RESPOSTA ÀS DECLARAÇÕES DESCABIDAS DO PR. VALDECI JÚNIOR SOBRE MÚSICA NA IGREJA
Ricardo
André
No dia 09 de abril, O
Pr. Valdeci Júnior, no quadro “Reavivados por Sua Palavra”, da Rádio Novo
Tempo, fez um comentário desastroso sobre música na igreja. Não obstante ter
formação em Teologia, demonstrou ser um
pastor mal informado. Dizem que o homem mal informado causa grande prejuízo à
coletividade, pela divulgação que faz das informações incorretas. Citamos, a
seguir, na íntegra a sua fala:
"Muita gente faz
polêmica sobre o assunto da música, criticando outras pessoas só porque elas
louvam ao Senhor com algum estilo musical ou com algum instrumento musical que
não lhe cabe no seu gosto. E esses ultra-conservadores que se apresentam em nome
da santidade com a defesa estilos ou instrumentos supostamente mais santos,
realmente classificam os demais estilos e instrumentos que eles não aprovam
como se não fossem abençoados. Veja na leitura de hoje quem é que perde a
bênção. Se é o que louva a Deus com liberdade ou o que faz com parcialidade.
Em 2 Samuel 6:5 nos é
dito que “Davi e todos os israelitas iam cantando e dançando perante o Senhor,
ao som de todo o tipo de instrumentos de pinho, harpas, liras, tamborins,
chocalhos e címbalos”. No verso vinte, você tem Mical, que em vez de louvar ao
Senhor também, sai criticando o ministro de louvor. E nos versos vinte e um e a
vinte e dois, você vê, claramente, que por Mical criticar os instrumentos e o
estilo do ministério de louvor de Davi, ela foi amaldiçoada pro resto da sua
vida. Então, meu amigo, as lições são claras: A Bíblia não classifica supostos
instrumentos e estilos musicais como santos ou profanos. E se alguém ousar
deixar de louvar a Deus para ficar criticando quem está tentando louvar, vai perder
a bênção de Deus.
"Não critique! Junte-se à Rádio Novo Tempo, em louvor
ao Senhor!"
Sua fala é uma clara
tentativa de demonstrar que não importa o estilo de música e os instrumentos
usados na adoração a Deus. Para ele, o mais importante é louvar a Deus,
independentemente do estilo musical e dos instrumentos usados. De uma simples
leitura de seus comentários, se infere que o pastor:
1) Erra ao julgar que
aqueles que fazem restrições a determinados estilos musicais contaminado pelo
mundanismo e com o uso de instrumentos de percussão, o fazem porque não se
enquadram no seu gosto. Não é
verdade. O gosto pessoal não é, absolutamente, o critério adotado por nós para a
escolha da música e instrumentos musicais a serem usados na adoração a Deus! É
pena que o pastor se tenha louvado em inverdade tal. De fato, o gosto pessoal não é um critério
válido para definirmos o que é apropriado ou não no culto. Cremos profundamente
que o critério para se estabelecer quais elementos do culto é certo ou errado é
o infalível: "Assim diz o Senhor." Depois o Espírito de Profecia.
Esta é a norma. Portanto, rejeitamos as músicas pop gospel, rock gospel e
outros gêneros musicais, bem como a percussão na adoração a Deus com base na
Bíblia e no Espírito de Profecia.
2) Na inglória
tentativa de dar uma fundamentação bíblica à sua opinião, o pastor apela para o
uso dos “tamborins, pandeiros e címbalos” em
2 Samuel 6:5, para argumentar que a Bíblia é favorável ao uso de instrumentos
de percussão na igreja hoje, desconsiderando o contexto do 2 Samuel 6. Esta
argumentação é falaciosa por, no mínimo, três motivos, conforme expomos:
Primeiro, o pastor
ignora o fato de que a menção de um costume mantido ou praticado pelos servos
de Deus no passado NÃO é suficiente para autorizar o mesmo costume para todos
os tempos e lugares. Pois, os servos de Deus no passado, sob a influência da cultura
prevalecente, usaram bebida forte, tiveram mais de uma mulher e mantiveram
escravos, entre outras coisas. Da mesma forma que a revelação posterior,
corroborada por estudo e reflexão, iluminou esses fatos que aos poucos foram
sendo eliminados, a questão da música também deve ser objeto de estudo para
compreensão e juízo acertados.
Neste texto 2 Samuel 6,
é descrita a primeira tentativa de transporte da arca para Jerusalém. Sugerimos
ao leitor que recorra ao texto bíblico. Ao fazer isso, poderá notar que o
pastor Valdecir não destaca seu contexto, que revela que esta tentativa resultou em tragédia por
não haverem sido seguidas as orientações divinas para o transporte da arca. Ademais,
o fato narrado no livro de 2 Samuel 6
ocorreu num período histórico da vida de Israel onde não havia ainda uma nítida
orientação acerca da forma apropriada para a adoração litúrgica. Este
amadurecimento e transformação do culto de adoração ocorreria primeiramente no
transporte da arca para Jerusalém (Vanderlei Dorneles, Cristãos em Busca de
Êxtase, p. 192,) e depois, de forma plena, quando foram feitos os preparativos
para o serviço levítico do templo a ser construído por Salomão. (Idem, p.
193-194). Estudos revelam que ao longo da história de Israel, o povo
progressivamente foi abandonando os velhos costumes egípcios e babilônicos.
Entre esses costumes que foram abandonados, destacamos as danças e o uso de
tambores. Se lermos as histórias em suas sequências lógicas, tendo como base a
liturgia, perceberemos claramente tal fato.
De acordo com o teólogo
Vanderlei Dorneles, “tambores e danças foram usados em ocasiões festivas, celebradas com
danças e muita alegria, segundo o costume da época (ver os textos citados
acima). Na condução da arca de Quiriate-Jearim até a casa de Obede-Edom, houve
música com tamboris e Davi dançou e se alegrou, ao ritmo da banda (1Crônicas
13:8 e 2Samuel 6:5). Nessa viagem, tudo deu errado. Os bois tropeçaram, a arca
quase caiu e Uzá morreu ferido pelo Senhor (1Crônicas 13:8 e 2Samuel 6:5). Davi
ficou triste e se perguntou: "Como trarei a mim a arca do Senhor?"
(1Crônicas 13:12). Três meses depois, Davi juntou o povo para buscar a arca da
casa de Obede-Edom. Desta vez, ele orientou que ninguém conduziria a arca,
senão os levitas (1Samuel 15:2). Houve alegria, mas ao contrário da primeira
tentativa, desta vez a orquestra não teve tambor, mas harpas, alaúdes e címbalos
(1Crônicas 15:16). O transporte deu certo.
Davi quis fazer uma
casa para Deus, mas não foi permitido. O rei era músico e Deus deu orientações
a ele para que tomasse todas as providências para o templo, que Salomão
edificaria. Entre essas orientações, Deus determinou os instrumentos (címbalos,
alaúdes e harpas) que deveriam fazer parte da música do templo (2Crônicas 7:6 e
29:25). Davi fez instrumentos para serem usados pelos levitas. É significativo
o texto de 2Crônicas 7:6, que diz: "...os levitas com os instrumentos
músicos do Senhor, que o rei Davi tinha feito, para louvarem ao
Senhor...". O artigo plural definido "os" indica um grupo
específico de instrumentos, que ainda são qualificados como "do
Senhor". Estes são os que Davi fez por ordem de Deus: címbalos, alaúdes e
harpas. A lista desses instrumentos aparece em diversas ocasiões, sempre sem
inclusão do tambor ou adufe (ver 1Crônicas 25:1 e 6, 16:5, 2Crônicas 5:12 e
13). Os únicos instrumentos que aparecem nas listas dos usados no templo, além
dos que foram confeccionados por Davi, são as trombetas (2Crônicas 5:12 e 13 e
29:27). (Idem, p. 192, 193).
A música que se fez no
transporte da arca até Jerusalém, sem uso de tambores, foi chamada de
"música de Deus" (1Crônicas 16:41 e 42), enquanto que a banda que deu
o ritmo da dança, quando Uzá morreu, não recebeu essa adjetivação (ver
1Crônicas 13:8). No livro de Isaías, há juízos pronunciados contra pessoas que
celebravam festas com embriaguez e música com tambores (ver Isaías 5:12 e 24:8
e 9) (Idem, p. 192, 193).
O comentário de Ellen
White no livro Patriarcas e Profetas sobre este evento, o qual também não é citado
pelo pastor, vai exatamente nesta linha, até que, alguns parágrafos depois de
haver citado o texto bíblico em questão, ela escreve o seguinte:
“Davi e seu povo tinham-se
congregado para efetuar uma obra sagrada, e à mesma entregaram-se com coração
alegre e disposto; mas o Senhor não podia aceitar o serviço, porque não era
efetuado de acordo com Suas orientações. (...) A reprovação divina cumpriu a
sua obra em Davi. Foi levado a compenetrar-se, como nunca dantes, da santidade
da lei de Deus, e da necessidade de obediência estrita” (Patriarcas e Profetas,
p. 705,706).
Este evento já foi
exaustivamente abordado e detalhado em vários artigos por vários teólogos da
igreja, sendo consenso entre os estudiosos do tema que a ausência de tambores
na segunda tentativa de condução da arca é tão significativa quanto sua
ausência posterior no serviço do templo.
Segundo, a citação mencionadas
pelo pastor proveem do fato sabido por todos os estudiosos do assunto que o uso
de tambores, tamboris, pandeiros, e outros instrumentos de percussão fazia (e
ainda faz) parte da cultura judaica, em todas as suas manifestações festivas.
Além disso, sabendo-se que a nação judaica nos tempos do Antigo Testamento era
fortemente teocrática, torna-se evidente que todas essas manifestações festivas,
sejam culturais, folclóricas, nacionalistas, militares, etc., eram feitas em
nome de Deus. Relembrarmos estes fatos conhecidos aumenta sobremaneira a importância
da não inclusão desta classe de instrumentos na lista de instrumentos
permitidos no serviço do Templo (I Crônicas 15:16, 28; 25:1, 6; II Crônicas
5:12-13; 20:28; 29:25), no serviço levítico instituído por Davi. Podemos
concluir que mais uma vez Deus procurou enfatizar o princípio de separação
entre o “comum” e o “sagrado” (IICrônicas 29:25).
Terceiro, o fato de a
Bíblia citar um evento não significa, necessariamente, que a aprovação divina
repousava sobre o evento citado. Por exemplo, a Bíblia diz que Salomão teve 700
mulheres e 300 concubinas. Isso quer dizer que podemos ter esse número de esposas?
Antes de responder, devemos levar em conta que não há, no texto bíblico, uma
reprovação formal e direta ao número de esposas de Salomão. Porém, é óbvio que
não podemos usar a mera citação como exemplo de aprovação divina, pois a
citação em si é neutra, a não ser que o contexto indique que Deus aprovou (ou
não) o ato. Em boa parte dos relatos históricos a Bíblia não faz juízo de
valor, apenas relata os fatos. Portanto, mais uma vez evidencia-se a questão de
que a simples contagem de palavras não acrescenta nada à argumentação do pastor.
3) É temerária a
premissa do pastor de que “a Bíblia não
classifica supostos instrumentos e estilos musicais como santos ou profanos”. Realmente não existe, do ponto de
vista bíblico ou profético, uma “distinção arbitrária entre
instrumentos ‘sacros’ e ‘profanos’”. Mas existe claramente uma distinção
entre alguns instrumentos que podiam ser usados no templo e
outros que não podiam, e havia um motivo muito sério para esta
distinção: “porque este mandado veio do Senhor, por mão de seus profetas” (II
Crônicas 29:25). Querer desconsiderar completamente esta
instrução é um assunto sério, que pode equivaler a um espírito de
rebeldia contra a vontade expressa de Deus.
Como profetiza de Deus,
Ellen G. White sabia dessa distinção. As instruções e advertências dadas por ela
enquadram-se neste padrão já estabelecido biblicamente. No livro Mensagens
Escolhidas, vol. 2, págs. 31-39, ela condenou o movimento da “Carne
Santa”, uma heresia que surgiu no meio do adventismo. Aquela experiência serve
não apenas como um exemplo histórico da maneira pela qual tendências
pentecostais se insurgiram na denominação adventista, mas fornece um vislumbre
do futuro paradigma na adoração adventista. Ela condena alguns elementos dessa
falsa adoração, entre eles estão os tambores. Notemos o que Ellen White
comenta:
“As coisas que
descrevestes como ocorrendo em Indiana, o Senhor revelou-me que haviam de
ocorrer imediatamente antes da terminação da graça. Demonstrar-se-á tudo quanto
é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres
racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles quanto a
decisões retas. E isto será chamado operação do Espírito Santo. […]
“Não entrarei em toda a
triste história; é demasiado. Mas em janeiro último o Senhor mostrou-me que
seriam introduzidos em nossas reuniões campais teorias e métodos errôneos, e
que a história do passado se repetiria. Senti-me grandemente aflita. Fui
instruída a dizer que, nessas demonstrações, acham-se presentes demônios em
forma de homens, trabalhando com todo o engenho que Satanás pode empregar para
tornar a verdade desagradável às pessoas sensatas; que o inimigo estava
procurando arranjar as coisas de maneira que as reuniões campais, que têm sido
o meio de levar a verdade da terceira mensagem angélica perante as multidões,
venha a perder sua força e influência."
No contexto dos últimos
dias, Ellen White afirma que manifestações como a ocorrida em Indiana serão a
regra, não a exceção. De alguma forma, “gritos”, “tambores”, música” e “dança” acompanharão
o repertório de nossa música. Obviamente, a autora relaciona essa mudança de
valores musicais como um estratagema de Satanás, para confundir “os sentidos
dos seres racionais”. Essa aproximação satânica com a maneira pagã de adorar
seria considerada “operação do Espírito Santo”.
Note que, quando o
serviço levítico foi implantado, não houve uma proibição expressa a certos
instrumentos, mas houve uma ordem expressa para que apenas certos instrumentos
fossem utilizados, e esta ordem foi obedecida à risca, pois quem ordenou foi
Deus.
Se a ordem foi dada (e
sabemos que o foi), o que importa é termos consciência de que alguns
instrumentos, apesar de serem usados comumente na cultura judaica, não foram
aceitos no templo e, a partir disso, tentarmos compreender os princípios que se
aplicam às instruções divinas, entre eles porque uma lista tão restrita de instrumentos
foi aceita no serviço de adoração no templo, e alguns (e não apenas os
instrumentos de percussão) não foram admitidos.
“A exclusão do tambor
no templo pode indicar que Deus não quis que o instrumento na música de
adoração por causa de sua relação direta com o misticismo pagão e por sua
influência no sentido de excitar as danças e embotar a consciência e o juízo. O
ritmo do tambor que inclinava as pessoas à dança deveria estar fora do culto
que requer a lucidez da mente para a compreensão da vontade de Deus. Além
disso, uma vez que o templo era uma representação do santuário celestial e do
trono de Deus, a música a ser usada ali deveria distinguir-se daquela usada nas
celebrações profanas” (Vanderlei Dorneles, Cristãos em Busca de Êxtase, págs.
192 e 193).
Mas não precisamos
entrar em conjecturas e pressuposições; na verdade, a causa subjacente é comum
a muitos erros que temos notado sendo introduzidos na igreja, e não apenas da
área da música e da adoração. Deixemos que a serva do Senhor fale acerca do santuário
e seu significado para a nossa adoração hoje.
“Da santidade atribuída
ao santuário terrestre, os cristãos devem aprender como considerar o lugar onde
o Senhor Se propõe encontrar-se com Seu povo. Houve uma grande mudança, não
para melhor mas para pior, nos hábitos e costumes do povo em relação ao culto
religioso. As coisas sagradas e preciosas, destinadas a ligar-nos a Deus, estão
quase perdendo sua influência sobre nossa mente e coração, sendo rebaixadas ao
nível das coisas comuns. A reverência que o povo antigamente revelava para com
o santuário onde se encontrava com Deus, em serviço santo, quase deixou de existir.
Entretanto, Deus mesmo deu as instruções para Seu culto, elevando-o acima de
tudo quanto é terreno” (Testemunhos para a Igreja, vol. 5, pp. 491).
Note que a serva do
Senhor enfatiza que há lições a serem aprendidas e tentar eclipsá-las ou
anuviá-las na mente do povo nunca pode estar de acordo com a vontade de Deus. O
texto acima nos orienta a aprender dos princípios de reverência, adoração e
santidade que eram a referência de todo o serviço do santuário. Portanto é necessário,
é nosso dever, entender corretamente esses princípios e aplicá-los aos nossos
cultos, com a devida atenção aos diferentes objetivos e culturas.
4) É um erro crasso do
pastor Valdeci afirmar que a Bíblia não faz distinção entre música “sacra e
profana”. Ele ignora o fato de que Lúcifer foi criado e dotado com os mais
excelentes recursos musicais jamais imaginados pelo homem. E ele tinha mais:
era um querubim cobridor, além de estar apenas abaixo de Deus e Jesus, no Céu.
Mas ele queria ainda mais. Olhou para si, desenvolveu o egoísmo e almejou um
lugar de mais destaque. E foi expulso do Céu, com todos os anjos por ele
enganados. Alguém disse, uma vez, que Satanás hoje é o maior músico na face da
Terra. E é verdade. Ele realmente sabe de tudo, e certamente usará a música
para procurar enganar a você e a mim.
Atentem para o que a
profetiza para os últimos dias disse: “É melhor nunca ter o culto do Senhor
misturado com música do que usar instrumentos músicos para fazer a obra que,
foi-me apresentado em janeiro último [no caso de Indiana, em 1900], seria
introduzida em nossas reuniões campais. (...) Uma balbúrdia de barulho choca os
sentidos e perverte aquilo que, se devidamente dirigido, seria uma bênção. As
forças dos agentes satânicos misturam-se com o alarido e barulho, para ter um
carnaval, e isto é chamado de operação do Espírito Santo.” (Mensagens
Escolhidas, vol. 2, 36).
“Essas coisas que
aconteceram no passado hão de ocorrer no futuro. Satanás fará da música um laço
pela maneira por que é dirigida” (Mensagens Escolhidas, vol. 2, 38).
Mas, se há realmente um
interesse especial de Deus quanto à música praticada por nós, como ela deve ser,
se há somente o certo e o errado?
Em primeiro lugar, o Manual da Igreja nos diz que “grande
cuidado deve ser exercido na escolha da música. Toda melodia que pertença à
categoria do jazz, rock ou formas correlatas, e toda expressão de linguagem que
se refira a sentimentos tolos ou triviais, serão evitadas. Usemos apenas a boa
música, em casa, nas reuniões sociais, na escola e na igreja” (p. 180). Isso
significa que a liderança da Igreja Adventista do Sétimo Dia desaprova qualquer
tipo de música que nos faça lembrar os ritmos musicais descritos acima. Mas por
quê?
Ellen G. White
escreveu, em seu livro Patriarcas e Profetas, que “a
música faz parte do culto a Deus nas cortes celestiais, e devemos esforçar-nos,
em nossos cânticos de louvor, por nos aproximar tanto quanto possível da
harmonia dos coros celestiais. O devido treino da voz é um aspecto importante
da educação, e não deve ser negligenciado. O cântico, como parte do culto
religioso, é um ato de adoração, da mesma forma que a prece. O coração deve
sentir o espírito do cântico, a fim de dar-lhe a expressão correta” (p. 594).
Note que a irmã White
fala da harmonia dos coros celestiais. Pergunto: harmonia e coro são palavras
adequadas para identificar a prática do solo nos cultos que apresentamos a Deus
atualmente? A maioria das músicas executadas no contexto da igreja hoje são
barulhentas, dançantes, que lembram muito as músicas seculares. Aliás, a irmã
White nos orienta que devemos evitar essa prática. Por que se insiste tanto em
questionar ordens dadas por Deus, aquele a quem dizemos que direcionamos nosso
“louvor”?
5) Afirmar que Mical
foi amaldiçoada por “criticar os instrumentos e o estilo do ministério de louvor de Davi”, é
forçar o texto sacro. Não é isso o que as Sagradas Escrituras dizem. Mas, que
ela “o
desprezou no seu coração”(2 Samuel 6:16).
E a causa do desprazer
de Milcal são sugeridas mais adiante, nos versos 20-22:
“Voltando Davi para
casa para abençoar sua família, Mical, filha de Saul, saiu ao seu encontro e
lhe disse: "Como o rei de Israel se destacou hoje, tirando o manto na
frente das escravas de seus servos, como um homem vulgar! " Mas Davi disse
a Mical: "Foi perante o Senhor que eu dancei, perante aquele que me
escolheu em lugar de seu pai ou de qualquer outro da família dele, quando me
designou soberano sobre o povo do Senhor, sobre Israel; perante o Senhor
celebrarei e me rebaixarei ainda mais, e me humilharei aos meus próprios olhos.
Mas serei honrado por essas escravas que você mencionou".
De acordo com o Pastor
americano Steve Wagoner, “o rei Davi e toda a casa de Israel trouxeram a Arca
do Senhor com brados [de alegria, entusiasmo] e com trombetas, e Davi dançou
[acrobacias] diante do Senhor. Ele tomou o lugar de um escravo na cabeça da
procissão para expressar honra a Deus Jeová. Seu desejo de ser o escravo do
Senhor mostra os verdadeiros propósito e intenção de sua adoração. Mical, a
esposa do rei Davi, não compreendendo os motivos do seu marido, e pensando que
ele tinha se rebaixado diante dos povos, repreendeu-o amargamente, e
desprezou-o em seu coração.
“A vaidosa rainha pode
ter simplesmente abominado o fato do rei ter se despojado das roupas mais
externas, suntuosas e formais, e ter se portado como um simples e humilde
acrobata, ao invés de ter contratado um deles” (http://solascriptura-tt.org).
“Ela se apaixonara por Davi quando
ele era um jovem herói, mas seu casamento com ele logo terminou quando ele
fugiu de Saul. Vinte anos haviam se passado, durante os quais ela estivera
casada com outro homem, de quem fora tirada à força e entregue ao ex-marido
como um prêmio político após uma longa guerra contra a casa de seu pai. (Comentário
Bíblico Adventista, Vol. 2, p. 681). A verdade é que, a ressentida e orgulhosa
filha de Saul viu naquele momento de alegria de Davi uma oportunidade para extravasar
seus reprimidos sentimentos, para demonstrar desprezo por ele.
Caro irmão, está à
nossa disposição toda a orientação divina publicada quanto à adoração. Cabe a
nós ser humildes o suficiente para reconhecer nossas limitações e buscar o
conhecimento necessário para um louvor aceitável. Leia o que a irmã Ellen G.
White falou em outra oportunidade: “Tenho ouvido em algumas de nossas igrejas
solos completamente inadequados ao culto na casa do Senhor. As notas
prolongadas e os floreios, comuns nas óperas, não agradam aos anjos. Eles se
deleitam em ouvir os simples cânticos de louvor entoados em tom natural.
Unem-se a nós nos cânticos em que cada palavra é pronunciada claramente, em tom
harmonioso. Eles combinam o coro, entoado de coração, com o espírito e o
entendimento” (Evangelismo, p. 510).
Alguns afirmam que ao
produzir músicas ritmadas, num estilo secular, o fazem para se adequar ao
mercado atual. Perguntamos: Deus precisa disso? Deus precisou se adequar aos
Seus filhos, ou Ele deu ordens específicas de como deveria ser o serviço
“aceitável ao Senhor”? A única coisa de Deus que conheço é que “Eu,
porém, não mudo” (Malaquias 3:6). Quem somos nós, então, para querermos
mudar as coisas que Ele criou? Sabe o que Deus pensa, quando agimos assim, com
arrogância e autossuficiência? A resposta encontramos em Amós 5:21 e 23: “Odeio, desprezo
as vossas festas, e as vossas assembleias solenes não Me exalarão bom cheiro.
Afasta de Mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das
tuas violas.”
Diante do exposto,
creio que o Pr. Valdeci Júnior, presta um grande desserviço aos ouvintes da
Rádio Novo Tempo, ao não mostrar a clara distinção entre a música aceitável a Deus
e a que Ele não aceita.
O leitor sincero que
julgue.
Parabéns, professor. Sábias palavras! Isso só prova que devemos ter apenas Jesus como exemplo, pois até pastores acabam se equivocando de forma grandiosa...
ResponderExcluirMuito obrigado Franclin Chaves Menezes! Fique com Deus. Abraço afetuoso!!!
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