O EVANGELHO COBERTO DE AÇÚCAR
Ricardo
André
Por causa das práticas
idólatras do antigo Israel, o então povo de Deus, o Senhor permitiu que o
flagelo da invasão e do cativeiro babilônico incidisse sobre a nação pecaminosa
(Jr 15:4-30; 11-15). Ele falou por meio dos Seus profetas que a disciplina do cativeiro
seria de 70 anos (Jr 29:10). Quando Israel, ao tempo do profeta Ezequiel
(cativo em Babilônia com mais 10 mil judeus), estava sob o agravo da profecia
que reclamava a destruição da nação judaica pelos babilônios, os falsos
profetas contraditando a Palavra do Senhor, anunciavam “paz”, em 599 a. C. Um
ano e meio mais tarde, em 597 a. C., Jerusalém era um montão de ruínas
fumegantes, malgrado das adocicadas palavras dos falsos profetas.
Os falsos profetas eram
anunciadores da “Paz”. Eles prediziam audazmente que dentro de dois anos seria
desfeita a ameaça de Babilônia, e que os exilados e o rei Joaquim (Jeconias) –
bem como os vasos do Templo – seriam trazidos de volta (Jr 27:16 e 17;
28:1-11).Um desses profetas foi Hananias, a respeito de quem o profeta Jeremias
falou com voz firme: “Escute, Hananias! O Senhor não o enviou,
mas assim mesmo você persuadiu esta nação a confiar em mentiras” (Jeremias
28:15, NVI). Ele fez o povo “confiar em mentiras”, não no sentido de
força-los fisicamente a fazer isso, mas por meio do engano. Embora o Deus não o
tivesse enviado, ele falou em nome do Senhor, o que tinha um peso muito grande
em Judá. Além disso, a mensagem de “graça”, “livramento” e “redenção” dada por
Hananias certamente era algo que o povo desejava ouvir, considerando a grande
ameaça que Babilônia representava para a nação. Porém, aquele era um falso
“evangelho”, uma falsa mensagem de salvação que o Senhor não havia concedido ao
povo.
Este movimento de uma
falsa paz levou os exilados e mesmo os moradores de Jerusalém continuarem em
sua rebelião contra Deus não se arrependendo de seus pecados. Permaneceram
enganados, fazendo o que Deus reprova pensando ter Sua aprovação.
O comentarista bíblico
Peter C. Craigie retrata com exatidão absoluta, a atitude dos dirigentes
religiosos e sacerdotes de Jerusalém: “O seu povo queria desesperadamente uma
mensagem de paz, por isso eles lhe deram isso, preferindo declarar uma
agradável mentira a expor a terrível realidade” (Ezekiel, p. 91).
A mentira agradável não
os livrou do juízo divino. A Palavra de Deus cumpriu-se na íntegra.
Mentiras
Agradáveis
As coisas não são
diferentes hoje: estamos num grande conflito cósmico, numa batalha pela posse
do coração e da mente de bilhões de pessoas no mundo. Satanás está trabalhando
intensamente para levar o maior número possível de pessoas a “confiar em mentiras”,
e essas mentiras podem vir em muitos disfarces e formas, embora seja sempre
mentiras. Pelo fato de Jesus ter dito “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo
14:6), as mentiras de Satanás podem ser a respeito de qualquer coisa,
desde que não contenham a verdade assim como é em Jesus.
À semelhança dos falsos
profetas dos dias de Ezequiel e Jeremias, hoje, muitos falsos líderes
religiosos estão dando ao mundo mentiras agradáveis, apresentando um evangelho
profanado pelos falsos pastores. Um evangelho coberto com açúcar. Vejamos
algumas dessas mentiras agradáveis, contra as quais precisamos nos guardar:
“A
Lei foi um concerto entre Deus e Israel somente. (...) Na conversão, morremos
com Cristo, logo morremos para a Lei. Os cristãos tradicionais damos ao Senhor
o primeiro dia, o domingo, depois tomamos os seis restantes para nós, ao passo
que os sabatistas invertem: tomam para si os seis primeiros dias e dão o restante.
Ora, estamos vivendo no tempo da graça!” (José Apolinário da Silva,
Heresiologia Refutação, vol. 6, p. 60, 71).
A tese de que a Lei
Moral dos dez Mandamentos ou mesmo o sábado foi dado somente aos judeus é um
grande equívoco doutrinário, sem respaldo bíblico ou teológico. Não lemos em
lugar nenhum que o sábado devia ser confinado aos judeus. Ao contrário, há
declarações muito específica e claras das Sagradas Escrituras revelando que o
sábado foi estabelecido por Deus para ser uma bênção para todos os povos e
nações. Elencamos aqui algumas delas:
1) Não podemos olvidar
que no próprio quarto mandamento o sábado alcança a nós (não judeus). Ele diz
especificamente que não apenas israelitas deviam repousar, mas também o
estrangeiro que estivesse dentro das suas portas (Êx 20:10). Os estrangeiros
eram aqueles que não pertenciam a família de Israel; poderiam pertencer a
qualquer outro povo ou nação.
2) Cristo disse que “o
sábado foi estabelecido por causa do homem” (Mt 2:27). Ele não disse
“judeu”, mas “homem”, e não existe nenhuma justificativa para limitar o significado
da palavra homem aos judeus! Jesus se referia ao homem-anthropós, toda a raça
humana, não ao “homem judaico”, como muitos ridiculamente tentam defender. Que
isso não se refere ao homem judaico fica claro em Mateus 19:5, 6 onde o mesmo
termo ‘homem’, anthropós, usado por Cristo em Marcos 2:27, é empregado com
relação a toda a raça humana. Isso se harmoniza com a clara informação bíblica
de que o sábado foi estabelecido por ocasião da Criação (Gn 2:1-3). Se
limitássemos a palavra aos judeus, logo entraríamos em grande dificuldade.
Lemos que Cristo é “a verdadeira luz, que, vindo ao mundo ilumina a todo homem”
(Jo 1:9). Trouxe Cristo luz somente para os judeus? Além disso, o sábado foi
dado para que os homens pudessem ter a bênção do descanso e a adoração do seu
Criador. Por que desejaria Deus que somente uma pequena fração dos seres
criados – porque os judeus sempre têm sido uma parte muito pequena da população
mundial – participasse da alegria do descanso e da adoração?
3) Como poderia o sábado ter sido dado somente aos
judeus, sendo que ele foi instituído na criação, quando todas as coisas eram
perfeitas (Gn 1:31), muito tempo antes dos dias de Abraão, o pai do povo judeu?
(Gn 2:1-3). Quando o sábado foi criado somente havia duas pessoas presentes –
Adão e Eva – e eles não eram judeus, eram filhos de Deus dos quais descendemos.
Não havia divisão de raças, nações e tribos. E, como os demais preceitos do
decálogo, é de imutável obrigatoriedade. Dessa lei de que o quarto mandamento é
uma parte, declara Cristo: "Até que o céu e a Terra passem, nem um
jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido." Mat. 5:18. Enquanto
céus e Terra durarem, continuará o sábado como sinal do poder do Criador. E
quando o Éden florescer novamente na Terra, o santo e divino dia de repouso
será honrado por todos debaixo do Sol. "Desde um sábado até ao outro",
os habitantes da glorificada nova Terra irão "adorar perante Mim, diz o
Senhor" (Is 66:23).
4) Muito depois de
Moisés o profeta Isaías mostra que um relacionamento de salvação com o Senhor
não estava limitado só aos judeus. A salvação é aberta a todos os que “se
chegam ao Senhor”. Ele mostra que a justiça, a salvação e a vida eterna
também eram destinados aos gentios. E, se a salvação é para todos, o sábado
também é para todos os povos. E, um “nome especial melhor do que filhos e filhas
será dado aos que guardarem o sábado.” Lá não diz “bem-aventurado os
israelitas”, mas “bem aventurado o filho do homem” que guarda o sábado. (Is
56:1-8). Portanto, o pacto de Deus quanto ao sábado é para toda a humanidade e
não somente para o israelita.
5) A Bíblia denomina o
“sábado do Senhor” e não de sábado de
Israel num sentido nacional (Êx 20:8-11; Is 58:13).
6) O profeta Isaías declarou que o povo de Deus iria
para o exílio por causa da rebelião nacional, mas quando Ele os restabelecesse
com o restante da humanidade (pessoas de todos os povos e nações) em uma Nova
Terra, eles adorariam o Senhor de um sábado a outro sábado (Isa. 66:22 e 23).
Ora, o fato de que Deus diz que nos “novos céus”, o sábado continuará a ser
guardado por todos os remidos, evidencia que o sábado é uma instituição eterna.
Ademais, os cristãos se
constituem no Israel espiritual. Deus não tem absolutamente nenhuma promessa
para os gentios, senão quando se tornam Israel. O gentio, como gentio, está
completamente sem esperança, e isto a Palavra de Deus declara repetidamente.
Jesus era da raça de Israel. Também os profetas, e todos os apóstolos, os
autores do Novo Testamento eram israelitas. Jesus mesma declarou que "a
salvação vem dos judeus." João 4:22. Somente Israel será salvo. A Bíblia
afirma:
"É porventura Deus
somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios
certamente... Porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por
serem descendência de Abraão são todos filha (...) E, se sois de Cristo, então
sois descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.(...) Naquele
tempo estáveis sem Cristo, separados da comunhão de Israel, e estranhos aos
concertos da promessa, não tendo esperança... mas agora em Cristo Jesus, vós,
que antes estáveis longe, já pelo sangue de Crista chegastes perto (...) E ouvi
o número dos assinalados e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados de
todas as tribos dos filhos de Israel." (Rm. 2:28; 9:6 e 7; Gl. 3:29; Ef.
2:12 e 13; Ap. 7:4).
Notemos o que diz o
comentarista batista William Carey Taylor em A Epístola aos Gálatas, pág. 316:
"O gentio por sua
fé se torna descendente espiritual de Abraão, membro do Israel de Deus. A
Jerusalém palestiniana e seu povo são repudiados categoricamente: 'está em
escravidão com seus filhos' Gál. 3:25. Os crentes gentios são 'como Isaque,
filhos da promessa'. 28. Israel segundo a carne passa a ser 'lançado fora,' não
será 'herdeiro' das promessas proféticas, v. 30, antes identifica-se com a
escrava Agar e o bastardo Ismael: mas o filho, o herdeiro, o Isaque, o Israel
real, o povo de Deus, a Jerusalém celestial e seus filhos, são os crentes
gentios, incorporados com Jesus e Paulo e os outros apóstolos, no tronco indestrutível
da árvore de Abraão e da aliança da graça."
Na gloriosa cidade que
dará a Seus filhos, há doze portas, e seus nomes são os das doze tribos de
Israel. É preciso que nos tornemos Israel. Mesmo o estrangeiro, o gentio, terá
que tornar-se membro da família de Deus, do Israel espiritual. Não há uma lei
para o judeu e outra para o gentio, que peregrina conosco, como aqueles que
peregrinavam com o Israel literal. (Nm. 15:16).
"Aquilo que Deus
propôs realizar em favor do mundo por intermédio de Israel, a nação escolhida,
Ele executará afinal por meio de Sua igreja na Terra hoje. Ele arrendou Sua
vinha 'a outros lavradores'" (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 713 e
724).
Portanto, os
privilégios de Israel transferiram-se a nós. Somos "os outros lavradores",
mas as bênçãos da vinha são as mesmas. Todas as bênçãos divinas, inclusive o
sábado, se transferiram para o Israel espiritual. Tanto Jesus quanto Seus
discípulos ensinam que os privilégios e responsabilidades de Israel foram
transferidos, na Nova Aliança, de Israel para a Igreja. Ela agora é o Israel
segundo a fé, enxertada no remanescente do Israel segundo a carne.
O Pastor Apolinário
ainda insinua que a graça anulou a lei (a maior deturpação teológica de todos
os tempos). É um erro crasso ensinar que a graça de Deus isenta os cristãos da
obediência a Deus. A Bíblia em lugar algum ensina que a salvação pela graça e
aceita pela fé nos livra do dever de obedecer a Deus. A GRAÇA NOS SALVA DO
PECADO, NÃO NO PECADO. Ela não nos salva para continuarmos pecando. Isso é uma
graça barata. A graça é o poder que habita o cristão salvo a obedecer a Deus.
Cito dois textos bíblicos que esclarece essa clara doutrina das Bíblia Sagrada:
1) Na Carta aos
efésios, cap. 2:8-10, após falar da salvação unicamente pela graça de Deus, o
apóstolo Paulo afirmou: “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus
para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as
praticássemos” (Efésios 2:10). Note que Paulo deixa claro que o cristão salvo realiza
as obras que “Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos”. Logo, as
obras são resultado dessa relação salvífica do crente com Deus. O cristão não
obedece a Deus (obras) para se salvar, mas porque já está salvo. A obediência a
lei de Deus, como obra da fé, é uma consequência natural da salvação em Cristo.
2) A experiência da
Mulher adúltera registrada em João 8, é um claro exemplo da relação harmoniosa
entre Fé e Obras, Lei e Evangelho. Após ter Cristo perdoado e justificado
aquela mulher, o que ele disse para ela? “EU TAMBÉM NÃO A CONDENO. AGORA VÁ E
ABANDONE SUA VIDA DE PECADO" (JOÃO 8:11, NVI). Que pecado cometia aquela
mulher? O pecado do adultério. Note que Cristo perdoou-a, salvou-a do pecado e
depois ordenou-lhe que não deveria mais
cometer pecados, ou seja, deveria guardar a lei de Deus, que diz
taxativamente: “Não adulterarás” (Êxodo 20: 14). Ela deveria obedecer a Deus
depois de sua experiência de justificação pela fé. Tal é a experiência de todos
os cristãos justificados pela fé em Jesus.
Esta verdade (salvação
unicamente pela graça) não anula a lei; Ela apenas mostra que a lei não pode
nos dar vida eterna. O apóstolo Paulo afirmou: “ANULAMOS ENTÃO A LEI PELA FÉ?
DE MANEIRA NENHUMA! PELO CONTRÁRIO, CONFIRMAMOS A LEI” (ROMANOS 3:31). Como
resultado de termos sido perdoados por meio de Cristo, nosso relacionamento com
a lei passa a ser diferente. Agora somos chamados a viver uma vida agradável a
Ele (I Ts 4:1); Paulo se refere a isso como andar no Espírito (Gl 5:16-18).
Isso não significa que a lei moral não seja mais aplicável: a questão nunca foi
essa. Como poderia ser assim, quando vemos claramente que é a lei que define o
pecado (Romanos 3:20)?
Em vez disso, visto que
a lei é uma cópia do caráter de Deus, pela obediência à lei simplesmente
refletimos Seu caráter. Mais do que isso, entretanto, não seguimos apenas um
conjunto de regras, mas o exemplo de Jesus, que faz por nós o que a lei nunca
poderia fazer: na Nova Aliança Ele escreve a lei em nosso coração (Hb 8:10) e
torna possível que o preceito da lei se cumpra em nós (Rm 8:4). Ou seja,
através de nosso relacionamento com Jesus, temos o poder para obedecer à lei
como nunca antes.
Observe o que ensina a
Igreja Católica:
“Os
cristãos deslocaram, de um dia, a observância do repouso ou do sétimo dia,
porque foi no dia posterior ao sábado – ou domingo – que o Senhor Jesus
ressuscitou dos mortos, apresentando ao mundo a nova criatura. (...) O próprio
Deus, colocando a ressurreição de Cristo, por excelência, ou sábado dos
cristãos, deveria ser deslocado de um dia” (Felipe Aquino, Falsas Doutrinas:
Seitas e Religiões, p. 85).
“O
sábado, que representava o término da primeira criação, é substituído pelo
domingo, que lembra a criação nova, inaugurada com a Ressurreição de Cristo. A
Igreja celebra o dia da ressurreição de Cristo no oitavo dia, que é
corretamente chamado dia do Senhor, ou domingo. O domingo (...) deve ser
guardado em toda a Igreja como o dia de festa de preceito por excelência” (Catecismo
da Igreja Católica, Ed. Típica Vaticana, p. 573).
Esse ensino católico e
reproduzido pelos líderes evangélicos representa um engano. É uma mentira
agradável. Até porque Jesus não fez qualquer tentativa de instituir um memorial
de Sua ressurreição, como sugere a Igreja Católica. Se Jesus desejasse que o
dia de Sua ressurreição se tornasse um dia memorial e de culto, Ele teria Se
aproveitado daquele evento para estabelecer tal memorial. É importante
ressaltar que as instituições divinas como o sábado, batismo, Santa Ceia, todos
remontam sua origem a um ato divino que os estabeleceu. Sobre o dia da Sua
ressurreição, contudo, Cristo não realizou qualquer ato para instituir um
memorial relativa ao excepcional evento.
Se Jesus desejasse
memorializar o dia de Sua ressurreição, muito provavelmente teria dito às
mulheres: “Vinde à parte e celebremos minha ressurreição!” Em vez disso Ele
disse às mulheres: “Ide avisar a meus irmãos que dirijam à Galileia (Mt 28:10).
E aos discípulos: “Ide... fazei discípulos... batizando-os” (Mt 28:19). Nenhuma
dessas declarações do Salvador ressurreto revela intenção de memorializar Sua
ressurreição por tornar o domingo o novo dia de descanso e culto para a
comunidade cristã.
Depois da ressurreição,
Cristo passou 40 dias instruindo Seus discípulos sobre o estabelecimento de Sua
Igreja e, no entanto, não disse que o sábado foi transferido para o domingo por
causa de Sua ressurreição. Se realmente o sábado tivesse sido abolido Jesus
diria abertamente.
É curioso notar que um
verso no evangelho de Lucas, escrito 40 anos depois da ressurreição, afirma que
as mulheres "no sábado, descansaram, segundo o mandamento" (Lucas 23:56).
O advogado e teólogo protestante Dr. William Smith no seu célebre Dicionário
da Bíblia, pág. 366, embora advogando a vigência do domingo, reconhece
a escassez de provas e admite honestamente o seguinte em relação a esses
textos: “Tomadas separadamente, talvez, ou mesmo todas em conjunto, estas
passagens se nos afiguram não muito adequadas para provar que a dedicação do
primeiro dia da semana ao propósito acima mencionado [dia de repouso em honra
da ressurreição] fosse matéria de instituição apostólica, ou mesmo uma prática
dos apóstolos".
Outra ilação pregada
pelo mundo cristão é a abolição da Lei de Deus. Note o que diz as Testemunhas
de Jeová acerca dessa questão:
“Quando
Cristo veio e deu a sua vida perfeita qual sacrifício, que aconteceu à Lei? Foi
removida. (...) Significa isso que a lei sobre guardar um sábado semanal, que é
o quarto dos Dez Mandamentos, também foi removida? Sim, foi” (Poderá Viver Para
Sempre no Paraíso na Terra?, STV, 1989, p. 204 e 206).
Isso é evangelho
coberto com açúcar. É falso evangelho. É ilógico supor que Jesus cancelou,
acabou ou removeu Sua própria Lei. Primeiro, porque ela é eterna, como é eterno
o nosso grande Deus (Sl 111:7, 8). Segundo, porque por ela será julgada toda
criatura (Tg 2:12).
Como disse certa vez
Arnaldo B. Christianini:
“Morrendo na cruz, em
nosso lugar, Cristo nos redimiu não da obrigação de obedecer ao Decálogo, porém
“da maldição da lei” (Gl 3:15), que é a morte. Ao invés de revogar ou anular os
Dez Mandamentos, o sacrifício de Cristo na cruz os confirmou em sua
imutabilidade e em sua universalidade.
“A cruz do calvário é o
irrespondível argumento de que a lei de Deus não pode ser abolida. Pagaria
Jesus a pena imposta por uma lei ab-rogável ? Morreria Ele na cruz para
satisfazer as exigências de uma lei imperfeita, falha, inútil, que estivesse
para ruir? Ter-se-ia Cristo imolado para salvar o pecado de uma lei precária?
Eu não sou judeu, mas crio que Cristo me resgatou da maldição da lei.
“Pela lei vem o conhecimento
do pecado” (Rm 3:20) – escreveu Paulo várias dezenas de
anos após a morte de Jesus. E
entre os pecados de sua experiência pessoal que a lei revela, cita o “não
cobiçarás” do decálogo. “Pecado é a transgressão da lei” (I Jo 3:4).
(...) Note-se que esta declaração escrita quase 40 anos após a crucificação não
diz que pecado era transgressão a lei, mas que É. Que lei? Certamente
não se referia ao cerimonialismo judaico, já perempto, mas à lei moral, cuja
súmula é o decálogo. (...) Mas se a lei foi abolida... nem pecado existe mais
(porque não se pode transgredir o que não existe)” (Sutilezas do Erro, Santo
André SP: Casa Publicadora Brasileira, 1965, p. 80, 81).
Paulo ainda afirma que “se
não há lei, também não há pecado” (Rm 4:15; 5:13). Se admitirmos que a
lei foi abolida, então, o raciocínio lógico é que, se não há pecado (em virtude
do cancelamento da lei de Deus), não pode haver salvação, pois ela é a
consequência da conversão do pecador. Se todos, porém, são justos (pois não há
uma lei que aponte e mostre pecados), pra que serve a salvação? Ora, se não há
salvação, que necessidade de Jesus? Conclui-se pela palavra dos que advogam a
tese da abolição da lei de Deus que, não havendo lei, informa Paulo, não há
pecado. Não havendo pecado, dizemos que todos se salvarão, e o sacrifício de
Jesus foi vão, inútil e desnecessário, e é isso que o inimigo de Deus deseja,
levando os homens a pensarem que a lei de Deus foi abolida. Percebe o amigo
leitor o engano satânico?
Ademais, em Mateus
5:17 até 40 o Senhor Jesus reafirmou, de modo cristalino, irrevogável,
irretratável e indiscutível a validade continuada da Lei dos Dez Mandamentos
que o Senhor Deus outorgou aos homens, até a Consumação dos Séculos. Ele
afirmou categoricamente: "Não pensem que vim abolir a Lei ou
os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. Digo-lhes a verdade: Enquanto
existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o
menor traço, até que tudo se cumpra” (Mateus 5:17,18, NVI). Nessas
palavras Ele não deixa dúvida alguma de que se referia, com alta gravidade,
à validade permanente dos Dez Mandamentos da Lei dos Profetas, que, sendo Ele
também Deus, temos de entender essas suas revelações a respeito da Lei como
irrevogável, irretratável, irremovível, insofismável e indiscutível. Vale
ressaltar que a santificação do sábado faz parte intrínseca desses Dez
Mandamentos (Êx 20:8-11).
Quanto ao mandamento do
sábado é importante dizer que ele é um dia separado (santificado) para Deus
poder estar presente entre a humanidade e conversar face-a-face e para receber
louvores e adoração (Gn 2:1-3). O sábado é uma instituição divina que vem desde
a criação cujo objetivo ao homem é o de deixar as tarefas de lado para
descansar, porque nos cansamos. Mas também é o dia de adoração e santificação
do Senhor de todo o universo (Êx 20:8-11; Isaías 58:13).
Enquanto Deus for nosso
criador, este dia jamais poderá ser suprimido, pois é algo necessário, tanto
para fisiologia humana, quanto para a espiritualidade. O sábado é uma reunião
em família entre irmãos e O Criador. Não é a toa que este seja o princípio
fisiológico e espiritual mais atacado por Satanás, que pretende receber a
adoração que era destinada exclusivamente à Deus e não dar descanso para que
pensem em Deus, principalmente por um dia inteiro.
Como já enfatizamos
anteriormente, o Novo Testamento deixa claro que os pecadores não são
justificados ou salvos “pelas obras da lei”, mas a partir dessa verdade
concluir que os Dez Mandamentos já passaram, e não precisam ser guardados, é um
erro crasso. Se olharmos de perto para
as obras da carne citadas por Paulo na lista de Gálatas 5:19-21, e depois compará-las
com Êxodo 20:3-17, veremos que Paulo está realmente listando violações
específicas da Lei de Deus. “Adultério” quebra o sétimo mandamento, “idolatria”
viola o segundo, e “homicídio” quebra o sexto. Em seguida Paulo enumera nove
“frutos do Espírito”, como “amor”, “alegria”, e “paz”, e conclui dizendo:
“Contra estas coisas não há lei”. O que significa isso? Isso significa que a lei
de Deus não é contra esses bons frutos, mas ainda é contra os maus! Assim, a
lei de Deus ainda existe, e deve ser obedecida. Podemos ter certeza que esta é
a intenção de Paulo, porque em outra carta ele citou o quinto mandamento,
afirmando: “Honra teu pai e tua mãe”, e, em seguida, ele ordena que os filhos
cristãos sejam “obedientes”! (Ver Efésios 6:1-3).
Então, qual é o
verdadeiro evangelho, afinal? Nós não precisamos especular, pois a resposta
está na Bíblia Sagrada. Paulo escreveu:
“Também vos notifico,
irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no
qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como
vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos
entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as
Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as
Escrituras.” (1 Coríntios 15:1-4).
Aí está, claro e
simples, direto da pena inspirada de Paulo. “Cristo morreu por nossos pecados …
foi sepultado … e ressuscitou dos mortos”. Esse é o evangelho. Mais uma vez
perguntamos: O que é “pecado”? Novamente, não precisamos adivinhar, pois João
disse-nos claramente quando ele escreveu, “O pecado é a transgressão da lei” (1 João
3:4). Então, como devemos responder a Boa Nova de que o nosso amado
Salvador morreu numa cruel cruz para pagar a pena completa por nossos pecados
de quebrar os Dez Mandamentos? A resposta bíblica é que devemos nos
“arrepender” (ver Atos 2:38) – o que significa afastar-se dos pecados de
quebrar a lei de Deus – e crer no evangelho. Em seguida, o próprio Jesus nos diz:
“Se
me amais, guardai os meus mandamentos” (João 14:15), que é uma citação
direta do segundo mandamento (ver Êxodo 20:06).
Se dermos ouvidos a
esse conselho inspirado, vamos evitar o falso evangelho do “eu não preciso
guardar a lei” e escapar do engano. Em seguida, iremos seguir “a verdade do
evangelho” (Gálatas 2:5) nestes últimos dias.
Diante do exposto,
baseado nas Sagradas Escrituras, dizemos que a Lei moral de Deus existirá
sempre, enquanto houver pecado. Ela permanecerá como a expressão da vontade de
Deus para com o homem.
Transigência
Perigosa
Nos dias dos profeta
Ezequiel e Jeremias, as pessoas escusando-se de ouvir praticar a Lei de Deus,
estabeleciam sua própria agenda: “Queremos ouvir coisas agradáveis”. Os líderes religiosos ofereciam-lhe agradáveis
mentiras. Mas, o profeta, fiel à sua vocação, obediente ao seu discipulado,
expressa o que pensa Deus a respeito de quem deseja servi-Lo não como ele
determinou, mas como lhe agrada a conveniência. Disse Deus: “Seus
sacerdotes cometem violência contra a minha lei e profanam minhas ofertas
sagradas; não fazem distinção entre o sagrado e o comum; ensinam que não existe
nenhuma diferença entre o puro e o impuro; e fecham os olhos quanto à guarda
dos meus sábados, de maneira que sou desonrado no meio deles” (Ez 22:26).
A geração atual encarna
de sobejo esta experiência negativa. Nomeando o nome do Senhor, vivem os
valores do evangelho baseando-os em normais culturais. A dimensão religiosa de
quem quer que seja, praticada com qualquer capa cristã, não transcende a
verdade revelada. Deus é absoluto. Seu amor é absoluto. Sua lei é absoluta.
O amor de Cristo fê-Lo
ser obediente até a morte e morte de cruz (Fl 2:5-8). O amor que não gere
obediência é, possivelmente, um sentimento equivocado. Considere isso:
“O evangelho que está
sendo pregado em muitas igrejas hoje é um evangelho açucarado. Os três passos
fáceis para a salvação parecem ser a ordem do dia. Ao ouvir muitos pastores
evangelistas pregarem, não se sabe se eles estão apresentando um Senhor
crucificado ou um pagamento sem acréscimo, em 12 prestações módicas de ir para
o Céu. (...) Abandonemos a tentativa de atrair os homens para Cristo dando-lhes
um evangelho adocicado, e restaremos a lei ao seu devido lugar na pregação da
salvação pela graça mediante a fé”.
Estas sinceras palavras
são de M. Dean Stephens, pároco da Igreja Episcopal Americana da St. Philip,
Wilmingston, Carolina do Norte, Christanity Today, 11 de agosto de 1972),
citado na Revista Adventista de abril de 1991.
Caro amigo leitor, vivemos
um momento delicado no mundo cristão, em que muitas teologias têm aparecido
para enganar os filhos de Deus. O perigo é tão grande que o próprio Jesus
avisou que, se possível, os eleitos seriam enganados (Mt 24:24). Diante dessa
avalanche de heresias e enganos, precisamos nos firmar em Cristo, através do
conhecimento perfeito de sua Palavra. Esta é a nossa salvaguarda contra os
enganos dos últimos dias. “Olhando para os últimos dias, declarou o
apóstolo Paulo: "Virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina." II
Tim. 4:3. Chegamos, já, a esse tempo. As multidões rejeitam a verdade das
Escrituras, por ser ela contrária aos desejos do coração pecaminoso e amante do
mundo; e Satanás lhes proporciona os enganos que amam. Mas Deus terá sobre a
Terra um povo que mantenha a Bíblia, e a Bíblia só, como norma de todas as
doutrinas e base de todas as reformas. As opiniões de homens ilustrados, as
deduções da ciência, os credos ou decisões dos concílios eclesiásticos, tão
numerosos e discordantes como são as igrejas que representam, a voz da maioria
- nenhuma destas coisas, nem todas em conjunto, deveriam considerar-se como
prova em favor ou contra qualquer ponto de fé religiosa. Antes de aceitar
qualquer doutrina ou preceito, devemos pedir em seu apoio um claro -
"Assim diz o Senhor" (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 594,
595).
Cremos que o Deus Espírito
Santo haverá de iluminar os cristãos sinceros que estão em busca da verdade que
com todas essas considerações não se deixarão enganar com as “mentiras
agradáveis” dos promotores da intriga e da mentira contra os que defendem os
ensinos bíblicos. São os que se caracterizam como pertencentes ao grupo de
servos remanescentes de Deus, os que “guardam os mandamentos de Deus e têm a fé
de Jesus” (Apo. 14:12).
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