MOMENTO DECISIVO
Ted
Wilson*
Durante as comemorações
dos 500 anos da Reforma Protestante foi realizado um culto especial em Londres,
na Inglaterra, que reforça a percepção de que estamos vivendo tempos
proféticos. No dia 31 de outubro do ano passado, líderes de várias denominações
se reuniram na Abadia de Westminster para apoiar um acordo entre as Igrejas
Luterana e Católica Romana, que tentam resolver sua controvérsia histórica em
torno da doutrina da Justificação pela fé.
Segundo o que a agência
de notícias anglicana publicou no mesmo dia, Justin Welby, arcebispo de
Canterbury, declarou que, quando a Federação Luterana Mundial e a Igreja
Católica assinaram um documento em 1999, o impasse teológico de 1517 foi
resolvido. De acordo com ele, isso ocorreu num momento decisivo para a construção
da unidade e reconciliação das igrejas cristãs.
Desde que foi assinada
a declaração conjunta tem sido adotada por outros órgãos protestantes, como o
Concílio Metodista Mundial (2006), o Concílio Consultivo Anglicano (2016) e a
Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas. Os líderes desses grupos religiosos
também marcaram presença na cerimônia e testemunharam a leitura da resolução
anglicana em apoio à convergência doutrinária das igrejas.
Cenário
Profético
A Igreja Adventista do
Sétimo Dia não participou dessas iniciativas, e evidentemente não participará.
Nossa igreja promove e incentiva a liberdade religiosa e de consciência para
todos. Portanto, respeita o direito de outras denominações e religiões tomarem
seus votos. Contudo, os adventistas têm procurado decidir com base na Bíblia e
não fazer concessões doutrinárias. Fundamentado no método histórico-gramatical
de estudo e interpretação das Escrituras, bem como na visão historicista das
profecias bíblicas, cremos que um pouco antes do retorna de Cristo à Terra
ocorrerão os eventos descritos nos livros de Daniel e Apocalipse,
principalmente no capítulo 13 do último livro da Bíblia.
Nós, os adventistas do
sétimo dia, reconhecemos esse evento ocorrido no aniversário da Reforma Protestante
como um sinal significativo de confirmação da interpretação que temos defendido
há anos, com base na Bíblia e nos escritos de Ellen G. White. A pioneira
escreveu que a união entre protestantes e católicos seria o caminho para a
imposição da guarda do domingo (O Grande Conflito, p. 579, 580).
Ainda segundo a
profetisa, a crença comum na imortalidade da alma e na santidade do domingo
possibilitaria a união do protestantismo norte-americano com o espiritismo e o
catolicismo, e esse processo resultaria em intolerância religiosa. “Os
protestantes dos Estados Unidos serão os primeiros a estender as mãos através
do abismo para pegar a mão do espiritismo. Eles se estenderão por sobre o
abismo para dar mãos ao poder romano; e, sob a influência dessa tríplice união,
este país seguirá as pegadas de Roma, desprezando os direitos da consciência”
(O Grande Conflito, p. 588).
Em um artigo do dia 27
de outubro no jornal The Washington Post, Stanley Hauerwas, conhecido teólogo
protestante americano, observou que “o abismo entre as denominações parece cada
vez menor. O mesmo ocorre entre o catolicismo e o protestantismo”.
No campo político, um
fato chama a atenção, pois aponta para essa mesma direção profética. No dia 13
de novembro, Mike Pence, vice-presidente dos estados Unidos, encontrou-se com o
cardeal Pietro parolin, diplomata-chefe do Vaticano, em Washington (DC). Após a
reunião, Pence publicou no Twitter que se sentia honrado por ter recebido o
líder religioso na Casa Branca para uma conversa produtiva de como poderiam
trabalhar juntos a fim promover os direitos humanos, combater o sofrimento
humano e proteger a liberdade religiosa.
Sabemos pela profecia
bíblica que esses movimentos em favor do ecumenismo e de aproximação política
com o Vaticano não acontecerão apenas nos Estados Unidos, mas também em muitos
outros lugares do mundo. Devemos atentar para os sinais dos tempos.
Nossa
Tarefa
Como adventistas, temos
o privilégio de caminhar no sentido oposto desses ventos ecumênicos e continuar
o trabalho que não foi concluído pelos reformadores, mas que deve prosseguir
até a volta de Jesus: restaurar a verdade bíblica e proclamar essa mensagem (O
Grande Conflito, p. 148).
Deus usou Martinho
Lutero e muitos outros para construir o alicerce do retorno à santa Palavra de
deus. Peça ao Espírito Santo que nos ajude a nunca desviar dessa clara
compreensão que temos sobre a Bíblia e o relógio profético. Como Jesus disse:
“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” “o que diz às igrejas (Mt 11:15; Ap 2:17).
Embora não queiramos
ser rotulados como alarmistas, é óbvio que estamos vivendo nos últimos dias da
história da Terra. Portanto, que Deus nos guie como Seu movimento profético, ao
proclamarmos as três mensagens angélica (Ap 14:6-12), cujo centro é Cristo e
Sua justiça; e a advertência do quarto anjo (Ap 18:1-4), que convida as pessoas
a abandonar a confusão religiosa atual e a retornar ao verdadeiro culto a Deus.
*Ted
Wilson é o presidente mundial da Igreja Adventista do
Sétimo Dia
Fonte:
Revista Adventista, Fevereiro 2018, p. 32, 33.
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