E AGORA, COMO FICAM OS EVANGÉLICOS DIANTE DO NAZISMO ESCANCARADO DO GOVERNO?
Ricardo
André
Já há muitos anos não
se falava tanto sobre o fascismo como em dias atuais. A última campanha eleitoral para presidente
da República no Brasil, em 2018, reacendeu o debate sobre esse regime de
governo ultranacionalista e autoritário classificado como de extrema direita e
marcado por governos ditatoriais e militarizados. Durante o período eleitoral inúmeros
cristãos progressistas e democratas alertavam o povo evangélico, de que o então
candidato da extrema-direita, Jair Messias Bolsonaro, tinha ideias esdrúxulas e
posições que o aproximava do nazi-fascismo, ideias estas contrárias aos valores
do evangelho e pregados por Jesus Cristo. Logo, para esse grupo, ele não era o
candidato adequado para os cristãos votarem, ainda que se apresentasse como
cristão.
De fato, ao longo de
sua trajetória política até hoje, Bolsonaro, lamentavelmente, sempre preconizou
o ódio, a intolerância, o desrespeito ao outro que pensa ou vive de modo
diferente daquele que julga ser o correto, contrariando o que Cristo sempre
pregou, que foi o amor ao próximo, amar o outro como a si mesmo. Ele disse: “Ame
o seu próximo como a si mesmo” (Mateus 22:39, NVI). Enquanto Cristo
abominou tanto a violência a ponto de aconselhar que alguém uma vez agredido na
face, deveria oferecer a outra a seu algoz, Bolsonaro que se diz cristão
incentiva a violência como panaceia para todos os males, a agressão, e sugere
que se deve matar seus adversários. Jesus afirmou: "Vocês ouviram o que foi
dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao
perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra”
(Mateus 5:38, 39, NVI). Bolsonaro já defendeu abertamente a tortura e
outras barbaridades do período mais tenebroso da história republicana
brasileira, a ditadura militar. O autor de seu livro de cabeceira é o
torturador da ditadura militar, o maníaco Coronel Ustra.
Num dos momentos mais
tristes para a democracia brasileira, no dia da votação do impeachment da
ex-presidente Dilma, 17 de abril de 2016, ao justificar seu voto favorável, ele
disse: “Em memória do coronel Ulstra, pavor de Dilma Roussef, eu digo sim”. Fez
apologia à tortura, ao homenagear um maníaco da ditadura militar, que prendeu,
torturou e matou dezenas de jovens que faziam oposição ao regime ditatorial.
Neste gesto abjeto também reuniu machismo, misoginia e crueldade sádica.
Não obstante possuir
esse perfil abjeto, Bolsonaro recebeu apoio de milhares de pastores de todas as
igrejas pentecostais, neopentecostais e tradicionais de todos os rincões desse
país, o que foi determinante para a sua vitória nas eleições de 2018. Esses
pastores de forma esdrúxula resolveram orientar seus fiéis a votarem na
candidatura de extrema-direita e que apresentava-se bastante distante dos
valores pregados por Cristo. Muitas igrejas tornaram-se verdadeiros palanques
eleitorais. Durante a campanha eleitoral viu-se imagens deprimentes de alguns
pastores considerados ícones de igrejas evangélicas e fiéis fazerem ‘arminhas’
com as mãos para demonstrar apoio ao candidato Bolsonaro. Grande parte dos
evangélicos o vê como um “predestinado” e o segue fielmente.
Muitos pastores
julgavam (e ainda julgam) que Bolsonaro chegou ao mais alto posto da República
pelas mãos divinas, o qual desempenhará papel relevante no cumprimento do
propósito de Deus no Brasil, a exemplo da preservação da família e a
implementação da moral cristã na sociedade. Mas, equivocadamente os militantes
evangélicos querem imprimir essa moral de forma impositiva. Ora, um presidente
que implementa políticas que jogam milhões de lares na miséria, no desemprego, no
desespero, na falta de esperança, na violência, na criminalidade, pode ser
tudo, menos favorável as famílias.
Ainda é preciso que se
diga que Bolsonaro defende ideias racistas e misóginas, que trata as mulheres
com desprezo, naturalizando a pretensa inferioridade delas. Diversas vezes fez
apologia do estupro, e considerou uma fraqueza ter posto no mundo uma filha. Disse
que não empregaria uma mulher, já que esta engravida, e que por isso, deveria
ganhar menos que os homens. Defende, talvez por lobby da indústria
armamentista, armar a população civil como solução para o problema da
criminalidade, e um sistema carcerário mais punitivista. Ele fez das armas seu
estandarte sagrado. Tal postura não se coaduna com o princípio cristão, uma vez
que incita o ódio. Ademais, Cristo Jesus veio para estabelecer a paz (Lc 2:14, 29;
19:42), Ele ensinou a necessidade de paz (Mt 5.9). “Deixo-lhes a paz; a minha paz
lhes dou” (Jo 14:27). Pensando nessa carência de harmonia e união entre
os cristãos, Paulo escreveu aos colossenses: “Seja a paz de Cristo o árbitro
em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede
agradecidos” (3.15).
Bolsonaro defende ainda
a ideologia do “bandido bom é bandido morto”. Como subscrever tal ideia, quando
Jesus não hesitou em impedir o apedrejamento da mulher adúltera (Jo 8:7) e
ainda salvou o malfeitor pregado na cruz ao lado da sua (Lc 23:39)? Bandido bom
é aquele que é ressocializado e transformado. Com que cara visitaremos os
presídios para pregar o evangelho eterno depois de apoiar que tem como slogan
“bandido bom é bandido morto”? Cristãos que o apoiam deveriam ler o texto em
que Jesus censura Pedro que, mesmo agindo em legítima defesa, lançaria mão de
uma arma, o que apenas reproduz a violência (Mt 26:52). Lembremo-nos de que
“bem aventurados os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus” (Mt
5:9). Bolsonaro defende o trabalho infantil, que condena crianças pobres e
negras a reproduzir a situação de pobreza e analfabetismo de seus pais; disse
que em seu governo os índios não receberiam nem mais um centímetro de terra,
entre outras bizarrices. O fascismo não combina conosco. Seu discurso dá voz
aos ódios internalizados: ódio de classe, de gênero, de gays, das minorias. Ele
congrega vários ódios.
A escritora cristã
Ellen G. White afirmou que, quando uma pessoa desenvolve “o espírito de ódio e
vingança” por outra, viola o sexto mandamento da santa Lei de Deus, que proíbe
não matar (Êx 20:13). Ela escreveu: “Todos os atos de injustiça que tendem a
abreviar a vida; o espírito de ódio e vingança, ou a condescendência de
qualquer paixão que leve a atos ofensivos a outrem, ou nos faça mesmo
desejar-lhes mal (pois "todo aquele que odeia a seu irmão é
assassino" I João 3:15) ... são, em maior ou menor grau, violação do sexto
mandamento” (Mente, Caráter e Personalidade, v. 2, p. 527). E, ainda diz que
“aquele que dá ao ódio um lugar no coração, está pondo o pé no caminho do
assassínio, e suas ofertas são aborrecíveis a Deus” (Ibdem). Portanto, os
discursos de ódio e de violência de Bolsonaro e de seus seguidores contra os
mais vulneráveis é profundamente anticristão, porque nega os princípios
bíblicos.
Na sexta-feira passada
(17), o secretário especial da cultura do Governo Bolsonaro, Roberto Alvim,
publicou um vídeo polêmico para anunciar o Prêmio Nacional de Cultura e o
“renascimento da cultura nacionalista”, evidenciando o desejo desse governo de
controlar a cultura em nosso país. Na sua fala ele plagiou o discurso do
ministro e gênio do mal da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels,
escancarando de uma vez por toda o caráter nazifascista do Governo Bolsonaro. A
marca fascista desse governo está mais do que nunca desmascarada. Alvim não somente
tomou emprestado o discurso de Joseph Goebbels, mas também copia a aparência
física e o tom grandiloquente do nazista. Como escreveu o jornal francês Le
Monde, "muita gente suspeitava que o governo de extrema-direita brasileiro
tinha simpatia pelo 3° Reich e, agora, tiveram a prova". O episódio gerou
repercussão negativa no Brasil e no Mundo, levando a queda do secretário
neonazista.
Nas redes sociais, o
secretário Alvim e o próprio Bolsonaro sofreram muitas críticas e intensos
protestos. Curiosamente, o Pastor Adventista Odailson Fonseca, postou em seu
Instagram um texto reportando-se a “demissão incendiária” (é assim que intitula
seu texto) do secretário Alvim, bem como ao método nefasto de Goebbels para
enganar e controlar a mente dos alemães. Em seguida arremata: “Somos
metralhados por erros frequentes que, na continuidade do mal, perigamos baixar
a guarda”. Pena que o referido pastor, em sua reflexão, ao elencar alguns
desses “erros frequentes” se furtou em dizer que a adesão de forma acrítica e
incondicional dos pastores e leigos a Bolsonaro, o qual defende ideias
esdrúxulas que se aproximam do nazi-fascismo, é igualmente perigoso, uma vez
que suas atitudes e falas deseducam, são uma ameaça para nossas futuras
gerações, e representam um passo também para um regime de força, para um regime
antidemocrático e assassino. Naturalizar ou aceitar sem contestar isso é,
indubitavelmente, uma forma de “baixar a guarda”.
O Pastor Odailson ignorou
o fato de que o ex-secretário Alvim, que representava o governo Bolsonaro, não
era o único a pensar como Goebells. O conteúdo da fala que custou o seu cargo é
essencialmente o que Bolsonaro já disse e repetiu inúmeras vezes, mesmo antes
da eleição. Ainda que tenha negado após esse episódio, a fim de acalmar a
comunidade judaica, Bolsonaro é Nazifascista (sempre teve simpatia por Hitler),
e seu governo segue sendo de autocratas, de tendência fascista. Portanto, não
importa se o neonazista Roberto Alvim tenha sido demitido, porque outros
delirantes seguem nesse governo, notadamente os “olavistas” que insistem em
negar e querer revisar a história da Ditadura civil-militar no Brasil. No seu
texto, o Pastor Odailson ignorou também o fato de que a instalação desse
governo nefasto no Brasil ocorreu com o apoio dos evangélicos, inclusive, com
algumas exceções, com o apoio ostensivo dos pastores adventistas e de milhares
de fiéis adventistas. O pastor bem que poderia na sua reflexão fazer uma
autocrítica. Infelizmente, não fez.
Já escrevi em outro
momento e volto a dizer: Quando pastores apoiam um governante com o perfil de
Bolsonaro, agem como o profeta Natan que encorajou a Davi a construir o templo,
afirmando-lhe categoricamente que Deus o havia escolhido para aquela
empreitada. Porém, o Senhor não o tinha autorizado a fazer tal coisa, de modo que,
mesmo constrangido, teve que retornar ao rei e dizer-lhe a verdade. Por causa
do sangue que havia em suas mãos, Deus não o designou para edificar Sua casa,
ainda que já houvesse levantado todos os recursos para tal, e recebido do
Senhor a planta, caberia ao seu sucessor tocar a obra (1 Crônicas 17). Quem
somos nós para abençoar o que Deus não abençoou? Quem somos nós para encorajar
o que contraria frontalmente a Sua vontade? Pensemos nisso!
Diante dessa conjuntura
uma pergunta se impõe: Como ficam os evangélicos e os cristãos em geral que
apoiaram Bolsonaro? Continuarão a apoiá-lo, mesmo sabendo que ele não mudará
seu ideário defendido ao longo de sua vida, e que ele e seu governo se inspiram
no nazismo, regime de extrema-direita responsável pela morte de mais de 6
milhões de judeus, outras centenas de comunistas, ciganos, deficientes físicos
e homossexuais?
Se a comunidade
evangélica decidir ficar do lado dos opressores dos fracos e daqueles que
desejam fazer da violência o centro de gravidade de um país, ela estará dando
uma clara demonstração de que o cristianismo não tem valor. Para isso, não
existe perdão.
No cristianismo, a
neutralidade quando a vida e os direitos das pessoas estão em jogo é um pecado.
O Deus cristão exige a coragem de saber se posicionar contra os violentos, no
pelotão dos indefesos condenados ao esquecimento e principal alvo da violência.
Com a palavra os evangélicos!
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirCaro amigo. Ou se é NAZISTA ou se é NEOLIBERAL. Nazismo é controle total do estado... não dá para ser os dois. Portanto,nesse governo NÃO É NAZISTA OU FASCISTA.
ResponderExcluirKKKKKKKKKKKKKKKK
ExcluirCaro irmão Marcos Ariel,
ExcluirBom dia! Olha só, a experiência do Nazismo na Alemanha mostra nitidamente que o controle do Estado pelos nazistas não acontece de forma abrupta, mas de forma gradual, primeiro tem o convencimento das massas, depois a campanha pela ascensão ao poder... como fizeram muito bem os nazistas alemães... Não disse que o Brasil é um Estado nazista, mas com um governo com tendência nazista, cujos integrantes, a começar pelo chefe, se inspiram nas ideias nazistas. Ademais, NÃO HÁ UM FASCISMO ÚNICO, mas formas diferentes de fascismo, assim como não há apenas um tipo de fascista, mas diversos. Tal qual ocorre com as doenças do organismo, em relação às quais se pode afirmar que os indivíduos têm experiências singulares, o fascismo é uma espécie de doença do sistema político, que cada sociedade atravessa à sua maneira. Bolsonaro não passa de um fascista tardio, tolo e mal educado. Senão, vejamos:
1) Ele compartilha com eles a noção de supremacia branca ou a idolatria das armas de fogo;
2) Durante sua campanha para presidente adotou o slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. tem inspiração em uma frase bastante conhecida entre os nazistas. Na Alemanha de Adolf Hitler, um dos lemas mais repetidos era “Deutschland über alles”, que significa, em português: “Alemanha acima de tudo”.
3) Desrespeito pelos direitos humanos."Conosco não haverá essa politicagem de direitos humanos. Essa bandidada vai morrer porque não enviaremos recursos da União para eles".
Em 23 de agosto, durante ato de campanha na cidade de Araçatuba, no interior paulista, Bolsonaro discursou em cima de um carro de som, condenando organizações que defendem direitos humanos. Segundo o candidato, esses movimentos prestam um “desserviço para o Brasil” e, por isso, não merecem repasse de dinheiro do governo.
4) Identificação de inimigos como causa unificadora. A frequente identificação de inimigos ("esquerdistas, petistas e bandidos") como merecedores de punição e extermínio também compõe com essa ideia. Quando ele prometeu "defender o país do comunismo e curar lulistas com trabalho", Bolsonaro traz à memória a triste lembrança do lema do campo de concentração mais letal do nazismo, Aushcwitz, que trazia em seu portão de entrada os dizeres: Arbeit macht frei [O trabalho liberta].
5) Religião e governos interligados. Ele afirmou ainda na campanha: “Nós somos um país cristão! Deus acima de tudo. Essa historinha de Estado Laico, não! É Estado cristão! E as minorias que se curvem!”
Em discurso em cima de uma carro de som em Campina Grande, na Paraíba, em fevereiro de 2017, Bolsonaro afirmou que aqueles que acreditam em Deus são a minoria da população e, por isso, devem “se curvar” ao Estado cristão. Meses depois, em entrevista ao jornalista Ronaldo Gomlevsky, Bolsonaro reafirmou essa opinião, dizendo que o objetivo de um Estado laico é “tirar a cultura judaico-cristã das escolas” e doutrinar crianças.
6) Ataca os direitos dos trabalhadores e dá voz à reivindicação de empregadores e empresários brasileiros, que entendem os direitos trabalhistas como obstáculos para o crescimento das empresas.
7) Em 2015, ele tirou foto ao lado do 'sósia' Hitler, Marcos Antônio Santos, conhecido como “professor”, reafirmando a referência do clã na figura nazista.
Esses são alguns exemplos que demonstram claramente a simpatia do Bolsonaro com o Nazismo. Se esses fatos não forem suficientes para te convenceres, dá um toque por aqui, que eu ponho mais fatos.
Fique com Deus. Abraço afetuoso!!!
Parabéns! Deus te Abençoe! Deus apenas permitiu que Bolsonaro ser presidente pela própria ignorância , egoísmo e soberba de partedo povo. Triste saber que evangélicos o idólatra como enviado por Deus e coloca Jesus Cristo a menos. Jesus Cristo é amor e não fascista com tendência nazista. Grande Abraço! Resistência aos fascistas.
ExcluirIsso mesmo, Marcos Alberto! Obrigado! Fique com Deus. Abraço afetuoso!!!
ExcluirCaro analfabeto politico me diga como ser cristão e defender o socialimo ao mesmo tempo já que para MARX a religião é o opio do povo?
ResponderExcluirCaro irmão Francisco Amaro,
ResponderExcluirBom dia! quero agradecer por ter lido meu texto e pelo seu comentário aqui. Gostaria de dialogar contigo a respeito da questão que levantastes aqui. Olha só, ser marxista ou socialista não significa ter total identidade com Karl Marx. Sou socialista, mas sou crente em Jesus. Diferentemente de Marx, que era materialista, que acreditava que não havia nada além da matéria. Eu acredito num Deus criador amoroso, que criou e mantém todas as coisas. Mas, entendo a importante contribuição que Karl Marx deu aos trabalhadores do mundo todo ao desnudar o capitalismo como um sistema baseado na exploração do homem pelo homem. É graça as obras de Marx que compreendemos como funciona a sociedade capitalista. Para você compreender melhor o que estou falando, devo dizer o seguinte: Nós, adventistas do sétimo dia, somos protestantes. Porém, ser protestante não quer dizer que temos total identidade com todas as ideias de Martinho Lutero, pai do protestantismo. Ele, embora tenha sido um homem sincero e, indiscutivelmente, usando por Deus para restaurar a importante doutrina da fé cristã, a Justificação pela fé, mantinha crenças e posições antibíblicas, a exemplo do ANTISSEMITISMO. Lutero era antissemita, e pregava inclusive a matança dos judeus na fogueira. Nós, adventistas, embora sendo protestantes não temos essa posição. Entendestes? Assim como posso ser protestante sem ser antissemita, porque não posso ser socialista sem ser ateu?
Ademais, quando vocês, evangélicos militantes, se ocupam em alertar os cristãos dos males do regime socialista — na concepção marxista-leninista, vocês incorrem no erro de achar que o capitalismo é um sistema totalmente compatível com a ética cristã. Certa feita, li numa rede social que o capitalismo era divino e contrapunha o diabólico socialismo. Isto é um equívoco gritante. Existem muitas demandas do capitalismo que também se chocam com os princípios morais que estão na Bíblia. Sabemos que há também muita injustiça do lado capitalista da força. O capitalismo, por ser um sistema que pertence a este mundo corrompido, afetado pelo pecado, causa deturpações até mesmo dentro das igrejas cristãs, notadamente as neopentecostais. A famigerada Teologia da Prosperidade é fruto de uma mentalidade que coisifica e vende tudo, até mesmo os princípios religiosos.
Se o marxismo é anticristão em seu bojo, por ser materialista (porém no meu entendimento mais justo e solidário), o pragmatismo capitalista também se torna uma antítese do cristianismo ao desprezar os mandamentos divinos e buscar o lucro de maneira autônoma, desassociado da justiça. O resultado disto é um contexto perverso que perpetua miserabilidade enquanto alguns magnatas burgueses esbanjam muito mais do que precisam para viver. A liberdade econômica sem contrapeso ético, sem corretivo social, é, portanto, também a liberdade conferida ao mais forte para aniquilar o mais fraco, e a liberdade outorgada ao mais rico para explorar o mais pobre. É a liberdade de uns que mata a liberdade de outros. O sistema capitalista vem trabalhando há mais de um século para destruir a cordialidade entre as pessoas, a solidariedade natural que fortalece o convívio, para despertar o individualismo que se sobrepõe à qualquer partilha comum aos afetos. Portanto, o modelo capitalista de sociedade premia e estimula o comportamento individualista, utilitário e egoísta. Influência satânica nesse sistema.
Se no século XVIII, com a Revolução Industrial, muita riqueza foi produzida, milhares e milhares de pessoas não tiveram acesso a ela. Muito pelo contrário, viviam na pobreza extrema. Os trabalhadores eram submetidos a condições desumanas de trabalho, com jornadas que podiam durar mais de 15 horas, num ambiente insalubre e sem nenhuma assistência previdencial. Opressão e exploração não pode ser de Deus, mas contra Deus.
É isso! Fique com Deus. Abraço afetuoso!!!