O QUE AS SAGRADAS ESCRITURAS DIZEM SOBRE O PIERCING?
Ricardo
André
Temos notado que, à
semelhança da tatuagem, o uso de piercings está se tornando cada vez mais
popular entre os jovens e adolescentes de todas as camadas socioeconômicas.
Esse fato decorre tanto pela procura de novidades - característica própria da
juventude, quanto pelo estímulo indiretamente provocado pela mídia.
A adolescência é
marcada pela procura de identidade e de independência, pela necessidade de
experimentação, com oscilações e mudanças frequentes. Por influência de amigos,
para participar de um determinado grupo social, por atrativo sexual, para
esconder alguma imperfeição ou simplesmente por modismo, muitos adolescentes
estão usando cada vez mais os piencings. Os adolescentes cristãos não estão
isentos de tal influência. Muitos deles ao verem seus amigos usando piercings
sentem desejo também de usá-los. Os pais devem dar orientações claras aos
filhos, sobre todas as complicações que podem vir em curto e longo prazo. Mas,
afinal o que é piercing? Quais são os riscos do seu uso para a saúde? Pode um
cristão usar piercing? O que as Sagradas Escrituras dizem sobre os piercings?
Como cristãos precisamos
estar absolutamente certos, com base na Bíblia Sagrada, de que a perfuração e a
tatuagem do corpo são coisas lícitas, antes de nos engajarmos nestes
comportamentos. O presente artigo foi preparado para ajudar aqueles jovens cristãos
que têm alguma duvida se pode ou não colocar um pircing ou mesmo fazer uma
tatuagem.
O
que é piercing?
A expressão piercing
tem sido usada para designar um tipo de adorno metálico inserido por perfuração
em diversas partes do corpo, como no septo nasal, na boca e nos lábios, na
língua, no lóbulo das orelhas e umbigo. O uso do piercing é milenar e era
utilizada por vários povos por questões religiosas e culturais, como uma
distinção de realeza, e mais recentemente como moda. A história desta prática
teve sua origem com as primeiras comunidades e clãs das mais antigas raças
humanas. Ela estava presente nas tribos de todo o planeta, nas castas indianas,
entre os faraós egípcios e os soldados romanos. Nos séculos XVIII e XIX, este
hábito se disseminou pela classe média e aristocracia, porém foi abandonado na
Europa no século XX. A partir de 1970, porém, eclodiu mais uma vez através dos
ícones da moda londrina e dos criadores artísticos que frequentam o circuito
alternativo. Seu retorno atinge o ápice nos anos 1990, sendo praticado em todo
o mundo.
Princípios
Bíblicos Norteadores
A Bíblia Sagrada não
fala diretamente a respeito de piercing, mas estabelece princípios que servem
para nortear nossa decisão a respeito do assunto. Há pelo menos cinco
princípios que podemos aplicar, para determinar se a perfuração e a tatuagem
dos nossos corpos são ou não são lícitas.
a) Devemos glorificar a
Deus em nossos corpos (I Co 6:19, 20)
Fomos comprados e
redimidos a um elevado custo. Pertecemos a Deus e tudo que possuímos, inclusive
nossos corpos. Fomos colocados por Ele na posição de mordomos, ou seja, administradores das
possessões de Deus. Embora I Coríntios 6:19-20 não se aplica
diretamente a tatuagens ou piercings , ele nos dá um princípio : “Acaso
não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em
vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês
foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de
vocês” (Coríntios 6:19,20, NVI).
“O organismo vivo é
propriedade de Deus. A Ele pertence pela criação e pela redenção; e pelo mau
uso de qualquer de nossas faculdades roubamos a Deus da honra que Lhe é devida”
(Ellen G. White, Conselho Sobre Regime Alimentar, p. 16).
Esta grande verdade deve ter um impacto real sobre o que fazemos com o nosso
corpo. Se nossos corpos pertencem a Deus, devemos nos certificar de que temos
Sua clara “permissão” antes de “marcá-lo” ou “perfurá-lo”. Devemos levar sempre
em consideração o seguinte princípio bíblico: “Portanto, quer comais quer
bebais, ou façais outra coisa , fazei tudo para a glória de Deus” (I Coríntios
10:31).
Temos que exaltar
Cristo em nossos corpos. O apóstolo Paulo ainda afirma: “Aguardo ansiosamente e espero
que em nada serei envergonhado. Pelo contrário, com toda a determinação de
sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida quer
pela morte” (Filipenses 1:20, NVI). Se nós devemos glorificar a Deus em nossos
corpos, como é possível que as perfurações dos nossos corpos glorifiquem a
Cristo? Em 1Reis 18 encontramos a história de Elias contestando os profetas
maus de Baal (um deus falso daqueles dias, cujos seguidores praticavam
feitiçaria). Os profetas de Baal forçaram a si mesmos até se porem em um
frenesi que tentava conseguir com que o deus deles, Baal, mostrasse ser mais
poderoso do que o Deus verdadeiro e vivo. Ao contrário, o Deus de Elias provou
ser Ele o único Deus verdadeiro. Durante o frenesi dos adoradores de Baal eles
começaram a mutilar e desfigurar seus corpos conforme nós vemos a partir das
Escrituras em 1Reis 18:28.
b) O homem, a “imagem e
semelhança” de Deus não precisa de complemento (Gn 1:27)
Segundo o livro de
Gênesis, o homem, coroa da criação de Deus, foi feito “a sua imagem e
semelhança” (1:27). Desse modo, não precisa de complementos em seu corpo, pois
já foi feito semelhante ao Ser mais perfeito do universo.
Fazer algum tipo de
marca que mude esta imagem e que traga dor naquilo que é considerado o
“santuário do Espírito Santo” (ver I Coríntios 3:16-17, 6:19-20) é demonstrar
que não está contente com sua imagem (semelhante a de Deus) e desrespeitar a
Deus.
Ademais, a Biíblia nos
exorta: “Não façam cortes em seus corpos por causa dos mortos, nem tatuagem em
si mesmos. Eu sou o Senhor” (Lv 19:28, NVI).
Sobre este texto assim
se posiciona o Comentário Bíblico Adventista: “Pode se referir à tatuagem, um
costume não imoral em si mesmo, mas indigno do povo de Deus, pois tende a macular
a imagem do Criador” (vol. 1, p. 856 e 857).
Temos vistos os corpos
daqueles que não somente perfuraram e tatuaram seus corpos, mas foram um passo
além, realmente mutilando seus corpos. É repulsivo ver alguém deformar o corpo
que o Senhor fez em perfeição.
c) Fazer somente aquilo
que é respeitável (Fl 4:8)
As Sagradas Escrituras
nos orientam a pensar e fazer, consequentemente, somente as coisas que são
honoráveis e respeitáveis, e “fazer o que é correto aos olhos de todos”
(Rm 12:17).
“Finalmente, irmãos,
tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o
que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo
de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Filipenses 4:8, NVI).
d) Nossa aparência exterior
deve ser um público testemunho de piedade [dedicação a Deus] (2Cor 1:12; 1Tim
2:2,10; 4:7-8; 6:11; 2Tim 3:12; 2Pe 3:11).
O apóstolo Pedro nos
admoesta: “Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas é necessário
que vocês sejam? Vivam de maneira santa e piedosa” (2 Pedro 3:11, NVI). Indubitavelmente,
a aparência de muitos jovens tatuados e com piercings não revelam uma
pessoa dedicada a Deus, como orienta a Bíblia, ao contrário, as perfurações revelam
jovens com um estilo de vida licencioso, insubordinado, desordenado, depravado
e pervertido (2Cor 12:20-21), embora nem sempre todos os que fazem uso das
tatuagens e dos piercing são depravados e pervertidos. Mas, tais práticas estão
sempre associadas a esse estilo de vida questionável.
e) Se há dúvida se o
que fazemos agrada a Deus, é melhor não fazer (Rm 14:23)
Quando lidamos com uma
questão controversa que a Bíblia não aborda especificamente, e se há espaço
para a dúvida no tocante aquilo que fazemos (ou queremos fazer), então o bom
senso sugere que é melhor não se envolver nessa atividade, uma vez que Romanos
14:23 nos lembra que “tudo o que não provém da fé é pecado”. Vale ressaltar que uma
significativamente grande parcela da sociedade brasileira de hoje acredita que
as perfurações do corpo (à exceção das discretas perfurações de bom gosto das
orelhas femininas) refletem um estilo de vida licencioso, insubordinado,
desordenado, depravado e pervertido. Estas perfurações foram popularizadas na
segunda metade do século XX por pessoas dentre a cultura pop conhecidas por
seus pecaminosos, depravados, pervertidos estilos de vida. Por causa das
conotações pecaminosas associadas com estas perfurações, este comportamento é
questionável, na melhor das hipóteses. Consequentemente, os fiéis filhos de
Deus devem se abster destas perfurações, uma vez que elas contrariam aos
princípios bíblicos delineados aqui.
Os
riscos das tatuagem e dos piercings
Os jovens precisam
entender que as tatuagens e as perfurações no corpo, além de ser contrários aos
princípios bíblicos, elas estão relacionadas com diversas doenças infecciosas. Segundo
os profissionais da saúde, o principal risco é a transmissão da Hepatite B
(HBV), da Hepatite C (HCV) e do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).
Sífilis, tétano, tuberculose cutânea e lepra são outras infecções que podem
ocorrer.
Por exemplo, a piercing
no nariz pode causar infecção com progressão da infecção para dentro da face. A
infecção pode atingir o seio cavernoso - que é uma estrutura situada bem perto
do cérebro, podendo gerar complicações para o sistema nervoso central e até a
morte.
No uso oral pode levar à
obstrução das vias aéreas, fratura dos dentes, interferência na mastigação e
halitose e até a problemas de dicção quando o piercing é colocado na língua.
Outro risco é de sangramento e mesmo hemorragia, com necessidade de intervenção
cirúrgica.
Considerando que tais
práticas podem trazer sérios riscos a saúde dos jovens, essas atividades devem
ser evitadas pelos cristãos. Os cristãos devem praticar bons hábitos de saúde a
fim de proteger o comando central de
seus corpos, que como vimos são templos para morada interior do Espírito Santos
(I Co 6:19). A escritora cristã Ellen G. White afirmou: “Nosso primeiro dever para com
Deus e nossos semelhantes é o do desenvolvimento próprio. Cada faculdade com
que o Criador nos dotou deve ser cultivada ao máximo grau da perfeição, a fim
de podermos fazer a maior porção de bem de que formos capazes. Logo é
bem-empregado o tempo que se usa no estabelecer e preservar a saúde física e
mental. Não podemos permitir que definhe ou invalide qualquer função do corpo
ou da mente. É indubitável que ao fazermos isto sofreremos as consequências”
(Conselho Sobre o Regime Alimentar, p. 15).
Diante do exposto,
afirmamos que os jovens que querem ser fiéis a Deus não podem fazer tatuagens e
nem usar os piercings. À semelhança do apóstolo Paulo, as únicas marcas que
deveríamos trazer em nós deveriam ser aquelas em favor de Cristo: "Quanto
ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus."
Gálatas 6:17. Marcas do Senhor Jesus! É isso mesmo! Aceitar a Jesus
como nosso Senhor e Salvador, seguir Seus desígnios e Seus caminhos trazem
marcas. Depois de ser de Jesus você não é mais seu, você foi comprado (I Co
6:19 e 20) e leva as marcas de quem um dia lhe adquiriu com muito dar, com
morte até: São marcas do amor. O amor é a grande marca de Jesus, e deve ser a
maior marca de Seus discípulos (Jo 15:12, 13; 13:34 e 35). A marca da obediência.
Jesus foi obediente em tudo ao Pai (Fl 2:5-8). Ele foi completamente obediente
ao Pai até a morte na cruz para nos salvar. A obediência foi uma das marcas do
Senhor Jesus, do apóstolo Paulo e deve ser a nossa marca como Seus discípulos.
Referências:
Nisto Cremos: 27 Ensinos
Bíblicos dos Adventistas do Sétimo Dia. 4ª ed. CPB. Tatuí, São Paulo: 1997.
WHITE, Ellen G. Conselho
Sobre o Regime Alimentar. 12ª ed. Tatuí, São Paulo: 2010.
Comentário Bíblico
Adventista do Sétimo Dia, vol. 1.
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