A MÚSICA ROCK CRISTÃ NA IGREJA ADVENTISTA
Lloyd
Grolimund
Diretor de Jovens da
Conferencia Norte da Nova Zelândia
(com alterações
editoriais por Samuele Bacchiocchi)
Provavelmente não
exista assunto mais fortemente emocional na Igreja Adventista hoje do que a
música. A capacidade que ela tem de acirrar os ânimos e elevar a pressão
sanguínea é inquestionável, e estas tensões não estão necessariamente divididas
ao longo das linhas de idade, gênero ou raça. O assunto é tão profundo que
algumas igrejas têm se divido sobre este assunto e deixado de adorar em
comunhão. Embora os protagonistas neste argumento afirmem que suas diferenças
sejam sobre a expectativa de adoração, quando a cortina é descerrada,
invariavelmente ela é sobre a música. Especificamente, a questão é: usar ou não
usar a música rock!
Na última década e meia
uma nova onda de música, conhecida de forma genérica como “rock cristão”,
chegou à porta de entrada da Igreja Adventista. Esta música tem uma batida
insolente, alta e arrojada, e não hesita em anunciar sua presença à igreja. O
impacto desta música tem sido profundo e, talvez, duradouro. Enquanto alguns
consideram que o rock cristão seja um flagelo para a igreja e mesmo mais um
sinal do fim dos tempos, outros louvam a Deus porque pelo menos foi encontrado
um recurso para comunicar a mensagem de Jesus a uma geração moderna.
Uma
Definição de Música Rock
Talvez o problema
comece quando tentamos definir o que é “rock cristão”. Isto é, provavelmente,
tão difícil quanto tentarmos encontrar uma definição adequada para a própria
música rock. “Ninguém tem uma definição satisfatória para a música rock”.1 A
música rock é um termo genérico, que abrange uma gama diferente de estilos
musicais. Isto inclui heavy metal, acid, techno, reggae, punk, rap, jungle,
soft rock e hard rock, só para mencionar uns poucos exemplos daquilo que a
sociedade considera como música rock.
No entanto, devemos
tentar encontrar uma definição, a fim de dar ao leitor alguma indicação da
música que está sendo discutida. Neste artigo, o que é chamado de música “Rock
Cristã” terá algumas e normalmente todas das seguintes características:
1. Repetição – Música
que se caracteriza pela repetição de acordes padronizados, palavras, batida,
ritmo e é escrita usando uma quantidade restrita de notas.
2. Batida Condutora – A
música é conduzida por uma batida pesada e repetitiva.
3. Decibéis – Uma
música que é dominada pelo elemento de volume.
4. Impacto – O impacto
desta música é principalmente seu som e ritmo, e não suas palavras.2
Cada uma dessas
características está presente na maioria da música rock secular.
O que distingue o “rock
cristão” do rock secular não é a música, mas sim as palavras. Os outros elementos
devem estar presentes ou a música de ambos os gêneros simplesmente não poderia
ser música rock.
Os defensores do “rock
cristão” citam seu uso frequente e aceitação pela igreja como evidência de sua
qualidade. Porém, a música rock “não é boa porque está sendo apresentada num
contexto ‘religioso’, da mesma forma que a música rock não é ruim porque está
sendo executada dentro de um contexto ‘secular’. A música rock deve ser julgada
não pelo seu contexto, mas sim pelo seu conteúdo. Lindas flores podem ser
encontradas num deserto poeirento e plantas venenosas num adorável jardim”.3
Portanto, para solucionarmos corretamente a questão do “rock cristão” na Igreja
Adventista, devemos que julgá-lo pelo que ele é, ao invés de onde ele está
sendo tocado, ou seja, numa igreja ou numa boate.
Observando
o Rock Secular
As
Raízes do Rock Secular
Para chegarmos a uma
conclusão equilibrada sobre este assunto é necessário entendermos as raízes do
“rock cristão”. Geralmente se reconhece que a música rock traça o início de seu
desenvolvimento até a cultura dos escravos da África Ocidental do século XV. Da
África, ela foi transportada às Índias Ocidentais em navios negreiros. Os
instrumentos primitivos dos escravos foram substituídos por trompetes, pianos e
baterias. Juntos com a influência ocidental das baladas, quadrilhas, danças
espanholas e música country, o rock desenvolveu-se como uma nova forma própria
de música. Depois da Segunda Guerra Mundial, veio Bill Haley com “Rock Around
the Clock” seguido por Elvis Presley com “Love Me Tender”.4 O rock saltou sobre
o Atlântico e voltou à América na forma dos Beatles. A revolução começou.
Hoje a música rock está
em todo lugar. Seu som pode ser ouvido nas rádios, televisão, em shopping
centers e bares, nas partidas de futebol, cinemas, clubes e, claro, na igreja.
Nenhum deles torna a música rock boa ou má. Lembrem-se, devemos julgar a música
rock pelo seu impacto sobre a vida de seus compositores, intérpretes e
ouvintes.
O
Impacto da Música Rock
“Não pode haver nenhuma
dúvida de que desde o megastar Jimi Hendrix (que proclamava ter dormido com
umas 1000 mulheres) em diante, muitos de seus principais artistas cometeram
adultério, fornicação, lesbianismo, homossexualismo ou alguma outra forma de
perversão sexual em seu modo de vida.” 5 Elton John, que cantou no funeral da
princesa Diana, disse uma vez: “Não há nada de errado em ir para cama com
alguém de seu próprio sexo. Eu acho que as pessoas deveriam ser muito livres
com relação ao sexo”. 6
Os artistas de rock não
são os únicos músicos conhecidos por seu comportamento questionável.
“Tchaikovsky não era nenhum modelo de virtuosa perfeição, Chopin tinha a
reputação de mulherengo, Mahler dificilmente seria irrepreensível e Mozart não
era exatamente um porto de santidade. Quanto a Wagner, é descrito como
grosseiramente imoral, egoísta, adúltero, arrogante, freneticamente hedonista,
violentamente racista e ... um ladrão!” 7 Estes exemplos ilustram como
necessitamos ser cuidadosos em condenar a música somente por causa do estilo de
vida e comportamento de seus criadores e artistas.
As influências
satânicas do ocultismo certamente estão presentes na música rock a partir do
início de seu desenvolvimento. Do AC/DC a Michael Jackson e em bandas como
Rolling Stones, Oasis, Prodigy, Nirvana, e Marilyn Manson, a tônica do
ocultismo está evidente para quem quiser ver. Capas de álbuns, letras e música
declaram, de forma ousada, a associação de muitos músicos de rock com as trevas
do submundo.
Juntamente com o
ocultismo, as drogas têm assumido um papel importante nas vidas dos músicos de
rock e no desenvolvimento de sua música. Um empresário de um dos principais
grupos de rock declara: “Não importa o que lhe digam, as drogas sempre serão
uma parte do cenário do rock.”.8 A trágica lista daqueles que morreram como
resultado ao uso de drogas na indústria do rock é impressionante – Jimi
Hendrix, Jim Morrison, Keith Moon e Sid Viscous, Kurt Cobain do Nirvana, para
citar apenas alguns. Isto é mais do que suficiente para correlacionar o enorme
crescimento no uso de drogas por jovens com a emergência da música rock como
fenômeno cultural.
A violência também é
proeminente nas vidas e na música de muitos roqueiros. Os gangsta rappers, que
vieram das ruas de algumas grandes cidades americanas, estão se tornando cada
vez mais populares. Suas canções defendem a morte, o estupro e a violência. A
pessoa só tem que pegar um álbum do cantor de rap Snoop Dog para ver que o que
estes músicos proclamam é violência chocante de uma natureza gráfica que quase
não se ouvia falar até o advento de sua forma de música. Coolio, Tupac e Will
Smith são poucos exemplos da crescente emergência desta forma de música
violenta.
Allan Lanier admite que
a música rock carrega emoções violentas. “Existe uma porção de violência, uma
porção de agressividade na música.” 9 Talvez este fator tenha algo a ver com um
número extremamente elevado de roqueiros que foram recentemente assassinados de
forma brutal – por tiros. Tupac, um cantor de rap, foi morto a tiros, em 1996,
quando dirigia pelo subúrbio de sua residência. Ele morreu cravejado de balas –
um cenário sobre o qual ele próprio havia cantado muitas vezes.
A violência frequentemente
acompanha os concertos de rock. Os comportamentos violentos inspirados pelos
concertos de rock normalmente tornam seus participantes em máquinas, capazes de
destruir milhões de dólares de recursos em poucos momentos, como se fossem
tornados. Estes eventos destrutivos recebem ampla cobertura nacional na mídia.
Se pelos seus frutos os conhecereis, então a destruição e desolação causada por
muitos concertos de rock falam por si.
Há
Lugar para o “Rock Cristão” na Igreja Adventista?
O assunto que estamos
enfocando não são as personalidades do mundo do rock, mas sim se o tão chamado
“rock cristão” tem ou não lugar na adoração adventista. A razão para colocarmos
a expressão “rock cristão” entre aspas é a convicção de que o termo “cristão”
não deveria ser usado em conjunção com algo acerca do qual existem provas
científicas indicando que causa desordens mentais, físicas e morais.
Vivemos realmente nos
últimos dias da história da terra, quando a pressão da conformidade cultural
está se intensificando. O assunto que estamos enfocando tem consequências
eternas para nossos jovens e para nós como líderes. O Departamento de Jovens de
nossa igreja quer garantir que tudo, inclusive nossa música, glorifique a
Cristo e atraia os jovens para a beleza e maravilha de servir a Jesus.
O que você está para
ler reflete o compromisso que o nosso Departamento de Jovens assumiu em apoiar
o padrão da música cristã. Não tentaremos impor nosso padrão a você, como se
fôssemos o líder de jovens responsável pela igreja local. No final apenas você
e os jovens da tua igreja local poderão decidir o que acontecerá nos programas
de jovens da tua igreja. Porém, vamos nos esforçar para manter este padrão em
todos os programas de jovens das igrejas da Conferencia Norte da Nova Zelândia.
“Conta-se a história de
um homem que, durante uma campanha eleitoral, leu em um adesivo de para choque
o seguinte: ‘Já tomei minha decisão. Por favor, não me confundam com os
fatos’”.10 O assunto do rock cristão é extensamente amplo e complicado, contudo
muitos não hesitam em dar sua opinião, baseando-se em como se sentem e pensam,
em vez de olhar aberta, séria e honestamente os fatos, a fim de considerarem o
assunto.
Antes que alguém possa
ponderar sobre as vantagens ou desvantagens do assim chamado “rock cristão” na
igreja adventista, é necessário ter uma vibrante comunhão diária pessoal com
Jesus Cristo, (estudo bíblico diário e oração). É somente dentro do contexto de
uma experiência cristã saudável que um juízo maduro pode ser expresso sobre o
rock cristão na igreja.
Revisemos os fatos
básicos sobre a Música Rock:
1. O rock cristão tem
suas raízes no rock secular.
2. O rock secular tem
as seguintes qualidades:
·
Arraigado na cultura de escravos da
África Ocidental.
·
Influenciado e modernizado por vários
fatores ocidentais.
·
Muitos de seus artistas e compositores
vivem um estilo de vida pervertido que é evidenciado em muitas de suas músicas.
·
Está profundamente imerso no ocultismo.
·
Está arraigado nas drogas e estimula seu
uso.
·
Promove e encoraja a violência.
É difícil para o “rock
cristão” se separar de suas raízes. Você não pode simplesmente batizar a música
rock e torná-la cristã. A diferença predominante entre música rock cristã e
música rock secular são as letras. O uso de letras diferentes dificilmente dá
ao “rock cristão” o direito de reivindicar validade na igreja de Deus.
Vamos observar mais de
perto algumas das características da música conhecida como “rock cristão”.
1.
O “Rock Cristão” Imita o Rock Secular:
As Escrituras nos
ordenam a não “amarmos o mundo e as coisas que há no mundo”. (I João 2:15), mas
o “rock cristão” imita sua contraparte secular. “Os artistas de rock cristão
imitam as roupas, gestos, movimentos e vozes dos artistas de rock secular; todo
seu estilo é determinado pelo mundo.” 11
Petra, um dos pioneiros
no cenário do “rock cristão”, é um bom exemplo deste ponto. Exceto pelas letras
de suas canções, o estilo de vida e aparência do Petra é o mesmo de qualquer
banda de rock. As mesmas roupas. O mesmo cabelo. Os mesmos olhos selvagens. A
mesma batida impulsionadora e pesada. A mesma síncope. O mesmo ritmo. Os mesmos
níveis excessivos de ruído. As mesmas vozes irritantes. Os mesmos giros,
requebros de quadris, as mesmas atitudes iradas no palco. Os mesmos fãs, dançando
enlouquecidos. É tudo igual. A mesma música, da mesma fonte.
Em seu artigo “Where
the Lyrics Fall Short”, Lee Roy Homes, bem conhecido pastor e evangelista,
declara explicitamente: “A indústria de música popular religiosa compara-se em
todos os aspectos mais importantes à da música pop secular, tendo, assim, seu
próprio culto de personalidade, sua lista das 10 mais, e sua comercialização
para as massas”. 12
Imitando tão de perto o
rock secular, o “rock cristão” estimula os jovens a aceitarem a visão mundial
do rock secular, com sua violência e perversão sexual. No final das contas,
isto leva nossos jovens a perder seu senso cristão de identidade.
2.
O Rock Cristão Distorce e Macula a Mensagem do Evangelho
“Deus nos deu o
evangelho em palavras, e nada deveria distorcer, macular ou repelir a palavra
clara que Deus está se empenhando em compartilhar conosco”. 13 “Logo, a fé é
pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo.” (Romanos 10:17). Muitas músicas
“rock cristãs”, contudo, abafam as palavras, de forma que a mensagem se torna
incompreensível.
Em um artigo sobre a
cantora de rock cristão Sheila Walshe, David Hotton escreve: “Sheila
relaciona-se facilmente com a platéia, fala de forma prestimosa sobre sua fé...
Porém, a comunicação terminou quando ela começou a cantar... a banda era alta
demais para que pudéssemos entender as palavras”. 14 Um outro escritor cristão
coloca desta forma, “Se o volume ou dissonância da música é tal que as palavras
não possam ser ouvidas claramente, então a performance completa é um exercício
do absurdo”. 15
3.
O “Rock Cristão” não é Neutro, Porque Pode Controlar a Mente
Defensores do rock
cristão argumentam que a “música é essencialmente neutra e é colorida apenas
pelas palavras.” 16 Porém, este argumento tem muitas falhas. Em seu livro “A
Psicologia da Música”, o Dr. Max Schoen nota que, a “música é o mais poderoso
estímulo conhecido entre os sensos perceptivos. As evidências médicas,
psiquiátricas e outras para a não neutralidade da música é tão decisiva que
francamente me espanta que alguém diga o contrário”. 17 A música em shopping
centers, aeroportos, em concertos, e na igreja é escolhida para fazer alguma
coisa. O fato de que ela faz alguma coisa é a prova de que a música não é
neutra.
Jimi Hendrix, um dos
grandes ícones do rock, reconhece o poder e não neutralidade da música rock.
Ele declara que a “atmosfera vem através da música rock, porque a música é uma
coisa espiritual em si mesma”. 18 Ele vai além, dizendo, “Você pode hipnotizar
as pessoas com a música e quando elas chegarem ao seu ponto mais fraco você
pode pregar para o seu subconsciente o que você quiser dizer”. 19
Jimi Hendrix não vê a
música rock como sendo neutra. De fato, ele acreditava exatamente no oposto. A
música é tão carregada de significados que ela lhe permite que ele pregue sua
mensagem no subconsciente de seus ouvintes. É a música rock – não as palavras,
que leva os ouvintes de Jimi Hendrix a tal estado no qual fariam qualquer coisa
para o seu messias tocador de guitarra e cantor de rock. (De acordo com o
próprio Jimi Hendrix, mais de 1000 mulheres [que dormiram com ele,] podem
testificar a verdade do que ele afirma). Se a música rock de qualquer tipo
fosse neutra, seria impossível para Hendrix fazer o que ele fez.
O rock cristão, tal
como seu primo secular, não é neutro. Ele tem uma enorme capacidade de
controlar a mente das pessoas. Alguns pregadores pentecostais estão bem cientes
disso e fazem uso da música rock para manipular ao máximo a mente e a emoção de
suas congregações.
4.
A Diferença Entre o Rock Secular e “Cristão” é Nominal
Os que apóiam o rock
cristão freqüentemente afirmam que as diferenças entre o rock secular e cristão
são amplas e reconhecíveis. A verdade é que a diferença entre os dois tipos de
música é quase indistinguível. As duas formas de música usam o mesmo ritmo,
batida e síncope. Chuck Girard, um músico de rock cristão, reconhece que “se
você toma as letras e as muda para uma mensagem secular, pode ser difícil de
distinguir uma música da outra”. 20
Steve Turner relatou,
na revista de música BUZZ, que “a diferença entre um concerto de rock e muitas
reuniões com Jesus (reuniões de jovens) são desprezíveis”. 21 O professor Verna
Wright afirma que, quando o rock cristão e o rock secular eram tocados num
clube na Bélgica, os ouvintes não conseguiam distinguir a diferença. 22
As palavras de Richard
Taylor resumem a imperfeição fatal no argumento de que o rock religioso é, de
alguma maneira, diferente. “Não podemos mudar o efeito básico de certos tipos
de ritmos e batidas, simplesmente anexando a eles umas poucas palavras
religiosas ou semi-religiosas. A batida entra no sangue de seus ouvintes. As
palavras são coisas tímidas. Os decibéis e as batidas são coisas ousadas, que
podem facilmente enterrar as palavras sob uma avalanche de som.” 23
Isto confirma a
conclusão do Dr. William Shafer que diz, “rock é comunicação sem palavras, sem
levar em consideração qual ideologia está inserida nas palavras.” 24 O
professor Frank Garlock concorda com estas descobertas; “As palavras só deixam
você saber o que a música já diz...A música é sua própria mensagem e pode mudar
completamente a mensagem das palavras.” 25 “O rock cristão”, tal como sua
contraparte secular, influencia os ouvintes mais através de sua “música” do que
através de suas “palavras”.
Estes fatos
convincentes deveriam levar os líderes de jovens adventistas a se preocupar
acerca do uso do “rock cristão” na igreja. Embora seja verdade que muitas das
palavras desta música são de alguma maneira centradas em Deus, permanece o fato
de que a música, que claramente tem o maior impacto sobre seus ouvintes, é e
continua sendo música rock. É a mesma “música” que Marilyn Manson, Tupac e
Snoop Dog usam. É a mesma música que Elton John, Coolio, e o Nirvana tocam e
cantam. É a mesma música que causa violência. É a mesma música que tem suas
raízes no ocultismo. É a mesma música que gera rebelião. O assim chamado “rock
cristão”, como seu primo secular é, duro, frio, grosseiro, alto, e
anti-cristão. Jesus é manso suave, falando a nós em tons bondosamente suaves. A
maneira gentil de Jesus está muito distante do caminho para onde somos levados
em muitas das músicas de nosso assim chamado “rock cristão” de hoje.
Pierre e Gisela
Winandy, respectivamente professores de teologia e de música, que trabalharam
em sete Colégios da IASD nos quatro continentes, declaram: “Notamos na África
que os conversos do paganismo ficavam realmente apavorados pelo rock
evangélico. Ele os fazia lembrar da música demoníaca que estavam acostumados
anteriormente. Com profunda preocupação, eles descreviam como ingênuo o uso de
tal música em congregações cristãs. O uso de tal música para apoiar o nome de
Jesus, eles consideravam blasfemo.” 26
Tribos africanas
tementes a Deus, estão chamando os cristãos ocidentais do século 21,
bem-educados e tecnologicamente avançados, de ingênuos. E eles estão certos,
porque entendem a fonte demoníaca e a raiz da música que frequentemente usamos
em nossa adoração. O assim chamado “rock cristão” é um híbrido de uma coisa
real – o rock secular. É apenas outra ferramenta usada por Satanás para entrar
na igreja e enfraquecer, e em muitos casos, destruir os jovens. É o momento
para que nós, como líderes de jovens e como igreja, acordemos deste engano.
Nunca devemos nos esquecer que as três mensagens angélicas de Apocalipse 14 nos
chamam para a verdadeira adoração a Deus e nos advertem contra o engano da
falsa adoração. Poderia ser que Satanás está tendo sucesso hoje ao promover a
falsa adoração, não apenas através do dia errado de adoração, mas através da
música errada na adoração?
Nossa crença na certeza
e iminência volta de Cristo e nosso compromisso em preparar nossos jovens para
o breve retorno do Salvador, deveriam nos levar a questionar o uso do tão
chamado “rock cristão” em nossa adoração. É nossa a enorme e séria
responsabilidade de cuidar e guiar os jovens aos pés de Jesus. Não podemos
eficazmente cumprir esta responsabilidade enquanto usarmos as ferramentas
maléficas de Satanás.
Os
Frutos da Música “Rock Cristã”
Talvez a melhor maneira
de avaliar o assim chamado “rock cristão” é através de seus frutos (Mateus
7:16-20). Quais são os frutos do rock cristão?
1.
O “Rock Cristão” Obscurece a Distinção entre Valores Cristãos e Mundanos
Quando usamos a música
rock em programas de nossa igreja estamos oferecendo aos jovens a mesma música
que eles encontram no mundo. É quase impossível para eles distinguir entre a
música do mundo e a música da igreja, quando a única diferença são as palavras
– palavras que, em muitos casos, não podem ser ouvidas. Isto pode explicar
porque depois de frequentar uma série de encontros em 1998, uma jovem me disse
de forma emocionada: “Vocês me dizem para não ir a clubes e além disso eu não
bebo, não fumo, não uso drogas. Vocês estão sempre dizendo que eu não deveria
sair para dançar e, contudo, tocaram no programa desta noite a mesma música que
eu escutei outro sábado à noite em um clube”! Deixe-me garantir a você que a
música que ela tinha escutado na danceteria no centro da cidade, com certeza,
não era a mesma e, mesmo assim, permanece o fato de que ela fora incapaz de
distinguir a diferença.
Na última década e meia
houve um êxodo maciço, nos países ocidentais, de jovens da Igreja Adventista do
Sétimo Dia. Seria muito simplista responsabilizar este abandono da fé, apenas
por causa do advento da música rock cristã. Existem outros fatores que têm
contribuído para este êxodo – entre eles, a comunhão espiritual dos próprios
jovens. No entanto, não podemos ignorar o fato de que o “rock cristão” tem sido
o gênero predominante de música usado durante este período por muitos líderes
de jovens para atrair a juventude aos programas de igreja. Tais músicas podem
ter contribuído para obscurecer a diferença entre a visão cristã e a visão
mundana de vida nas mentes de nossa juventude, que já vive num ambiente
confuso.
2.
O “Rock Cristão” Causa a Perda da Identidade Cristã
Por causa do
obscurecimento entre a visão cristã de vida e a visão mundana, o “rock
cristão”, no final das contas, leva nossos jovens a perderem sua identidade cristã.
A identidade brota da capacidade de diferenciar claramente as nossas crenças e
práticas das crenças e práticas dos demais. Isto se torna difícil, se não
impossível, quando os jovens são expostos ao mesmo gênero de música na igreja e
no mundo. Quando a pessoa perde o senso de identidade religiosa, ela perde a
razão de pertencer a uma igreja. Isto pode explicar por que tantos jovens não
entendem a significância do Adventismo nos anos iniciais do século XXI.
A música assume uma
parte importante em nossa cultura de adoração. A Bíblia claramente retrata isto
como sendo bom e saudável (ver Salmos). Porém, quando uma grande parte de nossa
adoração consiste em música rock, estamos pisando em terreno muito perigoso.
Nossa adoração se torna um solo fértil para Satanás trabalhar porque estamos
usando as ferramentas dele – não as de Deus.
Os jovens adventistas
estão encontrando crescente dificuldade em ver a distinção entre o que a sua
igreja e o que as outras igrejas cristãs e não cristãs têm a oferecer. O perigo
é que passem a ir àquela igreja que ofereça a “melhor música rock” em vez de
irem à igreja que ofereça a verdade. Eu, pessoalmente, tenho amigos que
trocaram o adventismo por igrejas pentecostais, usando como base de sua decisão
o argumento de um suposto melhor estilo de adoração da igreja carismática – um
estilo de adoração que está amplamente arraigado na música “rock cristã”, uma
música que cria uma excitação profana. A verdade se torna secundária na sua
procura por uma melhor experiência – uma experiência gerada pela música “rock
cristã”.
3.
O “Rock Cristão” Distorce a Visão Bíblica de Deus.
Vivemos num mundo que
distorce a visão de Deus e o rock cristão tem assumido um papel importante em
distorcer o real caráter e natureza de Deus. Os artistas e compositores de
“rock cristão” têm “redefinido o Senhor Jesus Cristo como ‘politicamente
correto’, ‘tolerante’, ‘paz e amor’, não crítico, ‘festeiro’, ‘hip-hop’,
‘rapping-rocker’, que apela para o mundo”. 26
Álbuns como, “Jesus
Freak”, do dc Talk, “Master of the Metal”, da banda Messiah Prophet, entre
outros, todos eles estimulam esta distorção de Deus. Carmen, uma das artistas
mais populares de rock cristão, descreve o Senhor, em uma de suas músicas, como
“hippie de rua”, crucificado numa briga de gangue de rua e que foi depois
lançado num monte de entulho”. 27
Existem muitos exemplos
de “rock cristão” deturpando e frequentemente modificando de forma grosseira a
verdade sobre Deus e sobre a Bíblia. Estes “rock cristãos” descrevem um Deus
que é estranho à revelação bíblica. Fazer isto de forma tão aberta no contexto
do cristianismo é blasfêmia.
4.
O “Rock Cristão” Representa Erroneamente a Obra do Espírito Santo.
A obra do Espírito
Santo é um ministério importante e vital de Deus para a sua igreja. O “Rock
cristão” reivindica ser do Espírito Santo. Porém, os fatos desmentem esta
noção. O Espírito Santo somente vem e ministra num ambiente de adoração onde
haja ordem e disciplina e não em confusão e excitação.
Ellen White, há mais ou
menos um século, advertiu a Igreja Adventista com respeito ao uso de música
imprópria na adoração no tempo do fim. Surpreendentemente, o contexto da
advertência foi uma reunião campal em Muncie, Indiana, em setembro de 1900.
Depois de receber o relatório de S. N. Haskell sobre o tipo de música tocada e
cantada na reunião campal em Muncie, Ellen White escreveu:
“As coisas que
descrevestes como ocorrendo em Indiana, o Senhor revelou-me que haviam de
ocorrer imediatamente antes da terminação da graça. Demonstrar-se-á tudo quanto
é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres
racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles quanto a
decisões retas. E isto será chamado operação do Espírito Santo”.28
“Essas coisas que
aconteceram no passado hão de ocorrer no futuro. Satanás fará da música um laço
pela maneira por que é dirigida. Deus convida Seu povo, que tem a luz diante de
si na Palavra e nos Testemunhos, a ler e considerar, e dar ouvidos. Instruções
claras e definidas têm sido dadas a fim de todos entenderem. Mas a comichão do
desejo de dar origem a algo de novo dá em resultado doutrinas estranhas, e
destrói largamente a influência dos que seriam uma força para o bem.” 29
A
Experiência de Muncie Hoje
As manifestações
físicas que a Sra. White condenou como consequência da reunião campal de Muncie
são mais uma vez uma parte importante da cena religiosa contemporânea. Os
pastores das igrejas protestantes populares estão usando música barulhenta e
excitante em seus cultos. A música é tão central para os seus cultos que é como
se tudo o mais fosse excluído. A repetição, a batida e o som altamente
amplificado da música controla as mentes e a emoção das pessoas de tal forma
que com frequência vemos até na TV os “adoradores” caindo ao chão, rolando,
debatendo-se e gritando.
Por contraste, Ellen
White nos diz, “O Senhor deseja manter em Seu serviço ordem e disciplina, não agitação
e confusão. (...) Satanás está arregimentando suas forças. Necessitamos ser
refletidos e guardar silêncio, e contemplar as verdades da revelação. A agitação
não é favorável ao crescimento na graça, à genuína pureza e santificação do
espírito. (...) Quando os crentes falam a verdade tal como é em Jesus, revelam
uma calma santa e judiciosa, não uma tempestade de confusão.” 30
É significativo notar
que Ellen White predisse que a excitação causada pela música não apropriada na
reunião campal de Muncie seria repetida antes do final da graça. Não é ilógico
ver o cumprimento desta previsão hoje em alguns cultos de adoração adventistas.
Se Ellen White não está descrevendo o “rock cristão” na igreja no final dos
tempos, então seria muito interessante sabermos o que ela está descrevendo. Não
conheço qualquer outra apostasia na igreja que se encaixe, mesmo que
remotamente, nesta descrição.
“Uma
Balbúrdia de Ruído”.
Ellen White claramente
afirma que “O Espírito Santo nunca Se revela por tais métodos, em tal balbúrdia
de ruído. Isso é uma invenção de Satanás para encobrir seus engenhosos métodos
para anular o efeito da pura, sincera, elevadora, enobrecedora e santificante
verdade para este tempo. É melhor nunca ter o culto do Senhor misturado com
música do que usar instrumentos músicos para fazer a obra que, foi-me
apresentado em janeiro último, seria introduzida em nossas reuniões campais. A
verdade para este tempo não necessita nada dessa espécie em sua obra de
converter almas. Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo
que, se devidamente dirigido, seria uma bênção. As forças das
instrumentalidades satânicas misturam-se com o alarido e barulho, para ter um
carnaval, e isto é chamado de operação do Espírito Santo. (...) Nenhuma
animação deve ser dada a tal espécie de culto.” 31
Note que Ellen White
atribui a origem desta música ruidosa às “agências satânicas”. É solene pensar
que Satanás, o decaído regente do coro celestial, seja o autor da balbúrdia de
ruído que caracteriza a música rock de hoje. O reconhecimento deste fato
deveria advertir nossa juventude e seus líderes contra os perigos do “rock
cristão”.
Em uma visão Ellen
White viu como a música errada pode afugentar os anjos das reuniões de jovens.
Ela escreveu: “Jovens estão ali reunidos; ouvem-se sons de música em canto e
instrumentos. Cristãos acham-se reunidos nessa casa; mas que é que ouvis? Um
cântico, uma frívola canção, própria para o salão de baile. Vede, os puros
anjos recolhem para si a luz, e os que se acham naquela habitação são
envolvidos pelas trevas. Os anjos afastam-se da cena. Têm a tristeza no
semblante. Vede como choram! Isso vi eu repetidamente pelas fileiras dos
observadores do sábado”. 32
Esta declaração encarna
um princípio importante. Música tocada em salões de baile não serve para a
adoração a Deus. Há uma distinção clara entre música sacra e secular. Mas
cremos que esta distinção é vastamente obscurecida quando o “rock cristão” é
tocado na igreja, porque tal música compartilha a mesma batida repetitiva,
ritmo e volume do rock secular.
Conclusão
Uma experiência
australiana de Louis Torres, o ex-baixista do Bill Haley and His Comets, provê
uma conclusão adequada a este estudo. Torres escreve: “Não faz muito tempo fui
convidado a falar sobre música para grupos de jovens da IASD na Austrália.
Depois de minhas reuniões, ouvi muitas vezes tristes confissões de jovens que
tinham sido excluídos da igreja (em vez de terem sido mantidos dentro dela) por
causa do uso de música contemporânea nos momentos de culto. Um jovem, que
estava tentando voltar para a igreja, disse-me – evidentemente, falando também
por outros jovens – ‘Minha queda na igreja se iniciou quando começaram a tocar
rock evangélico na igreja. O rock evangélico forneceu uma ponte natural para o
rock secular, e logo perdi todo o prazer de cantar hinos. Perdi todo o amor
pela igreja e estava fora antes mesmo que percebesse. Posso traçar a fonte de
todos os meus problemas à música.’” 33
Ao longo dos séculos o
desafio do Cristianismo tem sido confrontar o mundo com as verdades dos
Evangelhos, em vez de se conformar com as tendências e práticas do mundo.
Infelizmente, muito da história da igreja é uma história de conformismo ideológico
e existencial às tendências da sociedade. Assim, o que está acontecendo hoje
com a adoção do “rock cristão”, em muitas igrejas, não é nada incomum. Apenas
reflete o fracasso histórico de muitos cristãos em viver numa sociedade secular
sem participar de seus valores e costumes.
Tal qual no passado,
hoje Deus chama Seu povo a não se conformar com o mundo, mas sim transformar o
mundo por Sua salvadora graça (Romanos 12:2). Deus conclama Seu povo, dizendo,
“Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para
não participardes dos seus flagelos” (Apocalipse 18:2-4). Que Deus possa nos
ajudar a responder ao Seu tempo do fim chamando para nos separarmos das crenças
e práticas pervertidas da babilônia espiritual que inclui o encantamento de
ritmos degradantes da música rock de Babilônia.
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Notas
1. D.Jewel, The Popular Voice.
2. W.Shafer, Rock Music.
3. John Blanchard, Pop Goes the Gospel, p.28.
4. Ibid., p.13.
5. Ibid., pág. 33
6. Rolling Stone, 7 de
outubro de 1976,
7. S. Lawhead, Rock
Considered,
8. Circus, 17 de abril
de 1979,
9. Super Rock, junho de
1997,
10. Daily Express, 24
de março de 1988,
11. Youth Aflame, outubro de 1982
12. Adventist Affirm, Music, Where the Lyrics Fall
Short.
13. Citada por Wine
Magazine, 1985,
14. Buzz, maio de 1981,
15. B.Larsen, The Day Music Died
16. M.Schoen, The Psychology of Music.
17. Ibid
18. Life, 3 de outubro
de 1969,
19. Ibid.
20. Buzz, 1984
21. Ibid
22. Ibid
23. KE Parker, “Music the Cultural Frontier of the
Church”, em Windstorm Christian Music.
24. B. Larson, Rock,
25. Ibid
26. Adventist Affirm, “Music, Not All Youth Want to
Rock”
27. Internet, www.rock,
Por que eu não Posso?
28. Mensagens
Escolhidas, vol. 2, veja as páginas de 31-39
29. Ibid., pp 37-38,
ênfase minha.
30. Ibid., pp.35-36.
31. Ibid., pág. 36-37.
32. Mensagens aos
Jovens, pág 295.
33. Louis Torres, “Rock
cristão”, adventista Affirm (Spring 1998), pág. 19.
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Fonte: Newsletter Nr.
30, publicada pelo Dr. Samuele Bacchiocchi e disponível no sítio http://www.biblicalperspectives.com/endtimeissues/
Retirado do site www.musicaeadoraçao.com.br
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