SÁBADO - UM DIA PARA LEMBRAR
Ricardo
André
No fim da semana da
criação, quando o mundo e seu reino animal, bem como seus dois habitantes
humanos tinham saído com absoluta perfeição da mão do Criador, Deus estabeleceu
o sábado (Gn 2:1-3). A observância do sábado não era desconhecida antes da
entrega da lei no Sinai, como supõem muitos cristãos. Êxodo 16:4, 5 e 13-31
descreve a guarda de um sábado no deserto, antes da experiência do Sinai. O dia
da semana foi assinalado especificamente, e a maneira como deveria ser guardado
foi definida claramente. “Por meio do milagre do maná, lhes ensinou em termos concretos
quão importante era à Sua vista o descanso no sétimo dia” (Nisto Cremos, p.
333). “Adão e Eva, em sua criação, tinham o conhecimento da lei de Deus. Ela
fora impressa em seus corações, e compreendiam o que ela exigia deles”
(Comentário Bíblico Adventista, vol. 1, p. 1216). Portanto o sábado já era
conhecido, guardado e muito apreciado no Éden. O casamento e o sábado são
instituições que existem desde a Criação.
O quarto mandamento da lei
declara: "Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis
dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado
dedicado ao Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem
teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os
estrangeiros que morarem em tuas cidades. Pois em seis dias o Senhor fez os céus
e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou.
Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou” (Êxodo 20:8-11, NVI).
De acordo com o
mandamento, o sábado é um monumento no tempo e eterno da obra de Deus como
Criador e Salvador da humanidade. Como símbolo mais importante de nossas
origens, o sábado ajuda a dizer quem somos, por que estamos aqui, e aonde estamos
indo. O senhor quer lembrar-nos, cada semana, que estamos aqui não por acaso,
mas porque Ele nos criou. Assim o sábado, a cada semana, nos lembra de quem
somos realmente. Um dia para ser focado em quem você realmente é, alguém feito
à imagem de Deus, para ser Sua alma gêmea.
O sábado é esse
lembrete semanal. Se o guardarmos da maneira como Ele quer, nunca estaremos em
perigo de esquecermos nossas raízes. Tão importante é essa mensagem que somos
solicitados a dedicar um sétimo de nossa vida a lembrar-nos disso. A discussão
sobre o sábado não trata de um dia; trata de sermos lembrados – cada semana! –
da verdade mais fundamental e mais básica de nossa existência – somos seres
criados por Deus com um propósito.
O sábado não é uma
instituição privativa dos judeus. Considerando que o sábado é um memorial da
criação, e visto que todos os seres humanos, qualquer que seja sua
nacionalidade, existem como resultado dessa Criação, por que o Senhor iria
limitar esse memorial para um só povo? Se fosse possível achar um grupo cuja
origem não viesse do Éden, talvez esses não precisassem guardar o sábado. Mas,
como não existe um grupo assim, é lógico que o sábado é para todos aqueles que
Deus criou. O filósofo judeu Martin Buber escreveu que, tendo “suas raízes na
origem do próprio mundo”, o sábado “é propiedade comum de todos, e todos devem
desfrutá-lo sem restrições”.
Isaías 56:1-7 nos
mostra que um relacionamento de salvação com o Senhor não estava limitado só
aos judeus. A salvação é aberta a todos os que “se chegam ao Senhor”. Isaías
mostra que a justiça, a salvação e a vida eterna também eram destinadas aos
gentios. E, se a salvação é para todos, o
sábado também é para todos.
Sábado
é prazer
Na sexta-feira da
semana da Criação, Deus fez Adão. Ele despertou, olhou ao seu redor e percebeu
que estava sozinho. Então Deus criou Eva e lhes deu o dom que chamamos de
sexualidade, que envolve mais do que o ato físico, sobretudo, o apoio mútuo e o
amor entre o casal.
Mas eis aqui o
problema: todo mundo gosta de sexo. Mas Deus deu-lhes mais um presente naquela
sexta-feira à tarde. O sábado! Por que todo mundo fala sobre um dos presentes e
não do outro? O sexo foi designado para o prazer e para a família, assim como o
sábado! Isaías 58:13 chama o sábado
de deleitoso! As pessoas me perguntam: “Temos ainda de guardar o sábado? O
sábado ainda é obrigatório para os cristãos?” Que tipo de perguntas são essas?
Ninguém pergunta aos pastores: “Ainda podemos ter sexo? O sexo é obrigatório?”
O sábado é considerado como uma incrível dádiva, a melhor que Deus poderia
conceder para nosso benefício e prazer.
Jesus disse à mulher
samaritana: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber
da água que Eu lhe der nunca mais terá sede” (João 4:13, 14). Aquela mulher
havia tido cinco maridos e não estava satisfeita; continuava à procura da
felicidade. E Jesus lhe disse que deveria encontrar satisfação somente tendo
relacionamento com Ele. Eis por que guardamos o sábado. Deus deu o sábado a
Adão e Eva como um dia em que pudesse manter mais íntima comunhão com Ele. Esse
nível mais elevado de companheirismo era o supremo objetivo da criação da
humanidade. Não fomos criados para ter meramente amizade somente com animais e
seres humanos, mas para manter comunhão com Deus, o Pai Eterno de todos nós.
Sim, Ele o tornou um
mandamento. Mas também era um presente – um dia para desfrutar e ser lembrado
pelas gerações futuras. “O sábado foi feito por causa do homem”
(Marcos 2:27). Ele já era um dom centenas de anos antes de se tornar
mandamento.
Um
dia para estar com Cristo
Apocalipse 3:20 diz que
Cristo está batendo à porta, esperando que a abramos e permitamos que Ele
entre. O sábado é, afinal, uma abertura para o nosso relacionamento com Deus.
Se você estiver entediado com o sábado, isso é um claro sinal de que está
enfadado de Deus. Se o sábado não for um prazer, provavelmente é porque o
deleite não faz parte de sua concepção de Deus. “Tenho-vos chamado amigos”,
disse Jesus (João 15:15). A essência da amizade é o prazer.
É claro que o sábado
tem seu prazer intrínseco, mesmo sem Cristo. Não trabalhar é muito bom! Sair
com a família e os amigos é agradável. Os jantares de sábado podem ser muito
aprazíveis! Mas o propósito do sábado é a amizade com Cristo!
O sábado é apenas uma
parte do ser cristão, um seguidor de Cristo – para viver como Ele, amar como
Ele e servir como Ele. Isso é o que deveríamos fazer todos os dias e muito mais
no sábado. É o dia de Cristo. É um “templo no tempo,” como Abraham Joshua
Heschel notou. Jesus o fez. É um dia para estar com Ele e torná-Lo conhecido.
Ele guardou o sábado e assim também devemos fazer (Lc 4:16, 31).
Um
gosto de Céu
Há mais de 30 anos que
guardo o sábado porque ele me traz um gostinho do Céu. O sábado é o memorial da
Criação: “Porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o
que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de
sábado e o santificou” (Êxodo 20:11). O Céu oferecerá tudo do modo como
era na Criação. O sábado aponta para o futuro, tanto quanto ou mais que para o
passado.
Desfrutar aqui a
alegria do sábado de Cristo é, na realidade, um antegozo se sua celebração com
Ele no povir. No Céu estaremos com Deus o tempo todo. Não trabalharemos aos
sábados e estaremos livres para estar com Deus em tempo integral. Ali
adoraremos a Deus. Por isso vamos à igreja aos sábados para adorar a Deus.
Caminhamos pela natureza, descansamos, comemos com nossa família e amigos,
porque essas são as coisas que faremos no Céu. Ali o tempo passará lentamente
porque nós o teremos em abundância. E assim, no sábado, reduzimos a velocidade
de tudo, em protesto contra a loucura de nossa vida diária. “O sábado rompe com
a frenética rotina da vida, permitindo que o ser humano disponha de tempo para
a comunhão com Deus, o convívio com a família e os amigos, bem como para ajudar
os necessitados” (Alberto R. Timm, O Sábado na Bíblia – Por que Deus faz
questão de um dia, p.108).
Isso significa que se
você de fato quer ter uma regra definitiva para o que pode fazer no sábado,
aqui está: se é certo fazê-lo no Céu, também é próprio fazê-lo no sábado. Daí
se conclui que o sábado tem gosto de Céu.
Mas
isso realmente importa?
Qual o dia que
realmente importa? Vamos ver se esta ilustração ajuda:
Bandeira – você pode
pegar alguns retalhos e limpar seus móveis ou esfregar o carro com eles. Mas no
momento em que você os costura para fazer a bandeira de seu país, algo
acontece. Agora você não pode polir seus sapatos com eles. Eles se tornaram
“sagrados”. Pessoas morreram por essa bandeira.
Assim diz Deus: “Trabalhe nos outros seis dias, mas o
sétimo dia é o dia de descanso do Senhor seu Deus.” (Êxodo 20:11–BV). Deus
o tornou um dia santo, sagrado. Isso representa alguma coisa, semelhantemente
ao que a bandeira significa. Ela faz uma declaração de quem você é e de suas
lealdades supremas.
Você
está pronto para tomar uma posição?
Em Daniel, capítulo 6,
lemos que o rei fez uma lei obrigando todos a dirigirem orações somente a ele.
Muitas pessoas foram correndo para ver se Daniel mudaria seu modo de adoração.
Cremos que algum dia alguém fará outra lei e todos observarão se você ou eu
mudaremos nosso dia de adoração.
Mesmo Deus estava no
céu observando o que Daniel faria: iria ele orar dentro do armário ou abriria
as janelas e oraria do mesmo modo que sempre fizera? Deus observou como Daniel
subiu os degraus, e foi até o topo, passou pelo armário e abriu as janelas. E
Deus disse: “Sim!” Daniel recusou-se a mudar seu modo de adoração. Algum dia
Deus estará observando para ver se iremos recusar mudar nosso dia de adoração.
Caro amigo leitor, você
está disposto a ser como Daniel e decidir que Deus é digno de irmos diretamente
para a janela, e escancará-la adorando-O no sábado legítimo, sem qualquer
vergonha, orgulhosos de tomar uma posição ao lado de Deus?
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