SERÁ QUE DEUS DESTRÓI?
Por
William McCall
Foram os terremotos
recentes no Haiti e Chile juízos de Deus? E o tsunami no Oceano Índico em 2004?
E o furacão Katrina em 2005? Parece que toda vez que ocorre uma catástrofe de
grandes proporções, algum perito religioso dá a Deus o crédito da culpa.
Deus é rápido para
infligir desastres? Ele não se importa quando pessoas inocentes sofrem? Deus é
um terrorista que atinge tanto as pessoas boas quanto as pessoas más, sem
aviso?
Este tipo de opinar, depois
do fato, aparece como autojustificativa, e pinta Deus como um tirano. Isso leva
muitas pessoas a rejeitarem o Deus da Bíblia, tendo-o como injusto, vingativo,
e pronto para destruir a vida humana em qualquer momento. É fácil, basta ler a
Bíblia, para ficar com a ideia de que Deus está constantemente infligindo
desastre sobre os seres humanos. Mas é importante ter em mente que o Antigo
Testamento abrange milhares de anos, assim os juízos sobre os ímpios são raros.
No entanto, existem histórias na Bíblia sobre Deus infligindo desastres naturais
na Terra, por isso é importante que nós examinemos algumas dessas lições para
ver o que elas podem nos ensinar, enquanto contemplamos as catástrofes que
atingem o nosso planeta hoje.
O
Dilúvio de Noé
O primeiro registro
bíblico de um julgamento de Deus é a história do Dilúvio. E a primeira pergunta
que surge em nossa mente é: Por que um Deus amoroso destruiu toda uma população
global de seres humanos a quem ele mesmo havia criado? A Bíblia dá a resposta.
Descrevendo o mundo antes do dilúvio, ele diz: “A terra estava corrompida à
vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava
corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra.
Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia
da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra”
(Gênesis 6:11-13). Em nosso mundo moderno, nós encarceramos as pessoas
violentas como uma proteção para a sociedade. Mas o que acontece quando toda a
ordem social torna-se violenta? Esse aparentemente foi o caso antes do Dilúvio.
Quando Deus olhou para baixo na terra, Ele viu que os seres humanos tornaram-se
tão perversos que Ele se arrependeu mesmo de tê-los criado! E a solução era
destruir o mundo.
Mas primeiro ele mandou
o seu servo Noé construir um grande barco, chamado de “arca”, em que qualquer
pessoa que desejasse poderia ser salva. Então, Ele deu a Noé 120 anos para
dizer ao povo o que estava por vir. Infelizmente, no final, apenas Noé e sua
família escolheram entrar na arca.
Desta história podemos
aprender duas lições importantes sobre as catástrofes naturais que Deus
provoca. Primeiro, ele adverte as pessoas sobre o desastre à frente do tempo,
com antecedência e, segundo, ele fornece uma maneira de escapar.
Sodoma
e Gomorra
Nós vemos estas mesmas
lições da história em Sodoma e Gomorra, duas cidades muito ímpias no tempo de
Abraão. De acordo com a história da Bíblia, Deus enviou dois anjos a Sodoma
para avisar as pessoas do seu plano de destruir a cidade, mas em vez de aceitarem
o aviso, os cidadãos tentaram atacar os anjos. Ló os protegeu, e eles passaram
a noite com ele e sua família. Na manhã seguinte, eles apressaram Ló e sua
família para fora da cidade antes que ela fosse destruída. Novamente, vemos que
Deus deu um aviso e forneceu uma maneira de escapar, mas as pessoas se
recusaram a aceitá-la. Devido à relação de Ló e Abraão, os anjos levarem ele e
sua família para fora da cidade, quase contra a vontade deles.
Há uma outra lição da
história de Sodoma e Gomorra. Vou começar por dar-lhe um teste simples de seu
conhecimento da Bíblia. Verdadeiro ou falso: Abraão orou para a destruição de
Sodoma. A resposta, evidentemente, é falso. Abraão orou para que Deus poupasse
Sodoma. A Bíblia diz que Abraão, se aproximou de Deus e disse: “Destruirás o
justo com o ímpio? Se houver, porventura, cinquenta justos na cidade,
destruirás ainda assim e não pouparás o lugar por amor dos cinquenta justos que
nela se encontram? Longe de ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o
ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o
Juiz de toda a terra? Então, disse o SENHOR: Se eu achar em Sodoma cinquenta
justos dentro da cidade, pouparei a cidade toda por amor deles” (Gênesis
18:23-26).
A partir disso
aprendemos que havendo algumas pessoas
boas em uma população, uma população inteira pode ser poupada da destruição.
A
história de Jó
Os dois primeiros
capítulos na história bíblica de Jó nos ajuda a compreender algo mais sobre a
relação de Deus para com o desastre, embora neste caso o desastre foi a um
único indivíduo e sua família. A história começa com uma conversa entre Deus e
Satanás. Deus considera Jó como um dos seus servos mais fiéis, mas Satanás
desafia-o sobre isso. Claro, Jó lhe serve! Satanás diz com vigor. Veja como
Você o abençoou! Ele tem 7.000 ovelhas, 3.000 camelos, 1.000 bois e 500
jumentos! Jó é um homem rico! Em seguida, vem o desafio de Satanás, Tire tudo o
que possui, e Jó vai te amaldiçoar na tua face.
Então, Deus diz a
Satanás, Vá em frente. Leve tudo para longe dele. Só não toque o seu corpo.
Em 24 horas, a riqueza
de Jó foi exterminada. Porém, através de toda esta perda da riqueza, Jó manteve
sua fidelidade a Deus.
Então, Satanás volta
para Deus e diz: OK, Jó foi fiel a você mesmo perdendo toda a sua riqueza, mas
deixe-me tocar em seu corpo, e ele te amaldiçoará na tua face!
Então, Deus disse: Vá
em frente. Prejudique-o fisicamente. Apenas poupe sua vida.
Logo Jó irrompe com
furúnculos por todo o corpo. A dor é tão insuportável que a esposa diz: “Por
que você não amaldiçoa a Deus e morre?” Durante a maior parte do resto do
livro, quatro amigos de Jó (se é que podemos chamá-los assim) continuam
insistindo que o seu sofrimento é uma punição de Deus por seus pecados. Mas Jó
mantém a sua fidelidade a Deus.
Para o nosso propósito
neste artigo, o ponto da história é que o sofrimento de Jó foi causado por
Satanás, e não por Deus. Este é um ponto extremamente importante para
observarmos como nós consideramos as causas das catástrofes naturais que
atingem o nosso planeta.
A
História de Jonas
Jonas dá-nos a história
de um julgamento de Deus que não aconteceu. Esta história revela mais sobre o
coração de Deus do que todas as outras histórias sobre os seus juízos, na
Bíblia. Jonas é um profeta israelita, e Deus lhe diz para ir a Nínive e avisar
os seus habitantes que a cidade seria destruída em 40 dias. Nínive era a
capital da antiga nação assíria e uma cidade muito ímpia. Os assírios eram um
povo cruel, que foram responsáveis pela captura, deportação e escravização das
tribos do norte de Israel.
Jonas teve medo de ir a
Nínive e realmente tomou um barco no Mediterrâneo na direção oposta! Você sem
dúvida sabe o resto da história: Deus faz com que uma grande tempestade
apareça, os marinheiros jogam Jonas no mar, ele é engolido por um peixe grande
(a Bíblia não o chama de baleia), e o peixe o cospe para fora em terra seca.
Novamente, Deus manda Jonas para advertir o povo de Nínive que sua cidade
estava prestes a ser destruída, e desta vez Jonas coopera. E o povo responde.
Eles se arrependem, e a cidade é poupada.
Jonas ficou zangado com
Deus quando a cidade não foi destruída, mas Deus disse, “Nínive tem mais de
cento e vinte mil pessoas que não sabem nem distinguir a mão direita da
esquerda, além de muitos rebanhos. Não deveria eu ter pena dessa grande
cidade?” (Jonas 4:11). Aparentemente, Deus não somente teve compaixão do povo,
mas do seu gado também!
Contrariamente à
percepção de algumas pessoas do Deus do Antigo Testamento, Ezequiel cita Deus
dizendo: “Tão certo como eu vivo. . . Não tenho prazer na morte do ímpio, mas
sim que se converta dos seus caminhos, e viva'” (Ezequiel 33:11).
O
que nós aprendemos
Aprendemos várias lições
dessas histórias bíblicas sobre catástrofes naturais. Em primeiro lugar, a
partir da história de Jó, nós aprendemos que Satanás e não Deus é muitas vezes
a causa das catástrofes. No entanto, quando os seres humanos chegam a um certo
ponto em seus maus caminhos, Deus pode resolver o problema, provocando um
desastre natural que destrói. Mas, se o desastre é verdadeiramente de Deus, Ele
vai avisar o povo antes do tempo. Se se arrependerem e mudarem seus maus
caminhos, Ele pode mudar seu propósito e se recusar a trazer o desastre. Se o
povo como um todo não se arrepender, ele irá fornecer uma maneira para que
aqueles que são leais a ele escapem.
Mas talvez a lição mais
importante que podemos aprender com essas histórias da Bíblia é que não é de
nossa alçada fazer juízos de valor sobre as vítimas de um desastre. Eles têm
bastante sofrimento para lidar logo em seguida. Eles não precisam de nós
culpando-os pelo desastre. Como cristãos, ao invés de condená-los, devemos
fazer tudo que pudermos para ajudá-los.
A Bíblia adverte que
nos últimos dias, o mal na história da Terra vai se tornar novamente
desenfreado. O pior terremoto de todos os tempos – um terremoto que irá abalar
todo o planeta – situa-se bem diante de nós. Este terremoto será tão terrível
que as montanhas do mundo irão achatar-se e as ilhas do mar irão desaparecer
(Apocalipse 6:14; 16:18-20). No entanto, Deus já está alertando o mundo desta
terrível calamidade que se aproxima. Ele está chamando as pessoas em toda parte
para “adorar aquele que fez os céus e a
terra, o mar e as fontes das águas” (Apocalipse 14:7).
A questão-chave, como
com todos os desastres que Deus faz é como vamos reagir. Seu convite continua
de pé. Qual é a sua resposta?
Artigo escrito por
William McCall, para a edição de Maio/2010 da Revista Signs of The Times.
Traduzido pelo Blog http://www.setimodia.wordpress.com
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