“A VIDA É TREM-BALA…” PARA ONDE VOCÊ ESTÁ INDO?


 Ricardo André

Texto bíblico: “Quanto a mim, já estou sendo derramado como libação, e o tempo da minha partida é chegado” (2 Timóteo 4:6, grifo acrescentado).

INTRODUÇÃO

Vivemos, muitas vezes, como se fôssemos eternos neste mundo. Planejamos longamente o amanhã, acumulamos bens, adiamos gestos de amor, postergamos reconciliações, e empurramos para depois aquilo que diz respeito à alma e à eternidade. Agimos como se sempre houvesse tempo. Contudo, a Palavra de Deus nos confronta com uma verdade simples, dura e inescapável: a vida é breve, e a morte é certa.

Mas será que realmente compreendemos quão passageira é a nossa existência? Essa pergunta frequentemente me acompanha quando caminho pelas ruas do Recife, quando vou a passeio, observando pessoas apressadas, correndo de um lado para o outro, absorvidas por compromissos, metas e preocupações. E então me questiono: quantas delas pensam na eternidade? O que estão buscando, afinal — honra, poder, fama, posição, prazer, fortuna? Para muitos, a vida parece resumir-se a essa corrida incessante, como se o agora fosse tudo o que existe e como se o presente pudesse se prolongar indefinidamente.

Ainda que saibam, em algum nível, que a morte é inevitável, muitos vivem como se fossem imortais. Essa maneira de enxergar a vida frequentemente conduz a uma preocupação exagerada com a imagem, o status e a acumulação de bens, enquanto valores essenciais — como os relacionamentos, a fé, a reconciliação e a comunhão com Deus — são negligenciados. Com profunda lucidez, Ellen G. White descreve essa atitude ao afirmar que, “(...) No empreendimento da vida eterna (...) procedem com tanta indiferença como se não fossem agentes morais, como se outro estivesse jogando a partida da vida por eles” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos [CPB, 1984], vol. 1, p. 158).

Em contraste com essa postura superficial diante da vida, encontramos o testemunho poderoso do apóstolo Paulo. Depois de uma trajetória marcada por intensa labuta, perseguições, açoites e prisões por causa do evangelho, Paulo, para não ser julgado por um tribunal injusto na Judeia — onde sua morte seria certa e prematura — apelou para César e foi enviado a Roma, para ser julgado por Nero, o mais tirano dos imperadores romanos.

Foi ali, em Roma, na sombria prisão Mamertina, que esse velho soldado de Cristo, encarcerado pela segunda vez, escreveu sua última carta, a Segunda Epístola a Timóteo, dirigida a seu amado filho na fé. Nela, encontramos uma das declarações mais comoventes e profundas das Escrituras: “Eu já estou sendo derramado como uma oferta de bebida. Está próximo o tempo da minha partida” (2Tm 4:6, NVI).

Nesse texto, Paulo revela plena consciência de que sua jornada terrestre estava chegando ao fim. No entanto, longe de demonstrar medo, desespero ou amargura, ele fala com serenidade, lucidez e esperança. Aquele calabouço escuro não conseguiu apagar sua fé nem silenciar sua confiança em Deus. Ali, o apóstolo concluiu sua gloriosa carreira, testemunhando ao mundo que, mesmo nas circunstâncias mais adversas, é possível enfrentar a morte com paz quando se viveu para Cristo.

A expressão “derramado como oferta de bebida” aponta para a entrega total de sua vida a Deus. Paulo se via como um sacrifício vivo, cuja existência inteira havia sido colocada no altar do serviço ao Senhor. Ele viveu para cumprir sua missão e agora contemplava o fim dessa missão não com pesar, mas com gratidão.

Para nós, essa passagem se torna um poderoso chamado à reflexão. A vida cristã não é apenas uma lista de obrigações religiosas nem um esforço mecânico para agradar a Deus. Ela é, antes de tudo, uma oferta contínua de quem somos. Cada dia vivido, cada decisão tomada, cada ato de amor e fidelidade é como uma gota sendo derramada no altar da adoração.

Paulo também nos ensina a viver com o fim em mente. Ele sabia que sua “partida” estava próxima, mas essa consciência não gerava angústia; ao contrário, produzia confiança e esperança. Sua fé em Cristo lhe dava a certeza de que sua vida não havia sido em vão.

Essa percepção dialoga profundamente com a conhecida canção de Ana Vilela, que afirma: “A vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir.” Todos nós estamos a bordo desse trem chamado vida. Ele não reduz a velocidade, não faz paradas prolongadas e não anuncia qual será a nossa última estação.

Assim, tanto a Bíblia quanto a arte, cada uma à sua maneira, nos lembram da mesma e solene verdade: estamos apenas de passagem. A questão decisiva não é quanto tempo viveremos, mas como estamos vivendo e para onde estamos indo.

I. A CERTEZA DA PARTIDA: TODOS NÓS EMBARCAREMOS

Paulo afirma: “O tempo da minha partida é chegado.” Ele empregou a metáfora da “partida” para se referir a sua morte. "Partida" é uma tradução da palavra grega “analusis”, que significa “soltura, como a do cabo de uma tenda quando se levanta um acampamento, ou das cordas de amarração de um navio preparando-se para zarpar. Paulo fala de sua esperada execução, comparando sua morte ao desarmar de um acampamento ou à saída de um navio do porto” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia [CPB, 2015], v. 7, p. 367).

Ele aceita que seu tempo na terra está chegando ao fim, mas isso não gera desespero, pois ele confia em Deus. A grande certeza da vida, desde que nascemos, é que um dia morreremos. Desde nosso primeiro instante de vida, entramos em uma contagem regressiva que marcará nossos dias de vida terrestre. A cada instante estamos mais próximos deste momento tão “misterioso” e temido por muitos. Neste exato momento, muitos estão dando seu último suspiro. Indubitavelmente, a morte é uma triste experiência pela qual a humanidade passa. Ela nos tem tomado pais, filhos e amigos — e não respeita idade, status social ou religião, não pede permissão e não respeita planos. O apóstolo Paulo a chama de inimiga (1 Co 15:26). A morte é o dilema que faz parte da vida de todo ser humano após a entrada do pecado (Rm 5:12; 6:24).

A canção de Ana Vilela nos lembra: “Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si. É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti.”. Isso significa que a verdadeira riqueza não está em possuir muitas pessoas, fama ou bens materiais, mas em ter a certeza de que, em algum lugar, existe alguém (amigo, familiar, etc.) que se importa, protege e cuida de você, valorizando os laços afetivos e a segurança emocional em vez de posses, ressaltando a importância de momentos simples e relacionamentos verdadeiros na vida, que passa muito rápido como um trem-bala.

Paulo entendeu isso. Ele não mede sua vida por quanto viveu, mas por como viveu. A pergunta não é se vamos morrer, mas se estamos preparados para partir.

II. A BREVIDADE DA VIDA: O TEMPO NÃO ESPERA

A Escritura afirma: “Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa” (Tg 4:14).

A música ecoa: “É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações. E assim ter amigos contigo em todas as situações.” Isso significa que a verdadeira riqueza não está em bens materiais, mas em construir laços profundos de afeto e apoio mútuo, sendo um porto seguro para os outros ("ser abrigo") e tendo um lugar no coração de outras pessoas ("ter morada"), criando uma rede de amigos verdadeiros que estarão juntos em todas as fases da vida, sejam elas boas ou ruins, reforçando a importância das relações humanas sobre a fugacidade da vida, como um trem em alta velocidade.

Infelizmente, muitos de nós passamos a vida correndo — não apenas contra o relógio, mas contra nós mesmos. Corremos em busca da subsistência, do reconhecimento, da fama e da riqueza, como se o sentido da existência estivesse no que acumulamos e não no que nos tornamos. Nessa corrida desenfreada, falta tempo para Deus, falta tempo para a família e falta tempo para olhar com compaixão para o próximo. Vivemos ocupados demais para orar, cansados demais para amar e distraídos demais para perceber que a vida está escorrendo por entre os dedos.

Em contraste com essa lógica do mundo, o apóstolo Paulo, ao escrever sua última carta, não faz um balanço de bens, títulos ou vitórias terrenas. Preso, envelhecido e à beira da morte, ele fala de fé guardada, de combate travado e de uma carreira concluída com fidelidade. Paulo revela que o verdadeiro sucesso não está em chegar ao topo, mas em terminar a jornada em paz com Deus, consciente de que cumpriu a missão que lhe foi confiada.

Por isso, a vida é curta demais para ser desperdiçada com ódio que corrói, com orgulho que isola, com indiferença que endurece o coração e com o pecado que afasta da graça. Cada dia é uma oportunidade preciosa de amar mais, perdoar mais, servir melhor e viver com propósito. Quando entendemos isso, passamos a viver não apenas para sobreviver, mas para glorificar a Deus e deixar marcas eternas na vida das pessoas enquanto ainda há tempo.

III. COMO VIVER SABENDO QUE A VIDA É CURTA

A consciência de que a vida é curta não deve nos paralisar com medo, mas nos conduzir à sabedoria. Saber que somos passageiros não nos impede de viver; ao contrário, nos ensina a viver melhor. A canção de Ana Vilela traduz essa verdade de forma simples e profunda ao dizer:

“Segura teu filho no colo,

Sorria e abrace os teus pais enquanto estão aqui,

Que a vida é trem-bala, parceiro,

E a gente é só passageiro prestes a partir.”

Diante dessa verdade, a canção nos chama a um apelo simples, mas profundamente urgente: vivamos o hoje com propósito eterno. “Segura teu filho no colo” — porque o amor não pode ser adiado. O tempo passa rápido demais para deixarmos para amanhã aquilo que só pode ser vivido agora. Demonstre afeto, esteja presente, invista em pessoas, não apenas em projetos.

“Sorria e abrace os teus pais enquanto estão aqui” — porque há abraços que, se não forem dados hoje, podem nunca mais ser dados. Há palavras que precisam ser ditas agora: “Eu te amo, pai”, perdão, gratidão, reconciliação. A vida não nos garante outra oportunidade.

“Que a vida é trem-bala, parceiro” — ela não desacelera por nossas desculpas, não espera nossos adiamentos e não retorna às estações já deixadas para trás. Cada dia que passa é um convite de Deus para vivermos de maneira mais consciente, mais amorosa e mais fiel.

E “a gente é só passageiro prestes a partir”. Se somos passageiros, precisamos nos perguntar: para onde estamos indo? Estamos vivendo apenas para este mundo passageiro ou já estamos preparados para a eternidade?

Hoje, o Senhor nos chama a uma decisão prática: reorganizar prioridades, valorizar relacionamentos e, acima de tudo, entregar a vida a Cristo. Não deixe para depois o que Deus está chamando você a fazer agora. Reconcilie-se, perdoe, ame, sirva, e se ainda não entregou sua vida a Jesus, faça isso hoje. Porque o trem não para. Mas em Cristo, a partida não é o fim — é o começo da vida eterna.

A Bíblia confirma esse mesmo princípio ao declarar: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90:12).

Segundo Moisés, provável autor do Salmo 90, a média da vida humana gira em torno de 70 anos, podendo chegar a 80 ou um pouco mais. Ainda assim, mesmo uma vida longa é extremamente curta quando comparada à eternidade de Deus. Por isso ele conclui: “A vida passa depressa, e nós voamos!” (Sl 90:10). Davi expressa a mesma realidade ao afirmar: “O homem é como um sopro; os seus dias, como a sombra que passa” (Sl 144:4).

Quando refletimos nessas palavras, percebemos como o tempo é fugaz. Ontem éramos crianças; hoje somos adultos; amanhã, se Deus permitir, seremos lembrança. A vida passa rápido demais para ser vivida de forma superficial ou sem propósito.

Ao pedir a Deus que o ensinasse a contar seus dias, Moisés não estava falando apenas de marcar o tempo no calendário, mas de viver cada dia com consciência, significado e propósito. Ele desejava sabedoria para investir a vida naquilo que realmente importa — numa existência que agradasse ao Senhor. Contar os dias, portanto, é reconhecer a finitude da vida, valorizar cada oportunidade e alinhar o viver com o propósito eterno de Deus.

Ellen White reforça essa verdade ao afirmar: “Só se pode viver esta vida uma vez” (Filhas de Deus, p. 150). “A vida é misteriosa e sagrada. É a manifestação do próprio Deus, fonte de toda a vida. Preciosas são as oportunidades que ela encerra, e devem ser zelosamente aproveitadas. Uma vez perdidas, desaparecem para sempre” (A Ciência do Bom Viver [CPB, 2015], p. 397).

Sabedoria bíblica é a capacidade de enxergar além do horizonte desta vida breve e instável. É viver hoje à luz da eternidade. Foi essa sabedoria que levou o missionário David Brainerd, às portas da morte, a declarar: “Não teria vivido minha vida de outra maneira por coisa alguma neste mundo.” Inspirado por ele, Jim Elliot afirmou antes de ser martirizado: “Não é tolo quem deixa o que não pode reter para alcançar o que não pode perder.”

Essas palavras nos convidam a priorizar o eterno acima do passageiro, os valores espirituais acima das posses materiais, e o propósito de Deus acima das ambições humanas.

O coração sábio é aquele que, compreendendo a brevidade da vida, escolhe o que tem valor eterno. É um coração entregue à vontade de Deus, comprometido com o serviço ao próximo, com o avanço do Reino e com a esperança da salvação. Usar bem a vida é prepará-la para a eternidade.

Esta vida é a escola que nos prepara para a vida futura. Esse é o ensino central do Salmo 90. Se a vida é um sopro, então cada minuto deve ser investido naquilo que realmente importa: o preparo para a eternidade.

O apóstolo Pedro reforça essa verdade ao dizer: “Para que, no tempo que lhe resta, não viva mais para satisfazer os maus desejos humanos, mas sim para fazer a vontade de Deus.” (1Pd 4:2, NVI).

Viver bem, portanto, é amar intensamente a Deus; valorizar pais, filhos, cônjuge e amigos; perdoar mais rápido; fazer o bem enquanto há tempo; servir, testemunhar e amar. Paulo viveu assim — e, por isso, não temeu a morte.

IV. A MORTE NÃO É O FIM: HÁ UMA ESPERANÇA MAIOR

Paulo não encerra sua reflexão em 2 Timóteo 4:6 com a palavra “partida”. Ele prossegue com um testemunho de fé e vitória: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (v. 7). E, olhando além da morte, declara com confiança: “Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda” (v. 8). “Seus pensamentos e esperanças estavam centralizados na segunda vinda de seu Senhor. E quando a espada do carrasco desceu e a sombra da morte caiu sobre o mártir, seu último pensamento avançou, do mesmo modo que o primeiro quando ressuscitar, para encontrar o Doador da vida, que o há de convidar para o regozijo dos santos” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2006], p. 513). 

“Paulo, juntamente com todos aqueles que amam e anseiam pela vinda de Jesus, receberá sua recompensa naquele dia. O apóstolo sabia que não entraria imediatamente no Céu quando morresse. A segunda vinda de Cristo será o dia em que os redimidos receberão a recompensa da vida eterna” (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v. 4, p. 446). Portanto, para o apóstolo, a morte não é derrota, mas a porta de entrada para a esperança.

Embora a morte seja uma realidade dura e inevitável, ela não representa o ponto final da existência. Para o cristão, ela é apenas um intervalo inconsciente, um sono tranquilo, à espera da gloriosa volta de Cristo. Escrevendo aos tessalonicenses, Paulo conforta os crentes com esta promessa: “Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus trará, mediante Jesus e juntamente com Ele, aqueles que nele dormiram” (1Ts 4:14).

A Bíblia ensina que não precisamos temer a morte. Para os que morrem em Cristo, ela é comparada a um sono (Ec 9:5, 6; Jo 11:11–14). Jesus enfrentou a morte na cruz e ressuscitou ao terceiro dia, demonstrando Seu absoluto poder sobre ela. Por isso, todo aquele que morre unido a Cristo despertará para a vida eterna no dia da ressurreição.

Ellen G. White expressa essa esperança de forma tocante: “Nossos corpos mortais podem morrer e ser colocados na sepultura. No entanto, a bendita esperança vive até a ressurreição, quando a voz de Jesus invoca os que dormem reduzidos ao pó da terra. Desfrutaremos então da plenitude da bendita e gloriosa esperança. Sabemos em quem nós cremos. Não corremos nem trabalhamos em vão. Um rica e gloriosa recompensa está diante de nós; é o prêmio pelo qual corremos e, se perseverarmos com coragem, certamente o obteremos” (As Três Mensagens Angélicas [CPB, 2023], p. 131).

A música Trem-Bala reconhece a dor da despedida e a brevidade da vida, mas a Escritura vai além da saudade e nos apresenta esperança: “Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança” (1 Ts 4:13). A tristeza do cristão não é desespero, mas saudade temperada pela fé.

Paulo então descreve um dos mais sublimes quadros da Escritura: Dizemos a vocês, pela palavra do Senhor, que nós, os que estivermos vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, certamente não precederemos os que dormem. Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois disso, os que estivermos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre. Consolem-se uns aos outros com estas palavras. (1 Ts 4:15-18, NVI).

Os tessalonicenses haviam recebido o evangelho recentemente e ficaram perplexos ao verem alguns irmãos morrerem antes da volta de Cristo. Paulo escreve para dissipar o medo, corrigir equívocos e fortalecer a fé, apontando para a reunião gloriosa e eterna de todos os salvos na volta de Jesus. Essa é a “bendita esperança” aguardada pelo povo de Deus em todas as épocas (Tt 2:13–14).

Naquele grande dia, dois eventos extraordinários acontecerão: a ressurreição dos santos mortos e a transformação dos santos vivos. Que privilégio é ser cristão adventista e crer na volta literal, visível e gloriosa de Jesus! Para os que creem, vivos ou mortos, a morte não é o fim — é apenas um descanso até o amanhecer da eternidade.

Esse evento será o grande clímax da história da redenção, o cumprimento de todas as promessas feitas desde Adão até a última geração. Por isso, nosso olhar permanece fixo naquele que “aparecerá segunda vez, sem pecado, para salvar os que O aguardam” (Hb 9:28).

Para o cristão, a morte é um intervalo, não o capítulo final.

A promessa é segura: Jesus voltará. Os mortos em Cristo ressuscitarão. E viveremos eternamente no novo mundo de Deus.

V. O FELIZ REENCONTRO NO CÉU

A morte já levou de mim pessoas profundamente amadas. Alguns dos maiores afetos da minha vida foram tragados por esse inimigo silencioso e cruel. Minha querida mãe, Noêmia Cordeiro de Souza, partiu no dia 25 de junho de 2004, aos apenas 53 anos. Pouco tempo depois, ainda naquele mesmo ano, despedimo-nos também de minha amada vozinha, Deutrudes Cordeiro. Anos mais tarde, em 23 de novembro de 2016, foi a vez de minha sogra, Janilda Matos de Santana. Três mulheres fortes, virtuosas e extraordinárias — mãe, avó e sogra — que deixaram marcas indeléveis em minha história.

As imagens, os gestos, as palavras e o amor delas permanecem vivos em minha memória, evocando lembranças preciosas que o tempo jamais apagará. Contudo, embora a saudade doa, não creio que a morte teve a palavra final sobre suas vidas. Tenho a firme convicção bíblica de que elas não estão perdidas, mas descansam, dormindo no Senhor, aguardando o grande dia da ressurreição. A Palavra de Deus assegura que, quando Cristo voltar em glória, acompanhado de Seus anjos e ao som da trombeta celestial, todos os que dormem em Cristo serão chamados à vida — inclusive minha mãe, minha avó e minha sogra (cf. Mt 25:31; 1Ts 4:13–18).

Essa certeza alimenta em meu coração uma esperança viva e bendita: o reencontro não está distante. No Novo Céu e na Nova Terra, preparados por Deus para os que O amam, caminharemos juntos pelas ruas de ouro da Santa Cidade (Ap 21). Ali, não haverá despedidas, nem separações, nem relógios marcando o tempo. Estaremos reunidos para sempre com nosso compassivo Salvador Jesus Cristo e com todos os remidos de todas as épocas.

A dor da separação presente é real, profunda e legítima, mas ela não é eterna. Quando Jesus voltar em majestade e glória, aqueles que creram n’Ele tornarão a se encontrar. Essa esperança não se apoia em sentimentos vagos ou em consolos humanos frágeis, mas repousa sobre um fundamento sólido, eterno e indestrutível: um Cristo vivo e ressuscitado (1Co 15:4).

A ressurreição de Jesus é o alicerce da nossa esperança cristã (1Pe 1:3; 1Co 15:12–19). Assim como Deus Pai trouxe Seu Filho dentre os mortos naquela manhã gloriosa fora dos muros de Jerusalém, assim também Ele trará de volta à vida todos os que morreram em Cristo, quando o Senhor retornar pela segunda vez (1Ts 1:10; At 1:10–11).

Então, finalmente, haverá um feliz e eterno reencontro. Viveremos para sempre no mundo do amanhã que Deus prometeu aos que n’Ele confiam. Um mundo onde a morte não mais existirá, onde a dor será apenas uma lembrança distante e onde as lágrimas serão definitivamente enxugadas. Como nos assegura a Palavra do Senhor: “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." (Ap 21:4).

Essa é a esperança que consola, sustenta e nos faz prosseguir: o adeus de hoje será transformado no reencontro eterno do amanhã.

CONCLUSÃO: O QUE VOCÊ FARÁ COM O TEMPO QUE RESTA?

A vida é, de fato, um trem-bala. Avança rápido, sem pausas, sem retorno. A estação final deste mundo se aproxima para todos nós, sem exceção. Diante dessa realidade, a pergunta mais importante não é quando será a nossa partida, mas como estamos vivendo enquanto ainda estamos a caminho.

A música nos alerta com sabedoria: “Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais. Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás.” A canção nos chama a desacelerar, a rever prioridades e a lembrar que o verdadeiro valor da vida não está no quanto acumulamos, mas em como vivemos e para quem vivemos.

O evangelho completa: É sobre viver para Cristo agora, para viver com Ele para sempre. Logo, “quem vive bem em Cristo, morre apenas para acordar na eternidade.”

Que, quando chegar o nosso momento de partir, possamos fazê-lo com a mesma paz de Paulo, certos de que a morte não venceu — Cristo venceu.

Havia um homem chamado André.

Trabalhador, correto, respeitado. Sempre dizia:

— “Quando eu me aposentar, vou cuidar mais da minha família… Quando tiver mais tempo, vou buscar mais a Deus.”

Todos os dias, André pegava o mesmo trem para o trabalho. Conhecia os horários, as estações, os assentos. O trem era parte da sua rotina — previsível, controlável.

Certa manhã, como todas as outras, ele saiu de casa apressado. Beijou a esposa sem olhar nos olhos. Prometeu ao filho que brincariam no fim de semana. Pensou em orar, mas adiou: — “Depois eu falo com Deus.”

O trem partiu. No meio do percurso, algo inesperado aconteceu. Um mal súbito. Um colapso. O trem parou… mas a vida de André também.

Naquele dia, ele não chegou ao trabalho, não voltou para casa, não teve “outra oportunidade”. Para André, aquela foi a última estação.

No velório, alguém comentou: — “Ele era uma boa pessoa.”

Outro disse: — “Trabalhou muito.”

Mas alguém, com lágrimas nos olhos, sussurrou: — “Ele sempre dizia que ainda ia se acertar com Deus…” E nunca se acertou.

O apóstolo Paulo também sabia que estava perto da última estação. Mas, diferente de André, ele pôde dizer: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4:7).

Paulo não foi surpreendido pela morte — ele estava preparado para ela.

Você e eu estamos no mesmo trem. A diferença é que não sabemos em qual estação desceremos.

A pergunta não é: “Você é uma pessoa boa?” A pergunta é: “Você já entregou sua vida a Jesus?” Porque só quem está em Cristo pode dizer: “A morte não é o fim da minha história.”

Se hoje fosse o último dia, você estaria em paz com Deus? Seus relacionamentos refletem amor ou indiferença? Você está vivendo para o que passa ou para o que é eterno?

Como estamos vivendo? Estamos preparados para enfrentar o momento da nossa “partida”? Se ainda não entregou sua vida completamente a Cristo, hoje é o dia para começar essa jornada de fé e sacrifício, preparando-se para receber a “coroa da justiça”, prometida a todos que amam a vinda do Senhor. Hoje é a estação da graça. Amanhã pode ser tarde.

Oração: 

“Querido Deus e bom Pai que estás no Céu, ajuda-me a viver cada dia como uma oferta a Ti. Que minha vida seja um reflexo do Teu amor e da Tua graça. Obrigado pela promessa de vida eterna! Ensina-me a viver com propósito, com os olhos fixos na eternidade. Que eu confie em Ti em todas as etapas da minha jornada, sabendo que tudo está em Tuas mãos. Amém.” 

 

 

 

 

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