CUIDADO COM AS CISTERNAS ROTAS
Ricardo
André
“Alguma nação já trocou
os seus deuses? E eles nem sequer são deuses! Mas o meu povo trocou a sua
Glória por deuses inúteis. Espantem-se diante disso, ó céus! Fiquem
horrorizados e abismados, diz o Senhor. "O meu povo cometeu dois crimes:
eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva; e cavaram as suas próprias
cisternas, cisternas rachadas que não retêm água” (Jeremias 2:11-13, NVI).
I.
Introdução
O profeta Jeremias fora
chamado por Deus para exercer o ministério profético em Israel num tempo de
grave crise. Israel, o então povo de Deus, havia mergulhado na idolatria. A
apostasia crescente era generalizada: sacerdotes, pastores e profetas
rebelaram-se contra o Senhor (Jr 2:1-8). Essa situação terrível levou-o ao
exílio babilônico. Jeremias fora incumbido de anunciar esse juízo. De acordo
com a mensagem do profeta Jeremias, o povo de Israel tinha cometido dois males
ou crimes graves em sua procura da idolatria, e o profeta usou uma figura
interessante para ilustrar o duplo pecado de Israel:
a)
Abandonaram a Deus, o manancial de águas
vivas e
b)
Tentaram cavar cisternas rotas que não
retinham água, desprezando a verdadeira Fonte de vida.
A figura demonstra o
contraste entre a religião verdadeira e a religião alternativa, entre a vida
proporcionada por Deus (como diz o verso 13, “águas vivas”) e as imitações
feitas pelo homem. Quando tentamos cavar nossas próprias cisternas para
preservar um tipo de água diferente da que Deus proporciona, esse é um esforço
fadado ao fracasso desde o princípio. Teologicamente, poderíamos falar do
contraste entre a justiça pela fé em Deus e a justiça pelas nossas próprias
obras.
O povo de Israel teve
muitos problemas de repetidas desobediência e rebelião. E no verso 13 Deus
expressa sua tristeza pela insensatez do Seu povo.
Corremos perigo de
cometer o duplo pecado de Israel e de brincar com uma religião alternativa, em
vez de acolhermos a religião viva e verdadeira?
II.
O que é uma Cisterna Rota?
Naquelas regiões
desérticas do Oriente Médio não havia água encanada, e o povo dependia dos
mananciais para sua sobrevivência. Entretanto, nem sempre se encontrava esses
mananciais. Por conta da falta deles, o povo costumava construir cisternas para
armazenar água da chuva para a época da seca. Eram poços enormes, os quais
recebiam um revestimento de argamassa que impedia que a água escorresse para a
terra por alguma fissura. Às vezes, por negligência na construção do
revestimento, o povo precisava de água, descobria que o poço estava vazio.
Aonde estava toda a água depositada nesse poço? Tinham escorrido pelas roturas
(rachaduras, brechas) do revestimentos.
A fonte de águas vivas
representa a Cristo (Is 12:3; Jr 17:13), bem como uma poderosa metáfora da
salvação (Jo 4:10-14). Assim sendo, então as cisternas ineficazes, feitas pelos
israelitas, se aplicam a um falso sistema de salvação – a
salvação pelas obras. Cisterna rota
significa o esforço e a religiosidade do homem, procurando resolver a sua sede
espiritual com suas próprias forças, confiando na sua própria capacidade e
provisão. Significa substituir o verdadeiro Manancial de Águas Vivas por
cisternas rotas da idolatria humana.
Desde sua queda e
tragédia no Éden, o homem luta contra a aflição de sua alma. Tem procurado se
afastar do seu Criador, tirando os olhos da suficiência Divina, entregando-se
aos seus próprios recursos para preencher seu grande vazio existencial. No
Éden, logo após o pecado, vemos o empenho humano na tentativa de resolver o
problema de relacionamento para com Deus através da religião. Adão foi o
primeiro estilista na terra. Ali o primeiro casal confeccionou uma vestimenta
de folhas, num propósito inadequado, buscando uma maneira de encobrir a sua
nudez com folhas de figueira, buscando a justificação de Deus através da sua
própria justiça.
A tragédia do homem
desde o jardim do Éden sempre foi a mesma: tirar os olhos de Deus e confiar nos
seus recursos. Desde que o homem pecou ele se alienara e se divorciara de Deus.
“Sem
Mim nada podeis fazer”, disse Jesus (Jo 15:5). Mas ao longo da história
o homem tem insistido em viver afastado da fonte da vida, substituindo o
verdadeiro Deus por deuses ocos e sem vida.
Mais tarde podemos
constatar esta mesma atitude religiosa em Caim. Ele pouco se importava com a
revelação e a Vontade do Criador em Sua Palavra. Ele esperava que Deus
aceitasse o seu sacrifício de adoração do produto da terra, adquirido com o
próprio esforço, estando ainda no pecado. Caim se achava importante e
ambicionava fazer prevalecer os seus méritos, sua dedicação, seu trabalho e
suas pretensões. Sua atitude de animosidade, ódio, amor-próprio e arrogância,
entrou em choque com o amor, a obediência, a submissão, a humildade, a comunhão
e santidade que Deus requer do verdadeiro adorador.
O jovem rico, apesar de
confessar que guardava os mandamentos, também se servia de cisternas rotas e
não tinha segurança na sua religião e nem certeza de herdar o reino de Deus.
Desesperado correu ao encontro de Jesus e perguntou o que deveria fazer para
herdar a vida eterna. Esta é a atitude de todo o religioso que se alimenta de
cisternas rotas. Querer fazer alguma coisa para merecer a salvação e entrar no
reino de Deus. Ele não sabia que a salvação em Cristo é inteiramente de graça,
sem nenhum esforço, sem depender da religião. O Evangelho da graça é um convite
de Deus para o descanso em Cristo.
A humanidade tem
substituído o único Deus verdadeiro pela idolatria e materialismo. Por mais
seguro que os nossos recursos humanos possam nos parecer, são frágeis e inúteis
diante da soberania divina.
As desgraças e os
sofrimentos da humanidade são o resultado de seu afastamento de Deus. O profeta
Jeremias fala exatamente desse terrível erro.
No evangelho de Lucas
Jesus fez uma intrigante indagação: “Mas, quando vier o Filho do homem,
encontrará fé na Terra?” (Lc 18:8). Ele previu que antes de Sua segunda
vinda a crença num Deus transcendente decairia. É, deveras, uma nítida predição
do alastramento do secularismo moderno.
Estamos vendo com
perplexidade o cumprimento dessa profecia nos nossos dias. Estamos vivendo uma
crise de fé. Padres e teólogos negam, põem em dúvida a historicidade e
veracidade dos acontecimentos registrados nas Sagradas escrituras. Duvidam da
ressurreição de Cristo, entre outros.
A idolatria é,
indubitavelmente, o que mais fere a Santidade de Deus; é o pecado mais
inaceitável e incompatível com a fé cristã. É a maior expressão de infidelidade
a Deus! A idolatria, portanto é o esquecimento de que ele é suficiente e de que
não precisamos de mais nada além dele! Todas as vezes que nossos corações se
voltam para a adoração de falsos deuses estamos dizendo a Deus que ele não é
realmente bom, justo, amoroso, santo enfim, suficiente para me preencher!
A grande maioria das
pessoas, hoje, não adoram deuses de ouro, prata, barro ou madeira, como
representação de seres divinos. Estamos mais do que convencidos de que esses
ídolos não falam, não ouvem, não andam, não apalpam, não são capazes de
satisfazer nossos anseios. Em Ezequiel
14.1-3 Deus revela ao profeta que o povo estava “erguendo ídolos no coração”!
A idolatria antes de
ser um produto das mãos é inerentemente originada nos corações. A
materialização em imagens é um detalhe e não essencial. A idolatria ocorre
independentemente de haver imagens. Não é apenas algo externo a nós!
João Calvino certa vez
afirmou: “O coração humano é uma fábrica de ídolos”. Deus criou o homem com o
que o próprio Calvino chamou de “sensus divinatis”, ou seja, com uma inclinação
para adorar a Deus. Somos seres adoradores, feitos para adorar. Adoramos a Deus
ou qualquer outra coisa. Adorar é atribuir honra e glória a uma divindade,
pessoa ou a um objeto que o adorador considera de valor supremo!
Quando alguma coisa
deste mundo nos atrai mais do que o reino do Céu, então temos um ídolo diante
de nós. Tornamo-nos idólatras. Ídolo É tudo aquilo que o ser humano ama mais do
que a Deus, e que ocupa o lugar de Deus em sua vida, mesmo que apenas
momentaneamente. Então, passamos a adorar nosso conhecimento, nossa posição,
nossas opiniões, nossos prazeres prediletos, nossos bens e o conforto que nos
cerca. O sexo pervertido (pedofilia, homossexualismo, lesbianismo, fornicação e
toda sorte de coisas impuras relacionadas ao sexo) é o deus que governa a
indústria do cinema, da pornografia, da prostituição, das "artes",
novelas e música.
O dinheiro é o deus
buscado pelas multidões. A sociedade moderna nos quer convencer que dinheiro é
felicidade ao mesmo tempo em que dinheiro é o que movimenta toda a maldade
humana… quanta incoerência! Com dinheiro se compra vidas, se vende vidas, se
troca vidas. É pelo dinheiro que o tráfico de todos os tipos se movimenta, é
por dinheiro que muitos casamentos vão por água abaixo, é por dinheiro que os
políticos se corrompem, é por dinheiro ou pela falta dele que milhões de
pessoas passam fome, é por dinheiro que se fazem guerras, enfim, desde que o
homem (ou o diabo mesmo) inventou essa praga chamada dinheiro o mundo tem se
tornado cada dia pior.
Até nas igrejas Mamom
está. A Teologia da Prosperidade alimenta o ego dos pastores e sua ambição por
dinheiro fácil, enquanto alimenta o mesmo desejo das ovelhas. Mamom tem se
disfarçado de Jesus e enganado milhões de pessoas que estão em busca de receber
algo de Deus, mas não estão dispostas a obedecê-lo.
Nunca uma civilização se
ajoelhou tanto diante de Mamom como se ajoelha nossa sociedade moderna. Não
importa o que coloquemos no lugar de Deus, sempre estaremos prejudicando a nós
mesmos.
Nosso coração diviniza
todas essas coisas, algumas das quais são boas, como se fossem o centro de
nossa vida porque achamos que podemos ter significado e proteção, segurança e
satisfação se as alcançarmos. Desta forma, tudo pode ser um ídolo, e tudo tem
sido um ídolo para uma pessoa ou outra.
A única solução para os
graves problemas da humanidade, a única forma de nos libertarmos da influência
destrutiva dos falsos deuses é nos voltarmos para o verdadeiro Deus, o Deus
vivo, que se revelou, tanto no Monte Sinai quanto na Cruz, é o único Senhor
que, se for encontrado, pode realmente satisfazê-lo. E o maravilhoso é que
quando damos apenas um passo em Direção a Deus, O encontramos a nos esperar com
amor e misericórdia.
a) Cristianismo de
fachada. Deus olhava com tristeza para Seu povo e
via que era um povo preocupado apenas em cuidar da aparência. Não tinha vida
interior. Não vivi ligado à única fonte de poder que é Deus, mas eram homens e
mulheres desesperadamente preocupados em mostrar boas obras, uma conduta
correta e um aspecto exterior que despertasse elogiosos comentários.
Hoje, à semelhança do
povo de Deus do passado, muitos vivem um cristianismo sem Cristo, um
cristianismo que usa o nome de Cristo, mas vive apenas preocupado com
exterioridades. Você vai a ela pensando achar água fresca, mas só encontra
sequidão, desespero e morte. As cisternas rotas fornecem falsa religião, falsa
satisfação, falsa alegria e falsa paz. A água de cisternas humanas não tem vida
em si mesma e não nos satisfaz. Todos os recursos humanos fora de Jesus Cristo
são falsos preenchimentos. Todas as nossas tentativas de resolver o problema do
relacionamento com Deus através da religião, cisternas do esforço próprio, nos
leva a um estado de ansiedade, aniquilamento espiritual e alucinação. “Será
também como o faminto que sonha que está a comer, mas, acordando, sente-se
vazio; ou como o sequioso que sonha que está a beber; mas, acordando, sente-se
desfalecido e sedento” (Isaías 29:8).
Tenho observado muitos
falsos ministros pregando uma falsa paz, garantindo salvação e prosperidade
para quem vive na injustiça e no pecado, desde que contribua com dízimos e
ofertas. Isso é mentira do diabo. A salvação e a paz só se obtêm pela
"justiça divina" vivendo em nós. “E o efeito da justiça será paz, e a
operação da justiça repouso e segurança para sempre” (Isaías 32:17).
Aumenta espantosamente
o número de pastores vazios, mais conhecidos como cisternas rotas, que apenas
usam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, preocupando-se apenas com
exterioridades. Suas pregações são falsas, entretendo ovelhas desnutridas e
desidratadas com águas poluídas, palhas e muitas fábulas. Este é o motivo de um
rebanho irrequieto, desesperado, á beira da morte. “E curam superficialmente a
ferida do meu povo, dizendo; paz, paz; quando não há paz” (Jeremias 6:14).
Não existe cristianismo
sem a vida de Cristo. Estes profetas de paz sem experiência de justificação em
Jesus Cristo, são falsos: “Então disse eu: Ah, Senhor, Senhor, eis que
os profetas lhes dizem: Não vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei
paz verdadeira neste lugar. E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam
falsamente em meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei:
Visão falsa, ... o engano do seu coração é o que eles profetizam” (Jeremias
14:13-14).
O profeta Ezequiel
também nos advertiu do perigo de tais ministros profissionais do evangelho,
como pintores sem qualificação, com suas falsas pregações: “Os seus profetas lhes passam
caiação, tendo visões falsas, profetizando mentiras, e dizendo: Assim diz o
Senhor Deus; sem que o Senhor tivesse falado” (Ezequiel 22:28). Caiação
é uma pintura barata, mal acabada, a base de cal e água, de pouca duração.
b) Forma de Religião
legalista. Há os que se escondem atrás dos
preceitos, normas e leis. Levam a vida a criticar os outros, porque os outros
não estão vivendo da maneira que ele acha correto. Eles querem impor a sua religião
sobre os outros.
Hoje, em nossos dias,
há cidadãos, dentro e fora da igreja que dizem: “Eu faço tudo correto, tenho
uma vida exemplar, não preciso ser crente. Essas pessoas estão completamente
equivocadas, pois se não aceitarem a Jesus Cristo, como Senhor e Salvador não
receberão a salvação (At 4:12). Essas pessoas construíram para si cisternas
rotas.
III.
Não confiar nos nossos esforços
Jesus Cristo é o único
manancial de águas vivas e aqueles que desejam ser cada dia mais semelhante a
Ele não cometem a imprudência de confiar nas cisternas construídas por suas
próprias mãos, não cofiam no bom comportamento conseguido por seu próprio
esforço, nem na sua reputação como bons membros da igreja. Não, eles vão ao
manancial de águas vivas, são banhados diariamente nessas águas, acalmam a sede
da alma na pureza dessas águas. Não permitem que nada os afaste desse manancial
e o resultado dessa experiência é uma vida de obediência autêntica, um caráter
que cada dia reflete mais e mais o caráter de Jesus.
O verso que lemos no
início, expressa também a profunda tristeza que Deus sentiu no jardim do Éden
quando Adão e Eva se esconderam de Sua Presença. Naquela tarde fatídica e
trágica o coração de Deus se afligiu não por causa de um fruto comido, mas
porque os filhos amados não estavam mais perto dEle. O que Lhe causa tristeza
ao coração não são apenas os atos errados do homem, são em primeiro lugar o
relacionamento quebrado, o construir cisternas rotas separados do manancial de
águas vivas.
IV
- Quatro princípios para receber a fonte de água viva
Lemos em Colossenses 3:16: “Habite ricamente em
vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a
sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em
seus corações”. Neste texto encontramos
quatro princípios para recebermos a Fonte da água viva, quais sejam:
1 - Habite ricamente em
vocês a palavra de Cristo;
2 - ensinem e
aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria
3 - e cantem salmos,
hinos e cânticos espirituais
4 - com gratidão a Deus
em seu coração.
V.
Conclusão:
Talvez você venha de
uma grande perda. A angústia e o desespero invadiram seu coração. Sua dor é
insuportável, consumindo-o aos poucos e já perdeu todas as expectativas de
melhora. Agora para você a vida não tem mais sentido. Quem sabe esteja no fundo
do poço, vivendo um ciclo de perdas infindáveis, e não tem mais nada para
perder. Não dê o caso por encerrado, porque quando estamos no fundo do poço, só
existe uma possibilidade de contemplar a luz. "O povo que andava em trevas
viu uma grande luz; e sobre os que habitavam na terra de profunda escuridão
resplandeceu a luz." (Isaías 9:2).
Olhar para cima, para o
único Deus que ainda não colocou um ponto final nesta situação; o único que
pode contemplar a dor de um coração despedaçado; o único que pode nos resgatar
das mais profundas e densas trevas, transformando maldição em bênção, choro em
alegria, escassez em abundância. Olhe para Ele. "Olhai para mim, e sereis salvos,
vós, todos os confins da terra; porque eu sou Deus, e não há outro."
(Isaías 45:22).
Por que não decidir
hoje, manter comunhão com o Cristo, que é o manancial de águas vivas? Ele está
pronto para receber você. Ele diz: “O Espírito e a noiva dizem: "Vem!
" E todo aquele que ouvir diga: "Vem! " Quem tiver sede, venha;
e quem quiser, beba de graça da água da vida. (Apocalipse 22:17, NVI). Diante
de você está o cheio de desafios e expectativas, mas cuidado, não tente
construir cisternas rotas, deposite sua confiança em Jesus e viva uma vida
cristã vitoriosa.
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