CIÊNCIA ATUAL E ELLEN WHITE: DOZE DECLARAÇÕES CONTROVERSAS
Jud Lake e Jerry Moon*
Tanto os escritos de
Ellen White quanto suas ações demonstravam uma atitude positiva em relação à
ciência. Ela incentivava os cristãos a “adquirir conhecimento das ciências”
(MR2, 301). Inclusive, orientou e ajudou John Harvey Kellogg a receber uma
formação médico-científica adequada. Também incentivou aqueles que se
preparavam para ser ministros a “primeiro obter razoável grau de preparo
mental” a fim de poder “enfrentar com êxito as estranhas formas de erros
religiosos e filosóficos associados, cuja exposição requer conhecimento de
verdades científicas, bem como escriturísticas” (OE, 81).
White, porém, não
poupou palavras para denunciar aqueles que fazem com que “a verdade divina se
afigure como coisa duvidosa diante dos anais da ciência. Esses falsos
educadores exaltam a natureza acima do Deus da natureza e acima do Autor de
todo ciência verdadeira” (FEC, 328). A condenação focalizava sobretudo a área
da geologia, nos aspectos em que contradiz o relato bíblico. “Inferências
erroneamente extraídas dos fatos observados na natureza têm, entretanto, dado lugar
a supostas divergências entre a ciência e a revelação; e nos esforços para
restabelecer a harmonia, tem-se adotado interpretações das Escrituras que
solapam e destroem a força da Palavra de Deus. Tem-se pensado que milhões de
anos fossem necessários para que a Terra evolvesse do caos; e com o fim de
acomodar a Bíblia a esta suposta revelação da ciência, supõe-se que os dias da
criação fossem períodos vastos, indefinidos, abrangendo milhares ou mesmo
milhões de anos. Tal conclusão é absolutamente infundada” (Ed, 128, 129).
Ellen White também
criticava a medicina do século 19, que, conforme praticada na época, mal podia
ser classificada como “ciência”. Alguns exemplos mostram que ela não é chamada
de “medicina heroica” sem motivo. Um dos laxantes muito receitados era o
subcloreto de mercúrio, também chamado de calomelano. A substância provocava
movimentos intestinais violentos e súbitos, mas o efeito colateral inevitável
era o envenenamento. O tartarato de artimônio, também um “veneno letal”, era
administrado para induzir o vômito. Para pacientes debilitados, os médicos
prescreviam “tônicos” como arsênico, estricnica, quinino e ópio.1
Ellen White denunciou a maioria deles pelo nome, afirmando corretamente que “os
preparados de mercúrio e calomelano que entram no sistema mantém sua força
venenosa ali dentro enquanto resta uma única partícula dessas substâncias no
corpo” (SG4a, 139).
Em vez de defender o
uso desses elementos, ela incentivava o estilo de vida saudável e o uso de
remédios inofensivos. “Ar puro, luz solar, abstinência, repouso, exercício,
regime conveniente, uso de agua e confiança no poder divino – eis os
verdadeiros remédios (CBV, 127).
A maior parte dos
ensinos de Ellen White sobre saúde tem hoje bem mais apoio científico do que na
época em que foram escritos. Por exemplo, ela denunciou que o tabaco era um
veneno maléfico (SG4a). Recomendou os cereais integrais na alimentação,
destacando que tinham maior valor nutricional do que a farinha refinada.
Afirmou que os óleos vegetais eram mais
saudáveis do que a gordura animal e que uma alimentação vegetariana equilibrada
e variada era preferível à dieta cárnea. Contudo, há algumas outras declarações
que parecem inacreditáveis da perspectiva da ciência do século 21.
Este artigo trata de 12
declarações de Ellen White que estão em conflito direto ou indireto com a
interpretação atual das ciências naturais. Essas afirmações se dividem em três
grupos. O primeiro se refere a conselhos que eram considerados bons na época em
que foram dados e ainda seriam considerados assim sob as mesmas circunstâncias;
porém, estas mudaram. Esse grupo inclui as advertências sobre perucas,
espartilhos “cintura de vespa”, cosméticos tóxicos e queijo (declarações 1 a
4).
O segundo inclui
declarações para as quais há apoio científico parcial ou experimental, como as
advertências sobre as doenças causadas por “miasmas”, a relação entre comer
carne de porco e a lepra, e a influência da ama de leite sobre o bebê e os
riscos associados a uma diferença de idade muito grande entre os cônjuges
(declarações 5 a 8).
O último grupo inclui
declarações que se acreditava serem verdade na época em que ela as escreveu,
mas que foram rejeitadas parcial ou totalmente pela opinião científica atual,
como a dinâmica dos vulcões, a altura dos antediluvianos, a amalgamação entre
seres humanos e animais e as consequências físicas da masturbação (declarações
9 a 12).
Esses assuntos serão
avaliados com base em três premissas interpretativas, baseadas nas Escrituras e
consistentes com os escritos de Ellen White.
Primeira
premissa: Deus infalível, mas profetas falíveis
A primeira premissa
interpretativa é que as Escrituras retratam um Deus infalível que fala por meio
de profetas que não eram nem infalíveis nem livres de erros (ver Gn 20:7; 2Sm
7:3-13). A variedade do estilo de escrita dos autores da Bíblia apoia o ponto
de vista de que o Senhor revelou os conceitos aos profetas, mas que a
individualidade humana desempenhou uma parte na escolha das palavras
específicas para expressar os conceitos divinamente revelados.
Em suma, a posição de
Ellen White era que revelação e inspiração não ocorrem de forma verbal (ditado
palavra por palavra), exceto em raras ocasiões, mas representam, em geral, “uma
união do divino com o humano”, na qual as verdade reveladas por Deus são
“expressas” e transmitidas por intermédio de “expressões imperfeitas de nossa
linguagem” (GC, 7, 8). As palavras “expressões imperfeitas” consistem em um
reconhecimento de que a verdade revelada
de maneira sobrenatural (inacessível aos seres humanos, a não ser por meio da
revelação direta) pode ser transmitida de modo adequado, muito embora a
linguagem humana seja aproximada ou imprecisa acerca de pormenores factuais. As
discrepâncias de detalhes nos escritos bíblicos (compare a sequência das
tentações de Cristo em Mateus 4 e Lucas 4) revelam a individualidade humana
e/ou a falibilidade dos autores bíblicos e deixam subentendido que a verdade revelada não exclui o elemento
no processo de revelação-inspiração.
Uma consequência da falibilidade
humana dos profetas bíblicos é que, ao comunicarem a verdade a eles reveladas.
Lançavam mão de todo seu conjunto de conhecimento, inclusive, o adquirido por
experiência, estudo e pesquisa (conhecimento
comum; ver Dn 9:2; Lc 1:1-4; 1Co 1:11-17). Os autores bíblicos citam muitas
fontes extrabíblicas a fim de embasar suas mensagens inspiradas (ver Js 10:13;
2Sm 1:17-27; 2Cr 9:29; 12:15; 20:34). Pela inspiração, fragmentos de informação
dessas fontes foram integrados às Escrituras.
Ellen White não
reivindicava a autoridade de uma profetisa canônica, mas afirmava ser inspirada
pelo mesmo Espírito e da mesma
maneira que os profetas canônicos (ver GC, 11-14).2 No
entanto, ao escrever aquilo que presenciara em visão, ela não hesitava em
recorrer a recursos humanos comuns para se valer de detalhes suplementares,
ilustrações ou outras formas de suporte (ver ME3, 445-465). Nas cartas
pessoais, ela ampliava conselhos revelados com fatos extraídos de fontes comuns
(ME1, 38, 39). Ao expor as Escrituras, lançava mão de dicionários bíblicos,
cronologias e outros recursos para expandir seu conhecimento. Ao defender os
princípios de saúde, recorria aos escritos de médicos e reformadores de sua
época (ver, por exemplo, HeR, abril de 1871; HeR, outubro de 1871). Ao escrever
sobre questões históricas, consultava os livros de história, cronologia e
geografia disponíveis, inclusive, enviando assistentes para fazer pesquisas em
bibliotecas universitárias a fim de obter as informações necessárias (Bio6,
308, 318, 319; ME3, 439, 440). Além disso, em edições posteriores, Ellen White
se mostrou disposta a revisar detalhes históricos quando outras fontes se
mostraram mais confiáveis do que as utilizadas anteriormente (ME3, 445, 446).3
Alguns alegavam discrepâncias que ela não reconhecia com tais,
entretanto, outras ela aceitou e revisou (ver Bio6, 303-306).
A revelação entre verdade revelada, escritos inspirados e
conhecimento comum pode ser ilustrada por meio de uma base horizontal
cruzada por uma vertical, da seguinte forma:
O ponto de intersecção
representa a mente do profeta e a extrema direita da linha de base é o público
do profeta. A linha vertical com a seta para baixo representa a verdade revelada, conhecimento
normalmente inacessível aos seres humanos. A extrema esquerda da linha de base,
com a seta voltada para a interseção, representa a contribuição do conhecimento comum para a mente do
profeta. O conhecimento revelado por Deus tem maior autoridade do que o
conhecimento comum, mas não o substitui; em vez disso, o complementa. O Senhor
não costuma revelar de maneira sobrenatural aos seres humanos aquilo que lhes
deu capacidade para aprenderam sozinhos.4 A extrema direita da linha
de base, com a seta voltada para o público, representa a inspiração, que é a obra do Espírito Santo em guiar a comunicação
horizontal da mente do profeta ao público. Observe que a comunicação é produto
da união entre verdade revelada e conhecimento comum.5
Outro exemplo da
combinação entre conhecimento comum e revelado nos escritos de Ellen White é
uma carta que ela escreveu acerca de um pastor da Califórnia (Ms107, 1909; em
ME1, 38, 39, itálico acrescentado): “Sinto-me entristecida por vê-lo negando os
testemunhos como um todo pelo que se lhe afigura uma incoerência – uma
declaração feita por mim com relação ao número de quartos no Sanatório Vale do
Paraíso. Diz o irmão A [Edward S. Ballenger] que em uma carta escrita a um dos
irmãos no Sul da Califórnia, fora feita
por mim a declaração de que o sanatório tinha quarenta quartos, quando em
verdade havia apenas trinta e oito. Isso o irmão A me apresenta como razão
por que ele perdeu a confiança nos testemunhos. [...] A informação quanto ao
número de quartos no Sanatório Vale do paraíso foi dada, não como uma revelação vindo do Senhor, mas simplesmente como uma
opinião humana. Nunca me foi revelado o número exato dos quartos de
qualquer de nossos hospitais; e o
conhecimento que tenho obtido dessas coisas, tive indagando dos que se esperava
que soubessem. Em minhas palavras, quando
falando acerca desses assuntos comuns, não há nada que leve os espíritos a
crer que recebo meu conhecimento em visão do Senhor e o estou declarando como
tal.”
Ela explicou que, em
resposta ao chamado de Deus: “Entreguei-me, todo o meu ser, a Deus, para
obedecer a Seu chamado em tudo e, desde aquele tempo, minha vida tem sido gasta
em dar a mensagem, com a pena e falando
perante grandes congregações. Não sou eu que controlo minhas palavras e ações
em ocasiões assim [uma referência a revelação-inspiração].”
“há
vezes, porém, em que devem ser declaradas coisas comuns, pensamentos comuns
precisar ocupar a mente, cartas comuns precisam ser escritas e informações
dadas, as quais passaram de um a outro dos obreiros. Tais palavras, tais
informações, não são dadas sob a inspiração especial do Espírito de Deus.
São por vezes feitas perguntas que não dizem respeito absolutamente a assuntos
religiosos, e essas perguntas precisam ser respondidas. Conversamos acerca de
casas e terras, negócios a serem feitos, locais para nossas instituições, suas
vantagens e desvantagens.” Seu filho William C. White elaborou uma explicação
cuidadosa da combinação entre verdade revelada e conhecimento comum encontrado em
seus escritos – exposição esta que Ellen White aprovou por escrito.
Verdade
revelada e conhecimento comum nos escritos de Ellen White
O debate que instigou
William C. White a comentar sobre os escritos da mãe não tinha que ver com
ciência; mas, sim, com história. Contudo, a questão básica permanece a mesma:
de que modo Ellen White fez uso do conhecimento
comum para comunicar verdades reveladas? Assim, os comentários dele acerca
do uso do conhecimento histórico são relevantes para a questão do uso do
conhecimento científico, o qual também progride com o passar do tempo.
Em 1911, junto à
revisão da obra O Grande Conflito,
William C. White apresentou um relatório muito abrangente no Concílio Outonal
da denominação a respeito da “mais recente edição de O Grande Conflito em língua inlesa.”6 São pertinentes a
este estudo as palavras dele acerca da autoridade de Ellen White em relação a
questões históricas. Não há dúvidas de que ele expressou de forma precisa os
pontos de vista da mãe a esse respeito, pois, em uma carta enviada a Francis M.
Wilcox, Ellen White foi específica ao endossar o manuscrito de seu filho (Ct
57, 1911).
“Mamãe nunca afirmou
ser autoridade em história” – declarou William C. White. “As coisas que ela
escreveu são descrições de figuras instantâneas7 e outras
representações que lhe foram concedidas” – uma clara referência a suas visões.
“Ao [...] escrever [...]
essas visões, ela fez uso de declarações históricas convincentes e de boa
qualidade para ajudá-la a deixar claro ao leitor aquilo que desejava
apresentar. Quando menino, eu a ouvi ler História
da Reforma, de D’Aubigné, apara meu pai [...]. Ela leu outros relatos da
Reforma. Isso a ajudou a localizar e descrever muitos dos eventos e movimentos
que lhe foram apresentados em visão.8
William White citou
experiências semelhantes para apoiar sua crença de que as descrições que ela
fazia de acontecimentos históricos se baseavam em visões pictóricas, mas que as
datas, as localizações geográficas e outros detalhes eram extraídos de obras de
referência em história e cronologia. Uma dessas experiências ocorreu durante os
anos que ela e o filho permaneceram na Europa, entre 1885 e 1887. Certo sábado,
em Basileia, na Suíça, William
estava lendo History of
Protestantism (“História do Protestantismo”), de Jamy Wyllie, para Ellen
White. Posteriormente, ele recordou: “Ela me interrompeu e me contou muitas
coisas das páginas seguintes e também me deu várias informações que não estavam
no livro. Ela disse: ‘Nunca li sobre o assunto, mas esta cena me tem sido
apresentada vez após vez’. Quando perguntei: ‘Por que você não a coloca em seu
livro [O Grande Conflito]?’, ela respondeu: ‘Eu não sabia onde incluí-la’.”9
Por meio dessas declarações, William White demonstrou a compreensão de que,
embora o conteúdo principal dos escritos históricos de sua mãe derivasse das
visões, Ellen usava fontes comuns para fazer conexões geográficas e
cronológicas.
Uma ano após a
apresentação de 1911, William White relatou de forma mais completa sua
compreensão sobre o uso dos escritos de sua mãe como autoridade para detalhes
da história. Stephen N. Haskell e W. W. Eastman transmitiram a William alguns
questionamentos feitos por W. W. Prescott sobre a precisão de algumas datas em O Grande Conflito.10 William
White preparou a primeira versão de uma resposta e a levou para Ellen White
fazer sua apreciação crítica. Não há dúvidas de que ela aprovou o material;
pois, ao final da carta, há uma nota escrita de próprio punho: “Eu aprovo os
comentários feitos nesta carta. Ellen White.”11
Essa mensagem a Haskell
contém uma declaração detalhada da compreensão de William White acerca do uso
das obras de Ellen White como referência em história. Ele começa: “No que se
refere aos escritos de Mamãe, ela nunca teve o desejo de que nossos irmãos os
tratassem como uma autoridade em história. Quando O Grande Conflito foi escrito pela primeira vez, muitas vezes ela
fazia descrições parciais de alguma cena que lhe fora apresentada. A irmã Davis
lhe perguntava acerca do tempo e local, e Mamãe a orientava a consultar o que
havia sido escrito nos livros [Thoughts
on Daniel (“Pensamento sobre Daniel”) e Thoughts
on Revelation (“Pensamentos sobre Apocalipse”)] do pastor [Urias] Smith e
na História secular. Ao escrever O Grande
Conflito, Mamãe nunca imaginou que os leitores considerariam a obra uma
autoridade em relação a datas histórica e usariam o livro para resolver
controvérsias, nem acredita que a obra deva ser usada dessa maneira. Mamãe
nutre o maior respeito pelos historiadores fidedignos que dedicaram a [vida] ao
estudo do desenrolar da história deste mundo no grande plano de Deus e que
encontraram neste estudo uma correspondência entre história e profecia [...]
“Parece-me que corremos
o risco de dar destaque excessivo à cronologia. Se fosse essencial à salvação
do ser humano que ele [isto é, o homem] tivesse uma compreensão clara e
harmônica da cronologia da história do mundo, o Senhor não permitiria os
desacordos e discrepâncias que encontramos nos escritos dos historiadores
bíblicos e, creio que, nestes últimos dias, não haveria tanta controvérsia em
relação a datas [...]
“Acredito, irmão
Haskell, que corremos o risco de atrapalhar o trabalho de Mamãe em lhe atribuir
mais autoridade do que ela própria o faz, do que papai fazia, do que os
pastores [John] Andrews, [Joseph] Waggoner e [Uriah] Smith jamais fizeram. Não
vejo consistência na defesa da inspiração verbal, quando Mamãe nunca reivindicou
tal prerrogativa e penso que, certamente, cometeremos um grave erro se
ignorarmos as pesquisas históricas, tentando resolver questionamentos
históricos usando os livros dela como autoridade, quando ela própria não
desejava que eles sejam usados dessa maneira.”12
Conforme foi
mencionado, William White enviou a carta para que sua mãe a aprovasse.
Provavelmente, com base em uma conversa que teve com ela na mesma época,
preparou uma segunda versão, na qual refinou um pouco sua declaração. A frase
temática da primeira carta foi: “No que se refere aos escritos de Mamãe, ela
nunca teve o desejo de que nossos irmãos os tratassem como uma autoridade em
história.” Na segunda versão, William a rescreveu usando uma construção
gramatical mais cuidadosa: “Ela nunca teve o desejo de que nosso irmãos os
tratassem como autoridade em datas ou
detalhes da história.”
A segunda versão da
carta a Haskell se tornou o protótipo de uma mensagem, escrita na mesma data, a
W. W. Eastman, na qual William continuou a desenvolver sua explicação.13
Assim inicia a terceira versão: “No que se refere aos escritos de Mamãe e seu uso como autoridade em pontos da
história e cronologia, ela nunca teve o desejo de que nossos irmãos os
tratassem como autoridade em detalhes da história e de dados históricos [...]
Ao escrever os capítulos de O Grande
Conflito, ela às vezes fazia uma descrição parcial de um importante
acontecimento histórico e, quando sua copista, que preparava os manuscritos
para a imprensa, perguntava acerca do tempo e lugar, Mamãe dizia [...] que tais
pontos foram registrados por historiadores detalhistas. Que as datas usadas por
esses historiadores fossem inseridas [...] Quando O Grande Conflito foi escrito, mamãe nunca pensou que os leitores
usariam o livro como autoridade acerca de datas históricas, nem que ele seria
usado para definir controvérsias a respeito de detalhes da história, nem sente
que a obra deva ser usada dessa maneira. Mamãe nutre grande respeito pela obra
dos historiadores fiéis que dedicaram anos ao estudo do grande plano divino
apresentado nas profecias e o desenrolar desse plano conforme registrado na
história.”14
Boa parte da carta
enviada a Eastman segue a mesma estrutura das cartas a Haskell. Ao concluir a
última mensagem, porém, William foi além do que havia escrito anteriormente:
“No que se refere aos escritos de Mamãe, tenho evidências e convicção completas
de que são a descrição e a representação daquilo que Deus lhe revelou em visão.
Nos trechos em que seguiu o relato de historiadores ou a exposição de autores
adventistas, creio que deus lhe deu discernimento para usar aquilo que é
correto e está em harmonia com a verdade acerca
de todas as questões essenciais à salvação. Se, por meio de estudo
criterioso, for demonstrado que ela seguiu alguma exposição da profecia que
possui pequenos detalhes relativos a datas, os quais não podemos harmonizar com
nossa compreensão da história secular, isso não influencia minha confiança em
seus escritos como um todo, assim como minha confiança na Bíblia não é
influenciada pelo fato de não conseguir harmonizar muitas declarações
[bíblicas] relacionadas a cronologia.”15
Portanto, William White
afirmou ter “evidências e convicção completas” de que Deus havia concedido
“discernimento” a sua mãe para selecionar, dentre as fontes disponíveis,
“aquilo que é correto e está em harmonia com a verdade acerca de todas as
questões essenciais à salvação”. Ele tinha confiança de que ela havia retratado
com precisão o “quadro mais amplo”16 da verdade a respeito da
salvação. Ao mesmo tempo, ciente de que, em muitos casos, Ellen havia utilizado
datas, citações e informações cronológicas de historiadores, não podia
concordar que esses detalhes eram autoritativos. Caso fossem, não havia espaço
para o tipo de investigação, verificação que ocorreu na edição de 1911 de O Grande Conflito.17
Em suma, William cria
que a fodos escritos de sua mãe era a revelação-inspiração divina, e essa
crença formava o pressuposto essencial para sua maneira de lidar com os
escritos dela. Embora não aceitasse que Deus havia revelado diretamente em
visão todos os detalhes necessários para elaborar uma narrativa histórica
coesa, ele cria que o Senhor a orientava na seleção das fontes históricas que
ela usava para acrescentar pormenores não mencionados em visão. Conquanto ele
acreditasse que os escritos históricos de sua mãe fossem inspirados, não
defendia que fossem infalíveis. Contrariando aqueles que queriam atribuir
revelação a todos os detalhes das narrativas históricas dela, argumentou (em
uma carta aprovada pela mãe) que Ellen White não extraía cada detalhe da
revelação e não tinha a intenção de que seus escritos fossem usados a fim de
suprir minúcias históricas.
Por fim, embora William
White se recusasse a atribuir infalibilidade aos escritos da mãe, ele também
rejeitava o extremo oposto. Refutando o argumento de que ela não era nem
teóloga nem historiadora, defendia que, no sentido amplo dos termos, Ellen
White escrevia tanto teologia quanto história práticas. Acreditava que, tanto
nos conceitos teológicos quanto nos temas históricos amplos, suas palavras eram
inspiradas e autoritativas.
Implicações
dos textos históricos de Ellen White sobre seus escritos de natureza científica
Pode-se argumentar que
o uso da literatura médica e científica se encaixa no mesmo padrão do uso da
literatura histórica. Em primeiro lugar, ela extraía o “quadro mais amplo”18
e os princípios permanentes da verdade revelada. Na sequência, ela
complementava esse “quadro mais amplo” com as mais convincentes evidências
factuais que conseguia encontrar nas fontes (conhecimento comum) que lhe eram disponíveis. Por fim, com
frequência, ela modificava o que havia descoberto nas fontes comuns para entrar
em harmonia com aquilo que sabia mediante a verdade
revelada.19
Por exemplo, David Neff
observou que Ellen White tomou emprestado parte do vocabulário de Calvin Stowe,
mas depois o modificou para exprimir os próprios conceitos, que não eram
exatamente iguais aos dele. Note as semelhanças e diferenças entre Stowe e
Ellen White:
Calvin E. Stowe, Origin and History of the Books of
the Bible, p. 20
|
E. G. White
Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 21
|
“Não
são as palavras da Bíblia que foram inspiradas, não são os pensamentos que
foram inspirados; inspirados foram os homens que escreveram a Bíblia”
|
“Não
são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que o foram”
|
“A
inspiração não se encontra nas palavras humanas, nem nos pensamentos humanos,
mas no ser humano em si, no fato de, mediante a própria espontaneidade, sob o
impulso do Espírito Santo, conceber certos pensamentos”
|
“A
inspiração não atua nas palavras do homem ou em suas expressões, mas no
próprio homem que, sob a influência do Espírito Santo, é possuído de
pensamentos”
|
Uma vez que Ellen White
avaliava o conhecimento comum com
base na verdade revelada a ela
concedida, ela sentia liberdade, antes de publicar um novo livro, de submetê-lo
à apreciação de pessoas qualificadas que lhe dessem uma opinião sobre a obra
(Ct 49, 1894; em MR110, 12, 13). Havia momentos em que, com base em suas
visões, Ellen rejeitava o ponto de vista de seus contemporâneos e, em outras
ocasiões, ela modificava seus escritos com base no que aprendia por meio de
diálogo com seus leitores (Bio6, 302-337). Ela cria que, ao selecionar as
fontes e os colegas que revisavam seus textos, era dirigida por Deus, mas não
achava que isso tornava ela própria nem os outros infalíveis ou livres de
erros. Contudo, acreditava que, por intermédio da supervisão do Espírito Santo,
aquilo que escrevia era verdadeiro em relação ao “quadro mais amplo”, portanto,
confiável para os propósitos aos quais os materiais haviam sido escritos.20
Em seus textos sobre
saúde, ela acreditava que fora inspirada a discorrer sobre princípios revelados na linguagem da época. Portanto, seu conselho
era autoritativo e confiável acerca dos “propósitos práticos”21 para
os quais foram concedidos, mas não tinha a intenção de impedir pesquisas
adicionais, nem o crescimento em conhecimento. Os leitores do século 21 não
deveriam se surpreender ao constatar que, desde sua morte, a ciência continuou
a se expandir. Essa primeira premissa é fundamental para este artigo.
Logo, o propósito deste
artigo não é provar que Ellen White foi infalível em tudo que escreveu.22 Todavia,
este texto pretende demonstrar que algumas declarações que ela fez no século
19, hoje ridicularizadas, eram, na verdade, conselhos sensatos na época e no
contexto em que foram originalmente dados. Ela estava simplesmente usando o
melhor conhecimento humano disponível
na época para confirmar a verdade revelada
por meio de visão e comunica-la ao público. Assim como o médico Don S. McMahon
demonstrou, a sugestão de que a mensagem de saúde advogada por Ellen White
pudesse derivar apenas de reformadores de sua época é estatisticamente
incorreta para justificar toda a precisão de seus conselhos na área. Suas
instruções quanto ao assunto são tão evidentemente mais precisa do que as de
seus contemporâneos – tanto na esfera individual quanto na coletiva -, que não
seria possível explicar apenas por uma questão de sorte ou intelecto
privilegiado. Em vez disso, requer a aceitação de que ela tinha acesso a uma
fonte superior de informação que a orientava em relação àquilo que devia
aceitar ou rejeitar.23 Embora a ciência e a tecnologia tenham feito
avanços gigantescos nos últimos 150 anos, o aumento em conhecimento não
descartou nenhum de seus princípios de saúde básicos. Os conceitos que ela
apresentou em 1864 são tão corretos que as pessoas que os seguem com bom senso
no século 21 têm saúde comprovadamente melhor e uma expectativa de vida mais
elevada do que quase todos os demais grupos populacionais do planeta.24
Segunda
grande premissa: tanto a ciência quanto a revelação devem ser lidas dentro do
contexto histórico
A segunda grande
premissa interpretativa é que o conhecimento humano em todos os campo é
incompleto, mas está em crescimento. Nos termos de Ellen White “o saber humano
tanto das coisas materiais como das espirituais é parcial e imperfeito” (GC,
522; cf. 1Co 8:2; 13:9-12) e “o conhecimento é progressivo” (ibid., 678). A
experiência religiosa individual também é “progressiva” (CPPE, 281; Ev, 355;
FO, 85), bem como a educação (CES, 103; Ev, 105). Em termos de revelação, as
novas verdades ampliam verdades antigas, sem contradizê-las,25 mas o
entendimento humano da revelação
adicional. Assim, tanto a ciência quanto a revelação devem ser interpretadas
dentro do contexto histórico.26
Na Bíblia, tanto a
instrução como a explicação foram adaptadas para o contexto histórico do povo
ao qual se dirigiam. Por exemplo, nas regras sobre carnes limpas e imundas em
Levítico 11, a instrução é clara: “Digam aos israelitas: De todos os animais
que vivem na terra, estes são os que vocês poderão comer: Qualquer animal que
tem casco fendido e dividido em duas unhas, e que rumina. Vocês não poderão
comer aqueles que só ruminam nem os que só têm o casco fendido. O camelo,
embora rumine, não tem casco fendido; considerem-no impuro” (Lv 11:2-4, NVI).
Embora a instrução seja clara, a explicação que se segue é adaptada ao uso
prático das pessoas comuns: “A lebre, embora rumine, não tem casco fendido;
considerem-na impura” (Lv 11:6, NVI). O avanço do conhecimento demonstrou que
as lebres só parecem ruminar, mas não são ruminantes como bois, ovelhas e
antílopes.27 Entretanto, a terminologia de levítico 11 era clara
para as pessoas a quem se dirigia e ainda permite que todos aqueles que o leem
façam escolhas em harmonia com a vontade de Deus.
Em geral, os autores da
Bíblia revestiam suas mensagens de uma linguagem que fazia sentido ao público original.
Por exemplo, a declaração de que Deus “suspende a Terra sobre o nada” (Jó 26:7,
NVI) era factual ao negar diversas teorias antigas que postulavam o local de
repouso da Terra; contudo,, também era incompleta, uma vez que não sugere uma
ideia de como funciona o Universo físico. Outro xemplo se encontra no Salmo
58:8, texto que compara o ímpio à “lesma que se derrete pelo caminho” (NVI).
Trata-se de uma descrição poética da aparência da lesma; porém, ela não se
derrete literalmente em seu movimento. Em vez disso, o animal secreta uma
trilha de muco sobre a qual desliza.
Um exemplo semelhante
na experiência de Ellen White ocorreu em 1846, em Topsham, Maine, na ocasião em
que ela recebeu a visão dos “céus abertos”. José Bates, capitão, navegador e
astrônomo amador, estava presente. Ele acreditava que a jovem Ellen era uma
cristã sincera, mas cria que suas visões não passavam do reflexo de seus
problemas de saúde. Essa ocasião o levou a mudar de ideia, porque, enquanto ela
estava em visão, descreveu vários planetas. Nem
durante essa visão, nem em nenhum outro momento, ela identificou por nome os
planetas que havia visto. Entretanto, sua descrição foi precisa o bastante para
Bates identificar os planetas e expressar seu espanto ao reconhecer que o
número de luas atribuído a cada um representava, com exatidão, as descobertas
mais recentes do lorde John Rosse, renomado astrônomo britânico da época. Como
a revelação trouxe informações até então desconhecidas para Ellen White, mas
reconhecidas por Bates como corretas, segundo o conhecimento astronômicos mais
moderno do período, o pioneiro passou a crer na origem sobrenatural das visões
(Bio1, 113, 114). No que se refere à precisão científica da visão, o
desenvolvimento de telescópios mais potentes levou à descobertas de outras luas
para cada um desses planetas; no entanto, caso a visão houvesse revelado
detalhes só atestados pela ciência no século 21, Bates não teria reconhecido
sua autenticidade. Esse é um exemplo de informação que aparentemente não teria
cumprido seu propósito caso fosse avançada demais em relação ao conhecimento da
época em que foi comunicada.
Terceira
Premissa: diferença entre princípios e explicações
Em algumas situações, é
útil distinguir entre princípios e explicações. Uma vez que os princípios
exprimem a vontade de Deus em relação aos seres humanos, eles são tão
duradouros quanto a natureza humana, muito embora as explicações históricas sejam expressas em um palavreado e nas
formas de pensamento adaptados à época em que a instrução foi dada. Por
exemplo, com frequência, as Escrituras descrevem as causas e consequências
físicas em termos de pecado e pena (ver Êx 15:26; Rm 1:27; 1Co 6:18; Hb 2:2).
Assim, as palavras específicas em Êxodo 15:26 podem sugerir que Deus enviou as
doenças sobre os egípcios como castigo pela desobediência, e a cura da doença é
uma recompensa divina pela obediência. No entanto, a ciência moderna afirma
enfaticamente que a obediência ou desobediência às leis de saúde tem uma
relação direta com a incidência de saúde ou doença. De igual modo, em Levítico,
o consumo de gordura ou sangue animal era terminantemente proibido, sob pena de
morte ou banimento (Lv 3:17; 7:23-25). A explicação
dada é simplesmente que “estes vos serão imundos” (v. 8) e deveriam ser
evitados, para que “não se tornem impuros com eles” e “não se contaminem” (v.
43, NVI). O princípio era “sejam
santos, porque eu sou santo” (v. 44). Esse conceito continua válido, embora
muitos hoje em dia não considerem a saúde física um aspecto da santidade.
Entretanto, quando esses princípios
foram reiterados por meio de Ellen White no século 19, ela enfatizou as
consequências para a saúde – uma explicação científicas como motivo convincente
para não consumir gordura e sangue animal, nem carnes “impuras” (CS, 228; CRA,
374, 375, 393, 394).
Alguns eruditos sugerem
a possibilidade de diferenciar as instruções
das explicações em alguns dos
escritos de Ellen White sobre saúde, com base no que ela disse acerca do uso do
sal: “Uso algum sal, e tenho-o sempre, porque segundo a instrução que me foi
dada por Deus, esse artigo, em vez de ser deletério, é realmente essencial ao
sangue. Os porquês e para quê disto, não sei, mas transmito-lhes a instrução segundo me foi dada.” (CRA,
344). Nesse texto, ela faz distinção entre a “instrução” e os “porquês e para
quês”, ou seja, a explicação da instrução.28
A pesquisa de Don S.
McMahon demonstra que, embora os avanços no conhecimento científico não tenham
confirmado todas as explicações de
Ellen White, eles têm produzido um acúmulo de apoio cada vez maior aos princípios de suas instruções básicas.29
Foi demonstrado que ela nunca reivindicou infalibilidade. Por esse
motivo, Ellen não acreditava que a revelação a ela concedida em visões lhe
conferia autoridade inspirada sobre toda informação de conhecimento comum a que fazia referência a fim de embasar o que
lhe fora revelado (ver Ms 107, 1909; em ME1, 38, 39).
Doze
declarações que podem incluir dados do conhecimento humano
Em vários dos doze
assuntos que serão analisados, Ellen White certamente incluiu informações
obtidas de fontes comuns, nas quais “não há nada que leve os espíritos a crer” que
ela recebeu o conhecimento “em visão do Senhor” (ibid., 38). Quatro das doze
declarações (1, 2, 3 e 7) vêm de um período em 1871 no qual, para ajudar o
marido sobrecarregado, concordou em ser responsável por um “departamento”
(coluna) do periódico Health Reformer
(“Reformador da Saúde”) e produzir determinada quantidade de material sobre
saúde para publicação mensal. Nesses artigos, ela buscava pauta em suas
viagens, experiência pessoal e literatura de saúde da época a fim de ilustrar e
reforçar os princípios que estava ensinando. Fica claro que algumas dessas
declarações consistem em uma combinação de instruções baseadas em visões e
explicações obtidas em publicações contemporâneas, as quais ela acrescentava
porque, na época, conferiam força e credibilidade adicionais à orientação. Essa
interpretação é consistente com o reconhecimento do crescimento espiritual e
intelectual do profeta. Portanto, com base nas premissas anteriores, podemos
esperar encontrar princípios revelados de valor duradouro aliados a explicações
que faziam sentido e davam motivação aos leitores a quem o conselho foi
originalmente dado.30 Conforme observamos no início do artigo, as 12
declarações serão analisadas em três conjuntos.
Primeiro
conjunto: conselhos sensatos na época em que foram dados
O primeiro conjunto de
declarações inclui aquelas que consistiam em conselhos sensatos na época em que
foram dados e continuariam a ser caso as mesmas condições imperassem. Essa
categoria inclui as advertências em relação a perucas, aos cosméticos tóxicos,
às consequências do uso de espartilhos do tipo “cintura de vespa” e possíveis
problemas com os queijos.
Declaração
1, perucas letais: “Cabelos artificiais e enchimentos que
cobrem a base do cérebro aquecem e excitam os nervos espinhais” produzindo
“congestão” no cérebro, perda dos cabelos naturais e até insanidade (HeR,
outubro de 1871). A fabricação de perucas em 1871 era bem diferente do processo
atual. Ao passo que as perucas de hoje são feita de material leve, com uma base
de tela que permite a respiração do couro cabeludo, nos dias de Ellen White, os
acessórios eram fabricados com materiais pesados – cabelos naturais, algodão,
ervas marinhas, lã, barba-de-velho, etc. (HeR, julho de 1867). Em vez de leves
e eláticas, ficavam presas de forma tão apertada à cabeça que impediam a
circulação, confinavam o calor corporal ao couro cabeludo e atrapalhavam a
transpiração, provocando dores persistentes, de acordo com o médico que Ellen
White criou citou em seu artigo.
Quando a juta era o
material usado, havia um perigo adicional. As fibras abrigavam pequenos insetos
que se instalavam sob o couro cabeludo de quem usava a peruca. Mais uma vez,
Ellen White cita um médico de sua época que era contrário ao uso de “tranças
postiças, ou jutas, ou coques falsos, porque eles [faziam] proliferar vermes
nocivos, cuja vida [era] alimentada pelo dreno dos pequenos vasos sanguíneos do
couro cabeludo” (HeR, outubro de 1871). A “trança positiva” era o termo
genérico para uma peruca que podia ser feita de diversos materiais. As “jutas”
se rferem às “perucas de jutas”, feitas com a casca escura e fibrosa da planta
(HeR, janeiro de 1871). Os “coques falsos” podiam ser feitos com cabelo humano,
de origem local ou importada (HeR, julho de 1867).31
O médico que Ellen
White citou acreditava que a constituição apertada da peruca e o confinamento
do calor no couro cabeludo eram riscos piores à saúde do que a possibilidade de
insetos (HeR, outubro de 1871). Outro risco desse tipo de acessório era o
cabelo humano obtido de vítimas de praga na China, enviados de navio de Hong
Kong a Nova York e lá transformados em perucas. Presumia-se que o processo de
fervura e molho em produtos químicos era suficiente para matar os micróbios transmissores
da doença, porém tanto os cabelos sujos quanto os limpos eram “totalmente
misturados” nos ambientes de trabalhos coletivos e “passavam pelos mesmos
pentes”.32
Não há indícios neste
artigo de que Ellen White tenha recebido uma visão específica sobre os riscos
das perucas do século 19 para a saúde. Com certeza, ela extraiu suas ideias de
princípios bíblicos de saúde (1Co 6:19, 20; 10:31) e modéstia (1Tm 2:9; 1Pe
3:3), do “quadro ampla” de saúde apresentado a ela em visão e dos escritos de
outras pessoas sobre o assunto.33 Independentemente do nível de
precisão dos detalhes usados por Ellen White por Ellen White na descrição ou
dos relatos do médico que ela citou, sua instrução para evitar aquelas perucas
fazia muito sentido na época. O uso do acessório tinha reações adversas à saúde
e à felicidade de quem os portava.34
Declaração
2, cosméticos tóxicos: “Muitas, em ignorância, prejudicam
a saúde e arriscam a vida pelo uso de cosméticos. Privam as bochechas do brilho
da saúde e, depois, para suprir a deficiência, usam cosméticos. Quando se
aquecem na dança, o veneno é absorvido pelos poros da pele e lançado no sangue.
Várias vidas foram sacrificadas por esse único motivo” (HeR, outubro de 1871).
Para embasar sua advertência
contra os cosméticos tóxicos, Ellen cita um médico que descreve o costume
feminino da época de pintar o rosto com esmalte ou verniz para conferir à pele
o aspecto de “porcelana fina”. Apesar da suposta aparência da moda, o médico
declarou: “as sementes da morte ou paralisia” estão “escondidas em cada pote e
frasco dessas misturas”, causando doenças graves, paralisia súbita ou até mesmo
a morte. A descrição sugere um cosmético branco, feito com chumbo, e os
sintomas apresentados são os de envenenamento agudo”35 O doutor
continua: “Algumas que os usam, de repente adquirem uma doença grave e, depois
de receber uma advertência em particular do médico da família, deixam de usar a
causa do mal; ao se recuperarem, passam pela vida com uma aparência péssima”
(ibid.).36
O chumbo, um elemento
absolutamente tóxico, era um ingrediente comum em cosméticos.37 O
envenenamento por essa substância causa neuropatia periférica (com paralisia do
pé ou do pulso) e distúrbios do sono.38 Os sintomas iniciais são
irritabilidade, dor de cabeça e náusea, de acordo com Julian Chisholm,
especialista em envenenamento por chumbo.39 Portanto, os indícios
citados por ellen White são absolutamente típicos desse processo.
Na década de 1870, não
havia nenhum órgão governamental encarregado de monitorar a indústria
cosmética. A própria Ellen White foi envenenada ao aplicar um produto para
crescimento capilar na cabeça do marido (ibid.). Uma evidência adicional de que seu conselho era prático é o fato de
que, mesmo com supervisão governamental, os cosméticos continuavam a conter
venenos perigosos no fim do século 20. Em 1988, uma investigação do congresso
encabeçada por Ron Wyden descobriu que “dos três mil elementos químicos mais
usados” na indústria cosméticas, “mais de um terço [eram] tóxicos”. Dentre
esses, “314 [podiam] causar mutação biológica, 218 [podiam] levar a
complicações reprodutivas e 376 ingredientes [podiam] provocar irritações na
pele e nos olhos”.40 Atualmente, a indústria de cosméticos vem
mudando, mais ainda usa ingredientes prejudiciais.”41
Declaração
3, espartilhos do tipo “cintura de vespa”: “Algumas
mulheres têm uma cintura naturalmente pequena. Entretanto, em vez de considerar
tal forma bela, ela deveria ser vista como defeituosa. Essas cinturas de vespa podem ter sido herdadas da mãe, como
resultado da indulgência na prática pecaminosa de usar espartilhos apertados e
em consequência de uma respiração imperfeita” (HeR, novembro de 1871, itálico
acrescentado). Algumas linhas depois, ela cita uma revista da época, The Household (“O Lar”): “‘Mas minha
cintura é naturalmente fina’, diz uma mulher. Ela quer dizer que herdou pulmões
pequenos. Suas ancestrais, muitas ou poucas, comprimiram os pulmões assim como
nós, e isso se tornou, no caso dela, uma deformidade congênita” (ibid.).
A denúncia severa de
Ellen White quanto à prática das mulheres usarem espartilhos apertados para
produzir uma “cintura de vespa” recebe apoio claro de todas as evidências
atuais; porém, a noção de que essa deformidade possa ser transmitida geneticamente
é completamente inconsistente com o conhecimento científico da maior parte do
século 20. No entanto, a segunda declaração sobre a possibilidade de herdar
“pulmões pequenos” como uma “deformidade congênita” não saiu de sua pena. Em
vez disso, trata-se de uma citação de um periódico da época. Ao reproduzi-la,
Ellen White não transmite certeza plena. “Essas cinturas de vespa podem ter sido herdadas da mãe” –
comenta ela. A palavra “podem” revela a incerteza de Ellen White quanto à
confiabilidade das fontes contemporâneas que havia mencionado.
Em outra ilustração
sobre os males que espartilhos apertados podem ocasionar ao abdômen feminino,
Ellen White citou um relato de uma outra publicação da época, Home and Health (“Lar e Saúde”). Em um
importante hospital em paris, França, o médico internacionalmente conhecido,
Dr. Gilbert Breschest, examinou uma paciente de 18 anos. No lado direito da
garganta da moça havia algo que Breschet chamou de “tumor de tamanho variável”
que se entendia “da clavícula até a cartilagem da tireoide. Quando pressionado
para baixo, desaparecia por completo; mas, assim que a pressão era removida,
ficava indolor, mole e elástico. Observou que ficava maior quando o tronco
estava bem comprido com o espartilho [...] A pobre garota era amarrada de forma
tão apertada” – conforme a revisra Home and
Health – que seus pulmões eram comprimidos para fora de sua posição natural
e “forçavam caminho pelo pescoço” (HeR, dezembro de 1871). A descrição deixa
claro que hoje essa condição não seria denominada “tumor”; mas, sim, uma bolsa
de ar produzida pela restrição extrema dos pulmões. Ellen White não tece nenhum
comentário acerca desse relato. Ela apenas o cita como exemplo dos males do
espartilho apertado.
O propósito dela ao
escrever sobre o assunto era advertir os leitores de que o uso de espartilhos
apertados comprimia os pulmões e desfigurava o corpo humano. Nesse ponto estava
correta. A fim de apoiar sua mensagem, mencionou autoridades da época, mas não
foi categórica quanto a algumas informações, tais como a possibilidade de se
herdar uma “cintura de vespa.”
A possibilidade de se
transmitir características adquiridas aos descendentes foi rejeitada pela
ciência durante o século 20, mas vem despertando novo interesse, uma vez que
“estudos no campo da epigenética têm salientado a possível herança de traços
comportamentais adquiridos pela geração anterior.”42
Declaração
4, os perigos de comer queijo: Em 1868, Ellen White
escreveu sua primeira menção ao assunto: “Queijo nunca deve ser introduzido no
estômago” (T2, 68). Sua última referência ao queijo, em 1905, foi: “O queijo é
ainda mais objetável [do que a manteiga]; é totalmente impróprio como alimento”
(CBV, 302). Para entender porque ela teria escrito uma declaração como essa é
necessário levar em conta vários fatores históricos.
Talvez, o que mais
tenha chamado atenção de Ellen White quanto á tecnologia norte-americana de
fabricação de queijos fosse a dificuldade de deter o processo de maturação, a
fim de impedir que o queijo estragasse depois de estar “curado”. Curt Wohleber
relatou que, no século 19, as vendas e o consumo de queijo nos Estados unidos
ficavam bem atrás da Europa por um motivo simples: o queijo americano estragava
tão rápido nas prateleiras dos mercados que, muitas vezes, os consumidores
ficavam doentes ao comê-lo. “Nem mesmo um queijeiro de primeira conseguia
manter com consistência uma produção de ótima qualidade”. A produção de queijo
caseiro era ainda mais problemática. Foi somente em 1916 – um ano após a morte
de Ellen White – que James L. Kraft recebeu a primeira patente norte-americana
por um processo que conferia ao queijo uma data de validade praticamente
indefinida. “As primeiras propagandas destacavam o valor nutricional do queijo
de Kraft – uma forma sutil de dizer que você não seria envenenado pelo
alimento.”43 Essa história explica bem por que ela se refere à
substância conhecida como “queijo” nos Estados Unidos do século 19 como algo
“impróprio para alimento.”
Outro fator que
influenciou o conselho de Ellen White sobre o queijo eram as condições nocivas
de produção de leite em sua época. Os laticínios eram notoriamente insalubres;
as vacas enfermas transmitiam doenças para o leite e o queijo. Todos esses
problemas pioravam ainda mais com a falta de refrigeração.44 A
pasteurização (processo de aquecer o leite a determinada temperatura para
reduzir a contaminação por micróbios) só se tornou comercialmente disponível a
partir de 1882, e ainda levou anos para que os queijeiros descobrissem como
integrar a pasteurização à fabricação dos queijos sem interferir na fermentação
que faz parte de seu processo de produção.45
Nesse contexto, a
palavra “queijo”, sem nenhuma adjetivo para qualifica-la, se refere ao queijo
amarelo comum, que, sem pasteurização nem refrigeração, logo progredia de
curado para estragado. Ela mencionou ter aceitado, em raras ocasiões, um pedaço
de queijo curado quando lhe era servido, mas “não pensava em fazer do queijo
[curado] um artigo da alimentação, muito menos em comprá-lo.” (MR15, 246 [1873];
cf. ME3, 287 [1881]; MR5, 406 [1901]; CRA, 491 [1903]). Em contrapartida, ela
considerava os queijos não curados,
como o cottage e o creeam cheese, alimentos saudáveis que
servia regularmente em sua mesa.46
Quando o livro A Ciência do Bom Viver foi traduzido
para o alemão, em 1906, os trabalhadores escreveram para Ellen White, pedindo
que ela esclarecesse a afirmação de que o queijo “é totalmente impróprio como
alimento” (CBV, 302). Ela estaria condenando todos os tipos de queijo, sem exceção? Em resposta, ela autorizou
que substituíssem a palavra cheese,
queijo em inglês, pela expressão “queijo forte” e omitissem por completo a frase “é totalmente impróprio como
alimento”. Logo, esclareceu que sua intenção era limitar as críticas a
determinada categoria do alimento. A explicação de William White confirma que a
deterioração era, pelo menos, parte do problema. “Se forte não for o termo que
vocês usam [em alemão] para designar o queijo comum do comércio, que é velho e
cheio de veneno, então, por favor, chamem pelo termo apropriado.” Segundo esse
conselho, os tradutores escreveram: “Queijo forte e azedo não deve ser
consumido.”47 Ela também aconselhou moderação, bom senso e respeito
pela consciência individual (CRA, 198, 206, 353).
Em suma, as restrições
de Ellen White em relação ao queijo devem ser lidas no contexto histórico em
que foram feitas. Aquilo que ela escreveu era um bom conselho geral para sua
época. Além disso, o queijo ainda pode ter um alto índice de proteína animal,
gorduras saturadas, colesterol e sal. Os compostos de tiramina no queijo curado
podem desencadear reações alérgicas, hipertensão ou efeitos de alteração nas
células cerebrais. Tudo isso é aliviado quando o queijo é retirado da
alimentação.48
Curiosamente, os
avanços tecnológicos que resolveram os problemas de contaminação e deterioração
levaram a um aumento de 800% no consumo anual de queijo per capita, que hoje gira em torno de 13kg por pessoa na América do
Norte.49
Segundo
Conjunto: apoio parcial ou experimental
O segundo conjunto inclui
aquelas declarações cujas explicações de Ellen White recebem apoio parcial,
experimental e, em alguns casos, crescente da ciência atual. Inclui o perigo
das doenças provocadas por “miasmas”; a conexão entre o consumo de carne de
porco e a lepra; a influência de uma ama de leite sobre o bebê amamentado; e a
grande diferença de idade entre cônjuges. Em algumas dessas afirmações, o
conselho dela parece estar mais avançado do que as descobertas científicas.
Declaração
5, os perigos do miasma, um vapor desagradável ou nocivo:
“Se queremos que nosso lar seja a morada da saúde e da felicidade, devemos colocá-lo
acima da poluição e neblina das baixadas [...] Dispensai as pesadas cortinas,
abri as janelas e persianas, não permitais que trepadeiras, por mais belas que
sejam, vos ensombrem as janelas, nem que nenhuma árvore fique tão próxima da
casa que impeça a luz do Sol de nela penetrar [...] Árvores de sombra e
arbustos cerrados e densos ao redor da casa a tornam insalubre, pois impedem a
livre circulação do ar e os raios do Sol. Em consequência, a umidade toma conta
da casa, especialmente nas estações chuvosas” (LA, 149; cf. CBV, 274, 275;
SG4a, 144). A leitura prática ou de “bom senso” desse conselho indica apenas
que o solo elevado e seco, com ampla circulação de ar puro fornece um ambiente
mais saudável paara o lar do que uma região mal drenada ou pantanosa. Os gases
e vapores [miasma] do material em decomposição no solo pantanoso não
proporciona o ar puro e fresco que estimula a respiração profunda, oxigena o
sangue e revigora o corpo inteiro.
O questionamento acerca
dessa declaração diz respeito à explicação técnica de como as doenças são
transmitida. Alguns a ridicularizavam, atribuindo as enfermidades ao mau
cheiro. Todavia, o conhecimento do século 21 sobre o papel do mofo nas doenças
humanas endossa completamente as advertências de Ellen White. Os bolores se
proliferam em condições de umidade persistente. Nos climas setentrionais, com
verão curto e inverno rigoroso, a friagem do clima é intensificada pela umidade
persistente. Todos esses fatores ficam explícitos ou subentendidos em suas
diversas declarações sobre o assunto (ME2, 463, 464; CBV, 274, 275).
O que falta em seu
conselho, e que certamente seria incluído em uma perspectiva recente é o papel
dos pernilongos na transmissão de doenças. Sua advertência contra a água parada
perto de uma residência descreve as condições nas quais os mosquitos se
reproduzem e proliferam (SG4a, 44), embora ela não mencione esses insetos (SG3,
243; HeR, agosto de 1872). No entanto, seu conselho prático permanece
perfeitamente válido à luz do conhecimento científico atual. Os gases e vapores
de materiais em decomposição, a consequente falta de ar fresco, a presença de
fungos e a possibilidade de outros elementos de contaminação serem transmitidos
pelo ar são reconhecidos hoje como fatores agravantes de alergias e ameaças à
saúde. A friagem do inverno intensificada pela umidade persistente pode não ser
problema para as classes média e alta dos países desenvolvidos, nos quais as
casas são confortavelmente aquecidas durante o frio; mas, no século 19,
sobretudo para os pobres, os perigos do clima frio e úmido não podiam ser
negligenciados.
Declaração
6, lepra por comer carne de porco: A ingestão de carne de
porco tem produzido escrófulas, lepra e humores cancerosos” (SG4a, 146; ME2,
417). “Deus não proibiu os hebreus de comerem carne de porco meramente para
mostrar Sua autoridade, mas porque ela não era artigo de alimentação apropriado
para o homem. Encheria o organismo de escrófulas [forma de tuberculose causada
pelo inchaço das glândulas linfáticas e inflamação das juntas] e, especialmente
nos climas quentes, produziria lepra e moléstias de várias espécies. Sua
influência sobre o organismo naquele clima era muito mais prejudicial do que em
um clima frio” (ME2, 417).50
A questão tem duas
partes: a identidade da lepra bíblica e se o consumo de carne de porco
contribui para sua disseminação. Quanto à relação entre a lepra bíblica e a
moderna, os estudiosos se dividem; porém, há evidência de que a lepra bíblica
incluía uma variedade mais ampla de doenças (como as infecções por fungos) do
que o uso moderno do termo.51 O erudito bíblico Roland K Harrison
argumentou que os sintomas da hanseníase (a lepra moderna) correspondem aos
sintomas da lepra bíblica descrita em levítico 13.52
Esse é outro exemplo no
qual Ellen White parece ter usado ideias comumente aceitas para reforçar um
conselho sensato de saúde. A ligação entre a carne de porco e a lepra –
especialmente em climas quentes – tem um longo histórico em tradições antigas,
especialmente na judaica,53 e também se reflete em comentários
cristãos mais antigos. Por exemplo, a obra Commentary
Critical and Explanatory, on the Whole Bible (“Comentário Crítico e
Explicativo de Toda a Bíblia”), de Jamieson, Fausset e Brown, menciona acerca
de Levítico 11:7: “Em climas quentes, a indulgência à carne suína é
particularmente responsável por causar lepra, escorbuto e erupções cutâneas.” O
palavreado dessas citação é tão semelhante ao de Ellen White que sugere sua
familiaridade com o comentário dos autores ou com outro semelhante.54
Se a conexão entre comer carne de porco e desenvolver lepra era aceita sem
questionamentos em sua época – e ela não recebeu nenhuma luz especial que
dissesse o contrário -, é compreensível que tenha incluído esse risco
reconhecido junto aos outros que citou como mais um motivo para excluir a carne
suína da alimentação.
Sobre as evidências
científicas que relacionam o consumo de porco à lepra, existe um estudo
publicado demonstrando que ratos que se alimentavam de carne suína tinham uma
predisposição muito maior à doença do que aqueles que não a comiam.55 Além
disso, existem evidências de que uma pessoa pode contrair lepra ao comer a
carne de um tatu infectado, animal 20 vezes mais suscetível à hanseníase do que
o ser humano.56 Quer se possa provar que o consumo de carne de porco
aumenta o risco de lepra sob as circunstâncias que Ellen White sugeriu, quer
não, seu conselho certamente é sensato e bíblico (Lv 11:7, 8).57
Declaração
7, a escolha de uma ama de leite. Ellen White recomenda
enfaticamente que a própria mãe amamente o bebê, em vez de dar mamadeira (CRA,
227). Uma terceira opção muito praticada em sua época era que outra mulher
amamentasse o bebê. Ela advertiu que, se isso fosse necessário, a ama deveria
ser física e mentalmente saudável, pois ela “compartilha sua disposição e seu
temperamento com a criança amamentada” (HeR, setembro de 1871). Ellen White
continua: “A vida da criança fica ligada à dela. Se a contratada for uma mulher
do tipo vulgar, impetuosa e irracional; se não for cuidadosa com a moral, é bem
provável que o lactente desenvolva o mesmo jeito, ou similar. A mesma qualidade
rude no sangue, correndo nas veias da ama contratada, estará no [sangue] da
criança.” Alguns questionam a sugestão de que uma ama de leite possa afetar o
caráter moral da criança amamentada. Os mecanismos de transmissão de moralidade
de pai para filho são áreas que as pesquisas científicas estão apenas começando
a explorar.58
Declaração
8, diferença grande de idade entre cônjuges. O casamento
entre “homens idosos” e “jovens” resulta no prolongamento da vida do homem;
porém, a vida da esposa pode ser abreviada pelo fardo de cuidar de um marido
velho (ME2, 423, 424). O primeiro conselho parece atribuir responsabilidade
moral a uma questão de bom senso. No caso do esposo bem mais velho do que a
mulher, o homem vive mais quando se encontra dentro de um casamento feliz e é
bem cuidado. O fardo de cuidar do marido idoso costuma ser extremamente
desgastante para a esposa, e ela pode envelhecer mais rápido sob esse estresse.
Em um conselho
relacionado, Ellen White diz que, quando rapazes se casam com mulheres mais
velhas, os filhos podem nascer com fraquezas físicas e mentais (ibid., 424).59
Isso ainda não era muito reconhecido no século 19, mas se encontra
vastamente documentado hoje. Quanto maior a idade da mulher ao gerar filhos,
maior será a probabilidade de sobrevir defeitos congênitos. Atualmente se
reconhece que a síndrome de Down, cujas características combinam com a
descrição de Ellen White, ocorre com maior frequência em filhos de mulheres
mais velha. Outros problemas congênitos, dentre eles o autismo, são mais
frequentes em filhos de pais mais velhos.6
O mais notável nessa
passagem é que Ellen White relaciona os efeitos prejudiciais nos filhos em
ambas combinações: mulheres mais velhas que têm filhos com homens mais jovens e
homens idosos que têm filhos com mulheres jovens. Somente a partir do século 21 a ciência comprovou que o pai idoso
aumenta os riscos de defeitos congênitos.61 Um estudo publicado
no periódico Human Reprodcction (“Reprodução
Humana”), em julho de 2005, descobriu que, em comparação com um rapaz de menos
de 30 anos de idade, um homem de 45 anos tem um risco quase três vezes maior de
ter um filho com síndrome de Dawn. Homens com mais de 30 anos têm probabilidade
quase cinco vezes maior de ter um filho com Dawn e duas vezes mais chances de
ter um filho com lábio leporino. O risco começa a aumentar quando a idade do
pai varia entre 35 e 40.62 Hoje está provado que “a idade avançada
do pai está ligada a uma série de doenças” e “malformações congênitas.”63 Ao
que tudo indica, o conselho de Ellen White a esse respeito estava à frente do
conhecimento científico de seu tempo.
Deve-se destacar que a
declaração acerca de cônjuges com idade muito diferentes não sugere que esses
casamentos nunca são recomendáveis, mas que é preciso ter muita cautela para
não tomar tal decisão de maneira apressada, sem analisar as possíveis
consequências. O fato de ter aprovado especificamente três casamentos de
pessoas próximas a ela, apesar da grande diferença de idade entre os cônjuges,
sugere que outros fatores podem superar essa questão. Stephen N. Haskell tinha
64 anos quando se casou com Hetty Hurd, de 40 (Cid, 114). Geoge I. Butler, aos
68 anos, desejava se casar com Lorena Waite, de 33, e Ellen White foi favorável
ao casamento planejado. Entretanto, outras pessoas não apoiaram e prejudicaram
as intenções de Butler (ibid., 115-120). Cinco anos depois, aos 73 anos, ele se
casou com Elizabeth Work Grainger, de 61. É significativo que nem os Haskell
nem os Butler tenham gerado filhos no segundo casamento. Em contrapartida,
Whilliam White tinha 40 anos quando se casou com Ethel May Lacey, de 21, e eles
tiveram cinco filhos; o último, quando ela estava com 38 anos e Willie, com 59.64
Terceiro
conjunto: parcial ou amplamente não confirmadas
O terceiro conjunto de
declarações a ser analisadas são aquelas que concordavam com o pensamento
comumente aceito na época em que foram proferidas, mas permanecem parcial ou
totalmente não confirmadas pela ciência do século 21, tais como a causa dos
vulcões, a altura dos antediluvianos, a amalgamação entre seres humanos e
animais e os efeitos físicos da masturbação.
Declaração
9, causas dos terremotos e erupções vulcânicas. Esse
assunto foi escrito em referência aos efeitos remanescentes do dilúvio.
“Florestas imensas”, enterradas sob a terra” “as rochas são intensamente
aquecidas, o calcário é queimado e o minério de ferro derrete. A água e o fogo
sob a superfície da Terra se encontram. A ação da água sobre o calcário
acrescenta fúria ao calor intenso, provocando terremotos, vulcões e incêndios”
(SG3, 79, 80). Não existe nenhuma teoria atual do vulcanismo que apoie os
mecanismos geológicos precisos que ela descreve, embora exista apoio para
várias de suas declarações. Por exemplo, em Geology
of Coal (“Geologia do Carvão”), Otto Stutzer documenta que “incêndios
subterrâneos nas camadas de carvão são provocados por combustão espontânea,
resultando no derretimento de rochas da região, as quais são classificadas como
depósitos pseudovulcânicos.” Stutzer cita vários exemplos, incluindo “uma
montanha em chamas, um afloramento que “durou mais de 150 anos” e “o calor de
uma camada de carvão em chamas usada para o aquecimento de estufas em
determinada área entre 1839 e 1868.”65 Mais recentemente, Glenn
Stracher argumentou em Geology oj Coal
Fires: Case Studies From Around the World (“Geologia dos Incêndios de
Carvão: Estudos de Caso ao Redor do Mundo”) que o carvão incendiado debaixo da
Terra começa por meio de um processo espontâneo de combustão. O carvão é
exposto ao ar em baixa temperatura e, mediante um processo lento de oxidação,
se aquece com o tempo. À medida que a temperatura aumenta, o processo de
oxidação ganha velocidade exponencial e é provável que resulte em fogo.66 Nesse
assunto, Ellen White parece fundamentar sua mensagem com informações comumente
aceitas em sua época; porém, hoje se sabe que elas estavam incorretas em
detalhes importantes.
Declaração
10, a altura dos antediluvianos e fósseis gigantes. Em
1864, Ellen White escreveu que Adão tinha o dobro da altura dos homens modernos
(SG3, 34). A passagem paralela em Patriarcas
e Profetas (1890) faz a afirmação mais moderada de que “a altura de Adão
era muito maior dom que a dos homens que hoje habitam a Terra” (PP, 18). Essas
declarações foram feitas com base em suas visões. Posteriormente, acrescentou
que “geólogos” afirmavam ter encontrado “ossos de humanos e animais, bem como
instrumentos de guerras, árvores petrificadas, etc., muito maiores do que qualquer
que hoje exista”. Com base nisso, esses geólogos interferiram a existência de
“uma raça de seres grandemente superiores em tamanho a quaisquer homens que
hoje vivam” (ibid., 71). Esse parece um exemplo de uso do conhecimento
comumente aceito na época para tornar mais vívido e digno de credibilidade
aquilo que ela havia dito com base nas visões. No entanto, a declaração sobre
as evidências fósseis não se baseia na revelação; mas, sim, em relatos de
geólogos daquele período. A afirmação da existência de fósseis de seres humanos
gigantes continua a ser feita atualmente na internet por pesquisadores sérios,
sendo questionada com veemência por outros.67 Leia sobre a opinião
de Ellen White acerca da criação e da evolução no verbete *A Bíblia e as
ciências da Terra, [na Enciclopédia Ellen G. White].
Declaração
11, amalgamação entre seres humanos e animais.68 “Se
houve um pecado, acima de todos os outros, que invoca a destruição da raça pelo
dilúvio, foi o crime vulgar da amalgamação entre seres humanos e animais, que
contaminou a imagem de Deus e causou confusão por toda parte” Além disso: “as
espécies confusas que Deus não criou, que foram resultado da amalgamação, foram destruídas pelo dilúvio. Desde o dilúvio, tem ocorrido a amalgamação entre
seres humanos e animais, conforme se pode notar nas quase infinitas variedades
de espécies animais e em algumas raças de homens” (SG3, 75). Essas afirmações
foram reimpressas em 1870 (SP1, 69, 78), mas omitidas em 1890, quando a seção
foi revisada para a publicação da obra Patriarcas
e Profetas (PP, 81, 82; cf. ME3, 452).
A construção gramatical
das frases, o contexto e outros usos que Ellen White faz do termo “amalgamação”
permitem várias interpretações. A amalgamação entre seres humanos e animais diz
respeito: (1) ao bestialismo, crime punido com a morte tanto de indivíduos
quanto de animais envolvidos, chamado de “confusão” na versão Almeida Revista e
Atualizada (Lv 20:15, 16; 18:23); e/ou (2) à combinação genética dos genomas
humano e animal a fim de criar aberrações. A referência de Ellen White à
amalgamação como “um crime vulgar”, que causa “confusão” de espécies, é bem
semelhante à terminologia da versão Bíblia King James e se adequa aos critérios
principais do contexto literário imediato.
Francis D. Nichol
argumenta em prol de uma leitura gramatical alternativa: “amalgamação de seres
humanos[,] e [amalgamação de] animais”, referindo-se no nível humano à (3)
misturas de raças, especificamente, o casamento dos descendentes justos de Sete
com a “raça perversa de Caim”, antes do dilúvio (SG3, 60) e; no nível animal, à
(4) produção de “espécies confusas” de animais, “que Deus não criou” e não
sobreviveram ao dilúvio (dinossauro) (ver ibid., 53, 54, 60-64).69 Os
pontos de vista (3) e (4) não parecem se encaixar tão bem nas conotações
comumente presumidas no contexto inicial quanto as interpretações (1) e (2).No
entanto estão em harmonia com os usos posteriores do termo “amalgamação” por
Ellen White. Ao se referir a (5) surgimento de cardos e abrolhos (Gn 3:18), ela
escreveu: “Toda erva nociva é de sua semeadura [de Satanás], e por seus métodos
engenhosos de amálgama [engenharia genética maliciosas das plantas] ele
corrompeu a Terra com joio” (Ms 65, 1899; em ME2, 288; BC1, 1086; MR16, 247).70
Por fim, (6) ela usava “amalgamação” no sentido moral, para se referir ao
declínio moral dos justos quando se associam aos perversos. “Pela união com o
mundo, o caráter do povo de Deus é manchado, e, mediante a amalgamação com os
corruptos, o fino ouro se embaça” (RH, 23 de agosto de 1892).
O aspecto mais
perturbador das afirmações sobre a amalgamação são seus desdobramentos
potencialmente racistas. Dois anos
depois da primeira publicação acerca do tema os ex-adventistas B. F. Snook e
William H. Brinkerhoff lançaram um panfleto alegando que as “visões [ensinavam]
que a raça negra não [era] humana” (itálico
no original) e não fora criada por Deus.71 Em resposta a Snook e
Brinkerhoff, o editor da Adventist
Review, Uriah Smith, negou a inferência, destacando que, independentemente
da etnia a que se referissem as declarações sobre amalgamação, ela continuava a
ser chamada de humana, não sub-humana.72 Smith parecia concordar que
algumas “raças de seres humanos que hoje existem” poderiam ser aberrações de
homens e animais, citando a afirmação de naturalistas anônimos de que “a linha
divisória entre as raças humana e animal se perdeu em confusão”. Ele também fez
a seguinte ressalva: “ao preparar essas respostas [a Snook e Brinkerhoff], não
fizemos nenhuma consulta à irmã White, nem recebemos nenhuma sugestão ou
explicação dela sobre qualquer aspecto. Nós tomamos as visões conforme foram
publicadas” – escreveu – “e baseamos nossa interpretação de qualquer aparente
discrepância na linguagem dos escritos”.73
Qualquer que tenha sido
o significado que ellen White tinha em mente nos trechos sobre amalgamação, a
interpretação de que ela não considerava os negros completamente humanos é uma
contradição direta ao teor global de seus escritos sobre etnias, de 1851 a
1909. Por diversas vezes, ela afirmou tanto a humanidade plena (SG1, 191; T1,
358), quanto a origem criacionista (T7, 223) da etnia negra. Segue-se uma
minúscula amostra das centenas de páginas que ela escreveu contra o racismo,
apoiando a plena humanidade dos negros (ver SW).74
Em 1851, 13 anos antes de escrever as declarações sobre
amalgamação ela contrastou o “piedoso escravo” que se levantaria “em triunfo e
vitória e [sacudiria] as cadeias que o prendiam”, com o “ímpio senhor” que
enfrentaria o juízo de Deus (ExV, 18; reimpresso em PE, 35). Em 1858, defendeu
com fervor a humanidade dos africanos
cativos: “As lágrimas de piedosos escravos tanto homens como mulheres, de pais,
mães e crianças, de irmãos e irmãs, acumularam-se nos Céus.” Agonia, agonia humana, é levada de um lugar para
o outro, é comprada e vendida.” Com grande indignação, ela denunciou “professos
cristãos” que mantinham “seres humanos em
escravidão” e “[oprimiam] cruelmente os seus semelhantes dia após dia” (SG1, 191, itálico acrescentado; cf. PE,
275). Em 1859, desafiou os adventistas a ignorarem a lei do escravo fugitivo
independentemente das consequências (T1, 201).
Em 1861, Ellen White
concluiu que a guerra civil norte-americana era o castigo divino sobre a “nação
pelo hediondo crime da escravidão” (ibid., 264). Em 1863, um ano antes das
declarações sobre amalgamação, ela afirmou: “Cristo morreu por toda a família
humana, sejam brancos ou negros. Deus fez o homem como agente moral livre, quer
brancos quer negros. A instituição da escravatura [...] permite exercer sobre o
seu semelhante um poder que Deus nunca lhe conferiu, e que pertence somente ao
Senhor” (ibid., 358). Duas páginas depois, ela encarregou solenemente os
adventistas de excluir do rol de membros todos aqueles que defendessem pontos
de vista favoráveis à escravidão (ibid., 360). Além disso, foi específica ao
declarar que negros e brancos são iguais “pela criação e redenção” (T7, 223).
“O nome do homem de cor é escrito no livro da vida, ao lado do nome do branco.
Todos são um em Cristo. Nascimento, posição, nacionalidade ou cor não podem
elevar nem degradar os homens” (Ms 6, 1891, em ME2, 342).
Suas centenas de
páginas de escritos enérgicos a favor dos negros e contra a escravidão dão
fortes evidências de que, qualquer que tenha sido o significado pretendido nas
duas breves e enigmáticas declarações sobre amalgamação, sua crença na total
igualdade espiritual, moral e intelectual da etnia negra em relação às demais
está além de qualquer questionamento. De acordo com Delbert Baker, um dos mais
preeminentes eruditos acerca da história do adventismo entre os negros, “Ellen
White tem todo direito de ser chamada de inauguradora da obra entre os negros.
Nenhuma pessoa exerceu maior impacto sobre a inclusão e o status dos negros dentro da Igreja Adventista. É impossível falar
sobre a história do adventismo entre os negros sem referências constantes a
suas contribuições [...] Haveria pouca esperança para a obra entre os negros se
Ellen White não tivesse defendido a causa”.75
Ao observar que nos
Estados Unidos do século 19 um dos sentidos da palavra “amalgamação” se referia
o casamento inter-racial,76 alguns se perguntam se ela considerava
esse ato um pecado tão hediondo a ponto de ter provocado o dilúvio.77 Essa
interpretação não tem embasamento nenhum. Ela deu conselhos contrários ao
casamento inter-racial não por ser inerentemente pecaminoso; mas, em virtude
das dificuldades sociais que os casais inter-raciais enfrentavam em uma
sociedade hostil, segregada e pós-escravocrata. Essas consequências recaiam de
modo especial sobre os filhos que, naquela cultura, muitas vezes não se sentiam
totalmente aceitos por nenhum dos grandes grupos sociais (ME2, 343, 344).
Contudo, ela não criticou o casamento inter-racial por motivos morais ou
teológicos (PP, 383).
Por causa da brevidade
e ambiguidade inerente às declarações sobre amalgamação, e do fato de Ellen
White nunca ter esclarecido em público o que queria dizer, várias das
interpretações podem ser viáveis. Da perspectiva da ciência atual, nenhuma
delas é impossível. Misturas genéticas entre humanos e animais são realizadas
rotineiramente hoje em dia nos laboratórios de biologia molecular.78 Mas
controversas ainda são as misturas feitas entre células embrionárias de humanos
e animais.79 É irônico constatar que, da perspectiva científica, o
problema com as declarações de Ellen White sobre amalgamação não é o fato de
não serem verdadeiras; mas, a realidade de que podem ser verdadeiras de tantas
formas que é difícil entender exatamente o que ela quis dizer.
Declaração
12, masturbação. Ellen
White fez diversas advertências contra essa prática, descrevendo suas
possíveis consequências para a saúde física, mental e moral (ver T2, 347, 361,
391, 392, 402-410, 469, 470, 481; T4, 97; T5, 78, 91; OC, 444, 445, 457, 458).80
Uma questão importante é o significado preciso da linguagem utilizada.
Ela não usou a palavra “masturbação”, que tem uma definição específica. Ao usar
os eufemismos vitorianos “vício secreto”, “vício solitário” ou “abuso próprio”,
a que ato ela estava se referindo: à masturbação ocasional ou à masturbação
habitual e compulsiva? Parte de seu vocabulário indica uma “prática”
repetitiva, habitual (ApM, 18). Caso ela estivesse falando sobre a masturbação
compulsiva, então, algumas de suas descrições acerca dos efeitos físicos
concordam com aquilo que especialistas contemporâneos dizem acerca do vício em
sexo.
De acordo com o
terapeuta Robert Weiis, por exemplo, a masturbação frequente estimula várias
reações químicas no corpo, “resultando na superprodução de hormônios sexuais e
neurotransmissores.” Essa situação provoca “uma grande mudança da química
corporal”.81 O psicólogo William M. Struthers, autor de Wered for Intimacy: How Pronography Hijacks
the male Brain (“Projetado para a Intimidade: Como a Pornografia Sequestra
o Cérebro Masculino”), declara que “masturbar-se é brincar com fogo neuroquímico”,
porque “afeta o indivíduo emocional e neurologicamente”. Citando vários estudos
científicos , Struthers afirma que os
homens que se masturbam compulsivamente “sofrem de depressão, problemas de
memória, falta de foco, dificuldade de concentração, fadiga, dor nas costas,
menos ereções, ejaculação precoce e dor testicular ou pélvica”.82 Talvez
a ciência só esteja começando a descobrir o impacto da masturbação compulsiva
sobre o físico.
Uma característica
notável dos conselhos de Ellen White sobre a masturbação é o número de vezes
que ela usa a palavra “mente”, uma vez que “há mais envolvimento na mente do
que puramente no físico”.83 Por exemplo, ela escreveu que
“pensamentos impuros se apoderam da imaginação, a controlam e fascinam a mente”
e a “mente sente prazer em contemplar cenas que despertam as paixões mais
baixas e vis”. O resultado é uma “imaginação corrupta”. Portanto, “a primeira
obra” de reforma é “purificar a imaginação”. A “mente” deve “ser estimulada no
que é correto” (ver ibid., 1-32; OC, 439-468; T4, 198; T2, 346-411, 468-471).
Essa ênfase nos processos de pensamento tem relevância especial para os
cristãos do século 21, que vivem em meio a uma cultura “saturada de
pornografia”.84
Outras possíveis
consequências da masturbação à saúde mental variam desde o gasto excessivo de
enrgia nervosa até deficiências nutricionais. O doutor Carl C. Pfeiffer,
autoridade em zinco na área de nutrição, escreveu: “Odiamos ter de dizer isto,;
mas, no adolescente com deficiência em zinco, a excitação sexual e a
masturbação excessiva podem precipitar a insanidade”.85 Outro
pesquisador, o doutor David F. Harrobin concorda: “É até mesmo possível, dada a
importância do zinco para o cérebro, que os moralistas do século 19 estivessem
corretos ao dizer que a masturbação excessiva podia levar à loucura
[insanidade]!”86
Quanto aos efeitos da
masturbação sobre o desenvolvimento moral
e espiritual, o ensino de Cristo de que os pensamentos impuros constituem
uma violação do sétimo mandamento (Mt 5:28) certamente tem implicações para
essa prática habitual.
O aspecto mais
ridicularizado das afirmações de Ellen White é a existência de possíveis
consequências da masturbação sobre a saúde
física. Em sua explicação sobre o assunto – Na Appeal to Mothers (“Um Apelo às Mães”), de 1864 – ela escreveu,
por exemplo, que a prática continuada da masturbação pode prejudicar “o fígado
e os pulmões”, causar “neuralgia, reumatismo, afetar a coluna, provocador
doenças nos rins e predisposições cancerosas” (ApM, 18).87 Além
disso, escreveu que pode danificar olhos e músculos, causando fadiga, dor de
cabeça e doenças de quase todo os tipos (T2, 402, 404, 481; OC, 444). “O vício
secreto” – escreveu em 1876 – “está matando milhares e dezenas de milhares”
(T4, 97). Os críticos argumentam que a ciência moderna não confirmou nenhuma
dessas declarações e que Ellen White era, portanto, fruto de sua época,
copiando os médicos e moralistas daqueles dias, os quais acreditavam
incorretamente que o “vício secreto” era responsável pela maioria das
enfermidade físicas e mentais.88
Embora existam
semelhanças entre os escritos de Ellen White sobre masturbação e a opinião dos
médicos de seus dias, também há diferenças significativas.89 Por
exemplo, em nenhuma parte de seus conselhos ela defende as formas extremas de
cura usadas naquele período, como circuncisão, cintos de castidade, medicações
fortes e clitoridectomias. Também não recomendou o uso de bandagens nos órgãos
sexuais à noite, nem amarrar as mãos à cabeceira da cama.90 Os
remédios que indicava eram simples: alimentação saudável, exercício,
arrependimento, supervisão adequada dos pais e evitar literatura sexualmente
estimulante.91
Até o presente, porém,
nenhuma pesquisa científica relacionou a masturbação a doenças nos órgãos,
câncer ou morte. Na ausência de evidências específicas que embasem as
declarações de Ellen White acerca das consequências físicas dessa prática,
existem pelo menos duas opções interpretativas. A primeira seria considerar
essencialmente corretos tantos os conselhos quanto suas explicações, na
expectativa de que o avanço da ciência acabe por confirmar que ela estava
correta. Em várias questões importantes de saúde – incluindo o tabaco como
causa de câncer, as vantagens da alimentação vegetariana e os riscos de homens
mais velhos terem filhos – seus conselhos pareciam estar errados inicialmente;
mas, com o tempo provaram ser verdadeiros.
A segunda opção
interpretativa seria fazer distinção entre instrução e explicação, considerando
verdadeira a instrução; porém, avaliando que a explicação, baseada em fontes da
época, exagerava nas consequências. Os defensores desse ponto de vista
argumentam que, da mesma maneira que Ellen White revisou alguns detalhes em O Grande Conflito para se adequar melhor
aos dados históricos, ela teria atualizado algumas de suas declarações sobre os
resultados físicos da masturbação, caso ainda estivesse escrevendo quando
informações adicionais se tornaram disponíveis. A fim de apoiar essa
perspectiva, alguns citam que suas obras posteriores introduzem avanços sutis
na linha de pensamento.
Por exemplo, embora A Ciência do Bom Viver(1905) mencione o
“vício” em contextos paralelos ao das declarações anteriores (CBV, 227), a
referência explícita à masturbação e a lista de doenças resultantes se
encontram ausentes. Essa opinião interpretativa considera seu conselho sobre a
prática um exemplo da adoção de ideias comumente aceitas a fim de ratificar
conselhos sensatos. Mesmo que se demonstrasse que a explicação de Ellen White sobre as consequências físicas do ato foi
exagerada, a instrução básica
continuaria sendo válida: para os cristãos que lutam no processo de
santificação, a masturbação representa uma indulgência egocêntrica que está aquém
do ideal de Deus e, por isso, é moral e espiritualmente prejudicial.92 Além
disso, se a saúde mental e espiritual exerce influência direta sobre a saúde
física, conclui-se que a prática viciante do sexo autoestimulado também é
danosa ao corpo.
Conclusão
As três premissas
interpretativas apresentadas no início deste artigo conseguem explicar as 12
declarações destacadas. Primeiro, as Escrituras retratam um Deus infalível que
comunica verdades eternas em linguagem humana imperfeita, por meio de profetas
que não eram infalíveis, nem livres de erro. O resultado é um “tesouro em vasos
de barro”: verdades eternas e imutáveis contidas em linguagem e padrões de
pensamento humanos, imperfeitos e transitórios. Segundo, uma vez que o conhecimento humano se encontra em
constante evolução, com o passar do tempo, as declarações da ciência, em
qualquer contexto histórico, sempre serão consideradas incompletas e
imperfeitas, apesar de sua adaptação
inspirada às necessidades do público original. Terceiro, a instrução inspirada, por se basear em
princípios eternos, tem valor duradouro, mesmo se for embasada em explicações humanas adaptadas ao público
original – explicações humanas que,
por causa do tempo e das mudanças, por fim, serão menos convincentes para as gerações
futuras.
Assim,
os adventistas creem que as instruções básicas
de Ellen White para seus leitores consistem em bons conselhos para as
circunstâncias em que foram proferidas. Mesmo nos casos em que a explicação parece ultrapassada, a instrução é válida e os leitores que a seguirem com bom senso se
beneficiarão por fazê-lo. Gary E. Fraser, médico pesquisador da Universidade de
Loma Linda, documentou mais de 300 publicações revisadas por colegas na
literatura científica demonstrando que as pessoas que adotam os conselhos de
Ellen White sobre saúde – entendendo totalmente ou não os motivos por trás
deles – têm expectativa de vida significativamente mais longa e menos doenças
crônicas do que a população em geral.93
*Roger
W. Coon lançou as bases para a produção deste artigo na
matéria Escritos de Ellen G. White, do Seminário teológico Adventista da
Universidade de Andrews, a qual lecionou entre 1978 a 1995. Sua palestra “Ellen
G. White, Science and Faith: Part I: the ‘Problem’ Staments” [“Ellen G. White,
Ciência e Fé; Parte I, as Declarações ‘Problemáticas’”] (ver. 9 de maio de
1995, CAR) serviu de ponto de partida para esta revisão e atualização. Timothy
G. Standish contribuiu com os três primeiros parágrafos do artigo e, junto a Michael
Campbell, com a parte sobre amalgamação.
1 William
G. Rothstein, American Physicians in the
Nineteenth Century: From Sects to Science (Baltimore:Johns Hopkins
University Press, 1972), p. 45-55, 194, 261-266.
2 Sobre
a distinção entre autoridade profética canônica e não canônica, ver Jud Lake, Ellen White Under Fire (Pacific Press,
2010), cap. 8.
3 J.
Moon, W. C. White and Ellen G. White, the
Revelationship Between the Prophet and the San (Andrews University Press,
1993), p. 247-436.
4 “O
que o poder humano pode fazer, o divino não é solicitado a realizar” (DTN, p.
375).
5 Ver
em Lake, cap. 5 e 6, os aspectos verticais e horizontais da
revelação-inspiração. Confira uma ilustração bíblica da combinação do
conhecimento revelado e comum em 1 Coríntios 1:10-17. Os cristãos aceitam que a
passagem inteira é inspirada e detém autoridade teológica (ver, especialmente,
o v. 17). Todavia, os v. 11 e 12 incluem informações comuns transmitidas pela
família de Cloe, e os v. 14 e 16 se baseiam na memória pessoal de Paulo. O
interessante é que o lapso de memória do apóstolo, entre os v. 14 e 16, acaba
fortalecendo sua tese: o fato de não conseguir se lembrar de quem ele havia
batizado confere credibilidade a sua afirmação de que batizar não era sua
missão principal (. 17).
6 W.
C. White a Nossos Agentes Missionários Gerais, 24 de julho de 1911; W. C. White
aos Membros da Comissão de Publicações, 25 de julho de 1911, EGWE-AG, “The
Great Controversy – 1911 Edition: A Statement Made by W. C. White before the
General Conference Council, Octuber 30, 1911”, Apêndice A, em ME3, 433-440.
7 As
“figuras instantâneas” eram um tipo primitivo de fotografia, ou
seja, as “figuras” eram análogas a fotografias.
8 WCW
a Nossos Agentes Missionários Gerais, 24 de julho de 1911.
9 WCW
“The Visions of Ellen G. White”, 17 de dezembro de 1905, p. 5, DocE.
10 WCW
a S. N. Haskelll, 31 de outubro, 4 de novembro de 1912; W. C. White a W. W.
Eastman, 4 de novembro de 1912.
11 WCW
a S. N. Haskelll, 31 de outubro de 1912; leia sobre o contexto dessa carta em
George R. Knight, “The Case of the Overlooked Postscript: A Footnote on
Inspitation”, Ministry, agosto de 1997.
12 WCW a S. N. Haskelll, 31 de outubro de 1912.
13 WCW
a S. N. Haskelll, 4 de novembro de 1912 (itálico acrescentado); W. C. White a
W. W. Eastman, 4 de novembro de 1912.
14 W.
C. White a W. W. Eastman, 4 de novembro de 1912 (itálico acrescentado).
15
Ibid. (itálico acrescentado).
16 Ver
Lake, cap. 11, sobre “quadro mais amplo” nos escritos de Ellen White.
17 Moon,
p. 429-436.
18 Ver
Lake, cap. 11, sobre “quadro mais amplo” nos escritos de Ellen White.
19 David Neff, Ellen White’s Theological and Literary Indebtedness to
Calvin Stowe” (artigo, 1979, CAR); Cutado por Robert W. Olson, 101 Questions on the Sanctuary and on Ellen
White (EGWE, 1981), p. 104, 105. Para exemplos na área
de saúde, Don S. McMahon observou que ellen White mudou declarações incorretas
da época sobre saúde, tornando-as verdadeiras por meio de modificações no
vocabulário. Don S, McMahon, Acquired or Inspired? Exploring the Origins
of the Adventist Lifestyle (Victoria, Austrália: Signs Pub. Co., 2005), p.
141; cf. p. 116.
20 Por
exemplo, o Apocalipse foi escrito para ser a verdade revelada acerca do
conflito entre Deus e Satanás, não para servir de livro didático de gramática
grega.
21 As
mensagens proféticas foram dadas para o êxito na vida real (Dt 6:6-9; 2Cr
20:20), para “fins práticos” (ME1, 20). Em consequência, Ellen White faz apelos
frequentes ao “bom senso” em questões de saúde, religião e da vida como um todo
(CPPE, 257; Ed, 220; Ev, 540). “A Bíblia com suas preciosas gemas de verdade
não foi escrita para o sábio somente. Ao contrário, destina-se ao povo comum; e
a interpretação
que lhe dá o povo comum, quando auxiliado pelo Espírito Santo, harmoniza-se
melhor com a verdade como é em Jesus” (T5, 331; itálico acrescentado).
Presumir um significado técnico quando ele não existe pode levar à
interpretação incorreta da mensagem profética.
22 Ela
recusou energicamente tanto a infalibilidade quanto a ausência de erro. “Com
relação a infalibilidade, nunca a pretendi; unicamente Deus é infalível. Sua
palavra é a verdade, e não há nEle mudança ou sombra de variação” (ct 10, 1895,
citado em ME1, 37). “Desejo que o eu se oculte em Jesus. Desejo que o eu seja
crucificado. Não reivindico infalibilidade ou mesmo perfeição de caráter
cristão. Não estou isenta de erros e equívocos na minha vida. Tivesse eu
seguido meu Salvador mais de perto, não teria que lamentar tanto a minha
dessemelhança com Sua preciosa imagem” (Ct 27, 1876, em FD, 220). Um exemplo de
falibilidade são os erros na educação dos filhos que, posteriormente, lhe foram
apontados em visões (EGW, “Testimony for James and Ellen White’s Family”, sem
data, Ms 8, 1862; EGW, “Testimony regarding James and Ellen White’s, 6 de julho
de 1863, Ms 1, 1863). Outro exemplo de falibilidade é o incidente de 19 de
outubro de 1902. Em concílio com Arthur G. Daniells, presidente da Associação
Geral, e outros líderes da igreja, Ellen White aprovou o plano de fechar a Editora
do Sul, em Nashiville, por causa das dívidas e constantes perdas financeiras.
Na noite seguinte, ela teve uma visão na qual foi reprovada por aconselhar
erroneamente, baseada em informações incompletas. A Sra. White imediatamente
escreveu uma carta a Daniells, relatando a visão e retratando o conselho que
havia dado. Ele ficou perplexo, mas se lembrou da experiência de Natã e Davi em
I Crônicas 17:1 a 4. Por três noites consecutivas, Ellen White teve visões que
a instruíram sobre o erro e explicaram porque ela o havia cometido (ver Bio5,
191-197; Mon, p. 381-389).
23 Don S, McMahon, “Probability”, em Acquired or Inspired? Exploring the Origins
of the Adventist Lifestyle (Warburton, Austrália: Signs, 2005), p. 122-138.
24 Ver G. E. Fraser, Diet, Life
Expectancy, and Chronic Disease: Studies of Seventh-Day Adventist and Other
Vegetarians (Oxford: Oxford University Press, 2003), p. viii, 47, 58.
25 “Aquilo
que era verdade no princípio continua a ser verdade hoje. Embora verdades novas
e importantes, apropriadas para as gerações futuras, tenham se aberto em
entendimento, as revelações presentes não contradizem as do passado. Cada nova
compreensão torna as antigas mais significativas” (RH, 2 de março de 1886; cf.
GC, 297).
26 Por
exemplo, desde 1930, quando Plutão foi descoberto, considerava-se a existência
de nove planetas conhecidos no sistema solar. Esse número mudou com a
descoberta de Éris, objeto semelhante a um planeta, um pouco maior do que
Plutão. Em vez de reconhecer 12 planetas ou mais de tamanho menor, a União
Astronômica Internacional escreveu uma definição formal de “planeta” na qual se
encaixam apenas oito. Plutão e vários
objetos de tamanho semelhante são agora chamados de planeta anões (J. Adler, em
Newsweek, 4 de outubro de 2006).
27 Leonard
R. Brand (“Do Rabbits Chew the Cud?”, Origins 4, nº 2 [1977], p. 102-104)
apresenta argumentos convincentes de que a coprofagia [prática de se alimentar
das próprias fezes] dos coelhos é biologicamente análoga à ruminação de bois,
ovelhas e antílopes. Contudo, ele admite que, quando os coelhos ingerem as
fezes, “eles parecem engoli[-las] inteiras, sem mastigar”. Ele está certo de
que Levítico 11:6 contém um erro. Todavia, continua a ser um exemplo de
instrução inspirada que não foi apresentada em termos científicos modernos;
mas, em linguagem simples, adaptada ao conhecimento comum daqueles que a
receberam.
28 Roger W. Coon, esboço de palestra, Universidade Andrews, “Ellen G.
White, Science, and Faith: Part I, the ‘Problem’ Statements”, rev., 9 de maio
de 1995, p. 13, 14, em CAR.
29 Ver Leonard R. Brand e Don S, McMahon, The Prophet and Her Critics (Pacific Press, 2005).
30 A
fim de proteger o livre-arbítrio humano, Deus não sobrecarrega a humanidade com
provas irrefutáveis do bom senso de suas instruções. Em vez disso, Ele promete
que aqueles que escolherem voluntariamente fazer sua vontade terão informações
suficientes para agir (Jo 17:17). Ele provê evidências razoáveis para crer, mas
não tantas a fim de tornar a crença obrigatória, e a dúvida, impossível. Por
isso, Ellen White defendia uma fé inteligente, baseada não em provas
inquestionáveis; mas, no peso das evidências (DTN, 458).
31 Confira
em Elisabeth McClellan, History of
American Costume 1607-1870 (Nova York: Tudo Publishing Company, 1969), p.
486, 487, uma descrição detalhada do “coque falso”, também chamado de
“cachoeira”.
32 “The False Hair Industry”, The
Watchman, agosto de 1910.
33 Em
janeiro do mesmo ano, o periódico Health
Reformer relatou o incidente de uma mulher que, após usar uma peruca de
juta, foi infectada por parasitas que se instalaram em seu couro cabeludo.
Citando as publicações Statesman (“Estadista”),
de Marshall, e Republican (“Republicano”),
de Springfield (Massachusetts), o artigo afirmou: “Essa senhora consultou
vários médicos, mas não conseguiu ajuda. Ela usou todas as aplicações que
prometem alívio, mas completamente em vão. É descrita como quase louca, por
causa do terrível sofrimento, e enfrenta a perspectiva de uma morte terrível,
que os médicos não parecem ser capazes de deter” (HeR, janeiro de 1871). Sem
dúvida, ao trabalhar com o periódico The
Health Reformer,
Ellen White estava familiarizada com essa história e se lembrou dela ao
escrever que “muitos” haviam “perdido a razão” e “se tornado insanos, sem
esperança de recuperação” (HeR, outubro de 1871).
34 Por
causa de alguns termos que Ellen White usou nesse artigo, como “órgãos animais”
e “calor não natural”, em referência ao cérebro, alguns conjecturam que ela
acreditava em frenologia (ver Frenologia). Embora ela possa ter usado
vocabulário em comum com os frenólogos, não há indícios em seus escritos de que
acreditasse nessa teoria (ver discussão sobre o assunto em “A Critique of the
Book Prophetess of Health”, preparada pela equipe Ellen G. White Estate, p. 69,
70, on-line em www.whiteestate.org/issues/prophetessof-health.pdf).
35 Veja
uma descrição contemporânea de envenenamento agudo por chumbo: “Os sintomas
neurológicos de envenenamento agudo costuma ser parestesia, dor, fraqueza
muscular, encefalopatia (raro) com dor de cabeça, convulsões, delírio e coma”
(J. M. S. Pearce, “Burton’s Line in Lead Poisoning”, European Neurology 57, nº 2: [2007], , p. 119). Confira também L. L. Brunton, D. Blumenthal, I.
Buxton, K. L. Parker, eds., “Priciples of Toxicology”, em Goodman and Giman’s Manual of Pharmacology and Therapeutics (McGraw-Hill, 2008), p. 113].
36 Confira
em J. J. Du Mortier, “Lead Poisoning”, Yale
Journal of Biology and Medicine 2, n º 2 (dezembro de 1929), p. 149, uma
descrição semelhante paralisia provocada por envenenamento com chumbo.
37 “Brief History of Beauty and Hygiene Products”, Duke University, on-line em http://library.duke.edu/digital-collections/adaccess/guide/cosmetics; Thomas Oliver, Lead
Poisoning: Froom the Industrial, Mediacal, and Social Points of View (Nova
York: Paul B. Hoeber, 1914), p. 113, 114. Em 1925, o
envenenamento com chumbo ainda resultava do uso de cosméticos, segundo Joseph
C. Aub, Lawrece T. Fairhall, A. S. Minot e Paul Reznikoff, “Lead Poisoning”, Medicine
4,
n º 1, 2 (dezembro de 1925), p. 4-8. Ver também http://en.wikipedia.org/wiki/Leadpoisoning,
“History”, acesso em 15 de janeiro de 2012.
38 Ver Du Mortier, “Lead Poisoning”, e Rebeca C. Gracia e wayne R. Snodgrass,
“Lead Toxicity and Celation Therapy”, The
American Journal of
Health-System Pharmacy 64 (1º de janeiro de 2007), p. 49.
39 Erica E. Good, “Putting the Lid on Dangerous Dinnerware”, U. S. News and World Report, 10 de Agosto de
1987; ver também a nota 37.
40 Transcrição
do programa “News From Medicine” (“Notícias da Medicina”), do canal Cable
Network News Television, domingo, 10 de setembro de 1988, 20h30, horário de
verão da costa leste norte-americana;
ver também “News From Congressman Ron Wyden”, discurso de abertura do
congressista Ron Wyden (Democrata, Oregon), em uma audiência sobre cosméticos,
saúde e questões de segurança perante a Subcomissão de Pequenos Negócios acerca
das regulamentações e oportunidades comerciais, 15 de setembro de 1988; e
“Cosmetic Safety: The Law Provides Little Protection”, Consumer Report, fevereiro de 1991, p. 93; todos citados em Coon.
41 Ver, por exemplo, Ruth Winter, A
Consumer’s Cictionary of Cosmetic
Ingredients, Seventh Edition: Complete Information About the Harmful and Desirable
Ingredients Found in Cosmetcs and Cosmeceuticauls (Nova York: Three Rivers
Press, 2009; e Siobhan O’Connor e Alexandra Spunt, No More Dirty Looks: The Truth About Your Beauty Products – and
the Ultimate Guide to safe and Clean Cosmetcs (Cambridge, MA: Da Capo
Lifelong Books, 2010).
42 “Lamarckism”,
em http://en.wikipedia.org/wikw/Lamarckism,
acesso em 29 de dezembro de 2011. Em biologia, e especificamente na genética, a
epigenética é o estudo das mudanças herdáveis na expressão genética ou no
fenótipo celular, causada por mecanismos diferentes da mudança na sequência de
DNA subjacente. Daí o nome epi (grego: Eri,
em cima, acima, de fora) genética [...]. Ela se refere às modificações
funcionalmente relevantes ao genoma que não envolvem mudança na sequência
nuclear” (http://en.wikipedia.org/wiki/Epigenetics,
acesso em 29 de dezembro de 2011).
43 Curt Wohleber, “From Cheese Food”, Invention
and Technology, verão de 2001.
44 Stanley Scheindlin, “The Food Drug Legislation of 1906”, Molecular Interventions, 8, nº 1
(fevereiro de 2008), p. 5, 6; Otto L. Bettman, The Good Old Days – They Were Terrible! (Nova York: Random House,
1974), caps. 7, 8.
45 Carol White, “How Pausterization Works”, on-line em http://science.howstuffworks.com/environmental/life/cellular-microscopic/pasteurization.htm/printable; Wohleber.
46 Grace Jacques e Patricia B. Mutch, “Dinner at Elmashaven”, ed. Sylvia
Fagal (2002), p. 3, 13, 14, 17, 19, CAR.
47 Arthur
White ao Irmão _____, 11 de novembro de 1940, em White Estate Q-A 22-C1,
citando E. G. White e W. C. White. Agradecemos a Denis Kaiser a real tradução
em alemão de A Ciência do Bom Viver:
“Strenger, Scharfer Käse solte nicht genossen werden” (Queijo forte e azedo
não deve ser consumido [lit., apreciado, tolerado]). In
den Fubspuren des groben Arztes (Hanburgo, Alemanha: Internationale Traktatgesellschasft, 1907), p. 306.
48 Neal Nedley, Proof Positive (Ardmore,
OK: Nedley, 1999), p. 275, 276, 295.
49
Neal Barnard, “Trebds in Food Availability, 1909-2007”, American Journal of Clinical Nutrition 91, suplemento (2010): 1530S-1536S;
citado por Sylvia M. Fagal, na resenha de The
Full Plate Diet, em Adventist review,
9 de dezembro de 2010.
50 Reimpresso de How to Live, nº
1, p. 58 (1865).
51 Confira uma discussão em Roy Gane, “Leviticus, Numbers”, em The NIV Application Commentary: From
Biblical Text to Contemporary Life, ed. Terry Muck (Grand Papids:
Zondervan, 2004), p. 234-237.
52 Roland K. Harrison, “Leper; Leprosy”, International Standard Bible Encyclopedia, ed. Geoffery W. Bromiley
(Grand rapids, MI: Eerdmans, 1986), v. 3, p. 104, 105; ver também Coon, p. 10,
11.
53 Herbert William Morris, Testimony
of the Ages: or, Confirmations os the Scriptures (1883), p. 185, 186 cita diversas
fonts, inclusive, a obra de Kitto, Michaelis, Plutarco, Plínio e Smith, Dictionary of the Bible, p. 3345, 3346.
54 Robert Jamieson, A. R. Fausset e Davis Brown, Commentary, Critical and Explanatory, on the Whole Bible (181); on-line em www.biblestudytools.com/commentaries/jamieson-fausset-brown.
55 R. L. Foster et al., “Effect of Diet on Growth of M. Lepre in Mouse Footpads” (Leprosy Research Foundation, Loma Linda, CA), em Indian Journal of Leprosy 61, nº 3 (julho de 1989); ver também R.
L. Foster, et al., Nutition in Leprosy: A
Review”, em International Journal of
Leprosy 56, n° 1 (1988), p. 66-68.
56 Ver B. M. Clark, C. K. Murray, L. L. Horvath, et al., “Armadillo
Exposure and Hansen’s Disease: American
Journal of Tropical Medicine and Hygiene 78, nº 6 (junho de 2008), p. 962-967;
RichardTruman, “Armadillos as of Infection for Leprosy”, Southern Medical Journal 101,
nº 6 (junho de 2008), p. 581, 582; S. Bruce, T. Schoeder, K. Ellner, et
al., “Armadillo Exposure and Hansen’s
Disease: An Epidimiologic Survey in Southern Texas”, Journal of the American Academy of Dermatology 43, nº 1 (2000), p.
223-228; Coon, p. 11, 32-34.
57 Confira
uma discussão sobre a carne de porco como um dos alimentos com maior teor de
gordura saturada em David Mendosa, “What’s Wrong With Saturated Fat”, em www.healthcentral.com/diabetes/c/17/7868/whats-wrong-fat;
ver também “Cholesterol: List of Foods High in Cholesterol Content”, on-line em www.dietaryfiberfood.com/cholesterol-high-avoid.php.
58 Ver, por exemplo , Ruth Fieldman, Charles W. Greenbaum
e Nurit Yirmiya, “Mother-Infant Affect Synchrony as an Antecedent of the
Emergence of Self-Control”, em Developmental
Psychology 35, nº 5 (1999), 223-231.
59 Reimpresso de How to Live, nº
2, p. 29 (1865).
60 Lisa A. Croen, Daniel V. Najjar, Bruce Fireman e Judith K. Grether,
“Maternal and Paternal Age risk of Austism Spectrum Disorders”, Archives of Pediatrics and Alolescent
Medicine 161, nº 4 (2004), p. 334-340.
61 Thacker, “Biological Clock Ticks for Man, Too: Genetic Defects Linked to
Sperm of Older Father”,
Journal of the American Medical Association 291 (2004), p. 1683-1685; cf. New England Journal of Medicine 347, nº 18 (31 de outubro de 2002),
p. 1441451.
62 “Older Father Link to Birth Defects”, BioNews 318 (21 de julho de 2005), on-line em www.bionews.org.uk/page_12440.asp; ver também http://en.wikipedia.org/wiki/Paternal_age_effect.
63 M. Lauritsen, C. Pedersen e P. Mortensen, “Effects of Familial Risk
Factors and Place of Birth on the Risk of Austsm: A Nationwide Register-based
Study”, Journal of Child Psychology and
Psychiatry 46, nº 9 (2005), p. 967.
64 Francis
White, nascido em 29 de setembro de 1913.
65 O. Stutzer, Geology of Coal (Chicago:
University of Chicago Press, 1940), p. 309, 310; cf. E. E. Thurlow, “Western
Coal”, Mining Engineering 26 (1974),
p. 30-33; e G. S. Rogers, “Baked Shale and Slag Formed by the Burning of Coal
Beds”, U. S. Geological Survey
Professional Paper, 108-A (1918); todos citados em Johns, “Ellen G. White
and Subterranean Fires, part 2”, Ministry,
Outurbro de 1977.
66 Glenn Stracher, Geology of Coal
Fires: Case Studies From Around the World (Boulder, CO: Geological Society of America,
2007).
67 Ver, por exemplo, “Giant Humans and Dinosaurs, on-line em www.biblebelievers.org.au/giants.htm; cf. www.askabiologist.org.uk/answers/viewtopic.php?id=1220.
68 Somos
gratos a Michael W. Campbell e Timothy G. Standish por parte do amterial desta
seção; ver também *Amalgamação na seção temática desta Enciclopédia.
69 Cf. F. D. Nichol, Ellen G. White
and Her Critics (RHPA, 1951), p. 306-322; idem, “Amalgamation: Ellen G.
White Staments Regarding Conditions at the Time of the Flood”, www.egwestate.org/issues/amalg.html.
70 Nichol, Ellen G. White and Her
Critics, p. 306-322.
71 B. F. Snook e W. H. Brinkerhoff, The
Visions of Mrs. E. G. White Not of God (Cedar Rapids, IA: Cedar Valley
Times Book and Job Print, 1866), p. 9. Esse material deve ter
sido lançado no início de 1866, porque Uriah Smith começou sua réplica na Advent Review and Sabbath Herald em 12
de junho de 1866. Em T7, 223, E. G. White afirma explicitamente a origem
criacionista dos negros.
72 Uriah Smith, “The Visions – Objections Answered: Obj. 37”, RH, 31 de
julho de 1866.
73 Uriah Smith, “Objections to the Visions”, RH, 12 de junho de 1866.
74 Cf. Ronald D. Graybill, E. G.
White and Church Race relations (1970).
75 Delbert W. Baker, “In Search of Roots: Adventist African-Americans, Part
1, Exploring the history”, em Adventist
Review, 4 de fevereiro de 1993. A declaração de Baker aqui se baseia nas
conclusões de sua tese doutoral, “The Dynamics of Communicatio and
Africa-American Progress in the Seventh-day Adventist Organization: A
Historical Descriptive Analysis” (tese de doutorado, Howard University, 1993;
Ann Arbor Mi: University Microfilms International, 1993).
76 Ver, por exemplo, Elizabeth Cary Agassiz, ed., cartas do Dr. S. G. Howe
a Louis Agassiz, ports mouth, 3 e 10 de agosto de 1863, em Louis Agassiz: His Life and Correspondence (cap. 20), on-line
em www.gitengerg.org/dirs/etext04/agass10.txt; ver também Campbell, Negro-Mania: Being na Examination of the Falsely Assumed Equality of
the Various Races of Men (Filadélfia: Campbell and Power, 1851), p. 11.
77 Havia
uma vasta literatura defendendo esse ponto de vista no período em que Ellen
White escreveu. Confira,
por exemplo, Ariel [Buckner H. Payne], The
Negro: What Is His Ethnological Status? 2ª ed. (Cincinnat:
TheOroprietor, 1867), p. 31.
78 Veja um exemplo espetacular em Aideen O’Doherty, Sandra Ruf, Claire
Mulligan, Victoria Hildreth, Mick L. Errington, San Cooke, Abdul Sesay, Sonie
Modino, Lesley Vanes, Diana Hernandez, Jaqueline M. Linehan, Paul T. Sharpe,
Sebastian Brandner, Timothy V. Bliss, Deborah J. Henderson, Dean Nizetic,
Victor L. J.Tybulewicz e Elizabeth M. C. Fisher, “An Aneuploid Mouse Strain Carring Human
Chromosome 21 With Down Syndrome Phenoripes”, Science 309 (23 de setembro de 2005), p. 2033-2037.
79 Kennedy Institute of Ethics Journal 15, nº 2, p. 107-134. Confira também a
decisão tomada no dia 5 de setembro de 2007 pela Autoridade em Fertilizações e
Embriologia Humana acerca dos embriões híbridos, on-line em www.hfea.pv.uk/en/455.html.
Acesso em 28 de fevereiro de 2014.
80 Confira
uma lista completa das declarações de EGW sobre o assunto em “Ellen G. White
Statements Concerning Secret Vice in Chronological Sequence” (1951; 65 p.).
81 Robert Weiss, “Understarding Compulsive Masturbation”, on-line em www.sexualrecovery.com/resources/articles/understarding-compulsive-masturbation.php.
82 William M. Struthers, Wired for
Intimacy: How Pornography Hijacks the male Brain (Downers Grove, IL.: IVP
Books, 2009), p. 169, 172; confira também Patrick J. Carnes, “Cybersex,
Courtship, and Escalating Arousal: Factors in Addictive Sexual Desire”, Sexual Addiction and Compulsivity 8, nº
1 (2001), p. 45-78; Al Cooper, David L. Delmonico, Eric Griffin-Shelley e robin
M. Mathy, “Online Sexual Activity: An Examination of Potentially Problematic
Behaviors”, Sexual Addiction and
Compulsivity 11, nº 3 (2004), p. 129-143; e G. Holstege, J. R. Georgiadis,
A. M. Paans, L. C. Meiners, F. H. van der Graaf e A. A. Reinders, “Brain
Activation During Human Male Ejaculation”, Journal
of Neuroscience 23, nº 27 (8 de outubro de 2003), p. 9185-9193.
83 Alberta Mazat, That Friday in
Eden: Sharing and Enhancing Sexuality in Marriage (PPPA, 1981), p. 146,
147.
84 Confira Struthers, “Saturated With Porn”, p. 19-39; e Michael Leahy, Porn Nation (Chicago: Northfield
Publishing, 2008).
85 C. C. Pfeiffer, Zinc
and Other Micronutrients (New Canaan, CT: Keats, 1978), p. 45.
86 D. F. Horrobin, ed., Zinc (St.
Albans, VT.; Vitabooks, 1981), p. 8.
87 De
acordo com os editors, Ellen White não leu “outras obras sobre o assunto” antes
de terminar o livro (ApM, p. 34). Todavia, seus pensamentos espelham os das autoridades
médicas da época.
88 Alguns dos médicos influentes da época que abordaram a masturbação
foram: Sylvester A. Graham, A Lecture to
Young Me non Chastity (Providence: Weesen and Cory, 1834); Edward H. Dixon,
A Treatise on Diseases of the Sexual
Organs (Nova York: Burgess, Stringer, and Co., 1845); e John H. Kellog, Palin Facts for Old and Young (Burlington,
IA: I. F. Signer, 1882).
89 Confira uma comparação entre os ensinos de ellen White sobre a
masturbação e os de seus contemporâneos em Eric Bahme, “Ellen G. White and the
History of Self-Abuse” (artigo, Seventh-day Adventist Theological Seminary, AU,
Berrien Springs, MI, 1987), p. 22, 23, CAR.
90 Leia sobre a preocupação existente no século 19 em relação à masturbação
e os tipos de tratamento médico usados em Frederick M. Hodgers, “The
Antimasturbation Crusade in Antebellum American Medicine”, em Journal of Sexual Medicine 2 (2005), p.
722-731; Phillip A. Gibbs, “Self-control and Male Sexuality in the Advice
Literature of Nineteenth-Century America, 1830-1860”, Journal of American Culture 9 (1986),, p. 37-41; james Whorton,
“The Solitary Vice: The superstition That Masturbation Could Cause Mental
Illness”, Western Journal of Medicine 175
(julho de 2001), p. 66-68; Brian Strong, “Sex, Character, and Reform in
America, 1830-1920”. (tese doutoral, Universidade de
Stanford, 1972), p. 36, 37; Bahme, p. 8-13, 23.
91 Bahme,
p. 22, 23.
92 Várias
obras cristãs populares estão em harmonia com o conselho geral de Ellen White
contra a masturbação. Ver,
por exemplo, D. R.. Heimbach, True Sexual
Morality (Wheaton, IL.; Crossway, 2004), p. 222, 223; Stephen Arterburn e
Fred Stoeker, Every Man’s Batlle: Winning
the War on Sexual Temptation One Victory at a Time (Colorado Springs, CO:
Waterbrook Press, 2000), p. 112-114 [versão em português: A Batalho de Todo Homem, Mundo Cristão, 2004]; e Shannon Ethridge, Evey Woman’s Battle: Discovering God’s Plan
for Sexual and Emotional Fulfillment (Colorado Springs,CO.: Waterbrook
Press, 2003), p. 39-43 [versão em português: A Batalha de toda Mulher, Mundo Cristão, 2006].
93 G. E. Fraser, Diet, Life Expectancy, and Chronic Disease: Studies of
Seventy-day Adventist and Other Vegetarians (Oxford University Press, 2003, p.
viii, 47, 58.
FONTE: Artigo extraído
da Enciclopédia Ellen G. White, Tatuí, SP: CPB, 2018, p. 239-266.
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