HINÁRIO PRA QUÊ MESMO?
Annik
Catunda
Calma!
Se você acabou de ler o
título acima nada de tirar conclusões precipitadas.
Talvez aqueles mais
conservadores já devam estar pensando: “Ihhh, lá vem outro jovem querendo
menosprezar ou diminuir a importância do hinário, ou quem sabe até forçar goela
abaixo argumentos a favor do uso do CD Jovem. Esses jovens! Sempre querendo
inovar as coisas em nossos cultos, mudar nossa liturgia, deixar tudo mais
animado…”.
Bom, já adianto que não
estou aqui para fazer nem um e nem outro, nem acusar o primeiro e nem defender
o segundo, mas quem sabe estimular.
Imagine nosso
tradicional (em algumas igrejas não mais tão tradicional assim) culto de sábado
de manhã. As pessoas chegam, iniciam-se os momentos de cânticos e os dirigentes
pedem para abrirmos (aqueles que possuem e ainda os levam para a igreja) nossos
hinários em hinos previamente escolhidos. Alguns cantam juntamente com os
dirigentes, outros nem sequer se dão ao trabalho, afinal com a mídia sendo
projetada e o CD tocando muitos devem pensar que sua voz não é assim tão
necessária e nada têm a contribuir para essa parte do culto. Essa cena tem sido
cada vez mais comum em nossa realidade.
Tem crescido cada vez
mais a quantidade de jovens que renegam ou até mesmo menosprezam o uso do
hinário em nossos cultos. Muitos são por vezes influenciados ou apoiados pelos
líderes das igrejas. Mal sabem eles que
ao evitar e esquivarem-se de cantar nossos hinos estão deixando de lado uma
importante parte da história adventista, e se um povo não conhece sua história
facilmente perde sua identidade. Para George Knight “quando um movimento
cristão começa a tomar forma definida, em geral, desenvolve o próprio hinário.
É claro que hinos e hinários nunca são neutros. Eles refletem a mensagem mais
importante para aqueles que escrevem os cânticos e os compilam. (Meditação
Matinal 2015, Para Não Esquecer, p. 92)”. Nossos pioneiros sabiam da
importância doutrinária que a música pode trazer para benefício da igreja, por
isso não mediram esforços para, ao longo do tempo, compilarem e comporem hinos
que fossem fiéis à mensagem adventista.
Para alguns, hinário é
sinônimo de música velha, chata e monótona. Inclusive, muitas igrejas
diminuíram, e outras quase excluíram, o uso de hinos em sua liturgia, pois
precisavam dar mais “ânimo” ao culto e fazer com que os jovens participassem
mais. Logo, o bom e velho hinário foi trocado por coletâneas de músicas
“contemporâneas” e que estão em alta na mídia adventista. “Contemporâneas”
entre aspas sim, pois para muitos crentes o hinário adventista é feito apenas
de músicas arcaicas do século passado. Bom, não é preciso ser um grande
entendedor de teoria musical para saber-se que música contemporânea é aquela
produzida nos séculos XX e XXI, ou aquelas cujo compositor se encontra ainda
vivo na época do locutor. Nem é preciso dizer que o atual Hinário Adventista
está repleto de músicas contemporâneas, tanto pela época em que foram compostas
como também pela quantidade de autores vivos (Lineu Soares, Jader Santos, Ênio
Monteiro, Costa Jr…). #pontoprohinário
Aliás, isso de música
contemporânea ou não é apenas uma desculpa esfarrapada para aqueles mais
ansiosos por implantar um pouco de pimenta musical nas igrejas, afinal o mesmo
Espírito que inspirou os músicos de séculos passados não mudou e muito menos
alterou seu gosto musical (Tiago 1:17).
“Esta comichão do
desejo de dar origem a algo de novo nunca deu coisa boa em música sacra porque,
para os caçadores de novidade, o Espírito Santo já é velho e ultrapassado por
ter inspirado alguém há 50, 100 ou 200 anos.” (Dario Pires de Araújo, Música,
Adventista e Eternidade, p. 53)
O povo de Deus, em
todas as épocas, sempre utilizou uma coletânea de cânticos no formato de
hinários para serem utilizados tanto em seus cultos de adoração como na vida
devocional particular. Como exemplo bíblico, temos o livro de Salmos amplamente
utilizado pelo povo de Israel bem como pelos apóstolos na era cristã (I
Coríntios 14:26; Efésios 5:19; Colossenses 3:16). Ou seja, mesmo que não
vivessem mais no sob o sistema judaico ainda assim os cristãos primitivos
utilizavam os antigos salmos judaicos em sua adoração. Além deles, os primeiros
reformadores também se esforçaram por criar e compor cânticos e melodias para
que toda a congregação cantasse, sendo Martinho Lutero o principal nessa área.
Deus jamais deixou Seu povo sem luz, inclusive sobre o tipo de música a ser
utilizada em adoração a Ele.
“A viagem a Jerusalém, daquela maneira
simples, patriarcal, por entre as belezas da primavera, o esplendor do verão,
ou a glória de um outono amadurecido, era um deleite. Com ofertas de gratidão
vinham eles, desde o homem de cabelos brancos até a criancinha, a fim de se
encontrar com Deus em Sua santa habitação. Enquanto viajavam, as experiências
do passado, as histórias que tanto idosos como jovens ainda amam tanto, eram de
novo contadas às crianças hebreias. Eram entoados os cânticos que os haviam
encorajado na peregrinação no deserto. Os mandamentos de Deus eram recitados em
cantochão e, em combinação com as abençoadas influências da natureza e da
cordial amizade, fixavam-se para sempre na memória das crianças e dos jovens.”—Educação,
42.
No hinário encontramos
uma riqueza de conteúdo tanto musical quanto cultural. Ali podem ser
encontradas melodias judaicas, alemãs, irlandesas e etc. Também se podem
verificar autores desde Bethoveen a Bill Gather. Isso sem falar na riqueza de
suas letras e melodias que, quando bem produzidas e cantadas com entendimento,
nos fazem experimentar um pouco da realidade celestial aqui na Terra. Para os
mais curiosos, um hinário sempre será fonte de aprendizado linguístico e
bíblico, pois ali se faz referência a termos como “jubileu” (HASD, 135),
“ditosa” (HASD, 91), “fenece” (HASD, 443), e outras diversas palavras e
verbetes que fazem com que nosso vocabulário possa ser expandido e melhorado.
#pontoprohinário
Além disso, seus hinos
nada têm de meras e vãs repetições presentes em muitos corinhos atuais, alguns
dos quais mais me parecem mais com mantras de tanto que repetem. Muitas das
letras de um hinário são belas poesias (HASD, Eis que as Estrelas Vêm, 443) e
cada estrofe é diferente da outra, repetindo apenas o coro. E nada, em suas
letras ou ritmo, nos lembra dos atuais estilos mundanos condenados por Deus na
Bíblia ou pela Sua mensageira, pois sua música é sacra e divinamente inspirada.
Suas músicas chamam atenção pela riqueza de conteúdo doutrinário e beleza das
letras, e não pelo ritmo agitado, letras vazias de significado (“restaura minha
desilusão”, oi!?) ou melodias simplórias. #pontoprohinário
Seu repertório é o mais
sacro possível, com letras escritas por autores que mantinham uma constante
comunhão com Deus. Ali podemos encontrar músicas para as mais diversas ocasiões
e sobre os mais diversos assuntos bíblicos. Em suas melodias encontramos paz,
conforto, segurança, alívio, mas, acima de tudo, achamos o conhecimento
necessário para seguir em nossa caminhada cristã. Quando cantamos um hino com
alegria estamos dizendo a todos ao nosso redor que apreciamos aquilo que Deus
separou para nós. Também estamos dando real valor àqueles que tanto se
esforçaram por nos deixar um legado musical digno de ser entoado.
#pontoprohinário
Talvez a razão de
muitos jovens hoje não apreciarem o hinário seja porque não o conhecem. Não
conhecem sua história, não conhecem a história de seus autores, não conhecem a
história por trás de muitos dos hinos, não conhecem a história do hinário em
questão ou até mesmo nem sequer conheçam o significado de um hinário. E a
verdade é que ninguém ama aquilo que não conhece. Logo, se procurassem saber
mais sobre suas músicas ou o porquê de termos um hinário sua compreensão e
desejo por cantar seus hinos aumentariam em grande medida. Muitas vezes, por
cantarmos os hinos de forma indiferente ao que diz a letra perdemos as bênçãos
que poderiam advir caso cantássemos com interesse e devoção, além de impedirmos
que anjos cantem através de nós e conosco. “Não é suficiente ter noções
elementares do canto, mas com o entendimento, com o conhecimento, deve-se ter
tal ligação com o Céu que os anjos possam cantar por nosso intermédio.” (Música
– Sua influência na vida do cristão, p. 32).
Agora, leia o seguinte
relato abaixo:
“Eles têm um grande bumbo, dois tamborins,
um contrabaixo, dois pequenos violinos, uma flauta e duas cornetas. Seu livro
de músicas é “Garden of Spices” e tocam músicas dançantes com letra sagrada.
Nunca usam nosso próprio hinário, exceto quando os irmãos Breed ou Haskell
pregam, então eles iniciam e terminam com um hino do nosso hinário, mas todos
os outros hinos são do outro livro. Eles gritam “Amém”, “Louvado seja o Senhor”
e “Glória a Deus”, como acontece nos cultos do Exército de Salvação. Isso causa
aflição. As doutrinas pregadas correspondem ao resto. O pobre rebanho está
verdadeiramente confuso. — Relatorio de S. N. Haskell a Sara McEnterfer, 12 de
Setembro de 1900.”
O relato acima chegou
até o conhecimento de Ellen White e se refere a uma reunião campal de Indiana
em 1900. Alguns outros relatos foram escritos, e maiores detalhes sobre o
assunto podem ser encontrados no livro Mensagens Escolhidas 2:31-39. O mais
interessante no relato acima é que nele o sr. Haskell está se referindo a um
contexto ruim e confuso e dentro do mesmo está o fato de as pessoas não usarem
os hinos do hinário utilizado na época, mas sim uma outra coletânea que possuía
“músicas dançantes com letras sagradas”. Alguma semelhança com nossos dias!?
Fato é que a resposta de Ellen White sobre tal evento foi:
“Esses acontecimentos do passado hão de
ocorrer novamente no futuro. Satanás fará da musica uma armadilha pela maneira
como é dirigida. Deus convida Seu povo, que tem a luz diante de si na Palavra e
nos Testemunhos, a ler, considerar e colocar em prática. Instruções claras e
definidas têm sido dadas a fim de todos entenderem. Mas a comichão do desejo de
dar origem a algo de novo dá em resultado doutrinas estranhas, e destrói
largamente a influência dos que seriam uma força para o bem, caso mantivessem
firme o princípio de sua confiança na verdade que o Senhor lhes dera.”—
Mensagens Escolhidas 2:37, 38.
Ellen White considera
tudo o que foi relatado como sendo contrário à vontade de Deus, não apenas as
músicas, instrumentos e danças, mas também o fato de não serem utilizadas as
músicas do “nosso próprio hinário”. A questão é: será que seus ensinos e
conselhos ainda são válidos em nossos dias? #pensenisso
Alguns já podem estar
indagando com certa irritação: “Ah, então quer dizer que só podemos cantar
música que for do hinário e nenhuma outra serve!?”. Claro que não, mas devemos
ser muitos mais seletivos com aquelas que não estão nele. Toda e qualquer
música deve passar pelo crivo da Palavra de Deus e dos Testemunhos (Isaías
8:20), e devemos sempre nos questionar: essa música me eleva espiritualmente,
me ensina a Lei do Senhor, me transmite os valores e princípios bíblicos? Ao
final deste artigo, serão adicionadas dicas de leitura para aqueles que
quiserem saber mais sobre que música é aceitável para Deus. Faça suas perguntas
porque Deus jamais deixará você sem resposta.
Meu objetivo aqui está
longe de dizer que apenas as músicas do hinário são próprias para uso em nossos
cultos. Esse artigo é apenas o desabafo de alguém que está vendo as preciosas
pérolas musicais de nossa igreja serem esquecidas e negligenciadas rapidamente.
Nosso Hinário Adventista não pode ser substituído e jamais deve ser rejeitado.
Se as igrejas, com seus líderes e pastores, investirem mais em seus músicos,
ensinando-lhes sobre o real valor da música, nossos cânticos e hinos não seriam
monótonos e nossos cultos seriam mais vivos, racionais e edificantes.
Que tal neste exato
instante você abrir aquele hinário, que talvez esteja gasto e empoeirado por
falta de uso, ou quem sabe até mesmo baixar o aplicativo para seu tablet ou
celular, e cantar um belo hino de que você goste!? Tenho certeza que Deus
falará com você através dele. E não se esqueça de no próximo culto cantar os
hinos com alegria e entendimento. Lembrem-se: Hinário Adventista é COOLtura
Adventista!
A seguir, um breve
vídeo que nos ajudará a ter noção da importância dos hinos em nossas vidas.
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