“VÓS SOIS A CARTA DE CRISTO”
Ricardo
André
“Vós sois a nossa
carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, sendo
manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta,
mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne
do coração” (2 Coríntios 3:2, 3).
I
– Introdução
Quando deixei a casa de
meus pais no Cabo de Santo Agostinho/PE, e viajei para Lagarto, em fevereiro de
1993, escrevi muitas cartas para minha mãe. Naqueles tempos não era possível
falar ao telefone como fazemos hoje. Tanto os namorados como os pais e filhos
escreviam com muita frequência. Tenho uma caixa onde coleciono cartas que
recebi na minha adolescência e juventude. Ao ler cada uma consigo sentir
novamente o carinho e atenção dedicados a mim. Quem me escreveu parou,
assentou-se, separou o melhor papel (mulheres escolhem sempre com impressões
decorativas), caneta, pensou quais palavras usar e imprimiu em suas letras o
sentimento que nutria por mim. Milhões de pessoas enviavam cartas umas para
outras. Cartas de amor, de esperança, de gozo e de alegria. Cartas de
apreciação, de felicitação e de pêsames. Hoje, não se escreve mais cartas com a
mesma frequência que há alguns anos, pois temos o celular, as Redes Sociais, o
e-mail.
No dia 23 de janeiro de
1994, minha mãe escreveu uma pequena carta para mim. Nesta linda carta ela
expressa muita preocupação e tristeza por eu, à época, está só em Lagarto. Num
trecho da Carta ela diz: “(...) Naquele dia que você me telefonou entrei em
depressão só em lembrar que estava sozinho sem família. Espero que tenha
encontrado alguém que [lhe dê] palavras de conforto. [...] Termino aqui estas
poucas linhas com o coração cheio de saudades. A próxima te dou mais notícias.
Eu te abençoo”. Esta carta da minha mãe
causou-me uma impressão tão grande que a guardo com muito carinho. Essa carta
tornou-se muito mais significativa e especial para principalmente após o
falecimento dela, na madrugado do dia 25 de junho de 2004.
II
– O poder de uma Carta
Cartas são escritas
para expressar conforto, alegria e agradecimento. No texto de 2 Coríntios 3: 2
e 3, o apóstolo Paulo disse aos coríntios que deviam ser uma carta aberta, lida
e relida em todo o mundo. Suas vidas deveriam ser uma mensagem de alegria e
esperança àqueles que sofrem no pecado. Paulo vai mais além: Afirma que somos
a carta de Cristo. Nestes versos encontramos uma grande verdade, uma
verdade que é ao mesmo tempo uma inspiração e uma terrível advertência – todo
cristão é uma carta aberta para Jesus Cristo. Cada cristão, goste ou não, é uma
propaganda para Cristo e a Sua Igreja. A honra da Igreja, a honra de Cristo
descansa nas mãos dos que o seguem. Julgamos um comerciante pelo tipo de
produtos que vende; a uma costureira pela roupa que produz, a uma igreja pelo
tipo de home e mulher que cria; e portanto os homens julgam a Cristo por Seus
seguidores.
Que privilégio para
meros seres humanos, fracos e mortais, de serem os representantes de Cristo, de
serem os transmissores de Sua mensagem, os veículos, aos instrumentos para
levar ao coração de homens e mulheres uma mensagem de alento e esperança!
Cartas que podem ser um bálsamo, um gozo, uma alegria às almas perdidas que
jazem no pecado.
O apóstolo Paulo também
disse aos membros da igreja de Corinto que além de serem cartas eles deveriam
ser textos possíveis de serem lidos. “Vós sois a nossa carta, escrita em nossos
corações, conhecida e lida por todos os homens.” (2 Co 3:2). O mundo
precisa conhecer o Deus que nos salvou e libertou, o mundo deve conseguir ler o
evangelho que nós carregamos e ver em cada passo, expressão e palavra que sai
de nossos lábios o Senhor Jesus.
III
– Qual mensagem que Transmitiremos Hoje?
Você já prestou atenção
na profundidade desse versículo? O apóstolo Paulo afirma que somos uma carta
escrita pelo Espírito Santo? Toda carta tem uma mensagem a ser transmitida. Qual
é a mensagem que transmitiremos hoje? Que estarão lendo nossos amigos e irmãos
em nossa vida? Esta carta não deve ser enunciada e escrita com tinta, em
corações de pedra, mas escrita pelo Espírito Santo, em corações transformados
pelo poder de Sua Palavra. Corações que amam, que sofrem com aqueles que
sofrem, que tem sempre uma palavra de conforto e esperança a um mundo sacudido
pelos vendavais da corrupção, morte, terrorismo e sofrimento.
A irmã Ellen G. White
afirma: “É manifesto que vós sois a carta de Cristo, conhecida e lida por todos
os homens. Em cada um de Seus filhos Jesus envia uma carta ao mundo, se sois
seguidores de Cristo, Ele mandará por vosso intermédio uma carta à família, à
cidade, à rua em que mora” (Caminho a Cristo, p. 115).
Se somos a carta do
Espírito Santo devemos levar a mensagem do evangelho em nossa vida. Quando
saímos ao mundo temos a responsabilidade que nos atemoriza e nos inspira de ser
cartas abertas, propaganda de Cristo e de Sua Igreja.
IV – Como as pessoas
tem olhado para os Cristãos?
As pessoas têm que
olhar para nós e associar as palavras que dissermos e escrevermos com o nosso
viver. Jesus tem que ser conhecido pelas pessoas por meio das nossas atitudes,
do nosso exemplo. Todos devem olhar para nós e ver novas criaturas
transformadas pelo poder de Deus. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova
criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Co
5.17).
"Vós sois a nossa
carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens."
2 Coríntios 3:2, então cabe fazer a seguinte pergunta:
O que as pessoas, sejam
elas mundanas ou não, estão lendo quando olham para você? Quais são os valores,
os princípios e as virtudes que você mantêm estampados em sua vida para que os
outros vejam?
Quais são as palavras e
notícias que você tem carregado diariamente consigo para entregar aos outros,
mesmo que eles não sejam cristãos como você? São boas notícias e palavras de bênçãos
ou não? Saiba que todas estas coisas contam muito e quando juntas tornam-se
algo poderosamente inspirador. O exemplo.
Então, que exemplo você
manifesta em sua vida para inspirar o seu próximo? Não estou tratando aqui
apenas do que você fala, mas principalmente daquilo que você vive. Não sei se
você já se deu conta de que nossas palavras, muitas vezes, encontram
resistências e oposições nos ouvidos e nos corações de outras pessoas, não
importa o quão bem intencionada nossa fala seja; mas o fato é que o exemplo
rompe todas estas barreiras.
A irmão Ellen G. White,
escreveu: “Nossa influência sobre os outros não depende tanto do que dizemos, mas
do que somos. Os homens podem combater ou desafiar a nossa lógica, podem
resistir a nosso apelos, mas a vida de amor desinteressado é um argumento que
não pode ser contradito. A vida coerente, caracterizada pela mansidão de
Cristo, é uma força no mendo” (O Desejado de Todas as nações, p. 142).
Portanto, se você é um
exemplo de indiferença não espere que as pessoas ouçam quando você falar do
amor; Se você é um exemplo de impaciência, não pense que as pessoas vão lhe
ouvir quando falar sobre a paciência; Se você é desleal, não tenha qualquer
expectativa de que as pessoas o escutem quando você pregar sobre a lealdade; Se
você mente, nem se dê ao trabalho de falar sobre a verdade.
Como as pessoas têm
olhado pra mim? Com inveja, querendo ter riquezas e poder? Com pena, não querendo
ser sofredor e triste? Com desprezo por sermos fofoqueiros briguentos,
encrenqueiros, invejoso e egoísta? Ou com admiração e arrependimento, por
sermos homens e mulheres de Deus, santos, obedientes, amorosos, pacientes,
alegres, mansos, bondosos, fiéis e equilibrados? Querendo conhecer um Deus
diferente de qualquer outro, que leva alguém a perder a sua própria vida (Mt
16:25), a entrar por uma porta estreita (Mt 7:14), a amar os inimigos (Mt 5:44)
e a reconhecer que nunca chegará a Deus por suas próprias forças, que sozinho
não é nada, mas que em Cristo pode alcançar o coração do Pai. (Rm 11:36). Só
isso é o verdadeiro evangelho! Só isso transmite a mensagem que Ele queria! Esta
é a verdadeira carta que o Espírito deseja escrever, outra coisa se tornará mero
bilhete copiado e mal interpretado.
A nossa oração hoje
deve ser: “Ajuda-me, Senhor, a ser a carta de Cristo não somente neste dia, mas
enquanto eu viver”!
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