“BICHO QUE NÃO MORRE, FOGO QUE NÃO SE APAGA”
Prof.
Azenilto Brito
* Ao Jesus falar do,
“bicho que nunca morre, fogo que nunca apaga” em Marcos 9:48 não estaria
comprovando e doutrina da imortalidade da alma e do fogo eterno do inferno?
Alegação:
A linguagem do texto parece por demais clara
de que a alma não morre, assim tem-se a confirmação da parte do próprio Senhor
Jesus Cristo de que alma não pode morrer e de que o fogo do inferno dever ser
mesmo infindável.
Ponderação:
Cristo Se vale de uma metáfora anteriormente
utilizada por Isaías, em seu capítulo 66, vs. 24. O profeta ali fala das tropas
de inimigos de Deus, cujos CADÁVERES são deixados insepultos, com vermes os
consumindo.
Ele emprega tal linguagem para ressaltar o
horror da cena, mas como aparecem “cadáveres”, é claramente uma indicação de
morte, não de existência contínua de alguma alma. E Jesus fala de “bicho” que
nunca morre, e não de “alma”. Ora, alma é alma, e bicho é bicho.
Em Isaías 34:9 e 10
encontramos outro exemplo de linguagem hiperbólica que João emprega no
Apocalipse, bem como em Jer. 17:27 que fala do fogo que queima as portas de
Jerusalém “e não se apagará”, contudo não há fogo nenhum queimando as portas de
Jerusalém hoje em dia.
Para ilustrar o que vem
a ser essa “linguagem hiperbólica”, significa o uso de palavras que “exagerem”
algo a que se refiram, para acentuar o seu caráter. É como no hino nacional
brasileiro, o “pátria amada, IDOLATRADA”. . .
Na verdade ninguém
idolatra a pátria nesse sentido, nem mesmo o presidente da República. . .
E temos no Novo
Testamento o “juízo eterno” de Heb. 6:2, que não trata de um processo que tem
início, mas não tem fim, e sim que é eterno em seus efeitos e consequências. E
que dizer do “fogo eterno” que queimou Sodoma e Gomorra, mas não está queimando
mais hoje? (ver Judas 7)
Afinal, o salário do
pecado é a morte? (Rom 6:23). No próprio Salmo 68:20 lemos: “O nosso Deus é o
Deus libertador; com Deus, o Senhor, está o escaparmos da morte”.
Conclusão:
Claramente a linguagem que deve PREVALECER
nesse paradoxo é a da morte eterna desses pecadores, contrastada por Cristo com
a vida eterna dos salvos: “E irão estes para o castigo eterno, porém os justos
para a vida eterna” (Mat. 25:46).
Assim, a linguagem
hiperbólica utilizada por Cristo em Marcos 9:48, sobre o “bicho que nunca
morre”, quando empregada para provar a imortalidade da alma, termina
revelando-se uma excelente explicação da condição de morte eterna dos
pecadores, sendo, pois, um “tiro” interpretativo que sai pela culatra.
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