NUNCA MAIS NOS SEPARAREMOS
Ricardo
André
Texto
base: “Porque, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o
ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em
Cristo ressuscitarão primeiro. Depois, nós, os que estivermos vivos, seremos
arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. Assim,
estaremos com o Senhor para sempre” (1
Tessalonicenses 4:16, 17, NVI).
INTRODUÇÃO
Poucas experiências na
vida são tão dolorosas quanto as despedidas. Desde muito cedo aprendemos que a
existência humana é marcada por encontros e separações. Ao longo da vida, somos
obrigados a dizer adeus inúmeras vezes. Algumas despedidas acontecem quando um
filho deixa a casa dos pais para estudar em outra cidade, em outro estado ou até
em outro país. Outras ocorrem quando um amigo muda de endereço, quando um
familiar aceita um novo emprego ou quando as circunstâncias da vida obrigam
pessoas que se amam a seguirem caminhos diferentes.
Há despedidas em
aeroportos, rodoviárias, estações e portões de casa. Há abraços demorados,
lágrimas discretas, promessas de reencontro e a esperança de que a distância
será apenas temporária.
Quem nunca se despediu
de alguém que ama? Todos nós, em algum momento da vida, experimentamos a dor da
separação. E, por mais que saibamos que aquele adeus não será definitivo, o
coração custa a aceitar a ausência. A casa parece maior e mais silenciosa. A
cadeira permanece vazia. O telefone demora a tocar. As fotografias passam a
falar mais alto do que as palavras. A saudade transforma pequenas lembranças em
grandes emoções.
Eu mesmo vivi uma experiência
que jamais esqueci. Quando deixei minha cidade natal, Cabo de Santo Agostinho,
em Pernambuco, em fevereiro de 1993, para vir morar em Lagarto, Sergipe,
experimentei uma das despedidas mais marcantes da minha vida. Despedir-me dos
amigos, dos meus irmãos e, especialmente, de minha mãe, Noêmia Cordeiro, foi
uma experiência profundamente dolorosa. Ainda consigo recordar aquele abraço.
Naquela noite, enquanto
nos despedíamos, minha mãe e eu choramos juntos. Eu não imaginava que aquela
cena ficaria gravada para sempre em minha memória. Hoje, olhando para trás,
percebo que aquele abraço foi muito mais do que uma despedida. Foi uma
demonstração silenciosa de amor, daqueles momentos que o tempo jamais consegue
apagar.
Entretanto, existe uma
despedida infinitamente mais dolorosa do que aquela provocada pela distância. É
a despedida causada pela morte.
Não existe dor maior do
que permanecer diante de um caixão, contemplar pela última vez o rosto de
alguém que amamos e acompanhar, em silêncio, o cortejo até o cemitério. Naquele
momento, o abraço se torna impossível. A voz se cala. O sorriso desaparece. O
lugar antes ocupado por aquela pessoa permanece vazio, e a saudade passa a
fazer parte da rotina.
São despedidas que
atravessam a alma. Despedidas que deixam um silêncio que nenhuma palavra
consegue preencher. Despedidas que parecem definitivas.
É nesse momento que
somos introduzidos ao doloroso processo do luto. Um processo natural, mas
profundamente desafiador, de reorganização da vida diante da ausência de quem
amamos. O luto não faz distinção de idade, posição social ou religião. Mais
cedo ou mais tarde, todos nós passaremos por ele.
E talvez a parte mais
difícil do luto seja perceber que daríamos qualquer coisa por aquilo que já não
pode acontecer. Quem perdeu alguém que ama sabe exatamente do que estou
falando.
Daríamos a própria vida
por mais um abraço. Por mais uma conversa. Por mais um sorriso. Por mais um
"eu te amo". Não para mudar a história, mas apenas para viver mais
uma vez aqueles preciosos instantes que a morte levou.
Foi exatamente por isso
que Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro (Jo 11:35). Embora soubesse que, em
poucos instantes, devolveria a vida ao Seu amigo, Cristo compartilhou da dor
daquela família. Suas lágrimas revelam que Deus não é indiferente ao sofrimento
humano. Ele conhece a angústia da separação. Ele sente a dor das despedidas.
É justamente nesses
momentos que nasce, no íntimo da alma humana, um dos maiores anseios do
coração: viver em um lugar onde nunca mais seja preciso dizer adeus.
Um mundo sem hospitais.
Sem cemitérios. Sem funerais. Sem lágrimas. Sem luto. Um mundo onde pais nunca
mais sepultarão filhos; onde esposos jamais perderão suas companheiras; onde
amigos nunca mais serão separados; onde as famílias permanecerão unidas para
sempre.
E essa não é apenas uma
esperança construída pelo desejo humano. É uma promessa feita pelo próprio
Deus. Ao escrever aos cristãos de Tessalônica, que choravam a perda de seus
irmãos na fé, o apóstolo Paulo apresentou a resposta divina para a maior
tragédia da humanidade: a separação provocada pela morte.
Em 1 Tessalonicenses 4:16-18, encontramos uma das mais belas promessas
de toda a Bíblia: muito em breve Jesus descerá do Céu, os mortos em Cristo
ressuscitarão, os salvos vivos serão transformados e, finalmente, todos os
remidos estarão reunidos com o Senhor.
Naquele
glorioso dia, o último adeus da história será vencido para sempre. Naquele
dia, nunca mais nos separaremos.
I.
JESUS VIRÁ PESSOALMENTE BUSCAR O SEU POVO
Depois de apresentar a
dor da separação causada pela morte, o apóstolo Paulo dirige os olhos dos
cristãos para a maior esperança da fé: a
volta de Jesus Cristo. Escrevendo aos irmãos de Tessalônica, que estavam
aflitos pela morte de alguns membros da igreja, ele lhes assegura que a morte
não teria a palavra final.
É nesse contexto que
Paulo faz uma declaração extraordinária: “Porque o próprio Senhor descerá dos
céus [...]” (1Ts 4:16).
Observe que o apóstolo
faz questão de destacar duas palavras que enchem o coração de esperança: “o próprio Senhor”.
Essa expressão não foi
empregada por acaso. Ela enfatiza que Cristo não delegará essa missão a
ninguém. A maior operação de resgate da história da humanidade não será
realizada por um representante celestial.
Jesus não enviará um
anjo. Não enviará um arcanjo. Não enviará um mensageiro em Seu lugar. Ele mesmo
virá.
O Salvador que nasceu
em Belém da Judeia voltará. O Mestre que caminhou pelas estradas poeirentas da
Galileia voltará. O Homem de dores que chorou diante do túmulo de Lázaro
voltará. O Cordeiro que carregou a cruz do Calvário voltará. Aquele que venceu
o pecado, derrotou Satanás e triunfou sobre a morte voltará para concluir a
obra da redenção.
Essa sempre foi a
promessa de Cristo aos Seus discípulos. Na noite anterior à crucifixão, quando
o coração deles estava tomado pela tristeza, Jesus lhes deixou uma garantia que
atravessou os séculos: “Que o coração de vocês não fique angustiado; vocês
creem em Deus, creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se
não fosse assim, eu já lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês. E,
quando eu for e preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para
que, onde eu estou, vocês estejam também” (Jo 14:1-3, NAA).
Perceba que a promessa
de Jesus não é apenas voltar. Seu propósito é receber o Seu povo. O Céu não
será apenas um lugar maravilhoso; será o lugar onde estaremos para sempre com
Aquele que nos amou tanto que entregou Sua vida por nós.
Infelizmente, ao longo
da história, muitos procuraram espiritualizar ou simbolizar a Segunda Vinda,
reduzindo-a a uma experiência subjetiva ou a um acontecimento meramente
espiritual. Contudo, a Bíblia apresenta a volta de Cristo como um evento
literal, pessoal, visível, audível e glorioso.
Ela será literal, porque Jesus realmente
voltará.
Será pessoal, porque será o próprio Cristo
quem virá.
Será visível, pois "todo olho o
verá" (Ap 1:7).
Será audível, pois ocorrerá "com grande
brado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus" (1Ts 4:16).
E será gloriosa, porque Cristo virá cercado
pela glória do Pai e acompanhado de todos os Seus santos anjos (Mt 25:31).
Não haverá segredo. Não
haverá dúvida. Não haverá necessidade de alguém anunciar que Cristo voltou,
porque o Universo inteiro testemunhará esse acontecimento.
Que contraste
extraordinário! Na Sua primeira vinda, Jesus nasceu em uma humilde estrebaria.
Poucos perceberam Sua chegada. Na segunda vinda, porém, não haverá uma
manjedoura, mas as nuvens do céu; não haverá silêncio, mas o toque da trombeta
de Deus; não haverá apenas alguns pastores para recebê-Lo, mas milhões de
remidos e uma incontável multidão de anjos celebrando a vitória do Rei dos
reis.
E o mais emocionante é
que Ele virá por uma razão muito especial: buscar aqueles que confiaram Nele e
permaneceram fiéis até o fim.
Cristo não voltará
apenas para encerrar a história deste mundo. Ele voltará para reunir Sua
família, enxugar as lágrimas dos Seus filhos e conduzi-los ao lar eterno, onde
jamais experimentarão outra despedida.
II.
A MORTE NÃO TERÁ A ÚLTIMA PALAVRA
Depois de afirmar que o
próprio Senhor descerá do Céu, Paulo apresenta a primeira grande consequência
desse glorioso acontecimento: “E os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro”
(1Ts 4:16).
Essa pequena frase
contém uma das mais extraordinárias promessas de toda a Bíblia. Ela nos
assegura que a morte não terá a palavra final sobre a vida dos filhos de Deus.
Do ponto de vista
humano, a morte parece invencível. Ela invade lares, interrompe sonhos, cala
vozes, desfaz abraços e rompe os vínculos mais preciosos da existência. Ela
separa esposos que caminharam juntos durante décadas. Separa pais e filhos.
Separa irmãos. Separa amigos. Separa membros da mesma igreja. Diante dela, o
ser humano sente toda a sua fragilidade.
Mas, para aqueles que
pertencem a Cristo, a morte não representa o fim da história. Ela é um inimigo
derrotado na cruz do Calvário.
Quando Jesus saiu
vitorioso do túmulo na manhã da ressurreição, Ele quebrou o poder da morte e
garantiu a vitória definitiva a todos os que Nele creem. Por isso, o apóstolo
Paulo pôde declarar com confiança:
“Tragada foi a morte
pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu
aguilhão?” (1Co 15:54-55).
À luz do evangelho, o
cemitério deixa de ser um ponto final para tornar-se um lugar de repouso
temporário. As sepulturas não guardarão para sempre aqueles que morreram em
Cristo. Elas aguardam o momento em que serão abertas pela voz daquele que
declarou: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11:25).
Na manhã da volta de
Jesus, o silêncio dos cemitérios será interrompido pelo brado do Filho de Deus
e pelo som da trombeta celestial. Aqueles que hoje dormem no Senhor ouvirão a
voz do seu Salvador e sairão dos túmulos revestidos de incorruptibilidade e
imortalidade.
Que cena extraordinária
será essa! Imagine uma mãe reencontrando o filho que a morte lhe arrancou dos
braços.
Imagine um casal unido
novamente depois de anos de separação.
Imagine pais abraçando
seus filhos.
Filhos correndo ao
encontro de seus pais.
Avós contemplando outra
vez seus netos.
Irmãos reencontrando
irmãos.
Amigos revendo amigos.
Pastores reencontrando
membros de suas igrejas.
Igrejas inteiras
reunidas novamente diante do Salvador.
Será o maior reencontro
da história da humanidade.
Todas as lágrimas
derramadas durante anos de saudade darão lugar a lágrimas de alegria. Toda dor
provocada pela separação desaparecerá diante da certeza de que, dessa vez,
ninguém precisará dizer adeus outra vez.
Descrevendo esse
momento glorioso, Ellen G. White escreve: "Os justos vivos são
transformados 'num momento, num abrir e fechar de olhos'. À voz de Deus eles
foram glorificados; agora, tornam-se imortais, e com os santos ressuscitados,
são arrebatados para encontrar seu Senhor nos ares. [...] Crianças são levadas
pelos santos anjos aos braços de suas mães. Amigos há muito separados pela
morte, reúnem-se, para nunca mais se separarem, e com cânticos de alegria
ascendem para a cidade de Deus." (O
Grande Conflito [CPB, 2006], p. 645).
Que descrição
emocionante! Observe que Ellen White não destaca apenas a vitória sobre a
morte. Ela enfatiza o reencontro. Crianças voltando aos braços de suas mães.
Amigos separados durante muitos anos sendo reunidos novamente. Famílias
restauradas. Relacionamentos recompostos. A eternidade começa com um grande
encontro de amor e termina com uma certeza maravilhosa: “para nunca mais se separarem.”
Essa é a esperança
cristã. A morte ainda nos faz chorar. Ainda sentimos a dor da ausência. Ainda
visitamos cemitérios. Ainda enfrentamos o luto. Mas fazemos tudo isso
sustentados pela certeza de que o túmulo não é o destino final dos que dormem
em Cristo. A última palavra não pertence à morte, mas ao Autor da vida.
Na manhã da
ressurreição, Cristo transformará os cemitérios em jardins de esperança, as
lágrimas em cânticos de louvor e os adeuses da história no mais glorioso
reencontro da eternidade.
III.
O ADEUS SERÁ VENCIDO PARA SEMPRE
Depois de anunciar a
ressurreição dos que morreram em Cristo, o apóstolo Paulo revela aquilo que
talvez seja a mais extraordinária promessa dessa passagem. Se o versículo 16
nos enche de esperança, o versículo 17 nos conduz ao ápice dessa esperança.
“Depois, nós, os que
estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com
o Senhor nos ares. Assim, estaremos com o Senhor para sempre” (1Ts 4:17, NVI).
Há uma expressão nesse
versículo que merece toda a nossa atenção: "[...]
estaremos com o Senhor para sempre."
A palavra "para sempre" muda completamente
a perspectiva da vida cristã. Neste mundo, tudo parece passageiro. Os encontros
são interrompidos pelas despedidas. As alegrias são marcadas pela saudade. As
famílias experimentam a dor da separação. Vivemos contando o tempo porque tudo
aqui tem começo, meio e fim. Mas, quando Cristo voltar, a história da separação
chegará ao seu término definitivo. O adeus será vencido para sempre.
Nunca mais um hospital
comunicará a morte de alguém. Nunca mais uma ambulância cortará o silêncio da
madrugada levando alguém em estado grave. Nunca mais uma família precisará caminhar
em direção a um cemitério. Nunca mais haverá velórios. Nunca mais existirá
luto. Nunca mais um esposo ficará viúvo. Nunca mais uma esposa perderá o
companheiro de toda uma vida. Nunca mais pais sepultarão seus filhos. Nunca
mais filhos chorarão diante da sepultura de seus pais. Nunca mais uma criança
crescerá sem o carinho da mãe ou do pai.
Na Nova Jerusalém não
haverá cemitérios, porque ali não haverá morte. Não haverá hospitais, porque não
existirá doença. Não haverá lágrimas de tristeza, porque toda causa do
sofrimento terá sido definitivamente removida.
João contemplou essa
realidade quando escreveu: “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não
haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já
passou” (Ap 21:4).
Que promessa
extraordinária! A cidade de Deus será o único lugar do Universo onde ninguém
precisará vestir roupas de luto. As vestes escuras da tristeza serão
substituídas pelas vestes brancas da vitória. Ali, o pecado não deixará nenhuma
cicatriz. A morte será apenas uma lembrança distante de um mundo que ficou para
trás.
Por isso podemos
afirmar que o Céu é a terra onde a palavra "adeus" deixará de
existir. Ali haverá apenas encontros, reencontros e uma comunhão eterna com
Deus e com todos os remidos.
Descrevendo essa experiência,
Ellen G. White escreve: “Ali conheceremos como também somos conhecidos. Ali, o
amor e a empatia que Deus plantou na alma serão expressos da maneira mais suave
e verdadeira." (Educação [CPB,
2021], p. 215).
Que pensamento
consolador! No reino eterno não perderemos nossa identidade. Reconheceremos
aqueles que caminharam conosco nesta vida. A Bíblia afirma que, então,
conheceremos “como também somos conhecidos” (1Co 13:12). Encontraremos Abraão,
Isaque e Jacó. Conversaremos com Moisés, Elias, Daniel, Pedro, João e Paulo.
Veremos Adão e Eva restaurados pela graça de Cristo. Teremos a alegria de rever
nossos familiares e amigos que dormiram confiando nas promessas do Senhor.
Mas, por mais
emocionante que seja reencontrar aqueles que amamos, nada poderá ser comparado
ao momento em que veremos Jesus face a face.
Contemplaremos as mãos
que foram traspassadas por nossa causa. Veremos o rosto Daquele que suportou a
cruz para que pudéssemos receber a coroa da vida. Ouviremos a voz daquele que
venceu a morte para nos conceder a eternidade.
Toda a história da
redenção encontrará seu clímax quando os remidos estiverem diante do Cordeiro,
reconhecendo que somente por Sua graça alcançaram a salvação.
E, então,
compreenderemos que a Cidade Santa não possui cemitérios porque nela habita um
povo sobre o qual a morte jamais exercerá poder novamente. Ali viverão todos os
redimidos de todas as épocas, homens e mulheres que aceitaram a salvação
oferecida por Cristo e receberam o direito de entrar pela portas da cidade e
alimentar-se da árvore da vida (Ap 22:14).
Essa esperança
transforma completamente a maneira como enfrentamos as perdas desta vida. Quando
um filho de Deus fecha os olhos na morte, choramos porque a saudade é real.
Sentimos a ausência. O coração sofre. Contudo, nossa tristeza não é marcada
pelo desespero, mas pela esperança.
Eu mesmo aguardo com
profunda expectativa o glorioso dia da volta de Jesus. Aguardo o momento em que
o Senhor aparecerá nas nuvens do céu com poder e grande glória (Mt 24:30; Ap
1:7). Aguardo o instante em que Aquele que ordenou à filha de Jairo: “Talita
cumi! Menina, eu lhe ordeno, levante-se!” chamará também todos os Seus filhos
que hoje descansam no pó da terra.
Gosto de imaginar, com
reverente emoção, que entre essas vozes estará também o chamado dirigido à
minha mãe: “Noêmia, eu lhe ordeno: levante-se!”
Naquele instante, toda
a dor da separação desaparecerá para sempre. O abraço interrompido pela morte
será restaurado pela ressurreição. A saudade dará lugar ao reencontro. As
lágrimas serão substituídas por cânticos de louvor.
Por isso, os cristãos
enfrentam a morte de maneira diferente. Não porque ela deixe de doer, mas
porque sabem que ela não possui a palavra final. Como alguém afirmou com muita
propriedade: “A morte não é o ponto final, mas uma vírgula na história da
vida.”
Nossa esperança repousa
na promessa infalível de Cristo. Muito em breve, veremos novamente aqueles que
dormiram no Senhor e, unidos para sempre ao nosso Salvador, jamais
experimentaremos outra despedida.
Na eternidade, o último
adeus terá ficado para trás. Restará apenas a alegria de viver para sempre ao
lado de Jesus e de todos os que foram alcançados por Sua maravilhosa graça.
IV.
A NOSSA VERDADEIRA PÁTRIA É O CÉU
As despedidas machucam
porque fomos criados para viver juntos, e não para sermos separados. A morte, a
distância e o luto fazem parte da realidade deste mundo marcado pelo pecado,
mas não fazem parte do plano original de Deus para a humanidade.
É por isso que a
Palavra de Deus nos lembra que este mundo não é o nosso destino final. Somos
peregrinos nesta Terra. Nossa verdadeira pátria está no Céu (Fp 3:20).
Vivemos aqui apenas por
algum tempo, caminhando pela fé, aguardando o dia em que Cristo voltará para
nos conduzir ao lar eterno que preparou para Seus filhos.
Ao longo da minha
caminhada, também experimentei a dor de despedidas que deixaram marcas
profundas em meu coração. No dia 25 de junho de 2004, minha querida mãe, Noêmia
Cordeiro de Souza, aos cinquenta e três anos de idade, adormeceu no Senhor. A
dor daquela separação foi imensa. Poucos meses depois, no mesmo ano, também me
despedi da minha amada avó, Deutrudes Cordeiro. Anos mais tarde, em 23 de
novembro de 2016, foi a vez de dizer adeus à minha querida sogra, Janilda Matos
de Santana. Em novembro de 2018 tive que me despedir da minha grande amiga
Hilda Boujart, que me acolheu em seu lar por sete anos.
Foram despedidas que
jamais esquecerei. As lembranças dos momentos vividos ao lado delas continuam
vivas em minha memória. Recordo-me do carinho, dos conselhos, dos sorrisos, das
conversas e das inúmeras demonstrações de amor que marcaram minha vida. A
saudade permanece, mas ela já não caminha sozinha. Ela é acompanhada por uma
esperança que nenhuma circunstância pode destruir.
Tenho a convicção,
fundamentada nas Escrituras, de que elas não desapareceram para sempre. Elas
descansam no Senhor, aguardando o glorioso dia em que Cristo voltará em poder e
grande glória. Naquele momento, conforme prometem as Escrituras, o Senhor
descerá do Céu acompanhado por Seus santos anjos, ao som da trombeta de Deus, e
chamará para a vida todos aqueles que dormiram em Cristo (Mt 25:31; 1Ts
4:13-18).
Que esperança
maravilhosa! Creio que não demorará muito para que esse dia chegue. Tenho esperança
de reencontrar minha mãe. Meus avós. Minha sogra. Minha amiga. Tenho esperança
de rever todos aqueles que partiram confiando na graça salvadora de Cristo.
E sei que essa
esperança não está edificada sobre sentimentos ou desejos humanos. Ela repousa
sobre um fundamento absolutamente seguro. Nossa esperança existe porque Jesus
ressuscitou. Se Cristo venceu a morte, a morte jamais poderá vencer
definitivamente aqueles que pertencem a Ele.
Como afirma o apóstolo
Pedro, fomos regenerados “para uma viva esperança, mediante a ressurreição de
Jesus Cristo dentre os mortos” (1Pe 1:3). E Paulo declara que, se Cristo não
tivesse ressuscitado, nossa fé seria inútil (1Co 15:12-19). Mas Cristo
ressuscitou! Ele saiu vivo do sepulcro na manhã do primeiro dia da semana,
tornando-Se as primícias dos que dormem.
Por isso, a mesma voz
que chamou Jesus para fora do túmulo chamará também todos os que morreram
confiando Nele. Nossa esperança também está alicerçada na promessa da Sua
volta. Antes de subir ao Céu, os anjos anunciaram aos discípulos: “Esse Jesus,
que dentre vós foi assunto ao céu, virá do modo como o vistes subir” (At 1:11).
Essa promessa atravessou os séculos e continua sustentando a fé da igreja.
Quando Cristo voltar,
haverá um reencontro que jamais conhecerá uma nova separação. Então entraremos
na Cidade Santa, a Nova Jerusalém, preparada por Deus para os remidos (Ap 21).
Caminharemos pelas ruas da cidade eterna. Contemplaremos a árvore da vida.
Beberemos da água da vida. Adoraremos o Senhor juntamente com todos os salvos
de todas as épocas.
Na Nova Terra ninguém
envelhecerá. Ninguém adoecerá. Ninguém sofrerá abandono. Ninguém conhecerá a
solidão. Ninguém visitará hospitais. Ninguém construirá cemitérios. Ninguém
vestirá roupas de luto. Ninguém precisará pronunciar a palavra
"adeus".
Ali, cada abraço será
eterno. Cada sorriso será permanente. Cada reencontro será definitivo. E Deus
cumprirá plenamente Sua promessa: “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima; e
não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque as primeiras
coisas passaram” (Ap 21:4).
É exatamente por isso
que Paulo encerra esse maravilhoso ensino dizendo: “Consolai-vos, pois, uns aos
outros com estas palavras” (1Ts 4:18).
Nosso consolo não está
em imaginar que a morte seja o fim do sofrimento. Nosso consolo está na certeza
de que ela foi vencida por Cristo. Nosso consolo está na promessa da
ressurreição. Nosso consolo está na gloriosa esperança da volta de Jesus. E
nosso consolo está na convicção de que, muito em breve, deixaremos de ser
peregrinos para nos tornarmos moradores da Pátria Celestial, onde viveremos
eternamente com Cristo e com todos os remidos.
Naquele dia
compreenderemos, enfim, que todas as despedidas desta Terra eram apenas
temporárias. Porque, na casa do Pai, nunca mais nos separaremos.
CONCLUSÃO
Vivemos em um mundo
onde as despedidas fazem parte da experiência humana. Ao longo da vida,
despedimo-nos de pessoas que mudaram para longe, de amigos que seguiram outros
caminhos e, muitas vezes, daqueles que a morte arrancou do nosso convívio.
Talvez, nesta noite,
alguém esteja carregando o peso de uma ausência recente. Talvez ainda exista
uma cadeira vazia à mesa da sua casa. Talvez ainda exista um quarto que
permanece fechado. Talvez haja um número de telefone que continua salvo em seu
celular, embora nunca mais volte a tocar. Talvez existam fotografias que, ao
serem contempladas, façam seus olhos se encherem de lágrimas.
Se esse é o seu caso,
lembre-se de que Deus jamais planejou que Seus filhos vivessem em um mundo de
separações. A morte não fazia parte do projeto da criação. Ela entrou no mundo
por causa do pecado. Mas Cristo entrou na história para destruir o pecado,
derrotar a morte e restaurar a vida eterna.
É por isso que nossa
esperança não termina diante de uma sepultura. Ela se volta para o Céu.
Muito em breve, no
tempo determinado pelo Pai, veremos surgir no Oriente aquela pequena nuvem
branca, inicialmente do tamanho da mão de um homem. Pouco a pouco ela se
tornará cada vez mais brilhante e majestosa, até revelar o glorioso cortejo
celestial. Então veremos o Rei dos reis vindo nas nuvens do céu, cercado por
milhões de anjos, para buscar Seu povo fiel.
Naquele dia, o silêncio
dos cemitérios será quebrado pela voz do Filho de Deus. Os túmulos se abrirão. Os
mortos em Cristo ressuscitarão. Os justos vivos serão transformados. As
famílias serão reunidas. Os remidos subirão ao encontro do Senhor nos ares. E o
último adeus da história será definitivamente vencido.
Nunca mais lágrimas. Nunca
mais hospitais. Nunca mais velórios. Nunca mais cemitérios. Nunca mais luto.
Nunca mais separação. Nunca mais adeus.
Essa esperança inspirou
cristãos de todas as gerações.
No dia 17 de julho de
1674, nasceu, em Southampton, na Inglaterra, Isaac Watts, conhecido como o
"pai da hinologia inglesa". Entre os cerca de seiscentos hinos que
escreveu, encontra-se um dos mais belos cânticos da esperança cristã: "Oh,
Nunca Separar!", conhecido por todos nós como o hino nº 500 do Hinário
Adventista.
Sua primeira estrofe e
o coro expressam, com rara sensibilidade, o anseio de todos aqueles que
aguardam a volta de Cristo:
Há um país de eterna
luz;
É sempre dia lá.
E nessa pátria que
reluz
A noite findará.
Marchamos para a terra
além
E vamos a Jerusalém;
Iremos com Jesus reinar
E nunca mais nos
separar.
Oh, nunca separar! Não,
nunca separar!
Oh, nunca separar! Não,
nunca separar!
Iremos com Jesus reinar
E nunca mais nos
separar!
Esse era um dos hinos
preferidos de Guilherme Miller. Nos últimos momentos de sua vida, em 1849, ele
pediu que seus familiares o cantassem repetidas vezes junto ao seu leito.
Durante muitos anos,
esse mesmo hino também encerrava assembleias da Associação Geral e grandes
reuniões campais adventistas. Ao final dos cultos, era comum ouvir uma pergunta
que emocionava toda a igreja: "Será esta nossa última assembleia na Terra?
Será que a próxima será no Céu?"
Jesus não voltou tão
cedo quanto os pioneiros adventistas imaginavam. Mas uma coisa é certa. Hoje estamos
muito mais próximos da volta de Cristo do que Isaac Watts quando escreveu esse
hino. Muito mais próximos do que Guilherme Miller quando o cantou pela última
vez. Muito mais próximos do que os pioneiros adventistas que encerravam suas
assembleias entoando essa maravilhosa canção.
Cada dia que passa nos
aproxima do cumprimento da maior promessa das Escrituras. Muito em breve,
veremos Jesus surgir nas nuvens do céu para buscar Seu povo. Muito em breve,
entraremos na Cidade Santa. Muito em breve, abraçaremos novamente aqueles que
dormiram no Senhor. Muito em breve, estaremos para sempre com Cristo. E,
naquele glorioso dia, a última palavra da história não será "morte".
Não será
"luto". Não será "saudade". A última palavra será vida.
Será reencontro. Será eternidade.
Porque, quando Jesus
voltar, nunca mais nos separaremos.
APELO
Talvez exista alguém
aqui que ainda carrega a dor de uma despedida. Talvez você tenha perdido seu
pai. Sua mãe. Seu esposo. Sua esposa. Um filho. Um irmão. Ou um grande amigo.
Hoje Jesus lhe faz uma
promessa: essa separação não será eterna. Se permanecermos fiéis a Cristo, o
cemitério não terá a palavra final. A última palavra pertence ao Autor da vida.
Mas há uma decisão que
precisa ser tomada hoje. Somente aqueles que estão "em Cristo"
participarão da ressurreição da vida e do grande reencontro prometido. A
esperança do Céu não é um sentimento vago; ela é uma promessa destinada aos que
depositam sua fé em Jesus e caminham com Ele diariamente.
Se você deseja renovar
sua esperança na breve volta de Cristo, permanecer fiel até o fim e encontrar
seus queridos salvos naquele glorioso dia, convido-o a se colocar de pé
enquanto oramos.
Façamos hoje um
compromisso com Aquele que prometeu voltar. Que nada neste mundo nos faça
perder o privilégio de viver na terra onde nunca mais diremos adeus. E que,
quando ouvirmos a voz do Senhor e o som da trombeta de Deus, possamos erguer os
olhos e exclamar com alegria:
"Eis que este é o
nosso Deus, em quem esperávamos; Ele nos salvará!" (Isaías 25:9).
Amém.

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