OS CONSTRUTORES DE TORRE DE BABEL MODERNA
Ricardo
André
Queremos neste artigo
refletir sobre o significativo episódio da construção da Torre de Babel. Este
tema sempre despertou especulação e curiosidade por parte das pessoas. Há muitas lições a serem extraídas dessa narrativa bíblica. Nesse estudo vamos destacar algumas dessas relevantes lições objetivas e espirituais. Essa história da Torre de Babel nos ensina que sempre haverá consequências para os nossos atos. Também nos ensina que vidas construídas com base na busca pelo prazer, pela fama e pela riqueza, bem como fundamentada na rebelião a Deus estão condenadas ao fracasso, que é importante escolher viver no centro da vontade de Deus. O
episódio é relatado em Gênesis 11:1-9:
“No
mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar. Saindo os homens do
Oriente, encontraram uma planície em Sinear e ali se fixaram. Disseram uns aos
outros: "Vamos fazer tijolos e queimá-los bem". Usavam tijolos em
lugar de pedras, e piche em vez de argamassa. Depois disseram: "Vamos
construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será
famoso e não seremos espalhados pela face da terra". O Senhor desceu para
ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. E disse o Senhor:
"Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso.
Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer. Venham, desçamos e
confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos
outros". Assim o Senhor os dispersou dali por toda a terra, e pararam de
construir a cidade. Por isso foi chamada Babel, porque ali o Senhor confundiu a
língua de todo o mundo. Dali o Senhor os espalhou por toda a terra.
Após o dilúvio, em Sua
amorável seleção Deus escolheu usar o lindo e natural fenômeno da reflexão e
refração dos raios do Sol através das gotas de chuva, como um símbolo de Sua
promessa de jamais destruir novamente a Terra pela água (Gn 9:11-17). Aqueles
que estavam afinados com o seu Criador podiam olhar confiantes para o brilhante
arco-íris acima no céu, e crer em Sua promessa de que a chuva traria bênção em
vez de destruição universal.
Porém, à medida que a
Terra começou a ser novamente repovoada, um segmento maior da sociedade não
aceitou o arco-íris como um sinal de confiança. Novamente a apostasia causou
separação, não somente de Deus mas de seus próprios familiares. Irritados pelos
que amavam a Deus, os descrentes se mudaram das montanhas para as planícies.
Eles decidiram, liderados por Ninrode, construir uma cidade e uma torre, a
famosa “torre de Babel” na planície de Sinear, na antiga Mesopotâmia, na margem
oriental do rio Eufrates (Gn 10:10; 11:1-9). Estudiosos da Bíblia acreditam que
a torre era um tipo de pirâmide escalonada chamada zigurate, comum em toda a
Babilônia antiga.
Deus pretendia que a
humanidade se espalhasse por toda a Terra. Ele deixou claro esse Seu desejo
para Adão e Eva, quando deu a ordem para que eles enchessem a terra com seres
humanos (Gn 1:28), e repetiu a determinação a Noé e sua família depois do
dilúvio, solicitando que se dispersassem e povoasse o mundo todo (Gn 9:1, 7, 18
e 19). Mas os pós-diluvianos se recusaram a fazer isso. Estavam determinados a
formar uma comunidade fechada, a qual finalmente formaria um império universal.
Queriam construir, longe do Deus verdadeiro, um centro político e religioso que
tivesse domínio universal. O símbolo desse poderio seria a torre muito alta. Era
um gigantesco plano de rebelião tendo Satanás como líder invisível.
Mas, por que aqueles descendentes de Noé desejaram construir uma torre? Segundo Ellen G. White, “os moradores da planície de Sinear não criam no concerto de Deus de que não mais traria um dilúvio sobre a Terra. Muitos deles negavam a existência de Deus, e atribuíam o dilúvio à operação de causas naturais. Outros criam em um Ser supremo, e que fora Ele que destruíra o mundo antediluviano; e seu coração, como o de Caim, ergueu-se em rebelião contra aquele Ser. Um objetivo que tinham na construção da torre era garantir sua segurança em caso de outro dilúvio. Elevando a construção a uma altura muito maior do que a que foi atingida pelas águas do dilúvio, julgavam colocar-se fora de toda possibilidade de perigo. E, como pudessem subir à região das nuvens, esperavam certificar-se da causa do dilúvio. Todo o empreendimento destinava-se a exaltar ainda mais o orgulho dos que o projetaram, e desviar de Deus a mente das futuras gerações e levá-las à idolatria” (Patriarcas e Profetas, p. 119).
Ainda sobre a questão
levantada no parágrafo anterior, o texto de Gênesis 11:4 afirma: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que
alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela
face da terra" (Gênesis 11:4, NVI). Para além do temor de uma nova
catástrofe universal, aqueles homens com tal projeto demonstraram claramente
que pretendiam alcançar a fama. Segundo o Comentário
Bíblico Adventista do Sétimo Dia, “o desejo pela fama aparentemente foi um
dos motivos da construção da torre, e o orgulho pela edificação da construção
de tal estrutura tenderia, por sua vez, a conservar a unidade na realização de
outros planos contrários à vontade de Deus” (v. 1, p. 278).
Como se vê, a motivação
máxima daquelas pessoas era a exaltação própria, era provar que poderiam
realizar grandes coisas sem Deus. O projeto todo foi elaborado como uma
tentativa presunçosa para desviar do Criador a mente das gerações futuras. Eles
escolheram descrer e essa escolha foi o fundamento de sua loucura.
“No idioma babilônico,
o substantivo Bab-ilu (Babel ou
Babilônia) significa “porta dos deuses”. [...] Desde o início, a cidade era
símbolo da descrença no Deus verdadeiro e da rebelião contra a sua vontade
[...]. Sua torre era um monumento à apostasia, uma fortaleza de rebelião contra
Sua vontade” (Comentário Bíblico
Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 917).
Gênesis 11:9 sugere que
o nome Babel significa “confusão”.
Para os hebreus, esse nome provinha evidentemente do verbo hebraico balal, que quer dizer “confundir”. “É
possível que o nome originalmente derivasse do verbo babilônico babalu, “a dispersão”, ou ‘desaparecer’”
(Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo
Dia, p. 153).
O Céu encerrou a
questão ao confundir sua linguagem. A construção parou. E a fama que ficou foi:
a cidade da confusão. Ao serem espalhados, os descrentes cumpriram o plano
original de Deus e tiveram uma oportunidade para reflexão e arrependimento. A
confusão das línguas em Babel representou o juízo de Deus sobre aquele povo,
dando início a dispersão geográfica da humanidade e o surgimento das diversas
culturas e variedades idiomáticas.
Os
modernos construtores de Torre de Babel
Milhares de anos depois,
a humanidade continua construindo “Torre de Babel”. Gênesis 1:1 diz: “No princípio Deus criou os céus e a terra” (NVI).
Nesse texto simples há muitas verdades profundas. Uma delas é que o Universo
teve um começo e foi criado por Deus. Contudo, muitos hoje resistem ao conceito
da criação do universo porque isso implica algum tipo de Criador. Hoje, a
maioria dos cientistas acreditam no modelo do “Big Bang” como explicação da
origem do universo. Na verdade, o nome “Big Bang” tinha a intenção de zombar da
noção de um Universo criado.
Os capítulos 1 e 2 de
Gênesis ensinam nitidamente que todas as coisas existentes em nosso mundo foram
criadas por Deus, inclusive os seres humanos. Não estamos aqui por acaso, nem
por acidente. Estamos aqui porque um Deus criador amoroso e benevolente criou
propositalmente a Terra em um processo que levou seis dias de 24 horas,
consecutivos e literais. Fomos criados à imagem de Deus, e o relato da criação
em Gênesis é a revelação especial dEle para nós acerca de nossas origens.
Entretanto a imensa maioria dos cientistas não aceita qualquer explicação que
dependa da ação direta de Deus. A teoria bem mais aceita pelos cientistas para
explicar a origem da vida na Terra é o evolucionismo (a propósito, cheio de
lacunas e hipóteses imaginativas que não podem ser testadas em laboratório),
criada pelo naturalista inglês Charles Darwin, no século XIX, o qual afirmava
que a vida surgiu num longo processo de evolução, impulsionadas pela seleção
natural, negando, desse modo, o elemento sobrenatural no processo do surgimento
de todas as coisas. Tais pessoas são verdadeiros modernos “construtores de
torre de Babel”. Suas teorias confusas tende a ser outra
tentativa de criar uma torre de Babel moderna. E a maioria aceita essas teorias
fundamentadas meramente na “criatividade humana”, sem qualquer alicerce sólido.
Livros, documentários, revistas e cientistas parecem saber “sem qualquer
dúvida” todos os pormenores da origem da vida. Os cientistas e professores ensinam
aos estudantes, jovens e crianças todos os detalhes de uma teoria que parece um
dogma. Apresentam a teoria evolucionista como sendo um “fato científico”. O que
me impressiona é que muitos tomam-na como verdade absoluta.
Parece que ser ateu e falar mal de Deus está na moda. Afirmar “não creio em Deus” parece sofisticado, evoluído, progressista, científico. Afora isso, testemunhamos hoje um estranho fenômeno: o ateísmo militante. A maioria dos ateus simplesmente nega a existência de Deus, sem interferir na vida daqueles que acreditam nEle. Este tipo de ateísmo – conhecido como o Velho Ateísmo – tem persistido por milhares de anos e ainda permeia a nossa sociedade. É um movimento passivo, constituído de pessoas que, basicamente, demonstram o seu ateísmo evitando qualquer forma de adesão religiosa ou de culto.
Nas últimas décadas, no entanto, um novo movimento que promove ativamente o ateísmo tem tomado forma. Esse movimento, conhecido como Novo Ateísmo, é muito mais ativo e agressivo. Seus líderes são professores e pesquisadores bem conceituados em universidades de prestígio. Entre os mais proeminentes estão Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris, Christopher Hitchens, Jerry Coyne e outros, cuja especialidade acadêmica abrange uma ampla gama de disciplinas, incluindo história, filosofia, biologia e psicologia. Alguns dos novos ateus são blogueiros ativos. Apesar de suas doutrinas radicais, os novos ateus ganharam grande popularidade por meio de palestras públicas e publicações best-sellers em vários idiomas.
A espécie de ateísmo verificada hoje parece irada com Deus, determinada a ver Deus morto e sepultado. Um claro exemplo do que estamos afirmando é o cientista Richard Dawkins, considerado o ícone do ateísmo moderno, autor do livro Deus: Um Delírio. De acordo com ele, a própria ideia de Deus “tem o mesmo efeito de um pano vermelho para um touro”. Sua dialética consiste em “esclarecer” que Deus não passa de invenção de pessoas desiludidas. Dawkins afirma categoricamente a intenção de seu livro: “os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o tiverem terminado”.
A escritora cristão
Ellen G. White escreveu: “Os homens se esforçarão para explicar a partir de
causas naturais a obra da criação, a qual Deus nunca revelou. Mas a ciência
humana não pode pesquisar os segredos do Deus do Céu nem explicar as obras
estupendas da criação, que foram um milagres do grandioso poder, antes que
possa mostrar como Deus veio à existência” (The Spiriti of Profhecy [O Espírito
de Profecia], v. 1, p. 89).
Podemos provar a
existência de Deus? Não, somos incapazes de prová-la. Mas, também a ciência não
pode refutá-la. A questão de capital importância é: Para onde apontam as
evidências? Temos evidências suficientes para crer em Deus. O rei Davi
declarou: “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento
proclama a obra das suas mãos” (Sl 19:1, NVI). E o próprio Deus nos desafia: “Ergam
os olhos e olhem para as alturas. Quem criou tudo isso?” (Is 40:26, NVI).
A complexidade do
Universo e da vida, bem como a exata adequação do nosso Universo para a vida
ganhou admiração de cientistas e levou muitos deles a comentar que ele parece
ter sido projetado por um ser inteligente. O mundo também deve ter sido
planejado sabiamente para que a vida existisse. A variação de temperaturas deve
ser compatível com a vida. Por isso, a distância do Sol, a velocidade de
rotação e a composição da atmosfera devem estar em equilíbrio. Muitos outros
detalhes do mundo devem ter sido cuidadosamente projetados. Na verdade, a
sabedoria de Deus é revelada no que Ele criou.
São também construtores
de Torre de Babel moderna as pessoas que vivem numa corrida frenética a fim de
conquistar a fama e riqueza. Elas não são, muitas vezes, ateias, mas vivem
divorciadas de Deus, como se ele não existisse. Elas destronam o nosso Deus de
seu coração. As pessoas do nosso século de todas as diferentes culturas buscam
avidamente brilhar como estrelas, nalguma esfera da vida. E, para alcançar a
glória, muitos entregam-se a pesquisas intelectuais e científicas, outros
procuram ouro, status, posição, beleza ou fama. É impressionante como as pessoas
buscam obter sucesso, como fazem de tudo para atingir a fama. Em muitas
situações até usam artifícios duvidosos para alcançar notoriedade nacional e
internacional. Gostam de aparecer diante dos holofotes da mídia, dos microfones
e nas primeiras páginas dos jornais e revistas. É nisso que
milhares de pessoas estão fundamentando sua vida, em coisas supérflua.
Lemos, por vezes, nos
jornais estes títulos distintos: “O homem mais rico do mundo”. Um dos mais
famosos cientistas da atualidade”. “A rainha da beleza”, entre outros. Essa é a
era do estrelismo, em que as pessoas buscam aparecer, atrair para si
popularidade.
Jesus
virá para destruir a “Torre de Babel” moderna
Os modernos
“construtores de torre”, que rejeitam a Palavra de Deus por suas teorias confusas
fariam bem em considerar esta lição do passado remoto. Considerando o primeiro
exemplo, essa tentativa de criar uma outra Torre de Babel moderna também está
fadada ao fracasso. Quem vive alienado de Deus está
caminhando para o fracasso. Não chegará ao céu, mas perderá a vida eterna. Sem
Deus, tudo o que fizermos se perderá.
Virá o dia em que a
glória de Cristo eclipsará qualquer governante terrestre, qualquer ator e atriz
de cinema, o mais brilhante cientista ou bilionário, quando Ele voltar em glória
e majestade e reivindicar este mundo como Sua propriedade Jo 14:1-3; Mt 24:30).
Sua volta é imperativa! Jesus precisa voltar para colocar um fim a dor, ao
sofrimento e a morte. A humanidade está totalmente perdida e convulsionada pelo
materialismo, desilusão e falta de direção.
Pedro advertiu-nos: “O
dia do Senhor, porém, virá como ladrão. Os céus desaparecerão com um grande
estrondo, os elementos serão desfeitos pelo calor, e a terra, e tudo o que nela
há, será desnudada” (2 Pd 3:10, NVI).
Caro amigo leitor, está
você construindo torre de Babel em sua vida? Se sim, pare e reflita. Seus
propósitos são nobres? Suas metas estão alinhadas com a vontade de Deus? Se
quisermos escapar da destruição iminente deste mundo com suas “torres de Babel”
do ateísmo e materialismo, precisamos prementemente entregar nossa vida a Jesus
e amar a Sua vinda: “Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor,
justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que
amam a sua vinda” (2 Tm 4:8, NVI).
“Jesus virá em breve, e
nossa posição deve ser a de esperar e vigiar pelo Seu aparecimento. Não devemos
permitir que coisa alguma se interponha entre nós e Jesus” (Ellen G. White,
Exaltai-O [MM 1992], p. 373).
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