O TEMPO DE ANGÚSTIA: UMA ÉPOCA MARAVILHOSA PARA SE ESTAR VIVO
Ricardo
André
Texto
Base: Daniel 12:1-2
INTRODUÇÃO
O capítulo 12 do livro
de Daniel conduz o leitor ao clímax da história da redenção. Depois de revelar
a sucessão dos grandes impérios, os conflitos entre o bem e o mal e o
ministério de Cristo em favor da humanidade, o profeta volta seus olhos para os
acontecimentos que antecederão imediatamente a gloriosa segunda vinda de nosso
Senhor Jesus Cristo.
É nesse contexto que
Daniel anuncia: "Nesse tempo se
levantará Miguel" (Dn 12:1). Na compreensão histórica da Igreja
Adventista do Sétimo Dia, Miguel — cujo nome significa "Quem é como
Deus?" — é um dos títulos de Cristo. Aquele que hoje ministra como nosso
Sumo Sacerdote no santuário celestial levantar-Se-á como Rei, Libertador e
Comandante dos exércitos celestiais para defender Seu povo fiel durante a maior
crise que este mundo já conheceu.
Logo em seguida, Daniel
apresenta uma das declarações mais solenes de toda a Escritura: "Haverá tempo de angústia, qual nunca
houve, desde que houve nação até àquele tempo." A Bíblia inteira
aponta para esse momento. Jeremias o chama de "tempo de angústia para Jacó" (Jr 30:7), enquanto Jesus o
descreve como "grande tribulação,
como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá
jamais" (Mt 24:21).
Não é difícil
compreender por que essa profecia desperta temor em muitos cristãos. Ao longo
dos anos, ouvi irmãos sinceros dizerem: "Espero estar morto antes desse
tempo. Não conseguiria suportar tamanha tribulação." Esse sentimento é
compreensível. Afinal, o Apocalipse descreve os acontecimentos finais com
imagens impressionantes: perseguições religiosas, decretos de morte, o poder
opressor da besta impondo sua adoração, o fechamento da porta da graça, as sete
últimas pragas, as nações em convulsão e o grande conflito chegando ao seu
desfecho. A perspectiva de perder bens, estabilidade financeira, liberdade e
até mesmo a própria vida por fidelidade a Cristo naturalmente nos inquieta.
A própria Bíblia compara
os acontecimentos finais às dores do
parto (Mt 24:8). E, se pudéssemos escolher, provavelmente preferiríamos uma
travessia tranquila, sem sofrimento, sem perdas e sem lágrimas. Contudo, a
Palavra de Deus nunca promete um caminho sem dificuldades; ela promete algo
infinitamente melhor: a presença constante de Cristo em meio às dificuldades.
É justamente aqui que
muitos deixam de perceber a principal mensagem de Daniel 12. O propósito dessa
profecia não é alimentar o medo, mas fortalecer a fé. Deus não revelou os
eventos finais para paralisar Seu povo pelo terror, e sim para prepará-lo para
permanecer firme quando eles chegarem. A profecia não foi escrita para que os
salvos tenham medo do futuro, mas para que aprendam a confiar plenamente Naquele
que controla o futuro.
A grande notícia de
Daniel 12 não é, em primeiro lugar, a existência de um tempo de angústia. A
grande notícia é que, durante esse tempo, Miguel Se levantará. O mesmo Cristo
que hoje intercede por nós será, naquele dia, o poderoso Libertador do Seu
povo. O Deus que livrou Noé do dilúvio, Israel do Mar Vermelho, Daniel da cova
dos leões e os três hebreus da fornalha ardente continua sendo o Deus da Igreja
remanescente. Enquanto o mundo olha para o futuro com desespero, Deus convida
Seus filhos a olharem para Cristo com esperança.
Por isso, ao estudarmos
Daniel 12, nosso olhar não deve permanecer fixo na angústia, nas perseguições
ou nas pragas. Nosso olhar deve estar voltado para Miguel, o Príncipe dos
príncipes, pois a segurança do povo de Deus jamais esteve na ausência de
tribulações, mas na certeza da presença daquele que prometeu: "E eis que
estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mt 28:20).
I
– O TEMPO DE ANGÚSTIA É UMA CERTEZA PROFÉTICA
Daniel 12:1 revela que,
antes da gloriosa segunda vinda de Cristo, ocorrerá um acontecimento de
importância decisiva no plano da salvação: Miguel
Se levantará. Na compreensão profética da Igreja Adventista do Sétimo Dia,
esse ato simboliza o encerramento do ministério intercessor de Cristo no
santuário celestial. Tendo concluído a obra do Juízo Investigativo e decidido o
destino eterno de cada ser humano, Jesus deixará Sua função sacerdotal para
assumir plenamente Sua autoridade como Rei e Libertador do Seu povo.
Comentando esse momento
solene da história da redenção, Ellen G. White escreveu: “Cessa então Jesus de
interceder no santuário celestial. Levanta as mãos e com grande voz diz: Está
feito; e toda a hoste angélica depõe suas coroas, ao fazer Ele o solene aviso.
"Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e
quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda."
Apoc. 22:11. Todos os casos foram decididos para vida ou para morte. Cristo fez
expiação por Seu povo, e apagou os seus pecados. O número de Seus súditos
completou-se; "e o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de
todo o céu", estão prestes a ser entregues aos herdeiros da salvação, e
Jesus deve reinar como Rei dos reis e Senhor dos senhores.” (O Grande Conflito, p. 613 e 614).
É somente após esse
encerramento da mediação de Cristo que Daniel anuncia: "Haverá tempo de
angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo" (Dn
12:1). A sequência do texto é significativa. O tempo de angústia não antecede o
fechamento da porta da graça; ele começa justamente quando a obra intercessora
de Cristo no santuário celestial é concluída. A partir desse momento, cada
pessoa permanecerá para sempre na condição espiritual que escolheu, conforme a
solene declaração de Apocalipse 22:11.
Essa expressão
utilizada por Daniel remete imediatamente à profecia de Jeremias: "Ah! Que
grande é aquele dia, e não há outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela" (Jr
30:7). Em seu contexto histórico, Jeremias refere-se à aflição experimentada
por Israel e à promessa de libertação do cativeiro babilônico. Entretanto, à
luz da interpretação profética adventista, essa passagem também possui um
alcance escatológico. Assim como Jacó atravessou uma noite de profunda angústia
antes de receber a certeza da vitória e da bênção divina, o povo remanescente
enfrentará a crise final da história confiando unicamente nas promessas de
Deus.
Portanto, a profecia de
Daniel não deixa dúvidas: o tempo de angústia é uma realidade futura e
inevitável. Contudo, a mesma profecia que anuncia a maior crise da humanidade
também apresenta a maior certeza do povo de Deus: Miguel estará à frente do Seu
povo. Antes mesmo de mencionar a angústia, Daniel declara que Cristo Se
levantará para defender os que têm seus nomes escritos no Livro da Vida. Assim,
a mensagem central da profecia não é o terror da crise, mas a segurança da
presença e da proteção de Cristo durante a crise.
II
- O TEMPO DE ANGÚSTIA SERÁ TAMBÉM UM TEMPO DE PROTEÇÃO DIVINA
O "tempo de angústia" descrito por Daniel corresponde à
mesma "grande tribulação"
anunciada por Jesus em Seu sermão profético: "Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como nunca houve
desde o princípio do mundo até agora e nunca jamais haverá." (Mt 24:21).
Essa mesma experiência
é mencionada em Apocalipse 7:14, onde João contempla a grande multidão daqueles
que "vieram da grande tribulação" e permaneceram fiéis ao Cordeiro.
Na compreensão
profética da Igreja Adventista do Sétimo Dia, esse período inicia-se
imediatamente após o encerramento do ministério intercessor de Cristo no
santuário celestial. Assim como Cristo assentou-Se à direita do Pai para
iniciar Sua obra sacerdotal (Hb 8:1-2), Seu levantar-Se em Daniel 12:1 simboliza
o encerramento dessa mediação. Nesse momento é pronunciado no Céu o decreto
solene de Apocalipse 22:11, encerrando
definitivamente o tempo da graça e fixando o destino eterno de cada ser
humano. A partir daí começam os dramáticos acontecimentos das sete últimas pragas, que culminarão com
a gloriosa segunda vinda de Cristo.
Durante esse período, o
povo de Deus viverá sem um Mediador no santuário celestial, mas jamais viverá
sem a presença do próprio Cristo. Ao concluir Sua obra sacerdotal, Jesus não
abandona Sua igreja; ao contrário, assume plenamente Seu papel de Rei, Juiz e
Libertador. Aquele que intercedia por Seu povo passa agora a defendê-lo e
conduzi-lo até a vitória final.
O que torna esse tempo
tão singular não é apenas a intensidade das perseguições ou das calamidades,
mas o fato de que o Espírito Santo, persistentemente rejeitado pelos ímpios,
deixará de restringir plenamente a ação do mal. Da mesma forma, cessará a obra
dos anjos que atualmente detêm os ventos da destruição (Ap 7:1-4), permitindo
que Satanás manifeste, por um breve período, toda a sua fúria contra Deus e
contra Seu povo.
Sobre esse momento solene,
Ellen G. White escreveu: “Naquele tempo terrível os justos devem viver à vista
de um Deus santo, sem intercessor [...]. O Espírito de Deus, persistentemente
resistido, foi, por fim, retirado.” (O
Grande Conflito [CPB, 2006], p. 614).
Contudo, a retirada do
Espírito Santo para os ímpios não significa abandono para os fiéis. A mesma
profecia que anuncia o tempo de angústia traz também uma promessa
extraordinária: "Mas, naquele tempo, o povo de Deus será salvo, todo
aquele que for achado inscrito no livro." (Dn 12:1).
Essa promessa não
significa ausência de sofrimento, mas a certeza da presença de Deus em meio ao
sofrimento. O Senhor jamais prometeu que Seus filhos seriam poupados de toda
aflição, mas assegurou que jamais seriam abandonados por Sua presença.
Por isso o profeta
Isaías declara: "Quando você passar pelas águas, eu estarei com você;
quando passar pelos rios, eles não o submergirão; quando passar pelo fogo, você
não se queimará; as chamas não o atingirão." (Is 43:2, NAA).
A providência divina se
manifestará de diferentes maneiras durante esse período. Em Sua infinita
misericórdia, Deus permitirá que muitos de Seus filhos descansem antes que a
crise final se instale.
Ellen G. White
escreveu: “Muitos serão levados a repousar antes que a prova de fogo do tempo
de tribulação venha sobre o nosso mundo.” (Conselho
sobre Saúde [CPB, 2010], p. 375).
Em outra ocasião, ela
acrescentou: “Muitos pequeninos hão de ser levados ao descanso antes do tempo
de angústia.” (Orientação da Criança, p.
566).
Essas declarações
revelam a ternura e a misericórdia de Deus. Em Sua perfeita sabedoria, Ele
conhece os limites de cada um. Muitos dos pequeninos, idosos e outros servos
fiéis descansarão no Senhor antes da crise final, sendo despertados na gloriosa
manhã da ressurreição por ocasião da volta de Cristo.
Quanto aos que
permanecerem vivos durante esse período, Deus continuará dirigindo cada passo
de Seus filhos. Alguns encontrarão abrigo em lugares isolados, conforme a
conhecida declaração de Ellen G. White de que os fiéis “encontrarão refúgio na
fortaleza das montanhas” (O Grande
Conflito, p. 626). Outros, entretanto, experimentarão a prisão e a
perseguição por causa de sua fidelidade ao Senhor.
Sobre esses últimos,
Ellen G. White escreveu: “Muitos, porém, de todas as nações, e de todas as
classes, elevadas e humildes, ricos e pobres, negros e brancos, serão arrojados
na escravidão mais injusta e cruel. Os amados de Deus passarão dias penosos,
presos em correntes, retidos pelas barras da prisão, sentenciados à morte,
deixados alguns aparentemente para morrer à fome nos escuros e nauseabundos
calabouços. Nenhum ouvido humano lhes escutará os gemidos; mão humana alguma
estará pronta para prestar-lhes auxílio [...]. Ainda que os inimigos os lancem
nas prisões, as paredes dos calabouços não podem interceptar a comunicação
entre eles e Cristo.” (O Grande
Conflito, p. 626, 627).
Que extraordinária
promessa! As circunstâncias poderão variar: alguns estarão escondidos, outros
presos, outros fugindo, outros aguardando a morte. Mas todos terão algo em
comum: a presença constante de Cristo ao seu lado. A segurança do cristão nunca
depende do lugar onde está, mas de Quem está com ele.
Enquanto isso, o mundo
experimentará o colapso de todas as suas estruturas. As nações estarão
enfurecidas (Ap 11:18), conflitos e guerras se multiplicarão (Mt 24:6-7), os
sistemas econômico, político e social entrarão em convulsão, e a humanidade
provará as dolorosas consequências de haver rejeitado a autoridade de Deus.
Comparando essa crise
com a destruição de Jerusalém, Ellen G. White escreveu: “Ao cessarem os anjos
de Deus de conter os ventos impetuosos das paixões humanas, ficarão às soltas
todos os elementos de contenda. O mundo inteiro se envolverá em ruína mais
terrível do que a que sobreveio a Jerusalém na antiguidade.” (O Grande Conflito, p. 614).
Entretanto, mesmo em
meio ao caos universal, permanece inabalável a promessa de Daniel:
"Naquele tempo será salvo o teu povo." A grande diferença entre os
justos e os ímpios não será a ausência de dificuldades, mas a presença
permanente de Cristo. Enquanto o mundo enfrentará a maior crise de sua história
sem esperança, o povo de Deus atravessará a mesma crise sustentado pela certeza
de que Miguel, o grande Príncipe, continua dirigindo cada acontecimento e
conduzirá Seus filhos, em segurança, até o glorioso dia de Sua volta.
III
- UM “ALTO CLAMOR” SERÁ DADO
Embora o mundo mergulhe
rapidamente em uma sucessão de crises políticas, econômicas, morais e
religiosas, Deus não deixará a humanidade sem uma última oportunidade de ouvir
o convite da graça. Antes do desfecho do grande conflito, o Senhor derramará
Seu Espírito de maneira extraordinária sobre Sua igreja, capacitando Seu povo
para proclamar a última advertência ao mundo.
O apóstolo João
contemplou esse momento em visão: "E depois destas coisas vi descer do céu
outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua
glória." (Ap 18:1).
Na compreensão
profética adventista, esse anjo representa o poderoso derramamento do Espírito
Santo sobre a igreja remanescente, fenômeno conhecido como o Alto Clamor. Assim
como a chuva temporã fortaleceu a igreja apostólica no Pentecostes, a chuva
serôdia fortalecerá o povo de Deus para concluir a proclamação do evangelho
eterno e das três mensagens angélicas (Ap 14:6-12). A Terra será iluminada não
pela glória de seres humanos, mas pela glória do caráter de Cristo refletida na
vida de Seu povo.
Comentando essa
extraordinária manifestação do Espírito Santo, Ellen G. White escreveu: “As
profecias de Apocalipse dezoito logo se cumprirão. Durante a proclamação da
mensagem do terceiro anjo, ‘outro anjo’ descerá ‘do Céu’, tendo grande poder, e
a Terra se iluminará ‘com a sua glória’. O Espírito do Senhor abençoará tão
graciosamente os consagrados instrumentos humanos, que homens, mulheres e
crianças abrirão os lábios em louvor e ações de graça, enchendo a Terra com o conhecimento
de Deus e com Sua insuperável glória, como as águas cobrem o mar.” (Maranata, o Senhor Vem! [MM 1977], p. 219,
220).
Observe que o centro
dessa profecia não é o brilho de milagres espetaculares, mas a atuação do
Espírito Santo na vida dos servos de Deus. O mundo será iluminado pelo
conhecimento da verdade, e milhões ouvirão o último chamado da misericórdia
divina. A mensagem será clara, amorosa e urgente: "Retirai-vos dela, povo
Meu" (Ap 18:4). Deus ainda possui filhos sinceros espalhados entre os
diversos sistemas religiosos representados pela Babilônia mística, e Seu desejo
é chamá-los para fora da confusão espiritual, para que não participem de seus
pecados nem sofram os juízos que sobre ela cairão.
Contudo, enquanto o
Espírito Santo opera poderosamente por intermédio da igreja fiel, Satanás
também intensificará sua última ofensiva de engano. O grande conflito atingirá
seu ponto culminante. O inimigo procurará contrafazer a obra de Deus mediante
manifestações sobrenaturais destinadas a impressionar e seduzir os habitantes
da Terra.
As Escrituras
advertiram antecipadamente sobre esse perigoso cenário: "São espíritos de
demônios que realizam sinais miraculosos." (Ap 16:14).
Comentando esse texto,
a Lição da Escola Sabatina afirma: “Esses sinais fazem parte da estratégia
enganosa de Satanás no tempo do fim para persuadir o mundo a segui-lo, em vez
de seguir o Deus verdadeiro.” (Lição da
Escola Sabatina, 1º Trimestre de 2019, edição do Professor, p. 142).
Esses enganos assumirão
diversas formas. Anjos maus aparecerão disfarçados de parentes falecidos,
personagens históricos ou supostos mensageiros celestiais. Falarão de paz,
esperança e espiritualidade, mas introduzirão, de maneira sutil, ensinos
contrários à Palavra de Deus. Milagres impressionantes convencerão multidões, e
muitos serão enganados porque preferiram experiências emocionais à autoridade
das Escrituras.
À medida que essas
manifestações aumentarem, a crise mundial também se agravará. A violência, os
conflitos, os desastres naturais e o colapso das instituições provocarão um
profundo sentimento de insegurança coletiva. Em desespero, líderes políticos e
religiosos procurarão apresentar uma solução comum para restaurar a ordem moral
e espiritual da sociedade.
Nesse contexto, segundo
a interpretação profética adventista, os Estados Unidos desempenharão papel
central no cumprimento de Apocalipse 13. Sob forte influência das principais
lideranças religiosas, serão aprovadas leis que contrariarão diretamente a Lei
de Deus e favorecerão práticas em conformidade com os interesses do papado.
Posteriormente, outras nações seguirão o mesmo caminho, formando uma ampla
coalizão religiosa e política.
Sobre esse
desenvolvimento profético, Ellen G. White escreveu: “Quando as principais
igrejas dos Estados Unidos, ligando-se em pontos de doutrinas que lhes são
comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus decretos e lhes apoie as
instituições, a América do Norte protestante terá então formado uma imagem da
hierarquia romana, e a aplicação de penas civis aos dissidentes será o
resultado inevitável.” (O Grande
Conflito, p. 445).
Aqueles que
permanecerem fiéis aos mandamentos de Deus serão responsabilizados pelas
calamidades que afligirão a humanidade. Serão apresentados como inimigos da paz
e obstáculos ao restabelecimento da ordem mundial. Em consequência, crescerão
rapidamente o preconceito, o ódio e a perseguição contra o povo remanescente.
Ellen G. White descreve
esse cenário com impressionante clareza: “Os que honram a lei de Deus têm sido
acusados de acarretar juízos sobre o mundo, e serão considerados como a causa
das terríveis convulsões da Natureza, da contenda e carnificina entre os
homens, coisas que estão enchendo a Terra de pavor. O poder que acompanha a
última advertência enraiveceu os ímpios; sua cólera acende-se contra todos os
que receberam a mensagem, e Satanás incitará a maior intensidade ainda o
espírito de ódio e perseguição. [...] Como o sábado se tornou o ponto especial
de controvérsia por toda a cristandade, e as autoridades religiosas e seculares
se combinaram para impor a observância do domingo, a recusa persistente de uma
pequena minoria em ceder à exigência popular, fará com que esta minoria seja
objeto de ódio universal. Insistir-se-á em que os poucos que permanecem em
oposição a uma instituição da igreja e lei do Estado, não devem ser tolerados;
que é melhor que eles sofram do que nações inteiras sejam lançadas em confusão
e ilegalidade.” (O Grande Conflito, p.
614, 615).
Assim, o conflito final
não será meramente político ou econômico, mas essencialmente espiritual. O
Apocalipse revela que Satanás procurará controlar a forma como a humanidade
adora a Deus. A segunda besta de Apocalipse 13 — identificada, na interpretação
adventista tradicional, com os Estados Unidos protestantes — falará "como
dragão", promovendo legislação religiosa que exaltará a autoridade da
besta que recebeu a ferida mortal. Entre essas medidas estará a imposição da
observância do domingo em substituição ao sábado bíblico.
Essas leis serão
apresentadas como instrumentos de moralidade, unidade nacional e restauração da
paz social. Entretanto, por trás dessa aparência de justiça, prepararão o mundo
para a aceitação da marca da besta e para a grande prova final de fidelidade.
Nesse momento decisivo, cada ser humano será chamado a escolher entre a
autoridade da Palavra de Deus e a autoridade das tradições humanas.
Paradoxalmente, será
justamente durante essa crise sem precedentes que a igreja de Deus
experimentará seu maior crescimento. Enquanto o dragão manifesta sua maior ira,
o Espírito Santo derramará Seu maior poder. Enquanto o mundo se une em torno do
erro, Deus reunirá Seu povo em torno da verdade. O Alto Clamor e a perseguição
caminharão lado a lado, preparando o cenário para a gloriosa manifestação de
Jesus Cristo nas nuvens do céu.
IV
- O APARECIMENTO DO FALSO CRISTO DEPOIS DO FECHAMENTO DA PORTA DA GRAÇA
Um dos acontecimentos
mais impressionantes e perigosos do tempo do fim será a manifestação pessoal de
Satanás, apresentando-se ao mundo como se fosse o próprio Jesus Cristo. Muito
antes desses eventos, o Salvador advertiu Seus discípulos: "Pois
aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e
maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos." (Mt 24:24, NVI).
Essa advertência revela
duas importantes verdades. A primeira é que surgiriam indivíduos e movimentos
que reivindicariam falsamente a autoridade de Cristo. A segunda, e mais solene,
é que esse engano seria acompanhado por sinais extraordinários, milagres
impressionantes e manifestações sobrenaturais de tal magnitude que, se fosse
possível, até mesmo os eleitos seriam enganados.
Segundo a compreensão
escatológica da Igreja Adventista do Sétimo Dia, essa manifestação culminante
ocorrerá após o encerramento da porta da graça, quando o destino eterno da
humanidade já estiver definitivamente decidido. Nesse momento, Satanás fará sua
derradeira tentativa de consolidar seu domínio sobre aqueles que rejeitaram a
verdade durante o tempo de graça.
O cenário será
extremamente favorável ao engano. O planeta estará mergulhado nas consequências
das sete últimas pragas, em meio ao colapso das instituições, às crises globais
e ao desespero das nações. A humanidade clamará por paz, estabilidade e
esperança. Será justamente nesse contexto que surgirá aquele que aparentará
oferecer a solução para todos os problemas do mundo.
Em diferentes partes da
Terra ecoará a notícia: "Cristo voltou!" Milhões correrão para
contemplar um ser de extraordinária majestade, irradiando glória e poder. Sua
aparência será impressionante, sua voz transmitirá serenidade e suas palavras
recordarão muitos dos ensinos registrados nos Evangelhos. Tudo parecerá
confirmar que se trata do tão esperado retorno do Filho de Deus.
Descrevendo esse
extraordinário engano, Ellen G. White escreveu: “O povo se prostra em adoração
diante dele, enquanto este ergue as mãos e sobre eles pronuncia uma bênção,
assim como Cristo abençoava Seus discípulos quando aqui na Terra esteve. Sua
voz é meiga e branda, cheia de melodia. Em tom manso e compassivo apresenta
algumas das mesmas verdades celestiais e cheias de graça que o Salvador
proferia; cura as moléstias do povo, e então, em seu pretenso caráter de
Cristo, alega ter mudado o sábado para o domingo, ordenando a todos que
santifiquem o dia que ele abençoou. Declara que aqueles que persistem em
santificar o sétimo dia estão blasfemando de Seu nome, pela recusa de ouvirem
Seus anjos à eles enviados com a luz e a verdade. É este o poderoso engano,
quase invencível.” (O Grande Conflito,
p. 624).
Essa descrição deixa
claro que o objetivo de Satanás não será apenas impressionar as pessoas com
milagres extraordinários, mas reivindicar para si a autoridade divina e validar
o sistema de falsa adoração que já terá sido imposto ao mundo. O ponto central de
sua atuação continuará sendo o mesmo iniciado no Éden: substituir a Palavra de
Deus por sua própria autoridade.
É possível que essa
manifestação seja difundida instantaneamente pelos modernos meios de
comunicação, alcançando praticamente todos os habitantes da Terra. Muitos
acreditarão estar contemplando o cumprimento da promessa de Apocalipse 1:7 —
"todo olho O verá" — sem perceber que a verdadeira volta de Cristo
jamais ocorrerá de forma secreta, localizada ou restrita a determinados lugares.
A Bíblia afirma que a segunda vinda será um acontecimento universal, visível,
glorioso e acompanhado por todos os anjos do Céu (Mt 24:27, 30-31; 1Ts
4:16-17).
O êxito desse grande
engano também será favorecido pelas expectativas religiosas cultivadas há
séculos por diferentes povos e tradições espirituais. Os cristãos aguardam o
retorno de Cristo; os judeus continuam esperando a manifestação do Messias;
muitos hindus aguardam Krishna; budistas esperam o Buddha Maitreya; e, em
diversas correntes do islamismo, aguarda-se a manifestação do Mahdi. Embora
essas expectativas possuam origens e significados distintos, existe,
especialmente em alguns movimentos espiritualistas contemporâneos, a ideia de
que todas convergirão para a manifestação de um único líder espiritual mundial,
frequentemente identificado como Maitreya, o chamado "Instrutor" ou
"Professor do Mundo".
Nesse contexto de
intensa expectativa religiosa, a aparição de um personagem dotado de
extraordinário carisma, realizando milagres e proclamando mensagens de paz,
parecerá, para milhões de pessoas, a resposta definitiva às suas orações.
Assim, Satanás procurará unificar a humanidade em torno de uma falsa esperança,
preparando o mundo para sua última rebelião contra o governo de Deus.
Contudo, os fiéis não
serão enganados. Eles conhecerão profundamente as Escrituras e lembrarão das
palavras do próprio Senhor Jesus: "Se, pois, vos disserem: Eis que ele
está no deserto!, não saiais; ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. Porque,
assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim há de
ser a vinda do Filho do Homem" (Mt 24:26-27). A única proteção contra o
maior engano da história será um conhecimento sólido da Palavra de Deus e uma
comunhão diária com Cristo. Quem conhece o verdadeiro Pastor jamais seguirá a
voz do impostor.
V
- A IDENTIDADE DO FALSO CRISTO
Depois de estudarmos
que um falso Cristo surgirá realizando milagres extraordinários e exercendo um
poder de sedução quase irresistível, surge naturalmente uma pergunta: Quem é esse falso Cristo anunciado por
Jesus? A própria Bíblia responde de maneira clara.
O apóstolo Paulo
advertiu a igreja: “Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes
daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho
da perdição. Este se opõe e se exalta acima de tudo o que se chama Deus ou é
objeto de adoração, a ponto de se assentar no santuário de Deus, proclamando
que ele mesmo é Deus. Não se lembram de que quando eu ainda estava com vocês
costumava lhes falar essas coisas? E agora vocês sabem o que o está detendo,
para que ele seja revelado no seu devido tempo. A verdade é que o mistério da
iniquidade já está em ação, restando apenas que seja afastado aquele que agora
o detém. Então será revelado o perverso, a quem o Senhor Jesus matará com o
sopro de sua boca e destruirá pela manifestação de sua vinda. A vinda desse
perverso é segundo a ação de Satanás, com todo o poder, com sinais e com
maravilhas enganadoras.” (2 Ts 2:3-9).
Observe que Paulo afirma
que a manifestação desse poder enganador ocorre "segundo a ação de
Satanás", acompanhada de "todo o poder, com sinais e com maravilhas
enganadoras". Não se trata de simples ilusão ou fraude humana, mas da
atuação direta do próprio príncipe das trevas.
Em perfeita harmonia
com essa advertência, o mesmo apóstolo declara: "o próprio Satanás se
disfarça de anjo de luz" (2 Co 11:14, NVI).
Se ele pode
apresentar-se como um anjo de luz, não surpreende que, em sua derradeira
tentativa de enganar a humanidade, procure apresentar-se como o próprio Cristo.
Essa compreensão é
confirmada pelo Espírito de Profecia. Ellen G. White afirma, de maneira
inequívoca, que essa personificação constituirá uma das últimas cenas da
história do grande conflito: “Um poder de baixo está operando para desenvolver
as últimas grandes cenas do drama - Satanás apresentando-se como Cristo e
operando com todo o engano da injustiça [...]” (Evangelismo, p. 623).
Em outra declaração,
ela explica que Satanás intensificará continuamente seus milagres até o encerramento
da porta da graça: “Somos advertidos de que, nos últimos dias, ele trabalhará
com sinais e prodígios de mentira. E continuará com esses prodígios até ao fim
da graça, para que os indique como prova de que ele é um anjo de luz e não de
trevas.” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p.
51).
À medida que o conflito
se aproxima de seu desfecho, Satanás recorrerá ao seu maior e mais ousado
engano: assumir pessoalmente a aparência de Jesus Cristo.
Ellen G. White descreve
esse momento nos seguintes termos: “Ao aproximar-se o segundo aparecimento de
nosso Senhor Jesus Cristo, instrumentos satânicos são movidos por um poder de
baixo. Não só aparecerá Satanás como ser humano, mas personificará a Jesus
Cristo, e o mundo que rejeitou a verdade o receberá como o senhor dos senhores
e rei dos reis. […] Ele trabalhará de maneira igualmente sutil ao nos
aproximarmos do fim da História terrestre.” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 5, p. 1233).
A expressão "o
mundo que rejeitou a verdade" merece especial atenção. Ela indica que essa
manifestação ocorrerá quando a humanidade já houver tomado sua decisão
definitiva diante do evangelho. Não haverá mais oportunidade de arrependimento
para aqueles que rejeitaram deliberadamente a verdade revelada por Deus.
Essa compreensão é
reforçada por outra declaração inspirada: “Nos últimos dias ele se apresentará
de tal maneira que faça os homens a crerem que ele é Cristo vindo pela segunda
vez ao mundo. Ele se transformará na verdade em anjo de luz. Mas ao passo que
ostentará em todos os sentidos a aparência de Cristo, até aonde possa chegar a
simples aparência, isso não enganará a ninguém senão aos que, como Faraó, estão
procurando resistir à verdade.” (Testemunhos
Para a Igreja, vol. 5, p. 698).
Um dos argumentos mais
consistentes em favor de que essa personificação ocorrerá após o fechamento da
porta da graça encontra-se na própria estrutura do livro O Grande Conflito.
A descrição da
manifestação de Satanás como Cristo aparece no capítulo 39, intitulado
"Aproxima-se o Tempo de Angústia" (p. 613-634). Logo no início desse
capítulo, Ellen G. White afirma que "quando se encerrar a mensagem do
terceiro anjo, a misericórdia não mais pleiteará em favor dos culpados
habitantes da Terra". A partir desse ponto, toda a narrativa trata
exclusivamente dos acontecimentos posteriores ao encerramento da graça,
incluindo a retirada da proteção divina sobre os ímpios, o início do tempo de
angústia, a intensificação da atuação satânica, a personificação de Cristo e,
posteriormente, o derramamento das sete últimas pragas.
É nesse cenário que
Satanás mergulhará “os habitantes da Terra em uma grande angústia final.” (O Grande Conflito, p. 614).
Antes mesmo da
manifestação plena das sete últimas pragas, Apocalipse 13:13-14 revela que a
segunda besta realizará grandes sinais, inclusive fazendo descer fogo do céu,
para convencer os habitantes da Terra de que sua autoridade procede de Deus. Na
interpretação adventista, esses milagres fazem parte da grande estratégia
satânica de produzir falsos reavivamentos e preparar a humanidade para aceitar
sua suprema falsificação: a própria personificação de Cristo.
Assim, o personagem que
o mundo receberá com entusiasmo não será o verdadeiro Senhor Jesus, mas Satanás
disfarçado do Filho de Deus. Sob uma aparência de amor, paz e espiritualidade,
ele consolidará o sistema mundial de falsa adoração e conduzirá as nações à
mais extraordinária fraude religiosa de toda a história humana.
Cegados pelo orgulho e
pela rejeição da verdade, governantes, líderes religiosos e multidões aceitarão
esse engano, cumprindo a advertência de Paulo acerca daqueles que "não
acolheram o amor da verdade para serem salvos" (2 Ts 2:9-12). Unidos sob a
influência do grande enganador, caminharão para o conflito final descrito em
Apocalipse 16:12-16, conhecido como Armagedom.
Contudo, o desfecho
dessa batalha já está determinado. O falso Cristo será desmascarado pela
gloriosa manifestação do verdadeiro Cristo. O mesmo Jesus que venceu Satanás na
cruz destruirá definitivamente seu reino por ocasião de Sua segunda vinda,
estabelecendo para sempre Seu reino eterno de justiça e paz.
VII
- DANIEL 12 TERMINA COM UMA RESSURREIÇÃO
Depois de descrever o
tempo de angústia, a perseguição ao povo de Deus e os dramáticos acontecimentos
que antecedem a volta de Cristo, Daniel encerra sua profecia da maneira mais
consoladora possível. O capítulo não termina falando de perseguição, nem de
morte, nem das sete últimas pragas. Ele termina proclamando a vitória
definitiva de Deus sobre o maior inimigo da humanidade: a morte.
O profeta declara: "Muitos
dos que dormem no pó da terra ressuscitarão." (Dn 12:2).
Essa promessa revela
que a última palavra da história não pertence ao sofrimento, nem ao pecado, nem
a Satanás. A última palavra pertence a Cristo, o Senhor da vida, que triunfará
definitivamente sobre a morte.
Na compreensão
profética da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Daniel 12:2 descreve uma ressurreição especial, distinta da
ressurreição geral dos justos que ocorrerá por ocasião da segunda vinda de
Cristo (Dn 12:13; 1Ts 4:16-17) e da ressurreição dos ímpios ao final do milênio
(Ap 20:5).
Essa ressurreição
especial envolverá dois grupos distintos:
1) Os que morreram na
fé da mensagem do terceiro anjo, para contemplarem a volta gloriosa de Cristo
juntamente com os santos vivos;
2) Os que traspassaram
Jesus e os mais destacados inimigos da verdade, para presenciarem Aquele a quem
rejeitaram e reconhecerem Sua glória e soberania (Mt 26:64; Ap 1:7).
Comentando Daniel 12:2,
a Lição da Escola Sabatina afirma: “Essa
ressurreição acontece dentro da estrutura do tempo do fim, quando Miguel Se
levanta para salvar Seu povo (Dn 12:1). Portanto, esse despertar deve ser uma
ressurreição especial, porque, como é ensinado em outras partes das Escrituras,
a ressurreição dos justos em geral acontecerá na segunda vinda de Jesus e a dos
ímpios ocorrerá no fim do milênio. No entanto, a Bíblia apresenta evidência de
uma ressurreição especial daqueles que crucificaram Jesus (Dn 12:2; Mt
26:63,64; Ap 1:7) e dos que morreram na fé das três mensagens angélicas (Ap
14:13).” (Lição da Escola Sabatina,
edição do Professor, 1º Trimestre de 2020, p. 172).
Essa mesma compreensão
é apresentada por Ellen G. White ao descrever os acontecimentos imediatamente
anteriores ao glorioso aparecimento de Cristo:
"Abrem-se
sepulturas, e “muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a
vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Daniel 12:2). Todos os
que morreram na fé da mensagem do terceiro anjo saem do túmulo glorificados
[...]. Os que O traspassaram (Apo 1:7), os que zombaram e escarneceram das
agonias de Cristo e os mais obstinados inimigos de Sua verdade e de Seu povo
são ressuscitados para contemplá-Lo em Sua glória, e ver a honra conferida aos
fiéis e obedientes." (O Grande
Conflito, p. 637).
Que cena
extraordinária! Aqueles que permaneceram fiéis até a morte serão despertados
para contemplar, com seus próprios olhos, o cumprimento da bendita esperança.
Ao mesmo tempo, aqueles que rejeitaram deliberadamente a Cristo e perseguiram
Seu povo reconhecerão que Jesus é, de fato, o Rei dos reis e Senhor dos
senhores.
Assim, Daniel encerra
sua profecia olhando para além da angústia. Depois da noite vem a manhã; depois
da cruz vem a ressurreição; depois da perseguição vem o livramento; depois da
morte vem a vida eterna. O último ato da história humana não será o sofrimento,
mas a gloriosa manifestação do poder de Deus sobre a morte.
Essa verdade nos conduz
a uma importante reflexão. Ao longo deste estudo vimos que os enganos do tempo
do fim serão os mais sofisticados e poderosos de toda a história. Milhões serão
enganados, inclusive pessoas que um dia conheceram a verdade bíblica, mas
deixaram de cultivar uma experiência diária com Deus.
Diante dessa realidade,
existe apenas uma salvaguarda segura: uma vida firmada na Palavra de Deus. Não
serão os sentimentos, os milagres ou as experiências sobrenaturais que
preservarão o povo de Deus, mas um conhecimento profundo das Escrituras aliado
a uma comunhão diária com Jesus Cristo. Foi por isso que o próprio Senhor
advertiu: "À lei e ao testemunho!" (Is 8:20). Toda manifestação
religiosa deve ser examinada à luz da Palavra de Deus.
O livro do Apocalipse
termina fazendo um apelo para que permaneçamos fiéis ao evangelho eterno e
proclamemos essa mensagem ao mundo enquanto ainda dura o tempo da graça. Ainda
hoje Cristo continua intercedendo por nós no santuário celestial. Ainda hoje a
porta da misericórdia permanece aberta. Ainda hoje podemos fortalecer nossa fé
mediante o estudo da Bíblia, a oração e a obediência à vontade de Deus.
Talvez nunca tenha
havido um momento mais importante para tomar uma decisão espiritual do que
agora. Reserve diariamente um tempo para estudar as Escrituras, fortalecer sua
comunhão com Cristo e preparar-se para os acontecimentos finais da história.
Quem hoje aprende a ouvir a voz do Bom Pastor jamais será enganado pela voz do
falso pastor.
Por que adiar? Hoje é o
dia de renovar sua aliança com Cristo e firmar sua vida sobre a inabalável Palavra
de Deus.
CONCLUSÃO
Ao chegarmos ao final
desta mensagem, percebemos que Daniel 12 não foi escrito para despertar medo,
mas para fortalecer a esperança. É verdade que haverá um tempo de angústia como
nunca houve. Haverá perseguições, enganos sem precedentes, leis contrárias à
vontade de Deus e uma crise espiritual que envolverá toda a humanidade. Mas
essas não são as últimas palavras da profecia.
A primeira palavra de
Daniel 12 é Miguel. A última palavra é ressurreição. Isso significa que, do
início ao fim, Cristo permanece no controle da história. Antes da angústia, Ele
intercede por Seu povo. Durante a angústia, Ele o protege. No fim da angústia,
Ele o liberta. E, finalmente, vence a própria morte ao ressuscitar Seus filhos
fiéis.
Talvez alguns estejam
olhando para o futuro com apreensão. Talvez você já tenha pensado: "Será
que terei forças para permanecer fiel naquele tempo?" A boa notícia é que
Deus nunca pediu que enfrentássemos o amanhã com as forças de hoje. Ele promete
conceder graça suficiente para cada dia e força suficiente para cada prova.
O grande preparo para o
tempo de angústia não começará quando a crise chegar. Ele começa agora. É hoje
que aprendemos a confiar em Deus. É hoje que fortalecemos nossa vida de oração.
É hoje que permitimos que o Espírito Santo transforme nosso caráter. É hoje que
gravamos a Palavra de Deus em nosso coração. Quem caminha diariamente com
Cristo não precisará aprender a confiar nEle quando chegar o tempo da prova;
apenas continuará confiando nAquele com quem já aprendeu a andar.
Hoje, Miguel ainda
ministra em nosso favor no santuário celestial. Hoje, a porta da graça
permanece aberta. Hoje, nossos pecados ainda podem ser confessados e perdoados.
Hoje, nossos nomes podem permanecer escritos no Livro da Vida.
Mas chegará o dia em
que Cristo encerrará Sua obra de intercessão, Se levantará para libertar Seu
povo e voltará em glória para buscar aqueles que Lhe permaneceram fiéis.
Por isso, a pergunta
mais importante não é: "Como sobreviverei ao tempo de angústia?" A verdadeira
pergunta é: "Estou vivendo hoje de tal maneira que, se Jesus voltasse
agora, eu estaria pronto para encontrá-Lo?"
Meu querido irmão,
minha querida irmã, meu amigo, Cristo ainda está chamando. Ainda há tempo para
uma entrega completa. Ainda há tempo para renovar a comunhão com Deus,
reorganizar as prioridades da vida e decidir permanecer fiel, custe o que
custar.
Se este é o desejo do
seu coração, convido você a fazer uma decisão hoje. Decida separar diariamente
tempo para estudar a Bíblia, buscar a Deus em oração e permitir que o Espírito
Santo molde seu caráter à semelhança de Cristo. Decida permanecer ao lado de
Jesus, ainda que todo o mundo escolha outro caminho.
E quando Miguel Se
levantar, quando o céu se abrir, quando a trombeta de Deus soar e os mortos em
Cristo ressuscitarem, que cada um de nós esteja entre aqueles cujos nomes
permanecem escritos no Livro da Vida, para ouvir dos lábios do Salvador as
palavras que todo cristão anseia escutar:
"Vinde, benditos
de Meu Pai; entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do
mundo." (Mateus 25:34).
Que Deus nos conceda
essa graça. Amém.

Comentários
Postar um comentário