OS EMISSÁRIOS DO REINO
Dr.
José Carlos Ramos
É
surpreendente ver as alterações que os ensinos das Testemunhas de Jeová têm
sofrido ao longo dos anos.
Elas podem ser vistas
indo de porta em porta ou interceptando pessoas nos movimentados centros urbanos,
para oferecer as edições mais recentes de Despertai!
e A Sentinela. Independente de idade,
sexo e situação socioeconômica e cultural, todas são motivadas pelo dever comum
de comunicar aquilo que supõe m ser as novas do "Reino de Jeová "
reveladas a elas através da Sociedade Torr e de Vigia de Bíblia s e Tratados, sediada
no Brooklin, em Nova Iorque, EUA. Elas sã o as chamadas Testemunhas de Jeová, que
hoje somam aproximadamente quatro milhões no mundo e umas trezentas mil no
Brasil.
Segundo alguns
estudiosos, as Testemunhas formam um dos movimentos religiosos de crescimento
proporcional mais rápido em todo o mundo. Elas dobraram o número de adeptos nos
últimos dez anos.
A que se deve tamanho
ímpeto missionário? Talvez a este simples fato: As Testemunhas consideram-se o
povo exclusivo de Deus, comissionadas por Ele para o cumprimento de uma obra
especial no mundo, antes que a impendente batalha do Armagedom seja travada.
Esse pensamento infunde-lhes um notável senso de missão. Estimuladas por um
forte sentimento de que receberam de Jeová uma mensagem que precisam comunicar
ao mundo para não porem em risco a própria salvação, são compelidas a um
intenso programa de ação, caracterizado por um persistente contato com o
público. Milhões de pessoas são visitadas cada ano e milhares doutrinadas nos
postulados da Sociedade.
História
Embora as Testemunhas
reportem o início de seu trabalho aos tempos de Abel, o filho de Adão e Eva, a
fundação do movimento deve, na realidade, ser tributada a Charles T. Russell
(1852-1916), filho de um comerciante de Pittsburgo, Pensilvânia. Presbiteriano
de início e congregacionalista a seguir, Russell acabou imergindo no
agnosticismo ainda em sua adolescência. Aos 18 anos, porém, assistiu a algumas
exposições bíblicas feitas por Jonas Wendell, pregador adventista não do sétimo
dia, as quais, citando as palavras do próprio Russell, foram suficientes
"sob a direção de Deus, para restabelecer minha fé vacilante na inspiração
da Bíblia e para mostrar que os registros dos apóstolos e dos profetas se acham
indissoluvelmente ligados". — Qualificados
para ser Ministros, pág. 276.
Em lugar de se unir a
Wendell, Russell organizou sua própria classe de estudo da Bíblia. Uma
congregação foi formada ao longo de cinco anos, durante os quais
certas posições doutrinárias foram adotadas, entre elas a volta invisível de
Jesus e a oportunidade de salvação após a ressurreição (teoria conhecida como segunda
chance). Em 1876 o grupo de Russell se uni u ao grupo de um tal N. H. Barbour,
de Rochester, NY, por sustentarem opinião semelhante quanto à maneira da volta
de Jesus. Um livro intitulado The Three Worlds (Os Três Mundos) foi publicado
por Barbour e Russell, onde afirmavam que Jesus voltara invisivelmente em 1874
e que no transcurso dos quarenta anos seguintes, ou seja, até 1914, ocorreria a
"grande tribulação", os judeus seriam restaurados, o poder dos gentios
seria quebrantado, os reinos do mundo passariam a pertencer a Deus, e a era do
julgamento seria introduzida.
Barbour, todavia,
discordava da teoria da segunda chance, e a coligação durou apenas dois anos. Em
1879 Russell lançou o primeiro número de A Torre de Vigia de Sião e Arauto da
Presença de Cristo, hoje A Sentinela, cuja disseminação contribuiu para o surgimento
de novas congregações. Em 1881 criou a Sociedade de Tratados da Torre de Vigia de
Sião, legalizada em 1884 e mudada para Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e
Tratados em 1896. A partir dessa época Russell publicou muitos artigos e
discursos, e uma série de seis volumes conhecida como Studies in the Scriptures
(Estudos nas Escrituras), precursores das atuais publicações das Testemunhas.
Deixando de lado a
questão da validade das posições bíblicas assumidas por Russell, e o não
cumprimento de suas profecias (algumas oriundas de cálculos baseados na extensão
dos corredores da Grande Pirâmide do Egito), é difícil não considerar o primeiro
presidente da Sociedade Torre de Vigia uma figura, no mínimo, controvertida.
Se, por um lado, ele foi um ardoroso defensor e disseminador das conclusões a
que chegou, por outro não viveu uma vida inteiramente compatível com a mensagem
bíblica. O processo de divórcio em que esteve envolvido, o "conto "
do trigo milagroso, a farsa do seu conhecimento da língua grega, e outros
incidentes que lhe valeram alguns processos na Justiça, não deixam dúvida a
respeito.
Formado em Direito, foi
fácil par a Joseph F. Rutherford (1869-1942), sucessor de Russell, reformular
os estatutos da Sociedade, agora em Nova Iorque, e obter-lhe qualidade legal
definitiva. Foi inegavelmente um homem de grande visão administrativa. Criou o
slogan "Anunciai o Rei e o Reino", incrementando o trabalho de campo
e dando novo impulso ao movimento. Foi ele quem iniciou o programa de visitação
de casa em casa, até hoje seguido pelas Testemunhas, e a prática de congressos
regionais e periódicos, com a concentração de grande número de adeptos em
estádios e outros locais adequados.
Revelou-se um prolífero
escritor, escrevendo em média um livro por ano. Acredita-se que acima de
trezentos milhões de cópias de suas obras foram distribuídas durante sua gestão.
Alterou diversos pontos doutrinários estabelecidos por Russell, o que trouxe
revolta e divisão, resultando na formação de movimentos paralelos, dois dos
quais ainda permanecem: Dawn Bible
Students Association, e Layman's Home Missionary Movement. Os emissários da
Sociedade, que até 1931 eram conhecidos como Russelitas, Estudantes
Internacionais da Bíblia, e Auroristas do Milênio, passaram a se chamar pelo
seu nome atual: Testemunhas de Jeová.
Embora de forma muito
mais intensa, Rutherford seguiu de perto o estilo de trabalho de Russell,
escrevendo artigos e fazendo novas previsões proféticas tão temerárias quanto às
do seu predecessor. Exemplo desse fato é o slogan que ele criou para uma
campanha de pregação levada a efeito de 1918 a 1921, Milhões que Agora Vivem Jamais Morrerão, que serviu de título para
um livro lançado em 1920. O estabelecimento do Reino era previsto para 1925, e
o mundo deveria muito logo testemunhar a ressurreição de Abraão, Isaque, Jacó e
outros "príncipes". Em 1929 foi construída em San Diego a mansão Beth
Sarim, destinada a abrigar os ressurretos vultos bíblicos. Foi vendida em 1942,
logo após a morte de Rutherford.
Nathan H . Knorr
(1905-1977), o terceiro presidente, estabeleceu escolas de treinamento para as
Testemunhas. O movimento desfrutou de considerável avanço em sua gestão,
crescendo em recursos e adesões, apesar das baixas verificadas logo após 1975, quando
o Armagedom era aguardado e não veio. O atual presidente, Frederick W. Franz,
tem se preocupado em aprimorar o pensamento teológico da Sociedade. É tido
pelas Testemunhas como um erudito em Hebraico, embora em 1954 tenha sido
desacreditado nesse ponto num tribunal da Escócia. Muito provavelmente esteve à
frente da comissão que preparou a Tradução
do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Por outro lado, tem enfrentado séria
s dificuldades com o problema de dissidência na alta cúpula da Organização. O próprio
sobrinho, Raymond Franz, não somente resignou o cargo, mas abandonou a fé.
A
Obra no Brasil
Segundo pesquisa
realizada pelo universitário Amarildo Gusmão, a mensagem da Torre de Vigia
penetrou no Brasil em 1920, através de alguns marinheiros brasileiros que
haviam sido abordados por Testemunhas em Nova Iorque. O primeiro missionário
chegou ao Brasil em 1922.
A revista Torre de Vigia foi publicada em nosso
idioma pela primeira vez em 1923, tendo o nome sido alterado para A Atalaia, em 1940. Era a época da
guerra e o primeiro nome não comunicava bem. Todavia, o segundo também não pôde
permanecer devido a uma outra publicação homônima. Em 1943 recebeu
definitivamente o nome de A Sentinela.
Outra revista, Consolação, começou a
circular na década de 40. Mais tarde passou a ser chamada Despertai!
Vez por outra têm as
Testemunhas enfrentado sérios problemas com
as autoridades civis e religiosas em virtude de seu comportamento agressivo. No
tempo de Getúlio Vargas as publicações foram interrompidas e os trabalhos da Sociedade proibidos oficialmente.
O Brasil ocupa o
terceiro lugar em número de adeptos, perdendo apenas para os Estados Unidos e o
México. Mas a julgar pelas cifras de 1989, poderá em breve ocupar a segunda
posição. Foram aqui batizadas 23.937 pessoas, mais do que em qualquer outro
lugar do mundo, exceto os Estados Unidos, com 48.358 novas adesões.
Organização
e atividades
As Testemunhas de Jeová
não constroem templos, mas se reúnem nos conhecidos "Salões do Reino"
formando as congregações locais, cujos líderes sã o chamados "servos de
congregação". Cada congregação possui uma área geográfica onde deve atuar.
Várias áreas formam um circuito, que recebe a assistência de um líder, o
"servo de circuito". Vários circuitos formam um distrito, supervisionado
por um "servo de distrito". Finalmente vários distritos determinam a
obra num país, conhecida como ramo, e geralmente liderada por uma filial ou
sede local. As diferentes filiais no mundo respondem diante da sede mundial nos
Estados Unidos. Isto inclui o envio de relatórios das atividades de cada
congregação.
Não são feitas coletas
nas reuniões. Todas as despesas são cobertas por contribuições voluntárias dos
membros mais o lucro advindo da literatura vendida. Existem nos lugares de
reunião caixas ou urnas apropriadas para a entrega dos donativos.
Cada pessoa batizada é
considerada um ministro ordenado de Jeová Deus, para participar da obra de
expansão do Reino. Se alguém pode devotar pelo menos cem horas de atividade por
mês é considerado um pioneiro. Os que atingem 145 horas são chamados pioneiros
especiais. A principal atividade é testemunhar de casa em casa, o que
naturalmente envolve a venda de literatura; os que fazem isto são chamados
publicadores. As reuniões nos salões do Reino visam ao estudo das doutrinas
mediante a análise dos temas preparados pela Sociedade em Nova Iorque. Reuniões
de treinamento são feitas frequentemente, onde são discutidas técnicas de
oratória, de aproximação com o público, de doutrinamento, e de procedimento e
argumentação em debates com não-Testemunhas.
Duas cerimônias são
realizadas: o batismo por imersão nas águas, e a ceia da comemoração (ceia do
Senhor). O batismo é administrado somente a pessoas que foram suficientemente
instruídas para entender o que uma Testemunha crê, como deve viver e agir.
Naturalmente é esperado que cada neófito amadureça espiritualmente mediante o
contínuo estudo e aprendizagem. A ceia é oferecida apenas uma vez ao ano, na
data da morte de Jesus. É esperado que apenas uma pequena minoria participe,
exatamente aqueles que sintam fazer parte dos 144 mil de Apocalipse 7 e 14. Em
1989, apenas 8.734 pessoas em todo o mundo tomaram a ceia.
Pessoas desligadas da
congregação são tratadas com o máximo rigor. "Ninguém da congregação deve
cumprimentar tais pessoas quando se encontra com elas em público, nem deve
acolhê-las nos seus lares. Até mesmo parentes consanguíneos, que não moram no mesmo
lar, dando mais valor às relações espirituais, evitam contato com tais ao
máximo possível. E os que são membros da mesma família do desassociado cessam
de ter associação espiritual com o transgressor." — Lâmpada Para o Meu Pé é a Tua Palavra, pág. 180.
O
que creem
As Testemunhas de Jeová
se destacam por suas crenças peculiares, as quais, em diferentes áreas do
ensino bíblico, se resumem no seguinte:
Teologia
—
Sã o unitarianos e esposam um monoteísmo absoluto. Rejeitam a Santíssima
Trindade não aceitando a plena divindade de Jesus nem a personalidade do
Espírito Santo, para elas a simples energia divina. Demonstram profundo interesse
pelo nome Jeová, e atribuem-no exclusivamente ao Pai. Este criou o Universo
usando o Filho como instrumento.
Cristologia
—
Antes de nascer, Cristo vivia no Céu. Foi a primeira criação de Jeová e Seu
nome era Miguel. Devido à Sua posição, era considerado "um deus", mas
não igual a Jeová. Veio ao mundo nascendo de uma virgem, sem contudo ocorrer a
encarnação do Filho de Deus. Cristo foi nada mais que um homem perfeito. Morreu
numa estaca e não numa cruz, e Sua ressurreição não foi corporal, mas
espiritual e invisível, aparecendo aos discípulos em corpos materializados para
este fim. Reintegrado à esfera celestial, voltou a ser o anjo Miguel.
Salvação
— A morte de Cristo não é considerada o sacrifício expiatório que salva o
pecador, mas o pagamento do resgate que outorga ao homem uma segunda chance de
ser leal a Jeová e labutar pela vida eterna. A aceitação do resgate é apenas um
item entre outros a serem cumpridos por alguém que espera ser salvo. Consequentemente
o benefício do resgate não é para todos, mas apenas para os que são "dignos
entre os filhos de Adão". — Do Pa
raíso Perdido ao Paraíso Recuperado, pág. 143. Maior ênfase é dada à
sobrevivência na batalha do Armagedom do que à salvação do pecado.
O
ser humano — O homem não possui uma alma imortal que vai, imediatamente
após a morte, para o Céu, para o purgatório, ou para o inferno. A condição de
uma pessoa na morte é de absoluta inconsciência. Com respeito ao destino
eterno, a humanidade está dividida em três grandes grupos: os justos, aqueles
que reconhecem o governo de Jeová e fazem Sua vontade acatando as orientações
da Sociedade Torre de Vigia e preparando-se para sua recompensa no Céu ou na
Terra; os ímpios, os que se rebelam contra o governo de Jeová, e que,
consequentemente, ao morrerem são aniquilados, isto é, não têm perspectiva de
ressurreição; e os injustos, que nesta vida não obtêm um correto conhecimento
da vontade de Jeová, e que, portanto, ressuscitarão no transcurso do milênio
para terem uma segunda oportunidade.
Povo
de Deus — A Igreja é constituída por apenas 144 mil membros,
reunidos a partir do dia de Pentecostes do ano 33 AD. Naturalmente os líderes
da Sociedade participam desse grupo, conhecido também como "classe
ungida", ou "pequeno rebanho". Deus tem ainda "outras ovelhas",
em quantidade inumerável, que formam a "grande multidão". Expressões
bíblicas como "justificação pela fé", "novo nascimento",
"estar em Cristo", "morrer e ressuscitar com Cristo",
"batismo com o Espírito Santo", etc, definem experiências desfrutadas
apenas pelos 144 mil. Estes têm sua recompensa com Cristo no Céu. Para tanto,
necessitam sacrificar sua vida terrena, como Cristo fez. Ressuscitam
espiritualmente, então, e sobem para o Céu. A ressurreição espiritual dos 144
mil começou em 1918 e prossegue a cada instante em que um eleito morre. O grupo
será completado algum tempo depois do Armagedom, o que significa que algumas
Testemunhas terão de morrer durante o milênio. Os participantes da "grande
multidão" viverão eternamente na Terra.
Últimos
eventos — O fim do mundo é na realidade o fim do atual
"sistema de coisas". A volta de Jesus ocorreu em 1914. Foi um evento
espiritual e, portanto, invisível aos mortais. Não se deu o retorno literal de
Jesus à Terra, mas Sua posse na direção do Reino, no Céu. Por isso as Testemunhas
falam mais na "presença" de Cristo do que na Sua vinda. A geração de
1914 não passará sem que venha o Armagedom, quando os reinos do mundo perderão
o domínio. No fim do milênio ocorrerá o julgamento final de todos os que estiverem
vivos sobre a Terra. Serão julgados segundo o que praticaram, não na presente
existência, mas na existência que terão durante o milênio. Satanás e os
derradeiros rebeldes serão então para sempre aniquilados.
Ética
—
As Testemunhas de Jeová são incentivadas a manter um comportamento ético
exemplar no meio em que vivem. Todavia, agem de forma inusitada em diferentes
circunstâncias: recusam cumprir serviço militar, não cantam o hino nacional nem
prestam deferência à bandeira, rejeitam transfusão de sangue, não participam de
celebração alguma, cívica ou religiosa, não comemoram qualquer tipo de
natalício, não vestem luto, não guardam qualquer dia semanal, não respeitam
qualquer feriado, não se envolvem em qualquer assunto de natureza política,
civil e filantrópica, e desaconselham os jovens a perseguirem cursos
universitários. O que creem e o que fazem, dizem, é por fidelidade à Bíblia.
Conclusão
Não nos cumpre aqui
avaliar, o ponto de vista bíblico, suas posições s doutrinárias. Muita coisa
tem sido dita e escrita a esse respeito, e continuará a sê-lo. Todavia, uma
consideração adicional e final deve ser feita. As Testemunhas de Jeová se
julgam o povo da Bíblia. Um simpatizante do movimento afirmou:
"Provavelmente a característica mais notável das Testemunhas de Jeová é
seu apelo à autoridade das Escrituras para tudo o que pensam e fazem." —
Marley Cole, Triumphant Kingdom, pág. 37.
Por sua vez, a Sociedade Torre de Vigia não hesita em afirmar seu monopólio da
verdade. Somente as Testemunhas possuem a verdadeira fé cristã e cumprem a
vontade de Deus. Qualquer outra religião é falsa.
Deve-se lembrar, porém,
que essa tem sido a pretensão do movimento desde a sua origem. Russell declarou
em seus Studies in the Scriptures que
seria melhor ler seus estudos sem ler a Bíblia do que ler a Bíblia e ignorar
seus estudos. Disse também: "Pessoas não podem ver o plano divino ao estudar
a Bíblia por ela mesma." A ideia era que a Bíblia devia ser estudada à luz
do que Russell ensinava; caso contrário, o estudante seria antes desencaminhado
do que conduzido à verdade. — Watch
Tower, 15/09/1910, pág. 298. Pretensão idêntica foi reivindicada em relação aos ensinos de Rutherford e aos escritos
posteriores da Sociedade.
Hoje não é diferente.
As Testemunhas continuam considerando a Sociedade Torre de Vigia o único instrumento
ou canal usado por Jeová para instruir Seu povo na Terra. Para se confirmar
esse fato, basta notar que seus "estudos bíblicos" são na realidade
estudos de suas publicações. É difícil escapar à impressão de que não é a Bíblia
que normatiza os ensinos da Sociedade e sim os ensinos da Sociedade que
normatizam a compreensão da Bíblia.
Mais surpreendente
ainda são as alterações que esses ensinos têm sofrido ao longo dos anos. William
J. Schnell, uma ex-Testemunha, informa que em apenas onze anos, de 1917 a 1928,
a Sociedade mudou suas doutrinas 148 vezes, e que mudanças têm ocorrido
"muitas vezes de lá para cá". —
Into the Light of Christianity, pág. 13. Isto é muito sério para uma
entidade que alega ter o monopólio o da verdade.
As Testemunhas se
defendem dizendo que o conhecimento da verdade é progressivo. Mas a ampliação
do conhecimento da verdade jamais é feita em detrimento da verdade já revelada.
Se ontem as Testemunhas, através da instrução de Jeová, faziam certas afirmações
que hoje, igualmente pela instrução de Jeová, reputam como erro, não somos
deixados senão com duas alternativas possíveis: ou Jeová não está seguro
daquilo que revela, o que é uma impropriedade, ou a instrução não provém dEle.
Ademais, determinadas
posições doutrinária s foram descartadas e substituída s por outras, tão-somente
para serem readmitidas tempos depois. Quem então pode garantir que as
"verdades" anunciadas hoje pelos emissários da Sociedade, continuarão
"verdades" amanhã?
FONTE: Revista
Adventista, Janeiro de 1993, p. 29-31
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