DESMASCARANDO O CACP – REBATENDO OS ERROS DOUTRINÁRIOS DE UM ARTIGO DO SR. PAULO SÉRGIO ARAÚJO
“Afinal, Que
Sentido Tem a Palavra “Alma” na Primeira Metade de Mateus 10:28?
Prof. Azenilto G.
Brito
Diz o texto: “E não temais os que matam o corpo, e não podem
matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma
como o corpo”.
Em vista de que um artigo de Paulo
Sérgio Araújo foi postado com grande estardalhaço no website do CACP,
como se ele tivesse a palavra final sobre o tema da condição e destino do
homem, quando o que faz é incorrer no erro metodológico primário de firmar
doutrinas sobre um segmento isolado das Escrituras, tomado-o como verdadeira
“fortaleza inexpugnável” em defesa da doutrina da imortalidade da alma (seu
“samba anti-holístico de uma nota só”) reproduzimos aqui a resposta que lhe
demos e que JAMAIS foi dada a público pelos que já são conhecidos por
suas análises unilaterais, sempre mostrando só o lado que lhes pareça
favorável, com isso passando uma falsa imagem ao “respeitável público”,
submetido só a essa visão parcial do estudo.
Num debate sobre o tema da imortalidade segundo as
concepções dualísticas e holísticas, o Paulo Sérgio Araújo, que veio a público
desafiando-me a respeito, foi repetidamente indagado quanto às origens bíblicas
de sua conclusão de que o termo ‘alma’ deve ser entendido como “elemento
imaterial/imortal embutido no ser humano”, seja na primeira metade de Mateus
10:28 ou outros textos bíblicos. Contudo, ele nunca soube responder, a não ser
raciocinando em círculos, repetindo a DEDUÇÃO PARTICULAR de que assim
deve ser porque assim deve ter sido empregada na primeira metade de Mateus
10:28. O condicionamento cultural de sua formação sob influência da cosmovisão
greco-romana sobre a natureza humana é evidente nessa sua análise tão
superficial quanto ilógica, pois não consegue documentar biblicamente tal
conclusão.
Infelizmente, o referido debatedor revelou-se um
pesquisador não só fraco e sofístico, mas desonesto, pois fez questão de
postar o seu estudo num site de inimigos de nossa fé, destacando o meu nome
como alguém que ele teria refutado, mas torcendo o sentido de minhas palavras.
E embora eu tenha esclarecido a ele insistentemente o real sentido de minha
linguagem e apelado a que alterasse sua argumentação firmada em tal distorção
de declarações minhas, ele jamais atendeu a meu justo pedido. Ora, eu uso
apenas como um ponto secundário o fato de que falamos em “dobrar o espírito”,
como exemplo dos muitos usos do termo “espírito”, que nem sempre significa um
elemento imortal e eterno que sobrevive à matéria, e sim levar alguém a mudar
de disposição mental. O Paulo S. Araújo faz a maior “onda” em torno disso, como
se fosse o ponto fundamental do pensamento holístico, o que é uma falsidade
muito grande.
O fato é que não há nas Escrituras nenhuma passagem
que traga as palavras “alma” ou “espírito” modificadas pelos adjetivos “eterno”
ou “imortal”, o que parecerá estranho, sendo essa uma doutrina tão importante a
merecer melhor esclarecimento e sendo supostamente o SENTIDO PRIMÁRIO no uso de
tais termos, tanto no Velho quanto no Novo Testamento–o de uma entidade
imaterial/imortal que sobreviveria conscientemente a morte do corpo.
A Bíblia Interpreta-se a Si Mesma
O texto de Lucas 12:4, 5 repete os dizeres de
Cristo em Mateus 10:28, e é significativo, não só pelo que diz, mas pelo que
DEIXA de dizer. Ora, se a discussão de Cristo fosse para “provar” a
imortalidade da alma, porque Lucas não expande a questão, e, em lugar disso,
deixa de fora a noção de “não matar a alma”? Eis como Lucas repete as palavras
de Cristo:
“Não temais os que matam o corpo e, depois disso,
nada mais podem fazer. Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: Temei
aquele que depois de matar, tem poder para lançar no inferno”.
Lucas não falou em “não matar a alma” porque decerto quis evitar qualquer ambiguidade com as noções pagãs, da filosofia grega, quanto à imortalidade da alma ao pensar em seu leitores gentios, acostumados a pensar na alma em termos de um componente independente e imortal que sobrevive à morte. Como diz o Dr. Bacchiocchi, “Para tornar claro de que nada sobrevive à destruição divina de uma pessoa, Lucas evita empregar o termo “alma-psychê” que poderia ser confuso para os seus leitores gentios”. E prossegue:
Lucas não falou em “não matar a alma” porque decerto quis evitar qualquer ambiguidade com as noções pagãs, da filosofia grega, quanto à imortalidade da alma ao pensar em seu leitores gentios, acostumados a pensar na alma em termos de um componente independente e imortal que sobrevive à morte. Como diz o Dr. Bacchiocchi, “Para tornar claro de que nada sobrevive à destruição divina de uma pessoa, Lucas evita empregar o termo “alma-psychê” que poderia ser confuso para os seus leitores gentios”. E prossegue:
“Achamos confirmação para esta interpretação em
Lucas 9:25, onde ele novamente omite o termo psychê-alma; “Que aproveita ao
homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo
[eauton]?”.
Presumivelmente, Lucas empregou aqui o pronome
“ele” em lugar de alma-psychê, como empregado em Marcos 8:36, porque o último,
como Edward Schweizer sugere, “poderia ser mal entendido [pelos leitores
gentios] como punição da alma após a morte”. Por empregar, em vez disso, o
pronome “ele”, Lucas indica que Jesus quis dizer a perda da pessoa inteira”.
Portanto, quem melhor poderia interpretar-nos o texto em disputa, a não ser um
autor bíblico?
Sem dúvida tal interpretação de Lucas supera
qualquer uma que eu ou o Paulo S. Araújo tenha a oferecer. . .
E conclui o Dr. Bacchiocchi: “Quando temos em mente
o sentido ampliado que Cristo faz do termo ‘alma’, então o sentido de Sua
declaração faz-se clara. Matar o corpo significa tirar a vida presente de sobre
a Terra. Mas isso não mata a alma, ou seja, a vida eterna recebida por aqueles
que aceitaram a provisão da salvação de Cristo. Tirar a vida presente significa
pôr uma pessoa a dormir, mas uma pessoa não é finalmente destruída até a
segunda morte, a qual, como veremos, é comparada na Escritura com o inferno”.
A Vida Em Seu Potencial
Eterno—Garantia Presente de Bem-Aventurança Futura
A melhor maneira de analisar as palavras de um
personagem bíblico em certo ponto é ver como esse mesmo personagem trata da
questão ou utiliza a mesma palavra em outras ocasiões. Sendo que Jesus foi quem
disse o que disse na disputada passagem de Mateus 10:28 nada como ver como
Cristo mesmo trata do tema da natureza humana, que sentido dá à concepção de
“alma”.
Em Marcos 8:35, Mateus 16:25; Lucas 9:24 temos
repetidamente a expressão “perder a sua vida/ganhar a vida”. Ou seja, a pessoa
ganha a vida (alma) por perdê-la (a alma também). E em ambos os casos do perder
a “alma”/ganhar a “vida” aparece psychê como termo original. Em Lucas 12:20
encontramos a expressão “Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua
alma; e o que tens preparado, para quem será?” Logicamente neste caso, perder a
“alma” significa perecer para sempre no geena, perder o potencial eterno para a
vida, dada à perda eterna do indivíduo integral.
Quem “ganha” a sua alma é aquele que tem a promessa
de vida eterna. Terá garantida a vida em seu potencial eterno, conquanto a
morte física venha a ocorrer eventualmente.
Num estudo bíblico que preparei sobre o tema da
justificação e santificação expus alguns pensamentos que merecem ser aqui
considerados:
Justificação é o veredito do divino
Juiz nas cortes celestiais de que o perdão é nosso, nossa a vida eterna, nossa
a celestial herança, nosso o Espírito Santo. Pela fé já fomos declarados
perfeitos (Heb. 10:14), passamos escatologicamente da morte para a vida (João
5:24), já ressuscitamos e subimos para o céu para assentar-nos nos lugares
celestiais (Efé. 2:5, 6).
Ponderando: O evangelho não
aponta apenas para o passado—o Calvário– mas apresenta-nos as boas novas de que
temos os nossos nomes registrados no livro da vida (Luc.10:20; Fil. 4:3) e é um
retrato que temos do futuro como fato presente e real para ser agora
desfrutado. O Segundo Advento será o desdobramento concreto e empírico daquilo
que já é nosso em Cristo Jesus porque “fé é a certeza de cousas que se esperam,
a convicção de fatos que se não vêem” (Heb. 11:1).
A Bíblia diz claramente que “Aquele que tem o
Filho, tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 João
5:12). Assim, estão escritos no livro da vida os que já têm a vida, em seu
potencial eterno. Portanto, poderia ser até chamado “o livro das almas”. Esse
texto de 1 João 5:12 é interessante pois fala também de algo futuro como sendo
presente. As pessoas que não têm o Filho são vivas, porém, é como se não a
tivessem. O sentido é escatológico—a vida futura, eterna, de que não
desfrutarão.
O cristão vive pela fé, mas já no presente tem a
garantia de vida. Jesus garantiu que “quem comer a Minha carne e beber o Meu
sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:54). A
pessoa que participa da vida de Cristo JÁ TEM POR ANTECIPAÇÃO a vida eterna.
Cristo também declarou: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir;
eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10). Aqueles
para os quais Ele veio eram vivos, contavam com a vida física, mas não a vida
em seu potencial eterno.
E esta garantia de “vida abundante” é dada
magnificamente com a promessa, “Eu o ressuscitarei no último dia”, nada sendo
referido quanto a tal posse da vida eterna ocorrer por ocasião da morte do
corpo e preservação de uma “alma imortal”. Aliás, isso é significativo nas
promessas constantes de Cristo quanto à vida, fazendo a ligação entre isto e a
ressurreição, como veremos mais adiante.
“O justo viverá pela fé”, e essa fé se constitui na
certeza da vida futura, já antecipada no presente. Aliás, ele já passou da
morte para a vida (João 5:24), e até já é ressurreto, assunto ao céu e já está
assentado nos lugares celestiais (Efé. 2:5, 6). Tudo isso já desfrutado pela
fé.
Potencial Eterno Que Pode Ser
Eliminado
Esta certeza e garantia de ter a vida não poderá
ser eliminada com a morte do corpo de um fiel servo de Deus. A “alma” é a vida
potencialmente eterna, firmada em sua fé em Cristo. Como diz uma enciclopédia
bíblica,
“Embora os homens possam matar o
corpo, não podem matar a pessoa para sempre, visto que ela vive no propósito de
Deus (veja Lu 20:37, 38), e Deus pode restaurar e restaurará a vida de tal
pessoa fiel como criatura, por meio duma ressurreição. Para os servos de Deus,
a perda de sua “alma” ou vida como criatura é apenas temporária, não
permanente. . . . Por outro lado, Mateus 10:28 declara que Deus ‘pode destruir
na geena tanto a alma psy·khén como o corpo’. Isto mostra que psy·khé não se
refere a algo imortal ou indestrutível. De fato, não existe nem sequer um caso
em todas as Escrituras, Hebraicas e Gregas, em que as palavras né·fesh ou
psy·khé sejam modificadas por termos tais como imortal, indestrutível,
imperecível, imorredouro ou algo parecido. . . . Por outro lado, há dezenas de
textos, tanto nas Escrituras Hebraicas como nas Gregas, que falam de né·fesh ou
de psy·khé (alma) como mortal e sujeita à morte (Gên 19:19, 20; Núm 23:10; Jos
2:13, 14; Jz 5:18; 16:16, 30; 1Rs 20:31, 32; Sal 22:29; Ez 18:4, 20; Mt 2:20;
26:38; Mr 3:4; He 10:39; Tg 5:20), como morrendo, sendo . . . destruída (Gên
17:14; Ex 12:15; Le 7:20; 23:29; Jos 10:28-39; Sal 78:50; Ez 13:19; 22:27; At
3:23; Re 8:9; 16:3), quer pela espada (Jos 10:37; Ez 33:6), quer por
sufocamento (Jó 7:15), ou por correr o risco de morrer afogada (Jon 2:5), e
também como descendo à cova ou ao Seol (Jó 33:22; Sal 89:48), ou sendo livrada
dali (Sal 16:10; 30:3; 49:15; Pr 23:14)”.
Com isso, fica claro que o uso de “alma” em Mateus
10:28 NÃO SIGNIFICA uma entidade que conscientemente, separada do corpo,
sobrevive à morte, pois EM PARTE ALGUMA tal conceituação é fornecida nas
Escrituras.
A Bíblia jamais ensina que a alma NÃO MORRE,
e sim o contrário disso, tanto no Velho quanto no Novo Testamento: “A alma que
pecar, essa morrerá” (Eze. 18:20); “Aquele que converte o pecador do seu
caminho errado, salvará da morte a alma dele. . .” (Tia. 5:20).
A alma neste caso é o indivíduo completo, com o
potencial de vida eterna negado, pois não tendo o Filho, não pode desfrutar a
vida.
Finalmente, pode-se acrescentar que Jesus, que,
seja lembrado, não falava em português, usou a expressão “alma” na primeira
parte de Mat. 10:28 para não ser ambíguo. Se Ele dissesse, “não temais os que
podem matar o corpo mas não eliminam a vida” isso ficaria confuso na mente dos
ouvintes. Por isso recorreu a uma expressão cuja variedade de sentidos é bem
óbvia na comparação de vários textos bíblicos.
O próprio Cristo em Mat. 22:31 e 32 declara:
“E, quanto à ressurreição dos mortos, não
lestes o que foi dito por Deus: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o
Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos”.
É incrível ver como os defensores das teses
dualistas usam este texto tentando provar sua visão, quando a passagem fala SOMENTE
em ressurreição final, nunca em ida de alguém para o céu imediatamente após a
morte. Deus é Deus de vivos EM FUNÇÃO DA PROMESSA DA RESSURREIÇÃO, e não
por causa de haver uma alma imortal embutida no ser humano.
A Segunda Metade do Texto
E temos ainda a 2a. metade do texto que é um golpe
de morte sobre a interpretação que se dá à 1a. “Temei antes aquele que pode
fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”.
Qual é o sentido de “perecer no inferno-geena”?
Para entender isto temos que recorrer ao ensino bíblico global sobre o destino
final dos pecadores. Aliás, para qualquer sentido específico de palavras ou
frases bíblicas o caminho é esse, e não criar uma tese firmada num texto
isolado, e teimar, teimar, teimar que a Bíblia inteira deva ser interpretada
com base nessa interpretação particular, independente e firmada na mera
“tradição” dos homens, ou em condicionamento cultural, como se dá com a interpretação
da primeira metade de Mateus 10:28 pelo Paulo S. Araújo. Em lugar de ressaltar
que a alma NÃO MORRE, a segunda parte do texto confirma a declaração bíblica de
que “a alma que pecar, essa morrerá” (Eze. 18:4).
No próprio texto de Mateus 10:28 encontramos
fundamento para confirmar o que a Bíblia declara, tanto no Velho quanto no Novo
Testamento: a palavra “perecer” é derivada de apollumi, que significa em 2
Pedro 3:6-10 “destruição”. E Pedro faz um paralelo inegável entre os
antediluvianos que pereceram nas águas do dilúvio com a “destruição dos homens
ímpios” ao final da história humana:
“. . . pelas quais coisas pereceu (apoleto) o mundo
de então, afogado em água; mas os céus e a terra de agora, pela mesma palavra,
têm sido guardados para o fogo, sendo reservados para o dia do juízo e da
perdição (“destruição”, apoleias) dos homens ímpios. Mas vós, amados, não
ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como
um dia. O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia;
porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que
todos venham a arrepender-se. Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual
os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão,
e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas”.
O texto em destaque não só traça um paralelo entre
os antediluvianos que pereceram sob as águas, como mostra que o próprio planeta
na sua forma presente passará por uma destruição total e plena. Ora, nem os
homens antediluvianos continuaram sob as águas conscientes e sofrendo torturas
perenes, nem o planeta será submetido a um fogo inextinguível. O “perecer”
tanto dos antediluvianos quanto do planeta significa indiscutivelmente
“destruir”. O apóstolo Paulo foi claríssimo também ao falar em destruição dos
ímpios, em linguagem plenamente compatível com o que Pedro descreve:
“. . . se de fato é justo diante de Deus que ele dê
em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, alívio
juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do
seu poder em chama de fogo, e tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos
que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor
Jesus; os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna, banidos da face do
senhor e da glória do seu poder, quando naquele dia ele vier para ser
glorificado nos seus santos e para ser admirado em todos os que tiverem crido
(porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós)”. – 2 Tess. 1:6-10.
Esta passagem é muito significativa pois Paulo
mostra que a tribulação sob que vivem os cristãos findará, não quando estes
morrerem e suas almas forem para o céu, mas quando “se manifestar o Senhor
Jesus com anjos do seu poder”. Também ele demonstra que o castigo “em chama de
fogo” para “tomar vingança dos que não conhecem a Deus” é algo FUTURO. Logo, a
noção de um inferno já em operação cai por terra diante de tão claras palavras
do apóstolo. E o castigo é o BANIMENTO eterno pelos que sofrem “perdição
eterna”, ou “destruição eterna”, “ruína eterna”, como consta da Versão King
James, e da versão em francês da Alliance Biblique Universelle.
Essa noção de destruição dos homens ímpios
harmoniza-se com inúmeras outras passagens bíblicas que apontam exatamente a
isso—à extinção total de pecado e pecadores nos momentos finalíssimos da
história humana.
Há passagens claras na Bíblia sobre a destruição
total dos iníquos: os ímpios perecerão (Salmo 37:20); serão destruídos
(Salmo 145:20); morrerão (Ezequiel 18:4); serão consumidos (Salmo
21:9); inexistirão (Salmo 37:10); serão eliminados (Provérbios
2:22) perderão a vida (Provérbios 22:23); tornar-se-ão em cinzas
(Malaquias 4:3); se desfarão em fumaça (Salmo 37:20); derreterão
como a cera (Salmo 68:2); os que não crerem no Filho Unigênito enviado por Deus
perecerão (João 3:16), pois “o salário do pecado é a morte”
(Romanos 6:23).
Isaías 14:12ss retrata o rei de Babilônia em
linguagem que se interpreta geralmente como também referindo-se ao próprio
Lúcifer. O mesmo se dá com Ezequiel 28:14ss, que retrata o rei de Tiro, mas a
linguagem descritiva é claramente uma referência a Satanás. Os vs. 18 e 19
falam de sua queda final e a destruição eterna com fogo que o transformaria em
cinzas, “. . . e nunca mais serás para sempre”, dizem algumas versões. Esse é o
fim de Satanás, a “raiz”, que junto com os “ramos” de seus seguidores
encontrarão a destruição, como descrito em Malaquias 4:1-3:
“Pois eis que aquele dia vem ardendo como fornalha;
todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como restolho; e o
dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos exércitos, de sorte que não
lhes deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá
o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas; e vós saireis e saltareis como
bezerros da estrebaria. E pisareis os ímpios, porque se farão cinza debaixo das
plantas de vossos pés naquele dia que prepararei, diz o Senhor dos exércitos”.
As Palavras de Jesus
Jesus comparou a destruição dos ímpios com ervas
reunidas em molhos para serem queimadas (Mat. 13:30,40), os maus peixes lançados
fora (Mat. 13:48), as plantas prejudiciais que são arrancadas (Mat.
15:13), a árvore infrutífera que é cortada (Luc. 13:7), os galhos secos
que são queimados (João 15:6), os servos infiéis que são destruídos
(Luc. 20:16), o mau servo que será despedaçado (Mat. 24:51), os galileus
que pereceram (Luc. 13:2, 3), as dezoito pessoas que foram esmagadas
pela torre de Siloé (Luc. 13:4, 5), os antediluvianos que foram destruídos
pelo dilúvio (Luc. 17:27), as pessoas de Sodoma e Gomorra que foram destruídas
pelo fogo (Luc. 17:29) e os servos rebeldes que foram mortos quando do
retorno do seu mestre (Luc. 19:14, 27).
Todas essas ilustrações empregadas pelo Salvador
descrevem vividamente a destruição final dos ímpios. O contraste entre o
destino dos salvos e o dos perdidos é um de vida versus destruição. Em Mateus 25:46
Cristo mostra a ANTÍTESE entre “vida eterna” dos remidos e “morte eterna”, dos
condenados. Há um paralelo na sorte de ambos os grupos—o caráter eterno de sua
sorte futura, de um lado vida eterna, do outro, morte eterna.
Jesus disse: “Eu lhes dou [aos remidos] a vida
eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão”
(João 10:28). “Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçoso é o
caminho que conduz para a perdição e são muitos os que entram por ela), porque
estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os
que acertam com ela”. Dentro do contexto destas passagens, não há razão para
reinterpretar a palavra “perecer” ou “destruir” para significar permanência de
vida em tormento infindável, absolutamente eterno.
Cristo Não Ensinou a Imortalidade
da Alma
Se a intenção das palavras de Cristo na primeira
parte de Mateus 10:28 fosse indicar a natureza dualística do homem
esperar-se-ia ver isso claramente desenvolvido em outras passagens. Contudo,
não é o que constatamos ao lermos sobre promessas de Cristo relativas à vida
futura. Vejamos alguns exemplos:
Em João 14:1-3 e João 5:28, 29 não há pista alguma
de “almas imortais” referidas em qualquer desses textos com os Seus dizeres:
“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus,
crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim,
eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar,
virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver
estejais vós também”.
“Não vos admireis disso, porque vem a hora em que
todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem
feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal,
para a ressurreição do juízo”.
São bem significativas as palavras de Cristo sobre
“preparar moradas” para os Seus, seguidas de Sua promessa de retorno: “virei
outra vez, e vos levarei para Mim mesmo, para que onde eu estiver, estejais vós
também”. Ora, se Cristo ensinasse a imortalidade da alma iria dizer que as
moradas estariam disponíveis aos salvos conforme fossem morrendo e suas almas
chegassem no céu para assumi-las. O fato de Ele relacionar o Seu retorno ao
encontro com os remidos para, então, ocuparem tais moradas é altamente significativo.
Simplesmente não há espaço para a noção de almas ou espíritos indo para o céu
nessa fala do Salvador.
Por outro lado, o texto sobre a ressurreição de
João 5:28 e 29 é antecedido por alguns comentários muito significativos de
Cristo: “Em verdade, em verdade, vos digo que vem a hora, e já chegou, em que
os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem, viverão” (vs.
25).
Observem que Ele fala que “os mortos” ouvirão a voz
do Filho de Deus e VIVERÃO. Neste verso específico Ele certamente se
refere aos salvos, pois fala: “os que a ouvirem, viverão”. Estas palavras não
fazem sentido para quem creia na imortalidade da alma, porque os que ouvirem a
voz JÁ ESTÃO VIVOS, na forma de uma “alma imortal”. Os que VIVERÃO
são os que estiverem nas sepulturas, não os que estejam em algum local do
universo esperando esse “ouvir a voz”, para terem vida.
Se as almas é que vêm de diferentes locais,
primeiro, não precisariam ouvir voz alguma para despertar—já estão muito bem
despertas. E se estão despertas é por estarem vivas, e o “VIVERÃO” a
elas não pode aplicar-se!
E há mais uma ponderação a considerar: Jesus diz,
“os MORTOS ouvirão a voz. . .” Ora, se Cristo cresse na imortalidade da
alma iria dizer—“as almas dos que morreram se reincorporarão e ouvirão a voz. .
.” A preocupação Dele não é com os que estão em alguma parte do espaço, mas com
“OS MORTOS”. E esses mortos são “todos os que se acham nos túmulos”. O
tema no contexto é o juízo a que todos devem submeter-se—a ressurreição da vida
e a do JUÍZO.
E o Que Dizer Da Ressurreição de
Lázaro?
Quando se lê o que é considerado o maior dos
milagres de Cristo—a ressurreição de seu amigo Lázaro, morto já fazia quatro
dias (João cap. 11)—as palavras do Salvador não deixam igualmente qualquer
pista para a crença na imortalidade da alma. Senão, vejamos:
a) Cristo diz aos discípulos que o amigo Lázaro
estava “dormindo”, utilizando a metáfora do sono para falar da morte, algo
muito comum nas Escrituras tanto do Velho quanto do Novo Testamento. A morte é
retratada na Bíblia como um sono inconsciente (Salmo 146:4; Ecl. 9: 5, 6 10; 1
Tes. 4:13-18).
b) Na rápida conversa que teve com as enlutadas
irmãs, Cristo jamais diz algo sobre Lázaro estar desfrutando as bênçãos
celestiais, mas aponta à ressurreição “no último dia” como fonte de consolação.
Marta reage às palavras Dele na mesma base—confirmando sua esperança na
ressurreição (João 11: 23, 24).
c) Cristo faz a declaração magnífica e confortadora:
“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em Mim, ainda que morra viverá” (vs.
25). A ênfase não está em almas indo para o céu, mas, de novo, na ressurreição
do dia final. Por isso quem aceita o Evangelho viverá, não por ter uma alma
imortal, mas graças à ressurreição que resulta em imortalidade, concedida como
um dom aos que crêem (2 Tim. 1:10).
d) Quando Lázaro é trazido à vida, nada tem para
contar de seu tempo “no além”. Decerto se ele tivesse algo a narrar do período
em que esteve morto, o apóstolo João haveria de registrar sem hesitação. Seria
tema importantíssimo e do maior interesse da comunidade de crentes. Contudo,
Lázaro nenhuma informação trouxe da sua possível passagem pelo céu, porque nada
teve para contar a respeito.
e) Se Cristo tivesse trazido Lázaro do céu para
voltar a sofrer sobre a Terra ter-lhe-ia feito uma maldade. Se o trouxe do
inferno (improvável, pois era um seguidor do Mestre) ter-lhe-ia dado nova
oportunidade de salvação, o que é antibíblico.
As palavras e atos de Cristo são coerentes com o
que Ele havia dito em João 6:39: “E a vontade de quem me enviou é esta: Que
nenhum Eu perca de todos os que Me deu; pelo contrário, Eu o ressuscitarei no
último dia”. Tais palavras são repetidas nos vs. 40, 44 e 54. Este último verso
é muito significativo: “Quem comer a Minha carne e beber o Meu sangue tem a
vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”. E no vs. 58 Ele novamente
acentua: “Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os
vossos pais comeram, e contudo morreram: quem comer este pão viverá
eternamente”. Está muito claro que Ele relaciona a posse da vida eterna com a
ressurreição no último dia!
Se Cristo ensinasse a imortalidade da alma sem
dúvida Suas palavras refletiriam tal noção nestas declarações, pois é incrível
que deixasse de mencionar um fato tão relevante no que diz respeito ao destino
dos salvos, o tema que está expondo nessas passagens.
Portanto, o Paulo S. Araújo e seus patrocinadores
não têm escora alguma para defender sua tese de que “alma” nas Escrituras tem o
“sentido primário” de entidade imaterial/imortal que sobrevive à matéria.
Diante disse ele tem duas opções:
a) ser humilde e reconhecer a falácia de seus
argumentos, firmados, não no “assim diz o Senhor” das Escrituras consideradas
globalmente; b) continuar teimando e teimando e teimando com um sentido
de um termo isolado num pedaço de texto sem perceber que o faz por seu próprio
condicionamento cultural dentro da linha de pensamento da cosmovisão greco-romana
para a natureza e destino humanos, não da visão global bíblica do sentido de
“alma” e “espírito”, que reflete a concepção hebraica, a dos autores inspirados
por Deus tanto no Velho quanto no Novo Testamento.
Tomara que o Paulo prefira a primeira opção e venha
unir forças com o crescente contingente de estudiosos da Bíblia das mais
diferentes confissões que têm assumido essa posição muito mais avançada sobre a
natureza e destino humanos, abandonando o dualismo que deriva da primeira
mentira satânica sobre este planeta, “É certo que não morrereis” (Gên. 3:4).
Esta postagem conclui nossa resposta à insistente
pergunta do Paulo Araújo, que ao desafiar-nos abertamente quanto ao sentido de
Mateus 10:28 tem agora nossa devida resposta, que demoramos para apresentar
para que ele primeiramente cobrisse os capítulos 2 e 3 do livro Imortalidade ou
Ressurreição?, onde o autor, Dr. Samuele Bacchiocchi, magnificamente demonstra
que os sentidos vários de “alma” e “espírito”, tanto no Velho quanto no Novo
Testamento, JAMAIS dão margem à noção de origem pagã de “elemento
imaterial/imortal que sobrevive à matéria”.
Agora, que tal o Paulo Araújo responder às 10
perguntas que lhe dirigimos antes e que ele JAMAIS dispôs-se a
responder? Afinal resposta à pergunta dele foi dada. Então, nada mais justo do
que agora requerermos dele também respostas às nossas insistentes indagações.
LEGENDA:
VERMELHO: RESPOSTAS DO PAULO SÉRGIO
ARAÚJO.
AZUL: MEUS COMENTÁRIOS
Comentário do Paulo Sérgio Araújo: Abaixo, as 10 perguntas que o
Professor Azenilto deixou para eu responder. Como ele é Professor, e eu sou
aluno, então vamos ver que nota ele dá para mim nessa prova. Se tem 10
perguntas, então cada uma vale 1 ponto… Porém, acho que esse professor não vai
muito com a minha cara, e muito provavelmente ele me dará um zero bem grande…
Se depender da nota do Professor Azenilto, então eu repetirei de ano… nem de
recuperação vou ficar…
1 - Que provas bíblicas tem de que Deus colocou uma
alma imortal ao criar o homem, sendo que este nem precisaria disso pois a morte
não foi prevista no plano original de Deus, e sim a vida física do homem,
eternamente preservada no Paraíso físico?
Ler os textos de 1Rs 17:21, 22; Mt 10:28;
Lc 23:46; Jo 19:30; At 7:59; 20:10; 1Co 2:11; 5:5; 14:14, 32; Hb 12:23;Ap 6:9;
18:13; 20:4, e outros que eu nem me lembro…
ABSOLUTAMENTE NENHUM dos textos
enumerados responde à pergunta. Não há a mínima informação de que Deus haja
colocado um elemento imaterial/imortal no homem ao criá-lo. Mesmo porque não
era para esse homem morrer, e sim viver eternamente como um ser físico, num
Paraíso físico. Portanto, nem necessidade ele tinha de uma suposta “alma
imortal”.
O que se passa é que o Paulo Araújo
parte de deduções do sentido de termos, aplicando o que imagina ser o seu
sentido segundo o condicionamento cultural de origem greco-romana que lhe
domina a “alma”.
Simplesmente não apresentou qualquer PROVA,
segundo o que perguntamos. Nota ZERO já na primeira de suas respostas.
2 - De que parte da Bíblia extraiu o conceito
claramente definido de que “alma” tem o sentido de “elemento imaterial e
imortal que prevalece sobre a morte tendo consciência, à parte do corpo” (Obs.:
meras deduções à base de conceitos extrabíblicos não servem)?
Se as passagens acima mostram a alma
sobrevivendo à dissolução do corpo, então a única conclusão a chegar-se é que
ela é imaterial e imortal!
Ele começa com um SE, o que é
significativo, pois é condicional. Só que eu deixei claro que “meras deduções à
base de conceitos extrabíblicos NÃO SERVEM”. E ele não demonstrou DENTRO
DA Bíblia o que pretende—que alma é um elemento imaterial/imortal que
sobrevive à matéria. Não há tal informação nas Escrituras, a não ser forçando o
sentido de textos para amoldar-se a pressupostos de condicionamento cultural,
como é o caso do Paulo S. Araújo. Mas isso já é partir para DEDUÇÕES extrabíblicas.
. .
Logo, ganha outro ZERO na
resposta à segunda pergunta.
3 – Poderia mostrar uma só descrição bíblica clara
(não em textos parabólicos ou simbólicos) de almas conscientes deixando o corpo
na morte e partindo para o céu, inferno, purgatório ou qualquer outro
“departamento do além” que a teologia popular criou?
Há passagens que falam sobre a
sobrevivência da alma após a morte do corpo (elas estão na resposta número 1).
Porém, quando Jesus e Estevão disseram: “recebe o meu espírito”, isso indica
que a parte imaterial deles estava indo para junto de Deus, ou seja, para o
céu. As almas debaixo do altar descritas em Apocalipse 6:9 (e os “espíritos dos
justos aperfeiçoados de Hb 12:23) também falam que as almas dos justos estavam
no céu.
Não há NENHUMA passagem que
fale de almas conscientes que saiam do corpo indo para qualquer outra parte do
universo. Os textos que ele cita simplesmente não falam isso, pois o “entregar
o espírito” a Deus significa simplesmente despedir-se do fôlego vital que Deus
concede a todos os seres, homens e até animais (ver Sal. 104:25-29—“se lhes
tiras a respiração [ruach], morrem, e voltam ao seu pó. . .”).
Salomão falou sobre isso em Ecl.
12:7: “e o pó volte para a terra como o era, e o espírito [ruach] volte a Deus
que o deu”. Observem que ele trata dos que morrem e vão para o pó, como TODOS,
não só os salvos. O mesmo se aplica ao fôlego de TODOS que como volta
para Deus, por Lhe ser devolvido, reintregrado ao espaço.
E onde aparecem tais “espíritos” no
céu? Onde há a mínima descrição de ida de tais espíritos para lá, e sua
permanência por lá? Por que Jesus disse que ia “preparar lugar” para os
remidos, em João 14:1-3, mas vinculou a posse de tais lugares, não quando os
remidos morressem e suas almas fossem para o céu, e sim quando Ele retornasse?
Quanto às almas debaixo do altar, eu
disse que não valiam textos parabólicos ou simbólicos, mas o Paulo Araújo não
respeitou tal critério porque sabe que não tem outros recursos de que valer-se.
A passagem que fala de “almas debaixo do altar” é apenas uma figuração do autor
bíblico para lembrar os muitos que foram martirizados ao longo da história, e
cujo sangue está debaixo do altar, onde ficava acumulado o sangue dos
sacrifícios no culto israelita. É bom lembrar que um dos sentidos de “alma” é
exatamente “sangue”.
O sangue de Abel também “clamava”
desde a Terra (Gên. 4:10), bem como o salário dos trabalhadores (Tia. 5:4).
Portanto, é linguagem altamente simbólica e não serve de “prova” de modo algum
para a imortalidade da alma, e não responde nem de longe à pergunta feita. Mais
um ZERO lamentável para o Paulo Araújo.
4 – Poderia apresentar uma só descrição bíblica clara
de almas ou espíritos voltando de algum lugar do além para reincorporar quando
da ressurreição final?
Desconheço qualquer versículo que fale
sobre almas retornando aos corpos por ocasião da ressurreição final. Porém, há
3 casos registrados na Bíblia de que as almas voltaram para os corpos quando as
pessoas foram ressuscitadas.
Que coincidência! Eu também
desconheço. Mesmo porque Paulo descreve em detalhes o que se passará nos
momentos finalíssimos da história da Terra, especialmente em 1 Coríntios 15,
quando se dará o encontro do Senhor com os remidos, e “se esqueceu” de
descrever essas supostas almas vindas do alto ou de baixo para reincorporarem.
Portanto, o Paulo S. Araújo mesmo
reconhece a falta de dados a respeito de algo que seria importantíssimo
aparecer na Bíblia, caso a tese de imortalidade da alma tivesse fundamento
seguro. Pela falta de saber o que dizer, só pode ganhar o 4o. ZERO de nosso
teste.
5 – Poderia nos explicar como os corpos dos ímpios que
ressuscitam teriam capacidade de ser eternamente refratários ao fogo, pois
somente os remidos são descritos como tendo corpos incorruptíveis (Fil. 3:20,
21; 1 Cor. 15:53-55)?
Além de ser uma pergunta sem sentido, ela
indica que você acredita que as chamas do inferno são literais. Sendo assim, eu
te pergunto: os corpos ressurretos dos maus suportarão as chamas literais do
inferno enquanto estiverem sofrendo por um período proporcional e temporário?
Veja que esse seu argumento não tem sentido, visto que essa pergunta pode ser
feita também para os aniquilacionistas.
A pergunta faz todo o sentido. A
Bíblia não descreve os critérios divinos para a graduação dos castigos, mas que
se dará pelo fogo é claríssimo. Muitas passagens falam de fogo, como os ímpios que
serão destruídos nos fogos finais, tal como os antediluvianos o foram nas águas
do dilúvio (2 Ped. 3:6-10), e “derreterão como cera” (Sal. 68:2), se
transformarão em “cinzas” (Mal. 4:1-3).
O Paulo Araújo é que tem de PROVAR
que o castigo NÃO SERÁ com fogo. Sua resposta à quinta pergunta resulta
em inescapável ZERO, novamente.
6 – Poderia nos explicar para onde o lago de fogo
parte após cumprir sua função de “segunda morte”, já que queima SOBRE A
SUPERFÍCIE DA TERRA (Apo. 20:5ss) e não é dito em parte alguma que salte de
sobre a Terra para prosseguir queimando eternamente noutro recanto do universo,
já que o contexto fala que há “novos céus, e uma nova terra .. . . e o mar já
não existe [nem o lago de fogo]” (Apo. 21:1)?
Farei outra pergunta para aniquilar com
essa feita por você: Ap 20:9 diz que “desceu” o quê do céu: fogo ou o lago de
fogo? Bem, leia o versículo e depois responda para todos verem a sua resposta:
“Marcharam, então, pela superficie da
terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém,
fogo do céu e os consumiu” (Ap 20:9)
Pois basta ler a sequência toda do
capítulo para ver que o fogo que desce do céu se transforma no lago de fogo,
assim como a chuva que cai do céu se transforma em poças dágua, lagoas e lagos.
. .
O Apocalipse nem sempre apresenta uma
rigorosa sequência cronológica nos seus vários capítulos. Por exemplo, a
descida da cidade santa é dada em pormenores no capítulo 21, embora haja uma
antecipação disso no capítulo anterior.
Então, não há porque haver dúvida. O
fogo que consome os pecadores é o mesmo do lago de fogo que representa a
“segunda morte” (Apo. 20:14; 21:8).
A consequência da má resposta é outro
ZERO.
7 – Como explica a 2a. parte de Mateus 10:28 onde
claramente o Cristo fala que Deus fará “perecer” no geena tanto o corpo quanto
a alma, no sentido de ser o indivíduo integral, à luz de 2a. Ped. 3:6-10 onde o
mesmo termo no grego para “perecer” (apollumi) aparece com claríssimo sentido
de “destruição dos homens ímpios”, num paralelo entre a destruição dos
antediluvianos sob as águas do dilúvio e a destruição final dos pecadores sob
os fogos de vingança no futuro (1 Tes. 1:7-10)?
Se apollumi na segunda parte de Mateus
10:28 e no trecho de 2 Pedro 3:6-10 tem o sentido de “aniquilar”, então você é
obrigado a sustentar que os pecadores dos tempos de Noé, que morreram pelas
águas do dilúvio, já foram aniquilados! Você crê nisso? Se sim, então aqueles
pecadores não ressuscitarão no futuro! Crê nisso também? Logo, é mais do que
evidente que apollumi em 2Pedro 3:6-10 de forma alguma significa “aniquilar”.
Isso é puro sofisma, pois os
antediluvianos foram realmente “aniquilados” pelas águas, assim como o homem do
pecado, o filho da perdição será aniquilado pelo sopro da boca do Senhor (2
Tess. 2:8), mas haverá ainda de ressuscitar para comparecer ao juízo.
E também não nos limitamos a 2a.
Pedro 3:6-10 para entender pela Bíblia que o que ocorrerá é mesmo a aniquilação
dos ímpios, segundo inúmeros versos tanto do Velho Testamento quanto do Novo
Testamento (Sal. 37:20; 68:2; 92:8; Eze. 28:14-19; Mal. 4:1-3; Mat. 10:28b; 2
Tess. 1:7-10; 2a Ped. 3:6-10; Apoc. 20:14; 21:8).
Assim, o Paulo S. Araújo falhou em
mais uma resposta, e ganha mais um sonoro ZERO.
8 – Como explica o fato de que, a despeito de tantas
vezes aparecer na Bíblia, as palavras “alma” e “espírito” NUNCA são modificadas
pelos adjetivos “eterno” ou “imortal”?
O fato de uma palavra (”alma” ou
“espírito”) não aparecer na Bíblia não indica que uma doutrina (a imortalidade
da alma) seja falsa. As doutrinas não são estabelecidas em cima das palavras
que estão registradas na Bíblia, mas em cima dos ensinamentos que essas
palavras nos passam. A palavra “trindade”, por exemplo, não aparece nas Escrituras,
mas cremos nessa doutrina porque muitas passagens a ensinam.
Essa foi muito boa! Só que as
palavras “alma” e “espírito” APARECEM na Bíblia, e o que não se dá é JAMAIS
serem modificadas pelos adjetivos “imortal” ou “eterno”.
Ora, se é tão relevante e claro na
Bíblia a questão da imortalidade da alma, não parece estranho que expressões
tais como “alma imortal”, “espírito imortal” NÃO apareçam nas páginas
bíblicas?
Ademais, não existe texto nenhum que
ensine que haja uma parte imaterial/imortal no homem, pois na “receita” da
formação do homem não é dito que tal “ingrediente” haja sido acrescentado. Ora,
se uma dona de casa vai fazer um bolo de chocolate, o ingrediente “chocolate”
há de aparecer obrigatoriamente em tal bolo. Se não houver chocolate, poderá
ser bolo de qualquer coisa, menos de chocolate.
E na “receita” da composição do homem
originalmente, NÃO APARECE nenhum elemento imaterial/imortal que
sobrevive à matéria, conceito que se desenvolveu mais tarde inspirado na
primeira mentira proferida pelo diabo sobre o planeta, “É certo que não
morrereis” (Gên. 3:4), e que caracteriza o pensamento de TODOS os povos
pagãos. . .
Lamentavelmente, o mundo protestante
não se despertou para esse erro, sendo um dos DOIS grandes erros que a
Reforma Protestante ficou devendo de nos corrigir.
Novamente, o ZERO é a retribuição
pela inadequação da resposta.
9 – Poderia citar uma só vantagem, dentre as dez que
eu indico, de manter o entendimento dualístico sobre o holístico?
A vantagem é que a imortalidade da alma é
ensinada na Bíblia, enquanto que o holismo (ou imortalidade condicional) é uma
doutrina humana, materialista.
A pergunta NÃO FOI RESPONDIDA
porque o Paulo Araújo não se ateve ao questionário onde apresento os tópicos ESPECÍFICOS,
demonstrando em um por um a suposta superioridade dessa doutrina infame, que é
o elo de ligação entre as religiões todas que haverão de se unir em pontos
comuns de doutrina. A crença na imortalidade da alma e a guarda do domingo é
o ponto comum que unirá finalmente o catolicismo, protestantismo, espiritismo,
maometanismo, hinduísmo, mormonismo, budismo, animismo, Nova Era e todas essas
religiões que seguem a Bíblia só em parte, ou não a seguem em absoluto.
Mais um lamentável ZERO como nota,
pela resposta falha.
10 – Poderia explicar por que Jesus fala em “verme que
nunca morre”, em vez de “alma que nunca morre” em Marcos 9:48?
O texto em apreço diz “e o seu verme [ou
'bicho'] nunca morre”. Para falar a verdade, não sei qual o sentido desse
“verme”. Certamente não é um “verme” literal, como os que existem na natureza.
Porém, o versículo diz que “o seu [do homem] verme não morre” e que “o fogo
nunca se apaga”, indicando perpetuidade.
Se o Paulo Araújo tiver a necessária
humildade poderá aprender de uma vez por todas o sentido desta passagem.
Lembremo-nos que o texto fala em “vermes”, e não “almas’. Ora, verme é verme e
alma é alma. . .
Devemos primeiro recorrer à metáfora
semelhante que foi empregada anteriormente por Isaías, em Isa. 66:24, e que é
repetida por Jesus:
“E sairão, e verão os cadáveres dos
homens que transgrediram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o
seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne”.
Significativamente, tal texto está
num contexto em que o profeta fala das condições da Nova Terra, onde, por
sinal, os salvos irão observar o sábado, pois lá não haverá mais pecados nem
pecadores, é uma terra “onde habita a justiça” (2 Ped. 3:13)!
Pois bem, o texto de Isaías
claramente trata dos CADÁVERES dos inimigos de Deus que estariam
insepultos (o que era uma suprema desonra para um israelita), e os vermes os
estariam consumindo constantemente, e um fogo queimando também sem cessar. Esta
linguagem se chama HIPÉRBOLE e o objetivo é aumentar o cenário de
horror. Vejam que Jerusalém seria destruída com um fogo que não se apagaria
(Jer. 17:27), aliás, também por causa da violação do sábado pelo povo de
Israel. Contudo, quem for hoje a Jerusalém não verá as portas da cidade
queimando mais. . .
Essa hipérbole mostra que os vermes
como que seriam ETERNOS, mas isso é como também encontramos no hino
nacional brasileiro, “pátria amada, IDOLATRADA”, só que ninguém está
idolatrando literalmente a pátria (nem deve. . .).
E temos aí o seu último ZERO.
Como ZERO mais ZERO dez vezes, ou ZERO vezes 10 é igual a ZERO,
essa é a nota final do pequeno teste de conhecimentos bíblicos sobre a questão
da natureza e destino humano ao Paulo S. Araújo.
Finalmente, lembremo-nos que eu propus ao Paulo
Araújo uma pergunta especial, extra, e ele NÃO RESPONDEU:
Como é que os que aceitam o evangelho já passaram
da morte para a VIDA” (João 5:24), e no entanto ainda morrem? E também “quem
tem o Filho tem a vida” (1 João 5:12), e o mesmo fato se dá?
Aliás, o texto é interessante: “Quem tem o Filho
tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida”.
Daí, temos outra pergunta: como é que os que não têm o
Filho, NÃO TËM A VIDA, no entanto vivem, tanto quanto os que têm o Filho
(e também morrerão um dia. . .)?
Depois de dar-se tão mal no questionário de 10
perguntas que lhe dirigi, dificilmente o Paulo Araújo irá querer arriscar-se em
responder a estas últimas perguntas. . .
VEJAM TAMBÉM o estudo “10 Tópicos Que
Demonstram a Superioridade da Visão Holística da Natureza e Destino Humanos
Sobre a Visão Dualística”
FONTE:
Ministério Sola Scriputra
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