MENSAGEM PARA O TEMPO DO FIM
Para
cada período da História, Deus tem uma mensagem específica. Essa mensagem
é denominada “verdade presente” Exemplo disso é a pregação de Noé,
que conclamou o mundo antediluviano ao arrependimento e anunciou a
destruição por meio do dilúvio (Gn 6 e 7).
No
Novo Testamento, encontramos outro exemplo em que a mensagem presente consistia
em aceitar Jesus de Nazaré como o Filho de Deus e Salvador do mundo.
Embora essa pregação cristocêntrica permeie a Bíblia em todos os tempos,
naquela época, os apóstolos tinham o desafio de levar as pessoas a aceitar o
Carpinteiro judeu como o prometido Messias do Antigo Testamento (At
2:22-36; 4:11,12; 5:30,31).
Avançando
na História, encontramos no século dezesseis o movimento da Reforma Protestante
com a mensagem de que a Bíblia é a única regra de fé (Sola Scriptura) e de
que a fé nos méritos de Cristo é o único meio pelo qual alguém pode ser aceito
e salvo por Deus (Sola Fide). Tais aspectos da mensagem eram apropriados ao
contexto em que os reformadores viviam, pois o papado havia exaltado a
tradição em lugar do ‘Assim diz o Senhor” e a salvação pelas obras em lugar da
justiça de Cristo.
Tempo
do fim
Qual
é a mensagem de Deus para nosso tempo? Para entendermos isso, precisamos
identificar o período da História em que vivemos. No capítulo 12 do livro
de Daniel, Deus revela ao profeta que o entendimento do seu livro só ocorreria
no “tempo do fim” (v. 9). Esse tempo chegaria após o período profetizado “de um
tempo, dois tempos e metade de um tempo” (v. 7), o que equivale a 1260
anos (538 d.C – 1798 d.C), nos quais o Romanismo mudaria o Decálogo,
perseguiria os fiéis de Deus e lançaria a verdade por terra (Dn 7:25; 8:12; Ap
12:6,13,14; 13:5,6).
Portanto,
em 1798, começou o ”tempo do fim” um período singular em que as principais
profecias de Daniel se cumpririam (Dn 8:14; 12:11, 12), haveria um
crescente avanço do conhecimento profético e também científico (Dn
12:4) e a História registraria importantes sinais preditos nos evangelhos
e no livro do Apocalipse (Mt 24:29; Mc 13:24,25; Lc 21:11,25; Ap 6:12-14).2
Para
esse tempo, Deus tem uma advertência de especial importância para os
habitantes da Terra. É o último aviso de misericórdia a este mundo
mergulhado nas trevas do pecado. Encontramos essa mensagem em Apocalipse
14:6-12 – a tríplice mensagem angélica. Essa tríplice mensagem antecede a
cena da segunda vinda de Cristo – o Cavaleiro que vem para ceifar a
seara da Terra (versos 14-16). Portanto, é uma advertência que deve
ser comunicada no tempo do fim, uma solene mensagem que visa a preparar
um povo para o encontro com o Rei que Se aproxima. O verso 13, que
está entre a tríplice mensagem e os textos da Segunda Vinda, pronuncia uma
bênção sobre aqueles que morrem no período em que essas mensagens
são pregadas e creem nelas: “Bem-aventurados os mortos que, desde
agora, morrem no Senhor.”3
A
pessoa de Cristo e Sua obra salvadora constituem o tema catalisador dessa
tríplice mensagem. Nela, o ”evangelho eterno” as boas novas
da justiça e da salvação em Cristo são o tema central e predominante,
como demonstrado na introdução da passagem (v. 6).4
O
primeiro anjo proclama o juízo de Deus (v. 7), o qual começou
sua primeira fase em 22 de outubro de 1844. Nessa data, terminou o
grande período profético dos 2300 anos de Daniel 8:14, e começou a
purificação do santuário celestial, a qual corresponde ao mesmo julgamento
visto pelo profeta no (capítulo 7:9-10) 5.
Nessa
nova fase de Seu ministério, Cristo não só intercede pela humanidade, como já
vinha fazendo, mas atua no juízo em defesa de Seu povo, que está
sendo julgado conforme os registros celestiais (Dn 7:10). Para essa fase
do julgamento, usam-se os termos juízo pré-advento ou juízo
investigativo, pois ocorre no período que antecede a segunda vinda de
Cristo e no qual os filhos de Deus são julgados/examinados pelo
padrão da lei divina que deve ser obedecida como fruto da fé
em Cristo.6 Diante da iminência do julgamento, o anjo conclama a
humanidade a temer a Deus, glorificá-Lo e adorá-Lo.
O
segundo anjo anuncia a queda de Babilônia (v. 8), o falso sistema religioso
dos últimos dias. A queda é conseqüência de o sistema estar fundamentado
no erro, por ter rejeitado a verdade bíblica e defender doutrinas
espúrias, como: imortalidade da alma, santidade do domingo, salvação pelas
obras, etc. Quem não aceitar as palavras de Cristo e não as praticar,
experimentará a ruína (Mt 7:26, 27), e quem “ultrapassa a doutrina de
Cristo e nela não permanece, não tem Deus” (2Jo 9). Assim, a mensagem do
segundo anjo é um convite para que saiam de Babilônia todos os que
foram enganados por suas falsas doutrinas (Ap 18:1-5) e aceitem a
verdade conforme revelada em Cristo.
O
terceiro anjo acompanha as outras mensagens com uma advertência contra a
adoração à besta e ao recebimento da sua marca (Ap 14:9-11). Essa mensagem
demonstra que o conflito final girará em torno da lealdade a Deus por meio
da guarda dos Seus mandamentos ou à obediência a preceitos
humanos.7 Uma corporação de Igreja/Estado, nos últimos dias (Ap 13:11,
12), obrigará a humanidade a observar como dia de guarda um falso dia
de adoração (Ap 13:16,17) em lugar do dia estipulado por Deus em Sua
lei (Êx 20:8-11). Os que aceitarem esse falso dia serão atingidos
pelas sete últimas pragas que serão derramadas “sem mistura” de
misericórdia (Ap 14:9, 10; 15:1; 16). Em contraste, haverá o
grupo daqueles que permanecerão fiéis a Deus mesmo diante das mais
terríveis ameaças e que foram classificados como santos por guardarem
“os mandamentos de Deus” como fruto de sua “fé em Jesus” (Ap 14:12).
Mensagem
específica
Justamente
nesse tempo, o tempo do fim, no qual a tríplice mensagem deve ser
proclamada, Deus suscita um povo para cumprir essa solene missão. Esse povo é
identificado como aqueles “que guardam os mandamentos de Deus e têm o
testemunho de Jesus” (Ap 12:17). Essa última característica – “o
testemunho de Jesus” – é definida como a manifesta-ção do dom de profecia (Ap
19:10). A Igreja Adventista do Sétimo Dia se enquadra nessa
classificação, pois surge no período do tempo do fim (1844) como
resultado dos estudos e do cumprimento das profecias de Daniel e
Apocalipse, exaltando a obediência à Lei de Deus, especificamente a
validade do sábado, e testemunhando, em seu meio, a manifestação do verdadeiro
dom de profecia na pessoa de Eilen G. White.
Desse
modo, há um povo que prega uma mensagem específica no tempo
determinado pela profecia. Esse povo foi levantado para restaurar as
verdades que foram lançadas por terra durante o período de supremacia
papal, reparar as “brechas” feitas na lei de Deus, edificando, assim, “as
antigas ruínas” (Is 58:12). Nossa responsabilidade é levar ao mundo
uma mensagem singular, preparando “a seara da Terra” para a vinda do
Filho do homem. “Em sentido especial foram os adventistas do sétimo dia
postos no mundo como vigias e portadores de luz. [..,] Confiou-se-lhes
uma obra da mais solene importância: a proclamação da primeira,
segunda e terceira mensagens angélicas. Nenhuma obra há de tão grande
importância. Não devem eles permitir que nenhuma outra coisa lhes absorva a
atenção. As mais solenes verdades já confiadas a mortais nos foram
dadas, para as proclamarmos ao mundo. A proclamação dessas verdades deve
ser nossa obra. O mundo precisa ser advertido, e o povo de Deus deve
ser fiel ao legado que se lhe confiou”9 Tal responsabilidade deve
incutir em nós um senso de missão jamais visto em outro povo.
Precisamos nos unir e concentrar as nossas forças nessa direção
Mas
não podemos nos esquecer de que só cumpriremos essa missão com a ajuda do
Espírito Santo. Em Apocalipse 18:1, a Terra é vista sendo iluminada
pela glória celestial, e essa glória é a manifestação poderosa do Espírito
Santo no tempo do fim, derramando Seu poder sobre a igreja como
“chuva serôdia!10 Esse poder capacitará a igreja para dar,
“com potente voz” (verso 2), o último convite ao mundo, antes do fechamento da
porta da graça (versos 2-5). Os adventistas do sétimo dia precisam
ter como prioridade a busca desse poder a fim de continuar pregando
“aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e
povo” (verso 6) o evangelho eterno, no contexto da tríplice mensagem
angélica. Cada pessoa que conheceu a verdade para o tempo presente e
se une às fileiras do adventismo, é chamada a proclamar “as virtudes
dAquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (I Pe 2:9).
Portanto, cumpramos nossa missão!
Referências
1.
MervinC Maxwell, Uma nova era segundo as profecias de Daniel (Tatuí, SP:
Casa Publicadora Brasileira, 1996), p. 129,130.
2.
Ibid.,p.318,319.
3.
Alberto R. Timm, 0 Santuário e as três mensagens angélicas: fatores íntegrativos
no desenvolvimento das doutrinas adventistas (Engenheiro Coelho, SP: Imprensa
Universitária Adventista, 2002) p. 232.
4.
Lição da Escola Sabatina, “O Último Convite: a mensagem dos três anjos”,
outubro-dezembro,1994, p 17.
5.
Clifford Goldstein, 1844: Uma explicacâo simples das principais profecias de
Daniel – Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2000), p. 45-48.
6.
Ellen G. White, O Grande Conflito (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira,
1988), p. 482.
7.
Ellen G. White, Eventos Finais, p. 193.
8. Maxwell, 0p.Cit.,p.
422,423.
9. Ellen G. White,
Evangelismo, p. 119,120.
10.
Ellen G. White, O Grande Conflito pág 611, 612.
Texto de autoria de Ezinaldo Ubirajara
Pereira, capelão do Hospital Adventista de Belém, Pará, publicado na
Revista Adventista de Agosto/2008.
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