ARREBATAMENTO SECRETO NÃO TEM BASE BÍBLICA
Felipe
Lemos
Teólogos
adventistas explicam qual é o conceito do arrebatamento de acordo com a visão
bíblica a respeito da volta de Jesus
Dentro da chamada visão
dispensacionalista, muitos acreditam na ideia do arrebatamento secreto. Tema
tem sido explorado no cinema e na TV (Foto: Shutterstock)
O ensino do
arrebatamento secreto parece ser bastante popular entre grande parte de
seguidores de igrejas evangélicas no mundo. No Brasil, não há pesquisas sobre
crenças religiosas que possam reforçar esse conceito. Mas uma verificação
realizada pelo Pew Research com alguns líderes evangélicos mundiais sinaliza
para uma vasta aceitação desse tipo de crença.
Em 2011 foi publicado
um relatório com resultado de uma avaliação que ouviu a opinião de líderes de
vários continentes, dos quais 74% estavam empregados por igrejas ou
organizações religiosas, e 51% eram ministros ordenados. Pelo menos 61% dos
participantes da pesquisa afirmaram que acreditam no arrebatamento da igreja
antes da chamada grande tribulação, deixando os não crentes em sofrimento na
Terra. A doutrina consiste na ideia de que a segunda vinda de Jesus terá duas
fases. A primeira, em que ocorreria um suposto arrebatamento secreto em que
muitas pessoas (salvas) desapareceriam subitamente. E, ainda de acordo com essa
ideia de origem dispensacionalista (leia mais aqui e aqui sobre
dispensacionalismo), depois disso Jesus voltaria com os arrebatados para reinar
sobre a Terra durante mil anos.
O tema tem voltado a ganhar
força nos últimos anos por conta de algumas produções cinematográficas (como o
filme Apocalipse, de 2014) e da recente telenovela chamada Apocalipse, onde a
abordagem ocorre novamente. Teólogos adventistas são unânimes em explicar que,
apesar de popular, a crença no arrebatamento não possui base bíblica. O teólogo
e arqueólogo Rodrigo Silva, apresentador do programa Evidências, da TV Novo
Tempo, e colunista do Portal Adventista, fala do assunto em um vídeo. “Essa não
é uma doutrina claramente encontrada na Bíblia. Desde que o apóstolo João
escreveu o Apocalipse, até o ano de 1830, ninguém jamais falou dela. Tivemos
1.800 anos de cristianismo sem ninguém sequer ouvisse falar do tal
arrebatamento secreto”, afirma Silva.
Outro teólogo, Samuel
Bachiochi, em artigo intitulado Arrebatamento secreto: fato ou ficção?, comenta
que “a crença de que a Igreja será arrebatada súbita e secretamente antes da
grande e final tribulação é conhecida como pré-tribulacionismo. Sua origem é em
geral identificada por volta dos anos da década iniciada em 1830. John N.
Darby, pregador anglicano que se tornou fundador dos Irmãos de Plymouth”.
O teólogo e professor
do Centro Universitário Adventista de São Paulo, Vanderlei Dorneles, diz que
essas correntes de interpretação deslocam as profecias de Daniel e Apocalipse
para o fim dos tempos, fazendo parecer que elas nada podem revelar acerca da
história, mas somente daquele período. “Isso foi feito para desviar o foco do
poder religioso apóstata da Idade Média, revelado na figura do “chifre pequeno”
(conforme Daniel 7) e da “besta” tipo-leopardo (de Apocalipse capítulo 13),
visões aplicadas a esse poder desde os grandes reformadores”, assegura.
Visão
bíblica
Rodrigo Silva explicou,
no vídeo divulgado nesta semana, que o termo arrebatado, mencionado por Paulo
em I Tessalonicenses 4:17 não tem nenhuma relação com algo secreto. Vanderlei
Dorneles esclarece que, em Apocalipse 1:7 é dito que, quando Jesus se
manifestar em Sua segunda vinda, “todo olho o verá”. Ele argumenta que não haverá
qualquer separação entre as pessoas antes da vinda de Cristo. “Apocalipse 6:16
diz que, no momento de sua manifestação em glória, os ímpios todos vão
sucumbir, ficarão tão aterrorizados que desejarão eles mesmos a morte. Mas há
uma pergunta que se levanta: No “dia da ira” de Deus, “quem poderá subsistir?”
(Apocalipse 6:17). Então a resposta vem no capítulo 7 e versículo 14: O grupo
dos salvos vivos por ocasião da volta de Cristo são apresentados como aqueles
que “vieram da grande tribulação”. Ou seja, os salvos são arrebatados ao Céu ao
final da grande tribulação e não antes dela”, explica.
Dorneles explica,
ainda, que o próprio Jesus dá suficiente informação a respeito do
arrebatamento. Citando o texto dos evangelhos, como Mateus 24:29-31 e 25:
31-33, o teólogo afirma que “a separação entre os bons e os maus ocorrerá só no
momento da Sua vinda, não havendo qualquer margem para um grupo arrebatado
antes do outro.”
Assista ao vídeo com a
explicação apresentada pelo doutor Rodrigo Silva:
Comentários
Postar um comentário