AS CONTRIBUIÇÕES DE ELLEN G. WHITE PARA A IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA
Gerhard
Pfandl*
Tradução:
Hugo Martins
O artigo “As
Contribuições de Ellen G. White para A Igreja Adventista do Sétimo Dia”
(Original em inglês: Ellen G. White’s contributions to the Seventh-day
Adventist Church), por Gerhard Pfandl, fora publicado, inicialmente, em junho
de 2016 na revista Ministry,® International Journal for Pastors,
www.MinistryMagazine.org. Usado com permissão.
As contribuições de
Ellen G. White para a Igreja Adventista do Sétimo Dia têm sido imensuráveis em
muitas áreas e durante a história da igreja, mas, particularmente, durante os
anos prímevos. As seguintes contribuições estão entre as mais importantes.
Organização
da Igreja
Durante os primeiros 20
anos de nossa igreja, não havia organização eclesiástica porque os mileritas e
os primeiros adventistas eram contra qualquer organização eclesiástica. Eles
consideravam todas as igrejas organizadas como pertencentes à Babilônia. Desde
que não havia ministério remunerado, nossos pioneiros trabalhavam em diversos
labores para se sustentarem. Tiago White, por exemplo, aparava grama, cortava
madeira e trabalhou na construção de uma estrada de ferro para sustentar sua
família. Ademais, qualquer um podia pregar, se se sentisse chamado;
consequentemente, heresias proliferavam.
Também, os primeiros
imóveis estavam em nomes de pessoas físicas. A questão da propriedade
legalizada impulsionou, finalmente, a igreja em direção a uma organização
formal. Em 1853, Tiago White admoestava os crentes a se organizarem, mas a
resistência à organização era forte. Um ano depois, Ellen White escreveu: “O
Senhor tem mostrado que a ordem evangélica tem sido demasiado receada e
negligenciada. A formalidade deve ser banida, mas por fazê-lo não deve ser a
ordem negligenciada. Há ordem no céu. Havia ordem na igreja quando Cristo
esteve na Terra. . . .
“. . . De novo foi-me mostrado o perigo
desses viajantes a quem Deus não chamou. . . .
“Vi que esta porta pela qual o inimigo
entra para perturbar e levar à perplexidade o rebanho, pode ser fechada. Indaguei
do anjo como poderia ser ela fechada. Disse ele: ‘A igreja precisa acorrer para
a Palavra de Deus e estabelecer-se na ordem evangélica que tem sido subestimada
e negligenciada.’”[1]
Mais seis anos se
passaram antes que as primeiras igrejas fossem organizadas, em 1860, em
Michigan. Um ano depois, a Associação de Michigan foi organizada, e, em 1863, a
Conferência Geral. Nessa época, o total de membros girava em torno de 3500
crentes batizados. Hoje, a igreja tem mais de 18 milhões de membros em mais de 75
mil igrejas.
Publicações
Em 1848, Ellen White
teve uma visão na casa de Otis Nichol em Dorchester, Massachusetts. Quando a
visão terminou, ela disse ao seu marido, Tiago, “Tenho uma mensagem para ti.
Deves começar a publicar um pequeno jornal e mandá-lo ao povo. Seja pequeno a
princípio; mas, lendo-o o povo, mandar-te-ão meios com que imprimi-lo, e
alcançará bom êxito desde o princípio. Desde este pequeno começo foi-me
mostrado assemelhar-se a torrentes de luz que circundavam o mundo.”[2]
“Torrentes de luz que
circundavam o mundo”! Como assim? Jesus estava voltando brevemente. Eles eram
poucos em número. Não tinham membros abastados e nem grandes eruditos entre
eles. O mundo estava incrédulo. E, ainda, aqui era uma jovem mulher que predisse
que uma obra de publicações começaria pelos escritos de seu esposo e cresceria
até alcançar o globo. Mais de seis meses se passaram antes que Tiago White
pudesse até mesmo começar do zero; ele providenciou a impressão de mil cópias
de um texto de oito páginas com dinheiro emprestado. Hoje, a igreja tem 63
casas publicadoras que produzem livros e revistas em mais de 360 línguas.
Reforma
de Saúde e Obra Médico-Missionária
Nossos pioneiros,
durante os primeiros 20 anos de nossa história, eram tudo, menos reformadores
da saúde, exceto José Bates. Durante as Conferências Sabáticas de 1848, eles
sentavam-se juntos para fumar seus cachimbos. Nesse ano, foi mostrado a Ellen
White que o tabaco, o chá e café são prejudiciais, mas levou muitos anos para
convencer os membros a dispensar o uso de tais substâncias prejudiciais.
Então, em 6 de junho de
1863, Ellen White teve uma visão de 45 minutos na qual a necessidade pela
reforma de saúde fora mostrada: “Vi que era um dever sagrado zelar de nossa
saúde, e despertar outros para seu dever. . . . Temos, porém, o dever de falar
e de batalhar contra a intemperança de toda espécie — intemperança no trabalho,
no comer, no beber . . .indicando-lhes então o grande remédio de Deus: água,
água pura, para doenças, para a saúde, para limpeza e como regalo. . . .
“Vi que não devemos calar-nos a respeito do
assunto da saúde, mas despertar as mentes para ele.”[3]
Dois anos depois, em 25
de dezembro de 1865, Ellen White teve uma visão em Rochester, Nova York, na
qual foi a ela mostrado que a igreja deveria “providenciar um lar para os
aflitos e aqueles que desejam aprender a cuidar de seu corpo, visando prevenir
doenças. . . .
“Nosso povo deve ter
uma instituição própria e sob seu controle, para benefício dos doentes e
sofredores entre nós, os quais desejam saúde e vigor para poderem glorificar a
Deus em seu corpo e espírito, os quais Lhe pertencem.”[4] Como resultado, um
ano depois, em setembro de 1866 o Western Health Reform Institute [Instituto de
Reforma de Saúde do Oeste], em Battle Creek, foi inaugurado. Hoje, a igreja
cuida de 175 hospitais e sanatórios e 270 clínicas e ambulatórios ao redor do
mundo.
Educação
Em 1872, Ellen White
recebeu uma visão sobre princípios apropriados de educação. Pouco tempo depois,
ela escreveu 30 páginas sobre o que lhe tinha sido revelado. “Necessitamos de
uma escola na qual aqueles que entram no ministério pastoral possam pelo menos
receber instrução nos ramos comuns de educação, e onde aprendam também com mais
perfeição as verdades da Palavra de Deus para este tempo.”[5]
Em 24 de agosto de
1874, o Battle Creek College abriu as suas portas. Hoje, temos mais de 7000
escolas secundárias e primárias e mais de 100 faculdades e universidades.
Adventistas do sétimo dia têm a maior rede educacional protestante no mundo.
Por quê? Porque nossos pioneiros levaram muito a sério o que Deus dissera a
eles por meio da profetiza da igreja remanescente.
Missão
Nas primeiras décadas
de nossa história, eles acreditavam que a igreja estava cumprindo a ordem divina
de ensinar a todas as nações pregando aos imigrantes na América do Norte. Uriah
Smith escreveu em 1859: “não temos conhecimento que a Mensagem do Terceiro
[Anjo] esteja, atualmente, sendo proclamada em qualquer país além do nosso. . .
. Nossa pátria é composta por pessoas de quase todas as nações.”[6] Para
alcançar essas nações nos Estados Unidos, publicações foram preparadas em
diversas línguas.
Quando em 1864, M. B.
Czechowski voluntariou-se para ir como missionário para a Europa, seu pedido
foi rejeitado. Ele dirigiu-se aos Adventistas do Primeiro dia, e eles o
enviaram para a Europa, onde ele pregou as mensagens dos três anjos e organizou
grupos adventistas do sétimo dia. Enquanto isso, Ellen White educava a igreja
sobre sua responsabilidade em escala mundial. Em 1871, ela escreveu: “Muito
pode ser feito por meio do prelo, porém, mais ainda se poderá cumprir se a
influência do trabalho dos pregadores vivos acompanhar as nossas publicações. .
. .
“Quando as igrejas virem jovens zelosos e
capazes para estender seus trabalhos às cidades e aldeias que nunca ouviram a
verdade, e missionários prontificando-se para ir levar a verdade a outras
nações, elas se animarão e se fortalecerão . . .”[7]
E, em 1874, ela teve um
sonho extraordinário de dar a mensagem do terceiro anjo ao mundo. No nosso fora
a ela revelado: “Estais alimentando ideias muito acanhadas quanto à obra para
este tempo. Estais procurando planejar a obra de modo que possais abrangê-la em
vossos braços. Deveis considerar perspectivas mais vastas. Vossa luz não deve
ser posta sob o alqueire, nem debaixo da cama, mas no velador, para que alumie
todos os que estão na casa. Vossa casa é o mundo. Vossa casa é o mundo. . . .
“. . . A mensagem irá com poder a todas as
partes do mundo, ao Oregon, à Europa, à Austrália, às ilhas do mar, a todas as
nações, línguas e povos.
. . . vossa fé é acanhada, muito pequena.
Vossa concepção da obra necessita ser grandemente aumentada.”[8]
Em 1874, John N.
Andrews tornou-se o primeiro missionário adventista do sétimo dia oficial. Ele
e seus filhos foram para a Suíça, e, três anos depois, a família de John G.
Matteson foi enviada para a Escandinávia. Por volta de 1890, missionários adventistas
estavam trabalhando em 18 países.
Hoje, dos 238 países no
mundo reconhecidos pelas Nações Unidas, os adventistas do sétimo dia têm uma
obra estabelecida em 216.
Teologia
Mais de uma vez o
conselho de Ellen White impediu a igreja de cometer sérios erros teológicos.
Por exemplo, nos anos 1890 e no início do século vinte, o Dr. John Harvey
Kellogg, diretor do Sanatório de Battle Creek, tentou introduzir o panteísmo na
igreja. Em 1903, ele e seus seguidores, Dr. E. J. Waggoner, Elder A. T. Jones e
Dr. David Paulson, chegaram a Washington para convencer o Concílio de Outono do
Comitê da Conferência Geral a aceitar o livro de Kellogg, The Living Temple [O
Templo Vivo], que tinha sido rejeitado anteriormente em razão de seu conteúdo
panteísta.
Embora este item não
estivesse incluído na pauta: “a atividade regular foi deixada de lado e um foi
dado para tratar da filosofia panteísta.
. . . Durante o dia
todo [os delegados] debateram sobre o assunto. . . . Cerca de nove horas da
noite, o Ancião [A. G.] Daniells [o presidente da Conferência Geral, que se
opunha ao livro] considerou que era hora interromper a reunião, mas ele não
ousou trazer em votação. As pessoas estavam muito confusas e incertas, e eles
não desejava dar um passo que solidificasse quaisquer conclusões. Ele encerrou,
então, a reunião, e as pessoas de dirigiram aos seus alojamentos.
Dr. Paulson, que era um
forte apoiador do Dr. Kellogg, juntou-se a Daniells. Enquanto os dois
caminhavam juntos, eles continuavam a discussão do dia. Chegando ao local onde
Daniells estava se hospedando, ficaram sob um poste de luz e conversaram por um
tempo. Finalmente, Dr. Paulson apontou seu dedo em Daniells e declarou:
“Você está cometendo o maior erro de sua
vida. Depois de todo este tumulto, em algum desses dias você acordará e se verá
envolto em um mar de lama, e um outro estará tomando a dianteira.’ . . .
O Pastor Daniells
esqueceu de seu cansaço e desânimo e respondeu com firmeza: ‘Eu não acredito em
sua profecia. Em todo caso, preferiria estar envolto em um mar de lama fazendo
o que acredito em minha alma ser o correto do que andar com príncipes, fazendo
o que minha consciência me diz ser errado.’ . . .
Depois de partir,
Daniells entrou na hospedagem, onde ele viu . . . ‘duas mensagens da Senhora White
[esperando por ele]. ‘. . . Ninguém é capaz de imaginar,’ contou Daniells, ‘o
ímpeto com o qual eu li os documentos que chegaram do correio enquanto nós
estávamos em meio às nossas discussões. Era o mais positivo testemunho em
relação aos perigosos erros que eram ensinados em The Living Temple.’ . . . A
mensagem viera no momento mais crítico. Conforme ele lia, seus olhos se
debruçavam sobre aquelas palavras:
“Tenho algumas coisas a dizer aos nossos
ensinadores em referência ao novo livro The Living Temple. Sejam cuidadosos em
como vocês defendam a ideia desse livro no que diz respeito à personalidade de
Deus. Quando o Senhor apresentava o assunto diante de mim, essas ideias não
tinham a aprovação de Deus. Elas são uma armadilha que o inimigo tem preparado
para esses últimos dias. . . .
“Nas visões noturnas, esse assunto foi,
claramente, apresentado a mim diante de uma multidão. Um dos líderes estava
discursando. . . . O orador segura The Living Temple dizendo: “Neste livro há
afirmações que o próprio escritor não compreende.” . . .
Em um outro documento
recebido da Irmã White direcionado aos ‘Líderes em Nossa Obra
Médico-Missionária’ . . . ele leu:
“Após tomar, finalmente, sua decisão, sábia
e cautelosamente, não faça qualquer concessão em qualquer ponto concernente ao
que Deus tem claramente falado. Seja tão calmo quanto uma tarde de verão, mas
tão firme quanto as rochas eternas.”[9]
Na manhã seguinte, os
líderes da igreja reuniram-se para o concílio. Após a oração, o Pastor Daniells
levantou-se disse aos irmãos que ele tinha recebido duas importantes mensagens
da Irmã White. Todos ficaram ansiosos para ouvi-las. Ele sentou-se
silenciosamente enquanto ele lia. Conforme palavra por palavra expondo a
falsidade dos ensinamentos de The Living Temple era apresentada aos presentes,
muitos améns em alta voz eram ouvidos e lágrimas escorriam abundantemente. Foi
nesse momento em que a sorte mudou” e o panteísmo foi rejeitado.
Quando o Pastor
Daniells enviou uma carta de agradecimento a Ellen White contando os eventos do
dia, ele recebeu uma carta em resposta na qual ela explicou o porquê ele
recebera as mensagens naquele exato momento:
“Um pouco antes de enviar os testemunho que
você disse que chegara bem a tempo, tinha lido sobre um incidente de um navio
em uma neblina indo de encontro com um iceberg. . . . Certa noite, uma cena foi
claramente apresentada diante de mim. Um navio navegava sobre as águas em meio
a forte neblina. Repentinamente, o vigia gritou: ‘Iceberg a vista!’ Vendo do
mirante no alto do navio, era um gigantesco iceberg. Um voz com autoridade
gritou: ‘vá de encontro!’ Não era um momento para hesitação. Era o momento para
uma ação imediata. O engenheiro colocou a todo o vapor, e o homem no timão
manobrou a embarcação para ir de encontro ao iceberg. Com uma colisão a
embarcação acertou o iceberg. Houve um choque terrível, e o iceberg partiu-se
em milhares de pedaços caindo com um som como de um trovão sobre o convés. Os
passageiros foram violentamente chacoalhados pela força da colisão, mas nenhuma
vida se perdeu. O navio foi afetado, mas não de modo que não pudesse ser
reparado. Ele ricocheteava por causa da colisão, tremendo da proa à popa como
uma criatura vivente. Seguiu-se, então, em direção ao seu caminho.
“Conhecia, muito bem, o significado desta
representação. Foi-me dado ordens. . . .
“Este é o porquê você recebeu os
testemunhos naquele exato momento. Nessa noite, levantei uma da manhã,
escrevendo tão rápido quanto minhas mãos poderiam sobre o papel.”[10]
Conclusão
Deus usou Ellen White
várias vezes para conduzir a igreja durante diversas crises. Embora tenha
falecido em 1915, seus escritos continuam a guiar a liderança da igreja quando
se depara com novos desafios. Seus escritos são, portanto, relevantes ainda nos
dias de hoje. “Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus
profetas e prosperareis” (2 Cr 20:20).
*Gerhard
Pfandl serviu como Pastor na Áustria e na Associação
Californiana. De 1977 a 1989 foi Professor de Religião no Seminário Bogenhofen
na Áustria. Antes de juntar-se ao quadro do Biblical Research Institute em
1999, serviu por sete anos como Secretário de Campo na Divisão Pacífico Sul em
Sidney na Austrália. Pfandl publicou mais de 120 artigos acadêmicos e populares
em Alemão e Inglês e é o autor de diversas Lições da Escola Sabatina e de
livros como The Time of the End in the Book of Daniel e Daniel: The Seer of
Babylon.
[1] Ellen G. White,
Primeiros Escritos, pp. 97, 100.
[2] Ellen G.White, Life Sketches of Ellen G.White
(Mountain View, CA: Pacific Press Pub. Assn., 1915), p. 125.
[3] Ellen G. White,
Mensagens Escolhidas, 3:280.
[4] Ellen G. White,
Testemunhos para A Igreja, 1:489–492.
[5] Ellen G. White, Fundamentos
da Educação Cristã, pp. 45–46.
[6] Uriah Smith, “Nota dos Editores,” Advent Review
and Sabbath Herald, 3 de fevereiro de 1859, p. 87.
[7] White, Life Sketches, p. 205.
[8] Ibid., pp. 208–209.
[9] Arthur L.White, Ellen G. White—The Early Elmshaven
Years: 1900-1905 (Washington, DC: Review and Herald Pub. Assn.,
1981), pp. 296–298.
[10] Ibid., pp.
299–301.
Comentários
Postar um comentário