QUANDO O EUFRATES SECAR: O ÚLTIMO ATO ANTES DA VOLTA DE CRISTO
Ricardo André
Texto
Base: O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio
Eufrates. As águas do rio secaram, para que se preparasse o caminho dos reis
que vêm do Oriente. Então vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca
do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs. São espíritos de demônios,
operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro a fim de ajuntá-los
para a batalha do grande Dia do Deus Todo-Poderoso. "Eis que venho como
vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que
não ande nu, e não se veja a sua vergonha." Então ajuntaram os reis no
lugar que em hebraico se chama Armagedom” (Ap
16:12-16, NAA).
INTRODUÇÃO
Vivemos em um mundo que
caminha rapidamente para o seu desfecho. Os acontecimentos políticos,
religiosos, econômicos e ambientais revelam que a história está chegando ao seu
clímax.
As sete últimas pragas
representam os últimos juízos de Deus sobre um mundo que rejeitou
definitivamente Sua graça. Elas não são instrumentos para levar pessoas ao
arrependimento, pois o tempo da graça já se encerrou (Ap 22:11). Elas revelam a
justiça divina e anunciam que a libertação do povo de Deus está muito próxima.
A sexta praga ocupa um
lugar especial entre elas. O texto do Apocalipse 16:12-16 revela que a sexta
praga cairá sobre o rio Eufrates, fazendo com que elas se sequem. Ela não
descreve apenas um castigo, mas prepara o cenário para o maior acontecimento da
história: a gloriosa volta de Jesus Cristo.
O secamento do rio
Eufrates nos remete a um dos episódios mais impressionantes do Antigo Testamento:
a queda da antiga Babilônia diante de Ciro, rei da Pérsia. João utiliza esse
acontecimento histórico como uma figura profética para explicar o colapso da
Babilônia espiritual imediatamente antes da volta de Cristo.
Na verdade, os versos
12 a 16 relacionam três atividades muito diferentes entre si: 1) O anjo de Deus
seca o rio Eufrates, como preparativo para a vinda dos “reis que vêm do
Oriente” (v. 12, NVI); 2) os espíritos satânicos reúnem as nações no
“Armagedom” e 3) Jesus Cristo conforta e adverte o Seu povo.
O que significa o
secamento do rio Eufrates? Quem são esses reis que vem do Oriente? O que
representa a vinda desses reis?
I.
O EUFRATES DA BABILÔNIA ANTIGA: UMA PROFECIA EM FORMA DE HISTÓRIA
Para compreender
Apocalipse 16 é indispensável voltar ao livro de Daniel.
Em 539 a.C., Babilônia
parecia invencível. Seus enormes muros chegavam a aproximadamente 90 metros de
altura e eram considerados inexpugnáveis.
O rio Eufrates
atravessava a cidade real, garantindo abastecimento permanente de água. As
suas águas abundantes constituíam parte importante do sistema defensivo da
antiga Babilônia. Ele também provia Babilônia de comércio, comunicação e água
vital para a irrigação e consumo. O Eufrates era essencial à sobrevivência de
Babilônia. Ele significava “vida” para a Babilônia.
Enquanto Belsazar
promovia uma grande festa (Daniel 5), Ciro executava um plano ousado.
Na noite em que os
exércitos de Ciro, comandadas por Dario, o medo, atacaram a cidade, em 539 a.
C., o nível das água do rio achava-se muito abaixo do normal. O ataque ocorreu
numa estação em que as água costumeiramente eram mais baixas. “Historiadores
antigos relatam que os persas desviaram o Eufrates e entraram na cidade pelo
leito seco do rio, pegando, assim, a cidade de surpresa. De maneira semelhante,
o colapso da Babilônia escatológica, inimiga de Deus e de Seu povo, ocorrerá
quando os poderes civis, seculares e políticos mundiais retirarem seu apoio e
se voltarem contra a grande cidade (Ap 17:15-17)” (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v. 4, p. 718).
Uma das primeiras
providências do rei Ciro após a tomada de Babilônia, foi decretar a libertação
dos cativos judeus de seu exílio, e permitir-lhes a que retornassem a seu lar
na Judeia. Em razão da generosidade de Ciro, o profeta Isaías dele falou como
se ele fosse o próprio Jesus Cristo. Cerca de 150 anos antes do nascimento de
Ciro, Isaias retrata a Deus referindo-se a Ciro como o “Meu Pastor” e como o
Seu “ungido”, a pessoa que Ele escolhera para “subjugar as nações”. No mesmo
contexto, Isaías também apresenta a Deus dizendo: “Digo à profundeza do mar:
‘Seque, e eu secarei os seus rios.’ (Is 44:27, NAA). Jeremias também anunciou:
“Eis que defenderei a sua causa e vingarei o mal que lhe fizeram. Secarei as
águas da Babilônia e farei com que se esgotem as suas fontes” (Jr 51:36, NAA).
Nada disso foi mera
coincidência histórica. Foi um tipo profético do juízo final. Assim como
Babilônia caiu quando perdeu o apoio das águas do Eufrates, a Babilônia
espiritual cairá quando perder o apoio dos povos da Terra.
Portanto, os eventos
relacionados com a queda da antiga Babilônia constituem um modelo simbólico dos
eventos de extensão mundial relacionados com o Armagedom.
Segundo o dizer da
Bíblia, o que é que providenciará apoio vital à Babilônia do tempo do fim,
apoio este que será repentinamente removido?
II.
O QUE REPRESENTA O SECAMENTO DO EUFRATES?
Para compreendermos o
significado da sexta praga, precisamos recorrer à própria interpretação que o
livro de Apocalipse oferece sobre seus símbolos. Em Apocalipse 17, João
contempla a grande Babilônia espiritual representada por uma prostituta assentada
sobre muitas águas (Ap 17:1). O próprio texto esclarece o significado dessa
figura: "As águas que você viu, onde a prostituta está sentada, são povos,
multidões, nações e línguas" (Ap 17:15).
Assim, o grande rio
Eufrates, mencionado na sexta praga, não deve ser entendido como um rio
literal, mas como o símbolo do vasto apoio político, militar e popular que
sustenta Babilônia espiritual em sua rebelião contra Deus. Da mesma forma que o
antigo império babilônico dependia das águas do Eufrates para sua segurança, a
Babilônia do tempo do fim dependerá do apoio das nações para manter seu domínio
religioso e político.
Apocalipse 13 descreve
o auge desse poder. Depois da cura de sua ferida mortal, a besta recebe
admiração quase universal. A besta semelhante a um cordeiro, identificada como
os Estados Unidos da América, utilizará sua influência para levar os habitantes
da Terra a estabelecerem uma imagem da besta papal. O capítulo descreve um
cenário de coerção religiosa, no qual será imposto um sistema de adoração
contrário à Lei de Deus. Aqueles que permanecerem fiéis aos mandamentos divinos
serão marginalizados economicamente e, por fim, ameaçados de morte (Ap
13:11-17).
Essa mesma realidade
reaparece em Apocalipse 17 sob outra perspectiva. Ali, os "dez chifres",
símbolos dos poderes políticos do mundo, entregam "o seu poder e
autoridade à besta" e se unem para guerrear contra o Cordeiro (Ap
17:12-14). Naturalmente, essa guerra não consiste em um ataque direto contra
Cristo em Sua pessoa, mas na oposição à Sua verdade e na perseguição ao Seu
povo. Em outras palavras, Apocalipse 17:12-16 descreve o mesmo conflito
apresentado em Apocalipse 13:11-17, utilizando símbolos diferentes para
retratar a mesma crise final.
Nesse período,
Babilônia espiritual experimentará um aparente triunfo. As nações apoiarão seu
projeto religioso e político, acreditando que ela poderá oferecer estabilidade
e solução para as crises mundiais. Sua confiança será tão grande quanto a da
antiga Babilônia, que se julgava inexpugnável por possuir o rio Eufrates
atravessando suas muralhas.
Entretanto, exatamente
como ocorreu em 539 a.C., esse apoio desaparecerá de forma repentina.
A sexta praga descreve
essa dramática reviravolta. João declara que o grande rio Eufrates seca,
preparando o caminho para os reis que vêm do Oriente (Ap 16:12). Esse
"secamento" representa a retirada do apoio popular e político que
sustentava Babilônia.
A confirmação dessa
interpretação aparece no próprio capítulo seguinte. Apocalipse 17:16 afirma: "Os
dez chifres que você viu e a besta odiarão a prostituta; eles a deixarão
devastada e nua, comerão a sua carne e a destruirão com fogo."
Logo em seguida, João
acrescenta uma importante informação: "Porque Deus incutiu no coração
deles [das nações] que realizem o seu propósito, executem-no de comum acordo
[...]" (Ap 17:17, NAA).
Percebemos, portanto,
que o secamento do Eufrates não é simplesmente resultado das circunstâncias
históricas. Trata-se de uma intervenção direta da providência divina. Assim
como um anjo derrama a sexta taça sobre o rio Eufrates, é Deus quem conduz os
acontecimentos para retirar de Babilônia o apoio que ela julgava possuir para
sempre.
Nesse momento, milhões
de pessoas compreenderão que foram enganadas. As promessas de paz, prosperidade
e segurança feitas pela Babilônia espiritual revelar-se-ão ilusórias. Aqueles
que confiaram cegamente em seus líderes religiosos despertarão para a realidade
e perceberão que depositaram sua esperança em um sistema que os conduziu ao
engano.
O Comentário Bíblico Andrews descreve esse processo de forma muito
esclarecedora: "À medida que as pessoas vivenciam as convulsões na
natureza, elas recorrerão a Babilônia em busca de proteção. Contudo, à medida
que a quinta praga atingir a própria sede da autoridade da besta (16:10), as
pessoas desiludidas perceberão a extensão da incapacidade de Babilônia para
protegê-las dos efeitos das pragas. Sentindo-se enganadas e cheias de
hostilidade, elas se unirão contra Babilônia e a destruirão" (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v.
4, p. 718).
Esse profundo
sentimento de desilusão constitui o verdadeiro "secamento" do
Eufrates. A fonte de sustentação da Babilônia moderna desaparece. O sistema
religioso apóstata perde completamente sua credibilidade diante das multidões
que antes o exaltavam.
Ellen G. White descreve
essa impressionante mudança de atitude:
"O povo vê que foi
iludido. Um acusa ao outro de o ter levado à destruição; todos, porém, se unem
em acumular suas mais amargas condenações contra os ministros. Pastores infiéis
profetizaram coisas agradáveis, levaram os ouvintes a anular a lei de Deus e a
perseguir os que a queriam santificar. Agora, em seu desespero, esses
ensinadores confessam perante o mundo sua obra de engano. As multidões estão
cheias de furor. 'Estamos perdidos!' exclamam; 'e vós sois a causa de nossa
ruína'; e voltam-se contra os falsos pastores. Aqueles mesmos que mais os
admiravam, pronunciarão as mais terríveis maldições sobre eles. As mesmas mãos
que os coroavam de lauréis, levantar-se-ão para destruí-los. As espadas que
deveriam matar o povo de Deus, são agora empregadas para exterminar os seus
inimigos. Por toda parte há contenda e morticínio" (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2006], p. 655-656).
Essa cena constitui o
antítipo da queda da antiga Babilônia. No passado, Ciro conquistou a cidade
depois que as águas literais do Eufrates foram desviadas. No tempo do fim, a
intervenção divina fará "secar" o Eufrates simbólico, isto é,
retirará da Babilônia espiritual o apoio dos povos sobre os quais ela edificava
seu poder.
Essa tipologia aparece
repetidamente nas Escrituras. O livramento do povo de Deus frequentemente veio
do Oriente: Israel saiu do Egito caminhando em direção ao leste; o Mar Vermelho
abriu-se mediante um forte vento oriental; Babilônia foi conquistada pelos
medos e persas que vieram do norte e do leste. Esses episódios apontavam para
um livramento muito maior.
Sob a sexta praga,
quando o apoio das nações desaparecer completamente e Babilônia for
desmascarada diante do mundo, o caminho estará preparado para a intervenção
definitiva do Céu. Os "reis que vêm do lado do nascimento do Sol" —
Cristo e os exércitos celestiais — descerão para derrotar definitivamente
Babilônia espiritual e libertar o povo fiel de Deus. Assim como o secamento do
Eufrates abriu caminho para a conquista de Babilônia pelos medos e persas, o
"secamento" do Eufrates espiritual abrirá caminho para a gloriosa
vitória do Rei dos reis.
III.
QUEM SÃO OS REIS QUE VÊM DO ORIENTE?
A expressão "os
reis que vêm do Oriente" é uma das mais ricas e belas imagens proféticas
do Apocalipse. Para compreendê-la corretamente, é necessário voltar novamente
ao episódio histórico que serve de pano de fundo para a sexta praga.
Na queda da antiga
Babilônia, o libertador foi Ciro, rei da Pérsia. Seu império situava-se a leste
de Babilônia, e foi justamente do Oriente que veio aquele que Deus utilizou
para derrotar o império opressor e libertar Seu povo do cativeiro.
Contudo, a profecia de
Apocalipse transcende a figura histórica de Ciro. Ele foi apenas um tipo do
verdadeiro Libertador. Não por acaso, Isaías o chama de "ungido" (Is
45:1), um título normalmente reservado ao Messias. Embora Ciro tenha
desempenhado um papel extraordinário na história da redenção, o verdadeiro
Ungido de Deus é Jesus Cristo, o Libertador definitivo do Seu povo.
Além disso, o Oriente
ocupa um lugar especial na simbologia bíblica. Foi ao Oriente que Deus plantou
o jardim do Éden; do Oriente veio a glória do Senhor para encher o templo (Ez
43:2); no Oriente surgiu a estrela que anunciou o nascimento do Salvador. O
próprio Cristo associou Sua segunda vinda ao Oriente quando declarou: "Porque,
assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra até ao Ocidente, assim há de
ser a vinda do Filho do Homem." (Mt 24:27)
Dentro dessa perspectiva,
a interpretação adventista identifica os "reis que vêm do Oriente"
como Cristo acompanhado pelos exércitos celestiais.
O Comentário Bíblico Andrews afirma: "Portanto, 'os reis que vêm
do Oriente mencionados em Apocalipse 16, são Cristo e Seu exército de santos,
que lutarão na batalha final (17:14)'" (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v. 4, p. 719).
Essa cena é
desenvolvida de maneira grandiosa em Apocalipse 19. João contempla o Céu aberto
e vê Cristo montado em um cavalo branco, vindo como Rei dos reis e Senhor dos
senhores, acompanhado pelos exércitos celestiais. Sua missão é consumar a
derrota de Babilônia espiritual, destruir definitivamente as forças do mal e
libertar Seu povo fiel.
Nesse contexto,
torna-se ainda mais significativa a analogia com a conquista da antiga
Babilônia. Assim como Ciro entrou na cidade somente depois que o Eufrates
secou, Cristo aparecerá em glória quando a Babilônia espiritual perder
completamente o apoio das nações.
Essa relação tipológica
é sintetizada por Ranko Stefanovic: "Assim como Ciro conquistou Babilônia
depois que o Eufrates secou, Cristo aparecerá para destruir a Babilônia do
tempo do fim depois que ela perder o apoio dos povos" (Revelação de Jesus Cristo, comentário
de Apocalipse 16).
Dessa forma, a sexta
praga não aponta apenas para a queda da Babilônia espiritual, mas, sobretudo,
para a gloriosa manifestação do verdadeiro Rei do Oriente. O secamento do
Eufrates anuncia que o domínio do mal chegou ao fim e que o caminho está aberto
para a intervenção vitoriosa de Cristo, que virá estabelecer Seu reino eterno e
conduzir Seu povo à libertação definitiva.
IV.
O ARMAGEDOM: A ÚLTIMA BATALHA ENTRE CRISTO E SATANÁS
Depois que o rio
Eufrates seca, preparando o caminho para os reis que vêm do Oriente, João
contempla uma nova cena que revela a derradeira ofensiva de Satanás contra Deus
e Seu povo. O profeta escreve que da boca do dragão, da besta e do falso
profeta saem "três espíritos imundos semelhantes a rãs", os quais
realizam sinais miraculosos para seduzir os reis da Terra e reuni-los para
"a batalha do grande Dia do Deus Todo-Poderoso", no lugar chamado
Armagedom (Ap 16:13-16).
Esses três espíritos
imundos representam o poder enganador dos demônios atuando por meio de uma
tríplice aliança religiosa que exercerá influência mundial. O dragão simboliza o paganismo e o
espiritismo; a besta do mar
representa o papado; e o falso profeta
identifica o protestantismo apostatado, que abandonará a fidelidade às
Escrituras para unir-se aos poderes religiosos e políticos da Terra (Ap
13:11-12). Unidos sob a liderança de Satanás, esses três sistemas formarão uma
poderosa confederação religiosa destinada a conduzir o mundo à falsa adoração e
à oposição aberta contra Deus.
Seu objetivo será
convencer governantes e nações de que a sobrevivência da humanidade depende da
eliminação daqueles que permanecem fiéis aos mandamentos de Deus. Assim, por
meio de sinais sobrenaturais e de intenso engano espiritual, procurarão
mobilizar os poderes civis para participarem da grande batalha contra o governo
divino.
Sobre esse momento,
Ellen G. White escreveu: "Assim como Satanás influenciou Esaú a marchar
contra Jacó, instigará os ímpios a destruírem o povo de Deus no tempo de
angústia" (O Grande Conflito [CPB,
2006], p. 618).
O Comentário Bíblico Andrews identifica claramente essa tríplice
união religiosa: "os quais constituem a 'grande Babilônia' dos últimos
dias" (CBA [CPB, 2025], v. 4, p.
720).
Portanto, espiritismo,
papado e protestantismo apostatado estarão plenamente unidos sob o comando do
príncipe das trevas. Embora aparentem possuir objetivos distintos, estarão
harmonizados em um mesmo propósito: combater Cristo perseguindo aqueles que
permanecem leais à Sua Palavra.
Essa união será
fortalecida por extraordinárias manifestações sobrenaturais. Os espíritos
demoníacos concederão aos três poderes religiosos a capacidade de realizar
prodígios destinados a impressionar e convencer o mundo inteiro.
O Comentário Bíblico Andrews afirma: "a realizar sinais
miraculosos como meio de persuasão. As atividades da trindade demoníaca
resultarão em grande sucesso, pois os reis do mundo, ou seja, aqueles que detém
o poder, serão enganados. Então, o cenário estará montado para o confronto
final" (Idem, p. 719).
Essa descrição
harmoniza-se perfeitamente com as advertências proféticas de Ellen G. White: "Satanás
também opera com prodígios de mentira, fazendo mesmo descer fogo do céu, à
vista dos homens (Ap 13:13)" (O
Grande Conflito [CPB, 2006], p. 612).
Diante desse cenário,
torna-se evidente que o Armagedom não deve ser compreendido como uma guerra
convencional restrita ao Oriente Médio, conforme sustentam algumas correntes da
escatologia cristã. Na compreensão historicista adventista, o Armagedom
representa o conflito espiritual culminante entre Cristo e Satanás, no qual
estarão envolvidos todos os habitantes da Terra.
Será o derradeiro
esforço do reino das trevas para destruir o povo remanescente de Deus antes da
volta de Jesus. Nesse momento decisivo da história, toda a humanidade será
chamada a tomar posição. Não haverá espaço para neutralidade. Cada pessoa
escolherá permanecer ao lado do Cordeiro ou unir-se à rebelião liderada por
Babilônia.
Ellen G. White confirma
essa compreensão ao escrever: "Precisamos estudar o derramamento da sétima
taça. Os poderes do mal não darão por encerrado o conflito sem uma peleja. Mas
a Providência divina tem uma parte a desempenhar na batalha do Armagedom.
Quando a Terra for iluminada com a glória do anjo de Apocalipse 18, os
elementos religiosos, bons e maus, despertarão do sono, e os exércitos do Deus
vivo entrarão em combate" (Comentários de Ellen G. White em Comentário Bíblico Adventista [CPB, 2015],
vol. 7, p. 1099).
Em outra ocasião, ela reforça: "Em breve, muito em breve, será travada a última grande batalha entre o bem e o mal." (Eventos Finais [CPB, 2011], p. 143).
E amplia ainda mais
essa perspectiva: "Dois grandes poderes opostos são revelados na última
grande batalha. De um lado está o Criador dos céus e da Terra. Todos os que se
encontram do Seu lado têm o Seu selo. Eles são obedientes as Suas ordens. Do
outro lado está o príncipe das trevas, com os que escolheram a apostasia e a
rebelião." (Comentários de Ellen G. White em Comentário Bíblico Adventista [CPB, 2015], vol. 7, p. 1098, 1099).
Se o Armagedom é um
conflito espiritual de alcance mundial, surge naturalmente uma pergunta: onde
essa batalha será travada?
A resposta encontra-se
nas próprias Escrituras. João declara que os espíritos demoníacos "vão aos
reis de todo o mundo, a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do Deus
todo-poderoso" (Ap 16:14, NVI). O texto não restringe o conflito a uma
pequena região do planeta, mas mostra que sua abrangência é universal. Trata-se
de uma crise que envolverá governos, nações, sistemas religiosos e toda a
humanidade. Além disso, do ponto de vista prático, seria impossível reunir
literalmente todos os exércitos do mundo em um único campo de batalha.
Ellen G. White confirma
essa dimensão global ao declarar: "A Terra será o campo de batalha – o
local da peleja da vitória final. Aqui, em que por tanto tempo Satanás tem
instigado os seres humanos contra Deus, a rebelião será debelada para
sempre" (Eventos Finais [CPB,
2011], p. 143).
João descreve esse
confronto final utilizando diferentes imagens ao longo do Apocalipse. Em uma
delas afirma: "Guerrearão contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá,
pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; e vencerão com ele os seus
chamados, escolhidos e fiéis" (Ap 17:14, NVI).
Mais adiante, apresenta
a mesma cena sob outro símbolo: "Então vi a besta, os reis da terra e os
seus exércitos reunidos para guerrearem contra aquele que está montado no
cavalo e contra o seu exército" (Ap 19:19, NVI).
Enquanto esse conflito
se desenvolve, o mundo mergulhará em uma crise sem precedentes. O colapso
econômico, político, social e moral será acompanhado de guerras, violência e
instabilidade crescente.
Ellen G. White descreve
esse cenário impressionante: "Quando Deus ordenar a Seus anjos que soltem
os ventos, haverá uma cena de lutas que nenhuma caneta conseguirá
descrever" (Educação [CPB, 2021],
p. 128).
Entretanto, mesmo nesse
ambiente de aparente triunfo das forças do mal, a coalizão formada por
Babilônia começará a ruir. Aqueles mesmos reis que antes lhe ofereciam
sustentação retirarão seu apoio, cumprindo o simbolismo do secamento do rio
Eufrates.
Vanderlei Dorneles
explica essa sequência profética com grande clareza: "O contexto deixa
claro que a coalizão de reis que sustentam Babilônia na crise final será
desfeita na sexta praga. João diz que os 'três espíritos' buscam o apoio dos
'reis do mundo inteiro' (Ap 16:13). Depois indica que a meretriz está 'sentada
sobre muitas águas' (17:1) e 'montada' sobre os 'reis' (17:2, 3, 17). Ainda
afirma que as 'águas são povos, multidões, nações e línguas' (17:15). Logo, a
retirada das 'águas' indica o fim do apoio dos reis e das nações da Terra à
Babilônia (16:12). Assim, a secagem das águas determina a completa fragmentação
da coalizão formada pelos 'espíritos' (religiões) e os 'reis' (poderes
políticos) da Terra" (Armagedom: a
última batalha. Revista Ministério, jul.-ago. 2016).
Essa fragmentação
marcará o início da derrota definitiva de Babilônia. O sistema religioso que
parecia invencível perderá sua base de sustentação, preparando o cenário para o
ato culminante da história da redenção.
Quando todas as
esperanças humanas se esgotarem, quando o povo de Deus parecer cercado por
todos os lados e quando Satanás imaginar ter conquistado sua vitória
definitiva, o Céu se abrirá.
Então, Cristo aparecerá
em glória. O verdadeiro Rei dos reis descerá acompanhado dos exércitos
celestiais para vencer o Armagedom, destruir definitivamente Babilônia espiritual
e libertar para sempre o Seu povo fiel. Nesse momento cumprir-se-á a promessa
de Apocalipse 17:14: "o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores
e o Rei dos reis."
V.
A VOLTA DE JESUS COLOCARÁ FIM À BABILÔNIA
A sexta praga prepara o
cenário; a sétima conduz a história ao seu desfecho definitivo. Com a gloriosa
volta de Jesus, chega ao fim o mundo como o conhecemos. Aquilo que começou com
a rebelião de Lúcifer e atravessou toda a história humana termina com a vitória
absoluta de Cristo.
A queda da antiga
Babilônia não foi apenas um acontecimento marcante da história antiga. Ela
constitui uma poderosa profecia em forma de história. Assim como Deus secou
literalmente as águas do rio Eufrates para abrir caminho à conquista da cidade
por Ciro e libertar Seu povo do cativeiro, também retirará o apoio político,
religioso e popular que sustenta a Babilônia espiritual dos últimos dias. E,
assim como Ciro entrou em Babilônia como libertador dos cativos, Cristo virá
como o verdadeiro Rei do Oriente para libertar definitivamente todos os Seus
filhos.
Nenhum poder humano
conseguirá impedir Sua chegada. Nenhuma coligação de nações poderá resistir ao
Rei dos reis. Os impérios deste mundo cairão diante da majestade daquele que vem
para estabelecer Seu reino eterno.
No relato da sexta
praga, João interrompe momentaneamente a descrição dos juízos divinos para
registrar as palavras do próprio Cristo: “Eis que venho como ladrão!” (Ap
16:15, NVI).
Essa é a única
interrupção no relato das sete últimas pragas. Em meio ao cenário de juízo,
Jesus dirige um último chamado ao Seu povo para permanecer vigilante, vestido
com as vestes da justiça de Cristo e preparado para encontrá-Lo.
Em Seu grande sermão
profético, Cristo descreveu esse momento extraordinário: “Aparecerá no céu o
sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o
Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória” (Mt 24:30,
NVI).
Mas
qual será esse sinal? Ellen G. White responde de maneira
impressionante: “Surgirá logo no
Oriente uma pequena nuvem escura, aproximadamente da metade do tamanho da mão
de um homem. Será a nuvem que rodeará o Salvador, e que, à distância, parecerá
estar envolta em trevas. O povo de Deus saberá ser esse o sinal do Filho do
Homem. Em silêncio solene, irão contemplá-la enquanto se aproxima da Terra,
mais e mais brilhante e gloriosa, até se tornar uma grande nuvem branca,
mostrando na base uma glória semelhante ao fogo consumidor e, acima dela, o
arco-íris do concerto. Jesus, na nuvem, avançará como poderoso vencedor” (O Grande Conflito [CPB, 2006], p. 640, 641).
Enquanto essa pequena
nuvem surgir no horizonte oriental, o mundo viverá seus momentos mais
dramáticos. As sete últimas pragas estarão sendo derramadas, as nações estarão
mergulhadas em conflitos devastadores, e a humanidade caminhará perigosamente
para a autodestruição. A sétima trombeta descreve exatamente esse cenário ao
anunciar o tempo em que "as nações se iraram" e chegou o momento de
Deus destruir "os que destroem a terra" (Ap 11:15-18).
No início, muitos
olharão para aquela pequena nuvem apenas com curiosidade. Perguntarão uns aos
outros: “Que nuvem é essa? O que está acontecendo?” Contudo, à medida que ela
se aproximar da Terra, tornar-se-á cada vez maior, mais brilhante e mais
gloriosa. Pouco a pouco, cessarão todas as atividades humanas. As ruas se
calarão. As guerras serão interrompidas. Todos os olhos se voltarão para o céu.
Então ficará evidente
que aquela não é uma nuvem comum. É o cumprimento da promessa feita pelo
próprio Cristo: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem [...]” (Mt
24:30).
Naquela nuvem estará
Jesus Cristo. Não mais como o humilde carpinteiro de Nazaré. Não mais como o
Servo sofredor. Não mais como o Homem das dores. Agora Ele virá revestido de
majestade, glória e poder, como Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Nesse momento cumprir-se-á
outra solene profecia: “Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até
mesmo aqueles que o traspassaram; e todos os povos da terra se lamentarão por
causa dele. Assim será! Amém” (Ap 1:7, NVI).
Sua vinda será visível,
universal e gloriosa. Como o próprio Jesus afirmou: “Porque, assim como o
relâmpago sai do Oriente e se mostra até ao Ocidente, assim será a vinda do
Filho do homem” (Mt 24:27, NVI).
Toda a humanidade
compreenderá que chegou o momento decisivo da história. Então aparecerão dois
grupos completamente distintos.
Para uns, será o maior
dia de terror. Para outros, o maior dia de alegria. Aqueles que rejeitaram
persistentemente os apelos da graça perceberão, tarde demais, que desprezaram o
único Salvador. Dominados pelo desespero, procurarão esconder-se da presença
daquele que vem assentado sobre o trono.
João descreve essa cena
de maneira profundamente comovente: “O céu foi se recolhendo como se enrola um
pergaminho, e todas as montanhas e ilhas foram removidas de seus lugares. Então
os reis da terra, os príncipes, os generais, os ricos, os poderosos — todos os
homens, quer escravos, quer livres, esconderam-se em cavernas e entre as rochas
das montanhas. Eles gritavam às montanhas e às rochas: "Caiam sobre nós e
escondam-nos da face daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro!
Pois chegou o grande dia da ira deles; e quem poderá suportar?” (Ap 6:14-17,
NVI).
Esse medo culminará em
destruição.
Ellen G. White descreve
o destino dos ímpios: “Na desvairada contenda de suas próprias e violentas paixões,
e pelo derramamento terrível da ira de Deus sem mistura, sucumbem os ímpios
habitantes da Terra — sacerdotes, governadores e povo, ricos e pobres, elevados
e baixos. ‘E serão os mortos do Senhor, naquele dia, desde uma extremidade da
Terra até à outra extremidade da Terra; não serão pranteados nem recolhidos,
nem sepultados.’ Jeremias 25:33. Por ocasião da vinda de Cristo os ímpios são
eliminados da face de toda a Terra: consumidos pelo espírito de Sua boca, e
destruídos pelo resplendor de Sua glória. Cristo leva o Seu povo para a cidade
de Deus, e a Terra é esvaziada de seus moradores” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 657).
Mas, para o povo de
Deus, esse será o momento mais esperado de toda a história.
Ao contemplarem Cristo
aproximando-Se da Terra, os salvos reconhecerão que terminou a longa noite do
pecado. Finalmente chegou o dia da redenção.
Com profunda emoção
proclamarão: “Naquele dia dirão: "Esse é o nosso Deus; nós confiamos nele,
e ele nos salvou. Esse é o Senhor, nós confiamos nele; exultemos e
alegremo-nos, pois ele nos salvou" (Isaías 25:9, NVI).
Então ocorrerá um dos
acontecimentos mais emocionantes do plano da redenção. A voz de Cristo
despertará todos os justos que dormem.
Ellen G. White escreve:
“Os preciosos mortos, desde Adão aos últimos santos que morrerem, hão de ouvir
a voz do Filho de Deus e sairão dos sepulcros para a vida imortal” (Eventos Finais [CPB, 2011], p. 158).
Que cena gloriosa será
essa! Famílias serão reunidas. Pais abraçarão filhos. Filhos reencontrarão seus
pais. Esposos voltarão a encontrar suas esposas. Amigos separados pela morte
jamais tornarão a dizer adeus.
Como descreve Ellen White,
“criancinhas são levadas pelos santos anjos aos braços de suas mães. Amigos há
muito separados pela morte, reúnem-se, para nunca mais se separarem, e com
cânticos de alegria ascendem juntamente para a cidade de Deus” (Ellen G. White,
O Grande Conflito, p. 645).
Será o grande
reencontro de todos os remidos de todas as épocas: patriarcas, profetas,
apóstolos, reformadores, mártires e todos aqueles que permaneceram fiéis ao
Cordeiro.
Mas a maior alegria
ainda estará por vir. Veremos face a face Aquele que morreu por nós. Receberemos
nossa herança eterna. Seremos definitivamente adotados na família celestial.
Como afirma a Palavra
de Deus: “O vencedor herdará tudo isto, e eu serei seu Deus e ele será meu
filho” (Ap 21:7, NVI).
E descobriremos,
maravilhados, quanto o Céu trabalhou em nosso favor durante toda a nossa
existência.
Ellen White declara: “Todo
redimido compreenderá o serviço dos anjos em sua própria vida. Que maravilha
será entreter conversa com o anjo que foi o seu guardador desde os seus
primeiros momentos, que lhe vigiou os passos e cobriu a cabeça no dia de
perigo, que o protegeu no vale da sombra da morte, que assinalou o seu lugar de
repouso, que foi o primeiro a saudá-lo na manhã da ressurreição [...]. De que
perigos, visíveis e invisíveis, temos sido protegidos mediante a intervenção de
anjos, jamais saberemos até que, à luz da eternidade, as providências de Deus
nos sejam reveladas” (Eventos Finais
[CPB, 2011], p. 170).
Finalmente, o grande
conflito chegará ao seu término. O pecado será erradicado. Os pecadores impenitentes
não mais existirão. O Universo voltará a viver em perfeita harmonia.
Como conclui Ellen G.
White: “O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O
Universo inteiro está purificado. Uma única palpitação de harmonioso júbilo
vibra por toda a vasta criação. DAquele que tudo criou emanam vida, luz e
alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até
ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena
beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 678).
Diante dessa gloriosa
realidade, resta apenas uma decisão a ser tomada. Não existem três destinos
eternos, mas apenas dois. Ou permaneceremos ao lado de Babilônia e
compartilharemos de sua destruição, ou permaneceremos ao lado do Cordeiro e
herdaremos Seu reino eterno.
Vivemos nos dias em que
as profecias caminham rapidamente para seu cumprimento. O cenário da sexta
praga está sendo preparado diante de nossos olhos. A questão decisiva não é
quando essas profecias se cumprirão, mas de que lado estaremos quando elas se
cumprirem.
Quando Cristo aparecer
nas nuvens do céu, nosso coração será tomado por terror ou por alegria?
Hoje, a porta da graça
ainda permanece aberta. Hoje, Cristo ainda convida. Hoje, ainda podemos
escolher permanecer ao Seu lado.
O verdadeiro Rei do
Oriente está a caminho. Ele vem para destruir definitivamente Babilônia,
libertar Seu povo e estabelecer um reino eterno de justiça e paz.
Que todos nós estejamos
entre aqueles que, contemplando o Salvador em Sua glória, possam exclamar com
alegria: "Esse é o nosso Deus; nós confiamos nele, e ele nos salvou. Esse
é o Senhor, nós confiamos nele; exultemos e alegremo-nos, pois ele nos
salvou" (Is 25:9, NVI).
E que, naquele glorioso
dia, possamos dizer com plena convicção: “Este é o Senhor a quem aguardávamos!”
Amém.

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