, desde que não
seja usado com o objetivo de tirar a vida do bandido. Afinal, como já dissemos
acima, legítima defesa é quando a morte do bandido resulta de um acidente. Quem
carrega um revolver e puxa o gatilho contra o próximo, por exemplo, sabe que
isso poderá resultar na sua morte (principalmente se for disparado contra
alguma região vital do corpo). Logo, neste caso, de acordo com a Bíblia, não se
trata de legítima defesa, mas sim de assassinato, pois é um ato consciente e
premeditado. Logo, é crime de assassinato (Êxodo 20:13).
Outra passagem evocada
pelos pastores supracitados para sustentar a tese do armamento civil é Romanos 13:1-4. De acordo com eles,
como o texto de Romanos ordena que obedeçamos as autoridades constituídas, se
as leis do Estado permitirem o porte de armas legal, então, o cristão pode
portar armas. Entretanto, esqueceram-se que não há absolutamente
nada na Santa Bíblia que embase tal pensamento. Não discordamos que devemos nos
submeter às autoridades governamentais do país onde vivemos (Romanos 13:1-5),
porém, essa submissão não é cega. Ela se dá somente se elas estiverem de acordo
com a Palavra de Deus. Como frisaram Pedro e os outros apóstolos: “É
preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!” (Atos 5:29). Portanto,
ainda que o Estado permita, o cristão não deve se submeter; antes, deve
obedecer a Deus.
Até porque não é o fato
de o Estado permitir algo que aquilo seja realmente o certo. Aqui no Brasil,
por exemplo, em 2011, os ministros do STF reconheceram a união
estável para casais do mesmo sexo. Deveríamos concluir que é permitido e certo
para um cristão se casar com alguém do mesmo sexo? É óbvio que não! (Romanos
1:24-28; 1 Coríntios 6:9-10; 1 Timóteo 1:8-10; Apocalipse 21:8; 22:15). E se
algum dia o Congresso aprovar o aborto em qualquer situação, será que uma
mulher cristã poderá abortar? É claro que não! Antes é preciso obedecer a Deus
do que aos homens!
Ademais, o texto de
Romanos 13:1-4 deixa claro que é a autoridade que pode usar armas. Nas palavras
de Paulo, “ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da
justiça para punir quem pratica o mal” (Romanos 13:4, NVI). O apóstolo Pedro
também orienta nesse mesmo sentido: “Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda
autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja
aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e
honrar os que praticam o bem. Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem,
vocês silenciem a ignorância dos insensatos” (1 Pedro 2:13-15, NVI). Logo,
somente a autoridade pode usar armas, e com o fim exclusivo de defender a
sociedade contra os bandidos. Nada é dito sobre civis portarem armas. Dizer que
Êx 22:2, 3 permite o civil usar armas no sentido de proteger a propriedade,
como quer o jornalista Leandro Quadros, é forçar o texto a dizer o que não quer
dizer.
O
que disse Jesus
Penso que como cristãos
devemos promover a cultura da paz. Defender o porte de arma é contribuir para
que a violência aumente em nosso país. Um dos princípios ensinados por Jesus
foi o da não violência, “pois a ira do
homem não produz a justiça de Deus” (Tiago 1:20). Ele afirmou:
“Bem-aventurados os pacificadores, pois
serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 5:9). A escritora cristã Ellen G.
White, afirma “que o espírito de paz é um testemunho de sua ligação [dos
seguidores de Cristo] com o Céu. Envolve-os a suave fragrância de Cristo. O
aroma da vida, a beleza do caráter, revelam ao mundo que eles são filhos de Deus.
Vendo-os, os homens reconhecem que eles tem estado com Jesus” (O Maior Discurso
de Cristo, p. 28). O cristão deve, como filho de Deus, desenvolver “o espírito
de paz”. Evidentemente que não é pacificador, não tem o espírito de paz nem a
promove aquele que, não sendo uma autoridade, carrega ou possui uma arma, pois
clara intenção é, no mínimo, revidar qualquer agressão ou ameaça.
Jesus ainda ensinou: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por
olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém
o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.” (Mateus 5:38-39). Segundo
Jesus, os cristãos são mansos e pacificadores. Eles “não resistem ao mal”. Essa
é uma função do exército, da polícia e dos tribunais de justiça de um país. E,
de acordo com Romanos 13, Deus se utiliza dos governos para manter a ordem e
resistir o mal. Mas esse não é o papel de cristãos individualmente. Não devemos
impor a lei com as próprias mãos. Não devemos viver uma vida de retaliação.
Devemos viver de acordo com as bem-aventuranças; devemos ser pacificadores e
amar nossos inimigos (Mt 5:44).
No episódio da sua
prisão no jardim do Getsêmani, Jesus ensinou aos seus discípulos que, não
importava a situação, eles nunca deveriam recorrer à violência, mas serem
sempre pacíficos. Quando os soldados romanos aproximaram-se de Jesus para o
prender, Pedro tomou uma de suas espadas e decepou a orelha do soldado Malco.
Imediatamente Jesus o repreendeu com essas palavras: “Guarde a espada! Pois
todos os que empunham a espada, pela espada morrerão” (Mateus 26:52, NVI). Com
essas palavras, Jesus nitidamente reprovou a violência de Pedro. Desse modo, Jesus
pretendia ensinar a grande lição da não-violência ao Seu discípulo que tinha
temperamento forte, pois ele enfrentaria situações injustas e desesperadoras
também, em que seria vítima de calúnias, perseguições e agressões de toda sorte
e deveria suportar o sofrimento com paciência. E Pedro realmente aprendeu a
lição, pois em sua primeira carta aconselhou os irmãos a sofrerem com
paciência, assim como Jesus sofreu: “Porque é louvável que, por motivo de sua
consciência para com Deus, alguém suporte aflições sofrendo injustamente. Pois
que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal? Mas se
vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de
Deus. Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de
vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os seus passos” (1 Pedro 2:19-21,
NVI).
Além disso, o apóstolo
Paulo claramente ensinou que a nossa luta não é contra seres humanos, mas
contra o diabo, e que nossa arma de defesa e de ataque não é a arma humana, mas
é a espada do Espírito – a Palavra de Deus; a oração como uma importantíssima
arma na contra o mal. Ele firmou: “Pois, embora vivamos como homens, não
lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são
humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas.
Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de
Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo.” (2 Coríntios
10:3-5)
“Vistam toda a armadura
de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo, pois a nossa
luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os
dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas
regiões celestiais. Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam
resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo.
Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a
couraça da justiça e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz.
Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas
inflamadas do Maligno. Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que
é a palavra de Deus” (Efésios 6:11-17).
Toda essa armadura está
à inteira disposição de cada cristão: a palavra de deus, verdade, justiça, fé e
oração.
Nenhum apóstolo andava
armado e os mártires não se defendiam dos seus assassinos com “armas humanas”.
Afinal, o Senhor havia dito: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo
e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: ‘Amem os seus inimigos e orem por
aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que
está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva
sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa
receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos,
o que estarão fazendo demais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos
como perfeito é o Pai celestial de vocês.’” (Mateus 5:43-48)
Enquanto morria
apedrejado, Estêvão não procurou se defender com armas humanas. Antes, orou por
seus perseguidores (Atos 7:59-60). E ele só estava seguindo o exemplo do
Mestre, que, na cruz, orou por seus assassinos, dizendo: “Pai, perdoa-lhes,
pois não sabem o que estão fazendo” (Lucas 23:34).
Paulo e Silas foram
duramente maltratados e agredidos em Filipos, e em momento algum a Escritura
diz que eles tinham alguma arma e a usaram (Atos 16:16-24).
Muitos outros exemplos
bíblicos como esses poderiam ser usados, mas esses são suficientes para mostrar
a inconsistência da ideia de armar a população civil.
A
Posição da Igreja Adventista Sobre o Porte de Armas
Qual é o posicionamento
da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre a questão do porte de armas? Transcrevemos
abaixo a Declaração oficial da Igreja sobre o tema. Tal Declaração foi liberada
pelo então presidente da Associação Geral, Neal C. Wilson, após consulta com os
16 vice-presidentes da Igreja Adventista, em 5 de julho de 1990, durante a
Assembleia da Associação Geral realizada em Indianápolis, Indiana. Nela, os
líderes da igreja demonstram claramente a preocupação com a crescente violência
resultante da facilidade da aquisição de armas pelos civis nos EUA e em outras
partes do mundo, enfatizando que a “acessibilidade só pode abrir a
possibilidade de mais tragédias”. Da Declaração abaixo conclui-se que a IASD se
posiciona contrária ao porte de armas pelos cristãos. Vejamos:
As
armas automáticas ou semiautomáticas de estilo militar estão se tornando cada
vez mais disponíveis aos civis. Em algumas regiões do mundo é relativamente
fácil a aquisição de tais armas.
Elas
aparecem não apenas nas ruas, mas também nas mãos de jovens nas escolas. Muitos
crimes são cometidos por meio do uso dessas armas. São feitas para matar e não
têm nenhuma utilidade recreativa legítima.
Os
ensinos e o exemplo de Cristo constituem a norma e o guia para o cristão de
hoje. Cristo veio ao mundo para salvar vidas, não para destruí-las (Lucas
9:56). Quando Pedro sacou de sua arma, Jesus lhe disse: “Embainha a tua espada;
pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão” (Mateus 26:52).
Jesus não Se envolvia em violência.
Alguns
argumentam que a interdição das armas de fogo limita os direitos das pessoas e
que as armas não cometem crimes, mas sim as pessoas. Embora seja verdade que a
violência e as inclinações criminosas conduzem às armas, também é verdade que a
disponibilidade das armas leva à violência.
A
oportunidade de civis comprarem ou adquirirem de outro modo as armas
automáticas ou semiautomáticas apenas aumenta o número de mortes resultantes
dos crimes humanos. A posse de armas de fogo por civis nos Estados Unidos
aumentou a uma estimativa de 300 por cento nos últimos quatro anos. Durante o
mesmo período, houve um assombroso aumento de ataques armados e,
consequentemente, mortes.
Na
maior parte do mundo, as armas não podem ser adquiridas por nenhum meio legal.
A igreja vê com alarme a relativa facilidade com que elas podem ser adquiridas
em algumas regiões. Sua acessibilidade só pode abrir a possibilidade de mais
tragédias.
A
busca da paz e a preservação da vida devem ser os objetivos do cristão. O mal
não pode ser combatido eficazmente com o mal, mas deve ser vencido com o bem.
Os adventistas, como outras pessoas de boa vontade, desejam cooperar na
utilização de todos os meios legítimos para reduzir e eliminar, onde possível,
as causas fundamentais do crime.
Além
disso, tendo-se em mente a segurança pública e o valor da vida humana, a venda
de armas de fogo automáticas ou semiautomáticas deveria ser estritamente
controlada. Isso reduziria o uso de armas por pessoas mentalmente perturbadas e
por criminosos, principalmente aqueles envolvidos com drogas e atividades de
quadrilhas.
Consequências
de se armar a população civil
Acredito profundamente
que armar a população não resolve o problema da violência tampouco dará mais
segurança ao cidadão. Ao contrário, num mundo com violência crescente e pessoas
estressadas, qualquer briga de trânsito, de bar e de vizinhos será motivos
para, num momento de fúria, sacar a armar para tirar a vida do outro. A
violência tendem a aumentar substancialmente. O pesquisador Daniel Cerqueira
mostra que o aumento de 1% na quantidade de armas nas cidades se reflete em 2%
a mais nas taxas de homicídio (acesse essa tese no link: https://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/empresa/download/Concurso0212_33_premiobndes_Doutorado.pdf).
Se isso já acontece hoje sem a liberação das armas, imagine com a liberação da
posse e depois a de porte de arma para a população. Muitas pessoas ditas do
“bem” vão acabar usando a sua arma para resolver problemas pessoais (como som
alto, problemas amorosos, problemas de estresse, entre outros.) que nada têm a
ver com bandidos, ou seja, resolver atritos com outras pessoas do bem.
Como é sabido por
todos, nos Estados Unidos é possível comprar armas com extrema facilidade e de
modo legal. Mesmo estudos já mostrando que o número de mortes e violência por
armas de fogo só aumentou. Tanto é assim, que em março deste ano, milhares de
jovens se reuniram no dia 24 de março, em Washington para pedir um BASTA à
facilidade para se comprar armas nos EUA, país que é recorrente em massacres em
escolas. Mais detalhe vejam a matéria no link: http://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/mundo/noticias/2018/03/24/em-marcha-historica-jovens-pedem-restricoes-a-armas-nos-eua_ec367f7e-7558-4b1c-847a-855c1dbbd1b0.html.
Para se ter uma ideia,
só em 2016, foram quase 60.000 incidentes com armas de fogo, mais de 15.000
mortos e 383 tiroteios em massa nos Estados Unidos. E olha que estamos falando
de um país bem mais seguro que o Brasil…
O problema de armar a
população é que as pessoas ditas do “bem” acabam usando a sua arma para
resolver problemas pessoais (como som alto, brigas de trânsito, problemas
amorosos, problemas de estresse, etc.) que nada têm a ver com bandidos, ou
seja, resolver atritos com outras pessoas do bem. Portanto, a maior presença de
armas dá contornos sangrentos a brigas fúteis. Segundo o último
anuário do Fórum Brasileiro de Segurança, menos de 3% dos homicídios decorrem
de latrocínio – roubo seguido de morte - acesso os dados do relatório no link: http://www.forumseguranca.org.br/produtos/anuario-brasileiro-de-seguranca-publica/8o-anuario-brasileiro-de-seguranca-publica.
“Muita gente morre por
motivos banais”, diz Cerqueira. “O assassino, geralmente, é um cidadão honesto
que não tinha interesse em matar para se apropriar de um bem econômico. Costuma
ser aquele sujeito que brigou no bar e, por estar sob a influência do álcool,
usou a arma de fogo – altamente letal.” Na ânsia de se proteger de bandidos, o
“cidadão de bem” compra uma arma. Perde a cabeça, comete um crime e acaba se
tornando aquilo que ele queria combater.
Mas o argumento mais
forte para se restringir o acesso a armas pode não ter nada a ver com
assassinato: as grandes vítimas de armas nos Estados Unidos não foram mortas
por outros. Cometeram suicídio. Segundo um relatório da Universidade de Harvard
de 2008, o número de suicídios superou o de homicídios numa proporção quase de
dois para um. O estudo diz que muitos dos 30 mil suicídios registrados todos os
anos podem ser evitados. “A pesquisa mostra que a chance de um suicida viver ou
morrer está em parte na disponibilidade de meios altamente letais,
especialmente armas de fogo”.
Precisamos entender que
mesmo que “o cidadão de bem” possa possuir e portar uma arma, ele não estará
magicamente mais seguro só por isso. Por quê? Porque ele não vai andar por aí
com a arma em punho – mas o bandido vai! De que adianta, então, “o cidadão de
bem” ter uma arma, que provavelmente estará guardada na cintura ou na mochila
ou no porta-luvas do carro se para pegá-la, apontá-la para o bandido e disparar
o gatilho levará alguns segundos, segundos esses nos quais o bandido, que já
vem para cima da vítima com a arma carregada e em punho, apontando para a
vítima, vai atirar, e, depois disso, roubar o celular, a carteira e,
ironicamente, até a arma dela? Assim, a única coisa que vamos conseguir é dar
aos bandidos mais armas que eles usarão para cometer mais e mais crimes. Nós
temos a falsa ilusão de que, ao sermos abordados por um bandido, conseguiremos
reagir rapidamente, e é o bandido que levará a pior, e eu vou salvar a minha
vida e a das pessoas que estão comigo. Chamo isso de SÍNDROME DO SUPER-HERÓI.
Por incrível que pareça
alguns cristãos argumentam que enquanto a população for mantida desarmada, os
bandidos farão a festa. Então, perguntamos: Em vez de desarmar a bandidagem, a
saída é armar o restante do povo? Vamos apagar fogo com fogo? Como garantir que
os bandidos se inibiriam diante de uma população armada? Se eles não se inibem
nem diante de policiais exaustivamente treinados para combatê-los, por que se
inibiriam diante de um chefe de família qualquer? Talvez isso fizesse com que
mudassem a abordagem e já chegassem atirando, antes que pudesse haver uma
reação.
Por falar nisso, o presidente
Bolsonaro, que defende a posse e o porte de arma pelo “cidadão de bem”, já foi
assaltado e teve sua arma roubada. O jornal A Tribuna da Imprensa (RJ)
noticiou, no dia 5 de julho de 1995, que no dia anterior Bolsonaro fora
assaltado enquanto seguia para panfletar junto a seus eleitores, na Zona Norte
do Rio de Janeiro. Na ocasião, ele afirmou: “Mesmo armado me senti indefeso”. A
notícia é verídica e pode ser verificada no acervo digital da Biblioteca
Digital do Brasil, na edição 13858, página 5. No mesmo dia, o Jornal do
Comércio também noticiou o ocorrido.
Ora, se o maior
defensor da posse e porte de arma para os civis, mesmo armado, se sentiu
indefeso e não conseguiu se defender, por que pensar que “o cidadão de bem”
estará mais seguro dos bandidos somente por portar uma arma? É, no mínimo,
ingênuo sustentar isso.
Conclusão:
O que podemos concluir
que é o cristão civil não pode portar armas, mas somente as autoridades e o
exército, conforme a Palavra de Deus ensina (Romanos 13:1-8; 1 Pedro 2:13-15). São
essas instituições que tem o dever de proteger a população, punindo os
malfeitores (Romanos 13:1-8). Não é dever do civil andar armado.
O que nossa sociedade precisa
é de desarmar seu espírito, de modo que possa entender que ninguém nasce
bandido. O crime é resultado da injustiça predominante na sociedade, das
desigualdades sociais e da miséria. No países onde há menos injustiça social, o
índice de criminalidade é menor.
Penso que em vez de
munir a população com extintores para apagar o incêndio, não seria melhor
impedir que o incêndio acontecesse? Medidas preventivas costumam ser mais
efetivas do que paliativos usados para remediar, a exemplo de implementação de
políticas públicas que ofereça saúde, educação, lazer, cultura e oportunidades
para nossas crianças e adolescentes, tirando-os de situações de
vulnerabilidade.
Por essas razões
religiosas e sócio-política e outras não mencionadas aqui, que somos contra o
armamento da população civil.
No Dia que Você Passar o que Passei,a Noite Em Uma Rodovia com Minha Mulher, e Filha quando Um Bandido Me Ameaçou de Morte e Minha Filha e Mulher Correram Para se Salvarem, do Desgraçado e Ele Correr Após Elas, Quero Ver se Sua Tese Se Sustenta, Só Sabe e quem Passa Viu... Essa Ladainha de que Violência Gera Mais Violência, com Certeza Vai Violência não Mais Legitima Defesa Sim , Porque o Desgraçado na Ficará Pra Contar a Historia. eu Tinha Esse Pensamento Igual ao Seu, Mas Naquela Noite Percebi, que as Coisas não são Tão Românticas Assim, E o Estado não é Deus Para Estar em Todas as Situações,como Foi no Meu Caso Viu.
ResponderExcluirMais um Pouco Ele Dava Um Tiro nas Costas ou da Minha Mulher ou nas Costas da Minha Filha, na Minha Frente e eu com Mãos Atadas, na Escuridão da Rodovia, queria Ver se Fosse Você no Meu Lugar se Essa Sua Tese se Sustentaria, e Tirasse Xerox e Desse pro Meliante Pra Ver se Resolveria Seu Problema Viu...
Só Sabe é quem Passa Viu, o Resto é Balela, e Um de Seus Textos Usados Aqui está Distorcido Viu Para Defender A Violência de um Lado Só, e Nós Só Andar com Flores( no Caixão ou Coroas).
Parabéns pela exposição. Foi melhor que a desastrosa e surpreendente defesa do porte de arma de Leandro Quadros e outras "estrelas" da Igreja.
ResponderExcluirOi, Sérgio Chaves. Boa noite! Obrigado por ter lido o texto e ter gostado. Fique com Deus. Abraço afetuoso!!!
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