ASTROLOGIA -- SERÁ QUE OS ASTROS DIRIGEM NOSSA VIDA?
Prof.
Azenilto G. Brito
Um ex-assessor
presidencial norte-americano causou sensação há alguns anos, ao revelar
atitudes que a esposa de um ex-presidente ao qual servia tomava e com que
influenciava o marido: ela dependia das posições de astros e planetas no cosmos
para tomar decisões importantes, e queria que o marido lhe seguisse o exemplo
em seu trabalho como líder nacional. Segundo informou o ex-assessor
presidencial, a inspiradora da primeira-dama era uma conhecida astróloga cujas
previsões astrológicas ela seguia à risca e que lhe servia de conselheira,
orientando-a à luz do que indicavam os astros.
Nas penúltimas eleições
presidenciais brasileiras, uma famosa astróloga previu que certo candidato
seria vitorioso, e divulgou suas previsões com toda certeza. Embora as
pesquisas de opinião indicassem que o candidato tinha poucas possibilidades de
ser o preferido dos eleitores, ela insistia em que antes das eleições “um fato
novo” viria a se passar que o poria disparado à frente dos concorrentes. E
houve deveras um tal “fato novo”, o que deu a ela maior convicção de sua
previsão, baseada no mapa astrológico daquele candidato em comparação com os
dos demais. No entanto, embora os astros, na sua opinião, preferissem o tal
aspirante presidencial, o que pesou realmente foi o número de votos acumulados
por aquele que por fim se saiu vitorioso. E o “favorecido” pelos astros
terminou amargando um longínquo sexto lugar.
Tais episódios servem
para demonstrar o elevado status que a astrologia alcançou nestes últimos anos
e seu potencial de até mesmo influenciar os rumos de um governo, a partir de
quando passou a servir como diretriz para a vida de nobres babilônicos dois
milênios antes da Era Cristã.
Lembra um estudioso do
assunto que na Índia alguns governantes buscaram na astrologia diretrizes para
conduzir os negócios nacionais, e nem por isso a situação daquele país
revelou-se menos problemática. Com crises políticas sucessivas, disputas
étnicas e uma economia em bancarrota, o misticismo dos indianos, de onde
procedem muitas das ideias de modernos esotéricos, não parece contribuir para a
superação das dificuldades que a nação vem atravessando ao longo de sua
história. Tal realidade nos lembraria também o Haiti.
A
Popularização dos Horóscopos
Desde que começaram a
surgir nos jornais britânicos na década de 30, revistas e diários por todo o
mundo publicam colunas de horóscopos que atraem a atenção de muitas pessoas e
rendem um bom dinheiro para os que se beneficiam com essa difundida
credulidade. Não são poucos os que levam realmente a sério tais previsões, e
não tomam nenhuma decisão, no campo sentimental, comercial, profissional, sem
conferirem “o que dizem os astros” para aquele dia. Tais pessoas certamente não
se dão ao trabalho de examinar os diferentes horóscopos oferecidos por
publicações variadas, pois perceberiam muitas incoerências. Não é para menos—as
previsões dos astros “que não mentem” dependem do redator de cada horóscopo.
Enquanto fazia meu
curso de jornalismo, um colega contava que no jornal em que trabalhava havia um
colaborador regular de horóscopos que certo dia falhou em levar a sua matéria
antes do tempo de fechamento do periódico. Para não deixarem de atender ao
grande público que religiosamente consultaria o seu horóscopo na manhã
seguinte, ele tomou a iniciativa de criar o texto de previsões astrológicas
para substituir o do astrólogo regular. Assim, pediu aos colegas de redação
opiniões sobre o que poderia conter cada signo. Com as várias sugestões
coletadas—por exemplo, “coloque aí que o dia será favorável aos aquarianos para
fazer novas amizades, mas que devem cuidar com a saúde. . .”—pôde preencher o
espaço sem que os leitores percebessem o “amadorismo” dos que compuseram o seu
horóscopo. Aliás, uma das características dos horóscopos é a maneira genérica,
vaga e mesmo ambígua em que as previsões são emitidas.
Em vários lugares há
profissionais que se dedicam a preparar mapas astrológicos, até mesmo com o
auxílio de computadores, para, supostamente, orientar as pessoas “sobre os
melhores períodos, alertando-as para os piores. É como se fosse um mapa de
previsões e alertas para um ano”, explica Neide Sampaio, que mantém um
escritório de astrologia em Belo Horizonte.
Segundo a astrologia,
cada planeta representa uma força a influenciar os indivíduos de algum modo.
Nessa crença, os astrólogos indicam, por exemplo, datas apropriadas para a
abertura de lojas, como no caso das butiques quando, “é bom saber a posição de
Vênus, ligado à estética e à beleza”, segundo a alegação de um adepto da
consulta aos astros. Do mesmo modo, “se o seu negócio é comida, fique de olho
na Lua”. Supostamente, a posição tanto do planeta quanto do satélite no dia da
inauguração poderia levar o negócio da butique ou de uma lanchonete ao sucesso
ou ao fracasso.
Ciência
ou Mito?
Mas que evidência
científica existe para indicar que Vênus tem influência sobre questões de
estética e beleza? Seria tão somente a mitologia, e suas incríveis histórias
dos deuses do Olimpo, de tantas intrigas e fraquezas nada divinas?
O planeta Vênus tem tal
nome atribuído por astrônomos do passado em homenagem à deusa da beleza entre
os romanos, que se identificava com a Afrodite dos gregos. Casada com Vulcano,
Vênus teve “um caso” com Marte, o deus-guerreiro que inspirou o nome de outro
planeta de cor avermelhada (daí sugerindo guerra). Mas tudo isso, como o
próprio nome diz, não passa de MITOlogia.
Não seriam muitas das
concepções da moderna astrologia meros mitos? Aliás, o astrólogo Renato Quintino
chega a admitir isso candidamente ao explicar que “os planetas têm o mesmo nome
dos deuses gregos e não é por acaso. Portanto, é fundamental que o astrólogo
conheça a Mitologia. Só assim ele saberá, por exemplo, que Plutão, que é o deus
dos infernos, rege, na Astrologia, os infernos interiores dos homens” (“Tudo
[ou quase tudo] que você precisa saber sobre Astrologia”, O Estado de Minas,
25/8/91, p. 6).
Qualquer estudante do
nível elementar sabe que a Terra e os demais planetas giram em torno do Sol,
dentro da concepção heliocêntrica. Os astrólogos, porém, ainda vivem a cultura dos astrônomos de
milênios atrás, quando prevalecia o conceito geocêntrico—de que a Terra fica ao
centro, girando em torno dela o Sol, a Lua e as estrelas. Ademais, os cinco
planetas conhecidos pelos babilônios (Mercúrio, Marte, Vênus, Júpiter e
Saturno, com o Sol e a Lua acrescentados para formar o “mágico” número sete),
passaram a nove, incluída a própria Terra, pela descoberta posterior de Netuno
e Plutão.
Contradições
e Perigos
Sabe-se que os fatores
a influenciar o comportamento, ou mesmo o futuro de alguém, dependem de
aspectos de formação moral, educacional, e mesmo físicos. Como argumenta
Isaltino G. Coelho Filho, em artigo sobre o assunto, uma criança “filha de pais
pobres, sem alimentação adequada, com gestação tumultuada, nascida em um país
miserável e em guerra, terá o mesmo temperamento, o mesmo caráter e o mesmo
destino de uma criança filha de pais ricos, bem alimentada, que teve gestação
tranquila, nascida em uma mansão, só porque ambas nasceram em 10 de Fevereiro?”
(“Qual é o Seu Signo?” – Mulher Cristã Hoje, agosto de 1991, p. 9). O mesmo
autor lembra o caso dos gêmeos, nascidos no mesmo dia, sob o mesmo signo e
supostas influências planetárias, que revelam temperamentos diferentes. “Tendo
a mesma data e a mesma hora de nascimento, além dos mesmos antecedentes,
deveriam ter temperamentos e destinos idênticos. Mas isso não sucede”. (Ibid.)
E recorda o exemplo bíblico dos gêmeos Esaú e Jacó para confirmá-lo.
A Astronomia também indica que os céus não se
mantêm constantes desde o período em que os magos de Babilônia perscrutavam o
espaço sideral e especulavam quanto às “vibrações” que os diferentes astros
emitiam sobre a vida das pessoas. Assim, os seus mapas de astros e estrelas
hoje estão inteiramente desatualizados. Como explica o astrofísico Hubert
Reeves, “Tendo nascido em 13 de julho, os astrólogos me dizem que sou de
Câncer. O que deveria significar que o Sol, no meu nascimento, se encontrava na
constelação de Câncer. Isso era verdade há dois mil anos, mas no dia do meu
nascimento, o Sol estava em Gêmeos”. (O Estado de S. Paulo, 9/02/86, citado por
Isaltino G. Coelho Filho, Ibid). Portanto, alguém que fosse sagitariano ao
tempo dos sábios de Babilônia hoje seria capricorniano! Mas os astrólogos não
levam em conta essa “defasagem” cósmica ao emitirem suas previsões.
Um psicólogo avaliou da
seguinte maneira os perigos que a astrologia representa na formação de uma
pessoa: “Podemos ver o perigo pelo aspecto dos sérios distúrbios psicológicos;
o medo da vida, o desespero e o desequilíbrio mental são produzidos por ela em
pessoas sensíveis. A astrologia paralisa a iniciativa e a capacidade para
avaliar. Ela entorpece as faculdades mentais e encoraja a superficialidade”.
(Citado por Axel Hart em “O Golpe das Estrelas”, Decisão, janeiro de 1990, pp.
25 e 26).
Para o cristão, não é o
condicionamento cego da mecânica planetária que lhe determinará o rumo da
existência. Sabe que Deus o criou com o livre arbítrio para decidir seu próprio
destino e depositará confiança na Sua direção, seguindo a Sua palavra.
Parafraseando o
salmista, diríamos, “Uns confiam em horóscopos, outros em cartomantes, mas nós
faremos menção ao Senhor nosso Deus” (cf. Salmo 20:7).
NOTA:
Após a publicação deste artigo, uma cientista britânica trouxe ao conhecimento
da sociedade humana que os especuladores do Zodíaco teriam que fazer um ajuste
essencial nos seus horóscopos, se quiserem dar um mínimo de feição científica a
seus estudos, pois há um mais a ser acrescentado. Assim, em lugar de 12, seriam
13 signos. A reação da comunidade astrológica e seus adeptos foi típica dos
que, na intenção de guiar-se pelos astros, preferem “tapar o sol com a
peneira”: simplesmente disseram que não alterariam o que têm sido crido e ensinado por milhares de anos.
Alguém, entrevistado por uma jornalista da TV a respeito de ter de
possivelmente alterar o seu signo diante do novo fato, expressou-se mais ou
menos assim: “Pode até ser que realmente haja um signo a mais; contudo,
continuarei a crer como sempre cri, pois do contrário teria que alterar muito o
meu modo
de pensar. . .”
FONTE: Ministério Sola
Scriptura http://www.c-224.com/16ASTROLOG.html
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