O GRANDE MISTÉRIO DA VIDA: ONDE A CRUZ DÁ SENTIDO À EXISTÊNCIA
Ricardo
André
Vivemos cercados por
mistérios. Apesar dos avanços da ciência, da tecnologia e das pesquisas, muitas
perguntas fundamentais permanecem sem resposta. Entre elas, destaca-se o mais
profundo de todos: o mistério da vida. De onde viemos? Por que estamos aqui?
Para onde vamos?
Desde os tempos mais
antigos, a morte intriga a humanidade. O que acontece quando alguém morre? Para
onde vai? Existe vida além da sepultura? Essas questões têm inquietado
gerações, despertando a imaginação humana e dando origem a mitos, crenças e
sistemas complexos de pensamento — especialmente ideias como a reencarnação e a
imortalidade da alma.
Ao longo da história, o
ser humano tem buscado explicações racionais para esses enigmas. No entanto,
muitas dessas tentativas não passam de especulações incapazes de satisfazer
plenamente o anseio do coração humano.
Esse desejo de
compreender o sentido da existência é retratado de forma marcante na obra de
arte “O Mistério da Vida”, o maior
conjunto escultórico do cemitério Parque Memorial Forest Lawn, em Glendale, na
Califórnia (EUA). Diante dessa impressionante escultura, o observador é
convidado a refletir sobre a diversidade de respostas humanas para a grande
pergunta da vida.
Um menino contempla maravilhado o nascimento de um pintinho, enquanto
sua avó observa com ternura. Ao
fundo, um casal de namorados acredita
ter encontrado o sentido da vida no amor que compartilham. Próximo dali, uma jovem recém-formada parece indiferente
à questão, enquanto um cientista,
inquieto, reflete sobre suas tentativas fracassadas. Uma família observa a cena com aparente despreocupação, mas também
carrega questionamentos. Um filósofo
pensa profundamente, um monge e uma
freira encontram respostas na fé, enquanto um ateu parece não demonstrar
interesse.
Ao lado da escultura,
uma placa traz a mensagem de Hubert Eaton, fundador do Forest Lawn:
“Querido visitante,
durante anos em que foi esculpido o grupo de O Mistério da Vida, o escultor e
eu discutimos muitas interpretações, mas aquela de que mais gosto se encontra
nas palavras da imortal canção de Victor Herbert: ‘Ah, Doce Mistério da Vida’”.
E a resposta sugerida
pela canção é simples: “é o amor, só o
amor”.
De fato, o amor é a chave que desvenda o mistério da
vida — um amor que nasce no coração de Deus. Foi esse amor que O levou a
entregar Seu Filho para salvar a humanidade. O apóstolo João expressa essa
verdade de forma sublime: “Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho
Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”
(Jo 3:16, NVI).
A cruz é a maior
revelação desse amor. Nela, Cristo demonstrou de forma incontestável Seu
compromisso com a humanidade: “Ele que nos ama e nos libertou dos nossos
pecados por meio do seu sangue” (Ap 1:5). Amar, porém, vai além de palavras.
Amar é agir. E Jesus demonstrou isso ao viver entre nós, servir, suportar
rejeições e, finalmente, entregar-Se voluntariamente à morte. Sobre esse ato
incomparável, Ellen G. White escreveu:
“Cristo foi tratado
como nós merecíamos, para que pudéssemos receber o tratamento a que Ele tinha
direito. Foi condenado pelos nossos pecados, nos quais não tinha participação,
para que fôssemos justificados por Sua justiça, na qual não tínhamos parte.
Sofreu a morte que nos cabia, para que recebêssemos a vida que a Ele pertencia”
(O Desejado de Todas as Nações [CPB,
2004], p. 25).
Esse é um mistério
profundo — o mistério da piedade, como descreve o apóstolo Paulo:“Não há dúvida
de que é grande o mistério da piedade: Deus foi manifestado em corpo,
justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no
mundo, recebido na glória” (1Tm 3:16, NVI).
E ainda: “Orem também
por mim, para que, quando eu falar, seja-me dada a mensagem a fim de que,
destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho” (Ef 6:19, NVI). Esse
mistério refere-se ao plano divino de salvar a humanidade — um plano que esteve
oculto por séculos, mas foi revelado em Cristo (Cl 1:26; Ef 3:3).
A encarnação de Jesus
foi essencial para a redenção (João 1:1-3). Somente alguém que assumisse a
natureza humana poderia representar a humanidade caída. Por isso, Cristo veio
ao mundo como homem, tomou sobre Si os pecados e ofereceu-Se como sacrifício.
Sobre essa realidade,
Ellen G. White escreveu: “Assumindo a natureza humana Cristo elevou a
humanidade. Os homens caídos são colocados na posição em que, mediante a
conexão com Cristo, podem na verdade tornar-se dignos de serem chamados ‘filhos
de Deus’” (Caminho a Cristo em linguagem
atualizada [CPB, 1996], p. 15).
A história da redenção
continua sendo uma das mais emocionantes já contempladas. Ao refletir sobre
ela, o coração se enche de gratidão, pois na cruz vemos nossos pecados sendo
julgados e ouvimos a promessa: “Portanto, agora já não há condenação para os
que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1, NVI).
Esse tema será objeto
de estudo por toda a eternidade, como afirma Ellen G. White: “Os anjos desejam
examinar atentamente o tema da redenção; será a ciência e o cântico dos remidos
por todos os incessantes séculos da eternidade. Não seria ele digno de atenta
consideração e estudo agora? O assunto é inesgotável... ‘Grande é o mistério da
piedade!’” (Minha Consagração Hoje, p.
360).
Jesus poderia ter
desistido, mas não o fez. O que O manteve firme até o fim foi o amor. Como
afirma Paulo: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso
favor quando ainda éramos pecadores” (Rm 5:8, NVI). Esse amor é transformador.
Ele perdoa, restaura e acolhe. Ele ama mesmo quando não merecemos.
Ellen G. White descreve
esse amor de maneira extraordinária: “Esse amor é incomparável... O inigualável
amor de Deus por um mundo que não O amou!” (Caminho a Cristo em linguagem atualizada [CPB, 1996], p. 15).
E ainda: “Todo o
amor paterno que passou de geração a geração através do coração humano, todas
as fontes de ternura que romperam no coração humano, não são mais que um
pequeno regato para o oceano infinito, inesgotável de Deus. A língua não o pode
narrar; a pena não pode descrever. Você pode meditar nele cada dia de sua vida;
pode estudar diligentemente as Escrituras a fim de compreendê-lo; pode fazer
uso de toda energia e habilidade que Deus lhe tenha dado, esforço de
compreender o amor e compaixão do Pai Celestial; ainda assim, há um infinito à
frente. Você pode estudar esse amor por séculos, mas nunca poderá compreender
plenamente o comprimento e a largura, a profundidade, do amor de Deus, ao dar
Seu Filho para morrer pelo Mundo” (Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 740).
Esse amor alcança a
todos — crianças, jovens, famílias, intelectuais, religiosos e até aqueles que
não creem. Ele convida cada pessoa à transformação.
Esse amor também marcou profundamente a minha vida. Há 41 anos, entreguei-me a Cristo por meio do batismo, no dia 17 de agosto de 1985, na Igreja Adventista do Sétimo Dia do Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. Eu era apenas uma criança, mas tinha a convicção de estar tomando a decisão mais importante da minha vida. E nunca me arrependi.
Agora, deixo uma
pergunta a você, caro leitor: você já encontrou a resposta para o mistério da
vida? Você deseja experimentar o amor transformador de Deus? Cristo continua
chamando: venha. Ele deseja encher sua vida com Seu amor, perdoar seus pecados
e dar um novo sentido à sua existência.
Não adie essa decisão. Responda
hoje ao amor de Deus.

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