POR QUE ALGUMAS PESSOAS NÃO ESTARÃO NO CÉU
G. Ralph Thompson*
Há na parábola das dez
virgens muitas lições espirituais. As dez professam fé pura; não há diferenças
externas entre as cinco prudentes e as cinco loucas; todas parecem cristãs; têm
o mesmo comportamento; agem do mesmo modo; todas têm o nome nos livros da
igreja, e desfrutam todas de bom conceito na congregação.
A lição que aprendemos
aqui é que não basta alguém apresentar-se do melhor modo no sábado e ir à
igreja para ser considerado necessariamente um cristão. O que é de mais
significativo nesta parábola é que, no que diz respeito ao comportamento das dez
virgens, estavam perfeitamente conformes com todas as normas da igreja. Nada
havia no comportamento e estilo de vida das cinco virgens loucas que permitisse
a censura da Comissão da igreja.
Há uma lição também nas
lâmpadas e no óleo. As lâmpadas representam a Palavra de Deus. O óleo representa
o Espírito Santo. Quanto tempo os membros da igreja despendem com a Palavra de
Deus? Têm o Espírito Santo para iluminar-lhes o entendimento? Possuir a Palavra
de Deus não é o bastante. É preciso ter também o Espírito Santo.
"Sem o Espírito de
Deus, de nada vale o conhecimento da Palavra. A teoria da verdade não
acompanhada do Espírito Santo, não pode vivificar a alma, nem santificar o
coração. Pode estar-se familiarizado com os mandamentos e promessas da Bíblia,
mas se o Espírito de Deus não introduzir a verdade no íntimo, o caráter não será
transformado. Sem a iluminação do Espírito, os homens não estarão aptos para
distinguir a verdade do erro, e serão presa das tentações sutis de Satanás” (Parábolas
de Jesus, p. 408, 411).
Assim, precisamos do
Espírito Santo para nos iluminar a mente, para nos ajudar a transformar em ação
aquilo que temos estudado. O conhecimento apenas intelectual da verdade não
basta. Precisamos dar uma correspondente resposta do coração. Este conhecimento
da Palavra de Deus precisa tomar-se experimental. Precisa afetar nosso estilo
de vida. O conhecimento da vontade de Deus tem de tomar-se evidente mediante a
transformação do caráter. Precisamos render-nos à vontade de Deus expressa em
Sua Palavra.
Virgens
Loucas, Não Hipócritas
Eram loucas as cinco
virgens, ou hipócritas? Notai o que Ellen G. White diz sobre este grupo: “A
classe representada pelas virgens loucas não é hipócrita. Têm consideração pela
verdade, advogaram-na, são atraídos aos que creem na
verdade, mas não se entregaram à operação do Espírito Santo. Não caíram sobre a
rocha, que é Cristo Jesus, e não permitiram que sua velha natureza fosse
quebrantada. Essa classe é representada, também, pelos ouvintes comparados ao
pedregal. Recebem a Palavra prontamente; porém, deixam de assimilar os seus
princípios. Sua influência não permanece neles. O Espírito trabalha no coração
do homem de acordo com seu desejo e consentimento, nele implantando natureza
nova; mas a classe representada pelas virgens loucas contentou-se com uma obra superficial.
Não conhecem a Deus. Não estudaram Seu caráter; não tiveram comunhão com Ele;
por isso não sabem como confiar, como ver e viver. Seu serviço para Deus
degenera em formalidade” (Idem, p. 411).
Certamente não queremos
meramente professar o cristianismo e então chegar ao fim e encontrar a porta fechada.
Isto seria a pior das coisas.
Notai que quando as
cinco virgens loucas se voltaram para as cinco prudentes e solicitaram o óleo
destas, a resposta foi que elas mesmas o fossem comprar. Isto dá eloquente expressão
ao importante fato espiritual de que não pode haver claridade, iluminação, com
óleo emprestado. A religião de nossos pais, de nossos amigos, de outros membros
da igreja, não pode ser creditada a nós. Nossos pais podem ser santos, mas isto
não nos garante a entrada no reino. Temos de conhecer o Senhor por nós mesmos.
O óleo do Espírito Santo tem de ser derramado em nossa própria vida. Precisamos
conhecer a Palavra de Deus por nós mesmos. Não podemos pedir de empréstimo a
experiência de outros em nossa posição diante de Deus. Jesus Cristo tem de Se
tomar nosso Salvador pessoal. Precisamos conhecê-Lo por nós mesmos. Servimos a
Deus em base individual, e é como indivíduos que seremos julgados por Ele.
Temos de ir e comprar, nós mesmos.
Há os que se sentem
felizes por haverem nascido já como adventistas do sétimo dia, isto é, de pais
adventistas, em lares adventistas. Na verdade não existe isto. Todos temos de "nascer
de novo", como adventistas do sétimo dia. Precisamos fazer uma decisão
individual por Cristo. Este conhecimento não pode ser apenas superficial. Há
muitos cristãos que conhecem não a Cristo, mas a respeito de Cristo. O real
conhecimento de Cristo tem de ser obtido mediante íntimo relacionamento com Ele
como Salvador e Senhor.
Deixando
que Nossas Lâmpadas Brilhem
Nossas lâmpadas devem
ser espevitadas e postas a arder, de modo que iluminem com intenso brilho.
Somos admoestados a deixar que nossas lâmpadas brilhem. Nesse brilho refletiremos
a luz do Sol da Justiça. Pessoas em trevas serão atraídas pela beleza de nossa
vida ao refletirmos a luz que Deus faz resplandecer em nosso coração.
Certamente que como cristãos devemos orar para que Deus prepare o nosso
coração, para que reflita o brilho de Seu caráter, e estejamos prontos a
resplandecer sempre, mesmo na escuridão da meia noite.
Enquanto esperamos que
o Esposo surja, estejamos certos de que temos dado nossa vida completamente a Jesus
Cristo, que Ele é nosso, que devemos refletir Seu caráter. Asseguremo-nos de
que por Sua habilitadora graça temos vencido hábitos que nos
roubariam as bênçãos espirituais. Quando o Noivo vier, não haveremos de querer
ouvir as terríveis palavras: "Não vos conheço".
Na parábola, tanto as
virgens loucas como as prudentes são apanhadas em descuido. Subitamente,
ouve-se o clamor: "Aí vem o Esposo". Um grupo havia feito
preparativos para esta hora de crise. O outro não havia. Um grupo ergue-se
depressa e prepara suas lâmpadas, saindo ao encontro do Esposo. O outro
procurou desesperadamente ativar lâmpadas que se apagavam. Não basta procurar
estar prontos. E preciso estar prontos.
Como diz a serva do
Senhor, no dia final "muitos reclamarão admissão no reino de Cristo",
dizendo: "Temos comido e bebido em Tua presença, e Tu nos ensinaste nas ruas".
E "Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu nome? E em Teu nome não
expulsamos demônios? E em Teu nome não fizemos obras maravilhosas?" Mas a
resposta é: "Em verdade vos digo, que não sei de onde vós sois;
apartai-vos de Mim. " S. Lucas 13:26, 27; S. Mat. 7:22. Nesta vida eles
não haviam entrado em associação com Cristo; por isto mesmo não conheciam a linguagem
do Céu, sendo estranhos a seu gozo. "Quem conhece as coisas do homem,
senão o espírito do homem que nele está? Assim também as coisas de Deus ninguém
as conhece, senão o Espírito de Deus." I Cor. 2:11.
"As palavras mais
tristes que caíram em ouvidos mortais são aquelas da sentença: 'Não vos
conheço'. Unicamente a comunhão do Espírito que desprezastes poderia unir-vos à
hoste jubilosa que estará no banquete das bodas. Não podereis participar dessa
cena. Sua luz incidiria sobre olhos cegos, e sua melodia em ouvidos moucos. Seu
amor e alegria não fariam soar de júbilo corda alguma do coração entorpecido
pelo mundo. Sois excluídos do Céu por vossa própria inaptidão para a sua
companhia.
"Não podemos estar
prontos para encontrar o Senhor, acordando ao ouvir o brado: 'Aí vem o Esposo!'
e então tomar nossas lâmpadas vazias para enchê-las. Não podemos viver apartados
de Cristo aqui, e ainda assim estar aptos para a Sua companhia no Céu” (Idem, p.
413, 414).
O dia do juízo será um
dia muito triste para os cristãos que apenas atenderam ao Seu chamado com o
coração dividido. Por outro lado, que alegria maravilhosa será para aqueles que
são caracterizados como sábios! Estes estarão em constante estado de preparação.
Estarão confiando não em sua própria justiça, mas na completa justiça de Jesus
Cristo. Estarão se regozijando nEle como Salvador e Senhor de suas vidas. Terão
experimentado o gozo de pecados perdoados, e terão plena confiança nos méritos
de seu Senhor.
Ao aproximar-Se o
Esposo, ao estar perto o tempo de Sua vinda, os que são sábios estarão nas
pontas dos pés, aguardando ansiosos Sua volta. Partilharão suas alegrias com
outros. Serão otimistas, não pessimistas, pois sabem que o Rei, o Esposo, está
a caminho.
Logo os céus se
abrirão, e do azul do firmamento Cristo surgirá. Os céus se abrirão
desmesuradamente, e grande cortejo de anjos acompanhará o Rei, ao descer Ele
para receber Sua expectante esposa. Se esperamos ser contados entre esse grupo,
temos de estar sem mácula nem ruga ou qualquer coisa semelhante nesse tempo.
Graças a Deus que as
imaculadas vestes da própria justiça de Cristo podem ser nossas, e estaremos
firmes naquele dia, quando teremos a alegria de olhar para cima e dizer: "Eis
que este é o nosso Deus a quem aguardávamos, e Ele nos salvará. Este é o
Senhor... e em Sua salvação gozaremos e nos alegraremos”.
G.
Ralph Thompson, era Vice-Presidente da Associação
Geral na década de
1980.
FONTE:
Revista Adventista, abril de 1980, p. 9-11.
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