COMO MATAR UMA PESSOA
Ricardo
André
A morte de Saddam
Hussein, ocorrida em 30 de dezembro de 2006, correu o mundo. Foi manchete em
vários jornais do Brasil e do mundo. De que modo ele foi morto? Saddam Hussein foi condenado à morte por
enforcamento, depois de ter sido considerado culpado e condenado por crimes
contra a humanidade pelo Tribunal Especial Iraquiano pelo assassinato de 148
xiitas iraquianos na cidade de Dujail em 1982, em retaliação a uma tentativa de
assassinato contra ele. Durante décadas o tirano ditador assombrou o mundo com
milhares de excuções sumárias, algumas sem julgamento. Que método ele usava?
Fuzilamento contra o famoso paredão.
Ultimamente, no Brasil,
temos vivido um intenso clima de violência sem precedente: violência nos
presídios, ônibus queimados, centenas de policiais, civis e bandidos mortos por
arma de fogo e carbonizados. É o crime organizado reinando às soltas pelas ruas
das grandes cidades do país. São sinais visíveis e palpáveis do fim do mundo.
Estamos vivendo exatamente nos últimos dias deste mundo, tempo da degradação
moral da humanidade e do aperfeiçoamento da maldade, conforme descreve o
apóstolo Paulo em 2 Timóteo 3:1-5.
Há, porém, outras
maneiras de “matar” aspectos da vida de uma pessoa. Por exemplo: pela calúnia
ou acusação falsa, podemos matar a sua boa reputação e o seu bom nome e afetar suas
emoções, pela crítica mordaz e invejosa, podemos matar sua autoestima e seu
entusiasmo pela vida; pelo mau testemunho, podemos matar sua vida espiritual e
desanimá-la na fé.
Não importa o método
que usarmos, se conseguirmos “matar” qualquer aspecto vital de uma pessoal,
daremos contas a Deus, tendo com base o sexto mandamento da santa Lei de Deus,
que ordena: “Não matarás” (Êx 20:13).
Não precisamos tirar a
vida de alguém para infligirmos o sexto mandamento. O ódio acariciado em seu
coração já é suficiente para violar o espírito da Lei, porque “qualquer
um que odeia seu irmão em Cristo já é, na realidade, um assassino no coração”
(I Jo 3:15, BV). Jó declara, sem rodeios: “O ressentimento mata o insensato,
e a inveja destrói o tolo” (Jó 5:2, NVI). Diz a escritora cristã Ellen
G. White: “O homicídio existe primeiro na mente. Aquele que dá ao ódio um lugar
no coração está pondo o pé no caminho do assassínio, e suas ofertas são aborrecíveis
a Deus” (O Desejado de todas as Nações, p. 310).
Estas são algumas armas
que podem matar: uma arma de fogo, que perfura o corpo e o coração; a língua,
que “não
só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela
mesma em chamas pelo inferno” (Tg 3:5, 6). As palavras são tão
potencialmente poderosas que, com apenas algumas frases, podemos devastar uma
vida, talvez pelo resto da vida; a internet, que pode perfurar a alma, a boa
reputação, o bom nome, a honra, as emoções e a vida espiritual das pessoas.
O sábio Salomão já
dizia: “O falar amável é árvore de vida, mas o falar enganoso esmaga o
espírito” (Provérbios 15:4, NVI).Realmente a língua pode ser um mal ou
um bem. Infelizmente o ser humano parece usá-la mais para o mal do que para o
bem. Há prazer em contarmos as dificuldades e problemas de nossos amigos.
Sentimo-nos fortes, superiores, quando falamos daqueles que estão enfrentando
problemas e que por um motivo ou outro falham em sua experiência cristã.
“Certa ocasião os oficiais
de uma igreja procuraram o pastor e, constrangidos, falaram com ele. Em toda a
comunidade estava circulando a notícia de que ele batia em sua esposa. O pastor
tentou descobrir a origem do falso testemunho e conseguiu. Na véspera do Natal,
sua esposa havia ido ao fundo de sua chácara buscar uns ramos de cipreste para
fazer a ornamentação da casa e, inadvertidamente, quebrou um ramos que bateu
numa colmeia. Imediatamente as abelhas a atacaram com toda a fúria. O pastor
saiu correndo em seu socorro, batendo-lhe com uma toalha. A dor causada pelas
picadas eram tão grande que ela gritava. Naquele momento, uma senhora abriu a
janela de um sobrado vizinho e trator de interpretar e divulgar o fato. Estava descoberta
a nascente da maledicência! Quantas pessoas haviam ouvido os sermões daquele
pastor sem usufruir qualquer bênção porque o julgavam um bruto” (Vencendo Com
Jesus [Inspiração Juvenil, 1997], p. 177).
Embora “nenhum
homem [possa] domar a língua” (Tg 3:8), somos exortados a [guardar]
a [nossa] língua do mal e os [nossos] lábios, de falarem enganosamente” (Sl
34:13). E como se consegue isso?
Jesus disse que “a boca fala do que está cheio o coração”
(Lc 6:45).Somente o Espírito de Deus pode nos ajudar a manter nossas
palavras sob controle (Ef 4:29-32). Logo, a primeira coisa que uma pessoa deve
fazer é entregar o coração a Deus, pois o controle da língua só será possível
quando Cristo controlar o coração.
Caro amigo leitor,
cuidado! Não mate! Procure afirmar as pessoas, agradecer aos colegas, animar os
familiares, louvar ao Senhor Jesus. Que Deus nos ajude a dominar a nossa língua
e a alcançar a perfeição.
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