OS SELADOS E OS AUSENTES: A ADVERTÊNCIA DA TRIBO DE DÃ

 Ricardo André

Texto-base: Apocalipse 7:4–9

Texto de apoio: Gênesis 49:17

INTRODUÇÃO – UMA LISTA QUE PREGA EM SILÊNCIO

Apocalipse 7 nos conduz a uma das cenas mais solenes e decisivas de toda a Escritura. Antes que os ventos da destruição final sejam soltos sobre a Terra, antes que os juízos irrevogáveis de Deus atinjam o mundo rebelde, o Céu interrompe o curso da história para realizar um ato de misericórdia: Deus sela um povo.

Não se trata de um grupo qualquer. Trata-se de um povo preparado para estar em pé no tempo do fim, identificado simbolicamente como os 144.000, procedentes das doze tribos de Israel. Esta é, significativamente, a última vez que a Bíblia menciona as doze tribos.

O texto declara: “Então ouvi o número dos que foram selados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel” (Ap 7:4).

João não diz que viu esse número — ele diz que ouviu. O que se segue não é apenas uma estatística celestial, mas uma mensagem profética carregada de significado espiritual. Conforme destaca o Comentário Bíblico Andrews, o número 144.000 não deve ser entendido de forma literal, mas simbólica, representando a totalidade do povo de Deus no tempo do fim — o “Israel de Deus”, composto por judeus e gentios fiéis, preparados para a volta de Cristo e que serão transformados sem passar pela morte (Gl 6:16; Rm 11:26; 1Co 15:51-53).

A própria lista das doze tribos, apresentada em Apocalipse 7:5-8, confirma esse caráter simbólico. O Comentário Bíblico Andrews observa pelo menos duas razões fundamentais para isso. “Primeiro, as 12 tribos de Israel não existem mais hoje. Durante a conquista assíria do reino do norte de Israel, as dez tribos que compunham aquele reino foram levados para o cativeiro (2Rs 17:6-23), onde logo se misturaram com outras nações e desapareceram em grande parte. Com a destruição de Jerusalém no ano 70 de nossa era, as duas tribos restantes, Judá e Benjamim, foram dispersas por todo o Império Romano. Como resultado, o judaísmo atual não é composto das 12 tribos originais. Segundo, a lista das 12 tribos em Apocalipse 7 não é uma lista regular das tribos de Israel. Judá é listado como a primeira tribo, em vez de Rúben, e as tribos de Dã e Efraim estão ausentes, enquanto José e Levi são incluídos” (CBA, v. 4, p. 677, 678).

Ellen G. White esclarece que os 144.000 são aqueles que estarão vivos por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, selados pelo Espírito Santo e aprovados no mais severo teste da história humana. Eles atravessaram a grande tribulação, permaneceram fiéis quando não havia mais intercessão no santuário celestial e foram considerados “primícias para Deus e para o Cordeiro”: “[...] ‘Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vai.’ ‘Estes, tendo sido trasladados da Terra, dentre os vivos, são tidos como as primícias para Deus e para o Cordeiro’ (Ap 14:1-5; 15:3). ‘Estes são os que vieram de grande tribulação’ (Ap 7:14); passaram pelo tempo de angústia tal como nunca houve desde que houve nação; passaram pelo tempo de angústia tal como nunca houve desde que houve nação; suportaram a aflição do tempo da angústia de Jacó; permaneceram sem intercessor durante o derramamento final dos juízos de Deus” (O Grande Conflito [CPB, 2004], p. 648, 649).

Comentário Bíblico Andrews acrescenta que “o número simbólico 144 mil descreve a igreja militante como sendo composta de 144 unidades militares de mil integrantes cada, ou seja, como um exército pronto para lutar contra Satanás e seu exército” (CBA [CPB, 2025], v. 4, p. 678). É um grupo especial no tempo do fim, que venceram todas as suas batalhas, são irrepreensíveis, derrotaram Satanás e seus anjos. Todos tiveram uma história de lutas e vitórias, fracassos e sucessos, mas enfim, pelo sangue de Jesus venceram. “Estes são os que vieram da grande tribulação, que lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro (Ap 7:14).

Entretanto, ao examinarmos essa lista com atenção reverente, algo chama profundamente a atenção. Um nome está ausente.

Não é um detalhe acidental. Não é um erro de cópia. Não é um esquecimento.

Entre as doze tribos mencionadas, Dã não aparece. Efraim não é citado nominalmente, mas está representado em José. Levi, normalmente excluído, é incluído. Mas Dã é totalmente omitido.

A Bíblia não desperdiça palavras. E, mais ainda, a Bíblia não desperdiça silêncio. Quando Deus escolhe não mencionar um nome, Ele está pregando um sermão poderoso sem usar palavras.

A pergunta que ecoa desde o texto sagrado até os nossos dias é inevitável: O que aconteceu com Dã?

Que escolha, que caminho, que atitude espiritual foi tão grave a ponto de excluir essa tribo da lista dos selados? E, mais importante ainda: que advertência essa ausência traz para a igreja do tempo do fim?

É sobre esse silêncio que prega. É sobre esse nome ausente. É sobre essa advertência solene que precisamos refletir hoje.

I. A GRANDE AUSÊNCIA: POR QUE A TRIBO DE DÃ NÃO APARECE?

Apocalipse 7 apresenta uma lista cuidadosamente estruturada de doze tribos. Cada nome ali não é aleatório, nem meramente histórico. Trata-se de uma lista simbólica, espiritual e profundamente seletiva. No entanto, quando o leitor atento percorre essa relação, algo salta aos olhos: Dã não está lá.

No lugar de Dã, aparece Levi — uma tribo que, em listas territoriais, geralmente era omitida. Essa substituição não é casual. Ela provoca uma pergunta inevitável e profundamente desconfortável: por que Deus excluiu Dã dessa lista simbólica que representa o povo selado do tempo do fim?

A resposta não nasce em Apocalipse. Ela começa muito antes, nas páginas do Antigo Testamento, mais especificamente em Gênesis 49, quando Jacó, já às portas da morte, reúne seus filhos para pronunciar palavras que não são apenas bênçãos paternas, mas profecias com alcance escatológico. O próprio texto afirma que Jacó falaria sobre aquilo que sucederia a seus filhos “nos dias vindouros” (Gn 49:1).

Quando Jacó chega a Dã, suas primeiras palavras são surpreendentemente positivas: “Dã defenderá o direito do seu povo como qualquer das tribos de Israel” (v. 16).

Aqui está um elogio raro e elevado. Dã é apresentado como alguém que julga, que discerne, que exerce juízo. Ser juiz em Israel não era um privilégio comum; exigia maturidade espiritual, equilíbrio moral e sensibilidade para distinguir o certo do errado. Esse dom colocava Dã em posição de destaque entre seus irmãos. Ele deveria ser perspicaz, vigilante, varonil — uma força estabilizadora e benéfica dentro do povo de Deus.

Dã tinha potencial para ser cooperador, protetor e instrumento de justiça. O céu havia confiado a ele um papel nobre.

Entretanto, a profecia não termina aí. Subitamente, o tom muda de forma dramática. O mesmo Jacó que elogia, agora adverte: “Dã será uma serpente à beira da estrada, uma víbora à margem do caminho, que morde o calcanhar do cavalo e faz cair de costas o seu cavaleiro” (v. 17).

A imagem é chocante. Não se trata de um inimigo frontal, visível e declarado. Trata-se de uma serpente oculta, que se esconde à margem do caminho, que ataca pelas costas, que não ruge nem avisa — apenas injeta veneno.

A serpente não vence pela força, mas pela sutileza. Não derruba com barulho, mas com engano. Não destrói imediatamente, mas enfraquece até a queda.

Imagine a cena: um cavaleiro avança confiante por um caminho estreito, cercado de arbustos. Tudo parece seguro. De repente, a serpente ataca o calcanhar do cavalo. A mordida não é no peito, nem no rosto — é em um ponto aparentemente pequeno, mas fatal. O cavalo tropeça. O cavaleiro cai. A queda vem por trás, sem aviso.

Essa metáfora revela o verdadeiro problema espiritual de Dã. Embora tivesse recebido discernimento, usou mal esse dom. Em vez de defender a verdade, passou a misturar verdade com erro. Em vez de conduzir o povo, passou a desviá-lo silenciosamente.

Historicamente, a tribo de Dã cumpriu tragicamente essa profecia. Conforme destaca o Comentário Bíblico Andrews, “foi a primeira das tribos a se voltar para a idolatria (Jz 18:27-32) e mais tarde na história de Israel, tornou-se um centro tão influente de culto idolátrico que competia com o culto do templo em Jerusalém (1Rs 12:28-31)” (CBA [CPB, 2025], v. 4, p. 678). 

Dã não abandonou completamente a religião. Ele a corrompeu. Não rejeitou a adoração. Ele a misturou. E essa é, biblicamente, uma das formas mais perigosas de apostasia.

Por isso, a exclusão de Dã em Apocalipse 7 não é arbitrária. Ela é teológica. Ela comunica que infidelidade, sincretismo e religiosidade enganosa não têm lugar entre os selados de Deus. Como afirma o profeta Oséias: “Efraim está entregue aos ídolos; deixa-o” (Os 4:17).

No Novo Testamento, Tiago se dirige à igreja chamando-a simbolicamente de “as doze tribos” (Tg 1:1). Isso confirma que a lista de Apocalipse 7 representa todo o povo fiel de Deus, judeus e gentios, que perseveram até o fim.

A ausência de Dã, portanto, não fala apenas de uma tribo antiga. Ela fala de um tipo de espiritualidade que Deus não sela. Uma fé que aparenta discernimento, mas age com veneno. Uma religião que não ataca a verdade de frente, mas a corrói por dentro.

E a pergunta que ecoa para a igreja do tempo do fim é inevitável: Estamos entre os que são selados… ou entre os que, como Dã, correm o risco de ficar apenas na história, mas fora do lar eterno?

II. DÃ COMO SÍMBOLO DO CRISTÃO “SERPENTE” HOJE

Aqui chegamos à aplicação inevitável e pessoal deste estudo. A história de Dã não foi registrada apenas para informar — foi registrada para advertir. Biblicamente, Dã se torna um símbolo espiritual de um tipo de cristianismo que existe até hoje: religioso por fora, venenoso por dentro.

Assim como a serpente descrita por Jacó, há cristãos que não atacam a verdade de frente, mas agem às escondidas. Não confrontam com amor, não restauram com graça, não oram com sinceridade. Preferem cochichar em vez de interceder, espalhar em vez de curar, comentar em vez de corrigir.

São pessoas que se dizem preocupadas, mas ferem em nome do cuidado. Que afirmam estar ajudando, mas destroem reputações. Que se apresentam como zelosas, mas semeiam divisão no corpo de Cristo.

O ataque da serpente não é frontal. Ela “morde” por trás. Da mesma forma, o cristão “serpente” não se expõe, não se responsabiliza, não assume suas palavras. Age na sombra da ambiguidade, usando frases aparentemente inocentes, mas carregadas de veneno espiritual:

“Você não acha estranho…?”

“Não quero julgar, mas…”

“Estou falando isso por amor…”

“É só para você, não espalhe…”

Essas frases não são neutras. São mordidas. Pequenas, discretas, mas profundamente destrutivas. A Escritura é clara quanto ao poder da palavra:

“A língua tem poder sobre a vida e sobre a morte” (Pv 18:21).

O mesmo livro de Provérbios adverte: “O homem perverso provoca dissensão, e o que espalha boatos afasta bons amigos” (Provérbios 16:28).

A perversidade aqui não está em atos escandalosos, mas no uso corrupto da língua. É alguém que não precisa levantar a voz para causar estragos. Ele chega de mansinho, como quem não quer nada, insinua, sugere, distorce, espalha dúvidas. Não acusa diretamente — planta suspeitas. Não destrói com violência — corrói com palavras.

Ele “não disse nada”, apenas “comentou”.

Não acusou, apenas “levantou uma questão”.

Não caluniou, apenas “repassou o que ouviu”.

Mas por onde passa, deixa um rastro de separações, amizades quebradas, ministérios enfraquecidos, nomes manchados e comunhões feridas. Como a serpente, ele não aparece depois da queda — já se escondeu.

Tiago, com extrema seriedade, compara a língua a um fogo e a um veneno mortal: “A língua é fogo… cheia de veneno mortífero” (Tg 3:6,8).

E aqui está a advertência solene: o veneno da língua pode excluir alguém da lista dos selados. Não porque Deus seja severo, mas porque esse tipo de atitude revela um coração não transformado.

A ausência de Dã em Apocalipse 7 ecoa como um alerta para a igreja do tempo do fim: Cristãos que vivem de intrigas, fofocas, calúnias e divisões não refletem o caráter do Cordeiro — e, portanto, não podem estar entre os que O seguem para onde quer que vá.

Diante disso, a pergunta deixa de ser histórica e se torna espiritual, pessoal e urgente: Será que, sem perceber, eu tenho agido como Dã? Será que minhas palavras têm sido instrumentos de cura ou de queda? Será que sou conhecido por interceder… ou por comentar? Por restaurar… ou por espalhar?

Este é o momento em que o Espírito Santo nos chama não a apontar dedos, mas a examinar o coração. Porque no tempo do fim, Deus não sela bocas afiadas, Ele sela corações purificados.

III. “CRISTÃOS DANITAS”: UM PERIGO REAL NOS ÚLTIMOS DIAS

A exclusão da tribo de Dã da lista dos selados em Apocalipse 7 não é um detalhe sem importância. Ela carrega uma advertência solene para a igreja dos últimos dias. Da mesma forma, cristãos que persistem deliberadamente em atitudes destrutivas — como fofoca, crítica corrosiva, calúnia e julgamento implacável — também se colocam fora do Reino. Não se trata de quedas ocasionais ou falhas humanas comuns, mas de um estilo de vida não arrependido, cultivado, justificado e até defendido como virtude espiritual.

O chamado “irmão danita” geralmente não percebe quem realmente é. Falta-lhe discernimento espiritual para fazer uma autoanálise honesta. Ele enxerga com lupa os erros alheios, mas é completamente míope em relação aos próprios pecados. Jesus usou palavras duras para descrever esse tipo de espiritualidade doentia: “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão” (Mt 7:3-5, NVI).

Nos dias de Cristo, os fariseus eram considerados o padrão máximo de piedade religiosa. Como destaca o Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, eram rigorosamente zelosos “pelo cumprimento estrito de todos os deveres religiosos prescrito pela Torah, ou ‘Lei de Moisés’ [...]. Sua ocupação era interpretar e aplicar ‘a lei’ a cada detalhe minuciosos e circunstância da vida. Nos tempos de Cristo, essa crescente lista de regras era conhecida como ‘a tradição dos anciãos’ (Mt 15:2)” (DBASD, p. 495). Exteriormente, pareciam irrepreensíveis. Interiormente, porém, estavam tomados por orgulho espiritual, dureza de coração e hipocrisia.

Eles se preocupavam mais em controlar, criticar e condenar do que em amar, restaurar e salvar. Condenavam o “cisco” no olho do outro, enquanto carregavam uma “viga” de pecados ocultos. Por isso, Jesus os chamou de sepulcros caiados: belos por fora, mas cheios de morte por dentro. Tragicamente, seus representantes continuam entre nós hoje, provocando divisões profundas no ambiente de trabalho, na família e, pior ainda, dentro da igreja.

É uma triste ironia da natureza humana: muitas vezes condenamos nos outros exatamente aquilo que se aloja em nós. Quantos lares são destruídos porque marido e mulher vivem em um tribunal permanente, trocando acusações, incapazes de reconhecer as próprias falhas. Na igreja, não é diferente. Há quem critique posturas, costumes, opiniões e até a espiritualidade alheia, sem perceber que abriga pecados igualmente graves — ou até piores — em outras áreas da vida. Outros defendem suas convicções, ainda que corretas, com dureza, arrogância e ausência total de graça cristã.

Amigo, orações feitas de joelhos dobrados fazem muito mais do que palavras afiadas ditas com língua solta. Ajudamos mais com conselhos regados de amor e intercessão sincera do que com críticas e acusações. Isso não significa ignorar problemas reais que afetam famílias ou a igreja, mas enfrentá-los da maneira correta, no espírito de Cristo. Ellen G. White orienta com clareza: “Os soldados de Cristo talvez nem sempre revelem perfeição em sua marcha, mas as suas faltas não devem suscitar, da parte de seus companheiros, palavras que debilitem, e, sim, palavras que fortaleçam e que os ajudem a recuperar o terreno perdido” (Mensagens Escolhidas [CPB, 1987], v. 3, p. 344, 345).

Precisamos nos preocupar mais com nossos próprios erros do que com os erros dos outros. Misericórdia e paciência devem marcar nossos relacionamentos, pois é exatamente assim que Deus age conosco. Os “danitas espirituais” fazem o oposto: aumentam os defeitos alheios e diminuem suas virtudes, enquanto se absolvem completamente. No íntimo, pensam: “Comigo está tudo bem; o problema são os outros.” Isso é orgulho espiritual em sua forma mais concentrada.

Eles se assemelham ao fariseu da parábola de Jesus, que orava: “Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens […]” (Lc 18:11). Jesus revelou que esse homem era hipócrita. Por isso advertiu: “Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lc 12:1).

Na definição de Cristo, hipocrisia não é falhar no caminho cristão. Hipócrita é quem troca o desejo de agradar a Deus pela busca de visibilidade, status espiritual e aplauso humano. É uma religião encenada, vivida para impressionar observadores, e não para glorificar a Deus. A parábola do fariseu e do publicano nos convida a um exame profundo: até que ponto o farisaísmo se infiltrou em nossa fé? Até que ponto confiamos em nós mesmos como se fôssemos agentes da nossa própria salvação? Até que ponto nos arrogamos o direito de julgar os outros pelos nossos critérios? Se há traços desse espírito em nós, o alerta é sério.

O cristão “danita”, ao agir assim, se afasta da experiência do arrependimento genuíno e bloqueia a atuação do Espírito Santo. E quão terrível é viver uma religião sem a presença do Espírito! O Espírito não opera em corações orgulhosos, duros e acusadores.

A grande tragédia do discípulo de Dã é que ele perderá a salvação. Mas a tragédia é ainda maior: ele não se perderá sozinho. Sua influência tóxica arrasta outros consigo. Por isso Deus é tão severo com o pecado da calúnia. O apóstolo Paulo é categórico: “Nem caluniadores […] herdarão o Reino de Deus” (1Co 6:10).

O caluniador é o boateiro, o mexeriqueiro, o destruidor de reputações, o explorador de escândalos. Sorri pela frente, mas morde pelas costas — como a serpente. E aqueles que mordem por trás não herdarão o Reino.

Ellen G. White declara: “A maledicência é uma dupla maldição, caindo mais pesadamente sobre quem fala do que sobre quem ouve. Aquele que espalha as sementes da dissensão e contenda, colhe na própria vida os terríveis frutos. Quão miserável é o leva-e-traz, o mexeriqueiro, o que suspeita mal. Ele é um inimigo da verdadeira felicidade” (Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2007], v. 5, p. 176).

Ela também afirma que a crítica tem origem satânica, sendo uma de suas principais ferramentas para dividir a igreja: “Há alguns que vigiam com a mente e os ouvidos abertos para captar os escândalos que estão no ar. Reúnem pequenos incidentes que em si mesmos são sem importância, e que são repetidos e exagerados até que um homem é considerado um ofensor por uma palavra. Seu moto parece ser: “Conte e nós o contaremos.” Esses mexeriqueiros fazem a obra de Satanás com surpreendente fidelidade, pouco sabendo quão ofensivo a Deus é seu procedimento” (Testemunhos Para Ministros [CPB, 2008], p. 504, 505).

A fofoca e a crítica são uma maldição coletiva. Todos perdem. Elas corroem a igreja por dentro — um verdadeiro canibalismo espiritual, no qual se devora o caráter das pessoas. Precisamos vencer esses males urgentemente.

Apocalipse 14:5 descreve os selados de Deus com uma característica decisiva: “Mentira nenhuma foi encontrada na boca deles.”

Isso elimina:

·        Fofoca “disfarçada de preocupação”

·        Crítica “em nome da verdade”

·        Calúnia “em defesa da igreja”

Quem vive como serpente não pode carregar o selo do Cordeiro.

IV. COMO NOS CURARMOS DESSE MAL? (CAMINHO DA RESTAURAÇÃO)

Aqui está o ponto pastoral e redentor.

1. Reconhecer que temos esse grave pecado

·        Fofoca não é fraqueza social, é pecado espiritual

·        Precisamos parar de normalizar o veneno da língua

Sem isto não conseguiremos o perdão de Deus.

2. Submeter a língua ao Espírito Santo

 “Coloca, Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta de meus lábios” (Sl 141:3, NVI)

A língua só muda quando o coração muda. Deus não quer que façamos voto de silêncio em relação as pessoas, mas sim que não falemos mal dos outros.

3. Trocar a fofoca pela intercessão

Se você sabe de algo, ore. Se não pode orar, cale. Se precisa falar, fale com amor e diretamente

4. Buscar o caráter do Cordeiro

·        Os 144.000 seguem Jesus

·        Jesus não feriu ninguém com palavras ocultas

·        Ele curava, restaurava e salvava

5. Arrependimento e confissão

·        O sangue de Cristo ainda purifica (1Jo 1:9).

·        Nenhum “danita” precisa permanecer danita

O mesmo Cristo que sela também cura.

CONCLUSÃO – EM QUAL LISTA ESTAMOS?

Apocalipse 7 não é apenas uma profecia futura. É um espelho espiritual.

A pergunta final não é: “De que tribo você vem?” Mas: “Que tipo de caráter você carrega?”

A ausência de Dã é uma advertência:

·        Deus não sela veneno

·        Deus não sela duplicidade

·        Deus não sela língua ferina

Mas a presença do Cordeiro é uma esperança:

·        Ele pode transformar serpentes em servos

·        Línguas que feriam em instrumentos de cura

Certa vez, em uma pequena comunidade, uma mulher espalhou comentários negativos sobre um vizinho. Não tinha certeza dos fatos, mas repetiu o que ouviu, acrescentando detalhes, suposições e julgamentos. Em pouco tempo, toda a vila comentava sobre aquele homem. Sua reputação foi manchada, seus relacionamentos abalados e sua dignidade ferida.

Dias depois, a mulher descobriu que tudo não passava de um mal-entendido. Arrependida, procurou um sábio da cidade e perguntou:

— O que posso fazer para consertar o erro que cometi?

O sábio lhe entregou um travesseiro cheio de penas e disse:

— Suba ao ponto mais alto da cidade, rasgue o travesseiro e deixe as penas voarem. Depois volte aqui.

Ela obedeceu. O vento espalhou as penas por ruas, telhados, quintais e campos. Ao retornar, o sábio concluiu:

— Agora vá e recolha todas as penas.

Assustada, a mulher respondeu:

— Isso é impossível! O vento as levou para todos os lados.

O sábio então disse com firmeza e compaixão:

— Assim são as palavras lançadas pela fofoca e pela crítica. Depois que saem da nossa boca, o vento as carrega para lugares que nunca alcançaremos. Podemos nos arrepender, mas nem sempre conseguimos reparar todo o dano causado.

Silêncio tomou conta do coração daquela mulher. Ela entendeu que palavras não são inofensivas. Elas constroem ou destroem, curam ou ferem, salvam ou afastam.

Meus irmãos e minhas irmãs, há penas espalhadas por aí que não conseguimos mais recolher.

Palavras que saíram de nossa boca em momentos de raiva, ironia, inveja ou falsa espiritualidade. Comentários “inocentes”, críticas “bem-intencionadas”, fofocas disfarçadas de “pedido de oração”.

Talvez hoje o Espírito Santo esteja nos mostrando rostos, nomes, histórias…

Pessoas que foram feridas não por mãos violentas, mas por línguas sem freio. A Bíblia diz: “Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que seja assim” (Tg 3:10).

Cristo não morreu apenas para perdoar nossos pecados visíveis, mas também os pecados que cometemos com palavras.

No Calvário, Jesus carregou não só o peso da mentira, mas também o peso da fofoca, da crítica cruel, do julgamento precipitado.

Hoje, o Senhor não nos chama a recolher penas — isso é impossível.

Ele nos chama a trocar o coração. Porque quando o coração é transformado, a boca também é. “A boca fala do que está cheio o coração.” (Lc 6:45)

Por isso, o apelo deste dia não é apenas para quem falou demais, mas para quem permitiu que o coração se enchesse do que não vinha de Deus.

Se você reconhece que precisa dizer menos e amar mais…

Criticar menos e orar mais…

Expor menos e restaurar mais…

Se você deseja que o Espírito Santo coloque um guarda em seus lábios e faça da sua boca um instrumento de vida, e não de morte…

Eu convido você, onde estiver, a tomar uma decisão com Deus agora.

Talvez seja a decisão de pedir perdão a alguém.

Talvez seja a decisão de calar quando a carne quiser falar.

Talvez seja a decisão de transformar conversas em intercessão.

Que hoje o Senhor nos encontre não como espalhadores de penas, mas como semeadores de graça.

“Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão.” (Tg 3:2)

Hoje, o Espírito Santo nos convida a decidir: Seremos cristãos selados ou cristãos danitas? Seguidores do Cordeiro ou portadores de veneno?

Se há algo que precisa ser colocado aos pés da cruz — palavras, atitudes, hábitos ocultos — este é o momento.

 “Quem subirá ao monte do Senhor? O que é limpo de mãos e puro de coração” (Sl 24:3, 4).

Que o Senhor nos conceda graça para rompermos, sem demora, com o espírito dos “danitas” e para que, em nosso caráter, seja refletida a pureza daqueles que compõem o grupo dos 144.000, os que permanecerão em pé e desfrutarão eternamente da companhia dos salvos.

Que Deus nos purifique, nos restaure e nos transforme, e que, quando nossos nomes forem examinados no juízo, sejamos encontrados entre os selados — e não entre os ausentes. O tempo de ignorar ou silenciar a voz de Deus já passou. Seu chamado é urgente, claro e inadiável.

Todos desejamos fazer parte desse grupo especial, mas esse desejo exige mais do que palavras ou intenções piedosas. Ele requer mudanças profundas e radicais em áreas da vida que não refletem o caráter dos 144.000. Na lista celestial, todas as tribos estão presentes — menos uma. Isso não é acaso; é advertência.

A tribo de Dã ficou de fora porque recusou-se a mudar. E nós? Estamos dispostos a permitir que Deus opere essa mudança em nós? Estamos dispostos a deixar de ser “serpente à beira do caminho”, que fere, morde e envenena, para nos tornarmos verdadeiros pastores, que cuidam, alimentam, protegem e conduzem pessoas à salvação?

Que o Espírito Santo nos leve a essa decisão hoje. Não amanhã. Hoje.

Oração:

Querido Deus e bom Pai que estás no Céu,

Chegamos diante de Ti com o coração quebrantado, reconhecendo que muitas vezes falhamos em refletir o caráter de Cristo. Perdoa-nos, Pai, quando nossas palavras feriram, quando nossos julgamentos afastaram, e quando, em vez de sermos instrumentos de cura, fomos causa de dor e divisão.

Purifica-nos, Senhor. Arranca de nós todo espírito de orgulho, crítica, calúnia e dureza de coração. Lava-nos no sangue do Cordeiro e molda em nós o caráter daqueles que seguem o Cordeiro por onde quer que Ele vá.

Não permitas que sejamos encontrados entre os ausentes, mas entre os selados. Que nossas palavras sejam cheias de verdade e graça; que nossos olhos vejam primeiro nossas próprias falhas; que nossos joelhos se dobrem mais do que nossa língua se levante.

Espírito Santo, opera em nós a mudança que não conseguimos produzir sozinhos. Ensina-nos a deixar de ser serpentes à beira do caminho e a nos tornarmos pastores segundo o coração de Cristo, que cuidam, restauram, protegem e conduzem à salvação.

Ouve-nos, Senhor, enquanto ainda é tempo. Sela-nos com Teu Espírito, escreve Teu nome em nosso coração e prepara-nos para o grande dia da redenção final.

Oramos confiantes, não em nossos méritos, mas na justiça perfeita de Jesus, nosso Salvador e Redentor.

Em nome Dele oramos. Amém.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CONFIANÇA EM DEUS

CONHECIMENTO QUE TRANSFORMA

QUARTO MANDAMENTO