“A VIDA É TREM-BALA…” PARA ONDE VOCÊ ESTÁ INDO?
Ricardo André
Texto
bíblico: “Quanto a mim, já estou sendo derramado como
libação, e o tempo da minha partida é
chegado” (2 Timóteo 4:6, grifo acrescentado).
INTRODUÇÃO
Vivemos, muitas vezes,
como se fôssemos eternos neste mundo. Planejamos longamente o amanhã,
acumulamos bens, adiamos gestos de amor, postergamos reconciliações, e
empurramos para depois aquilo que diz respeito à alma e à eternidade. Agimos
como se sempre houvesse tempo. Contudo, a Palavra de Deus nos confronta com uma
verdade simples, dura e inescapável: a
vida é breve, e a morte é certa.
Mas será que realmente
compreendemos quão passageira é a nossa existência? Essa pergunta
frequentemente me acompanha quando caminho pelas ruas do Recife, quando vou a
passeio, observando pessoas apressadas, correndo de um lado para o outro,
absorvidas por compromissos, metas e preocupações. E então me questiono:
quantas delas pensam na eternidade? O que estão buscando, afinal — honra,
poder, fama, posição, prazer, fortuna? Para muitos, a vida parece resumir-se a
essa corrida incessante, como se o agora fosse tudo o que existe e como se o
presente pudesse se prolongar indefinidamente.
Ainda que saibam, em
algum nível, que a morte é inevitável, muitos vivem como se fossem imortais.
Essa maneira de enxergar a vida frequentemente conduz a uma preocupação
exagerada com a imagem, o status e a acumulação de bens, enquanto valores
essenciais — como os relacionamentos, a fé, a reconciliação e a comunhão com
Deus — são negligenciados. Com profunda lucidez, Ellen G. White descreve essa
atitude ao afirmar que, “(...) No empreendimento da vida eterna (...) procedem
com tanta indiferença como se não fossem agentes morais, como se outro
estivesse jogando a partida da vida por eles” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos [CPB, 1984], vol. 1, p.
158).
Em contraste com essa postura
superficial diante da vida, encontramos o testemunho poderoso do apóstolo
Paulo. Depois de uma trajetória marcada por intensa labuta, perseguições,
açoites e prisões por causa do evangelho, Paulo, para não ser julgado por um
tribunal injusto na Judeia — onde sua morte seria certa e prematura — apelou
para César e foi enviado a Roma, para ser julgado por Nero, o mais tirano dos
imperadores romanos.
Foi ali, em Roma, na sombria prisão Mamertina, que esse velho soldado de Cristo, encarcerado pela segunda vez, escreveu sua última carta, a Segunda Epístola a Timóteo, dirigida a seu amado filho na fé. Nela, encontramos uma das declarações mais comoventes e profundas das Escrituras: “Eu já estou sendo derramado como uma oferta de bebida. Está próximo o tempo da minha partida” (2Tm 4:6, NVI).
Nesse texto, Paulo revela plena
consciência de que sua jornada terrestre estava chegando ao fim. No entanto,
longe de demonstrar medo, desespero ou amargura, ele fala com serenidade,
lucidez e esperança. Aquele calabouço escuro não conseguiu apagar sua fé nem
silenciar sua confiança em Deus. Ali, o apóstolo concluiu sua gloriosa
carreira, testemunhando ao mundo que, mesmo nas circunstâncias mais adversas, é
possível enfrentar a morte com paz quando se viveu para Cristo.
A expressão “derramado como
oferta de bebida” aponta para a entrega total de sua vida a Deus. Paulo se via
como um sacrifício vivo, cuja existência inteira havia sido colocada no altar
do serviço ao Senhor. Ele viveu para cumprir sua missão e agora contemplava o
fim dessa missão não com pesar, mas com gratidão.
Para nós, essa passagem se torna
um poderoso chamado à reflexão. A vida cristã não é apenas uma lista de
obrigações religiosas nem um esforço mecânico para agradar a Deus. Ela é, antes
de tudo, uma oferta contínua de quem somos. Cada dia vivido, cada decisão
tomada, cada ato de amor e fidelidade é como uma gota sendo derramada no altar
da adoração.
Paulo também nos ensina a viver
com o fim em mente. Ele sabia que sua “partida”
estava próxima, mas essa consciência não gerava angústia; ao contrário,
produzia confiança e esperança. Sua fé em Cristo lhe dava a certeza de que sua
vida não havia sido em vão.
Essa percepção dialoga
profundamente com a conhecida canção de Ana Vilela, que afirma: “A vida é trem-bala, parceiro, e a gente é
só passageiro prestes a partir.” Todos nós estamos a bordo desse trem
chamado vida. Ele não reduz a velocidade, não faz paradas prolongadas e não
anuncia qual será a nossa última estação.
Assim, tanto a Bíblia quanto a
arte, cada uma à sua maneira, nos lembram da mesma e solene verdade: estamos apenas de passagem. A questão
decisiva não é quanto tempo viveremos,
mas como estamos vivendo e para onde
estamos indo.
I.
A CERTEZA DA PARTIDA: TODOS NÓS EMBARCAREMOS
Paulo afirma: “O tempo da minha
partida é chegado.” Ele
empregou a metáfora da “partida” para se referir a sua morte.
"Partida" é uma tradução da palavra grega “analusis”, que
significa “soltura, como a do cabo de uma tenda quando se levanta um
acampamento, ou das cordas de amarração de um navio preparando-se para zarpar.
Paulo fala de sua esperada execução, comparando sua morte ao desarmar de um
acampamento ou à saída de um navio do porto” (Comentário Bíblico Adventista
do Sétimo Dia [CPB, 2015], v. 7, p. 367).
Ele aceita que seu tempo na terra
está chegando ao fim, mas isso não gera desespero, pois ele confia em Deus. A
grande certeza da vida, desde que nascemos, é que um dia morreremos. Desde
nosso primeiro instante de vida, entramos em uma contagem regressiva que
marcará nossos dias de vida terrestre. A cada instante estamos mais próximos
deste momento tão “misterioso” e temido por muitos. Neste exato momento, muitos
estão dando seu último suspiro. Indubitavelmente, a morte é uma triste
experiência pela qual a humanidade passa. Ela nos tem tomado pais, filhos e
amigos —
e não respeita idade, status social ou religião, não pede permissão e não
respeita planos. O apóstolo Paulo a chama de inimiga (1 Co 15:26). A
morte é o dilema que faz parte da vida de todo ser humano após a entrada do
pecado (Rm 5:12; 6:24).
A canção de Ana Vilela nos
lembra: “Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si. É sobre saber que em
algum lugar alguém zela por ti.”. Isso significa que a verdadeira
riqueza não está em possuir muitas pessoas, fama ou bens materiais, mas em ter
a certeza de que, em algum lugar, existe alguém (amigo, familiar, etc.) que se
importa, protege e cuida de você, valorizando os laços afetivos e a segurança
emocional em vez de posses, ressaltando a importância de momentos simples e
relacionamentos verdadeiros na vida, que passa muito rápido como um trem-bala.
Paulo entendeu isso.
Ele não mede sua vida por quanto viveu,
mas por como viveu. A pergunta não é
se vamos morrer, mas se estamos preparados para partir.
II.
A BREVIDADE DA VIDA: O TEMPO NÃO ESPERA
A Escritura afirma: “Vocês
nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a
neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa” (Tg 4:14).
A música ecoa: “É
sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações. E assim ter amigos
contigo em todas as situações.” Isso significa que a verdadeira riqueza não
está em bens materiais, mas em construir laços profundos de afeto e apoio
mútuo, sendo um porto seguro para os outros ("ser abrigo") e tendo um
lugar no coração de outras pessoas ("ter morada"), criando uma rede
de amigos verdadeiros que estarão juntos em todas as fases da vida, sejam elas
boas ou ruins, reforçando a importância das relações humanas sobre a fugacidade
da vida, como um trem em alta velocidade.
Infelizmente, muitos de
nós passamos a vida correndo — não apenas contra o relógio, mas contra nós
mesmos. Corremos em busca da subsistência, do reconhecimento, da fama e da
riqueza, como se o sentido da existência estivesse no que acumulamos e não no
que nos tornamos. Nessa corrida desenfreada, falta tempo para Deus, falta tempo
para a família e falta tempo para olhar com compaixão para o próximo. Vivemos
ocupados demais para orar, cansados demais para amar e distraídos demais para
perceber que a vida está escorrendo por entre os dedos.
Em contraste com essa
lógica do mundo, o apóstolo Paulo, ao escrever sua última carta, não faz um
balanço de bens, títulos ou vitórias terrenas. Preso, envelhecido e à beira da
morte, ele fala de fé guardada, de combate travado e de uma carreira concluída
com fidelidade. Paulo revela que o verdadeiro sucesso não está em chegar ao
topo, mas em terminar a jornada em paz com Deus, consciente de que cumpriu a
missão que lhe foi confiada.
Por isso, a vida é
curta demais para ser desperdiçada com ódio que corrói, com orgulho que isola,
com indiferença que endurece o coração e com o pecado que afasta da graça. Cada
dia é uma oportunidade preciosa de amar mais, perdoar mais, servir melhor e
viver com propósito. Quando entendemos isso, passamos a viver não apenas para
sobreviver, mas para glorificar a Deus e deixar marcas eternas na vida das
pessoas enquanto ainda há tempo.
III.
COMO VIVER SABENDO QUE A VIDA É CURTA
A consciência de que a
vida é curta não deve nos paralisar com medo, mas nos conduzir à sabedoria.
Saber que somos passageiros não nos impede de viver; ao contrário, nos ensina a
viver melhor. A canção de Ana Vilela traduz essa verdade de forma simples e
profunda ao dizer:
“Segura
teu filho no colo,
Sorria
e abrace os teus pais enquanto estão aqui,
Que
a vida é trem-bala, parceiro,
E
a gente é só passageiro prestes a partir.”
Diante dessa verdade, a
canção nos chama a um apelo simples, mas profundamente urgente: vivamos o hoje
com propósito eterno. “Segura teu filho
no colo” — porque o amor não pode ser adiado. O tempo passa rápido demais
para deixarmos para amanhã aquilo que só pode ser vivido agora. Demonstre
afeto, esteja presente, invista em pessoas, não apenas em projetos.
“Sorria
e abrace os teus pais enquanto estão aqui” — porque há
abraços que, se não forem dados hoje, podem nunca mais ser dados. Há palavras
que precisam ser ditas agora: “Eu te amo, pai”, perdão, gratidão, reconciliação. A
vida não nos garante outra oportunidade.
“Que
a vida é trem-bala, parceiro” — ela não desacelera
por nossas desculpas, não espera nossos adiamentos e não retorna às estações já
deixadas para trás. Cada dia que passa é um convite de Deus para vivermos de
maneira mais consciente, mais amorosa e mais fiel.
E “a gente é só
passageiro prestes a partir”. Se somos passageiros, precisamos nos perguntar: para onde estamos indo? Estamos vivendo
apenas para este mundo passageiro ou já estamos preparados para a eternidade?
Hoje, o Senhor nos
chama a uma decisão prática: reorganizar prioridades, valorizar relacionamentos
e, acima de tudo, entregar a vida a Cristo. Não deixe para depois o que Deus
está chamando você a fazer agora. Reconcilie-se, perdoe, ame, sirva, e se ainda
não entregou sua vida a Jesus, faça isso hoje. Porque o trem não para. Mas em
Cristo, a partida não é o fim — é o começo da vida eterna.
A Bíblia confirma esse
mesmo princípio ao declarar: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que
alcancemos coração sábio” (Sl 90:12).
Segundo Moisés,
provável autor do Salmo 90, a média da vida humana gira em torno de 70 anos,
podendo chegar a 80 ou um pouco mais. Ainda assim, mesmo uma vida longa é extremamente
curta quando comparada à eternidade de Deus. Por isso ele conclui: “A vida
passa depressa, e nós voamos!” (Sl 90:10). Davi expressa a mesma realidade ao
afirmar: “O homem é como um sopro; os seus dias, como a sombra que passa” (Sl
144:4).
Quando refletimos
nessas palavras, percebemos como o tempo é fugaz. Ontem éramos crianças; hoje
somos adultos; amanhã, se Deus permitir, seremos lembrança. A vida passa rápido
demais para ser vivida de forma superficial ou sem propósito.
Ao pedir a Deus que o
ensinasse a contar seus dias, Moisés não estava falando apenas de marcar o
tempo no calendário, mas de viver cada dia com consciência, significado e
propósito. Ele desejava sabedoria para investir a vida naquilo que realmente
importa — numa existência que agradasse ao Senhor. Contar os dias, portanto, é
reconhecer a finitude da vida, valorizar cada oportunidade e alinhar o viver
com o propósito eterno de Deus.
Ellen White reforça
essa verdade ao afirmar: “Só se pode viver esta vida uma vez” (Filhas de Deus, p.
150). “A vida é misteriosa e sagrada. É a manifestação do próprio Deus, fonte
de toda a vida. Preciosas são as oportunidades que ela encerra, e devem ser
zelosamente aproveitadas. Uma vez perdidas, desaparecem para sempre” (A Ciência do Bom Viver [CPB, 2015], p. 397).
Sabedoria bíblica é a capacidade de enxergar além
do horizonte desta vida breve e instável. É viver hoje à luz da eternidade. Foi
essa sabedoria que levou o missionário David Brainerd, às portas da morte, a
declarar: “Não teria vivido minha vida de outra maneira por coisa alguma neste
mundo.” Inspirado por ele, Jim Elliot afirmou antes de ser martirizado: “Não é
tolo quem deixa o que não pode reter para alcançar o que não pode perder.”
Essas palavras nos convidam a priorizar o eterno
acima do passageiro, os valores espirituais acima das posses materiais, e o
propósito de Deus acima das ambições humanas.
O coração sábio é aquele que, compreendendo a
brevidade da vida, escolhe o que tem valor eterno. É um coração entregue à
vontade de Deus, comprometido com o serviço ao próximo, com o avanço do Reino e
com a esperança da salvação. Usar bem a vida é prepará-la para a eternidade.
Esta vida é a escola que nos prepara para a vida
futura. Esse é o ensino central do Salmo 90. Se a vida é um sopro, então cada
minuto deve ser investido naquilo que realmente importa: o preparo para a
eternidade.
O apóstolo Pedro reforça essa verdade ao dizer:
“Para que, no tempo que lhe resta, não viva mais para satisfazer os maus
desejos humanos, mas sim para fazer a vontade de Deus.” (1Pd 4:2, NVI).
Viver bem, portanto, é
amar intensamente a Deus; valorizar pais, filhos, cônjuge e amigos; perdoar
mais rápido; fazer o bem enquanto há tempo; servir, testemunhar e amar. Paulo
viveu assim — e, por isso, não temeu a morte.
IV.
A MORTE NÃO É O FIM: HÁ UMA ESPERANÇA MAIOR
Paulo não encerra sua reflexão em 2 Timóteo 4:6 com a palavra “partida”. Ele prossegue com um testemunho de fé e vitória: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (v. 7). E, olhando além da morte, declara com confiança: “Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda” (v. 8). “Seus pensamentos e esperanças estavam centralizados na segunda vinda de seu Senhor. E quando a espada do carrasco desceu e a sombra da morte caiu sobre o mártir, seu último pensamento avançou, do mesmo modo que o primeiro quando ressuscitar, para encontrar o Doador da vida, que o há de convidar para o regozijo dos santos” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2006], p. 513).
“Paulo, juntamente com todos aqueles que amam e anseiam
pela vinda de Jesus, receberá sua recompensa naquele dia. O apóstolo sabia que
não entraria imediatamente no Céu quando morresse. A segunda vinda de Cristo
será o dia em que os redimidos receberão a recompensa da vida eterna” (Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], v.
4, p. 446). Portanto, para o apóstolo, a morte não é derrota, mas a porta
de entrada para a esperança.
Embora
a morte seja uma realidade dura e inevitável, ela não representa o ponto final
da existência. Para o cristão, ela é apenas um intervalo inconsciente, um sono tranquilo, à espera da gloriosa
volta de Cristo. Escrevendo aos tessalonicenses, Paulo conforta os crentes
com esta promessa: “Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que
Deus trará, mediante Jesus e juntamente com Ele, aqueles que nele dormiram”
(1Ts 4:14).
A
Bíblia ensina que não precisamos temer a morte. Para os que morrem em Cristo,
ela é comparada a um sono (Ec 9:5, 6; Jo 11:11–14). Jesus enfrentou a morte na
cruz e ressuscitou ao terceiro dia, demonstrando Seu absoluto poder sobre ela.
Por isso, todo aquele que morre unido a Cristo despertará para a vida eterna no
dia da ressurreição.
Ellen
G. White expressa essa esperança de forma tocante: “Nossos corpos mortais podem
morrer e ser colocados na sepultura. No entanto, a bendita esperança vive até a
ressurreição, quando a voz de Jesus invoca os que dormem reduzidos ao pó da
terra. Desfrutaremos então da plenitude da bendita e gloriosa esperança.
Sabemos em quem nós cremos. Não corremos nem trabalhamos em vão. Um rica e
gloriosa recompensa está diante de nós; é o prêmio pelo qual corremos e, se
perseverarmos com coragem, certamente o obteremos” (As Três Mensagens
Angélicas [CPB, 2023], p. 131).
A
música Trem-Bala reconhece a dor da despedida e a brevidade da vida, mas a
Escritura vai além da saudade e nos
apresenta esperança: “Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes
quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm
esperança” (1 Ts 4:13). A
tristeza do cristão não é desespero, mas saudade temperada pela fé.
Paulo então descreve um dos mais sublimes quadros da Escritura: “Dizemos a vocês, pela palavra do Senhor, que nós, os que estivermos vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, certamente não precederemos os que dormem. Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois disso, os que estivermos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre. Consolem-se uns aos outros com estas palavras. (1 Ts 4:15-18, NVI).
Os tessalonicenses haviam
recebido o evangelho recentemente e ficaram perplexos ao verem alguns irmãos
morrerem antes da volta de Cristo. Paulo escreve para dissipar o medo, corrigir
equívocos e fortalecer a fé, apontando para a reunião gloriosa e eterna de
todos os salvos na volta de Jesus. Essa é a “bendita esperança” aguardada pelo
povo de Deus em todas as épocas (Tt 2:13–14).
Naquele grande dia, dois eventos
extraordinários acontecerão: a ressurreição dos santos mortos e a transformação
dos santos vivos. Que privilégio é ser cristão adventista e crer na volta
literal, visível e gloriosa de Jesus! Para os que creem, vivos ou mortos, a
morte não é o fim — é apenas um descanso até o amanhecer da eternidade.
Esse evento será o grande clímax
da história da redenção, o cumprimento de todas as promessas feitas desde Adão
até a última geração. Por isso, nosso olhar permanece fixo naquele que
“aparecerá segunda vez, sem pecado, para salvar os que O aguardam” (Hb 9:28).
Para o cristão, a morte é um intervalo, não o capítulo
final.
A promessa é segura: Jesus voltará. Os mortos em Cristo ressuscitarão.
E viveremos eternamente no novo mundo de Deus.
V. O
FELIZ REENCONTRO NO CÉU
A morte já levou de mim pessoas profundamente
amadas. Alguns dos maiores afetos da minha vida foram tragados por esse inimigo
silencioso e cruel. Minha querida mãe, Noêmia
Cordeiro de Souza, partiu no dia 25 de junho de 2004, aos apenas 53 anos.
Pouco tempo depois, ainda naquele mesmo ano, despedimo-nos também de minha
amada vozinha, Deutrudes Cordeiro.
Anos mais tarde, em 23 de novembro de 2016, foi a vez de minha sogra, Janilda Matos de Santana. Três mulheres
fortes, virtuosas e extraordinárias — mãe, avó e sogra — que deixaram marcas
indeléveis em minha história.
As imagens, os gestos, as palavras e o amor delas
permanecem vivos em minha memória, evocando lembranças preciosas que o tempo
jamais apagará. Contudo, embora a saudade doa, não creio que a morte teve a palavra final sobre suas vidas. Tenho
a firme convicção bíblica de que elas não estão perdidas, mas descansam,
dormindo no Senhor, aguardando o grande dia da ressurreição. A Palavra de Deus
assegura que, quando Cristo voltar em glória, acompanhado de Seus anjos e ao
som da trombeta celestial, todos os que dormem em Cristo serão chamados à vida
— inclusive minha mãe, minha avó e minha sogra (cf. Mt 25:31; 1Ts 4:13–18).
Essa certeza alimenta em meu coração uma esperança
viva e bendita: o reencontro não está
distante. No Novo Céu e na Nova Terra, preparados por Deus para os que O
amam, caminharemos juntos pelas ruas de ouro da Santa Cidade (Ap 21). Ali, não
haverá despedidas, nem separações, nem relógios marcando o tempo. Estaremos
reunidos para sempre com nosso compassivo Salvador Jesus Cristo e com todos os
remidos de todas as épocas.
A dor da separação presente é real, profunda e
legítima, mas ela não é eterna.
Quando Jesus voltar em majestade e glória, aqueles que creram n’Ele tornarão a
se encontrar. Essa esperança não se apoia em sentimentos vagos ou em consolos
humanos frágeis, mas repousa sobre um fundamento
sólido, eterno e indestrutível: um Cristo vivo e ressuscitado (1Co 15:4).
A ressurreição de Jesus é o alicerce da nossa
esperança cristã (1Pe 1:3; 1Co 15:12–19). Assim como Deus Pai trouxe Seu Filho
dentre os mortos naquela manhã gloriosa fora dos muros de Jerusalém, assim também Ele trará de volta à vida
todos os que morreram em Cristo, quando o Senhor retornar pela segunda vez
(1Ts 1:10; At 1:10–11).
Então, finalmente, haverá um feliz e eterno reencontro. Viveremos para sempre no mundo do amanhã
que Deus prometeu aos que n’Ele confiam. Um mundo onde a morte não mais
existirá, onde a dor será apenas uma lembrança distante e onde as lágrimas
serão definitivamente enxugadas. Como nos assegura a Palavra do Senhor: “Ele
enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais
pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas."
(Ap 21:4).
Essa é a esperança que consola, sustenta e nos faz
prosseguir: o adeus de hoje será
transformado no reencontro eterno do amanhã.
CONCLUSÃO:
O QUE VOCÊ FARÁ COM O TEMPO QUE RESTA?
A vida é, de fato, um
trem-bala. Avança rápido, sem pausas, sem retorno. A estação final deste mundo
se aproxima para todos nós, sem exceção. Diante dessa realidade, a pergunta
mais importante não é quando será a
nossa partida, mas como estamos
vivendo enquanto ainda estamos a caminho.
A música nos alerta com
sabedoria: “Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais. Porque
quando menos se espera a vida já ficou pra trás.” A canção nos chama a
desacelerar, a rever prioridades e a lembrar que o verdadeiro valor da vida não
está no quanto acumulamos, mas em como vivemos e para quem vivemos.
O evangelho completa: É sobre viver para Cristo agora, para viver
com Ele para sempre. Logo, “quem vive
bem em Cristo, morre apenas para acordar na eternidade.”
Que, quando chegar o nosso momento de partir, possamos fazê-lo com a mesma paz de Paulo, certos de que a morte não venceu — Cristo venceu.
Havia um homem chamado
André.
Trabalhador, correto,
respeitado. Sempre dizia:
— “Quando eu me
aposentar, vou cuidar mais da minha família… Quando tiver mais tempo, vou
buscar mais a Deus.”
Todos os dias, André
pegava o mesmo trem para o trabalho. Conhecia os horários, as estações, os
assentos. O trem era parte da sua rotina — previsível, controlável.
Certa manhã, como todas
as outras, ele saiu de casa apressado. Beijou a esposa sem olhar nos olhos. Prometeu
ao filho que brincariam no fim de semana. Pensou em orar, mas adiou: — “Depois
eu falo com Deus.”
O trem partiu. No meio
do percurso, algo inesperado aconteceu. Um mal súbito. Um colapso. O trem
parou… mas a vida de André também.
Naquele dia, ele não
chegou ao trabalho, não voltou para casa, não teve “outra oportunidade”. Para
André, aquela foi a última estação.
No velório, alguém
comentou: — “Ele era uma boa pessoa.”
Outro disse: —
“Trabalhou muito.”
Mas alguém, com
lágrimas nos olhos, sussurrou: — “Ele sempre dizia que ainda ia se acertar com
Deus…” E nunca se acertou.
O apóstolo Paulo também
sabia que estava perto da última estação. Mas, diferente de André, ele pôde
dizer: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4:7).
Paulo não foi
surpreendido pela morte — ele estava preparado para ela.
Você e eu estamos no
mesmo trem. A diferença é que não sabemos em qual estação desceremos.
A pergunta não é: “Você
é uma pessoa boa?” A pergunta é: “Você
já entregou sua vida a Jesus?” Porque só quem está em Cristo pode dizer: “A
morte não é o fim da minha história.”
Se hoje fosse o último
dia, você estaria em paz com Deus? Seus relacionamentos refletem amor ou
indiferença? Você está vivendo para o que passa ou para o que é eterno?
Como estamos vivendo? Estamos
preparados para enfrentar o momento da nossa “partida”? Se ainda não entregou
sua vida completamente a Cristo, hoje é o dia para começar essa jornada de fé e
sacrifício, preparando-se para receber a “coroa da justiça”, prometida a todos
que amam a vinda do Senhor.
Oração:
“Querido Deus e bom Pai que estás no Céu, ajuda-me
a viver cada dia como uma oferta a Ti. Que minha vida seja um reflexo do Teu
amor e da Tua graça. Obrigado pela promessa de vida eterna! Ensina-me a viver
com propósito, com os olhos fixos na eternidade. Que eu confie em Ti em todas
as etapas da minha jornada, sabendo que tudo está em Tuas mãos. Amém.”

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