TIETAGEM NO MEIO ADVENTISTA E O PECADO DA IDOLATRIA MUSICAL
Ricardo
André
Particularmente gosto
muito de ouvir música sacra, aquela que se aproxima do "canto correto, harmonioso"
e glorifica a Deus. Mas, nestes últimos anos, um fenômeno que tem se tornado
cada vez mais comum no meio adventista, tem causado em mim uma preocupação
ingente: à semelhança dos cantores seculares, muitos de nossos cantores têm
promovidos shows nas nossas igrejas, que em tudo o que fazem querem promover
sua imagem pessoal, sua foto, seu visual, seu fã-clube, sua capacidade vocal
exuberante, seu CD. Tudo o que eles fazem precisa ser um show. Nessas apresentações
a tietagem é explícita entre os admiradores das “estrelas adventistas”. Ao falarmos
nisso nos vem à memória um pequeno trecho do Espírito de Profecia, onde a irmã
Ellen G. White adverte sobre isso: “Exibição não é religião nem santificação.
Coisa alguma há, mais ofensiva aos olhos de Deus, do que uma exibição de música
instrumental, quando os que nela tomam parte não são consagrados, não estão
fazendo em seu coração melodia para o Senhor. A mais aprazível oferta aos olhos
de Deus, é um coração humilhado pela abnegação, pelo tomar a cruz e seguir a
Jesus.
“Não temos tempo agora
para gastar em buscar as coisas que agradam unicamente aos sentidos. É preciso
íntimo esquadrinhar do coração. Necessitamos, com lágrimas e confissão partida
de um coração quebrantado, aproximar-nos mais de Deus; e Ele Se aproximará de
nós” (Review and Herald vol. 76, nº 46, 14 de novembro de 1899).
Filosofia Adventista de
Música de 2006, votada pela Conferência Geral dos ASD diz que o músico ou o canto “Evita
tudo o que possa tirar a atenção da mensagem da música, como gesticulação
excessiva e extravagante e orgulho na apresentação. (Ver Evangelismo, pág.
501.)”
Muitos desses astros da
Música Popular Adventista (MPA) costumam ser vaidosos, exigentes, imodestos...
Infelizmente, vemos hoje cantores agindo como os tais. Para se apresentar numa
igreja fazem inúmeras exigências. Alguns exigem ficar no hotel ou em uma sala
com ar condicionado até que chegue a hora de se apresentarem; exigem cachês
excessivamente elevados ou a venda de uma quantidade de CD’s; não participam do
culto. São poucos os que estão preocupados em cantar aquilo que vai tocar e
transformar, que defendem os valores de Deus e da igreja acima dos seus.
O atual cenário
adventista é deveras angustiante. Cada vez mais nossos jovens estão se portando
como fãs de cantores! Isso mesmo.
Organizam shows de cantores em suas igrejas para fazerem imitações populares, onde
ocorrem desagradáveis manifestações explícitas de tietagem antes, durante e
depois das apresentações desses cantores (que incluem aplausos, assobios,
selfs, autógrafos, entre outros). Literalmente, os aplausos tomam o lugar da
reverência. Essas apresentações focam tanto no espetáculo, na pessoa que
enfraquecem ou anulam a força da mensagem.
Na maioria das vezes estas apresentações estão destinadas a promover
alguém ou alguma coisa. E isso é muito perigoso.
Em reuniões de “louvor”
nas quais existem aplausos abre-se brechas para o inimigo atuar, pois, o
pioneiro da exaltação própria foi Lúcifer. Esses aplausos agradam os incautos e
orgulhosos, são um laço para os inexperientes, escândalo para os sinceros,
tristeza para os anjos e abominação para Deus. Nossas reuniões nunca deveriam
ser contaminados com tais atos de irreverência, ainda que alguns afirmem que
são demonstrações de louvor.
Ellen G. White
escreveu: "Peço-vos que estudeis de novo a cruz de Cristo. Se todos os
orgulhosos e vangloriosos cujo coração anseia aplauso dos homens e distinção
acima de seus companheiros pudessem estimar devidamente o valor da mais
exaltada glória terrena em comparação com o valor do Filho de Deus - rejeitado,
desprezado, cuspido por aqueles mesmos a quem viera salvar - quão
insignificantes pareceriam todas as honras que o homem mortal pudesse conferir!
(...) Vigiar e controlar o próprio eu, dar preeminência a Jesus e manter o
próprio eu fora de vista requer constante, diligente e atento esforço."
(Testimonies, vol. 4, págs. 374-376. Citado em Exaltai-O, pág. 241).
"Um grande defeito
no caráter de Saul era seu amor à aprovação. Esta característica tivera uma
influência preponderante em suas ações e pensamentos; tudo se assinalava pelo
seu desejo de louvor e exaltação própria. Sua norma para o que era reto e
aquilo que o não era, consistia no baixo padrão do aplauso popular. A pessoa
que vive para agradar aos homens, e não procura primeiramente a aprovação de
Deus, não está livre de perigo." (Patriarcas e Profetas, pág. 650).
Uma coisa está se
tornando cada vez mais comum entre os jovens adventistas, hoje em dia: O
fã-clube. Eles escolhem alguns cantores para “seguirem-nos”, tornando-se
fã-clube deles. No final dos shows fazem selfs, tietagem enfim. Tudo o que
querem é ficar perto do seu ídolo... Isso é idolatria! E muitos jovens estão
embarcando nessa “canoa furada”. É tudo uma vitrine de como anda a cabeça de
muitos de nossos jovens que ainda amam o mundanismo e fazem de tudo para tentar
alimentarem, coisas que gostam de fazer exatamente igual o que os jovens do
mundo fazem com seus ídolos seculares. Muitos deles ficam deslumbrados por
terem tocado em um cantor... Diga-me: Isso não é idolatria? O que é mais triste
é ver que muitos cantores apoiam tais manifestações mundanas, ignorando que
Deus não dá a sua glória para ninguém (Is 42.8). A prática da tietagem é
secular, mundana, e a Palavra de Deus nos orienta a não nos conformarmos com o
mundo (Rm 12.1,2; 1 Jo 2.15-17).
O maior perigo é que
esses shows centralizam-se na pessoa do artista, ou em algum traço de sua
pessoa, como carisma, técnica vocal, etc. Isto significa que o louvor está
sendo dado a homens e Deus vem a ser roubado de Sua glória. O Senhor não divide
o palco com ninguém - ou Lhe damos todo o louvor ou Ele fica sem louvor nenhum!
Muitos jovens não são
capazes de defender as doutrinas adventistas, mas, se alguém falar alguma coisa
de seu cantor preferido ou do estilo de música adotado por ele, que se
assemelha aos estilos seculares, mundano, prepare-se para a guerra. Que engano!
É óbvio que podemos admirar, defender, se for o caso, alguém que admiramos, mas
blindá-lo de tal modo, a ponto de não admitir que ninguém fale nada de suas
composições é uma postura extremada e perigosa.
Lamentavelmente, muitos
dos nossos jovens estão, consciente ou inconscientemente, cometendo pecado da
idolatria. E fazem isso dando uma série de boas desculpas esfarrapadas. Por
exemplo, quando querem idolatrar seu cantor gospel preferidos, exaltando-o
sobre as alturas, falam às pessoas que ele é um grande homem de Deus, um
referencial para eles. Então, fazem desta pessoa seu ídolo, tendo em casa um
altar para ele, com todos os seus CDS, com uma foto ou capa de CD’s, agenda autografadas,
uma camisa do fã-clube e outros apetrechos que farão parte do seu devocional a este
ídolo. Assim, o jovem acaba se tornando um idólatra, tornado seu próprio irmão
na fé num deus. Vale dizer que adorar também significa “devotar a vida”.
Tal estado de coisa
chegou a um ponto que ninguém pode denunciar a tietagem e estilo de música
contaminado pelo mundanismo desses “pop star adventistas”. Se alguém se levantar
contra esses absurdos dos cachês e exigências, da idolatria escrachada é rapidamente apedrejado pelos idólatras
daquele determinado “deus gospel”. E como uma forma de autodefesa afirmam de
forma incisiva: Respeite minha opinião que eu respeito a sua.
Cito aqui um texto base
que refuta de vez qualquer tentativa de introduzir o mundanismo e essa tietagem
na Igreja que está em I Tessalonicenses 5:22 onde diz “fugi da aparência do mal”
e também em II Coríntios 6:14 que fala que “não há comunhão entre luz e trevas”.
Há certos tipos de
músicas que estão invadindo os arraiais da igreja, a exemplo do pop gospel e
rock gospel, ou seja, música altamente comercial, do mesmo tipo que se ouve nas
FMs seculares. E sobre isso Ellen G. White nos advertiu: "As
coisas que descrevestes como tendo lugar em Indiana, o Senhor revelou-me que
haviam de ter lugar imediatamente antes da terminação da graça. DEMONSTRAR-SE-Á
TUDO QUANTO É ESTRANHO. HAVERÁ GRITOS COM TAMBORES, MÚSICA E DANÇA. OS SENTIDOS
DOS SERES RACIONAIS FICARÃO TÃO CONFUNDIDOS QUE NÃO SE PODERÁ CONFIAR NELES
QUANTO A DECISÕES RETAS. E ISTO SERÁ CHAMADO OPERAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO. O
ESPÍRITO SANTO NUNCA SE REVELA POR TAIS MÉTODOS, EM TAL BALBÚRDIA DE RUÍDOS.
Isto é uma invenção de Satanás para encobrir seus engenhosos métodos para
anular o efeito da pura, sincera, elevadora, enobrecedora e santificante
verdade para este tempo. É MELHOR NUNCA TER CULTO AO SENHOR MISTURADO COM
MÚSICA DO QUE USAR INSTRUMENTOS MUSICAIS PARA FAZER A OBRA QUE, FOI-ME
APRESENTADA EM JANEIRO ÚLTIMO, SERIA INTRODUZIDA EM NOSSAS REUNIÕES CAMPAIS. A
verdade para este tempo não necessita nada dessa espécie em sua obra de
converter almas. Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo
que, se devidamente dirigido, seria uma bênção. AS FORÇAS DAS INSTRUMENTALIDADES
SATÂNICAS MISTURAM-SE COM O ALARIDO E BARULHO, PARA SE TER UM CARNAVAL, E ISTO
SERÁ CHAMADO DE OPERAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO. NENHUMA ANIMAÇÃO DEVE SER DADA A
TAL ESPÉCIE DE CULTO” (Grifo nosso) (Carta 132, 1900 a S. N. Haskell ,
publicado nos livros Mensagens Escolhidas,
vol. 2, pág. 36 e 37 e Conselhos Sobre Música, pág. 27).
“(...) Essas coisas que
aconteceram no passado hão de ocorrer no futuro. Satanás fará da música um laço
pela maneira por que é dirigida. Deus convida o Seu povo, que tem a luz diante
de si na Palavra e nos testemunhos, a ler e considerar, e dar ouvidos. (...)
(Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 37 e 38).
Percebeu? Veja se não é
a descrição da maioria dos shows dos vários cantores adventistas e dos serviços
de louvor realizados pelas bandas de
várias igrejas de hoje. Essas coisas terão lugar “antes do fim do tempo de graça”.
E elas já estão ocorrendo. Eu já vi essas coisas acontecerem, para
minha decepção. Vamos sintonizar o coração, o ouvido e todos os nossos sentidos
com as melodias do Céu. Não podemos comparecer perante o Senhor com fogo
estranho, mesmo que tenha aparência de fogo santo.
Como
devem ser as apresentações musicais?
Em face do exposto, de
pronto surge a seguinte questão: Como devem ser as nossas apresentações
musicais? Ellen G. White responde em poucas palavras: "A melodia do canto,
derramando-se dos corações num tom de voz claro e distinto, representa um dos
instrumentos divinos na conversão de almas. Todo o serviço deve ser efetuado
com solenidade e reverência, como se fora feito na presença pessoal de DEUS
mesmo." (Testemunhos Seletos,
vol.2, p. 195).
"Com solenidade e
reverência, como se fora feito na presença pessoal de DEUS mesmo." A
trombeta do testemunho cristão não pode estar fora de tom: Não há lugar para a
irreverência, para a falta de preparo, para músicas impróprias, para volume de
som inadequado, vestuário inadequado, exibicionismo e exaltação dos cantores,
expressões vocais e físicas impróprias ou qualquer outra coisa que estaria fora
de lugar na presença pessoal de DEUS” (Manuscrito 21, 1891. - Evangelismo, pág.
502).
Também não há lugar
para o emocionalismo: "Outros ainda vão ao extremo oposto,
pondo mais força nas emoções religiosas, e manifestando intenso zelo nas
ocasiões especiais. Sua religião parece ser mais da natureza de um estimulante
do que uma permanente fé em CRISTO.
"Os verdadeiros
pastores conhecem o valor da obra interior do ESPÍRITO SANTO sobre o coração
humano. Satisfazem-se com a simplicidade nos cultos. Em vez de dar valor ao
canto popular, volvem sua atenção principalmente para o estudo da Palavra, e
dão de coração louvor a DEUS. Acima do adorno exterior, consideram o interior,
o ornamento de um espírito manso e quieto. Na sua boca não se acha
engano." (Idem)
Concluo oferecendo um
conselho a todos os jovens que deixem de lado as efemeridades e amadureçam, a
fim de que agradem a Deus (Ec 12.1). O Senhor Jesus não os salvou para que
sejam fãs de cantores. Isso a nada leva. Nem o Senhor Jesus deseja ter fãs! Ele
chama os que, renunciando a si mesmos e tomando a sua cruz, desejam ser
seguidores (Lc 9.23).
Lembremo-nos do que
está escrito em Isaías 42.8: “Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória,
pois, a outrem não darei(..).”
Deus ajude a Sua igreja
a voltar às “Veredas Antigas” (Jr 6:16)!
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