POR QUE OS LÍDERES DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ DESACOSELHAM OS JOVENS TJ CURSAREM A UNIVERSIDADE?
Ricardo
André
Nestes últimos cinco anos
tive diversos alunos Testemunhas de Jeová no Ensino Médio. Alguns deles eu
acompanhei do 1º ao 3º ano. Por serem bons alunos, aplicados aos estudos e
inteligentes, procurei sempre incentivá-los, desde o 1º ano do EM a
prepararem-se para realizar as provas do ENEM, pois possuíam potencialidades
para lograrem êxito e ingressar na UFS (Universidade Federal de Sergipe).
Contudo, em todos eles percebi resistência a ideia. Aquela atitude deles me
deixou intrigado. Eu comecei a pensar: Como pode Maria (nome fictício) tão
inteligente e com potencial de fazer um bom Exame se recusa a fazê-lo? Por que
Carla (nome fictício) com uma capacidade enorme decidiu não fazer o ENEM, uma
vez que ele é, hoje, uma porta de entrada na Universidade pública? Cursar uma
Universidade é um sonho de milhões de jovens no mundo todo. Afinal, cursar o
ensino superior abre inúmeras portas de emprego e "garante" uma
melhor estabilização financeira para um futuro mais certo. Então, por que meus
bons alunos Testemunhas de Jeová não tinham motivação para ingressar nela?
Decidi, então, buscar
respostas para a atitude desses adolescentes religiosos. Nos diálogos que tive
com alguns percebi que a posição deles em relação a educação superior tinha
alguma relação com os valores religiosos ensinados pelas Testemunhas de Jeová,
embora eles não me disseram diretamente que tinha vinculação com a religião
professada por eles. Sempre negaram. Foi a partir dessa minha suspeita que
passei a pesquisar sobre isso a partir da literatura da organização religiosa
deles.
O
que dizem as publicações das TJ?
No Site Biblioteca On-line da Torre de Vigia,
encontrei um artigo com o tema: “Pais, que futuro desejam para seus filhos?”
Este artigo foi antes publicado na Revista Sentinela de 2005. Nele, percebe-se
claramente que o Gorpo Governante das Testemunhas de Jeová orienta os pais a
não incentivarem os filhos a cursar a Universidade ou Faculdade, mas a fazerem
cursos técnicos profissionalizantes ou ingressarem “no serviço de tempo
integral, como missionários”. Diz um trecho do artigo: “Em vez de estudar com o
objetivo único de cursar uma universidade, os pais e filhos precisam analisar a
possibilidade de escolher cursos profissionalizantes, úteis na busca duma
carreira teocrática” (http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2005726).
Exatamente o que todos os meus alunos me respondiam quando indagava sobre a recusa
de cursar a Universidade. As razões apresentadas no artigo da Revista para os
pais não estimularem os filhos a almejarem a educação superior são, entre
outras, o fato de que a Universidade ou faculdade é um ambiente onde “o mau
comportamento impera nas dependências e dormitórios de universidades e faculdades,
sendo comum o uso de drogas e bebidas alcoólicas, imoralidade, trapaça nos
exames, trotes, e a lista continua. Considere o uso excessivo de bebidas
alcoólicas” (http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2005726).
A Revista Sentinela
traz relatos de jovens Testemunhas que renunciaram a formação acadêmica pela de
missionário da Organização:
"Note como um
jovem, Testemunha de Jeová, usou o raciocínio e conseguiu alcançar alvos
espirituais: "Tive a oportunidade de ter uma carreira no jornalismo. Isto
me agradava muito, mas lembrei-me do versículo bíblico que diz que 'o mundo
está passando', ao passo que 'aquele que faz a vontade de Deus permanece para
sempre'... De modo que decidi dar um objetivo à minha vida e alistei-me no
ministério de tempo integral como pioneiro regular. Depois de quatro anos
gratificantes, sei que fiz a escolha certa" (A Sentinela de 15/08/2002, p.
24).
“Helga, por exemplo,
lembra que no seu último ano da escola os colegas de classe ficavam conversando
sobre seus objetivos. Muitos deles queriam fazer faculdade, pois achavam que
isso os ajudaria a ter uma carreira promissora. Helga conversou sobre isso com
seus amigos na congregação. “Muitos deles eram mais velhos e me ajudaram
muito”, conta ela. “Eles me incentivaram a entrar no serviço de tempo integral.
Então servi como pioneira por cinco anos. Hoje, anos mais tarde, me sinto feliz
por ter concentrado boa parte da minha juventude no serviço de Jeová. Não me
arrependo nem um pouco" (A Sentinela de 17/09/2015, p. 7).
Afora isso, a
organização apresenta outras razões:
"No presente
sistema de coisas, sob controle de Satanás, há muitas coisas que parecem
prometer grandes benefícios, mas, na verdade, podem ser danosos ao nosso
relacionamento com Deus. Coisas como... ir em busca de educação superior para
alcançar a posição de alguém... Poucos anos atrás, um jovem cristão... teve a
oportunidade de viajar ao exterior para dar prosseguimento a seus estudos...
gradualmente, ele perdeu seu apreço pela verdade bíblica... Em um ano ou algo
assim, ele perdeu sua fé completamente e declarou-se agnóstico” (A Sentinela de
15/8/1992, pp. 28,29, em inglês).
"Esta revista tem
enfatizado os perigos do estudo superior, e com razão, pois a educação de nível
superior opõe-se ao 'ensino salutar' da Bíblia." (A Sentinela de
1/11/1992, pp. 16-20, em inglês).
A pergunta de capital
importância é: Diante das razões apresentadas pelas Testemunhas de Jeová, devem
os cristãos cursar a Universidade?
A
Universidade Oferece Risco à Vida Cristã?
De fato, estudos
revelam que muitos jovens cristãos ao entrarem na faculdade costumam abandonar os
ensinamentos cristãos devido a vários motivos entre eles: ensinamentos e
contestações acadêmicas científicas que, muitas vezes, fogem da realidade
bíblica, pressão do grupo de amigos acadêmicos, falta de firmeza de valores e
princípios cristãos, entre outros.
Realmente, a Universidade
oferece alguns riscos para a vida cristã dos jovens, pois enfrentam permanentemente
o desafio do bombardeio intelectual, uma vez que as faculdades expõem os mesmos
a pensamentos filosóficos e teorias formuladas por pensadores ateus, agnósticos
ou céticos, que colocam as ciências acima de tudo, e fazem críticas duras ao
Cristianismo e a Deus como Voltaire, Nietzsche, Rousseau, Maquiavel, Marx, Darwin,
Hans Kelsen, entre outros.
Com essas novas
doutrinas e ensinamentos o jovem passa a crer que é necessário que ele
amadureça, e nesse processo se afaste de toda crença ou espiritualidade para
que de fato venha a conhecer como o mundo funciona. Ensinam que precisam ter
uma nova percepção da vida, procurando cada vez mais independência e liberdade
para romper com paradigmas e "tabus" estabelecidos e vivenciados
anteriormente. As Escrituras Sagradas ensinam que a verdadeira liberdade só se
tem em Cristo Jesus. "Se,
pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." João 8:36. Esses ensinamentos contribuem para o
afastamento dos jovens de Cristo, do caminho e de sua missão dada por Deus na
Terra. Bem, somado a isso tudo, este impulso e desejo de procurar liberdade e
independência é ampliado pela influencia das más amizades que muitas vezes se
formam nas Universidades. Essas influências passam a incutir na cabeça do jovem
cristão que ele deve "curtir" a vida com festas, álcool e sexualidade
deturpada, entre outras. O Jovem cristão, dessa forma, se não estiver firme em
Deus, quebra princípios e valores bíblicos, peca e é levado a se desviar de
qualquer propósito de vida estabelecido por Deus.
É fato também que na
universidade o estudante, semanalmente, está repleto de convites para
festinhas, barzinhos e showzinhos. O acesso às drogas e todo tipo de vício é
fácil. O ambiente é promíscuo, com as roupas indecentes e o comportamento
imoral dos alunos. Todo tipo de piada, blasfêmias e ridicularizações são feitas
constantemente.
Não obstante os perigos
enfrentados pelos jovens cristãos na universidade, não é correto desmotiva-los
a ingressar na Faculdade. Primeiro, porque a Bíblia não proíbe que os jovens avancem
nos estudos. Nosso mestre Jesus aos 12 anos teve a oportunidade de estar junto
aos doutores e sábios de Israel, “universitários da época”, (Lc. 2.46-47), ou
seja, estudar é algo bom, essencial eu diria, pois nos abre a mente e nos abre
um campo mais amplo de conhecimento, e isso nos ajuda até mesmo a compreender melhor
as Escrituras Sagradas. Segundo, porque esses mesmos riscos que os jovens
enfrentam na Universidade, enfrentam no Colégio de Ensino Médio, ainda que em
menor proporção. No Ensino Médio, os jovens cristãos vão encontrar alguns professores
ateus e evolucionistas que fazem duras críticas ao Criacionismo bíblico, a Deus
e aos valores do Cristianismo, uma vez que esses professores cursaram a
Faculdade e, naturalmente, reproduzirão o que aprenderam lá. E por conta disso
não enviaremos mais nossos filhos aos colégios para cursar o Ensino Médio? Não!
Absolutamente!
Atitude
Correta dos Pais
Os pais nunca deveriam
desestimular seus filhos a ingressarem na Universidade, matando o futuro
promissor dos filhos. Antes, devem incentivá-los a avançarem nos estudos.
Contudo, devem preparar seus filhos já na tenra idade para enfrentar os
desafios na Faculdade. O desafio dos pais cristãos é a cada dia inculcar ou ensinar
as verdades do evangelho aos seus filhos, guiando-os espiritualmente. É o que a
Bíblia orienta: “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as
com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em
casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se
levantar” (Deuteronômio 6:6,7, NVI). Assim, quando se depararem com
alguma nova filosofia não terão dúvidas de que crer na Palavra de Deus é bem
mais produtivo. Portanto, os pais devem transmitir os valores cristãos,
construindo a base da construção do caráter cristão, de modo que eles possam
resistir aos apelos para abandonar a fé e se envolver com as práticas
detestáveis a Deus.
Penso que se os jovens
tiverem profunda convicção da fé em Jesus Cristo (para isso devem ter comunhão
diária com Deus), bem como conhecerem a Bíblia profundamente saber defender
consistentemente a fé cristã, muito dificilmente se afastará dos valores
cristãos transmitidos por seus pais. Fiz
duas faculdades no meio secular. Sou plena e totalmente favorável a que todos
busquem um ensino superior. Estive sujeito a tudo isso que estou escrevendo,
mas nunca minha fé foi abalada por conta das ideias contrárias aos ensinos
bíblicos pregadas na Faculdade. Um dia desses uma aluna do 3º ano do Ensino
Médio me perguntou: ''Você permanece ou mudou as suas convicções depois que
cursou História?” E eu respondi: Mudei para melhor, pois depois que fiz
faculdade de História creio mais em Deus e na Sua Palavra, e tenho uma visão
mais ampla e segura de minhas convicções em Deus.
Penso que um jovem
cristão que realmente está firmado em Deus e na Sua Palavra, ao adentrar numa
Faculdade de Ensino, por mais que a sua fé seja provada, o mesmo não terá
motivos para esfriar e nem tão pouco para negar a fé em Deus. Os que depois de
adentrarem numa Universidade, esfriam e negam a fé que antes professavam em
Deus, é porque quando entraram lá, já não tinham uma estrutura de fé sólida, para
serem confrontados, pois um cristão quanto mais tem a sua fé confrontada, mas a
fé do mesmo é acrescentada, pois é nos desafios maiores que ele se aproxima
mais de Deus, e quanto mais o cristão busca a Deus, mais O encontra. Conforme
está escrito: Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês!” (Tiago 4:8, NVI).
Agora, quanto aos
conselhos do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová para seus jovens não
cursarem a universidade para não se corromperem com os ensinos e as práticas
imorais comuns nessa instituição, o pano de fundo é outro. A verdade é que
diversas crenças e práticas deles não resistem às provas bíblicas, tampouco a simples
argumentação lógica, a exemplo da proibição da transfusão de sangue, comemorar
aniversário. A Sociedade Torre de Vigia parece ter percebido o fato de que
quanto mais alto o nível de escolaridade dos jovens, tanto mais difícil seu
processo de doutrinação, mas difícil é eles aceitarem suas crenças e práticas
anti-bíblicas e ilógicas. Tanto é assim que estudos revelam que as Testemunhas
crescem mais rapidamente entre os de baixa escolaridade. As estatísticas têm
mostrado, nos últimos anos, um decréscimo no número de novos convertidos nos
países desenvolvidos - na Europa e América do Norte - e um aumento nos países
pobres, como a África.
Diante do exposto,
cremos que os conselhos do Corpo Governante das TJ são inconsequentes, uma vez
que, o mercado de trabalho, cada vez mais competitivo tem descartado um número
crescente de indivíduos sem qualificação superior. Eles ficam excluídos do
processo econômico, engordando as fileiras dos subempregados, desempregados e
miseráveis. Hoje em dia, ter uma graduação virou quase que requisito básico
para quem quer crescer no mercado profissional. Poucos são os casos de pessoas
que conseguiram crescer dentro de uma área sem ter se graduado em uma faculdade.
Mesmo ciente desta realidade, os líderes da Sociedade Torre de Vigia continuam
fazendo estridentes apelos para que os jovens continuem a renunciar à educação
universitária em troca do trabalho não remunerado como vendedores de literatura
religiosa da entidade. Como estarão essas pessoas hoje? Em caso de dificuldades
financeiras delas por não ter tido a formação superior, quem responderá?
Caros amigos TJ,
considerem seriamente as questões postas aqui e tome sabiamente sua decisão
quanto ao seu futuro.
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