QUANDO A LIBERDADE SE TORNA PERSEGUIÇÃO: LIÇÕES DE APOCALIPSE 13
Ricardo
André
INTRODUÇÃO
O mundo foi sacudido,
no dia 03 de janeiro de 2026, por um
episódio que muitos já classificam como histórico e perturbador. Uma ação
militar conduzida pelos Estados Unidos
da América resultou em ataques diretos ao território venezuelano,
bombardeios em áreas estratégicas de Caracas
e no sequestro do presidente Nicolás
Maduro e de sua esposa, posteriormente levados a Nova York para responder a
acusações federais, como narcoterrorismo e tráfico.
Não se tratou de uma
simples operação diplomática ou de sanções econômicas — instrumentos já
conhecidos da geopolítica moderna. Foi uma intervenção
militar direta, com o objetivo explícito de subjugar um Estado soberano e
impor autoridade sobre seus assuntos internos, bem como obter o controle das
áreas petrolíferas da Venezuela. Para muitos governos e analistas
internacionais, o episódio representou uma violação
aberta da soberania nacional e uma demonstração inequívoca do alcance do
poder imperialista americano.
Esse acontecimento
expôs, de forma quase didática, o nível de projeção
global dos Estados Unidos: poder militar capaz de atravessar fronteiras e
invadir qualquer país, e poder econômico que condiciona mercados e poder
político que influencia decisões internacionais. Poucas nações, ao longo da
história, alcançaram tamanha capacidade de moldar o destino de outros povos.
O que impressiona — e
deveria despertar séria reflexão espiritual — é que, diante dessa agressão
contra a Venezuela, nenhuma das grandes potências do mundo, como China ou
Rússia, tenha ousado levantar a voz com ameaça real de retaliação militar ou de
sanções econômicas contra os Estados Unidos. O silêncio calculado dessas
nações, aliado à postura servil das potências europeias, que se curvaram sem
resistência à vontade de Donald Trump, não pode ser visto apenas como um jogo
diplomático. Trata-se de um sinal dos tempos. Esses fatos revelam, de forma
quase pedagógica, a supremacia do poder norte-americano no cenário mundial — um
poder que se impõe, intimida e subjuga, sem encontrar oposição proporcional.
À luz da profecia
bíblica, esse tipo de hegemonia não é um detalhe irrelevante. O
poderio norte-americano não deve ser visto apenas como um fenômeno geopolítico,
mas como um elemento profético em amadurecimento. Esse domínio crescente ecoa o
cumprimento de Apocalipse 13, onde uma potência exerce influência global
suficiente para conduzir as nações segundo seus desígnios, preparando o terreno
para coerções futuras que alcançarão não apenas a política e a economia, mas
também a consciência humana e adoração.
Um poder que aparenta
defender liberdade e justiça, mas que, em determinado momento, passa a impor sua vontade em oposição direta aos
princípios de Deus.
Esses fatos
contemporâneos nos conduzem inevitavelmente ao texto profético. A pergunta que
se impõe não é apenas política, mas espiritual e escatológica: que poder é esse descrito pelo apóstolo
João como a “besta que emerge da terra”?
Para responder a essa
pergunta, não podemos partir apenas de emoções ou opiniões ideológicas.
Precisamos retornar à Palavra de Deus,
examinar cuidadosamente os símbolos
proféticos e permitir que a própria Escritura interprete a si mesma. É
exatamente isso que faremos agora, ao analisarmos as características da besta de dois chifres que emerge da terra em
Apocalipse 13, e as evidências bíblicas e históricas que a identificam.
I.
O SÍMBOLO PROFÉTICO: A BESTA QUE SURGE DA TERRA
Apocalipse 13 apresenta
um dos quadros mais solenes da escatologia bíblica. Nele, duas bestas surgem
com o propósito de perseguir o povo fiel de Deus nos momentos finais da
história — o remanescente escatológico. Para compreender corretamente a segunda
besta, é indispensável considerar, ainda que brevemente, a identidade e a
atuação da primeira.
A primeira besta é
descrita em Apocalipse 13:1-10 como emergindo do mar, símbolo bíblico de
“povos, multidões, nações e línguas” (Ap 17:15), indicando seu surgimento em
meio a regiões densamente povoadas. João a vê com “dez chifres e sete cabeças”,
ostentando nomes de blasfêmia, e observa que ela se assemelha ao leopardo, ao
urso e ao leão — imagens que remetem diretamente aos impérios de Babilônia,
Medo-Pérsia e Grécia. O texto afirma ainda que “o dragão lhe deu o seu poder, o
seu trono e grande autoridade” (Ap 13:2).
À luz da interpretação
histórica adotada pelos reformadores protestantes e mantida pela Igreja
Adventista do Sétimo Dia, essa besta representa o poder romano-papal, um
sistema político-religioso que se consolidou no coração da Europa e reivindicou
prerrogativas divinas, colocando-se acima da autoridade de Deus. Sua blasfêmia
se manifesta ao substituir o ministério sacerdotal de Cristo por um sistema de
mediação humana, profanando simbolicamente o “tabernáculo” e “os que habitam no
céu” (Ap 13:6; cf. Dn 8:9-14).
Esse poder perseguiu os
santos por “quarenta e dois meses” (Ap 13:5), período profético equivalente a 1.260 anos (538–1798), marcados por
intensa perseguição religiosa durante a Idade Média, culminando nos horrores da
Inquisição. Em 1798, com a prisão do papa Pio VI pelo general francês Berthier,
o papado sofreu a chamada “ferida mortal”, evento amplamente reconhecido por
intérpretes protestantes como o cumprimento dessa profecia. Contudo, o texto bíblico
anuncia que essa ferida seria curada (Ap 13:3), indicando a restauração gradual
da influência global do papado no cenário internacional.
É nesse contexto que
surge a segunda besta, identificada posteriormente como o “falso profeta” (Ap
16:13; 19:20; 20:10). Diferentemente da primeira, ela não emerge do mar, mas
“da terra”, sugerindo sua origem em uma região pouco povoada, fora dos centros
tradicionais do Velho Mundo. Além disso, ela não resulta da conquista de um
império anterior, como ocorre nas sucessões imperiais de Daniel 2 e 7.
Ellen G. White comenta
que essa besta “não poderia surgir entre as nacionalidades populosas e agitadas
do Velho Mundo”, mas deveria aparecer no Novo Mundo, ascendendo ao poder por
volta de 1798 e chamando a atenção do mundo por sua força e crescimento. Ela
conclui de forma categórica: “Uma nação, e apenas uma, satisfaz
às especificações dessa profecia; essa aponta claramente para os Estados Unidos
da América” (Ellen G. White, O Grande
Conflito [CPB, 2006], p. 440).
Enquanto o poder romano surgiu na
Europa densamente povoada, o poder americano nasceu em território novo, pouco
habitado e aparentemente promissor. João descreve essa besta como tendo “dois
chifres semelhantes aos de um cordeiro” (Ap 13:11), símbolo de juventude, mansidão e princípios nobres.
Esses dois chifres representam, segundo Ellen White, o republicanismo e o protestantismo,
fundamentos que garantiram aos EUA sua reputação de defensores da liberdade
civil e religiosa (Idem, p. 441). Essa
característica reflete os EUA como a terra da liberdade religiosa, das origens
protestantes, das ideias iluministas e da democracia (a aparência de cordeiro).
Contudo, a profecia acrescenta uma
advertência decisiva: embora tenha aparência de cordeiro, essa besta “falava como dragão”. Ou seja, sua voz
— expressão de sua autoridade — revela coerção, intolerância e perseguição.
Trata-se de um poder que, embora se apresente como benevolente, manifesta uma
natureza opressiva quando abandona seus princípios fundadores. Ainda assim, permanece
uma besta: uma superpotência global,
dotada de influência política, econômica e religiosa sem precedentes.
Aqui está a sutileza do engano
profético. Se a besta do mar parecia um poder absolutista e antiquado, a besta
da terra surge como portadora de um novo ideal — liberdade, progresso e
tolerância. Entretanto, sua fidelidade não se volta para Deus, mas para Roma. O
texto é claro ao afirmar que ela exerce
toda a autoridade da primeira besta e conduz o mundo a adorá-la (Ap 13:12).
Apocalipse 13 revela que a besta da
terra será o agente central da
perseguição final. Embora a marca pertença à primeira besta, não será o
poder romano que reunirá as nações em torno desse sistema. Será o poder
americano — especialmente por meio de sua força religiosa protestante aliada ao
poder civil — que promoverá a criação de uma imagem da besta, impondo sua marca de autoridade e perseguindo
aqueles que se recusarem a se submeter (Ap 13:14-17).
A Bíblia afirma que esse poder
realizará “grandes sinais” para enganar os habitantes da terra, restaurando, em
escala global, a antiga união entre igreja e Estado que caracterizou o
cristianismo medieval. Assim, a perseguição religiosa será novamente
institucionalizada, culminando em sanções econômicas, coerção civil e até pena
de morte contra os fiéis que guardam “os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”
(Ap 12:17; 14:12).
O Comentário Bíblico Andrews resume esse cenário de forma contundente
ao afirmar que “Apocalipse 13, portanto, indica que os Estados Unidos da
América (a besta da terra) terá o papel principal na cura da ferida mortal do
sistema papal (a besta do mar). No tempo do fim, a besta da terra estabelecerá
uma união com a besta do mar, dando origem a uma instituição semelhante àquela
que caracterizou o cristianismo medieval na Europa Ocidental, com o propósito
de controlar a consciência e as crenças das pessoas. O impacto da besta da
terra será mundial” (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v. 4, p. 706).
O eixo central dessa aliança
profetizada entre o poder religioso apóstata e o poder civil será a promulgação
de um decreto dominical, por meio do qual a guarda do domingo será imposta como
dia oficial de descanso e adoração, em aberta oposição ao sábado bíblico — o
sétimo dia santificado por Deus. Nesse contexto decisivo da história, a
observância do domingo deixará de ser uma tradição religiosa e passará a constituir
a chamada “marca da besta”. Conforme Apocalipse 13:15–18, pessoas de todas as
classes sociais serão pressionadas a receber essa marca, seja na mão direita ou
na testa.
É fundamental compreender que a
marca da besta não se trata de um sinal visível ou físico. O símbolo da mão
direita representa as ações, a prática externa, o comportamento moldado pela
coerção e pela conveniência. Já a marca na testa refere-se à mente, ao
consentimento intelectual e à convicção consciente. Assim, alguns aceitarão a marca
por medo das sanções e da ameaça de morte, enquanto outros a receberão por
plena adesão mental, espiritual e ideológica a esse sistema de adoração
corrompido.
Do mesmo modo que o sábado
bíblico é apresentado nas Escrituras como o sinal distintivo da fidelidade e da
obediência do verdadeiro povo de Deus (Ez 20:12, 20), a marca da besta será o
sinal de lealdade à autoridade da besta. Trata-se, em essência, de uma
substituição deliberada da lei divina por mandamentos humanos. A evidência
histórica mais clara dessa tentativa encontra-se na instituição do domingo pelo
papado como dia de adoração, em cumprimento da profecia de Daniel 7:25, em
lugar do sétimo dia — o sábado — estabelecido pelo próprio Criador na semana da
criação (Gn 2:1–3) e confirmado no Decálogo (Êx 20:8–11).
Essa mudança não é meramente
litúrgica; ela representa uma tentativa de usurpar a autoridade de Deus,
transferindo o sinal de Sua soberania para uma instituição humana. Como afirma
Ellen G. White: “O sinal
da besta é o dia de repouso papal, aceito pelo mundo em substituição ao dia
designado por Deus. Ninguém recebeu até agora o sinal da besta. Ainda não
chegou o tempo de prova. Há cristãos verdadeiros em todas as igrejas, inclusive
na comunidade católico-romana. Ninguém é condenado sem que haja recebido
iluminação nem se compenetrado da obrigatoriedade do quarto mandamento. Mas
quando for expedido o decreto que impõe o falso sábado, e o alto clamor do
terceiro anjo advertir os homens contra a adoração da besta e de sua imagem,
será traçada com clareza a linha divisória entre o falso e o verdadeiro. Então
os que ainda persistirem na transgressão receberão o sinal da besta” (Ellen G.
White, Evangelismo, p. 234, 235).
A linha divisória, porém, será traçada com clareza
quando o decreto dominical for promulgado — especialmente nos Estados Unidos —
e o alto clamor do terceiro anjo advertir o mundo contra a adoração da besta e
de sua imagem. Nesse momento, a escolha de um dia de adoração deixará de ser
secundária e se tornará a prova decisiva de fidelidade. Aqueles que, mesmo
esclarecidos, persistirem na transgressão da lei de Deus, receberão a marca da
besta.
Assim, o Apocalipse revela que o sábado será o
sinal de obediência no clímax da história humana. Contudo, é imprescindível afirmar
com equilíbrio profético que a observância do domingo hoje não constitui, em
si, a marca da besta. Ela só assumirá esse caráter quando for imposta por lei
civil e quando as pessoas, plenamente conscientes das implicações espirituais
de sua escolha, decidirem deliberadamente obedecer aos homens em lugar de Deus.
Esse tempo solene ainda pertence ao futuro, mas os sinais indicam que o cenário
está sendo rapidamente preparado.
“Apocalipse 13:17 mostra que, no clímax do drama do tempo do fim, as sanções econômicas àqueles que se recusarem a adorar a imagem da besta desempenharão um papel fundamental. A recusa em adorar a besta será tratada como um ato de deslealdade punível com morte. [...] Todo esse cenário culminará com a vinda de Cristo em poder e glória, seguida pela derrota da coalizão triúna satânica e de suas forças (19:11-21), bem como pela libertação do povo fiel (Dn 12:1)” (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v. 4, p. 706).
Ellen G.
White confirmou essa leitura profética ao declarar: “Quando as igrejas
protestantes se unirem ao poder secular para sustentar uma religião falsa, pela
qual seus ancestrais sofreram a mais feroz perseguição; quando o Estado usar
seu poder para impor os decretos e sustentar as instituições da igreja, então a
América protestante terá formado uma imagem para o papado.” (“O Sinal da
Lealdade”, Sinais dos Tempos, 22 de março de 1910).
Portanto, somente um país com projeção econômica, militar e política
global, capaz de interferir em mercados, legislações e consciências,
poderia cumprir esse papel profético. À luz das Escrituras e da história, a
interpretação adventista que identifica os Estados Unidos da América como a
besta que emerge da terra não é especulação, mas uma conclusão profética
sólida, coerente e biblicamente fundamentada.
II.
RELACIONANDO A PROFECIA COM OS FATOS ATUAIS
Por mais de 160 anos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem advertido o mundo
quanto a um movimento que, por muito tempo, pareceu improvável — senão
impossível: a reaproximação entre
catolicismo e protestantismo, culminando em uma aliança religiosa de
alcance global. Durante décadas, tal advertência foi tratada como alarmismo,
pois a história estava marcada por profundas divisões, perseguições e
antagonismos entre essas tradições cristãs.
Entretanto, a profecia nunca
dependeu do cenário humano para se cumprir. Baseada em Apocalipse 13, Ellen G.
White escreveu já em 1885, quando protestantes e católicos ainda viviam em
aberto conflito: “Quando o protestantismo estender os braços através do abismo,
a fim de dar uma das mãos ao poder romano e a outra ao espiritismo, quando por
influência dessa tríplice aliança os Estados Unidos forem induzidos a repudiar
todos os princípios de sua Constituição, que fizeram deles um governo
protestante e republicano, e adotar medidas para a propagação dos erros e
falsidades do papado, podemos saber que é chegado o tempo das operações
maravilhosas de Satanás e que o fim está próximo” (Testemunhos Para a Igreja
[CPB, 2007], v. 5, p. 451).
Ela também advertiu que essa união
não seria apenas teológica, mas política,
envolvendo diretamente o Estado: “Quando as principais igrejas dos Estados
Unidos, ligando-se em pontos de doutrinas que lhes são comuns, influenciarem o
Estado para que imponha seus decretos e lhes apoie as instituições, a América
do Norte protestante terá então formado uma imagem da hierarquia romana, e a
aplicação de penas civis aos dissidentes será o resultado inevitável” (O
Grande Conflito [CPB, 2006], p. 445).
À época em que essas palavras foram
escritas, o ecumenismo moderno sequer
existia. Católicos e protestantes se viam como inimigos históricos. No
entanto, o que parecia impossível no século XIX tornou-se quase inevitável no
século XXI.
Desde o início do novo milênio, o
mundo assiste ao maior avanço ecumênico
da história. Católicos e protestantes têm se unido em causas morais,
sociais, políticas e espirituais. Curiosamente — e exatamente como previsto por
Ellen White — são, em grande parte, lideranças
protestantes que têm feito concessões doutrinárias significativas em nome
da unidade.
Um elemento-chave dessa aproximação
é o fenômeno espiritual comum entre
pentecostais, carismáticos católicos e até correntes espiritualistas. Êxtases,
curas, revelações e experiências subjetivas têm servido como ponte entre
sistemas teológicos historicamente incompatíveis. Essa convergência levou até
observadores externos a reconhecerem o movimento. O espírita José Reis Chaves
afirmou que era “questão de tempo” para que espíritas, carismáticos e pentecostais
se unissem em um só rebanho. “E percebe-se que é uma questão de
tempo para que os espíritas, os carismáticos católicos e os pentecostais,
conhecendo "in totum" a
verdade libertadora, dar-se-ão as mãos, formando um só rebanho e um só pastor!”
(Portal O Tempo).
No campo institucional, os sinais
são ainda mais claros. Em 1994, líderes evangélicos e católicos assinaram o
documento “Evangélicos e Católicos
Juntos: A Missão Cristã no Terceiro Milênio”, reconhecendo cooperação
espiritual e social. Poucos anos depois, a Igreja Católica passou a declarar
publicamente que o ecumenismo era um processo “irreversível”, como afirmou o papa João Paulo II em sua encíclica Ut Unum Sint.
Observe o papa diz que é
IRREVERSÍVEL esta união. De fato, com a morte do Papa João Paulo II, o Vaticano
não desistiu de seu intento, prosseguiu com seu objetivo com os sucessores do
extinto João Paulo II. Bento XVI declarou o ecumenismo como prioridade central
de seu pontificado. Já o papa Francisco elevou esse movimento a um novo
patamar, promovendo encontros públicos, celebrações conjuntas e apelos
emocionais pela unidade visível dos cristãos.
O evento de 25 de janeiro de 2014, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, é
emblemático. Representantes da Igreja Católica, do Patriarcado Ortodoxo e da
Comunhão Anglicana reuniram-se em oração conjunta, sob a liderança do papa
Francisco, encerrando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Os apelos
feitos naquele dia foram alguns dos mais fortes já registrados em favor da
unidade cristã.
Francisco deixou claro que a
unidade não seria fruto de milagres sobrenaturais isolados, mas de esforço humano deliberado, diálogo,
cooperação e vontade política. Ele afirmou que a obra ecumênica tornou-se um
aspecto “essencial do ministério do Bispo de Roma”.
O jornal Folha de São Paulo de 30
de junho de 2008 traz a seguinte matéria: “Bento XVI pede unidade de
todos os cristãos”. E comenta: “O papa Bento 16 pediu neste domingo a
unidade de todos os cristãos durante a tradicional oração do ângelus, à qual
assistiu o patriarca ecumênico Bartolomeu 1º, primaz de honra das igrejas
ortodoxas. (...) No ângelus, Bento 16 lembrou que no sábado começou o Ano
paulino pelo que pediu aos fiéis que rezassem por esse motivo, assim como
pela unidade dos cristãos, a evangelização e a comunhão da igreja”.
Desde seu primeiro discurso na
Capela Sistina, na manhã seguinte à sua eleição, Bento XVI afirmou claramente
que o ecumenismo – a busca da unidade com outras denominações cristãs – é uma
das maiores prioridades de seu pontificado.
O pontificado do Papa Francisco não ficou atrás dos últimos dois. Ele reforçou sua postura ecumênica,
tentando aproximar-se das outras correntes do Cristianismo como os ortodoxos e
os evangélicos. A Igreja Católica continua firme em seu propósito de
reconquistar a supremacia política mundial e o pior de tudo é que as principais
igrejas protestantes já venderam sua alma ao bispo de Roma, para desespero do
mundo todo. Por trás dessa fala mansa do papa encontra-se o desejo de
supremacia através da exaltação do descanso dominical.
No sábado, 25 de janeiro de 2014
durante o encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que
ocorreu na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, ele fez orações em companhia
do representante do Patriarcado ecumênico de Constantinopla, Gennadios Zervos,
e o representante do arcebispo de Cantuária e chefe da Comunhão Anglicana, o
pastor David Moxon.
Neste dia, o site da Rádio Vaticano
postou a seguinte matéria:
Papa: Cristo é princípio,
causa e motor da unidade dos cristãos
Cidade do Vaticano (RV) – O Papa
Francisco presidiu às vésperas na tarde deste sábado, na Basílica de S. Paulo
Fora dos Muros, por ocasião da festa da Conversão do Apóstolo e no encerramento
da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
Antes de iniciar a celebração,
Francisco desceu ao túmulo do Apóstolo Paulo para rezar com o arcebispo
metropolita ortodoxo e representante do Patriarcado ecumênico de
Constantinopla, Gennadios Zervos, e o representante do arcebispo de Cantuária e
chefe da Comunhão Anglicana em Roma, o Pastor David Moxon.
A Basílica estava repleta de fiéis
e nos bancos da frente destacavam-se alguns cardeais colaboradores e
ex-colaboradores da Cúria Romana, como os dois ex-Secretários de Estado, Angelo
Sodano, (atual decano do Colégio Cardinalício) e Tarcisio Bertone, camerlengo
da Santa Romana Igreja.
Na presença de representantes
ortodoxos, anglicanos e de outras comunidades cristãs, em sua homilia o Papa
comentou o tema escolhido para a edição deste ano da Semana: “Estará Cristo
dividido?” (1 Cor 1, 13).
Com grande tristeza, comentou o
Pontífice, o Apóstolo soube que os cristãos de Corinto estavam divididos em
várias facções. Uns afirmavam: "Eu sou de Paulo"; outros diziam:
"Eu sou de Apolo"; e outros: “Eu sou de Cefas”; e há ainda quem
sustentasse: «Eu sou de Cristo». Até mesmo quem apelava a Cristo o fazia para
se distanciar dos irmãos.
Diante desta divisão, Paulo exorta
os cristãos de Corinto a serem todos unânimes, para que haja perfeita união de
pensar e sentir. Mas a comunhão a que chama o Apóstolo, notou Francisco, não
poderá ser fruto de estratégias humanas.
“Nesta tarde, encontrando-nos aqui
reunidos em oração, sentimos que Cristo – que não pode ser dividido – quer
atrair-nos a Si, aos sentimentos do seu coração, ao seu abandono total e íntimo
nas mãos do Pai, ao seu esvaziar-se radicalmente por amor da humanidade. Só Ele
pode ser o princípio, a causa, o motor da nossa unidade.”
As divisões na Igreja – prosseguiu
o Papa – não podem ser consideradas como um fenômeno natural ou inevitável. “As
nossas divisões ferem o corpo de Cristo, ferem o testemunho que somos chamados
a prestar-Lhe no mundo”, acrescentou.
A seguir, o Pontífice mencionou o
Decreto do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo, Unitatis
redintegratio, em que se afirma que Cristo “fundou uma só e única
Igreja” e acrescentou: “Queridos amigos, Cristo não pode estar dividido! Esta
certeza deve incentivar-nos e suster-nos a continuar, com humildade e
confiança, o caminho para o restabelecimento da plena unidade visível entre
todos os crentes em Cristo.”
Improvisando, o Papa acrescentou
que “todos fomos prejudicados pelas divisões entre os cristãos; não queremos
ser um escândalo!”, frisou. “Caminhemos fraternamente juntos no caminho da
unidade, na unidade ‘reconciliada’, para a qual o Senhor nos acompanha”,
exortou, explicando que “a unidade não vai cair do céu como um milagre, mas
será o Espírito Santo a propiciá-la, em nosso caminho. Se não caminharmos
juntos, uns para os outros, e não trabalharmos juntos, a unidade não virá. É o
Espírito Santo que a faz, ao ver a nossa boa-vontade”.
Francisco citou ainda seus
predecessores, os Beatos João XXIII e João Paulo II e Paulo VI, para afirmar
que a obra desses pontífices fez com que a dimensão do diálogo ecumênico se
tornasse um aspecto “essencial do ministério do Bispo de Roma, que hoje não se
compreenderia plenamente o serviço petrino sem incluir nele esta abertura ao
diálogo com todos os crentes em Cristo”.
Por fim, exortou: “Amados irmãos e
irmãs, peçamos ao Senhor Jesus que nos conserve profundamente unidos a Ele, nos
ajude a superarmos os nossos conflitos, as nossas divisões, os nossos egoísmos
e a vivermos unidos uns aos outros por uma única força, a do amor, que o
Espírito Santo derrama nos nossos corações.”
O cardeal Presidente do Pontifício
Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Kurt Koch, não pôde
participar da cerimônia, devido a um resfriado, e sua saudação foi lida pelo
secretário do dicastério, Dom Brian O’Farrell. (BF/CM)
Texto proveniente da página Rádio Vaticano.
Neste dia terminou a semana pela
unidade dos cristãos. Os apelos pela unidade foram os mais veementes já vistos.
Muitos pronunciamentos importantes. O Ecumenismo agora é mais importante que
nos tempos do papa Bento XVI.
Esses fatos confirmam outra
advertência profética de Ellen White, feita há um século: “A vasta diversidade
de crenças nas igrejas protestantes é por muitos considerada como prova
decisiva de que jamais se poderá fazer esforço algum para se conseguir uma
uniformidade obrigatória. Há anos, porém, que nas igrejas protestantes se vem
manifestando poderoso e crescente sentimento em favor de uma união baseada em
pontos comuns de doutrinas. Para conseguir tal união, deve-se necessariamente
evitar toda discussão de assuntos em que não estejam todos de acordo,
independentemente de sua importância do ponto de vista bíblico” (O
Grande Conflito [CPB, 2006], p. 444).
E foi exatamente isso que ocorreu.
Em 1999, a assinatura da Declaração
Conjunta sobre a Doutrina da Justificação entre o Vaticano e a Federação
Luterana Mundial (que representa 58 milhões dos 61,5 milhões de luteranos
no mundo). A declaração afirmou que, a pesar das “diferenças remanescentes”,
católicos e luteranos possuem a mesma visão fundamental da justificação pela
fé, e que as “diferenças existentes na sua explicação não são mais uma ocasião
para condenações doutrinais”. E esse documento foi apenas um precursor de um
novo, agora na “apostolicidade da igreja” (entenda-se, na autoridade do papa). (Confira
clicando aqui).
Na eleição presidencial de 2000 dos
EUA, o líder evangélico Atira Colson escreveu em um artigo no New York Times (2
de março de 2000): “Na verdade, o abismo entre evangélicos e católicos romanos,
aberto pela Reforma, está sendo coberto. Hoje, estamos ombro a ombro como o
bloco religioso mais significativo na América”. (Angel Manuel Rodriguez, Grandes
Profecias Apocalípticas, Lição da Escola Sabatina, 2º Trim. 2002, ed. de
Professor, p. 114). Provavelmente, ele nunca tenha lido as predições de
Ellen G. White, mas falou da proximidade dos católicos e evangélicos como
alguém que tivesse lido o livro O Grande Conflito, por exemplo.
Eventos semelhantes
multiplicaram-se em diversos países, com semanas de oração ecumênicas,
congressos interdenominacionais e manifestações públicas de admiração ao papa
por líderes evangélicos.
No dia 22 de maio de 2008, a então chanceler da Alemanha participou do Congresso da Igreja Católica do país, e
afirmou: “Temos um Deus, temos Jesus, que nos mostra como podemos viver e isso
é algo que a mim me dá forças”. Ela é filha de um pastor protestante e membro
da Igreja Evangélica. Ainda assim, Merkel comemorou a ampla participação de
protestantes durante o Congresso da Igreja Católica. Isso é algo que dá
esperança ao ecumenismo.
Entre os dias 24 e 30 de maio de
2009 ocorreu em todo o mundo a Semana de Oração pela unidade dos cristãos. Para
o reverendo Luís Alberto, secretário geral do Conselho Nacional das Igrejas
Cristãs (CONIC): “As afinidades das igrejas cristãs em torno de Jesus são mais
fortes do que as diferenças” (...) A Semana é fundamental para os cristãos de
todo o mundo. A celebração visa unir as igrejas no seguimento de Jesus Cristo
como um só pastor e nós como um só rebanho”.
Na cidade de Maringá (Paraná)
participaram as seguintes igrejas: Igreja Católica Romana, Igreja Episcopal
Anglicana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja
Presbiteriana Unida (de Marialva).
No dia 28 de julho de 2013, o site
Último Segundo estampou a seguinte manchete: “Evangélicos se unem a
católicos na Jornada Mundial da Juventude”. Grupos de evangélicos estiveram
presentes na JMJ.
Sites evangélicos divulgaram
opiniões positivas e elogiosas ao papa Francisco, a exemplo do site
Gnotícias.com.br. No dia 29 de julho, o mesmo site publicou uma matéria
com a seguinte manchete: “Postura do papa Francisco é elogiada por líderes
evangélicos: “Passou simplicidade, enquanto ‘apóstolos’ ostentam riquezas” E
comenta: “O pastor Renato Vargens, líder da Igreja Cristã da Aliança, também
analisou os discursos do papa e o impacto que a postura do líder católico teve
entre os fiéis evangélicos. Para Vargens, “a vinda do papa Francisco ao Brasil
tem despertado não somente a atenção da população em geral, como também dos
evangélicos que não se cansam de elogiar o bispo de Roma”. O pastor citou ainda
as redes sociais como amostra da admiração que boa parte do rebanho evangélico
tem expressado ao pontífice” (Confira o texto clicando aqui).
Recentemente o bispo anglicano Tony
Palmer (hoje falecido) se une ao papa Francisco num apelo a pentecostais norte-americanos pela
união das igrejas. A proposta foi recebida com entusiasmo pelos líderes
protestantes. Isso mostra como o movimento ecumênico avança a passos largos.
Embora ainda haja muito por acontecer, esses eventos estão levando a um
cumprimento surpreendente da profecia apocalíptica.
Importante dizer que essa união da igrejas não será
uma união institucional, mas espiritual, dialogal. Não é que as igrejas
evangélicas deixaram de existir numa fusão com a Igreja Católica Romana,
passando a existir uma única igreja cristã, mas elas estarão unidas para
realizarem algumas atividades juntas, a exemplo de forçar os governos do mundo
para aprovarem leis tornando a obrigatória a guarda do domingo, erguendo, desse
modo, a imagem da besta do Ap 13. A própria Igreja reconhece que ecumenismo não
é a fusão das igrejas ao afirmar que ecumenismo não é “misturar Igrejas ou
religiões como se fosse tudo a mesma coisa” (O que é e o que não é Ecumenismo,
site CNBB, Catequese do Brasil).
É aqui que Apocalipse 13 ganha pleno sentido. Essa
aliança religiosa, liderada pela besta da terra, criará o ambiente necessário
para a imposição de leis religiosas, culminando na exaltação do domingo como
dia de descanso obrigatório — a imagem
da besta — em oposição direta ao sábado bíblico.
Ellen White conclui com solene clareza: “Quando o
protestantismo estender os braços através do abismo a fim de dar uma das mãos
ao poder romano e a outra ao espiritualismo (...) podemos saber que é chegado o
tempo das aparições maravilhosas de Satanás é que O FIM ESTÁ PRÓXIMO” (Ellen
G. White, Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 151).
Assim, os fatos
contemporâneos não apenas confirmam a profecia — eles a aceleram. O cenário que antes parecia improvável hoje se apresenta
diante de nossos olhos, revelando que o mundo está rapidamente se movendo para
o desfecho profético descrito nas Escrituras.
CONCLUSÃO
A profecia de
Apocalipse 13 nos conduz ao clímax da
história humana. Ela não fala apenas de sistemas políticos ou alianças
religiosas, mas do momento decisivo em que toda
a humanidade será chamada a escolher entre a autoridade de Deus e a
autoridade dos homens. No tempo do fim, a questão central não será ideológica,
cultural ou nacional — será adoração.
À medida que os poderes
da terra se organizam e se unem, a profecia revela que princípios antes
considerados inegociáveis — liberdade de consciência, separação entre igreja e
Estado e fidelidade exclusiva à Palavra de Deus — serão progressivamente
sacrificados em nome de uma falsa unidade e de uma falsa paz. O mundo caminha
rapidamente para o momento em que obedecer
a Deus será visto como rebeldia civil, e permanecer fiel às Escrituras será
considerado deslealdade ao sistema vigente.
Diante desse cenário
solene, o chamado divino é urgente. O povo de Deus é convocado a vigiar, discernir e preparar-se
espiritualmente. Não haverá espaço para uma fé superficial, herdada ou
meramente cultural. Somente permanecerão firmes aqueles cuja experiência com
Deus esteja profundamente enraizada na verdade bíblica e na comunhão diária com
Cristo.
Apocalipse 14 apresenta
o contraste decisivo: de um lado, os que recebem a marca da besta; do outro, os
que são descritos como “os que guardam
os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14:12). Esse será o selo
visível da fidelidade no tempo do fim. A questão do sábado, longe de ser um
detalhe secundário, tornar-se-á o sinal
externo de uma lealdade interna, revelando a quem pertencemos e a quem
escolhemos obedecer.
Essa mensagem não foi
dada para nos paralisar pelo medo, mas para nos despertar para a realidade do juízo iminente. O tempo de decidir
não será amanhã — é agora. Hoje é o
dia de firmar convicções, fortalecer a fé e alinhar a vida com os princípios
eternos do Reino de Deus, antes que as pressões finais se tornem irresistíveis.
O remanescente fiel
atravessará o tempo de angústia confiando não em instituições humanas, mas na
justiça de Cristo. Embora a besta pareça triunfar por um breve momento, sua vitória será apenas aparente e
passageira. O mesmo Apocalipse que descreve perseguição e coerção também
anuncia, com igual clareza, a derrota
definitiva da coalizão satânica e a libertação do remanescente.
A história não termina
com a marca da besta, mas com a volta
gloriosa de Cristo. O Cordeiro que hoje intercede no santuário celestial em
breve descerá com poder e grande glória. Nesse dia, todos os reinos da terra se
curvarão, toda autoridade humana será silenciada, e ficará claro que somente Cristo é Senhor.
Portanto, que estejamos
entre aqueles que, mesmo sob pressão extrema, permanecem fiéis. Que sejamos
encontrados vigilantes, firmes e selados
com o caráter de Cristo, aguardando não o domínio da besta, mas o Reino eterno de Deus.
“Eis que venho sem
demora; bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro”
(Ap 22:7).

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