A “ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO”: SINAL DO FIM QUE NÃO PODE SER IGNORADO
Ricardo André
INTRODUÇÃO
Entre as muitas
profecias fascinantes das Sagradas Escrituras, poucas despertam tanta
curiosidade, reverência e até certo temor quanto a misteriosa expressão: “a
abominação da desolação”. Trata-se de uma declaração solene, carregada de
significado profético, que atravessa séculos e conecta o passado, o tempo de
Cristo e os eventos finais da história humana.
No capítulo 24 do
Evangelho de Mateus, encontramos Jesus em um dos momentos mais profundos de Seu
ministério profético. Após anunciar a destruição do majestoso Templo de
Jerusalém — símbolo da fé judaica — os discípulos, impressionados e inquietos,
dirigem-Lhe uma pergunta decisiva: “Dize-nos quando sucederão estas coisas e
que sinal haverá da Tua vinda e do fim do mundo?” (Mt 24:3).
A partir dessa
pergunta, Cristo apresenta um panorama impressionante dos acontecimentos que
marcariam a história até o Seu retorno. Ele fala de guerras, fomes, terremotos,
perseguições, enganos religiosos e esfriamento espiritual. Contudo, entre todos
esses sinais, um se destaca de maneira singular, quase como uma chave
interpretativa dos eventos finais: a “abominação da desolação”, mencionada pelo
profeta Daniel e colocada “no lugar santo”.
Jesus declara de forma
solene: “Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta
Daniel, no lugar santo (quem lê, entenda), então, os que estiverem na Judéia
fujam para os montes” (Mt 24:15, 16).
Note que Cristo
acrescenta uma expressão intrigante: “quem lê, entenda”. É como se Ele
estivesse convidando cada leitor, cada discípulo ao longo das eras, a buscar
discernimento espiritual, a investigar com atenção e a perceber que essa
profecia não é superficial — ela exige compreensão, reflexão e vigilância.
O que torna essa
profecia ainda mais impressionante é o fato de que Jesus a apresenta como um
sinal específico, concreto e identificável de que o fim está próximo. Não é
apenas um símbolo vago, mas um marco profético que aponta para momentos
decisivos na história do povo de Deus.
Ao longo dos séculos,
cristãos de diferentes tradições têm reconhecido a importância dessa profecia.
Contudo, há divergências quanto à sua interpretação. Alguns apontam para um
cumprimento passado, nos dias do rei selêucida Antíoco Epifânio, que profanou o
templo ao interromper os sacrifícios e oferecer um animal impuro sobre o altar,
entre os anos 168 e 165 a.C.. Outros projetam esse evento para o futuro,
associando-o à manifestação de um poder anticristão que se levantará contra
Deus e Seu povo.
Diante dessas
interpretações variadas, surge uma pergunta essencial para nós hoje: Qual é o
verdadeiro significado da abominação da desolação?
E mais ainda: isso tem
alguma relevância prática para a nossa vida espiritual nos dias atuais?
Nesta mensagem, com a
ajuda da Palavra de Deus, vamos avançar com reverência e clareza para
compreender três aspectos fundamentais:
Ø O
que é, de fato, a abominação da desolação;
Ø Como
essa profecia se cumpriu no passado;
Ø E,
sobretudo, como ela se cumprirá novamente no tempo do fim.
Que o Espírito Santo
nos conceda entendimento, pois, como advertiu o próprio Cristo: “quem lê,
entenda.”
A
“ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO” NO LIVRO DE DANIEL
Ao apontar para a “abominação
da desolação”, Jesus não nos deixa sem direção interpretativa. Pelo contrário,
Ele nos conduz diretamente ao livro do profeta Daniel, como a chave essencial
para compreendermos esse enigma profético (Mt 24:15). Isso revela que qualquer
tentativa séria de entender esse tema precisa, necessariamente, passar pelas
visões apocalípticas registradas por Daniel.
Quando nos debruçamos
sobre esse livro com atenção e espírito de oração, descobrimos que a “abominação
da desolação” não é um evento isolado, mas a manifestação de um sistema de
poder profundamente hostil à verdade divina. Esse poder é simbolizado, nas
visões de Daniel, pela figura enigmática do “chifre pequeno”, descrita
especialmente nos capítulos 7 e 8.
Esse “chifre pequeno”
surge no cenário da história após a sucessão dos grandes impérios mundiais —
Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma — indicando que estamos lidando com um
poder que se levanta dentro da continuidade do domínio romano. Em Daniel 8:9-12,
encontramos uma descrição impressionante de sua atuação:
“De um dos chifres saiu
um chifre pequeno e se tornou muito forte... Cresceu até atingir o exército dos
céus... engrandeceu-se até ao príncipe do exército; dele tirou o sacrifício
diário e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo... deitou por terra a
verdade; e o que fez prosperou.”
Observe que não se
trata apenas de um poder político comum. Sua atuação tem um caráter
profundamente espiritual e religioso. Ele se levanta contra “o exército dos céus”,
simbolizando o povo de Deus; desafia o “Príncipe do exército”, uma clara
referência ao próprio Cristo; e interfere diretamente no “serviço diário”,
apontando para o ministério contínuo de Jesus como nosso Sumo Sacerdote no
santuário celestial.
Aqui está um ponto
crucial: o ataque do chifre pequeno não é apenas contra pessoas, mas contra o
próprio plano da salvação. Ao “tirar o diário”, ele busca obscurecer a mediação
de Cristo, substituindo-a por um sistema religioso humano, distorcido e incapaz
de salvar. É nesse contexto que Daniel 11:31 e 12:11 identificam essa usurpação
como a própria “abominação desoladora” — um sistema falso de adoração que ocupa
o lugar da verdade divina.
O texto bíblico afirma
claramente: esse poder “deitou por terra a verdade”. Ou seja, estamos diante de
uma tentativa deliberada de substituir a verdade de Deus por tradições humanas,
confundindo consciências e afastando as pessoas do verdadeiro caminho da
salvação.
Mas surge então a
pergunta: quem é esse poder representado
pelo chifre pequeno?
As próprias profecias
fornecem a resposta. Em Daniel 7, o chifre pequeno surge entre os dez chifres
do quarto animal — símbolo do Império Romano. Já em Daniel 8, ele aparece após
o domínio da Grécia e se estende até o tempo do fim. A História confirma esse
desenvolvimento: após a queda da Grécia, Roma ascende ao poder, primeiro em sua
fase imperial (pagã) e, posteriormente, em sua fase religiosa (papal).
Assim, o “chifre
pequeno” representa Roma em suas duas fases — pagã e papal — sendo que seu
cumprimento mais amplo e duradouro se dá na fase papal. Nessa etapa, o poder
romano assume características religiosas e passa a atuar diretamente no campo
da fé, estabelecendo um sistema que procura substituir a obra redentora de
Cristo e Seu ministério sacerdotal no Céu por meios humanos de salvação.
Como bem destaca a Lição da Escola Sabatina: “Daniel 8,
especialmente os versos 9 a 12, coloca esses eventos em seu contexto histórico,
dividindo o poder romano em duas fases. A primeira fase, vista na rápida
expansão horizontal do chifre pequeno (Dn 8:9), mostra o vasto império de Roma
pagã. Na segunda fase (Dn 8:10-12), o chifre pequeno cresce verticalmente,
lançando por terra algumas estrelas (perseguindo o povo de Deus) e
engrandecendo-se até ao “príncipe do exército” (Dn 8:11), Jesus. Essa fase
representa o período papal, que surgiu da queda do Império Romano pagão, mas
continua sendo Roma. É por isso que um único símbolo, o chifre pequeno,
representa ambas as fases do mesmo poder. O juízo em Daniel 7:9, 10, a
purificação do santuário em Daniel 8:14 e os sinais no céu em Mateus 24 – todos
indicam a intervenção de Deus em favor de Seu povo nos últimos dias” (Lição da Escola Sabatina, 2º Trimestre de
2018, p. 87).
Outro aspecto profético
fundamental é o tempo de atuação desse poder. Em Daniel 7:25, lemos que ele
perseguiria o povo de Deus por “um tempo, dois tempos e metade de um tempo”.
Aplicando o princípio bíblico de que, em profecias simbólicas, um dia
representa um ano (cf. Ez 4:7), chegamos ao período de 1.260 anos.
Historicamente, esse
período se estende de 538 d.C., quando o poder papal se consolida após a
derrota dos ostrogodos, até 1798, quando sofre um golpe decisivo com a prisão
do papa Pio VI pelo general de Napoleão. Durante esses longos séculos, a
história registra momentos de intensa perseguição, nos quais muitos cristãos
que permaneceram fiéis à Palavra de Deus enfrentaram julgamentos, torturas e
até a morte.
Diante disso,
compreendemos que a “abominação da desolação” não é apenas um símbolo distante,
mas uma realidade histórica e espiritual: trata-se de um sistema que se levanta
contra Deus, obscurece a verdade e tenta ocupar o lugar que pertence
exclusivamente a Cristo.
E é exatamente por isso
que essa profecia continua relevante hoje. Pois, se no passado esse poder atuou
para desviar a verdade, devemos estar atentos para discernir suas manifestações
no presente e, sobretudo, no tempo do fim.
O
CHIFRE PEQUENO ATACA O SANTUÁRIO DE CRISTO (Dn 8:11)
Um dos aspectos mais
solenes e centrais da profecia de Daniel é o ataque direto que o “chifre
pequeno” realiza contra o próprio ministério de Cristo no santuário celestial.
Em Daniel 8:11, lemos que esse poder “se engrandeceu até ao príncipe do
exército; dele tirou o sacrifício diário, e o lugar do seu santuário foi
deitado abaixo”. Essa declaração revela não apenas uma oposição, mas uma
tentativa deliberada de substituição da obra redentora de Cristo.
Para compreendermos a
gravidade desse ataque, precisamos lembrar que o serviço diário realizado pelos
sacerdotes no santuário terrestre era uma figura, um símbolo do ministério
contínuo de intercessão de Cristo no santuário celestial. Conforme ensinam
textos como Números 28:3-4, Levítico 4 e Hebreus 7 a 9, o sacerdote atuava
diariamente em favor do pecador arrependido — assim como Cristo hoje intercede
por nós diante do Pai.
A Bíblia é clara ao
afirmar que Jesus é o nosso único e suficiente Mediador (Hb 7:25), Aquele que
vive eternamente para interceder por nós. No entanto, a profecia já antecipava
que surgiria um poder que procuraria desviar a atenção da humanidade dessa
verdade gloriosa.
E como isso
aconteceria?
Daniel nos mostra que
esse poder criaria um sistema religioso alternativo, no qual a mediação de
Cristo seria obscurecida e, na prática, substituída por intermediários humanos.
O “exército” mencionado no verso 12 pode ser entendido como um corpo religioso
organizado que assume funções espirituais que pertencem exclusivamente a
Cristo.
Nesse sistema, a
intercessão pelos pecados é transferida para sacerdotes humanos, por meio de
práticas como o confessionário, o padre perdoa os pecados pela fórmula: “Eu
absolvo você de seus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo”. A Palavra de Deus, porém,
apresenta um caminho diferente e direto. Somos convidados a confessar nossos
pecados ao próprio Deus, com a certeza de que Ele é fiel e justo para perdoar
(1 Jo 1:9). A oração ensinada por Jesus nos direciona ao Pai celestial, sem
intermediários humanos (Mt 6:12).
Além disso, institui-se
a ideia de um sacrifício contínuo de Cristo na missa, como se a obra da cruz
não tivesse sido completa e suficiente. Diz o Catecismo da Igreja Católica:
“O sacrifício de Cristo
e o sacrifício da Eucaristia [missa] são um sacrifício único. [...] Nesse
sacrifício divino, que é celebrado na missa, o mesmo Cristo que Se ofereceu uma
vez de maneira cruenta (com presença de sangue) no altar da cruz é contido e é
oferecido de maneira incruenta” (Nº
1367, p. 381).
No entanto, as
Escrituras afirmam com clareza que o sacrifício de Cristo foi único, perfeito e
definitivo. Ele não precisa ser repetido. O livro de Hebreus enfatiza que Jesus
“ofereceu um único sacrifício pelos pecados, para sempre” (Hb 10:12). Portanto,
qualquer sistema que sugira a repetição desse sacrifício, ainda que de forma
simbólica, acaba obscurecendo a suficiência da cruz.
Pela missa e pelo
confessionário, a mente dos crentes cristãos é afastada da dependência
ininterrupta do ministério de mediação do Salvador em Seu ministério e,
mediante essas elaboradas cerimônias, o nome de Cristo e o Seu ministério são
obscurecidos e perdidos de vista.
Examine as declarações
abaixo, extraída do Catecismo da Igreja Católica, que ratificam o que afirmamos
aqui:
“É na Igreja que está
depositada a plenitude dos meios de salvação” (Nº 824).
Fundando-se na
Escritura e na Tradição, o Conselho ensina que a Igreja, peregrina sobre a
Terra, é necessária para a salvação” (Nº 846).
“A Igreja tem em si a
totalidade dos meios de Salvação” (Nº 868).
“Não existe ofensa, por
mais grave que seja, que a Igreja não possa perdoar” (Nº 982).
“Se não houvesse perdão
dos pecados na Igreja, não haveria esperança de vida futura ou libertação
eterna” (Nº 983).
Observe, que o completo
perdão que Cristo quer dar aos que confiam em Sua livre e perfeita justiça foi
usurpado por um sistema que, na realidade, toma o lugar do próprio Cristo. Em
vez de confiar diretamente em Cristo e no que Ele fez por nós, os fiéis são
ensinados a depender de uma igreja como veículo pelo qual é dispensada tudo o
que Cristo nos oferece. A profecia chama esse falso sistema de salvação de
“abominação da desolação”.
É importante que se
diga que em parte alguma as Sagradas Escrituras identificam a eucaristia como
um “sacrifício”. Ela a identifica como uma “ceia” (I Co 11:20) e a retrata como
algo a ser comido, e não oferecido; ademais, a ceia deve ser repartida à “mesa
do Senhor” (I Co 11:21), e nunca sobre o altar, como faz a Igreja Católica com
a eucaristia. Tampouco a Bíblia afirma que devemos confessar nossos pecados a
um padre. Ela diz apenas que devemos confessar nossos pecados e abandoná-los:
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos
pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9, NVI). “Quem esconde os
seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra
misericórdia” (Pv 28:13, NVI).
Dessa forma, ao
substituir o ministério celestial de Cristo por um sistema humano de mediação e
salvação, o poder papal “tira o diário”
— isto é, desvia a atenção da contínua intercessão de Jesus — e “lança por
terra o lugar do Seu santuário”, não literalmente, mas no entendimento das
pessoas. O santuário celestial deixa de ser o centro da fé, e Cristo deixa de
ser visto como o único caminho de acesso ao Pai.
O resultado é
profundamente espiritual: as pessoas passam a depender de instituições, rituais
e líderes humanos como canais indispensáveis de salvação, em vez de confiarem
diretamente na graça de Cristo. Assim, aquilo que deveria conduzir à liberdade
espiritual acaba gerando dependência religiosa.
Outro ponto importante
é que a “abominação da desolação” não se limita apenas à substituição do
ministério de Cristo, mas também envolve a introdução de práticas estranhas à
Palavra de Deus. Ao longo da história, elementos de origem pagã foram
incorporados ao cristianismo, desviando a pureza da adoração bíblica. Práticas
como o uso de imagens, a veneração de santos e a alteração de princípios
estabelecidos por Deus revelam um afastamento progressivo da verdade.
Afora isso, o papado
trouxe para dentro da igreja cristã, a mesma prática do paganismo antigo pela
qual Jerusalém foi destruída. Basta um pequeno estudo para vermos como o culto
à imagens, o culto à Tamuz, e o culto ao sol foram introduzidos ao cristianismo
durante a Idade Média. Muitas destas abominações ainda estão entre nós sob a
forma de estátuas, velas e orações para os santos, rosário e a guarda do
domingo.
Contudo, é fundamental
reconhecer que essa advertência profética não se aplica apenas ao Catolicismo
romano. Ela é um chamado universal à vigilância espiritual. As igrejas
protestantes também têm, em maior ou menor grau, absorvido tradições humanas e
práticas não fundamentadas nas Escrituras. Elas aderiram à apostasia,
continuando com a prática de abominações que têm suas raízes firmadas nas
religiões pagãs antigas, que foram criadas para destruir a verdade de Deus.
Tanto o catolicismo como o protestantismo têm estimulado abominações no lugar
santo de Deus, Sua igreja. A história do povo de Deus no passado serve como um
espelho para o presente. Nós estamos repetindo muitos dos mesmos pecados e
consequentemente colheremos a mesma punição de desolação, a menos que estejamos
dispostos a fugirmos da Babilônia.
A
DESOLAÇÃO FINAL PREDITA POR JESUS
Quando Jesus mencionou a “abominação
da desolação” em Mt 24:15, Ele estava se referindo, em primeiro lugar, a um
evento histórico concreto e devastador: a destruição de Jerusalém no ano 70
d.C. Naquela ocasião, o Império Romano cercaria a cidade, invadiria o templo e
deixaria um rastro de destruição sem precedentes.
O próprio relato
paralelo em Lucas torna essa aplicação ainda mais clara: “‘Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei que está próxima
a sua desolação’ (Lucas 21:20). O evento predito é, obviamente, a
destruição de Jerusalém pelos romanos, em 70 d. C., momento em que os símbolos
de Roma pagã foram colocados dentro da área do templo” (Comentário Bíblico Adventista, v. 5, p.532).
Segundo Jesus, quando a
cidade estivesse rodeada de exércitos os Seus discípulos deveriam entender que
aquilo era o sinal inequívoco para que os seguidores de Cristo fugissem da
cidade sem demora. Esse seria o último sinal da iminente destruição de
Jerusalém. E foi exatamente isso que aconteceu.
Quando os exércitos romanos
cercaram Jerusalém, isto foi um sinal de que a maioria dos líderes da cidade e
seus habitantes tinham ultrapassado os limites da graça e enchido sua taça de
iniquidade. Para os cristãos que viviam na cidade, isso seria um sinal de que
Jerusalém logo sofreria o julgamento de Deus. Tão logo a primeira oportunidade
surgiu, os cristãos “fugiram para os montes” (v. 21). “A
primeira tentativa romana de tomar Jerusalém foi feita pelo general Céstio
Galo. Ele sitiou a cidade no ano 66 d. C. Por razões desconhecidas, ‘quando a
cidade estava a ponto de cair’, diz o historiador Flávio José, ‘retirou seu
exército e os soldados judeus o perseguiram’” (Mario Veloso, Mateus, Contando
a história de Jesus Rei: Comentário Bíblico Homilético [CPB, 2006], p. 309).
Ellen White escreveu: “Os [judeus] sitiados,
perdendo a esperança de poder resistir, estavam a ponto de se entregar, quando
o general romano retirou suas forças sem a mínima razão aparente” (O Grande
Conflito [CPB, 2006], p. 30). Nesse momento, a saída da cidade ficou
totalmente viável e os cristãos aproveitaram a oportunidade para fugir. “Os
acontecimentos foram encaminhados de tal maneira que nem judeus nem romanos
impediriam a fuga dos cristãos. Com a retirada de Céstio, os judeus, fazendo
uma surtida de Jerusalém, foram ao encalço de seu exército que se afastava; e,
enquanto ambas as forças estavam assim completamente empenhadas em luta, os
cristãos tiveram ensejo de deixar a cidade” (Ibdem).
“Seu local de retiro foi Pela, uma cidade no sopé a
leste do rio Jordão, cerca de 30 km ao sul do mar da Galileia” (Comentário
Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 5, p. 533).
Na primavera do ano 70, os romanos voltam a sitiar
Jerusalém, dessa vez sob o comando do general Tito. Com isso, voltaram as
atrocidades da guerra. Fome, ódio, rancores, traições, sofrimentos, toda sorte
de desgraças humanas e demoníacas entraram em ação. Flávio Josefo informa o
caso de Maria, ilha de Eleazar, uma mulher rica que vivia na Peréia. O cerco a
apanhou em Jerusalém. Sofreu a fome de maneira tão desastrosa, que assou a
metade de seu bebê de peito e o comeu. Por causa da forme, muitas pessoas
saíram da cidade procurando algo para comer. Foram tomados prisioneiros e
crucificados em frente da cidade, para atemorizar seus habitantes e forçá-los a
se renderem. Por causa do ódio que sentiam por eles, os soldados romanos os
crucificavam em estranhas e variadas posições. Tomaram 97 mil prisioneiros”
(Mario Veloso, Mateus, Contando a história de Jesus Rei: Comentário Bíblico
Homilético [CPB, 2006], p. 309).
“O morticínio, do lado de dentro, era até mais
terrível do que o espetáculo visto fora. Homens e mulheres, velhos e moços,
rebeldes e sacerdotes, os que combatiam e os que imploravam misericórdia, eram
retalhados em indiscriminada carnificina. O número de mortos excedeu ao dos
matadores. Os legionários tiveram de trepar sobre os montes de cadáveres para
prosseguir na obra de extermínio” (O Grande Conflito [CPB, 2006], p. 35).
Ellen White afirma também que “nenhum cristão pereceu na destruição de
Jerusalém” (Ibdem, p. 30).
Também, quem lê
entenda, tal avassaladora destruição serviu de ilustração para o que Roma papal
faria nos anos seguintes.
Entretanto, essa tragédia não era o
fim do cumprimento profético. Jesus estava apontando para algo maior. A queda
de Jerusalém foi apenas uma sombra, um tipo, uma antecipação de um evento ainda
mais abrangente: a destruição final que sobrevirá ao mundo impenitente.
Inspirada pelo Espírito Santo Ellen
G. White descreve esse evento futuro como um segundo cumprimento profético: “A
profecia do Salvador relativa aos juízos que deveriam cair sobre
Jerusalém há de ter outro cumprimento, do qual aquela terrível
desolação não foi senão tênue sombra. Na sorte da cidade escolhida podemos
contemplar a condenação de um mundo que rejeitou a misericórdia de Deus e
calcou a pés a Sua lei. Tenebrosos são os registros da miséria humana que a Terra
tem testemunhado durante seus longos séculos de crime” (O Grande Conflito
[CPB, 2006], p. 36, grifo nosso).
Ela acrescenta: “Cristo viu em
Jerusalém um símbolo do mundo endurecido na incredulidade e rebelião, e
apressando-se ao encontro dos juízos retribuidores de Deus” (Ibdem, p. 22).
Assim como Deus deu aos
primeiros cristãos um sinal de quando deveriam fugir de Jerusalém, Ele também
nos têm dado um sinal. Ele têm feito o possível para que cada cristão saiba
quando a hora do estágio deste mundo estiver chegando ao fim. Ellen G. White afirma: “Assim como Ele
preveniu Seus discípulos quanto à destruição de Jerusalém, dando-lhes um sinal
da ruína que se aproximava para que pudessem escapar, também advertiu o mundo
quanto ao dia da destruição final, e lhes deu sinais de sua aproximação para
que todos os que queiram, possam fugir da ira vindoura.” (O Grande Conflito, p. 37, 38).
Qual é o sinal que nos
diz quando a desolação está próxima?
Em Apocalipse 13:14, João relata uma lista de presságios que nos dirá
o quão perto estamos do fim. O sinal que irá mostrar que as nações encheram sua
taça de iniquidade será quando fizerem uma imagem para o papado, unindo a
igreja e o estado. Os EUA representados pela besta que “emerge da terra” (Ap
13:11), será um instrumento para erguer uma imagem da besta papal, e fazer com
que o mundo adore a primeira besta, que recebeu a ferida mortal. Em outras
palavras, os EUA, que outrora proporcionaram proteção e abrigo seguro para a
igreja, desempenharão uma função perseguidora nos eventos finais.
Como isso se dará? Os
Estados Unidos da América do Norte, num futuro bem próximo, por meio de seu
parlamento, emitirão um decreto que obrigará a todos guardarem o domingo (o
falso sábado), como um gesto de adoração ao papado, a besta que emerge do mar
(Ap 13:1-10). O Decreto Dominical será o clímax da união entre esses duas
bestas. Nesse tempo, a observância do domingo pelas pessoas se tornará “a marca
da besta”. Pessoas de todas as classes sociais serão pressionadas a receber
essa marca em sua mão direita ou na testa (Ap 13:15-18), resultando na perda da
liberdade do fiel povo de Deus, que sofrerá terrível perseguição e boicote
econômico. A “abominação” é a falsa
adoração imposta. A “desolação” é o
resultado: perseguição e juízo
A obra do papado
durante os 1260 anos de supremacia na Europa medieval estende-se, portanto, aos
nossos dias quando, com o poder dos Estados Unidos da América irá impor outra
vez a santificação do domingo, marca do poder da falsa adoração. Isso tem a ver
com adoração falsa, voltada a satanás, por isso a desolação, ou, destruição
arrasadora, ou ainda, devastação. Esses são os resultados da falsa adoração;
todos os que assim adoram serão levados à perdição.
Na destruição do
templo, a abominação desoladora foi o Império Romano, que nunca deveria ter
entrado em Jerusalém, a cidade santa de Deus, e muito menos ainda, não deveria
ter entrado no templo do Senhor, e menos ainda, no lugar santíssimo, onde o
sacerdote de Deus só entrava uma vez ao ano. Na segunda edição, da Idade Média
e do final dos tempos, essa abominação é a igreja católica, que para as
pessoas, seus fiéis, como já mostramos antes, substituiu o sacrifício único e
definitivo de Jesus pelo sacrifício repetido da missa bem como pelo perdão dos
pecados por parte de padres e bispos, quando só Jesus pode interceder por nós e
perdoar pecados. Esse evento será um cumprimento direto de Apocalipse 13:15-17,
e garantirá que o fim dos tempos desta Terra se aproxima.
O decreto dominical será
adotado por todas as outras nações do mundo. Quando isso se concretizar, o fiel
povo de Deus deverá entender que esse é o sinal para retirar-se das cidades,
fugindo da perseguição patrocinada pelos governos, e saber que Jesus estará
prestes a voltar.
Inspirada pelo Espírito
Santo Ellen G. White fala exatamente sobre esse evento futuro como sendo um
importante sinal para o povo de Deus. Ela escreveu: “Como o cerco de Jerusalém
pelos exércitos romanos era o sinal de fuga para os cristãos judeus, assim o
arrogar-se nossa nação o poder no decreto que torna obrigatório o dia de
repouso papal será uma advertência para nós. Será então tempo de deixar as
grandes cidades, passo preparatório ao sair das menores para lares retirados em
lugares solitários entre as montanhas” (Testemunhos
Seletos [CPB, 1985], v. 2, p. 166).
“O grupo dominical está
se fortalecendo em suas falsas pretensões, e isso significará opressão aos que
decidem observar o sábado do Senhor. (…) Devemos ter o cuidado de não nos
colocarmos no lugar em que se torne difícil a nós e nossos filhos guardarmos o
sábado. (Vida no Campo, pág. 30).
“Por um decreto que
visará impor uma instituição papal em contraposição à lei de Deus, a nação
americana se divorciará por completo dos princípios da justiça. Quando o
protestantismo estender os braços através do abismo, a fim de dar uma das mãos
ao poder romano e a outra ao espiritismo, quando por influência dessa tríplice
aliança a América do Norte for induzida a repudiar todos os princípios de sua
Constituição, que fizeram dela um governo protestante e republicano, e adotar
medidas para a propagação dos erros e falsidades do papado, podemos saber que é
chegado o tempo das operações maravilhosas de Satanás e que o fim está próximo”
(Idem, p. 151).
Quando as igrejas terem
se apostatado em suas abominações, a tal ponto de ser decretada uma lei
religiosa, que desloca o santo sábado de Deus para um feriado pagão, podemos
deixar nossas cidades, sabendo que um tempo de angústia se aproxima.
A lei dominical está
sendo preparada nos bastidores, nas trevas e no silêncio.
“A Igreja e o Estado
estão agora fazendo preparativos para um futuro conflito. Como outrora os
romanistas, os protestantes estão agindo dissimuladamente para exaltar o
domingo. Por todo o país a igreja papal está elevando seus gigantescos e
maciços edifícios em cujos recessos se hão de repetir as cenas de perseguição
de outros tempos.” (Ellen G. White, Testemunhos
Seletos, v. 2, p. 149).
Várias coligações e
organizações cristãs, sobretudo nos Estados Unidos da América do Norte, estão
trabalhando arduamente neste sentido. A própria visita de Ratzinguer à casa
branca nos Estados Unidos, em 2008, não foi por acaso. Isso foi claramente o
cumprimento da profecia relativamente ao estender das mãos sobre o abismo de
que falou a serva do Senhor e o veremos de uma forma ainda mais acentuada. Mais
do que nunca, espiritismo, protestantismo e catolicismo estão unidos no
propósito de implementar uma lei dominical! Veja mais detalhes sobre o
desenvolvimento da lei dominical neste link: http://averdade-emjesus.blogspot.com.br/2018/04/sinal-da-proximidade-do-fim-da-historia.html
Jerusalém é um
verdadeiro símbolo do mundo e ao mesmo tempo da igreja de Deus no tempo do fim.
Os “exércitos” e o ruído dos “carros” de Roma, preparando-se para o segundo
cerco, já se podem escutar à distância. Os seus espiões e os seus símbolos já
se introduziram não só no mundo inteiro. Em vez de nos apequenarmos diante de
tal poder destruidor, reparemos que tudo isso já havia sido revelado por Aquele
que conhece o fim antes do começo. Ou seja, nada escapa ao conhecimento de
Deus. Nem o futuro! E se Ele fala que há uma coroa da vida aguardando os fiéis,
então, confiemos – há sim uma coroa para os que forem vitoriosos em Sua eterna
vitória.
A abominação da
desolação é um assunto importante nestes últimos dias. Se estudarmos esta
profecia com cuidado, veremos que cada um dos seus três cumprimentos se refere
a uma apostasia nacional do povo de Deus, que termina com sua trágica
destruição. Estamos agora vivendo no tempo da apostasia final da igreja cristã,
que torna sem efeito os mandamentos da Lei de Deus. Precisamos ver que estamos
no meio da profecia e manter os olhos abertos para a culminação de todas as
coisas.
Nossa única proteção
contra a abominação da desolação é dar as nossas vidas sem reservas a Jesus,
amar os outros como Ele os ama e adorá-Lo no caminho que a Sua palavra ensina.
O maior mandamento é simplesmente amar a Deus com todo nosso coração, alma e
força. Se temos esse amor, será natural que façamos tudo para agradá-Lo e
honrá-Lo. Em troca, ele vai nos manter em segurança através da desolação que
vai fechar a história desta terra antes que ele volte.
“A brevidade do tempo é
frequentemente realçada como incentivo para buscar a justiça e fazer de Cristo
o nosso amigo. Este não deve ser o grande motivo para nós; pois cheira a
egoísmo. É necessário que os terrores do dia de Deus sejam mantidos diante de
nós, a fim de que sejamos compelidos à ação correta pelo medo? Não devia ser
assim. Jesus é atraente. Ele é cheio de amor, misericórdia e compaixão. Deseja
ser nosso amigo, andar conosco por todos os acidentados caminhos da vida”
(Ellen G. White, Exaltai-O [MM 1992], p.
99).
Assim como no passado,
Deus envia mensagens de alerta. Você está ouvindo? Hoje, Cristo repete: “Quem
lê, entenda.” O mundo caminha rapidamente para o cumprimento final dessas
profecias.
A pergunta não é se
acontecerá… Mas de que lado você estará.
Você está preparado
para permanecer fiel, mesmo sob pressão? Sua vida está alinhada com a Palavra
de Deus? Você tem discernido os sinais dos tempos?
Hoje é o tempo de
decidir. Se você deseja entender melhor as profecias,
permanecer fiel à verdade, se preparar para os eventos finais e estar ao lado
de Cristo custe o que custar. Entregue sua vida completamente a Deus hoje.
Não espere o decreto.
Não espere a crise. Decida agora.

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