EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO
Ricardo
André
Em 16 de julho de 1915,
com 87 anos de idade, Ellen G. White, escritora cristã e possuidora do genuíno dom
profético, faleceu em sua casa, em Elmshaven, Deer Park, Califórnia. As últimas
palavras registradas como tendo sido proferidas ao seu filho William C. White,
no dia 09 de julho (dias antes de sua morte), por essa serva de Deus foram: “Eu
sei em quem tenho crido.” (Ellen G. White: Mulher de Visão, p. 536).
Essas palavras de Ellen
G. White, que expressa confiança e certeza, me impressionaram bastante e me levaram a
pensar: quão bem conhecemos nós o Deus em quem cremos? A pergunta é importante e
muito pessoal. Penso que podemos conhecer a Deus, mas conhecer a Deus não
significa que nós O compreendemos. Ter um profundo conhecimento pessoal de Deus
significa que nos sentimos seguros em Sua presença e buscamos Sua companhia. Conhecer
a Deus é relacionar-se com Ele de modo profundo e íntimo. E, “quanto
mais conhecermos a Deus, tanto mais intensa será nossa felicidade (Ellen G.
White, O Desejado de todas as Nações, p. 331). Caro leitor, deixe-me
falar sobre três coisas que cheguei a conhecer de Deus por meio de minha
própria experiência, ao longo dos meus 31 anos de vida cristã, e que me torna
uma pessoa feliz.
Deus
é meu Criador
Primeiro, eu conheço a
Deus como meu Criador. A criação é um evento estranho, incomum e maravilhoso. A
própria Bíblia admite isso. Ele fez o mundo por Sua palavra (Hb 11:3). Nós não
podemos fazer o mesmo. A criação é um milagre. Ela aparece diante de nossos
olhos já na primeira página da Bíblia e sem qualquer introdução. Assim ela é
mostrada no Livro Santo: “No princípio criou Deus.” (Gn 1:1)
Não admira que muitos, mesmo alguns cristãos, têm dificuldade de aceitar a
criação como modelo explicativo da origem do mundo e de tudo o que há nele. Há,
de fato, muitas interrogações.
Como sou feliz pelo
fato de que o Senhor não nos deixou cegos a respeito de nossas origens! O
Gênesis é a revelação de Deus a nós sobre essas origens, e apresenta uma visão
radicalmente diferente da que a maioria dos cientistas apresenta. Para eles, o
relato de Gênesis constitui uma página ingênua de folclore hebreu. Em sua
cegueira espiritual, repetem: "No princípio a ameba, o infusório ou o
paramécio”. E aí temos uma em contraposição duas filosofias antagônicas: uma
proclama “no princípio o Criador”, e a outra, “no princípio o acaso”.
Realmente, ao contrário
da “visão científica”, que diz que estamos aqui por acaso, o livro de Gênesis
diz que estamos aqui porque Deus nos criou, que nossa existência resultou do
ato proposital de uma Deus amoroso (Jo 3:16; I Jo 4:8; Rm 5:8) que criou os
seres humanos “à Sua imagem, à imagem de Deus o[s] criou; homem e mulher os criou”
(Gn 1:27). Nesta simples declaração descobrimos a nossa nobre origem.
Não somos um protoplasma evoluído ... ou símios educados. Não somos um
agrupamento de átomos organizados ao acaso.
Viemos de Deus, e “nEle
vivemos e nops movemos e existimos. (...) Pois Ele mesmo é quem dá a todos a
vida e a respiração e todoas as coisas” (At 17:28 e 25). “Pois nele foram
criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam
tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por
ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste” (Colossenses
1:16,17, NVI).
Há, entretanto, algo
que me assobra: Esse Deus criador Se revela ao homem, dizendo: “Com
amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3). Ao
contemplar a as belezas naturais e a estudar as Sagradas Escrituras para
conhecer melhor esse Deus compassivo comecei a me sentir seguro na presença do
meu Criador e a procurar Sua companhia mais intensamente do que antes.
Você pode pensar,
porém, que isso é muito simplista e muito infantil. Como podemos conhecer nosso
Criador sem primeiro resolver todas as questões acerca do mundo que Ele criou —
questões acerca dos fósseis primatas encontrados na África, das eras do gelo na
Escandinávia, da coluna geológica, dos dinossauros e assim por diante?
Concordo que essas
questões são difíceis e, francamente falando, eu não tenho encontrado respostas
satisfatórias a todas elas. Mas então penso numa criança parada na esquina,
esperando para cruzar uma rua de tráfego intenso. Ela estende o braço, apega-se
à mão de seu pai e então se sente segura. É assim que eu me relaciono com meu
Criador. É claro que há questões e problemas. Há mistérios no mundo. Mas quando
tomamos Sua mão, sentimo-nos seguros.
Quando conhecemos a
Deus desse modo, confessamos sem hesitação ou reserva: Creio em Deus Pai, o
Todo Poderoso, Criador dos céus e da Terra. Eu sei em quem tenho crido.
Sinto-me seguro na presença de meu Criador e busco Sua companhia.
A
vontade de Deus para minha vida
Segundo, eu conheço a
Deus pela aceitação de Sua vontade para minha vida.
A vontade de Deus é que
O conheçamos pessoalmente, nos
aproximemos dEle, passemos a amá-Lo e obedecê-Lo de todo o coração. (Jo 17:3; 14:15;
Mateus 22:37, 38; Tiago 4:8) A vontade de Deus para nós é nosso bem-estar e a
vontade divina está revelada em Sua lei. Isso também pode parecer muito
simples; apesar disso, a vontade de Deus é uma coisa estranha para muitas
pessoas. Para alguns de nós, a vontade de Deus é estrita, opressiva, legalista,
dura e crítica. Por essa razão, até mesmo alguns cristãos não buscam conhecer
seriamente a vontade de Deus e obedecê-la seriamente. Em vez disso, eles tentam
evitá-la e assim seguir a própria vontade.
“Os seus mandamentos
[de Deus] não são difíceis de obedecer” (1 João 5:3, Bíblia na Linguagem de Hoje).
Isso não quer dizer que sempre vai ser fácil obedecê-los. Mas, com Cristo em
nossa vida, a observância da lei torna-se possível. O apóstolo Paulo afirma: “Pois
Deus está sempre agindo em vocês para que obedeçam à vontade dele, tanto no
pensamento como nas ações” (Filipenses 2:13, NTLH).
A lei de Deus se
destina a mostrar-nos como agir e viver com mais responsabilidade. A lei de
Deus consiste em dez mandamentos divididos em duas tábuas. Vamos começar pela
parte mais fácil, a segunda tábua, que ensina como nos relacionarmos com os
outros. Não cobice aquilo que pertence a outro; esteja satisfeito com o que
você tem. Não minta para o seu próximo; diga-lhe a verdade. Não tome para si
aquilo que é dos outros. Respeite a esposa de seu amigo; não cometa adultério.
Não mate ninguém; você não deve tirar a vida dos outros. “Mas, como podemos
aprender a viver em harmonia com essas exigentes proibições?”, podemos
perguntar. A resposta está no mandamento positivo da segunda tábua, o qual
aponta para o cerne de todos os relacionamentos: honre seu pai e sua mãe. É
aqui que tudo começa, em casa com pai, mãe e filhos. Se as coisas vão bem em
casa, então elas vão bem na vizinhança, no país e no mundo. A vontade de Deus
não é nenhum mistério, nem algo que cause medo. Ela começa por um bom e seguro
lar.
Mas, perguntamos: Quem
nos deu esses princípios e porque deveríamos atentar para eles? A resposta é
encontrada na primeira tábua — os quatro mandamentos que tratam de nosso
relacionamento com Deus. O Autor desses mandamentos não é qualquer um. Eles vêm
de Deus e representam Sua vontade. Quem é esse Deus? Não podemos vê-Lo ou
sequer fazer uma imagem dEle. Bem, será que posso falar com Ele? Sim, de alguma
forma, em oração e meditação, mas não usando Seu nome de modo leviano.
O que então devemos
fazer para conhecermos esse Deus e Sua vontade? Isso nos leva ao mandamento
positivo correspondente situado na primeira tábua, o quarto. Ele contém a
surpreendente mensagem: o Doador da lei, que estabeleceu esses elevados padrões
éticos para nós e que exige tanto de nós, começa oferecendo-nos uma dádiva — um
dia à parte, um tempo sagrado, um tempo de repouso (Êxodo 20:8-11). Esse dia é
o sábado instituído na semana da criação (Gn 2:1-3). Esse é o dia no qual
aprendemos a conhecer a Deus na segurança de Sua presença. Uma vez que captemos
o profundo significado do quarto mandamento, todas as questões anteriores são
resolvidas. Nós O conhecemos ao sentir-nos seguros em Sua presença e ao Lhe
buscarmos a companhia no Seu dia (Isa. 58:13-14).
Deus Sempre Me Ama
Terceiro, eu conheço a
Deus porque Ele me ama supremamente. “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o
Seu Filho Unigênito, para que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida
eterna” (João 3:16, NVI). Um terrível abismo de pecado nos separa de
Deus (Is 59:2, 3). Como nossa pecaminosidade e rebelião nos condenaram à morte eterna
(Rm 6:24), Seu amor por nós levou Cristo a vir a este mundo, “para
que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. Jesus
veio ao mundo para revelar como Deus é realmente. Ele religou pecadores salvos
com seu Deus, restabelecendo um relacionamento de amor entre Si e as pessoas
que criou. Sempre impressionou-me muito saber que nosso Senhor e Salvador teria
dado Sua vida mesmo por um único pecador. Além disso, Paulo diz que até podemos
entender se alguém estiver disposto a morrer por um amigo, mas Cristo deu Sua
vida por nós quando ainda éramos inimigos (Rom. 5:7-8). Considere o que
significa amar uma raça humana pecadora. Estaríamos dispostos a morrer por um
viciado em drogas com acusações múltiplas de abuso de crianças? Nós poderíamos
estar dispostos a arriscar nossa vida doando um órgão para salvar nosso filho
que morreria se nós não fizéssemos a doação, mas daríamos a vida pelo viciado estuprador?
Morreríamos por uma mulher que afogou seus dois filhos para poder casar-se com
um homem que não queria as crianças? Estaríamos dispostos a morrer por uma
mulher que pagou dois mil reais para mandar matar o marido, a fim de poder
herdar a fortuna que ele havia ganhado na loteria e então casar-se com o
namorado ilícito? Provavelmente não. Deus entretanto, deu Seu filho para morrer
“pelos ímpios”. Temos de pensar com bastante cuidado na palavra amor,
especialmente porque ela expressa a terceira dimensão de nosso conhecimento de
Deus.
Ellen G. White assim se
expressou sobre o infinito amor de Deus: ““Todo o amor paterno que passou de geração a geração através do coração humano,
todas as fontes de ternura que romperam no coração humano, não são mais que um
pequeno regato para o oceano infinito, inesgotável de Deus. A língua não o pode
narrar; a pena não pode descrever. Você pode meditar nele cada dia de sua vida;
pode estudar diligentemente as Escrituras a fim de compreendê-lo; pode fazer
uso de toda energia e habilidade que Deus lhe tenha dado, esforço de
compreender o amor e compaixão do Pai Celestial; ainda assim, há um infinito à
frente. Você pode estudar esse amor por séculos, mas nunca poderá compreender
plenamente o comprimento e a largura, a profundidade, do amor de deus, ao dar
Seu Filho para morrer pelo Mundo” (Ellen G. White, Testimonies for the Church,
vol. 5, p.740).
Todos temos algo a
aprender sobre o amor de Deus. A Bíblia nos diz que “Deus é amor” (I Jo 4:8),
mas, diferente do nosso, Seu amor nunca perde a intensidade. Ele sempre
permanece forte e cálido. Deus é Alguém que nos ama sempre com cada fibra de
Seu Ser. Ele é Alguém cujo amor é firme, não importando as circunstâncias. Amor
que levou o Seu Filho a ir voluntariamente para o Calvário e morrer por nossos
pecados. Esse amor divino move o coração de crianças e suas avós, de jovens
enamorados, de formandos da universidade, de famílias inteiras, dos filósofos,
dos inclinados à religião e até dos ateus, levando-os a arrepender-se e
entregar o coração e a vida a Jesus.
Dwight L. Moody, o
grande evangelista batista, disse a respeito do amor: “Se eu tão-somente
pusesse fazer com que os homens entendessem o real sentido das palavras do
apóstolo João, ‘Deus é amor’, eu tomaria esse único texto e iria de um lado
para outro do mundo proclamando essa gloriosa verdade. Se puder convencer uma
pessoa de que a ama, você lhe conquistou o coração. Se você puder realmente
fazer com que as pessoas creiam que Deus as ama, nós a veríamos aglomerando-se
para entrar no reino do Céu” (The Way to God, p. 7).
Caro amigo leitor, Deus
ama a você e a mim, não importa a idade, o sexo, a raça, a religião ou a
procedência geográfica. Todos nós somos Seus filhos! Nos momentos difíceis não
é fácil manter em nossa mente o conhecimento de Deus com nitidez. Mas,
precisamos estar sempre centrados nele. Nos tempos de calamitosa destruição e
catástrofe, à medida que este mundo ruma para o seu final, precisamos ter a
certeza de que Ele é o nosso Criador e o Criador do mundo todo. Quando a lei e
a ordem parecem não mais existir, os injustos são arrogantes e os inimigos de
Deus pecam a olhos vistos, precisamos conhecer a vontade de Deus e Suas
exigências éticas, porquanto apenas elas podem trazer paz à nossa vida, família
e sociedade. Quando o amor se transforma em ódio ou se torna irrelevante por
omissão ou descuido, e aqueles com quem nos relacionamos se tornam nossos
inimigos, precisamos conhecer o Deus que ama sempre e incondicionalmente a
todos os Seus filhos. O amor de Deus é incondicional. Creio que é isso o que
Ellen White tinha em mente quando pronunciou suas últimas palavras: “Eu sei em
quem tenho crido.”
Caro amigo leitor, não
queres responder ao incomensurável amor de Deus por você, entregando-se inteiramente e
sem reserva ao nosso querido Deus? Em caso afirmativo, faça-o imediatamente!
Corra agora para os braços de amor de Jesus!!
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