COMO SE DISTINGUEM OS 144.000
Dr.
Gerardo F. Hasel
Quem são os 144.000 que
aparecem no Apocalipse? Esta pergunta tem despertado a curiosidade tanto de
leigos como de teólogos. João, o revelador, apresenta este grupo em Apoc. 7 e
14. No capítulo 7, ele vê os 144 mil quando são selados, e, no capítulo 14, vê-os
sobre o Monte de Sião. Como leais seguidores de Cristo, ostentam certas
características. Aparecem em contraste com os que têm o sinal da besta. (Apoc.
13:16 e 17).
Justo antes da
consumação de todas as coisas, os seres humanos estarão divididos em dois
grandes grupos. Cada um deles terá seu sinal identificador. O decidir a qual
destes grupos vamos pertencer, é um assunto de vida ou morte, que devemos
resolver aqui e agora. Deste modo, cada ser humano decidirá seu destino. A quem
vamos manifestar lealdade? Que nome vamos ter? Que sinal ou selo vamos possuir?
Que caminho vamos seguir?
Várias características
importantes identificam os 144 mil que aparecem em Apocalipse 7 e 14. Em
primeiro lugar, têm o nome do Cordeiro e o de Seu Pai escritos na fronte. (Apoc.
14:1). Em que se fundamenta a importância desse nome? De acordo com a Bíblia,
há íntima relação entre uma pessoa e seu nome. Antigamente o nome representava
a natureza e a personalidade de quem o possuía. Visto que os 144 mil levam o
nome do Cordeiro e o de Seu Pai, devem, sem dúvida, participar da natureza e
personalidade de ambos. São a imagem de Deus (Gên. 1:26 em diante) no mais
amplo sentido da palavra.
Ao se considerar um
novo nome, está implícito o fato de que quem o ostenta é propriedade de quem o
confere. Além disso, implica também a adoção na família de Deus. Toda a pessoa
que recebe esses nomes entra numa nova existência, experimenta, por assim
dizer, uma mudança de proprietário, e vive sob a autoridade e proteção do Pai
amante e de Seu Filho. (Deut. 28:10; Isa. 43:7; 63:19; 65:1; Dan. 9:18, 19).
Estas são as vantagens da adoção.
O nome novo é escrito
na “fronte” (Apoc. 14:1). Os neurologistas nos dizem que a parte anterior do
cérebro, que se acha mais próximo da testa, encerra os centros do pensamento
abstrato, da faculdade de raciocinar, da dedução e da lógica. Imagina-se que
essa passagem menciona a “testa” por que é a parte do organismo em que se
encontra o setor do cérebro onde ocorrem os processos chaves relativos ao
pensamento e à razão.
Se esta idéia for
correta, é razoável pensar que os que levam este nome têm a verdade tão
arraigada em seus pensamentos, como também a essência da natureza do Cordeiro e
de Seu Pai, que não há teoria ou suposição, dificuldade ou perseguição, nada
debaixo do céu que os pudesse apartar de sua fé e lealdade Àquele que os
resgatou com Seu próprio sangue. Permanecerão firmes durante a angústia de
Jacó. (Dan. 12:1-3). Sairão incólumes do grande dia da ira de Deus. (Apoc.
6:17). Estarão sob a proteção dAquele que é o Alfa e o ômega. (Apoc. 22:13).
Redimidos
Dentre os da Terra
Outra das
características dos 144 mil é o fato de que são “redimidos” (Apoc. 14:3). A
palavra traduzida “redimidos” em português, em grego é agorazo. Também poderia
ser traduzida por “resgatados” ou “adquiridos”. Estes vocábulos foram bem
escolhidos porque, em realidade, o Cordeiro pagou com Seu próprio sangue o
preço do resgate do pecado e escravidão.
Todavia, junto com a
idéia de aquisição surge também o pensamento de separação do mundo. Por um
lado, a aquisição dos redimidos é um ato de Deus, realizado por meio de Jesus
Cristo, no qual o homem não tem parte alguma, nem mérito a invocar; por outro
lado, é um ato de separação “dentre os da terra” (verso 3) e “dentre os homens”
(verso 4). (I Cor. 6:20; 7:23; II Ped. 2:1; Apoc. 5:9; 3:18; 13:17; 18:11).
Em contraste com a
multidão assinalada com o nome ou o número da besta (Apoc. 13:17), os 144 mil
recebem o selo de Deus na fronte. A pergunta que surge ao se chegar a este
ponto, é que se cada pessoa que se inteira destes assuntos pode afirmar que foi
adquirida por Deus mediante o sangue do Cordeiro. Cremos que o mero
conhecimento não basta. Somente os que cumprem as provisões de Deus, que
conduzem a salvação e Seu reino, isto é, o remanescente, poderão gozar a
salvação. Este remanescente participará da glória eterna por ocasião da
consumação de todas as coisas.
As enigmáticas palavras
que aparecem em Apocalipse 14:4, onde se diz que estes resgatados “não se
contaminaram com mulheres”, pois “são Virgens”, têm sido explicadas de
diferentes maneiras. Devido à natureza simbólica do Apocalipse, pareceria
prudente chegar à conclusão de que o fato de não se contaminarem com mulheres
se refere à decisão de não participarem de práticas idólatras, que em profecia
equivale a adultério e fornicação. (Apoc. 2:14, 15, 20-25; 17:1-7; Ezeq. 16:
1-58; 23:1-49). Os 144 mil não tiveram relações ilícitas com “a grande meretriz”
(Apoc. 17:1), “a grande Babilónia, a mãe das prostitutas” (verso 5), nem com
suas filhas, prostitutas também. Não há relação alguma entre o remanescente e
os crentes nas religiões falsas simbolizadas pela mãe e pelas filhas da
profecia.
Afirma-se que os 144
mil são “virgens”. A palavra grega da qual provém este termo não dá a idéia de
que se trata só de mulheres. O vocábulo pode aplicar-se a ambos os sexos em
grego, como também em português. São chamados “virgens” porque levam o sinal da
pureza.São castos e têm-se mantido permanentemente incontaminados. Conservam
uma fé pura. O fato de que não aceitaram nenhum tipo de relação ilícita com
outros organismos religiosos, é um sinal de que têm alcançado êxito em
manter-se fiéis em seu pacto com Deus. Só aceitam uma relação: a verdadeira
relação de amor e fé com o Pai e com o Cordeiro, que os resgataram da
escravidão do mundo e do pecado, adotando-os como filhos e filhas de Deus.
A observação de que “em
suas bocas não se achou engano” (Apoc. 14:5), sugere que seu carácter foi
examinado. O poder transformador do Cordeiro modificou profundamente estes
seres pecaminosos, desonestos e sujeitos ao erro, que não se acha neles atitude
enganosa, nem nada que tenha que ver com a desonestidade e a mentira.
Sem
Mancha Diante de Deus
A razão por que não se
encontra engano nesta última geração de fiéis, reside em seu caráter imaculado.
“São sem mácula” (Apoc. 14:5). A palavra grega da qual foi traduzido “sem
mancha” é ámomos. Também se pode traduzir por “sem falta”, “sem nódoa” e “sem
falha”. Dá a idéia de algo imaculado, tanto no sentido moral como no religioso.
Era propósito de Deus
que os membros da igreja cristã primitiva alcançassem esse nível. “Para que
fôssemos santos e sem mácula diante dele” (Efés. 1:4), disse Paulo aos efésios.
(Veja-se também Efés. 5:22). Os filipenses deveriam ser irrepreensíveis e
sinceros” (Fil. 2:15). Afirma-se que Cristo queria apresentar ante o Pai os
colossenses “santos e sem mácula e irrepreensíveis” (Col. 1: 22). Os que
esperam novos céus e nova terra deveriam ser sem mácula e irrepreensíveis” (II
Ped. 3:14). Noé, que viveu “conforme tudo o que Deus lhe ordenou,” (Gên. 6:22)
foi declarado irrepreensível e aparece junto com sua família fiel como os
únicos sobreviventes da destruição universal ocasionada pelo dilúvio. Noé e sua
família constituíam’ o remanescente que sobreviveu por ocasião da primeira
destruição do mundo, e por isso mesmo podem ser considerados como um símbolo do
remanescente, isto é, dos 144 mil que sobreviverão à segunda destruição do
mundo, que ocorrerá por ocasião da segunda vinda de Cristo.
Na nova Jerusalém
celestial, cantarão “um cântico novo diante do trono” (Apoc. 14:3). Este
cântico novo”, que só eles podem aprender, é o resultado do fato singular de
fazerem parte do último grupo de fiéis què passará pela terrível tribulação que
constituirá o tempo de angústia de Jacó, para ser testemunhas do regresso de
Seu amado e esperado Senhor.
Quem são os 144 mil a
que se refere o Apocalipse? A resposta a esta pergunta encontramos em Apoc. 7 e
14. Os 144 mil são seres humanos que constituem o último remanescente fiel. São
identificados: 1) por terem o nome do Cordeiro e de Seu Pai escrito na fronte
(Apoc. 14:1); 2) por terem sido resgatados dentre os da Terra (versos 3 e 4);
3) por se haverem mantido incontaminados de relações ilícitas com outras
organizações religiosas (verso 4); 4) porque possuem sinal de pureza (verso 4);
5) por levarem o sinal da veracidade (verso 5); 6) por levarem o sinal da
pureza tanto moral como religiosa (verso 5); e 7) por seguirem o Cordeiro por
onde quer que vá (verso 4).
A pergunta: “quem são?”
refere-se a nós. Não basta conhecer-mos os sinais de identificação. Muito mais
importante que isto é saber se ostentamos ou não esses sinais. Vivemos em íntima
comunhão com nosso Senhor, dia após dia, de tal sorte que nossa condição moral
e religiosa reflita o Deus Altíssimo? Se assim não for, a mensagem dos 144 mil
nos convida a obter essa consagração para que possamos experimentar então o
começo da vida eterna, de maneira que possamos passar da morte para a vida (I
João 3:14; .2 João 5:24; Efés. 2:1), e possamos contar-nos entre os 144 mil.
FONTE:
Revista Adventista de Janeiro de1977.
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