AS PRIMÍCIAS DA VITÓRIA: O MISTÉRIO DOS SANTOS QUE RESSUSCITARAM COM CRISTO
Ricardo André
Texto Bíblico: “Os
túmulos se abriram, e muitos corpos de santos já falecidos ressuscitaram; e,
saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e
apareceram a muitos.” (Mateus 27:52-53)
INTRODUÇÃO
Poucos acontecimentos
da Bíblia despertam tanta curiosidade quanto esse breve relato registrado
apenas por Mateus. Enquanto os quatro evangelistas descrevem detalhadamente a
morte e a ressurreição de Jesus, somente Mateus menciona que “muitos corpos de santos” ressuscitaram
juntamente com Cristo.
Quem eram essas pessoas?
Por que ressuscitaram justamente naquele momento? Morreram novamente ou foram
levadas ao Céu? Qual o significado desse milagre para nós hoje?
Essas perguntas são
importantes porque esse episódio não foi um simples milagre isolado. Ele
constitui uma poderosa declaração divina de que a morte havia sido derrotada.
Na cruz, Satanás
parecia triunfar. Mas, na manhã da ressurreição, Deus revelou que a vitória
pertencia exclusivamente a Cristo.
I.
A MORTE DE JESUS SACUDIU O UNIVERSO
A morte de Jesus não
foi um acontecimento comum na história da humanidade. O sacrifício do Filho de
Deus na cruz produziu repercussões que alcançaram não apenas a Terra, mas todo
o Universo. A natureza respondeu de maneira extraordinária ao momento em que o
Criador entregava Sua própria vida pela redenção da humanidade. Mateus registra
uma sequência de sinais sobrenaturais que acompanharam a morte de Cristo:
Ø o véu do templo rasgou-se (v. 51);
Ø houve
terremoto (v. 51); - rochas partiram-se (v. 51);
Ø sepulcros
abriram-se (v. 52).
Cada um desses acontecimentos possuía profundo significado espiritual. O véu rasgado anunciava o fim do sistema sacrificial e o livre acesso do pecador a Deus por meio de Cristo. O terremoto e as rochas fendidas revelavam que a própria criação estremecia diante da morte do seu Criador. E os sepulcros abertos anunciavam que o poder da morte começava a ser definitivamente quebrado. Entretanto, é importante observar um detalhe frequentemente ignorado na leitura desse texto. Embora os túmulos tenham sido abertos no momento da crucifixão, aqueles santos não ressuscitaram imediatamente. O terremoto ocorrido na tarde de sexta-feira apenas rompeu as sepulturas; a ressurreição propriamente dita aconteceu somente após Cristo sair vitorioso do túmulo.
Sobre esse ponto, o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia
esclarece: “Deve-se notar que, embora os túmulos tenham sido abertos no momento
da morte de Cristo, os santos não ressuscitaram até o momento de Sua
ressurreição (Mt 27:53)” (Comentário
Bíblico Adventista do Sétimo Dia [CPB, 2014], v. 5, p. 595). Assim, a
ressurreição desses servos de Deus ocorreu na manhã de domingo, depois da
ressurreição de Jesus. O próprio evangelista faz questão de destacar essa
sequência dos acontecimentos ao afirmar: "[...] saindo dos sepulcros
depois da ressurreição dele [...]" (Mt 27:53).
Essa ordem não foi
casual. Ela revela um importante princípio da teologia bíblica: Cristo deveria
ocupar o primeiro lugar na vitória sobre a morte. Como declara o apóstolo
Paulo: "Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos
que dormem" (1 Co 15:20). Jesus é o Autor da vida. Por isso, ninguém
poderia antecedê-Lo na ressurreição gloriosa. Sua vitória abriu o caminho para
todos aqueles que, um dia, também vencerão a morte mediante Seu poder.
Ellen G. White descreve
esse momento com palavras profundamente inspiradoras: “Quando [Jesus] surgiu,
vitorioso sobre a morte e o túmulo, enquanto a Terra vacilava e a glória do Céu
resplandecia em redor do local sagrado, muitos dos justos mortos, obedientes à
Sua chamada, saíram como testemunhas de que Ele ressurgira. Aqueles favorecidos
santos ressurgidos saíram glorificados. Eram escolhidos e santos de todos os
tempos, desde a criação até os dias de Cristo” (Primeiros Escritos, p. 184).
Essa declaração
responde parcialmente a uma das perguntas mais frequentes sobre esse episódio:
quem eram esses santos? Embora as Escrituras não revelem seus nomes, Ellen
White informa que pertenciam a diferentes épocas da história da redenção,
abrangendo desde os primórdios da humanidade até os dias de Cristo.
Outra questão
naturalmente surge: por que Deus escolheu justamente essas pessoas? Novamente
encontramos uma importante indicação na Pena Inspirada. Ellen White escreve: “Quando
Cristo ressurgiu, trouxe do sepulcro uma multidão de cativos. O terremoto, por
ocasião de Sua morte, abrira-lhes o sepulcro e, ao ressuscitar Ele, ressurgiram
juntamente. Eram os que haviam colaborado com Deus, e que à custa da própria
vida tinham dado testemunho da verdade” (O
Desejado de Todas as Nações, p.786).
Ao comparar essas duas
declarações, percebe-se que os ressuscitados eram homens e mulheres escolhidos
por Deus dentre os fiéis de todas as épocas e, de maneira especial, pessoas que
haviam permanecido leais ao Senhor até o sacrifício da própria vida. Eram
testemunhas da verdade, servos que haviam selado sua fidelidade com o próprio
sangue. Essa compreensão apresenta uma profunda beleza teológica.
Parece haver, nas
observações de Ellen White, a sugestão de que aqueles que voluntariamente
entregaram a própria vida por amor a Deus foram também os primeiros a
experimentar, de forma definitiva, o poder vivificador da vitória de Cristo. A
morte do Filho de Deus tornou-se, assim, a garantia da vida eterna para aqueles
que haviam permanecido fiéis até o fim. Dessa forma, os santos ressuscitados
não apenas testemunharam a ressurreição de Cristo diante dos habitantes de
Jerusalém; eles próprios tornaram-se as primeiras evidências visíveis de que o
império da morte havia sido vencido e de que a promessa da ressurreição dos
justos já havia começado a cumprir-se na pessoa do Salvador.
II.
QUEM ERAM ESSES SANTOS?
Mateus apenas os chama
de: "santos". A Bíblia não apresenta seus nomes.
Entretanto, Ellen White
amplia essa informação. Ela declara que eram homens e mulheres fiéis de diferentes
épocas da história bíblica. Não eram todos os justos. Era um grupo selecionado
por Deus.
Esses ressuscitados
haviam permanecido fiéis mesmo diante da perseguição. Muitos haviam morrido aguardando
a promessa do Messias. Agora contemplavam o cumprimento da esperança que
alimentaram durante toda a vida. Alguns comentaristas
sugerem que entre eles estavam patriarcas, profetas e mártires, a exemplo de
Abel, Isaías, Zacarias e João Batista.
III.
PARA ONDE FORAM?
Uma das perguntas mais
intrigantes sobre os santos ressuscitados em Mateus 27 é: para onde eles foram depois de aparecerem em Jerusalém? Ao longo da
história, alguns intérpretes sugeriram que esses santos tiveram uma experiência
semelhante à de Lázaro, do filho da viúva de Naim ou da filha de Jairo:
ressuscitaram, viveram por algum tempo e, posteriormente, morreram novamente.
Entretanto, essa não é a compreensão adotada pela Igreja Adventista do Sétimo
Dia.
À luz do conjunto das
Escrituras e da revelação profética, entendemos que esses santos não foram
ressuscitados para experimentar uma segunda morte. Eles receberam a vida eterna
e acompanharam Cristo em Sua ascensão ao Céu, tornando-se as primícias da
vitória conquistada no Calvário.
É importante destacar
que esses santos não eram espíritos desencarnados nem almas imortais vivendo
separadas do corpo. Eram seres humanos reais, ressuscitados pelo poder de
Cristo, plenamente restaurados, glorificados e conduzidos ao Céu como
testemunhas vivas da vitória do Salvador sobre a morte.
O relato de Mateus
informa apenas que eles entraram em Jerusalém e apareceram a muitas pessoas,
testemunhando publicamente que Jesus havia ressuscitado. Embora o evangelista
não descreva os acontecimentos posteriores, outros textos bíblicos lançam luz
sobre esse episódio.
Nesse contexto, a
declaração do apóstolo Paulo em Efésios
4:8 torna-se especialmente significativa: “Quando Ele subiu às alturas,
levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens.” Esse texto descreve dois
grandes resultados da obra redentora de Cristo. Ao ascender ao Céu, o Senhor
concedeu à Sua igreja o dom do Espírito Santo e conduziu consigo uma multidão
de cativos libertados do poder da morte. Aqueles santos ressuscitados
tornaram-se os primeiros troféus da vitória de Cristo sobre Satanás, o pecado e
o sepulcro.
Essa compreensão
harmoniza-se perfeitamente com a declaração paulina de que Cristo é "as
primícias dos que dormem" (1Co 15:20). Assim como as primícias oferecidas
no Antigo Testamento anunciavam e garantiam toda a colheita que viria depois,
Cristo inaugurou a grande colheita da ressurreição, e aqueles santos
ressuscitados constituíram a primeira manifestação visível desse triunfo. Sua
ressurreição antecipou, em pequena escala, a gloriosa ressurreição escatológica
de todos os justos na segunda vinda de Jesus.
A pena inspirada
confirma essa interpretação de maneira inequívoca: “Aqueles, porém, que
ressurgiram por ocasião da ressurreição de Cristo, saíram para a vida eterna.
Ascenderam com Ele, como troféus de Sua vitória sobre a morte e o sepulcro” (O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2004],
p. 786) Essa declaração não deixa espaço para a ideia de que esses santos
tenham voltado a morrer. Eles foram ressuscitados definitivamente e levados ao
Céu pelo próprio Cristo. Eram a demonstração concreta de que o poder da morte
havia sido quebrado e de que a promessa da vida eterna já começava a
cumprir-se. Por isso, esses santos podem ser compreendidos como as
"primícias" da redenção. Assim como, no ritual israelita, o primeiro
feixe da colheita consagrado ao Senhor representava e assegurava toda a
colheita futura, também esses ressuscitados constituíam a garantia de que todos
os que dormem em Cristo participarão da grande ressurreição no último dia.
Ellen G. White descreve
de maneira extraordinária a recepção de Cristo e desses santos nas cortes
celestiais: “Todo o Céu estava esperando para saudar o Salvador à Sua chegada
às cortes celestiais. Ao ascender, abriu Ele o caminho, e a multidão de cativos
libertos à Sua ressurreição O seguiu. A hoste celestial, com brados de alegria
e aclamações de louvor e cântico celestial, tomava parte na jubilosa comitiva.
“Ao aproximar-se da
cidade de Deus, cantam, como em desafio, os anjos que compõem o séquito:
"Levantai, ó
portas, as vossas cabeças;
Levantai-vos, ó
entradas eternas,
E entrará o Rei da
Glória"!
Jubilosamente respondem
as sentinelas de guarda:
"Quem é este Rei
da Glória?"
“Isto dizem elas, não
porque não saibam quem Ele é, mas porque querem ouvir a resposta de exaltado
louvor:
"O Senhor forte e
poderoso,
“O Senhor poderoso na
guerra.
Levantai, ó portas, as
vossas cabeças,
Levantai-vos, ó
entradas eternas,
E entrará o Rei da
glória"!
“Novamente se faz ouvir
o desafio: "Quem é este Rei da Glória?" pois os anjos nunca se cansam
de ouvir o Seu nome ser exaltado. E os anjos da escolta respondem:
"O Senhor dos
Exércitos;
Ele é o Rei da
Glória!" Sal. 24:7-10.
“Então se abrem de par
em par as portas da cidade de Deus, e a angélica multidão entra por elas, enquanto
a música prorrompe em arrebatadora melodia.
“Ali está o trono, e ao
seu redor, o arco-íris da promessa. Ali estão querubins e serafins. Os
comandantes das hostes celestiais, os filhos de Deus, os representantes dos
mundos não caídos, acham-se congregados. O conselho celestial, perante o qual
Lúcifer acusara a Deus e a Seu Filho, os representantes daqueles reinos
imaculados sobre os quais Satanás pensara estabelecer seu domínio - todos ali
estão para dar as boas-vindas ao Redentor” (Ibdem, p. 833, 834).
Que cena
extraordinária! O Céu inteiro celebra o retorno do Filho de Deus, agora não
mais sozinho, mas acompanhado dos primeiros frutos de Sua vitória. Aqueles
santos ressuscitados entram na Cidade Santa como evidências vivas de que o
sacrifício do Calvário foi plenamente aceito pelo Pai e de que o reino da morte
sofreu sua derrota decisiva.
A ascensão de Cristo,
seguida por essa multidão de redimidos, anuncia uma promessa que fortalece a
esperança de todos os cristãos: um dia, quando o Senhor voltar em glória, não
será apenas um pequeno grupo que atravessará os portões da Nova Jerusalém.
Todos os que permanecerem fiéis a Cristo, desde Abel até o último salvo da
história, participarão dessa mesma vitória e entrarão na Cidade Santa para
viver eternamente com seu Salvador.
IV.
POR QUE DEUS REALIZOU ESSE MILAGRE?
A ressurreição dos
santos descrita em Mateus 27 não foi um acontecimento acidental nem um simples
detalhe histórico acrescentado ao relato da paixão de Cristo. Deus jamais
realiza milagres sem propósito. Cada manifestação sobrenatural registrada nas
Escrituras comunica uma verdade espiritual e revela um aspecto do Seu plano de
salvação.
Ao permitir que um
grupo de santos ressuscitasse juntamente com Seu Filho, Deus proclamou diante
do Universo que a cruz não representava uma derrota, mas a maior vitória da
história. Aquele extraordinário milagre possuía profundas implicações
teológicas e escatológicas, cujos efeitos alcançam todos os que depositam sua
esperança em Cristo.
1.
Confirmar que Cristo venceu definitivamente a morte
A primeira e mais
evidente finalidade desse milagre foi confirmar que Jesus havia triunfado sobre
o maior inimigo da humanidade.
Desde a entrada do pecado no mundo, a morte parecia exercer um domínio absoluto sobre a raça humana. Reis, profetas, sacerdotes, ricos e pobres, todos acabavam vencidos pelo poder do sepulcro. Nenhum ser humano havia conseguido romper definitivamente as correntes da morte.
Entretanto, quando
Cristo saiu vivo do túmulo, a morte deixou de ser uma prisão sem saída. Ela foi
derrotada pelo Autor da vida.
A ressurreição daqueles
santos constitui a prova visível de que a vitória de Cristo não dizia respeito
apenas à Sua própria pessoa. Se somente Jesus tivesse ressuscitado, alguém
poderia imaginar que Seu triunfo fosse um privilégio exclusivo do Filho de
Deus. Mas, ao chamar outros servos fiéis para fora dos sepulcros, Cristo
demonstrou que Sua vitória seria compartilhada com todos os que Lhe pertencem.
Naquela manhã gloriosa
começou uma nova etapa da história da redenção. A morte continuaria existindo
por algum tempo, mas seu domínio havia sido quebrado. O túmulo já não possuía a
palavra final sobre aqueles que estão unidos a Cristo.
2.
Confirmar que todos os justos ressuscitarão
Outra importante
finalidade desse milagre foi oferecer aos filhos de Deus uma garantia concreta
da futura ressurreição dos salvos.
Os santos ressuscitados
em Mateus 27 representam uma antecipação daquilo que acontecerá em escala
universal quando Cristo voltar em glória. O pequeno grupo que saiu dos
sepulcros naquela manhã aponta para a imensa multidão de remidos que ouvirá a
voz do Salvador no dia da Sua segunda vinda.
Essa é exatamente a
esperança apresentada pelo apóstolo Paulo: “Porque o Senhor mesmo... descerá do
Céu... e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Ts 4:16).
A ressurreição daqueles
santos funciona como uma espécie de antecipação profética da grande
ressurreição escatológica. Deus permitiu que alguns ressuscitassem para
assegurar aos demais que todos os fiéis também ressuscitarão no tempo
determinado.
Essa compreensão é
confirmada pela pena inspirada. Ellen G. White declara que, por meio desse
milagre, Jesus “atestou Sua vitória sobre a morte e a sepultura; assim, deu um
penhor e uma garantia da ressurreição de todos os justos mortos” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia
[CPB, 2014], v. 5, p. 1237).
Que extraordinária
promessa! A ressurreição daqueles santos foi um penhor, uma garantia divina de
que a morte não conservará para sempre aqueles que pertencem ao Senhor. Assim,
esse episódio revela que a vitória de Cristo possui alcance coletivo. Ele não
venceu apenas por Si mesmo; venceu em favor de toda a humanidade e,
especialmente, daqueles que permanecem unidos a Ele pela fé.
Cada sepultura de um
cristão fiel passou a carregar uma esperança. O mesmo poder que chamou aqueles
santos para fora do túmulo chamará, um dia, todos os remidos para a vida
eterna.
3.
Demonstrar que Satanás foi definitivamente derrotado
O terceiro propósito
desse milagre foi revelar que Satanás havia sofrido sua maior derrota.
Desde a entrada do
pecado, o inimigo reivindicava domínio sobre este mundo e sobre o império da
morte. Cada sepultura parecia confirmar sua aparente vitória sobre a
humanidade.
Mas tudo mudou na manhã
da ressurreição. Cristo entrou no túmulo carregando os pecados do mundo e saiu
dele como o Vencedor absoluto. Ao ressuscitar aqueles santos e conduzi-los
consigo, demonstrou publicamente que Satanás já não possuía autoridade
definitiva sobre os filhos de Deus.
Aquilo que parecia ser
o maior triunfo das forças do mal — a crucifixão do Filho de Deus —
transformou-se, na realidade, em sua derrota mais humilhante. Na cruz, Cristo
pagou o preço do pecado; na ressurreição, destruiu o poder da morte; e, ao
ressuscitar aqueles santos, apresentou ao Universo as primeiras evidências de
Sua conquista.
Por isso, o Cristo
glorificado pode declarar com absoluta autoridade: “Tenho as chaves da morte e
do inferno” (Ap 1:18).
As chaves simbolizam
autoridade, domínio e poder. Elas pertencem agora ao Senhor da vida. A morte já
não decide o destino dos salvos; quem o decide é Cristo. O sepulcro não possui
a última palavra. A última palavra pertence ao Redentor que venceu a cruz,
triunfou sobre o túmulo e prometeu voltar para chamar todos os Seus filhos à
vida eterna.
Assim, a ressurreição
daqueles santos não foi apenas um milagre extraordinário do passado. Ela
permanece como um anúncio permanente de que Cristo venceu a morte, garantiu a
ressurreição dos justos e derrotou definitivamente o grande inimigo de Deus e
de Seu povo. Cada vez que lemos Mateus 27:52-53, somos convidados a olhar além
dos sepulcros abertos e contemplar a gloriosa esperança da manhã da
ressurreição, quando "a morte será tragada pela vitória" (1 Co
15:54).
V.
ELES TESTEMUNHARAM QUE JESUS HAVIA RESSUSCITADO
Depois de relatar que
muitos santos ressuscitaram, Mateus acrescenta um detalhe de extraordinária
importância: [...] entraram na Cidade Santa e apareceram a muitos” (Mt 27:53).
Esse pequeno registro
revela que Deus não realizou aquele milagre apenas para beneficiar aqueles
servos fiéis. Havia também um propósito missionário e apologético. Os santos
ressuscitados tornaram-se testemunhas públicas da maior notícia da história:
Jesus Cristo havia vencido a morte.
Naqueles dias,
Jerusalém encontrava-se tomada pela agitação. A cidade ainda comentava os
acontecimentos da crucifixão. Os discípulos estavam perplexos, os líderes
religiosos procuravam controlar a situação, e os rumores sobre o
desaparecimento do corpo de Jesus começavam a se espalhar.
Foi justamente nesse
contexto que Deus apresentou uma evidência impossível de ser contestada. Alguns
daqueles homens e mulheres, conhecidos por muitos habitantes da cidade,
reapareceram vivos. Não eram estranhos. Eram pessoas cuja morte havia sido
conhecida e lamentada por familiares, amigos e vizinhos. Agora estavam
novamente entre os vivos, proclamando que Cristo havia ressuscitado.
Ellen G. White descreve
esse momento com impressionante clareza:
“Quando Jesus, suspenso
na cruz, clamou: "Está consumado" (João 19:30), as pedras se
partiram, a terra tremeu e algumas das sepulturas se abriram. Quando Ele
surgiu, vitorioso sobre a morte e o túmulo, enquanto a terra vacilava e a
glória do Céu resplandecia em redor do local sagrado, muitos dos justos mortos,
obedientes à Sua chamada, saíram como testemunhas de que Ele ressurgira.
Aqueles favorecidos santos ressurgidos saíram glorificados. Eram escolhidos e
santos de todos os tempos, desde a criação até os dias de Cristo. Assim,
enquanto os líderes judeus procuravam esconder o fato da ressurreição de
Cristo, Deus preferiu suscitar do túmulo, um grupo a fim de testificar que
Jesus ressuscitara e declarar Sua glória” (História
da Redenção [CPB, 2004], p. 233).
Que contraste
extraordinário! Enquanto as autoridades judaicas tentavam silenciar a verdade,
espalhando a versão de que os discípulos haviam furtado o corpo de Jesus (Mt
28:11-15), Deus levantava testemunhas que nenhum argumento humano poderia
desacreditar. A mentira dos homens era confrontada pelo testemunho irrefutável
daqueles que haviam estado na sepultura e agora caminhavam novamente pelas ruas
de Jerusalém.
Podemos imaginar a
cena. Pessoas caminhando pelas ruas da Cidade Santa e, de repente, reconhecendo
alguém que havia sido sepultado dias, meses ou até anos antes. Famílias
surpresas. Amigos perplexos. Vizinhos incapazes de acreditar no que viam.
Talvez entre eles houvesse antigos sacerdotes fiéis, profetas, homens e
mulheres piedosos cujas vidas eram conhecidas pela comunidade.
Cada encontro
representava uma poderosa confirmação de que o Nazareno crucificado era
realmente o Messias prometido. Aqueles santos não precisavam apresentar longos
discursos. Sua própria presença era a evidência viva de que Cristo derrotara a
morte.
Eles se tornaram
testemunhas vivas da ressurreição do Salvador. Eram, por assim dizer, um
"evangelho vivo", uma demonstração concreta de que o poder que
retirou Jesus do sepulcro também havia alcançado aqueles que confiaram nEle.
Esse episódio também
nos ensina uma importante lição espiritual. Deus continua chamando Seu povo
para ser testemunha da ressurreição de Cristo. Talvez não sejamos testemunhas
oculares do túmulo vazio, mas nossa vida deve revelar ao mundo que servimos a
um Salvador vivo. Assim como aqueles santos proclamavam com sua própria
existência que Jesus havia vencido a morte, nossa fé, nosso caráter, nossa
esperança e nosso testemunho diário devem anunciar que Cristo vive e continua
transformando vidas.
A maior evidência da
ressurreição de Jesus não está apenas nas páginas da Bíblia ou nos argumentos
da apologética cristã; ela também se manifesta na vida daqueles que foram
espiritualmente ressuscitados pela graça de Deus e vivem como novas criaturas
em Cristo.
VI.
O QUE ESSE EPISÓDIO ENSINA AOS CRISTÃOS?
Depois de contemplarmos
o extraordinário milagre da ressurreição dos santos que acompanharam Cristo,
surge uma pergunta inevitável: o que
esse acontecimento significa para nós hoje?
O relato de Mateus não
foi preservado apenas para satisfazer nossa curiosidade sobre um dos episódios
mais misteriosos das Escrituras. O Espírito Santo inspirou esse registro porque
ele contém lições preciosas para todos aqueles que aguardam a volta de Jesus.
Aqueles sepulcros
abertos continuam pregando um sermão silencioso à igreja de todos os tempos. Eles
anunciam que a morte foi vencida, que Cristo reina soberano e que existe uma
esperança que ultrapassa os limites do túmulo.
1.
A morte não é definitiva
Depois de afirmar que o próprio
Senhor descerá do Céu, Paulo apresenta a primeira grande consequência desse
glorioso acontecimento: “E os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro"
(1Ts 4:16).
Essa pequena frase contém uma das
maiores promessas já feitas à humanidade. Ela assegura que a morte não possui
autoridade definitiva sobre aqueles que pertencem ao Senhor. Do ponto de vista
humano, a morte parece invencível. Ela invade nossos lares sem pedir licença.
Interrompe sonhos, silencia vozes, desfaz abraços e rompe os vínculos mais
preciosos da existência. Ela separa esposos que caminharam juntos durante
décadas. Separa pais e filhos. Separa irmãos, amigos e irmãos de fé. Nenhuma
família escapa de sua dolorosa realidade.
Por isso, quando estamos diante
de um túmulo, sentimos toda a limitação da condição humana. Nenhuma riqueza
pode impedir sua chegada. Nenhuma autoridade consegue anulá-la. Nenhum conhecimento
humano é capaz de desfazer sua obra. Mas o evangelho anuncia uma notícia
extraordinária: a morte não venceu
Cristo, e por isso também não vencerá aqueles que estão em Cristo.
Quando Jesus saiu vivo do
sepulcro naquela manhã de domingo, não venceu apenas por Si mesmo. Sua
ressurreição inaugurou uma nova realidade para toda a humanidade redimida. O
último inimigo já havia recebido sua sentença de derrota. Por essa razão, o
apóstolo Paulo exclama em tom de triunfo: “Tragada foi a morte pela vitória.
Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Co
15:54-55).
À luz da cruz e da ressurreição,
o cemitério deixa de ser o destino final do povo de Deus. Ele torna-se apenas
um lugar de repouso temporário, onde os filhos de Deus descansam até serem
despertados pela voz daquele que declarou: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo
11:25). As sepulturas não guardarão seus ocupantes para sempre. Existe uma
manhã já determinada pelo Pai em que o silêncio dos cemitérios será interrompido
por um acontecimento jamais visto na história do Universo. O Filho de Deus
descerá do Céu em glória, acompanhado pelos anjos, e Sua poderosa voz penetrará
todos os continentes, todos os oceanos e todos os lugares onde repousam aqueles
que morreram confiando em Seu nome.
Os corpos que hoje descansam
reduzidos ao pó serão restaurados pelo mesmo poder que criou o Universo. A
corrupção será revestida de incorruptibilidade. A mortalidade dará lugar à
imortalidade. A doença desaparecerá para sempre. A velhice jamais voltará. A
morte será definitivamente destruída.
Que cena gloriosa será essa!
Imagine uma mãe reencontrando o filho que a morte arrancou de seus braços.
Imagine um casal que caminhou unido durante toda a vida sendo reunido novamente
para nunca mais experimentar uma despedida. Imagine pais abraçando seus filhos.
Filhos correndo ao encontro de seus pais. Avós contemplando outra vez seus
netos. Irmãos reencontrando irmãos. Amigos revendo amigos. Pastores
reencontrando membros de suas igrejas. Missionários reencontrando aqueles que
conduziram aos pés de Cristo. A igreja militante transformando-se, finalmente,
na igreja triunfante.
Será o maior reencontro da
história da humanidade. As lágrimas derramadas ao lado dos túmulos serão
substituídas por lágrimas de alegria. O luto dará lugar ao louvor. A saudade
será vencida pelo abraço eterno. Os adeuses da Terra serão substituídos por uma
promessa que jamais será quebrada.
Descrevendo esse momento glorioso,
Ellen G. White escreve: “Os justos vivos são transformados 'num momento, num
abrir e fechar de olhos'. À voz de Deus eles foram glorificados; agora,
tornam-se imortais, e com os santos ressuscitados, são arrebatados para
encontrar seu Senhor nos ares. [...] Crianças são levadas pelos santos anjos
aos braços de suas mães. Amigos há muito separados pela morte, reúnem-se, para
nunca mais se separarem, e com cânticos de alegria ascendem para a cidade de
Deus." (O Grande Conflito [CPB,
2006], p. 645).
Que descrição extraordinária!
Observe que Ellen White não enfatiza apenas a derrota da morte. Ela destaca
algo profundamente humano: o reencontro.
O Deus da Bíblia não promete apenas restaurar corpos; promete restaurar
relacionamentos interrompidos pela morte. A mãe reencontra seu filho. Os amigos
voltam a se abraçar. As famílias são reunidas. Os laços construídos na fé são
restaurados. A eternidade começa com um grande encontro de amor e comunhão. E a
parte mais emocionante dessa promessa encontra-se nas palavras finais da serva
do Senhor: “para nunca mais se separarem.”
Aqui na Terra, toda alegria
carrega a possibilidade de uma despedida. Todo abraço pode ser o último. Toda
reunião termina com alguém indo embora. Mas, na Nova Terra, essa palavra
desaparecerá para sempre do vocabulário dos remidos. Nunca mais um funeral.
Nunca mais um cemitério. Nunca mais uma lágrima de saudade. Nunca mais um
adeus.
2.
Cristo possui autoridade sobre o túmulo
A ressurreição daqueles
santos também proclama outra verdade extraordinária: Cristo possui autoridade absoluta sobre a morte e sobre o túmulo.
Quando Jesus chamou aqueles servos fiéis para fora dos sepulcros, demonstrou
que nenhuma sepultura é forte o bastante para resistir à Sua voz. A morte não
passa de um sono diante daquele que é o Autor da vida.
Para os homens, um
túmulo representa o fim de todas as possibilidades. Para Cristo, representa
apenas um lugar de descanso temporário. Nenhuma pedra poderá impedir Sua ordem.
Nenhum cemitério conseguirá conservar Seus filhos. Nenhum oceano esconderá
aqueles que morreram em Sua graça. Nenhuma tragédia apagará a identidade
daqueles que pertencem ao Senhor. Aquele que conhece cada estrela pelo nome
conhece também o nome de cada filho Seu que repousa na sepultura. Ele sabe onde
estão seus restos mortais, conhece sua história, suas lágrimas, sua fidelidade
e o dia em que descansarão definitivamente da dor. Por isso, quando Cristo
voltar, Sua voz não será um chamado genérico dirigido à humanidade. Será o
chamado do Pastor que conhece perfeitamente cada uma de Suas ovelhas. Assim
como chamou Lázaro pelo nome diante do túmulo em Betânia, chamará cada um dos
Seus remidos para fora da sepultura na manhã da ressurreição. Nenhum deles
deixará de responder. Nenhum ficará para trás. Porque Aquele que venceu a morte
continua sendo o Senhor da vida, e Sua autoridade permanece absoluta sobre o
túmulo, sobre a história e sobre a eternidade.
3.
Nossa esperança não termina no cemitério
Uma das maiores diferenças entre
a esperança cristã e todas as demais perspectivas sobre a morte é que, para o
discípulo de Cristo, o cemitério não representa o ponto final da existência.
É verdade que a morte continua
sendo uma experiência profundamente dolorosa. Ela ainda nos faz chorar. Ainda
deixa cadeiras vazias à mesa da família. Ainda silencia vozes que amávamos
ouvir. Ainda nos leva a caminhar entre lápides, recordações e saudades. Ainda
enfrentamos o luto, sentimos a ausência daqueles que partiram e experimentamos
o vazio provocado pela separação. O cristão não é chamado a negar essa dor. O
próprio Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro, demonstrando que o sofrimento da
despedida é uma realidade da experiência humana.
As lágrimas não revelam falta de
fé; revelam amor. Entretanto, nossa tristeza é diferente da tristeza daqueles
que não conhecem a Cristo. Choramos, mas não desesperamos. Sofremos, mas não
perdemos a esperança. Sentimos saudade, mas essa saudade é iluminada pela
certeza da ressurreição. Quando nos despedimos de alguém que morreu em Cristo,
não estamos pronunciando um adeus definitivo. Estamos dizendo apenas: "até breve."
Nossa esperança repousa na
promessa infalível daquele que venceu a morte e garantiu aos Seus filhos que o
túmulo jamais terá a palavra final. A última palavra não pertence ao cemitério.
A última palavra não pertence ao luto. A última palavra não pertence à morte. A
última palavra pertence ao Senhor da vida, que declarou: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que morra,
viverá" (Jo 11:25).
Por isso, olhamos para os
cemitérios com outros olhos. Eles já não são apenas lugares de silêncio e
despedidas. À luz do evangelho, tornam-se lugares de espera. Cada sepultura de
um filho de Deus é como um leito de descanso, aguardando o glorioso amanhecer
da volta de Cristo. Na manhã da ressurreição, aquilo que hoje é cenário de
lágrimas será transformado em palco de alegria. Cristo converterá os cemitérios
em jardins de esperança, o silêncio dos túmulos em cânticos de vitória, e os
adeuses da história no mais glorioso reencontro da eternidade.
Naquele dia, o povo de Deus
compreenderá plenamente que nenhuma lágrima foi derramada em vão, nenhuma
oração ficou sem resposta e nenhuma despedida foi definitiva. A morte será
finalmente vencida, e os remidos entrarão na eternidade com a absoluta certeza
de que jamais haverá outro funeral, outro luto ou outra separação.
Essa é a bendita esperança que
sustenta a igreja de Cristo em todas as gerações. Enquanto o mundo olha para um
túmulo e enxerga o fim, nós olhamos para a promessa de Deus e contemplamos um
novo começo. Nossa esperança não termina no cemitério; ela atravessa a
sepultura, alcança a manhã da ressurreição e se consuma na vida eterna ao lado
do nosso Salvador.
4.
Vale a pena permanecer fiel
O episódio dos santos
que ressuscitaram com Cristo nos ensina uma lição profundamente encorajadora: vale a pena permanecer fiel ao Senhor,
custe o que custar.
Ao longo da história da
redenção, Deus nunca prometeu que Seus filhos estariam livres do sofrimento.
Pelo contrário, as Escrituras mostram que muitos dos homens e mulheres mais fiéis
enfrentaram provações intensas justamente por permanecerem leais à vontade de
Deus.
Profetas como Isaías,
Zacarias e João Batista pagaram com a própria vida o preço de sua fidelidade.
Os apóstolos foram perseguidos, presos, açoitados e, em sua maioria,
martirizados por anunciarem o evangelho. Nos séculos seguintes, milhares de
cristãos enfrentaram arenas, fogueiras, prisões e diversas formas de
perseguição sem jamais negar sua fé. Ainda hoje, em diferentes partes do mundo,
homens e mulheres continuam sofrendo discriminação, violência e até a morte
porque decidiram permanecer fiéis a Cristo.
À primeira vista,
alguém poderia perguntar: onde estava Deus em meio a tanto sofrimento?
A resposta das
Escrituras é clara. Deus jamais abandona aqueles que Lhe pertencem. Em muitos
momentos, Ele manifesta Seu poder realizando extraordinários livramentos, como
aconteceu com Daniel na cova dos leões, com os três jovens hebreus na fornalha
ardente e com Pedro na prisão. Contudo, em outras ocasiões, o Senhor escolhe
glorificar Seu nome não por meio da libertação imediata, mas sustentando Seus
servos para que permaneçam fiéis até o fim.
Às vezes, Deus revela
Seu poder livrando. Em outras ocasiões, revela Seu poder sustentando. Nas duas
situações, Seu nome é igualmente glorificado.
Essa compreensão
transforma nossa maneira de enxergar a vida cristã. Nossa esperança não repousa
na expectativa de jamais enfrentarmos a morte. Ela repousa na certeza de que
Cristo jamais nos abandonará e de que nossa vida permanece segura em Suas mãos.
Por isso, o maior
livramento prometido aos filhos de Deus não é, necessariamente, a preservação
da vida presente. O maior livramento é a vitória definitiva sobre o pecado,
sobre a morte e sobre todas as consequências da queda.
Foi exatamente isso que
aqueles santos ressuscitados com Cristo testemunharam. Eles haviam permanecido
fiéis durante toda a vida. Muitos enfrentaram oposição, sofrimento e, conforme
compreendemos à luz da pena inspirada, selaram sua fidelidade com o próprio
sangue. Durante anos, permaneceram silenciosamente no pó da terra. Aos olhos
humanos, parecia que a morte havia encerrado sua história.
Mas Deus nunca esqueceu Seus servos. No momento determinado, Cristo chamou cada um deles pelo nome, e eles saíram glorificados dos sepulcros para testemunhar Sua vitória sobre a morte.
Que mensagem
extraordinária para nós! O Céu jamais esquece um ato de fidelidade. Nenhuma
lágrima derramada por amor ao evangelho passa despercebida diante de Deus. Nenhuma
renúncia feita por amor a Cristo será em vão. Nenhuma oração perseverante será
ignorada. Nenhum sofrimento suportado por fidelidade ao Senhor ficará sem
recompensa. Assim acontecerá também com todos aqueles que permanecerem firmes
até o fim.
Mesmo que alguns dos
filhos de Deus venham a selar sua fidelidade com a própria vida, todos
participarão do maior de todos os milagres: a ressurreição dos justos por
ocasião da gloriosa volta de Jesus. Como anunciam as Escrituras em 1
Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:12-26, Cristo chamará Seus filhos do
pó da terra, revestindo-os de imortalidade para viverem eternamente ao Seu
lado.
Essa bendita esperança
é descrita de maneira inspiradora por Ellen G. White:
“Nossos corpos mortais
podem morrer e ser colocados na sepultura. No entanto, a bendita esperança vive
até a ressurreição, quando a voz de Jesus invoca os que dormem reduzidos ao pó
da terra. Desfrutaremos então da plenitude da bendita e gloriosa esperança.
Sabemos em quem nós cremos. Não corremos nem trabalhamos em vão. Um rica e
gloriosa recompensa está diante de nós; é o prêmio pelo qual corremos e, se
perseverarmos com coragem, certamente o obteremos” (As Três Mensagens Angélicas [CPB, 2023], p. 131).
Que promessa
consoladora! Nosso trabalho para Deus não é inútil. Nossa fidelidade não é
esquecida. Nossa esperança não é ilusória.
Aquele que chama as
estrelas pelo nome também conhece o nome de cada um de Seus filhos. E, no
grande dia da ressurreição, chamará novamente cada servo fiel para receber a
recompensa prometida.
Por isso, vale a pena
permanecer fiel. Vale a pena obedecer quando obedecer custa caro. Vale a pena
permanecer firme quando o mundo inteiro escolhe outro caminho. Vale a pena
conservar a fé quando as circunstâncias parecem desfavoráveis. Vale a pena
confiar em Cristo, porque a história dos santos que ressuscitaram com Ele nos
lembra que Deus sempre tem a última palavra.
E a última palavra de
Deus para os Seus filhos nunca é a morte. É a vida eterna.
5.
A ressurreição de Cristo garante a nossa
Toda a esperança cristã
repousa sobre um acontecimento histórico que transformou para sempre o destino
da humanidade: a ressurreição de Jesus
Cristo.
Se Cristo tivesse
permanecido no sepulcro, nossa fé seria inútil, nossos pecados continuariam sem
perdão e a morte conservaria sua vitória sobre a humanidade. Mas o túmulo ficou
vazio. O Salvador ressuscitou. E essa realidade mudou tudo.
Por isso, o apóstolo
Paulo resume a esperança do evangelho nestas palavras: “Porque, se cremos que
Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em Sua
companhia, os que dormem” (1 Ts 4:14).
Observe que Paulo não
apresenta a ressurreição dos salvos como uma possibilidade ou um desejo. Ele a
apresenta como uma consequência inevitável da ressurreição de Cristo. A certeza
da nossa vitória repousa sobre a vitória já conquistada pelo nosso Salvador.
É justamente por essa razão
que a separação provocada pela morte, embora profundamente dolorosa, não será
eterna.
Hoje choramos a ausência
daqueles que amamos. Sentimos falta de suas vozes. Guardamos fotografias.
Visitamos seus túmulos. Relembramos histórias que aquecem o coração e, ao mesmo
tempo, despertam saudades.
Mas a morte não
escreverá o último capítulo da história daqueles que descansam em Cristo.
Quando nosso amado
Senhor Jesus voltar em glória e majestade, todos os que morreram confiando em
Seu nome ouvirão novamente Sua voz. Os túmulos se abrirão, os justos
ressuscitarão revestidos de imortalidade, e o grande reencontro acontecerá.
Essa bendita esperança
não está construída sobre sentimentos humanos, tradições religiosas ou simples
desejo de rever aqueles que partiram. Ela está firmemente alicerçada sobre um
fundamento inabalável.
Nossa esperança está
baseada na realidade de um Cristo vivo. O mesmo Jesus que saiu do sepulcro
naquela manhã de domingo garante que também chamará Seus filhos para fora da
sepultura. Por isso, Paulo afirma que Cristo é “as primícias dos que dormem” (1
Co 15:20). Sua ressurreição é a garantia de todas as demais.
Pedro também declara
que fomos regenerados “para uma viva esperança, mediante a ressurreição de
Jesus Cristo dentre os mortos” (1 Pe 1:3).
E o próprio apóstolo
Paulo demonstra, em 1 Coríntios 15:12-19, que sem a ressurreição de Cristo não
haveria evangelho, nem salvação, nem esperança para a humanidade.
Assim como Deus, o Pai,
trouxe Seu Filho dentre os mortos na gloriosa manhã da ressurreição, também
trará à vida todos aqueles que morreram unidos a Cristo quando Ele voltar pela
segunda vez.
Nossa esperança também
repousa na promessa do retorno do Senhor. Os anjos declararam aos discípulos,
no Monte das Oliveiras: “Esse Jesus, que dentre vós foi assunto ao Céu, virá do
modo como O vistes subir" (At 1:11).
Aquele que subiu
voltará. Aquele que venceu a morte chamará Seus filhos para a vida. Aquele que
abriu os sepulcros em Mateus 27 abrirá, um dia, todos os sepulcros dos justos. Então
acontecerá aquilo que o coração humano apenas consegue imaginar pela fé. Haverá
um feliz e eterno reencontro.
Os remidos de todas as
épocas estarão reunidos diante do trono de Deus. Abel encontrará Noé. Abraão
reencontrará Sara. Moisés contemplará novamente Josué. Os apóstolos estarão
reunidos. Os mártires de todas as gerações celebrarão juntos a vitória do Cordeiro.
Pais e filhos voltarão
a se abraçar. Esposos jamais voltarão a se despedir. Amigos cantarão novamente
lado a lado. Toda a família de Deus estará reunida para sempre.
E, o mais importante de
tudo, veremos Jesus face a face. Aquele que morreu por nós. Aquele que
ressuscitou por nós. Aquele que voltará para nos buscar.
Na Nova Terra não
existirão mais hospitais, cemitérios, funerais, luto ou despedidas. Ali não
haverá mais pecado, sofrimento nem morte. Cumprir-se-á plenamente a maravilhosa
promessa das Escrituras: “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá
mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as
primeiras coisas são passadas” (Ap 21:4).
Essa é a esperança que
sustentou os patriarcas. A esperança que fortaleceu os profetas. A esperança
que animou os apóstolos. A esperança que deu coragem aos mártires.
A esperança que
conforta os que hoje choram junto aos túmulos de seus entes queridos. E é essa
mesma esperança que sustenta a igreja remanescente enquanto aguarda o glorioso
aparecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Porque Cristo vive, nós
também viveremos. Porque Ele ressuscitou, nós também ressuscitaremos. E porque
Ele prometeu voltar, podemos enfrentar o presente com a certeza de que o melhor
da história do povo de Deus ainda está por vir.
Ilustração
Conta-se que um menino
visitava o túmulo do pai. Todos os dias levava flores.
Certo dia perguntou à
mãe: — “Mamãe, o papai vai ficar aí para sempre?”
Ela respondeu: — “Não,
filho. Jesus sabe exatamente onde ele está. Quando voltar, chamará seu nome, e
ele sairá desse túmulo como alguém que desperta de um sono.”
Essa é exatamente a
esperança cristã.
CONCLUSÃO
Mateus registrou apenas
dois versículos sobre esses santos ressuscitados, mas eles carregam uma das
maiores mensagens do Evangelho.
Eles nos dizem que
Cristo venceu a morte. O túmulo não é o fim. Os fiéis não permanecerão para
sempre na sepultura. Existe uma gloriosa manhã da ressurreição.
Aqueles santos foram
apenas uma pequena amostra daquilo que acontecerá quando Jesus voltar. Naquele
dia, não serão apenas alguns. Serão milhões.
Pais reencontrarão
filhos. Esposos reencontrarão esposas. Amigos reencontrarão amigos. E nunca
mais haverá despedidas.
Como escreveu Ellen G.
White: “O Doador da vida chamará Sua adquirida possessão na primeira
ressurreição; e até àquela hora triunfante, quando a última trombeta soar e o
vasto exército sair para a eterna vitória, todo santo que dorme o sono da morte
será guardado como uma joia preciosa, conhecida de Deus por nome” (Filhos e Filhas de Deus [MD, 2005], p. 359).
Apelo
Talvez você já tenha se
despedido de alguém que amava profundamente. Talvez ainda carregue a saudade de
um pai, de uma mãe, de um filho, de um cônjuge ou de um amigo cuja ausência
parece irreparável. A cena dos sepulcros abertos em Mateus 27 nos lembra que
Deus não esquece Seus filhos. Aquele que chamou aqueles santos para fora da
sepultura é o mesmo que, em breve, chamará todos os que morreram em Cristo.
A grande pergunta não é
apenas "quem eram aqueles santos?", mas "estarei eu entre os
santos que ouvirão a voz de Jesus na manhã da ressurreição?"
Hoje Cristo oferece
perdão, vida nova e a esperança da eternidade. Ele venceu o pecado, venceu a
morte e convida cada um de nós a viver em comunhão com Ele.
Se você deseja renovar
sua confiança em Jesus, permanecer fiel até o fim e fazer parte da gloriosa
ressurreição dos justos na Sua volta, entregue novamente sua vida ao Salvador.
Aquele que saiu vivo do túmulo promete: "Porque eu vivo, vós também
vivereis" (João 14:19). Que essa promessa fortaleça nossa fé até o dia em
que veremos Cristo face a face e celebraremos, para sempre, Sua vitória sobre a
morte.

Comentários
Postar um comentário