MENSAGEM PARA O TEMPO DO FIM
por Ezinaldo Ubirajara Pereira*
Fomos
chamados para pregar uma mensagem específica
Para cada período da História,
Deus tem uma mensagem específica. Essa mensagem é denominada "verdade presente".
Exemplo disso é a pregação de Noé, que conclamou o mundo antediluviano ao
arrependimento e anunciou a destruição por meio do dilúvio (Gn 6 e 7).
No Novo Testamento,
encontramos outro exemplo em que a mensagem presente consistia em aceitar Jesus
de Nazaré como o Filho de Deus e Salvador do mundo. Embora essa pregação cristocêntrica
permeie a Bíblia em todos os tempos, naquela época, os apóstolos tinham o
desafio de levar as pessoas a aceitar o Carpinteiro judeu como o prometido
Messias do Antigo Testamento (At 2:22-36; 4:11,12; 5:30,31).
Avançando na História,
encontramos no século dezesseis o movimento da Reforma Protestante com a
mensagem de que a Bíblia é a única regra de fé (Sola Scriptura) e de que a fé
nos méritos de Cristo é o único meio pelo qual alguém pode ser aceito e salvo
por Deus (Sola Fide). Tais aspectos da mensagem eram apropriados ao contexto em
que os reformadores viviam, pois o papado havia exaltado a tradição em lugar do
'Assim diz o Senhor" e a salvação pelas obras em lugar da justiça de
Cristo.
Tempo
do fim
Qual é a mensagem de
Deus para nosso tempo? Para entendermos isso, precisamos identificar o período
da História em que vivemos.
No capítulo 12 do livro
de Daniel, Deus revela ao profeta que o entendimento do seu livro só ocorreria
no "tempo do fim" (v. 9). Esse tempo chegaria após o período
profetizado "de um tempo, dois tempos e metade de um tempo" (v. 7), o
que equivale a 1260 anos (538 d.C - 1798 d.C), nos quais o Romanismo mudaria o
Decálogo, perseguiria os fiéis de Deus e lançaria a verdade por terra (Dn 7:25;
8:12; Ap 12:6,13,14; 13:5,6).1
Portanto, em 1798,
começou o "tempo do fim" um período singular em que as principais
profecias de Daniel se cumpririam (Dn 8:14; 12:11,12), haveria um crescente
avanço do conhecimento profético e também científico (Dn 12:4) e a História
registraria importantes sinais preditos nos evangelhos e no livro do Apocalipse
(Mt 24:29; Mc 13:24,25; Lc 21:11,25; Ap 6T2-14).2
Para esse tempo, Deus
tem uma advertência de especial importância para os habitantes da Terra. É o último
aviso de misericórdia a este mundo mergulhado nas trevas do pecado. Encontramos
essa mensagem em Apocalipse 14:6-12 - a tríplice mensagem angélica. Essa tríplice
mensagem antecede a cena da segunda vinda de Cristo – o Cavaleiro que vem para
ceifar a seara da Terra (versos 14-16). Portanto, é uma advertência que deve
ser comunicada no tempo do fim, uma solene mensagem que visa a preparar um povo
para o encontro com o Rei que Se aproxima. O verso 13, que está entre a tríplice
mensagem e os textos da Segunda Vinda, pronuncia uma bênção sobre aqueles que
morrem no período em que essas mensagens são pregadas e creem nelas:
"Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor."3
A pessoa de Cristo e
Sua obra salvadora constituem o tema catalisador dessa tríplice mensagem. Nela,
o "evangelho eterno" as boas novas da justiça e da salvação em Cristo
são o tema central e predominante, como demonstrado na introdução da passagem
(v. 6).4
O primeiro anjo
proclama o juízo de Deus (v. 7), o qual começou sua primeira fase em 22 de
outubro de 1844. Nessa data, terminou o grande período profético dos 2300 anos
de Daniel 8:14, e começou a purificação do santuário celestial, a qual corresponde
ao mesmo julgamento visto pelo profeta no capítulo 7:9, 10.5
Nessa nova fase de Seu
ministério, Cristo não só intercede pela humanidade, como já vinha fazendo, mas
atua no juízo em defesa de Seu povo, que está sendo julgado conforme os registros
celestiais (Dn 7:10). Para essa fase do julgamento, usam-se os termos juízo
pré-advento ou juízo investigativo, pois ocorre no período que antecede a
segunda vinda de Cristo e no qual os filhos de Deus são julgados/examinados pelo
padrão da lei divina que deve ser obedecida como fruto da fé em Cristo.6 Diante
da iminência do julgamento, o anjo conclama a humanidade a temer a Deus,
glorificá-Lo e adorá-Lo.
O segundo anjo anuncia
a queda de Babilônia (v. 8), o falso sistema religioso dos últimos dias. A
queda é consequência de o sistema estar fundamentado no erro, por ter rejeitado
a verdade bíblica e defender doutrinas espúrias, como: imortalidade da alma,
santidade do domingo, salvação pelas obras, etc. Quem não aceitar as palavras
de Cristo e não as praticar, experimentará a ruína (Mt 7:26, 27), e quem
"ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece, não tem Deus"
(2Jo 9). Assim, a mensagem do segundo anjo é um convite para que saiam de
Babilônia todos os que foram enganados por suas falsas doutrinas (Ap 18:1-5) e aceitem
a verdade conforme revelada em Cristo.
O terceiro anjo
acompanha as outras mensagens com uma advertência contra a adoração à besta e
ao recebimento da sua marca (Ap 14:9- 11). Essa mensagem demonstra que o conflito
final girará em torno da lealdade a Deus por meio da guarda dos Seus
mandamentos ou à obediência a preceitos humanos.7 Uma corporação de
Igreja/Estado, nos últimos dias (Ap 13:11, 12), obrigará a humanidade
a observar como dia de guarda um falso dia de adoração (Ap 13:16,17)
em lugar do dia estipulado por Deus em Sua lei (Êx 20:8-11). Os
que aceitarem esse falso dia serão atingidos pelas sete
últimas pragas que serão derramadas "sem mistura" de misericórdia
(Ap 14:9, 10; 15:1; 16). Em contraste, haverá o grupo daqueles que permanecerão
fiéis a Deus mesmo diante das mais terríveis ameaças e que foram classificados
como santos por guardarem "os mandamentos de Deus" como fruto de sua
"fé em lesus" (Ap 14:12).
Mensagem
específica
Justamente nesse tempo,
o tempo do fim, no qual a tríplice mensagem deve ser proclamada, Deus suscita
um povo para cumprir essa solene missão. Esse povo é identificado como aqueles
"que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus" (Ap
12:17). Essa última característica - "o testemunho de Jesus" - é
definida como a manifestação do dom de profecia (Ap 19:10). A Igreja Adventista
do Sétimo Dia se enquadra nessa classificação, pois surge no período do tempo do
fim (1844) como resultado dos estudos e do cumprimento das profecias de Daniel
e Apocalipse, exaltando a obediência à Lei de Deus, especificamente a validade
do sábado, e testemunhando, em seu meio, a manifestação do verdadeiro dom de
profecia na pessoa de Eilen G. White.8
Desse modo, há um povo
que prega uma mensagem específica no tempo determinado pela profecia. Esse povo
foi levantado para restaurar as verdades que foram lançadas por terra durante o
período de supremacia papal, reparar as "brechas" feitas na lei de
Deus, edificando, assim, "as antigas ruínas" (Is 58:12). Nossa
responsabilidade é levar ao mundo uma mensagem singular, preparando "a
seara da Terra" para a vinda do Filho do homem. "Em sentido especial
foram os adventistas do sétimo dia postos no mundo como vigias e portadores de
luz. [..,] Confiou-se-lhes uma obra da mais solene importância: a proclamação da
primeira, segunda e terceira mensagens angélicas. Nenhuma obra há de tão grande
importância. Não devem eles permitir que nenhuma outra coisa lhes absorva a
atenção. As mais solenes verdades já confiadas a mortais nos foram dadas, para
as proclamarmos ao mundo. A proclamação dessas verdades deve ser nossa obra. O
mundo precisa ser advertido, e o povo de Deus deve ser fiel ao legado que se
lhe confiou"9 Tal responsabilidade deve incutir em
nós um senso de missão jamais visto em outro povo. Precisamos nos
unir e concentrar as nossas forças nessa direção.
Mas não podemos nos
esquecer de que só cumpriremos essa missão com a ajuda do Espírito Santo. Em Apocalipse
18:1, a Terra é vista sendo iluminada pela glória celestial, e essa glória é a
manifestação poderosa do Espírito Santo no tempo do fim, derramando Seu poder
sobre a igreja como "chuva serôdia!10 Esse poder capacitará a
igreja para dar, "com potente voz" (verso 2), o último convite ao
mundo, antes do fechamento da porta da graça (versos 2-5). Os adventistas do
sétimo dia precisam ter como prioridade a busca desse poder a fim de continuar pregando
"aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e
povo" (verso 6) o evangelho eterno, no contexto da tríplice mensagem
angélica. Cada pessoa que conheceu a verdade para o tempo presente e se une às
fileiras do adventismo, é chamada a proclamar "as virtudes dAquele que vos
chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz" (IPe 2:9). Portanto,
cumpramos nossa missão!
*Ezinaldo
Ubirajara Pereira é capelão do Hospital Adventista de
Belém, Pará.
Referências
1. MervinC Maxwell, Uma
nova era segundo as profecias de Daniel (Tatuí, SP: Casa Publicadora
Brasileira, 1996), p. 129,130.
2. Ibid.,p.318,319.
3. Alberto R. Timm, 0
Santuário e as três mensagens angélicas: fatores integrativos no
desenvolvimento das doutrinas adventistas (Engenheiro Coelho, SP: Imprensa
Universitária Adventista, 2002) p. 232.
4. Lição da Escola
Sabatina, "0 Último Convite: a mensagem dos três anjos",
outubro-dezembro,1994, p 17.
5. Clifford Goldstein,
l844: Uma explicação simples das principais profecias de Daniel (Tatuí, SP:
Casa Publicadora Brasileira, 2000), p. 45-48.
6. Ellen G. White, 0
Grande Conflito (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1988), p. 482.
7. Ellen G. White,
Eventos Finais, p. 193.
8. Maxwell, 0p. Cit., p.
422, 423.
9. Ellen G. White,
Evangelismo, p. 119,120.
10. Ellen G. White, 0
Grande Conflito, p. 611,612
FONTE:
Revista
Adventista, ago 2008, p. 8-10.
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