OS HORRORES DOS PORÕES DA DITADURA CIVIL-MILITAR NO BRASIL: UMA REFLEXÃO BÍBLICA
Ricardo
André
'Quantos morreram?
Tantos quanto foram necessários', disse o coronel reformado Paulo Malhães sobre
a ditadura, na última terça-feira (25/03) na Comissão Nacional da Verdade (CNV).
Em depoimento de mais de duas horas, ele admitiu que torturou, matou e ocultou
cadáveres de presos políticos que lutaram pelo retorno da democracia em nosso
país. Disse ter torturado "uma quantidade razoável" de pessoas, ter
matado “alguns” e confirmou ter mutilado corpos para impedir sua identificação
caso fossem encontrados.
"Naquela época não
existia DNA. Quais são as partes que podem identificar um corpo? Arcada
dentária e digitais", afirmou, explicando que portanto os dentes eram
quebrados e o topo dos dedos, cortados. "Eu cumpri o meu
dever. Não me arrependo", disse ele.
Com essas declarações
esse assassino tornou-se o novo símbolo da ditadura militar brasileira. Seu
depoimento chocou o povo brasileiro ao admitir que torturou, matou e ocultou
corpos, e ainda assim, disse friamente que não se arrepende pelo que fez.
Durante todo o período
da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), centenas de jovens estudantes
e políticos que faziam oposição ao regime foram presos, torturados e mortos nos
porões da ditadura. A partir de 1968, a tortura começou a ser amplamente
utilizada, para conseguir confissões das pessoas envolvidas na militância
contra o governo militar. Foi o período em que muitos agentes da ditadura
pareciam haver perdido o caráter de homens e assumido o dos demônios malignos e
bestas selvagens, e extirparam a vida dos jovens que lutaram por um mundo mais
justo e democrático. O assassinato de pessoas por órgãos militares virou
rotina, a tortura aos presos passou a ser algo normal. O total de desaparecidos
durante os anos de ditadura, até hoje não se sabe ao certo, o certo é que
muitas famílias viram seus entes queridos serem presos por motivos fúteis e
nunca mais voltarem para casa. Muitas mulheres foram violentadas nos porões da
repressão militar só por serem filhas de acusados de traidores do regime.
Muitos pais confessaram crimes jamais cometidos apenas para não verem seus
filhos serem torturados.
Nos entristece ouvir
pessoas dizendo: “tempos bons eram os tempos da ditadura”. São pessoas
totalmente desinformadas, que só sabiam o que o governo permitia que fosse
divulgado. A imprensa em geral vivia amordaçada, sem poder publicar noticias
que divulgassem a maldade e os atos criminosos dos militares. Apesar disso,
nenhum torturador foi punido, pois o Congresso Nacional aprovou, em 1979, a Lei
da Anistia. Com ela, as pessoas envolvidas em crimes políticos seriam perdoadas
pela justiça, inclusive os torturadores.
Punição
aos Torturadores e Assassinos da Ditadura
Diante de crimes horríveis
cometidos pelo senhor Paulo Malhães e por tantos outros agentes da ditadura,
naturalmente, sentimos que, a bem da JUSTIÇA, algo deveria ser feito. O Estado
deveria punir todos esses que cometeram violação aos direitos humanos durante
esse período sombrio da nossa história.
As Sagradas Escrituras
nos informam que as autoridades governamentais “são ministros de Deus, vingadores, para castigar o mal” (Rm 13:4).
A justiça exige que o governo exerça sua autoridade, ponha fim a atos maus e
cruéis e puna os transgressores.
Quando Caim assassinou o
seu irmão, Abel, ousadamente negou sua culpa, pensando cegamente que poderia
ocultar de Deus o seu crime. A Bíblia afirma: “E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim
desde a terra” (Gênesis 4:10).
“O trêmulo homicida
percebeu que o Deus que tudo vê e tudo sabe via sua alma desnuda. Como podia
Aquele que nota a queda de um pardal, que é o autor da vida, ficar surdo ao
silencioso clamor do primeiro mártir (ver Sl 116:15)? O sangue é vida, e como
tal é precioso para o grande Doador da vida (Gn 9:4). Contra toda desumanidade
do homem para com o homem, em todas as eras, o clamor de Abel ascende a Deus
(Hb 11:4). (Comentário Bíblico adventista do
Sétimo Dia, vol. 1, p. 227).
Portanto, a monstruosa
desumanidade dos assassinos de centenas de jovens que resistiram a ditadura
militar exige punição, “clama a Deus” por vingança.
Porém, se o Estado não
fizer justiça aos que foram injustiçados pelo regime militar, podemos esperar
pacientemente, sabendo que, se é preciso fazer justiça, Deus cuidará disto no
tempo certo. Deus sabe que a transgressão não punida leva a iniquidade
(Eclesiastes 8:11). Ele não permitirá que os homens maus empedernidos e
impenitentes oprimam as pessoas para sempre.
No passado longínquo, Caim descobriu que as pessoas não podem esconder
nada de Deus (Gn 4:9, 10) e que o divino Soberano endireitará todas as
injustiças.
Por este motivo, o
apóstolo Paulo nos aconselhou: “Meus queridos irmãos, nunca se vinguem de
ninguém; pelo contrário, deixem que seja Deus quem dê o castigo. Pois as
Escrituras Sagradas dizem: “Eu me
vingarei, eu acertarei contas com eles, diz o Senhor.” (Rm 12:19, NVI). Deveras,
a Bíblia fala sobre um dia de vingança da parte do Criador.
O
Dia de Vingança de Deus
O profeta Isaías fala
sobre “ apregoar o ano aceitável do
Senhor” e também sobre “o dia da
vingança do nosso Deus” (Is 61:2). Em breve esse dia chegará, quando Cristo
raiar nas nuvens do Céu com poder e grande glória (Mt 24: 29-31). O apóstolo Paulo
mostrou por que Cristo ainda não veio: “O Senhor não demora a fazer o que
prometeu, como alguns pensam. Pelo contrário, ele tem paciência com vocês
porque não quer que ninguém seja destruído, mas deseja que todos se arrependam
dos seus pecados” (2 Pd 3:9, NVI).
Portanto é urgente
estudar as Escrituras Sagradas, aplicar seus ensinos, entregando-nos sem
reservas a Cristo, desta forma preparando-nos agora o dia glorioso da volta de
Jesus, em que Ele fará um ajuste de contas. Isto nos ajudará a acatar as palavras
do salmista: “Não fique com raiva, não fique furioso. Não se aborreça, pois isso
será pior para você. Aqueles que confiam em Deus, o Senhor, viverão em
segurança na Terra Prometida, porém os maus serão destruídos” (Sl 37:8, 9).
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